terça-feira, junho 28, 2022

pelas fragas de são simão

 
















































fotografias que documentam um belo e ansiado passeio às fragas de são simão, umas das maravilhas da serra da lousã, a cinco quilómetros de figueiró dos vinhos. dois miradouros com vistas deslumbrantes, uma aldeia de xisto (casal de são simão), imaculada, bem preservada e de encantos mil, e passadiços que ligam o miradouro à praia fluvial das fragas de são simão, com as águas límpidas e cristalinas da ribeira de alge. um percurso pedestre de quatro quilómetros tão puxado, devido aos grandes declives (descida íngreme para a praia fluvial, subida íngreme para a aldeia e para o segundo miradouro), quanto inesquecível! só não houve coragem para ir à água, mas a vontade estava lá...

um destino escolhido a dedo, pesquisado até à exaustão em termos logísticos e que não defraudou nenhuma das expectativas criadas. mais um desafio ultrapassado a dois, em total harmonia e em perfeita comunhão com a paisagem, com todos os recantos pitorescos da praia fluvial e com a ancestralidade imaculada da aldeia de xisto, perfeita, asseada e deslumbrante! por momentos, sentimo-nos no sistelo, a repetir o nosso inesquecível percurso pedestre de 22 quilómetros sempre com o rio vez e as suas águas cristalinas do nosso lado.

a sensação de superação não nos é desconhecida. felizmente, temo-la sentido amiúde nos últimos tempos. é com ela que queremos viver, é a ela que nos entregamos cegamente, porque nos queremos sentir vivos, porque queremos conhecer cada vez mais recantos deste menosprezado país e porque queremos enganar a idade que trazemos às costas. os "cinquentas" são os novos "vintes" e nós sentimo-nos cada vez mais jovens, mais ousados, mais ágeis e menos temorosos! o medo ficou na nossa primeira vivência; esta segunda oportunidade é para agarrar com unhas, mãos, dedos, pernas, dentes, tudo! porque quando estamos juntos, estamos em sintonia com tudo aquilo que sempre quisemos ser! juntos, somos o nós com que sempre sonhámos! juntos, somos harmonia, paz, serenidade, amor, amizade, companheirismo e, lá está, superação! necessitámos de muita coragem e muita força de vontade para chegarmos onde estamos hoje, mas conseguimos! agora, é seguir em frente, unidos, determinados e cada vez mais apaixonados, porque haverá sempre um novo desafio para vencer!

sábado, junho 04, 2022

um sorriso que se eternizou no rosto



o Diário de Viseu fez 25 anos na quinta-feira, dia 2 de junho, e promoveu uma conferência na escola superior de saúde subordinada ao tema "O Futuro é no Interior", com dois painéis de ilustres convidados. o evento foi um sucesso e merecerá, decerto, continuidade nos próximos anos, pelo debate saudável sobre a força dos territórios do interior e os seus fortes argumentos turísticos, gastronómicos e paisagísticos, trunfos poderosos de atração para o nicho de turismo de tranquilidade que está cada vez mais em voga.

como jornalista do Diário de Viseu, senti-me, obviamente, honrado por fazer parte do evento e da equipa redatorial que todos os dias coloca o jornal nas bancas, pelos parabéns que recebi de muita gente que entrevistei ao longo dos cinco anos de casa e com quem criei parcerias de cumplicidade, respeito e admiração, e muito satisfeito com a operação de charme que o jornal foi capaz de fazer nesta data tão especial!

mas senti-me especialmente honrado por ter contado neste dia com a presença da mulher que controla os meus batimentos cardíacos desde que tive o prazer de a conhecer! foi ela que colocou aquele brilho no meu olhar e aquele sorriso apatetado que ostento há alguns anos. é a minha inspiração diária, a motivação para fazer mais e melhor, em virtude da enorme cumplicidade que nos une, da amizade, ternura espontânea, da admiração e respeito mútuos! um amor assim, agarra-se para a vida!
sei que nunca deixarás de marcar presença nos meus momentos, e eu nos teus, para brindarmos a tudo de bom que vamos conquistando juntos! obrigado!

terça-feira, maio 31, 2022

top 5 covidiano


ao quinto dia, eis o meu top 5 dos melhores momentos "covidianos", com imagens apenas dos dois primeiros (ena, que confusão de números para aqui vai...):

