este blogue chega hoje aos 16 anos de vida!
em jeito de homenagem, aqui ficam os melhores momentos da sua existência:
muito obrigado a todos!
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em jeito de homenagem, aqui ficam os melhores momentos da sua existência:
muito obrigado a todos!
não me recordo de quantas vezes ele me pediu para lhe arranjar discos dos "chatos", a sua banda preferida. e eu corria ceca e meca para os encontrar para lhe oferecer. afinal, foram dele que vieram as minhas primeiras odisseias pela música, quando ouvia, incessantemente, as suas cassetes num velhinho rádio. ainda hoje, ao ouvir a "is this love", de bob marley, sou transportado para a minha infância, em que utilizava caixas vazias de medicamentos a fingir que eram carros e autocarros.
este foi o segundo cd que comprei. o primeiro foi o da cantora dos fairground attraction, eddi reader, a solo ("mirmana"), que continha uma música que eu idolatrava: "what you do with what you've got". lançado em abril de 1992, o disco apanhou-me com 19 aninhos, altura em que, graças ao disco anterior, "disintegration", já tinha elevado os the cure à categoria de bandas preferidas. embora não chegasse ao brilhantismo irrepreensível do disco anterior, que continha pérolas como "pictures of you", "plainsong", "prayers for rain", "lullaby", "lovesong" e essa música que, para mim, é o pináculo das músicas depressivas, intitulada "the same deep water as you", este "wish", conseguiu colocar meia dezena de músicas no meu top 20 da banda. são os casos de "apart", "a letter to elise", "from the edge of the deep green sea", "high" e esta obra de arte chamada "trust". lembro-me da primeira vez que a ouvi e de ter ficado petrificado, porque a música parecia ter sido feita de encomenda para mim, grande apreciador da banda, mas com evidente propensão para as músicas mais tristes, depressivas e sorumbáticas. "trust" é um arrebatamento puro, uma descida vertiginosa às sombras da nossa alma, um contemplar resignado à nossa condição de seres vulneráveis e à capacidade intrínseca que temos de ficar, em qualquer altura da nossa existência, com o coração partido. o que torna a música realmente espantosa, além de tudo isto, é a forma como, quase 30 anos depois de a ter ouvido pela primeira vez, ainda fico com a pele arrepiada logo nas primeiras notas de piano. é uma das músicas da minha vida, claramente, e tenho a certeza de que ainda me fará sentir desta forma daqui a 30 anos...
"- como é que eu vim aqui parar, afinal?"
quando o cérebro decide brincar connosco, espicaçando-nos e martelando-nos a cabeça para fazer algo que sabemos muito bem que não queremos fazer, acabamos a fazer a pergunta que encima este texto.
podemos falar de curiosidade, essa cenoura que o cérebro nos coloca à frente dos olhos como se fossemos completamente inconscientes e, ainda por cima, cheios de fome. podemos chamar-lhe outra coisa qualquer, mas, no final, o cérebro ganha sempre ao corpo.
mesmo cansado, já na antecâmara de mais uma noite sem qualquer vestígio de novidade ou surpresa, despertei para a sugestão que, perfidamente, ele me sugeriu, como que a dizer "vá lá, tira lá o pijama, vai para a rua, vive um bocadinho, o mundo é a tua ostra!". matutei nessa ideia algumas dezenas de minutos, depois afastei-a completamente, para meio minuto mais tarde a voltar a considerar. afinal, o cérebro e eu vimos exactamente a mesma coisa no monitor: eu achei normal, mas ele acendeu de imediato holofotes, fez soar sirenes estridentes e atirou-me uma alternativa a mais uma noite pachorrenta, solitária e deprimente. e foi por isso que considerei a ideia e acabei por aceitá-la.
levantei-me, tirei o pijama, vesti-me de novo para o imenso frio que se fazia sentir, camisola de gola alta, casaco interior, casaco exterior, cachecol e um gorro. rua acima, em direcção ao carro, que estava gelado. por sorte, pegou à primeira e não tinha nenhum pneu furado. o destino estava traçado, porque o cérebro já me tinha fornecido todos os apontamentos: o que fazer, como fazer e quando fazer.
cheguei ao local e procurei um local apropriado para estacionar. desliguei o carro e fiquei inerte no veículo, tentando passar o mais despercebido possível. os minutos passam... observei meia dúzia de pessoas a passear os seus cães, para estes se aliviarem, outros tantos a fumar, dois ou três a deitar o lixo fora. e passam mais minutos... ao fim de meia hora, não sabia muito bem o que estava ali a fazer. tentei focar-me novamente. saí do carro, caminhei um pouco e cheguei à conclusão de que estava ainda mais frio do que quando saí de casa. nunca fumei nem tive essa vontade, mas talvez compreenda por que motivo os fumadores não se conseguem livrar do vício. talvez os aqueça em noites como estas.
