domingo, novembro 05, 2017

"i'm still here"



Barney Panofsky: ...and I'm just gonna keep talking here, 'cause I'm afraid that if I stop there's gonna be a pause or a break and you're gonna say 'It's getting late' or 'I should get going', and I'm not ready for that to happen. I don't want that to happen. Ever.
[they pause]
Miriam: There it was. The pause.
Barney Panofsky: Yeah.
Miriam: I'm still here.



Miriam: We can be friends now, can't we?

Barney Panofsky: No. We can't.
Miriam: I'm here for you if you'll let me. We had a beautiful marriage, but it's over. I want you to be at peace with that.
Barney Panofsky: Have I ever given up when it comes to you?
Miriam: Never.
Barney Panofsky: So what makes you think I would start now?

- diálogos do filme "barney's version", entre barney (paul giamatti) e miriam (rosamund pike)

domingo, outubro 29, 2017

mark eitzel - o homem que canta com o coração nas mãos



tinha visto mark eitzel pela primeira vez em 2005, no santiago alquimista, em lisboa. na altura, os american music club tinham voltado a juntar-se e vieram apresentar o disco "love songs for patriots". para quem, como eu, gostava da banda desde o início dos anos 90, quando ouvi discos como "california", "mercury", "everclear" ou "san francisco", ouvi-los ao vivo foi uma experiência inesquecível, por ouvir músicas que endeusei durante anos, pela virtuosa voz de mark eitzel. lembro-me igualmente da sua timidez inicial, enquanto não sentiu o pulso ao público, soltando-se gradualmente à medida que o concerto ia avançando. fez sempre questão de fazer um pequeno intróito antes de cada música, sempre com uma humildade e uma honestidade desarmante. foi isso que me cativou nele, o facto de ser um "alguém" no sector musical (a rolling stone e o new musical express elegeram-no como "best songwriter" em 1991, o the guardian escreveu que ele era o "america's greatest living lyricist") e comportar-se em palco como se fosse um "zé ninguém", assumindo uma postura auto-depreciativa e jocosa em relação ao seu trabalho, com um sentido de humor bastante apurado. no final do concerto, sentou-se numa pequena mesa quadrada para assinar autógrafos e discos dos admiradores da banda ou da sua carreira a solo, que na altura já era bem profícua. nunca fui uma daquelas pessoas pedantes ou devotas a celebridades, mas no caso de eitzel abri uma excepção (a outra foi com mark kozelek, uns anos depois). lembro-me da sua afabilidade, simpatia e atenção (até chegou a pedir-me desculpa por alguém me ter passado à frente na fila), e quando chegou a minha vez fiz questão de lhe transmitir que tinha adorado o concerto e que era um admirador da banda há muitos anos. respondeu-me com um largo sorriso, disse "thanks, that means a lot" e estendeu-me a mão para o cumprimentar. enquanto me afastava, fiquei com a clara sensação de que tinha acabado de conhecer um ídolo.

doze anos depois, reencontrei-me com mark eitzel, agora em espinho. a expectativa, depois do que tinha acontecido em 2005 e dos excelentes trabalhos discográficos que tinha lançado entretanto, não poderia ser maior. de uma coisa tinha a certeza: o cantor iria estar em palco exactamente com a mesma postura e a mesma disposição, não seria pessoa para alterar fosse o que fosse na sua personalidade, para vender mais discos ou encher mais as salas de concertos. eitzel é puro, honesto, sincero demais para se "vender" dessa forma.
enquanto eu e a minha namorada esperávamos para entrar no auditório, vimos os músicos passar. eitzel ia no meio, de sapatilhas, com o seu inseparável boné e com a mão direita a segurar o casaco às costas, como um qualquer funcionário que ia pegar ao serviço às 21h30. pareceu-me sereno e, claro, tímido, sempre tímido, como que secretamente a desejar que ninguém o reconhecesse naquele instante, deixando-o seguir o seu caminho. mas, no palco, tudo iria ser diferente...

ao contrário do que costuma ser habitual neste país, o concerto começou a horas. os músicos, baterista, pianista e guitarrista, entraram em palco, abrindo caminho para mark eitzel, que surgiu com um copo de vinho tinto na mão e dois guardanapos, onde tinha apontado o alinhamento musical do concerto. acenando timidamente à plateia duas vezes, abriu com "if i had a hammer", do disco "mercury". sentindo-se um pouco mais à vontade, eitzel começou então o seu espectáculo paralelo, utilizando os intervalos entre as músicas para perorar sobre a américa de trump, o desrespeito pelas mulheres, a religião, a vida na estrada/digressão ou a forma correcta de pronunciar espinho (que saiu algo como "espinhú"), fazendo sempre um intróito antes de cada tema, para explicar quem o motivou, a quem o ia dedicar ou em que condição, financeira, sentimental ou emocional, estava na altura em que o escreveu. arrancou sempre fortes gargalhadas ao público, no seu jeito entre o trapalhão "bobo da corte" e o stand-up comedian mais corrosivo, sarcástico e acintoso. pelo meio, pediu, como é seu timbre, umas largas dezenas de "sorry's", algo que lhe está entranhado na personalidade.
ao mesmo tempo, as músicas iam desfilando, com o primeiro grande momento a acontecer com "what holds the world together", uma música que eitzel foi refinando ao longo dos anos em actuações ao vivo (como poderão aferir aqui). Seguiram-se-lhe "mission rock resort", "why won't you stay", "nothing and everything", "the last ten years", "all my love", in my role as professional singer and ham", "an answer", "the road", "apology for an accident" e "go where the love is". o copo de vinho tinto, entretanto, ia-se esvaziando aos poucos, até eitzel se ver obrigado a abrir uma garrafa de água, da qual só bebeu um gole.