1. 'cuidado com o cão', de rodrigo guedes de carvalho. li em pouco mais de 24 horas, ou melhor, devorei. depois de ter lido cinco livros seus, recomendo vivamente o autor a quem ainda não conhece a faceta literária do pivot da SIC (também é muito mais simpático do que toda a gente possa supor e um grande admirador de música);

2. simplesmente, as bolachas mais viciantes de todos os tempos. fixem estes nomes: 'talecas de amêndoa', produzidas pela empresa (?) arminda neto. andava de desejos delas há uma semana e hoje vieram ter comigo através da pessoa, não menos viciante, que me viciou nelas;

3. o meu almoço de domingo. duas fatias de quiche com alho francês, cenouras e espinafres, confecionadas pela mesma "dealer" literária e gastronómica dos dois pontos anteriores. obviamente, não tenho foto. ao desembrulhar as fatias, a ideia de lhes tirar fotos estava muito cá para trás na minha escala de prioridades;

4. ouvir, pela enésima vez, do princípio ao fim, como deve ser, um dos melhores discos conceptuais dos anos 80 e continuar a ficar maravilhado com cada minutinho da obra de arte. chama-se 'misplaced childhood', é de 1985 e pertence aos marillion;

5. chegar à conclusão de que ainda posso confiar no meu organismo, porque voltou a dar provas de que, afinal, tem muito mais resistência do que pensava. é, certamente, uma segurança adicional para o futuro, sobretudo para aquelas alturas em que me apetecer "despachar" duas ou três caixas de 'talecas' por dia...

segunda-feira, maio 23, 2022

o primeiro trail nunca se esquece...

 


com aquela reconfortante sensação de ter ultrapassado um grande desafio estampada no rosto e de ter saído dele ainda mais revigorado, fortalecido e empolgado.

recuando alguns meses, menos de um ano, vá, este cenário parecia totalmente fora de qualquer cogitação, dados os constrangimentos físicos com que fui confrontado. o início de março foi também o arranque de uma nova fase, em que, lentamente, fui voltando a adquirir o ritmo que tinha antes dos meus problemas renais.

comecei aos poucos, uma caminhada maior aqui e ali, um andamento mais veloz a caminho do trabalho e de casa, aumentar o número de quilómetros por semana... e tudo isto já sem me sentir cansado e desconfortável a cada dez minutos, com o corpo a parecer que me pedia mais a cada dia que passava. e assim foi, a subir de ritmo, de semana para semana, até ao final de março.

a 1 de abril, sexta-feira, tive um dia de folga no trabalho. compenetrei-me de que seria aquele o dia da mudança e resolvi testar efectivamente o meu corpo e a minha resistência. saí de casa às 8h30 e dirigi-me ao parque de santiago, onde fiquei uma hora e meia, seguido de igual período de tempo na mata do fontelo, já não só a caminhar, mas também a correr. no final, quando olhei para a aplicação google fit, no telemóvel, esta tinha contabilizado 15kms. e eu sentia-me ainda fresco e preparado para mais...

nos dias seguintes, mantive uma média de 10 kms por dia, ou seja, 70 kms por semana, média que acumulei durante 3 semanas seguidas. depois, baixei para 60 kms e por lá tem andado até hoje, sempre resultado de caminhadas vigorosas e períodos de corrida, nos dois locais citados anteriormente, mas também na cidade, perto dos edifícios viriato.

ontem, 22 de maio, decidi ir um pouco mais longe neste meu desafio particular com a minha própria resistência física. inscrevi-me no "demo trail", uma prova muito conhecida no circuito de trails nacional, em parte devido à sua elevada complexidade técnica, com muitos rochedos, diversas travessias do rio paiva (pela água mesmo), piso escorregadio e molhado nas suas margens, descidas com corda, pontes de tábuas periclitantes e sinuosas, subidas íngremes, poldras extremamente escorregadias, daquelas em que se o pé pousar 10cm ao lado nos faz cair desamparados no rio... e tudo isto feito com os pés sempre molhados, a acumular lama e todo o tipo de sujidade, ainda por cima à chuva (sim, choveu, é verdade, durante uma hora) e, no meu caso, fazendo quase tudo sempre sozinho (e ainda me perdi, fazendo mais 500 metros do que o originalmente previsto).