voltei para o carro. sabia que estava no local certo e na posição certa para observar aquilo que o meu cérebro me compeliu a observar. a intenção dele era nobre, lá no fundo, mesmo no fundo, e foi por isso que decidi prestar-me ao papel que estava ali a representar. mas os minutos passavam e nada acontecia. em lugar do suspense e da excitação para ver aquilo que tinha ido ali ver, começava antes a instalar-se uma enorme sombra de auto-comiseração e alguma vergonha. apanhei a minha imagem no retrovisor central e não gostei do que vi. por que raio estava eu ali, àquela hora da noite? e para ver o quê? essa era a questão principal. quereria eu ver algo que me deixasse ainda mais triste? ou quereria eu observar algo que ainda mantivesse vivas as minhas esperanças? a dúvida persistiu durante as quase duas horas em que me mantive naquele sítio, ao frio, no escuro, de gorro, cachecol e máscara, à espera de algo que se iria desenrolar nuns míseros 20 segundos.
a minha solidão foi interrompida por alguém que me enfiou um panfleto por baixo da escova de limpar os vidros. depois disso, um carro estacionou atrás de mim. depois de dois minutos a fazer manobras e mais manobras, quando tinha espaço para estacionar em 3 segundos, o condutor desligou o carro. um minuto depois, não satisfeito, provavelmente, ligou novamente o carro, saiu daquele lugar e foi estacionar, mesmo sem acender as luzes, uns 20 metros mais à frente. há pessoas perfeccionistas, mas este condutor exagerou claramente.
quem era eu naquele momento? um patético cinquentão sem mais nada para fazer? um dom quixote disposto a tudo para defender a sua dama em caso de uma eventual contenda? uma espécie de guarda-costas ou anjo da guarda sempre pronto e disponível para ajudar em qualquer situação? olhava para o retrovisor e não me reconhecia. o cérebro tinha ganho aquele braço de ferro e levou-me para aquele local frio e impessoal, onde me sentia ainda mais deslocado do que habitualmente. não era a minha parte da cidade, não era a minha zona de residência, não eram os meus vizinhos a passear os cães. sujeitei-me a alguns olhares inquisidores, de algum receio até, o que compreendi. se fosse no meu bairro e visse algo do género ficaria preocupado também. mas fui aguentando...
a questão agora era "se já cheguei até aqui, agora vou até ao final". ou seja, se desistisse após uma hora e meia e fosse embora para casa, que raio de sentimento levaria comigo? frustração? impotência? falhanço? o reverso da medalha não era muito melhor, porque representava mais longos minutos à espera, ao frio, mais ansiedade e expectativa. mas decidi-me por este último.
fui até ao final, mesmo que me tivesse colocado a pergunta inicial deste texto umas dezenas de vezes. o desenrolar foi o mais satisfatório possível, naquelas condições. de certa forma, fiquei agradado com o desfecho daquela atípica noite, a minha versão, velha, miserável, patética e doente, da música "take a walk on the wild side", de lou reed.
não sei que noites me esperam no futuro, mas uma coisa é certa: vou colocar o meu cérebro de castigo por uns tempos. não preciso de noites destas. preciso de noites acolhedoras, debaixo de várias mantas quentinhas, a ver um bom filme, a beber um bom vinho alentejano e de mão dada com a pessoa amada. vivo para isso, de forma a que quando me olhar novamente no retrovisor central do meu carro veja um homem realizado, seguro de si, confiante e cheio de auto-estima, porque tem o coração bem aconchegado e que pertence a alguém que nos pertence!
De que servirá perder tempo a estabelecer prioridades e a definir estratégias para se ser feliz?
A felicidade está em momentos avulsos, partículas minúsculas dessa monstruosidade chamada vida, em situações que não se planeiam nem se preparam meticulosamente ao segundo.
Os dias têm sempre a mesma duração, o sol nasce, atinge o seu pico e volta a esconder-se. Amanhã, tudo recomeça, pela mesma ordem.
O que a natureza nos dá num desses dias, volta a tirar-nos algum tempo depois. O fenecimento é inapelável.
Tudo nasce para morrer e não há nada que possamos fazer para reverter essa inevitabilidade. Tal como numa daquelas filas em que nos colocamos a vida inteira (para votar, ser atendido no hospital, comprar pão, entrar num festival de música), por cá andamos até calhar a nossa vez de ficarmos a preto e branco.
já percebi há muitos anos por que motivo decidi criar um blogue.
enclausurado dentro de mim, faltam-me âncoras diárias de amparo onde despejar tudo o que se acumula dentro de mim há algumas semanas.
não estou bem,
admito que não estou mesmo nada bem. tudo o que havia para correr
mal, correu mal. os piores receios confirmaram-se, aquela sombra
negra que pairava sobre mim, e que se afastou durante algum tempo,
regressou e parece decidida a compensar a prolongada
ausência com contornos ainda mais carregados de negrume, infinita
mágoa e dilacerante amargura.