quando os músicos saíram do palco, depois do alinhamento previsto, era mais do que óbvio que não tardariam a entrar de novo. o público estava conquistado e queria mais. alguém da produção fez questão de levar uma garrafa de vinho tinto e um copo ao palco. no regresso da banda, para o encore, eitzel agradeceu e voltou a encher o copo. foi neste momento que o público aproveitou para pedir músicas (e notou-se que era uma plateia conhecedora da obra dos american music club e de mark eitzel). alguém pediu "sick of food" e "last harbor". eu, cheio de coragem, pedi "western sky", tal como em aveiro tinha pedido a mark kozelek que cantasse a "somehow the wonder of life prevails". eitzel disse que ia cantar uma das músicas que o público pediu e eu, confiante, segredei à minha namorada que tinha a certeza que ele ia escolher a minha. o cantor começou o encore com "jesus hands", do disco "everclear", para depois dedicar à irmã a belíssima "blue and grey shirt", do disco "california". depois... "western sky"! eitzel aproveitou os primeiros versos da música para se despedir do público: "time for me to go away, i'll get a new name, i'll get a new face". no final do tema, saiu do palco. o público continuou a bater palmas, exigindo o seu regresso, mas, entretanto, as luzes da sala acenderam-se. resignado, o público começou a levantar-se para sair, de barriga bem cheia. mas, de repente, ainda com as luzes ligadas, surge mark eitzel, de gatas, a entrar no palco. gatinhando, passou por baixo do piano e chegou ao microfone. o público, num misto de perplexidade e alegria, voltou a sentar-se e as luzes voltaram a apagar-se, para o cantor interpretar mais um tema: "firefly", igualmente de "california", o disco dos american music club mais revisitado da noite.

era bem evidente o ar de satisfação do público quando se começou a juntar à saída do auditório, à espera dos músicos. mark eitzel, ainda com o copo de vinho tinto na mão, surgiu com a sua banda. interpelei-o quando passou por mim, soltando um "fantastic show!", ao que ele respondeu, sorrindo, "cheers, thanks man!". depois, foi esperar pela minha vez, para ele me assinar o bilhete do concerto. enquanto o fazia, atirei o que me veio à cabeça, referindo-lhe que já seguia a sua carreira desde o primeiro disco dos american music club, "restless stranger", de 1985, algo que ele soube reconhecer e valorizar. depois, ainda lhe disse, enquanto lhe apertava a mão, que ele estava melhor de disco para disco, recebendo um enorme sorriso e um sentido "my god, thank you very much!".
saímos de coração cheio: eu, porque voltei a encontrar-me com a pessoa que escreveu dezenas das minhas músicas preferidas e que admiro há três décadas; a minha namorada, porque tinha acabado de acrescentar, na sua lista de ídolos, o nome de mark eitzel!

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

what's next?



novamente à frente de um gigantesco ponto de interrogação. já deveria estar habituado, é um facto, devido à minha arreliadora mania de escolher sempre as opções erradas, nomeadamente a nível profissional. sei que estou disposto a fazer seja o que for, a trabalhar em qualquer área, para tentar atingir um patamar que deveria ter atingido... há vinte anos... enfim, eu sei, é triste, é decadente, chega a ser embaraçoso, mas é este o resumo da minha vida. tentei algumas áreas, meia dúzia, ainda cheguei a pensar que iria longe numa delas (jornalismo), mas a realidade caiu-me em cima, como aquele pé gigante que fechava o genérico do "monty python flying circus". gastei os meus melhores anos a convencer-me que seria ali o meu futuro. pois, não era. muito menos no local onde trabalhei quase 15 anos. quando saí daquele "buraco", sabia que o tinha feito já com muitos anos de atraso, mas tinha (tive) de arcar com as minhas responsabilidade, levantar-me e voltar à luta. e fui. e lutei. e entrei noutro sector, onde até tinha tudo para vencer. mas um incontornável anti-corpo levou a melhor e tive de me render, sob pena de ficar, novamente amargurado, vários anos a trabalhar para/com pessoas que não gostava. saí e parti para outra, quase de imediato. e assim passei os meus últimos seis meses. sabia com quem ia trabalhar, sabia que ia ser bom, sabia que ia gostar. e assim foi. ficou o "bichinho" deste último sector comercial. quem sabe se não será este o futuro que me espera?

terça-feira, janeiro 10, 2017

2006 - 2017: onze anos de nuvens da alma



e, sem quase se dar por isso (eu não dei, por exemplo, e até seria a pessoa que teria essa responsabilidade), este blogue chega aos onze anos. é um número bonito e, se virmos bem, extremamente elegante (não é um balofo 88 ou um curvilíneo 65). creio que até merecia uma palmada nas costas, mas tenho receio de deslocar algum músculo ao fazê-lo...
em 2006, quando nasceu, o nuvens da alma não tinha objectivos ou metas a cumprir. hoje, olhand para trás, fico contente por verificar que continua exactamente igual. à sua criação presidiu apenas uma vontade intrínseca de escrever, desabafando, analisando, sonhando e ansiando. portanto, e como já estou muito perto dos três mil posts, creio mesmo que estamos perante a mais longa introspecção de sempre (sim, já liguei para o guinness world records).
se vou continuar? creio que ouvi essa pergunta vinda lá do fundo... bem, respondo com o meu mais assertivo e concludente "logo se vê". sinto que ainda tenho muito para escrever e para expurgar, no sentido de tirar algum peso que carrego diariamente às costas.
se a qualidade do blogue vai, finalmente, sofrer evidentes melhorias? esta ouvi bem, foi mesmo aqui à frente. meus amigos, o que nasce torto alumia duas vezes. portanto, ficamos esclarecidos quanto a esta matéria...
agora, quero é festejar, porque só se pode comemorar um aniversário uma vez por ano, apesar de haver correntes de opinião acérrimas que defendem a sua elevação à meia dúzia. vou abrir uma garrafa, nem que seja de sumol de ananás, elevar bem alto o meu copo e fazer um brinde com o meu cérebro, o órgão que tornou possível toda esta salganhada chamada "nuvens da alma".
obrigado!