e fiz a prova quase sempre sozinho por quê? pois bem, eu inscrevi-me na caminhada de 9 kms, não arriscando um trail logo na minha primeira prova oficial, digamos assim. fui acompanhar a equipa da minha namorada, viseu trail, que participou no trail de 15 kms com cinco elementos. depois de partirem todos os atletas de trail, dos 50, 28 e 15 kms, a caminhada começou às 9h30, quinze minutos depois dos últimos participantes arrancarem. e lá fui eu, ao meu ritmo, sempre veloz, a caminhar.

comecei mesmo na cauda do pelotão, que arrancou, tal como toda a gente, do belíssimo parque botânico arbutus do demo, em vila nova de paiva, onde há três meses fiz uma reportagem para o diário de viseu, e em menos de 2 kms já estava na dianteira da caminhada. à chegada a fráguas, onde havia o único reforço da caminhada, decidi não parar, porque receei que a paragem afectasse o meu ritmo. fui em frente, portanto, já com os meus "colegas" todos da caminhada bem distantes. e então começou verdadeiramente o meu trail...

logo à saída do reforço, e de fráguas, a primeira escorregadela, mesmo antes da primeira travessia do rio paiva, aquela que me molhou os pés inteiramente pela primeira vez. felizmente, não foi grave e consegui segurar-me, evitando lesões ou esfoladelas que pudessem condicionar a minha prova. confesso que não esperava este nível de dificuldade, mas logo me apercebi que estava no mesmo trajecto dos atletas de trail, que passavam por mim a correr, forçando-me a olhar continuamente por cima do ombro para lhes ceder a passagem. em todos esses momentos, a mesma simpatia, o mesmo reconhecimento e agradecimento pelo gesto, algo que me fez sentir em casa, por apreciar a entreajuda, o companheirismo que ali existe em todos os momentos, ao ponto de os atletas pararem para ajudar um seu semelhante a ultrapassar as partes mais complicadas do percurso. desportivismo na sua expressão máxima!

com os pés totalmente molhados, decidi começar a correr sempre que tal me era permitido, porque todo o percurso ao lado do rio paiva era extremamente complicado, com muita lama, terreno molhado e escorregadio, rochedos, silvas e raízes de árvores dissimuladas que nos poderiam fazer tropeçar a qualquer momento. mas fui seguindo, sem vislumbrar ninguém da caminhada, sempre a tentar correr para aquecer os pés. a chuva, entretanto, começou a cair nesta fase. fui à mochila e tirei a tangerina que tinha trazido de casa. podem crer que, até hoje, nunca nenhuma tangerina me tinha sabido tão bem...

quando começaram a aparecer as primeiras subidas íngremes, agradeci a sorte, porque isso significaria que o piso deixaria de estar tão molhado, porque mais longe do caudal do rio. e comecei a subir como um desalmado, mochila às costas, com água, uma tangerina e uma banana, e o telemóvel, claro, como era obrigatório. e olhem que cheguei mesmo a equacionar utilizá-lo quando deixei de ver os panos de cor laranja nas árvores e não ouvia nem via ninguém num raio de 100 metros. quando cheguei ao topo dessa subida, verifiquei que estava perdido. que fazer? ligar a alguém? mandar vir um táxi? nada disso. decidi voltar atrás, pelo mesmo caminho (errado), e tentar encontrar o último pano laranja preso às árvores. e assim foi... e continuei a minha prova, seguindo, agora sim, religiosamente, a cor laranja.

como senti que tinha perdido aqueles 10/15m, decidi correr ainda com mais intensidade, no sentido de recuperar o tempo perdido. comecei a sentir-me amparado novamente quando os atletas do trail passavam por mim. cedi-lhes sempre a passagem, porque os trilhos eram bastantes apertados e só dava para passar uma pessoa de cada vez. de novo, os mesmos agradecimentos, uma palavra de incentivo, um "está tudo bem consigo?" ou "está quase a acabar, vamos lá!". com a chuva que caía e o suor que brotava abundantemente da minha testa, poderia chorar, emocionado, que ninguém teria dado conta. apeteceu-me, sim, mas não o fiz. arrancava atrás deles, cada vez com mais entusiasmo, mesmo já com 7 kms nas pernas.