afinal, os blogues servem para
isto mesmo: substituir pessoas de carne e osso. essas, lentamente,
vão-se afastando. por coincidência, ou não, estamos em pleno outono e, aos poucos, a minha árvore vai ficando sem folhas. elas
vão caindo, uma a uma, levando com elas a irreversibilidade do
momento em que conseguem soltar-se, precipitando-se numa queda
aliviada para o chão.
aqueles tempos em que, como pessoa ansiosa que sou, contava os dias que faltavam para me encontrar com a pessoa amada ou mesmo com amigos já lá vão. tenho que me render às evidências, falhei redondamente neste aspecto da minha vida, tal como noutros. sou obrigado a reconhecer que ainda não tenho, nem virei a ter, certamente, uma personalidade devidamente estabilizada e confiante o suficiente para me soltarem na sociedade. se eu fosse um computador, aceitaria, de bom grado, por esta altura, um reset total, ou, em último caso, que me devolvessem à fábrica, por manifesto e mais do que evidente erro de fabrico.
erradamente, pensei que o meu livro de instruções, o tal que veio de fábrica, já teria sido entendido por alguém nesta fase da minha existência. pura ilusão... os meus problemas, todos eles, com pessoas à minha volta ou sem pessoas à minha volta, continuam cá todos. estiveram, simplesmente, camuflados durante alguns anos. andava tão eufórico com tudo o que me estava a acontecer de bom, de magnífico, de excelente mesmo, que nem me preocupava com isso, com essa avaliação ou introspecção. afinal, tinha alguém ao meu lado e esse factor da aceitação e integração social nem sequer foi uma preocupação para mim, de tão feliz, completo e pleno que estava.
chegado a este ponto, definho debaixo das minhas dúvidas e incapacidades. questiono tudo o que ficou para trás, quem fui numa outra perspectiva, dentro da referida ilusão, e se terei agido sempre em conformidade com esse estado de euforia sentimental, se o demonstrei devidamente, todos os dias, a toda a gente. Se poderia ter feito algo de forma diferente ou se fiz tudo o que estava ao meu alcance para, de certa forma, merecer esse estatuto de homem finalmente feliz a passear constantemente nas nuvens.
sei quem fui e sei o que fiz. acredito mesmo que, se o tempo voltasse para trás, voltaria a fazer tudo da mesma forma. estava apaixonado? demonstrei-o. ficava deslumbrado todos os dias com a sua beleza? afirmava-o. manifestava uma ansiedade tremenda em estar sempre com ela? milhares de vezes. nunca me cansei. nunca houve enfado. o que nunca chegava... era o tempo. queria sempre mais e mais. nunca era nem foi suficiente. mas não é esse um sinal inequívoco de uma paixão galopante, o de querer estar sempre com a pessoa amada?
acreditei cegamente que seria finalmente
feliz, coloquei todas as minhas esperanças, anseios, ilusões,
fantasias e aspirações nessa empreitada, com vista a esse
desiderato. o estilhaçar desse sonho deixou-me desfeito e vazio por
dentro. se tentar chorar, já só chorarei pó; se me cortar, já só
verterei cinza.
este é mais um funeral a que nunca pensei assistir. mas da mesma forma que luto, no final de cada dia, pela existência de mais um dia, e que anseio por cada novo fôlego diariamente, resta-me a convicção, plena, de que fui eu. limitei-me a ser eu, sem artifícios, maquilhagem ou ornamentos. fui o melhor que posso ser. mostrei aquilo que tenho de melhor. mas, mesmo assim, não foi suficiente. pelo que vejo agora, nunca seria. o meu melhor não chegará nunca aos tornozelos de qualquer outra pessoa. o meu melhor nunca representará muito em termos de oferta e perderá sempre em qualquer comparação. mas é o que tenho e nunca irei fingir que sou alguém que não sou.
o problema está identificado e bem enraizado, mas continua à espera de resolução, por ser uma consequência natural de quem se debate diariamente com a mesma dúvida existencial: devo ser como realmente sou porque só assim serei genuíno, autêntico e coerente, ou devo mudar a minha forma de ser, de agir e de pensar, para assim agradar mais, ou alguma coisa, às pessoas com quem interajo?
há pessoas que não dão o devido valor à mancha florestal que a cidade de viseu possui, à sua intrínseca beleza, aos milhões de tonalidades com que o outono a veste e ao deslumbre que as suas centenas de recantos nos oferece. o fontelo faz parte das minhas manhãs de domingo desde abril. são largos meses a assistir às suas mutações naturais, numa prática desportiva que faz muito bem ao corpo, ao espírito e ao olhar. só não digo que também faz bem ao coração, porque nesse departamento a "culpa" não é do fontelo. é de quem me acompanha...
domingos de manhã no fontelo, para revigorar o corpo e a mente, restaurar o equilíbrio interior e encher os pulmões de oxigénio em duas horas de trail, conversas estimulantes e contemplação dos tons outonais. por vezes, não resistimos à beleza que nos é dada a observar e temos mesmo de parar para a fotografar. e sim, claro, as árvores e as folhas também estavam muito giras...