quarta-feira, dezembro 28, 2016

george michael


como indivíduo que nasceu para a música nos anos 80, década de onde saíram os meus primeiros ídolos (com os duran duran à cabeça), há referências que marcam de forma indelével essa altura da minha vida e que, infelizmente, aos poucos, vão começando a desaparecer. de freddie mercury a black, de laura branigan a prince, de david bowie a falco, os nomes vão desfilando, deixando um vazio difícil de preencher. agora, foi a vez de george michael, nome que está lá bem alto nas minhas listas de preferências, nomeadamente de baladas. só a título de exemplo, no meu telemóvel tenho cerca de 200 músicas e 18 pertencem ao recentemente falecido cantor. o seu desaparecimento ainda custa mais porque eu sempre esperei algo grande de george michael, um disco de eleição, daqueles que o elevassem ao olimpo e cimentassem de vez o lugar a que ele tinha direito, como excelente cantor e compositor. infelizmente, esse disco nunca irá surgir. só espero que não se passe o mesmo com simon le bon, dos duran duran, de quem espero um disco a solo há anos, sem a bagagem pesada da banda que lidera há quase 40 anos. regressando a george michael, não adianta falar muito dos seus dotes vocais, por todos bem conhecidos. importa sim desabafar a falta que nos vão fazer as dezenas de músicas que ainda iria compor e lançar, sempre com aquela voz celestial, a que emprestava uma inusitada emoção à flor da pele, como se estivesse a debitar as últimas palavras.
foi difícil, confesso, reunir dez músicas para um top ten do cantor, porque muitas ficaram de fora (incluindo os hinos "careless whisper" e "last christmas"), mas a minha humilde homenagem aqui fica, nestas dez brilhantes canções magistralmente interpretadas por george michael.
e o céu ganhou mais uma estrela...

1. cowboys and angels
2. one more try
3. you have been loved
4. tonight
5. where did your heart go
6. jesus to a child
7. kissing a fool
8. praying for time
9. father figure
10. mother's pride

(os dez vídeos podem ser vistos aqui: https://www.facebook.com/jose.a.lopes)

sexta-feira, dezembro 23, 2016

waiting - de esperar ou de servir


comecemos este texto por uma mísera informação: há 20 anos que eu não andava de autocarro. para o comum mortal, esta frase não faz qualquer sentido, mas, para mim, tem um significado brutal. primeiro, nunca gostei de andar de autocarro, ou de viajar em qualquer tipo de transporte em que não seja eu o principal responsável pelo meu destino. segundo, sempre tive carro particular, desde que tirei a carta de condução. terceiro. é capaz de ser o sporting de braga, na medida em que o sporting está a fazer uma época miserável. quarto, esta sei: é o sporting!
a minha vida deu uma enorme volta em muito pouco tempo. se eu estava preparado para tal? creio que, no meu mais profundo âmago, estava à espera desta reviravolta há muito tempo, mas sempre me faltou ou a coragem ou o fundamento para assumir esse passo. na posse de tudo isso que me faltava, confesso que, actualmente, estou a viver a vida com que andei a sonhar há meses. mas... lá está, falta sempre alguma coisa, não é?! falta-me uma direcção, um objectivo, uma orientação, um destino... estou naquela fase em que não sinto nada como meu, nem mesmo aquilo que é meu. estou a trabalhar, é certo, mas estou longe de casa; tenho casa, é um facto, mas não é a minha; tenho carro, caso me apeteça viajar até à minha vida anterior... não tenho! pifou! avariou! morreu!
em poucos meses, perdi muito daquilo que conquistei/ganhei/comprei ao longo de quase 20 anos... e agora? como é que se começa tudo de novo aos 44 anos? por isso, escolhi a imagem que encima este post. vivo mais nas nuvens do que na vida real, tal como, provavelmente, sempre vivi até hoje. mas, mesmo assim, vivendo num mundo virtual, estou à espera de algo, ou que algo aconteça. daí o banco "à forrest gump". os meses vão passando e nada acontece... permanece tudo na mesma. a minha vida regrediu vinte e tal anos, estou a passar pelas mesmas etapas dessa altura, daí o facto de ter começado este texto pela história do autocarro, que eu utilizava quase diariamente quando não tinha carta ou carro. o único problema é... não ter vinte anos outra vez...
continuo à espera...
waiting...

quarta-feira, março 23, 2016

playlist - 18

depois de tantos anos a fazer playlists neste blogue, regresso hoje a esse velho hábito, que coloca, musicalmente, a minha vida em perspectiva. criar uma playlist obedece a vários critérios, sendo que um dos mais importantes é a conjuntura, ou seja, uma determinada fase da nossa vida em que "agrafamos" momentos a músicas (e vice-versa), em que estas últimas não se cansam de passar no nosso cérebro, mesmo sem nenhum aparelho electrónico a servir de intermediário. estas dezoito músicas ilustram uma viragem na minha vida, a vários níveis, e serviram (e ainda servem) de banda sonora a estes intensos últimos quatro meses.

1. sorry seems to be the hardest word - diana krall
2. the look of love - diana krall
3. somewhere not here - alpha
4. when i'm thinking about you - the sundays
5. we all fall in love sometimes - jeff buckley
6. this love - elizabeth fraser
7. fade into you - mazzy star
8. of this goodbye - cousteau
9. why should i care - diana krall
10. infinite arms - band of horses
11. the other side of the world - tindersticks
12. virginia - scott matthews
13. i can't make you love me - bon iver
14. let's go out tonight - the blue nile
15. adrift - jesse marchant
16. fake plastic trees - radiohead
17. at first sight - durutti column
18. saved - mark eitzel