pensava que já não voltaríamos ao rio, mas estava enganado. regressámos e para a parte mais complicada mesmo. uma descida íngreme por meio de rochedos, utilizando uma corda dos bombeiros, passagem por rochas escorregadias até chegar a uma ponte improvisada, de tábuas de pau, que tinha solidez como uma casa feita de palha debaixo de um tufão. não havia como voltar atrás, obviamente, o estado de espírito, ali, ao fim de 8 kms, era "bring it on!", e lá fui eu, no meio dos atletas todos, com muito mais experiência do que eu, claro, sempre a olhar para a frente, não pensando nos receios que tinha, mas sim no prazer que me daria ultrapassar aquilo tudo com mérito, privilegiando o poder da superação e relegando para último plano o medo de falhar. ali, naquela fase, já não poderia falhar, a minha ambição era mesmo chegar ao final, com o mínimo de danos possível...

e sim, aquele foi mesmo o último ponto complicado do percurso. ainda haveríamos de passar o rio mais uma vez, antes de chegar a vila nova de paiva, mas foi uma travessia pacífica, a mais pacífica de todas, já em terrenos "urbanos", à entrada da vila. o último quilómetro pareceu durar uma eternidade, apesar de ter sido efectuado no piso mais rápido e fácil de todos. nunca soube lidar muito bem com a ansiedade e estava, obviamente, ávido por chegar à meta. quando lá cheguei, recebi a medalha por ter cumprido a prova e verifiquei imediatamente o telemóvel para ver o meu tempo. pois bem: comecei às 9h30, terminei às 11h30, fazendo 9,5 kms (devido ao meu engano). fiquei feliz com estes resultados!

depois, comi a minha banana, bebi água, vesti o impermeável e esperei pelo final de prova da ana. quando a vislumbrei no início da recta da meta, fui imediatamente para perto da linha de chegada para a poder acolher nos meus braços e dar-lhe um merecido beijo pela prova que tinha efectuado. nos olhos dela, a mesma satisfação, o mesmo brilho por ter vencido o desafio, o tal poder de superação que nos invade quando chegamos sãos e salvos ao final daquela aventura. impagável esta sensação! a ana já me tinha dito o que tinha sentido no trail que já tinha feito em março; comprovei cada palavra que lhe ouvi ontem, ao passar precisamente pelas mesmas emoções.

foi o meu primeiro trail. tenho a certeza de que muitos mais se seguirão!

ao lado dela, nunca houve impossíveis, até porque a maior impossibilidade de todas seria eu algum dia vir a ser o seu homem! agora que o sou, porque o sentimento está bem consolidado e devidamente cristalizado, sinto-me mesmo capaz de tudo! e isso eu nunca lhe conseguirei agradecer, mesmo que viva 200 anos. tudo aquilo que ela fez por mim, esta minha "ressurreição", tem as impressões digitais dela. acordou-me, abanou-me, fez-me mexer!

posso não ter grandes certezas na vida, mas uma é garantida: farei tudo aquilo que estiver ao meu alcance para a conquistar todos os dias, para merecer este amor e este aconchego emocional que ela me dá, todos os dias. um amor assim é para a vida, é para viver com intensidade, emoção, adrenalina, volúpia, paixão... tal como uma prova de trail!

é óbvio que é para continuar!

sexta-feira, abril 01, 2022

caminhadas, corridas, músicas e confissões




hoje, fiz aquilo a que chamam de "histórias", no Facebook, para ilustrar a minha manhã desportiva e saudável. nelas, falava dos quilómetros que já tinha feito, em apenas uma manhã, referindo que tinha estabelecido como meta os 15 quilómetros. só depois me lembrei que hoje, pelos vistos, é o chamado "dia das mentiras", seja lá o que isso for.

para os descrentes que me enviaram mensagens por terem associado as minhas "histórias" ao dia 1 de abril, um dos dias mais estúpidos do calendário nacional, logo a seguir ao carnaval e ao dia dos namorados, aqui ficam as provas.

hoje, foram três horas, sem parar, de caminhada intercalada com corrida, com saída do centro histórico, passagem de uma hora e meia pelo parque de santiago e outro tanto no fontelo, no meu circuito habitual, onde fiz ainda três das quatro voltas habituais que fazia aos domingos de manhã. 15 km foi o objectivo que tracei. pelos vistos, fiquei a 400 metros. mas o dia ainda só vai a meio...