numa conjuntura polvilhada por tantas dúvidas, há certezas que nos fazem imensamente bem! uma delas materializa-se aos domingos de manhã, num circuito de mais de duas horas no fontelo (caminhada, trail e corrida). o esforço é bem doseado, em virtude do traçado delineado (subidas e descidas) e até do piso, mas eu nem necessitaria de nada disso para colocar o meu coração a bater aceleradamente. ele já o faz quando olho para a pessoa que me acompanha. essa é outra daquelas certezas de que falava no início deste post.
harmonia perfeita! com muita consistência, nutrição, pavões, lugares sagrados profanados, quatro percursos de 25 minutos cada a contornar o fontelo, a caminhar e a correr, memórias, previsões e um minuto para tirar fotos. é sempre gratificante documentar os grandes momentos e nós já temos muitos, mas queremos sempre mais!
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e sistelo...
foi há um ano!... um momento de puro companheirismo, amizade, entreajuda, cumplicidade e determinação entre duas pessoas! tudo embrulhado por aquela indómita vontade de querer estar com alguém a toda a hora, caminhar e vencer obstáculos ao seu lado, respirar o mesmo ar puro, ver a mesma deslumbrante natureza e o verde mais verdejante que o minho oferece, em comunhão total e numa simbiose emocional transparente e inquebrável. foi há um ano!... voltaremos ao sistelo, novamente, de mão dada, para revisitar o paraíso e voltarmos a emoldurar mais umas dezenas de momentos inesquecíveis! we will always have sistelo!
novembro 2019
um sorriso que se eternizou no rosto
é completamente impossível prever o que nos vai acontecer durante um determinado período de tempo, não havendo forma de garantirmos a felicidade suprema ou de evitarmos a mais profunda depressão; limitamo-nos, simplesmente, a entregar a nossa carcaça ao destino para este fazer connosco o que bem entender. foi com este aforismo que enfrentei uma semana de férias, a meio de novembro, um hiato agendado desde março.
perguntar-me-ão (e eu não vos posso censurar por isso): mas por que raio marcar férias de uma semana em novembro, em que há frio, chuva, vento, neve, deslizamentos de terra, tsunami's e avalanches a toda a hora? respondo a essa pertinente questão com isto: não têm rigorosamente nada a ver com isso. adiante...
é engraçado como as nossas perspectivas se alteram em virtude de um identificado momento. se antes desse momento olhava para as minhas férias como um bloco de tempo entediante, sem nada previamente agendado ou definido, depois dele parece que tudo se transformou. se estava renitente ou receoso com a forma como iria preencher o meu tempo durante nove dias (uma semana mais dois fins-de-semana), esse referido momento abriu uma enorme avenida à frente dos meus olhos. e o mais espantoso é que teve lugar precisamente nas minhas primeiras horas de férias, porque tinha saído do trabalho duas horas antes nesse dia, 15 de novembro. essa noite mudou tudo e as minhas férias passaram a ter outra banda sonora e outro calor, mais cores e, sobretudo, um enorme e apatetado sorriso de orelha a orelha que ainda hoje não consigo deixar de evidenciar.
leitura.
durante a semana, li dois livros: "a paixão segundo G.H.", de clarice lispector, e "a sombra do vento", de carlos ruiz zafón. este último, "devorei-o" num dia e meio, de tão agarrado que fiquei à narrativa. custava-me pousar o livro, porque a ansiedade queria sempre mais, tal como me custou, no final, despedir-me daquelas personagens. repeti a experiência vivida aquando da leitura de "a mulher que correu atrás do vento", de joão tordo, que também li num ápice, dando por muito bem empregues todas as horas que passei a mergulhar no universo literário do escritor de barcelona. já iniciei um novo livro, provindo das mesmas eruditas mãos que me recomendaram as obras já citadas: "conversa n'a catedral", de mario vargas llosa. dar-vos-ei feedback daqui a 600 páginas. controlem essa ansiedade, por favor...
cozinha.
um homem na cozinha. quais são as suas principais dificuldades? eu tinha uma, muito grande mesmo: não sabia fazer arroz. vivo sozinho há muito tempo já e não havia forma de me aventurar a fazer arroz. nestas férias, decidi colocar mãos à obra. comprei o arroz, li as instruções, adicionei o que tinha a adicionar, nas doses certas, a água, o arroz, a água a ferver e tal. no final, devo dizer que gostei do meu arroz, ficou solto, sequinho e até saboroso. mas haverá sempre margem, claro, para melhorar. tal como na minha outra empreitada: fazer frango assado. habituado ao meu "frango à zé alberto", que vai ao forno apenas com sal, cerveja, sopa de cebola e natas, entendi que tinha de alargar o meu espectro culinário em termos galináceos. comprei os ingredientes (colorau, alho, vinho branco, louro, sal e azeite), misturei tudo, espalhei pelo frango e... não é que ficou uma delícia! certamente que não ao nível das minhas omeletes, muito apreciadas (eheheh), mas com uma qualidade muito satisfatória!