domingo, fevereiro 07, 2016

carol


assumir uma intensa relação proibida ou manter um relacionamento de fachada? abraçar a loucura de uma paixão emocionalmente honesta ou perpetuar uma amarga resignação e repressão num casamento para a sociedade apreciar? são estes os dilemas que "carol" encerra, tendo como cenário a cosmopolita nova iorque dos anos 50. cate blanchett está absolutamente soberba neste filme, atingindo o "nirvana" na ...cena de acareação com o marido e respectivos advogados. a sinceridade das suas palavras e a forma como são proferidas são tão desarmantes que se acaba por aí alguma resistência que ainda pudéssemos ter. rooney mara é o reverso da medalha da personagem assertiva, convicta e confiante de blanchett: é frágil, insegura e incapaz de tomar decisões. aliás, a melhor piada do filme pertence-lhe. quando ambas falam, ao almoço, sobre os seus relacionamentos, mara diz que o seu namorado quer viver e casar com ela, mas quando blanchett lhe pergunta se é isso que ela quer, ela responde: "eu? eu nem sequer sabia o que haveria de pedir para almoçar...". resumindo: um bom filme, com actuações acima da média e uma realização competente, como todd haynes já nos habituou. recomenda-se vivamente!

segunda-feira, janeiro 25, 2016

sem palavras




para uma pessoa que se concentra tanto nas letras das músicas, ouvir um instrumental acaba por ser um descanso. não há interpretações a fazer, não há frases para retirar e evidenciar, não há palavras mais sentidas do que outras. há apenas sons de bateria, piano e guitarras. não adianta complicar e, sejamos sinceros, por vezes as palavras complicam. onde há sentimento, existem olhos para o transmitir; onde há paixão, existem gestos para a demonstrar; onde há amor, existem corações a bater de forma desordenada e acelerada. as palavras são redundantes, por vezes. até acabam por ser traiçoeiras e inoportunas naqueles instantes em que se desamarra a vontade e o desejo invade os sentidos, delegando ao corpo o controlo da situação, depois de os olhos já terem feito metade do trabalho. e um olhar, às vezes, consegue ser mais eloquente do que mil palavras...

the revenant - o veredicto



um filme claramente sobrevalorizado, não em virtude dos seus aspectos técnicos (realização, fotografia, efeitos visuais e som) ou de interpretação (leonardo dicaprio tem o óscar garantido, embora passe metade do filme a fazer o mesmo tipo de gemidos que eu faço quando estou com gripe), mas sim de argumento. duas horas e meia (a meu ver, o filme tem meia hora a mais) para uma história de vingança, em que as personagens, tirando o protagonista, revelam uma fraca densidade emocional, a roçar a unidimensionalidade, atribuem ao argumento do filme uma mescla de insipidez e monotonia, daquelas que nos fazem abrir a boca (de sono, não de espanto) de dez em dez minutos. claro que também existem momentos de abrir a boca de espanto, nomeadamente a batalha inicial e a já famosa cena do urso, ambas com o mérito a ir direitinho para o realizador mexicano alejandro gonzález iñárritu, que se arrisca a vencer o óscar de melhor realizador em dois anos consecutivos. uma palavra final para a fotografia, da responsabilidade de outro mexicano, emmanuel lubezkia, que é a todos os títulos notável.

domingo, janeiro 10, 2016

dez anos de nuvens da alma (2006-2016)


10 de janeiro de 2006: depois de muitas voltas à cabeça, a designação "nuvens da alma" é escolhida para intitular o blogue, superando pérolas como "o meu reino por um guarda-chuva", "centro de baixas depressões" ou "está um tempo bom para estender uma máquina de roupa". despretensioso e modesto, aqui e ali leviano, acolá assertivo, lá adiante, atrás daquela macieira, não, não, a outra, do lado direito, pertinente, o blogue conseguiu encontrar o seu espaço na blogosfera, algures entre uma bola de cotão e um cotonete usado. foi crescendo devagarinho, tentando sempre trilhar os caminhos certos, ser diferente, uma espécie de espelho das idiossincrasias, misantropia e, por que não dizê-lo, alguma imbecilidade do seu autor. os leitores foram surgindo, alguns até ficaram por um longo período de tempo; outros, porventura mais sensatos, passaram, deram uma vista de olhos e seguiram viagem. tentei aliciar os visitantes, oferecendo um queque de laranja da dan cake e um capri-sonne de pêssego a quem ficasse mais de meia hora no blogue. em vão. aconteceu precisamente o mesmo com os vouchers de fim de semana em carrazeda de ansiães. mesmo assim, não esmoreci. escrevi textos atrás de textos, sobre tudo e mais alguma coisa, e até tive a sorte de ver um dos meus textos escolhidos pelo suplemento p2 do jornal "público". o tema foi a fuga de fátima felgueiras para o brasil. portanto, a partir daqui só poderia ser sempre a descer. e foi mesmo. sobretudo naquele extenso relato da minha viagem ao piódão, em que, obviamente, para não sair da personagem, escolhi o caminho mais difícil para lá chegar. mas valeu pela paisagem e pelos quatro mini-avc's que tive.
a rotina da vida caseira, o quotidiano familiar, as peripécias dos filhos, os aniversários, vida escolar, etc., tudo serviu para um post, um desabafo para memória futura. e, dez anos depois, acreditem que sabe mesmo bem reler esses textos, relembrar esses momentos todos com um sorriso nos lábios.
como é evidente, sendo este um blogue pessoal, os meus gostos foram fáceis de soltar. música, cinema, televisão, humoristas, futebol (e esse grande desgosto de o sporting nunca ter sido campeão ao longo destes dez anos). aqui coube sempre tudo o que eu quis partilhar com os meus leitores, até as minhas irritações sociais, a antipatia que gero em desconhecidos e a recorrente incapacidade de me servirem um café realmente curto quando o peço. mais as péssimas primeiras impressões que coleciono, a rapidez com que perco amigos (quase tão rápido como perco guarda-chuvas) e a falta de jeito para construir novas amizades. digamos que o meu jackpot neurótico está e fica bem evidente nestas páginas. pelo meio, ainda tentei dar largas à minha veia poética, com uma dúzia de poemas mal amanhados, e dei início a um livro que ainda está a meio (chegou aos dez capítulos). até que surgiu uma nova paixão: a fotografia. fui colocando vários instantâneos fotográficos por aqui, até surgir a ideia de criar um blogue específico para essa actividade (o http://photoblografia.blogs.sapo.pt/).
em suma, são dez anos que não me envergonham, não me deslustram, antes pelo contrário. fico naturalmente satisfeito por aqui ter chegado e prometo fazer tudo o que estiver ao meu alcance para estar cá daqui a outros dez a escrever um texto igualmente parvo.
a todos os que me ajudaram nesta odisseia (sim, estou-me a referir a vocês os seis...), fica o meu agradecimento sincero, o meu respeito e a minha vénia. se tivesse chapéu (o que seria uma enorme estupidez, uma vez que estou de pijama e chinelos), tirava-o agora mesmo para vos saudar. o blogue também é vosso... portanto, se me quiserem aliviar a carga e escrever um textito de vez em quando, eu agradecia.
obrigado!