esta semana, em quatro dias e meio, já vou em 44 km e 56.125 passos. realço o facto de alguns destes 44 km terem sido efectuados em corrida, algo que já não acontecia há algum tempo, devido a problemas de saúde. e que saudades eu tinha de correr!

a ouvir, nos phones, o último disco dos band of horses, "things are great", que ouvi duas vezes. o disco tem 42 minutos, ouvi-o duas vezes, de casa, no centro histórico de viseu, até ao parque da radial de santiago, um local com condições excelsas para a prática desportiva, e no tempo todo que lá fiquei. portanto, cerca de 85 minutos.

segui, depois, para o parque do fontelo, calcorreando também parte da circunvalação. ali, no pulmão natural da cidade, estabeleci outra meta: fazer pelo menos três voltas no circuito que idealizei no passado para fazer acompanhado, circundando todo o parque. sabia que uma volta desse circuito equivaleria a uns 2,5 km, portanto apostei nas três voltas, que fiz com determinação. sempre a ouvir música. essa, é e será sempre indispensável!

já tinha corrido no parque de santiago, no fontelo voltei a correr, nas zonas planas, e o prazer foi o mesmo. depois de três meses de dores constantes nos rins, depois de uma ida ao bloco operatório para me instalarem um duplo jota bilateral nos rins, depois da convalescença, depois de seis meses com o referido duplo jota, que me provocava outro tipo de dores, peso constante na bexiga, mau estar contínuo e um terrível desconforto (além de tudo aquilo que me provocava em termos psicológicos - irritabilidade, mau humor e disposições mentais flutuantes), e depois da brutalidade que foi a retirada do duplo jota do meu corpo (para a qual não estava minimamente preparado), e igualmente da sua convalescença, sinto-me finalmente preparado para voltar à normalidade.

sei que já não tenho 30 ou 40 anos, estou muito próximo dos 50 mesmo, mas esta semana tenho sentido um vigor diferente, um outro ânimo físico e espiritual. assim se compreende os registos obtidos pelo google fit. a minha média, nos últimos meses, é de 25/30 km de caminhadas semanais, o que já não é mau, convenhamos, sobretudo porque estive condicionado fisicamente. mas esta semana, os números já chegaram aos 44 km. e ainda faltam dois dias..

curioso como estou a ouvir o disco que referi, de uma banda que já adoro há muitos anos, e vou descobrindo nas letras das músicas, sempre bem humoradas e plenas de trocadilhos, muitos frases que se poderiam aplicar ao momento que estou a viver, especialmente no tema "in the hard times". mas o ponto alto de hoje foi outra música, "in need of repair". bem, eu estava mesmo a precisar de uma reparação, pelos vistos. no refrão, benjamim bridwell, canta "It's not enough, it's not enough, every single day I hide from hurt". acompanhei sempre, em alta voz, os "it's not enough" (podia fazê-lo à vontade, dada a reduzidíssima quantidade de pessoas em ambos os locais), como se fosse um grito de guerra.

de facto, nunca nada é suficiente. nunca! habituei-me, enquanto estudante, a aceitar os "suficientes" que ia tirando e a passar por entre as gotas da chuva. se calhar, tenho andado a limitar-me aos suficientes desde essa altura. se calhar, nunca fiz o suficiente, a todos os níveis, para merecer um "muito bom" ou um "excelente". bridwell, na mesma música, também canta "you only hurt the ones you love". é isso mesmo. embrulhei-me no conforto dos "suficientes" e fui deixando andar as coisas. e sim, magoei, certamente, aqueles que amo. se tenho a noção que eu próprio não estava a ir além do suficiente, o que hão-de achar as pessoas que "levaram" com o meu suficiente? quis voar bem alto, mas sem ter as asas correctas para o fazer e o resultado só poderia ter sido aquele que se verificou. 