desporto.
desde a instalação da aplicação google fit, tenho estado muito mais desperto para a minha condição física. comecei lentamente a fazer caminhadas, aumentando o ritmo de semana para semana, passando à corrida quando me senti preparado para tal. a aplicação começou a ajustar-me os objectivos semanais, aumentando a carga em termos de minutos activos e de pontos cardio. tenho atingido as marcas propostas e esta semana não foi excepção. apesar do frio e da chuva, fui bem cedo para o fontelo e para o parque de santiago tratar de mim, da minha condição física e do meu bem-estar.
a tudo isto, junte-se muita música, tanto em casa como na rua, durante as caminhadas/corridas, filmes e séries, tempo de qualidade com os filhos, pais e irmã, e o cimentar de todas as amizades que fazem de mim uma melhor pessoa.
voltando a 15 de novembro, é óbvio que poderia ter feito tudo isto que referi durante estes nove dias, da mesma forma, à mesma hora. não teria era o coração tão aconchegado como o tive, nem exibiria o tal sorriso apatetado a toda a hora. há momentos em que até sentimos o som das peças a encaixar umas nas outras, em que temos a certeza de que estamos a regressar a casa depois de uma longa ausência, em que conseguimos ver reflectidos nos olhos que temos à nossa frente as mesmas sensações, a mesma cumplicidade, as mesmas certezas e convicções. o peito enche-se novamente de ar, o coração volta a ter espaço para pular de felicidade e a alma volta a ter lenha para se aquecer. depois desse dia, tudo voltou a fazer sentido novamente, as chaves voltaram a entrar nas fechaduras certas, os planetas alinharam-se novamente e as cores regressaram às nossas faces.
é impossível quantificar o peso do amor na vida de uma pessoa, a forma como determina as nossas reacções, a nossa disposição ou até a nossa vontade de acordar todos os dias. não consigo quantificar, é certo, mas estou convicto, agora, nesta fase da minha vida, e depois de meses de amargura, de que não posso viver sem ele, sem esta sensação de harmonia e plenitude emocional que dele advém, sem esta convicção de que estou acompanhado mesmo quando estou a 300 quilómetros de distância dele, sem esta euforia de me saber de alguém e de ser de alguém, numa comunhão perfeita em todos os sentidos. harmonia, plenitude e serenidade. tudo isto regressou nesse dia e foi devidamente comemorado na nossa data, três dias depois. o nosso equilíbrio emocional foi restaurado e em virtude disso eternizou-se um enorme sorriso nos nossos rostos.
abril 2019
dois corações que voltam a bater
há pessoas tão doces e ternas que nos preenchem. há pessoas tão belas e sensíveis que nos cativam. há pessoas tão estimulantes e viciantes que nunca queremos sair do lado delas, porque é lá que nos sentimos nós mesmos, que sentimos que pertencemos a algo. e esse algo é o "nós" que procurávamos há tanto tempo. o amor puro até pode chegar tarde, em forma de segunda oportunidade; pode chegar quando menos se espera, quando existem compromissos prévios; pode chegar e reescrever tudo aquilo que somos, em virtude da enorme cumplicidade, da ternura espontânea, da admiração, respeito e amizade mútuas; pode chegar e ser vivido intensamente, usufruindo de cada minuto como se fosse o primeiro fôlego, o primeiro passo, o primeiro bater do coração.
mas há um momento em que ele surge, mesmo de forma inesperada, e quando esse género de amor chega... temos de fazer tudo para o merecer, para o preservar, arrebatando o coração da pessoa amada e conquistando-o todos os dias. um amor assim, agarra-se para a vida! e o que resta dela é para passar ao seu lado, sempre a ver corações em todo o lado.
revigorar o espírito e a alma nos passadiços do sistelo
uma caminhada a dois, entre a ponte medieval de vilela e a aldeia de sistelo, num total de 22 kms. não estávamos à espera que fosse tão difícil, embora estivéssemos preparados, depois de duas caminhadas na ecopista do dão, de 16 e 18 kms, nos dois fins de semana anteriores, mas fomos em frente, com o nível de dificuldade a subir gradualmente até à chegada à aldeia de sistelo. nada foi feito com espírito de missão ou de sacrifício; chegámos ao fim realizados, revigorados e, acima de tudo, com mais uma prova definitiva de que, juntos, conseguimos fazer tudo, por mais complicado que pareça ultrapassar o que nos vai surgindo pelo caminho.