sábado, janeiro 09, 2016

algumas estatísticas para combater insónias

na véspera do décimo aniversário deste blogue, apresento algumas estatísticas sobre a página do nuvens da alma no facebook, que apresenta números interessantes. desde logo, os seus 188 seguidores, número bem superior ao número de amigos do autor do blogue. em menos de dois anos de vida naquela redes social, o nuvens da alma divide o seu pecúlio da seguinte forma: 71% são do sexo feminino e 29% do sexo masculino. em termos de faixa etária, as mulheres ficam com as três primeiras posições: 31% entre os 35 e os 44 anos; 20% entre os 45 e os 54 anos; e 12% entre os 25 e os 34 anos. depois, surgem os homens: 9% entre os 35 e os 44 anos; e os mesmos 9% entre os 45 e os 54 anos. Com 5%, regressam as mulheres, desta vez entre os 55 e os 64 anos, a mesma faixa etária onde os homens obtêm 4%. 
em matéria de países, portugal surge naturalmente à frente, com 148, seguido do brasil, com 15, e do reino unido, com 4. suiça e itália (3) e espanha, alemanha e frança (2) também fazem parte da tabela, que fecha com um membro em cada um destes três países: estados unidos da américa, noruega e, surpreendentemente, moçambique.
já em termos geográficos nacionais, lisboa encabeça a lista, com 24 membros, seguindo-se viseu, com 23, vila nova de gaia, com 15, e porto, com 14. destaque para a presença de membros da página do nuvens da alma em lugares tão remotos como aprilia (itália), maputo (moçambique), three rivers (estados unidos da américa), ivaiporã (paraná - brasil), oslo (noruega), florianópolis (brasil), tenerife (canárias - espanha), marburgo (hesse - alemanha) e durnten (zurique - suiça).

sexta-feira, janeiro 08, 2016

tive necessidade de escrever isto

dez anos depois, continuo sem atingir o meu objectivo: vender o nome do blogue à tvi para servir de título a uma novela. nesse aspecto, falhei completamente. noutros também, mas este eu julgava ser perfeitamente viável.
os blogues estão novamente na moda, sendo esta a palavra certa, na medida em que qualquer badameco, ou badameca, que se entretenha a julgar a roupa que os outros vestem passa de desempregado a "blogger" em dois dias. no meu tempo, um "blogger" era alguém que queria manter o anonimato, vivendo nas sombras, privilegiando a liberdade da escrita, precisamente por ninguém saber quem ele era, mas, ao mesmo tempo, lançando farpas certeiras ao poder instalado, fosse ele central, local, paroquial ou associativo. havia uma necessidade de agitar as massas, de acordar um país ainda pouco desperto para este tipo de ferramentas.
mais tarde, surgiram os blogues predominantemente políticos, tanto de direita como de esquerda, que prolongavam na blogosfera a propaganda eleitoral e partidária dos seus apaniguados. claro que também existiam coisas aberrantes como "a pipoca mais doce", uma espécie de embrião da blogosfera fútil e desprovida de neurónios que hoje campeia no país, mas na generalidade a qualidade dos blogues era alta e apetecia mesmo fazer parte daquele mundo. e o que é certo é que fiz mesmo.
foram bons anos: 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010. parecia que havia sempre assunto, matéria e factos para comentar, analisar e apreciar. quando acontecia algo, era uma correria para o computador para fazer um dos primeiros posts sobre o assunto e ficar à espera dos comentários. lembro-me bem de várias altercações que tive com leitores do meu blogue, com os comentários a prolongarem-se até à meia centena. bons tempos! tempos até em que havia alguma preocupação em se escrever bem, sem erros, sem abreviaturas, sem "lol's" e essas merdas. hoje vale tudo em termos de "escrita" e as caras amarelas fazem praticamente o trabalho todo. neste nosso tempo, ilustres personalidades como fernando pessoa ou eça de queirós não teriam a mínima possibilidade de vingar.
tudo isto serve para desenhar alguma frustração num presente desencantado e, acima de tudo, despreocupado. são aos milhares os "tiveste bem" em vez do correcto "estiveste bem", ou "eu tive em madrid na semana passada" em vez de "eu estive" (e não estou a mandar uma piada para rafa benitez). confunde-se o verbo "ter" com o "estar" como quem compra pepsi em vez de coca-cola. a ideia é despachar, estugando os processos de comunicação, mesmo que se cometam autênticos atentados à nossa língua.
portanto, não admira que, depois da aberração que constituiu o novo acordo ortográfico e as facilidades que ele trouxe para quem sempre se borrifou para a língua portuguesa, qualquer dia este género de calinada seja validado e ratificado, ficando a valer tanto o "tive" como o "estive". sempre se foram comendo as palavras neste país. agora até já imitamos os brasileiros (o que não admira, na medida em que o novo acordo ortográfico foi quase como que uma vassalagem nossa ao país irmão) e encurtamos o "independentemente" (porque é uma palavra muito grande...), passando a dizer "independente". um exemplo: "eu vou votar no domingo, independente das condições climatéricas". qualquer dia, não existem palavras com mais do que oito letras. cansam muito...