"it's not enough"! é algo que, no futuro, terei de abraçar como uma lição, um mantra. não que me tenha instalado ou aburguesado, dando tudo como garantido, porque nunca o fiz nem nunca o faria, mas para me compenetrar que é sempre necessário ir mais além, fazer mais uma volta, dar mais uma palavra, mais um carinho, mais um beijo, mais uma carícia. no fundo, dar mais de mim, mais amor!

a música acaba com vários "It's not enough, the ones you love, it's not enough". sim, é verdade, para aqueles que amamos, nada pode ser suficiente!

domingo, março 27, 2022

festejos a dobrar no dia 27 de março
























durante a nossa existência, coleccionamos datas memoráveis e comemoramos aniversários, procurando ter cada vez mais motivos para assinalar e para festejar. eu não tive sorte nesta última vertente, porque ao invés de ter duas datas, igual ao número de filhos, tenho apenas uma, porque eles fizeram questão de nascer no mesmo dia, com seis anos de diferença. portanto, 27 de março é a minha estreia como pai e, ao mesmo tempo, a despedida. abri e fechei a conta no mesmo dia. curiosamente, nenhum deles deveria ter nascido neste dia. o
Pedro Lopes seria uma semana antes e a Mariana Lopes uma semana depois.

entretanto, quase num ápice, passaram 23 anos. felizmente, tenho uma excelente memória e lembro-me de quase tudo, porque vivi a paternidade com entusiasmo, empenho e compromisso. apesar disso, ao rever a caterva de fotografias digitais que possuo, no sentido de escolher 23 fotos para ilustrar esta publicação, não conseguir evitar uma lágrima ou outra, porque gostei mesmo muito de os ver crescer, de ouvir as primeiras palavras, de os ver a caminhar pela primeira vez, de os adormecer ao colo com as minhas músicas de fundo. o tempo voou (ou voámos nós por ele, como disse há dias uma amiga que a chuva trouxe de volta...) e hoje eles aí estão a comemorar juntos mais um aniversário!

é um avassalador orgulho ter sido e ser pai deles, todos os dias, e vê-los felizes e saudáveis, porque são a minha maior realização pessoal como ser humano! liguei-lhes à meia-noite, já lhes dei os parabéns verbalmente, mas fica aqui a minha homenagem a ambos, porque para eu sentir que fui e sou um bom pai, eles também tiveram e têm de ser bons filhos! e eles sempre o foram...

quinta-feira, março 24, 2022

the falling leaf that never tries to hold on to what keeps it alive


 há algo de reconfortante no vislumbre de uma meteorologia perfeita para os nossos estados de espírito. noite cerrada, o prazo do jantar já prescreveu há muito mas é substituído pela confiança no dever cumprido.

fecho a porta com as quatro voltas habituais, desço as escadas e vou preparando o telemóvel e os phones para a caminhada que me levará até casa. a rotina ensinou-me que haverá sempre lugar a duas músicas no trajecto, mas gosto de escolher a função aleatória da apresentação das músicas. no meio da minha tão intrínseca rotina, também deverá haver espaço para algum resquício de surpresa.

saio do prédio, detenho-me à beira do passeio enquanto o telemóvel, na sua lentidão exasperante, rasteja até à aplicação que utilizo. coloco os phones nos ouvidos, aperto o casaco e ajeito o cachecol, que se detém no último patamar antes do asfixiamento.

olho em volta antes de começar a caminhar. pavimento molhado a reflectir as luzes dos carros e das lojas, frio suportável e ruas semi-desertas. tenho direito àquela "chuva molha tolos", miudinha, suave, que sempre me soube bem. a música começa e inicio a minha caminhada, mãos nos bolsos das calças, mochila às costas.

"salty seas", dos devics, num daqueles momentos perfeitos e de simbiose entre música, meteorologia, estado de espírito, luzes, noite, estradas e passeios molhados. ouvi uma vez. fixei o verso "the falling leaf that never tries to hold on to what keeps it alive". tinha tempo para mais uma música. carreguei em "repeat"...

sexta-feira, março 18, 2022

segunda actuação ao vivo das vansick, o mesmo sucesso!








feito! concerto número dois despachado!
hoje foi na escola emídio navarro, num auditório completamente cheio. as Vansick foram as últimas a actuar, interpretando as músicas "zombie", dos cranberries, e "quem és tu miúda?", dos azeitonas. ao contrário da alves martins, hoje houve tempo para um encore, pedido em uníssono pelo público. foi tempo de estrear ao vivo um original da banda, "american dream". foi mais uma demonstração do querer, do saber fazer e do "vamos em frente que a vida são dois dias". o talento não se deve esconder numa envergonhada timidez; deve-se libertar e deixar andar à solta.
mais uma vez, Mariana Lopes, o mesmo orgulho, a mesma satisfação, o mesmo encanto e embevecimento! já estou ansioso pelo próximo...