foi uma experiência inesquecível, com paisagens memoráveis, a água mais límpida de sempre do majestoso rio vez, o verde do minho, que tanto nos impressiona (paredes de coura, ponte da barca, etc.), as dezenas de borboletas que nos foram acompanhando no percurso (mais as vacas, as cabras, as ovelhas), as nossas "recompensas", na forma de uma cerveja numa esplanada à chegada à aldeia de sistelo e de um piquenique improvisado na recta final do percurso, e aquela sensação, no final, de que estivemos em contacto com uma natureza pura e imaculada, bem conservada e respeitada, como deveria ser em todo o lado, pelas muitas pessoas que fazem aquele percurso.
um experiência para recordar... mas também para repetir, certamente!
novembro 2018
olhares que convergem
raros eram os dias em que ele não frequentava aquela pastelaria. o vício do café levava-o há mais de uma dezena e meia de anos ao mesmo local, onde, por norma, escolhia a mesma mesa. a rotina era tão intrínseca que a própria funcionária do estabelecimento ficava admirada quando ele ficava numa mesa diferente.
os anos foram passando, com poucas variações na forma de pedir o café ("boa tarde, queria um café curto, se faz favor!"), na (falta de) interacção com os outros clientes ou mesmo na duração daquele momento diário. os dias misturavam-se uns com os outros, sem nada de surpreendente a reter além de um ou outro cliente novo e da natural rotação de funcionárias. quando ele entrava e se sentava, sabia que caras ia encontrar e isso sossegava-o, porque se sentia enquadrado e confortável.2021 tem sido um ano bipolar, em que por cada coisa boa que me acontece, acontecem duas ou três más logo a seguir. deixando as questões pandémicas de lado, que me roubaram centenas de momentos ao lado das pessoas que mais prezo, este ano ficará sempre indelevelmente ligado ao que me sucedeu em agosto. os sinais já vinham de final de maio, início de junho, mas o auge chegou no início de agosto. e logo quando estava de férias...
de um mero mau estar a dores lancinantes no fundo das costas, que me tornaram o melhor cliente de sempre dos comprimidos spidifen, a sintomatologia foi-se estendendo, com altos e baixos, até à noite do dia 26 de agosto, altura em que tudo se agudizou, de tal forma que, no dia 27, sexta-feira, fiz aquilo que sempre procurei evitar desde maio: ir às urgências. isto porque, dado o meu historial naquela unidade, não queria de todo perder sete ou oito horas da minha vida, à espera de ser atendido. mas nesse dia até estava de folga e fui mesmo. entrei às 14h30 e fui atendido por uma médica às 20h00...
exames para trás e para a frente, tirar sangue, injecção para as dores (o normal, portanto, de tão habituado que estou) e pensei: "pronto, com a injecção, já não me doem as costas, vou ficar à espera que me dêem alta". como estava enganado...
palavra chave: creatinina. foi este valor que fez soar os alarmes quando a médica viu as minhas análises ao sangue. estavam tão fora do normal que nem estava a conseguir urinar. tentei duas vezes enquanto estive quase seis horas para ser atendido e não consegui. obviamente que achei estranho, nunca me tinha acontecido tal situação. quando fui chamado novamente à médica, o cenário não poderia ser mais aterrador, do qual fixei isto: insuficiência renal, ambos os rins bloqueados e intervenção cirúrgica de urgência. passei a noite na urgência, numa maca, com uma algália, a ser monitorizado. não preguei olho. por muita má que fosse a situação clínica, nada nos prepara devidamente para termos uma algália. foi talvez das noites mais terríveis de toda a a minha existência.
no dia seguinte, sábado, mais exames, incluindo um para o qual tive de assinar em concordância, dado os riscos que envolvia. mas foi esse exame, uma tac com contraste, que permitiu visualizar a gravidade da minha situação. uma pedra de 3mm a obstruir um rim, outra de 6mm a obstruir outro.
sou enviado para coimbra, onde, apenas uma hora depois, já estava no bloco operatório. três horas depois, acordei no recobro. pelos vistos, tudo tinha corrido bem. era agora portador de um duplo J bilateral, uma intervenção, pelos vistos, normal neste tipo de casos clínicos.
entrei na enfermaria, cama 17, do serviço de urologia do CHUC, ainda no sábado e por lá fiquei até ao dia 1 de setembro. pelo meio, fiz anos no dia 30 de agosto. tinha dois colegas de quarto, ambos da zona de arganil. a frase de um deles, de cerca de 60 anos, quando soube que eu fazia anos nesse dia, nunca me saiu da cabeça até hoje, e duvido que venha a sair tão cedo:
- "faz anos hoje? a melhor prenda que poderá receber é os seus rins voltarem a ficar bons!".
passaram quase dois meses. estou a ser devidamente seguido no hospital de viseu. continuo com o duplo J bilateral, tomo medicação específica para destruir as pedras que ainda tenho no meu interior e tenho nova consulta marcada para janeiro. não sei o que o futuro me reserva em termos de saúde, mas aquela frase ecoa na minha cabeça várias vezes ao dia. porque o homem devia saber perfeitamente o que estava a dizer...