quinta-feira, janeiro 07, 2016

escadas


gostaria de estar a subir umas escadas diferentes nesta altura da minha vida. talvez umas que, durante o processo, me proporcionassem muito mais satisfação e prazer, ou umas em que eu ansiasse avidamente por chegar ao topo. a realidade é que as escadas são as que tenho à minha frente. tenho-as subido com receio, tropeçando aqui e ali, com alguma insegurança e, acima de tudo, medo de falhar e de desapontar aqueles que me estão a ver, alguns mesmo até a apoiar. mas, porventura, sentir-me-ia muito mais confiante e seguro ao iniciar o mesmo processo noutras escadas. umas que eu quisesse efectivamente subir e em que não tremesse à primeira contrariedade ou duvidasse das minhas capacidades a cada tropeção. mas cá as vou subindo, uma a uma, resignado, à espera que, a qualquer momento, me possam aparecer outras mais aliciantes...

quarta-feira, janeiro 06, 2016

antecipando o décimo aniversário



já tinha saudades vossas. sim, estou a falar dessa meia dúzia de resistentes que ainda passa regularmente por este cantinho para ver se há algo de novo. e realmente aconteceu muita coisa neste hiato de tempo, com o ano de 2015 a vestir de negro e a ficar guardado na prateleira como um dos mais desafortunados de sempre. e acreditem que me fez falta vir aqui desabafar as minhas amarguras. mesmo que ninguém as lesse, sei que ficaria melhor se as gritasse para a blogosfera.
muita coisa mudou, é um facto. desde logo, a nível profissional. desde a criação deste blogue, em 2006, sempre tive o mesmo emprego, que, apesar de mal pago e de oferecer condições precárias a todos os níveis, teve esse lado positivo de me possibilitar a sua actualização quase diária. tinha tempo, música à disposição, internet rápida e até silêncio e disponibilidade para deixar a inspiração chegar. o início de 2015, no entanto, fez-me ver que nunca chegaria a lado algum naquele emprego (já tinha completado todas as etapas mesmo) e que estava a enterrar os meus melhores anos de vida profissional num buraco sem fundo. resolvi, então, sair, arriscando mesmo ficar algum tempo sem trabalhar (sempre eram 42 anos e toda a gente sabe como estava o mercado de trabalho no início do ano). e o certo é que fiquei mesmo, talvez até um pouco mais do que estava à espera. foram meses e meses de centro de emprego, formações profissionais inócuas, juntas de freguesia, segurança social, burocracia imensa, papelada, carimbos, senhas de atendimento, procura de emprego em todas as plataformas possíveis, entrevistas, etc.. em novembro, porém, a sorte começou a iluminar o meu caminho, acabando por me trazer boas novas. chegou tarde a redenção, mas ainda veio a tempo de me dar algumas alegrias em 2015.
o blogue, todavia, é que foi perdendo protagonismo. com a chegada do facebook, o nuvens da alma ressentiu-se bastante, ficando um pouco para trás nas prioridades, em detrimento da rapidez do feedback que aquela rede social oferecia (e oferece). em todo o caso, os posts foram continuando, porém de forma menos regular, até que surgiu a ideia de criar também a página do nuvens da alma no facebook. juntei o melhor dos dois mundos (blogosfera e redes sociais) e o resultado até tem sido agradável em termos de visitas, interacção e aceitação, embora a maior parte dos textos seja uma espécie de retalho de alguns textos que me deram mais gozo escrever e, posteriormente, reler. e alguns textos dão-me realmente gozo voltar a ler. e são esses que costumo partilhar na página do facebook do blogue.
hoje, dia 6 de janeiro, dou por mim a consciencializar-me de que faltam poucos dias para o décimo aniversário do nuvens da alma e não quero, de forma alguma, deixar passar essa efeméride. este blogue sempre teve o efeito de uma montanha russa, com os seus altos e baixos. alturas houve em que o idolatrei e fazia dele o meu escape diário, o meu muro das lamentações, o meu confessionário; e outras em que, pela pressão de ter que o actualizar, para o manter interessante (sim, como se isso alguma vez fosse possível...) e vivo, quase o ostracizei. agora, passados quase dez anos, olho para ele com alguma nostalgia e carinho. caramba, são dez anos! são 2152 posts, quase 200 mil visualizações, 29 seguidores e 2137 comentários. estão nele registados os últimos dez anos da minha vida. ou, se calhar, podíamos dividir a coisa: de 2006 a 2010 no blogue; e de 2011 a 2015 no facebook. em todo o caso, aqui ficaram expressos muitos dos meus gostos (musicais, televisivos, cinematográficos), muitas das minhas irritações sociais, muitas paixões, desgostos, desabafos, frustrações, resignações. e, por tudo isto, a aproximação do seu 10º aniversário puxa pelo meu sentimentalismo e, daqui até lá, dia 10 de janeiro, vou fazer posts diários, nem que seja para falar do tempo ou das contratações de inverno do união da madeira. o que interessa é voltar a dar vida ao nuvens da alma. e, para isso, quem melhor do que eu!...