domingo, março 06, 2022

aprender a andar de bicicleta sem rodinhas...


para um indivíduo claustrofóbico como eu, as escadas são sempre a melhor solução. os elevadores nunca foram opção, porque aquela sensação de estar preso dentro de quatro paredes, num espaço minúsculo, sem que dependa de mim a resolução do problema, caso este se manifeste (falta de electricidade, avaria, etc.), não se coaduna com a minha superlativa ansiedade. ou seja, venham de lá essas escadas, sem receio algum. aliás, a partir do momento em que, na minha alta hospitalar, em setembro do ano passado, após cinco dias de internamento e com claras debilidades físicas, decidi ir pelas escadas do sétimo andar para o rés-do-chão... creio que não será preciso mais nada para reforçar este aspecto.

os degraus que tenho vindo a subir desde agosto, no sentido de um completo restabelecimento de uma insuspeita e repentina falência renal, conheceram na última semana importantes desenvolvimentos. aquilo que colocaram dentro do meu corpo, mais concretamente nos rins, para estabilizar a minha situação, ou seja, um duplo jota, foi-me retirado no passado dia 3 de março. foi colocado em coimbra, no dia 28 de agosto, e foi retirado agora, em viseu. seis meses e 3 dias depois... 

enquanto o tive dentro de mim, e só no dia em que o tiraram fui capaz de ver a sua extensão (não estava à espera de algo tão extenso...), porque a primeira cirurgia, em coimbra, foi com anestesia geral, não consegui esconder o desconforto que me provocava, as dores, as constantes impressões na bexiga, o peso, o facto de não conseguir caminhar mais de 10 minutos sem me cansar como se tivesse acabado de correr uma maratona. apesar disso tudo, sabia que era para o meu bem, porque o duplo jota estava a impedir que os meus rins bloqueassem novamente, esse "pequeno" pormenor que me levou a ser intervencionado de urgência em coimbra. 

olhando para essa curiosa "ferramenta", o citado duplo jota, e depois das lancinantes dores que a intervenção me provocou, desta vez com anestesia local, concluí que seria impossível não ter os sintomas que tive durante seis meses. quando me falaram do duplo jota, pensei que seria algo com uns 10 centímetros no máximo. mas tinha o triplo do tamanho que eu pensava. mas, verdade seja dita, cumpriu a sua função. isso, aliado à forte medicação que tomei durante seis meses para destruir as pedras que me bloqueavam os dois rins, resolveram, para já, o problema. sofri a bom sofrer, mais agora, até, do que em agosto, porque aquela intervenção para retirar o duplo jota não teve, até hoje, qualquer paralelo em termos de intensidade de dores e da mais dilacerante agonia. mas está feito!

esta nova fase, que agora começa, será semelhante àquela em que começamos a aprender a andar de bicicleta sem rodinhas. após três dias em casa, já fiz uma caminhada. primeira diferença: não tenho nenhum daqueles sintomas provocados pelo duplo jota que citei acima. mas vou andar mais preocupado, porque, agora, os rins podem voltar a bloquear novamente. já não há as tais rodinhas...

mas é um processo e uma nova escadaria para subir, sem receios, com redobrado prazer pela vida e com renovada vontade de viver bem e sem dores!

certeza inabalável


 

devo ter feito alguma coisa bem, quando confirmei ontem estes mesmos sorrisos doze anos depois desta fotografia. posso ter feito muita coisa mal, posso ter errado centenas de vezes, tomado más decisões, optado pelo caminho/postura/comportamento errado, mas tenho a certeza de que, em relação a estes dois doces seres, posso ficar de consciência tranquila. dei-lhes aquilo que tenho de melhor e estou convicto de que eles estão a utilizar o que receberam de mim da melhor forma, nos seus percursos individuais. espero nunca lhes falhar, nunca lhes faltar e que nunca se sintam defraudados comigo, nem sequer em relação às minhas proezas gastronómicas. continuem a ostentar esse sorriso. sempre!