nas últimas vezes que a visitamos, sempre acompanhado pelos meus filhos, reparamos que a mesa está colocada para cinco pessoas. já era assim em setembro. habituados a respeitar os mesmos lugares à mesa durante anos, aquele lugar, imediatamente à minha direita, estava sempre colocado, mesmo quando o meu pai estava no hospital. em outubro, após a sua partida, o lugar continua a ser colocado na mesma. e ele bem teria gostado do almoço de ontem...
há várias semanas nos cuidados paliativos, sem que a ciência pudesse interceder pelo seu destino, partilhávamos todos, aquelas quatro pessoas à mesa, a mesma amargura. faltava ali alguém. e a pessoa que ali faltava não tardaria a sair das nossas vidas para sempre. a mesma pessoa a quem eu dediquei, no dia do pai, em 2007, este texto:
https://nuvensdaalma.blogspot.com/2007/03/pai.html
naquele mês de setembro, foram vários os sinais de alarme, em que nos apressamos a conduzir até ao hospital, sempre a pensar que tinha chegado o momento. ficávamos um pouco com ele e saímos de lá mais sossegados, convictos de que ele iria aguentar, pelo menos até aquele dia, 17 de outubro, em que os meus pais assinalariam 50 anos de casados.
a última vez que o vi, com vida, foi no dia 1 de outubro. fui com o meu filho pedro vê-lo ao hospital. pareceu-me bem, estava sem máscara de oxigénio, conseguimos falar com ele, perguntou ao meu filho quando é que ele casava. enchi-lhe a garrafa de água que estava vazia, depois de ter pedido uma de litro e meio à auxiliar. no final, disse algo como "não se prendam por mim, vão lá à vossa vida". e nós fomos. mas, três dias depois, ele foi à dele. e não, desta vez não chegámos ao hospital a tempo. soube por telefone, no IP3, a três quilómetros do hospital, que ele tinha partido...
por muito que estejamos preparados e mentalizados para a inevitabilidade da partida de um ente querido, nada nos prepara para ver esse ente querido sem vida. quando entrei no quarto, em cima da cama já não estava o meu pai, estava um corpo inerte, vazio, sem alma. sei bem que nunca irei esquecer a primeira imagem que se me deparou quando entrei no seu quarto, cama 10. já sabia que ele tinha partido e que não haveria mais nada a fazer, a não ser entregar-me à resignação absoluta. mas aquele choque de o ver sem vida, a forma como o deixaram em cima da cama, como toda a parafernália de máquinas e máscaras de oxigénio já tinha sido retirada, em tempo recorde, certamente, e restavam apenas os bens pessoais e o seu saco de roupa, foi uma agressão demasiado dura para encaixar. não tinha tido coragem de ver os meus avós sem vida quando eles partiram. tive-a agora. mas sei que vou ter aquela imagem bem gravada na minha cabeça até eu próprio partir.
os almoços em casa da minha mãe são, agora, diferentes. a minha mãe não é a mesma, nós não somos os mesmos. mas vamos procurando fazer a minha mãe rir, abrir aquele sorriso que tão bem a caracteriza. é uma mulher dilacerada pela dor, porque o seu amor de mais de 50 anos já não está ali connosco à mesa. já não está entre nós...
a vida continuará, certamente. alguém inventou as despedidas para momentos como estes. e eu tive a oportunidade de me despedir do meu pai, de lhe dizer o que sempre senti por ser seu filho, de lhe agradecer tudo o que ele fez por mim. foi sempre nele que confiei quando precisei de alguma coisa, foi o meu rochedo, a minha garantia de que, acontecesse o que acontecesse, estaria sempre bem, porque ele estaria lá para me ajudar. e esteve. esteve sempre! até morrer...
é extremamente simples criar empatia com uma determinada localidade apenas por dois ou três aspectos em cerca de 30 horas de permanência. em primeiro lugar, e por indicação de um amigo, jorge coelho, depois do almoço (e já lá vamos às questões gastronómicas) eu e a ana fomos visitar um dos ex-libris da cidade: o jardim / miradouro portas do sol. é um espaço perfeito para todos aqueles que procuram um local calmo e relaxante para ouvir o pensamento e, ao mesmo tempo, deslumbrar os olhos. as vistas sobre o rio tejo e as lezírias são de cortar a respiração.
na parede da casa museu pedro canavarro, historiador escalabitano, podemos ver a inscrição "veja o tejo como garrett o viu..." e entendemos como o escritor se sentiu inspirado por aquele imenso azul a embalar as lezírias numa planície sem fim. já percorremos muitas cidades e imensos locais por este país fora, mas estas portas do sol ficarão por certo na nossa memória por muitos anos.
o segundo aspecto, mais mundano e mais virado para os prazeres gastronómicos, uma paixão que partilhamos desde que viajamos juntos, tem a ver com a forma como fomos acolhidos, servidos e saciados. fizemos três refeições em santarém e a dúvida é escolher aquela de que mais gostamos.