segunda-feira, março 02, 2015

óscares 2015: os vencedores



Melhor filme: "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)"
Melhor realizador: Alejandro González Iñárritu,
 "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)"Melhor ator: Eddie Redmayne, "A Teoria de Tudo"Melhor atriz: Julianne Moore, "O Meu Nome é Alice"
Melhor ator secundário: J.K. Simmons, "Whiplash - Nos Limites"
Melhor atriz secundária: Patricia Arquette, 
"Boyhood - Momentos de uma Vida"Melhor argumento original: "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" (Alejandro González Iñárritu)
Melhor argumento adaptado: "O Jogo da Imitação" (Graham Moore)
Melhor filme de animação: "Big Hero 6"
Melhor canção original: 'Glory', "Selma"
Melhor banda sonora: "Grand Budapest Hotel"
Melhor guarda-roupa: "Grand Budapest Hotel"
Melhor caracterização: "Grand Budapest Hotel"Melhor cenografia: "Grand Budaspest Hotel" 
Melhor montagem: 
"Whiplash - Nos Limites"
Melhor mistura de som: 
"Whiplash - Nos Limites"
Melhor fotografia: 
"Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)"
Melhores efeitos visuais: "Interstellar" 
Melhor edição de som: "Sniper Americano"
Melhor filme estrangeiro: "Ida" 
Melhor documentário: "CitizenFour" 
Melhor curta-metragem: "The Phone Call"
Melhor curta de animação: "Festim" 
Melhor curta documental: "Crisis Hotline: Veterans Press 1"

quinta-feira, janeiro 15, 2015

óscares 2015: as nomeações


os filmes "birdman" e "grand budapest hotel" lideram a corrida aos óscares 2015, com nove nomeações cada, incluindo melhor filme e melhor realizador. com oito nomeações, vem logo a seguir o filme "the imitation game". depois, com seis nomeações cada, aparecem "boyhood", de richard linklater, o filme que demorou 12 anos a realizar, e "american sniper", de clint eastwood. meryl streep conseguiu mais uma nomeação (esta já é a 19ª!!), pela sua interpretação no filme musical "into the woods". uma das grandes surpresas foi a ausência de "the lego movie" nos nomeados para melhor filme de animação.

Best Picture
American Sniper
Birdman
Boyhood
The Grand Budapest Hotel
The Imitation Game
Selma
The Theory of Everything
Whiplash

Best Director
Alexandro G. Iñárritu, Birdman
Richard Linklater, Boyhood
Bennett Miller, Foxcatcher
Wes Anderson, The Grand Budapest Hotel
Morten Tyldum, The Imitation Game

Best Actor
Steve Carell, Foxcatcher
Bradley Cooper, American Sniper
Benedict Cumberbatch, The Imitation Game
Michael Keaton, Birdman
Eddie Redmayne, The Theory of Everything

Best Actress
Marion Cotillard, Two Days One Night
Felicity Jones, The Theory of Everything
Julianne Moore, Still Alice
Rosamund Pike, Gone Girl
Reese Witherspoon, Wild

Best Supporting Actor
Robert Duvall, The Judge
Ethan Hawke, Boyhood
Edward Norton, Birdman
Mark Ruffalo, Foxcatcher
J.K. Simmons, Whiplash

Best Supporting Actress
Patricia Arquette, Boyhood
Laura Dern, Wild
Keira Knightley, The Imitation Game
Emma Stone, Birdman
Meryl Streep, Into the Woods

Best Cinematography
Emmanuel Lubezki, Birdman
Robert Yeoman, The Grand Budapest Hotel
Lukasz Zal and Ryszard Lenczewski, Ida
Dick Pope, Mr. Turner
Roger Deakins, Unbroken

Best Foreign Language Film
Ida, Poland
Leviathan
, Russia
Tangerines
, Estonia
Timbuktu
, Mauritania
Wild Tales
, Argentina

Best Adapted Screenplay
American Sniper, Jason Hall
The Imitation Game, Graham Moore
Inherent Vice
, Paul Thomas Anderson
The Theory of Everything
, Anthony McCarten
Whiplash
, Damien Chazelle

Best Original Screenplay
Birdman, Alejandro G. Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Jr. & Armando Bo
Boyhood
, Richard Linklater
Foxcatcher
, E. Max Frye and Dan Futterman
The Grand Budapest Hotel
, Wes Anderson & Hugo Guinness
Nightcrawler
, Dan Gilroy

Best Makeup and Hairstyling
Bill Corso and Dennis Liddiard, Foxcatcher
Frances Hannon and Mark Coulier, The Grand Budapest Hotel
Elizabeth Yianni-Georgiou and David White, Guardians of the Galaxy

Best Original Score
The Grand Budapest Hotel
The Imitation Game
Interstellar
Mr. Turner
The Theory of Everything

Best Original Song
“Everything Is Awesome” from The Lego Movie; Music and Lyric by Shawn Patterson
“Glory” from Selma; Music and Lyric by John Stephens and Lonnie Lynn
“Grateful” from Beyond the Lights; Music and Lyric by Diane Warren
“I’m Not Gonna Miss You” from Glen Campbell…I’ll Be Me; Music and Lyric by Glen Campbell and Julian Raymond
“Lost Stars” from Begin Again; Music and Lyric by Gregg Alexander and Danielle Brisebois

Best Animated Feature
Big Hero 6
The Boxtrolls
How to Train Your Dragon 2
Song of the Sea
The Tale of Princess Kaguya

Best Documentary—Short
Crisis Hotline: Veterans Press 1
Joanna
Our Curse
The Reaper
White Earth

Best Film Editing
Joel Cox and Gary D. Roach, American Sniper
Sandra Adair, Boyhood
Barney Pilling, The Grand Budapest Hotel
William Goldenberg, The Imitation Game
Tom Cross, Whiplash

Best Production Design
The Grand Budapest Hotel, Production Design: Adam Stockhausen; Set Decoration: Anna Pinnock
The Imitation Game
, Production Design: Maria Djurkovic; Set Decoration: Tatiana Macdonald
Interstellar
, Production Design: Nathan Crowley; Set Decoration: Gary Fettis
Into the Woods
, Production Design: Dennis Gassner; Set Decoration: Anna Pinnock
Mr. Turner
, Production Design: Suzie Davies; Set Decoration: Charlotte Watts

Best Animated Short
The Bigger Picture
The Dam Keeper
Feast
Me and My Moulton
A Single Life

Best Live Action Short
Aya
Boogaloo and Graham
Butter Lamp
Parvaneh
The Phone Call

Best Sound Editing
American Sniper, Alan Robert Murray and Bub Asman
Birdman, 
Martín Hernández and Aaron Glascock
The Hobbit: The Battle of the Five Armies, 
Brent Burge and Jason Canovas
Interstellar
, Richard King
Unbroken, 
Becky Sullivan and Andrew DeCristofaro

Best Sound Mixing
American Sniper, John Reitz, Gregg Rudloff and Walt Martin
Birdman, 
Jon Taylor, Frank A. Montaño and Thomas Varga
Interstellar
, Gary A. Rizzo, Gregg Landaker and Mark Weingarten
Unbroken
, Jon Taylor, Frank A. Montaño and David Lee
Whiplash
, Craig Mann, Ben Wilkins and Thomas Curley

Best Visual Effects
Captain America: The Winter Soldier, Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill and Dan Sudick
Dawn of the Planet of the Apes, Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett and Erik Winquist
Guardians of the Galaxy, Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner and Paul Corbould
Interstellar, Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter and Scott Fisher
X-Men: Days of Future Past
, Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie and Cameron Waldbauer

Best Documentary — Feature
Citizenfour
Finding Vivien Maier
Last Days of Vietnam
The Salt of the Earth
Virunga

Best Costume Design
Milena Canonero, The Grand Budapest Hotel
Mark Bridges, Inherent Vice
Colleen Atwood, Into the Woods
Anna B. Sheppard and Jane Clive, Maleficent
Jacqueline Durran, Mr. Turner

sábado, janeiro 10, 2015

2006-2015: nove anos de nuvens da alma

o blogue nuvens da alma completa hoje 9 anos de vida. foi em 2006, numa bela tarde de inverno, perto da hora do lanche, que decidi avançar para a criação de um espaço onde pudesse, sobretudo, escrever, desatar alguns nós emocionais, desabafar sobre tudo o que me entupia o córtex cerebral e, ao mesmo tempo dissertar um pouco sobre música, a minha eterna paixão, cinema, séries televisivas, futebol, irritações sociais e, entre outras coisas, a indústria dos cabedais na noruega. são 9 anos da minha vida que aqui ficam para memória futura, para relembrar um dia o que eu ouvia em determinada fase da minha vida, o que gostei de ver e de sentir. fica também uma espécie de retrato do que fui nos últimos, como pai, como filho, como irmão, como amigo, como profissional, e a evolução, ou a falta dela, em termos de maturidade, sabedoria e conhecimento. em suma, olhando para trás (o que se torna bastante complicado quando se está a tentar redigir um texto no computador), não me envergonho de nada que tenha escrito, porque se o escrevi foi porque o sentia, e se o sentia tinha que o escrever (nem o gustavo santos diria melhor). e, afinal, não é para isso que serve um blogue?!...
prometo, aos meus leitores, continuar esta missão e levar estas nuvens o mais alto possível, até pelo desafio que isso acarreta, que é o de algum dia vir efectivamente a escrever algo de jeito.

quinta-feira, outubro 16, 2014

quarta-feira, setembro 24, 2014

"friends" estreou há 20 anos!



"friends" estreou nos estados unidos há precisamente 20 anos, no dia 22 de setembro de 1994, terça-feira, no canal NBC. neste artigo da vanity fair,  fica uma retrospectiva do que foi a escolha dos actores, as peripécias do episódio piloto, a troca do nome da série de "six of one" para "friends", a escalada nas audiências televisivas, a tomada de posição de david schwimmer em relação aos salários dos seis actores, a maneira como lidaram com a crescente popularidade da série e das personagens, a relação ross/rachel e as pressões do público sobre os criadores da série, até ao inevitável "... I did not want it to end"...

quinta-feira, setembro 04, 2014

true detective



há anos que os produtos televisivos ultrapassam em qualidade, inovação e criatividade o cinema. contam-se pelos dedos das duas mãos os filmes de que realmente gostei nos últimos dez anos. por outro lado, o número de séries televisivas em que fiquei "viciado" aumenta de ano para ano. séries como the sopranos, house, weeds, californication, lost, 24, entourage, the office, modern family, 30 rock, studio 60 on the sunset strip, arrested development, archer, veep, brooklyn nine-nine, curb your enthusiasm, seinfeld, friends, house of cards, breaking bad, the new girl, downton abbey, etc., elevaram a fasquia e os padrões de qualidade, tornando insípido qualquer filme que não apresente nem sequer metade do substrato deste produtos.
true detective é mais um nome para juntar aos que referi anteriormente. comprei a série no domingo, comecei a ver na segunda-feira e acabei ontem. oito episódios, de 50 minutos cada, e uma galopante vontade de ver tudo de seguida, de chegar ao final, de concluir a investigação, como se fosse também eu um detective. tudo nesta série é apelativo: a fotografia, a realização, o argumento, os inteligentes diálogos, a cumplicidade crescente entre os dois detectives e, sobretudo, as interpretações. matthew mcconaughey e woody harrelson interpretam de forma brilhante os detectives rust cohle e marty hart, incumbidos de investigar um crime macabro em louisiana, em 1995, quando eram parceiros há apenas 3 meses. no decurso da investigação deste hediondo crime, as suas vidas pessoais acabam por colidir e interligar-se de maneiras inesperadas e até mesmo catastróficas. em 2012, dezassete anos depois, quando a investigação de um caso similar conduz dois novos detectives até aos acontecimentos originais de 1995, rust e marty contam, separadamente, tudo o que se passou, incluindo os eventos de índole pessoal e como tudo isso os afectou como polícias, amigos e homens.
também michelle monaghan, interpretando a esposa de marty, surge imponente, como um eixo de racionalidade e consciência que paira sempre sobre as restantes personagens principais.
se decidirem comprar/ver esta série, recomendo apenas que o comecem a fazer quando souberem que vão ter umas boas horas livres pela frente, porque não vão conseguir deixar de ver. é viciante, como se nos agarrasse pelos colarinhos e nos forçasse a ficar à frente do televisor.
nos estados unidos, os episódios tinham uma média de 11,2 milhões de espectadores, que agora vão ficar, tal como eu, avidamente à espera da segunda série.