começámos pelo restaurante a grelha, que nas suas paredes ostenta a frase "cozinhar é fazer poesia para ser degustada". a poesia veio em forma de frango à lagareiro, acompanhada do vinho tinto local conde vimioso, de 2017. somos adeptos incondicionais do vinho tinto alentejano, mas em roma... sê romano.
uma pesquisa aturada evidencia que 10 de janeiro é uma data associada a grandes eventos. senão vejamos: encerramento oficial da primeira guerra mundial com a entrada em vigor do tratado de versalhes (1920); classificação da torre de belém como monumento nacional em portugal (1907); realização da primeira assembleia geral das nações unidas, com 51 nações representadas (1946); entra em vigor a declaração de tashkent, um acordo de paz assinado entre a índia e o paquistão que termina com a guerra indo-paquistanesa de 1965 (1966); ou a criação da união económica e monetária do oeste africano (1994).
mas naquela terça-feira, 10 de janeiro de 2006, exactamente às 16h19, aconteceu algo muito mais contundente e simbólico do que a declaração oficial do final de duas guerras ou aquela treta da onu: nascia o primeiro post deste blogue, um bocadinho antes da hora do lanche. nuvens da alma viu a luz do dia pela primeira vez e a reacção foi semelhante à de antónio guterres quando lhe pediram para quantificar o valor do pib nacional, mas rapidamente aprendeu o "abc"das lides blogosféricas e, seis meses depois, já ia na letra "p". o primeiro comentário, anónimo, por sinal, surgiu no dia seguinte e rezava assim: "esperemos, então, que não sejam nuvens passageiras". portanto, a pressão começou logo ao segundo dia...
domingo, 10 de janeiro de 2021. cerca de 2210 posts e 2170 comentários depois, chegou o momento de assinalar o 15º aniversário destas nuvens, às quais nunca fui indiferente. os primeiros cinco anos foram intensos, em todos os aspectos (visualizações, comentários, interacções), com uma média de 30 publicações por mês, atingindo a expressão máxima em março de 2011, com 101 posts. depois, o blogue foi perdendo protagonismo para as redes sociais, nomeadamente o facebook.
com maior ou menor intensidade, as nuvens já estavam cá dentro e faziam parte de mim, daquilo que sou, penso e gosto/não gosto. estão aqui representados 15 anos da minha vida, o que cresci (ou não), as minhas aventuras como pai, profissional, amigo, os filmes e séries televisivas de que mais gostei, os discos pelos quais me apaixonei, as bandas, as letras, os vídeos, os concertos (e, felizmente, foram muitos). mas também relatos de viagens, bem documentadas fotograficamente (outra paixão que ficou aqui bem reflectida em vários posts), desabafos de vária ordem (social, política, futebolística - ainda não ter festejado um título do sporting aqui é um dos meus maiores desgostos), considerações e opiniões diversas. um pouco de tudo e um pouco de nada, depois de bem espremido (para algumas pessoas).
em todo o caso, são 15 anos que ficam arquivados, devidamente arrumadinhos por mês e ano. e esta é uma grande vantagem para quem decide criar um blogue, saber que a qualquer momento pode ir buscar uma determinada memória, reler um texto, desfazer uma dúvida, reviver momentos, como aqueles passados com os meus filhos, que eu vertia aqui de forma recorrente. o meu filho tinha 5 anos quando criei o blogue, a minha filha tinha 10 meses. ficaram aqui registadas muitas situações que vivi, de forma intensa, como pai babado que sempre fui. eles têm agora 21 e 15 anos, ambos sabem da existência do blogue e gostam, por vezes (mais ela do que ele), de lhe dar uma espreitadela, porque ficaram nele plasmados centenas de momentos que recordam com prazer e nostalgia. tomara eu ter um registo da minha infância e adolescência como eles têm, à sua disposição, nos dias de hoje.
portanto, e resumindo, valeu a pena ter chegado aqui! não obstante tudo o que já ficou dito, este blogue também teve um papel preponderante na grande viragem da minha vida e em tudo o que me tornei depois dela. também esse momento aqui ficou gravado, embora esteja cristalizado na minha mente, provando que as pessoas podem, efectivamente, alterar os desígnios das suas vidas se tiverem o aconchego emocional necessário e a coragem para iniciarem tudo de novo. tanto escrevi sobre isto, ao longo destes 15 anos, que um dia alguém leu e sentiu alguma cumplicidade. cumplicidade que hoje se reveste de harmonia, tranquilidade, amizade, companheirismo, confiança e infinita ternura. em suma, e como canta josé cid, "um grande, grande amor".
tenho por estas nuvens da alma um carinho especial. por todas elas. é gratificante olhar para trás e ainda conseguir esboçar um sorriso quando leio textos antigos ou ficar emocionado com outros mais sérios. acima de tudo, é muito boa esta sensação de não ter vergonha de nada que aqui publiquei, de assumir cada palavra, cada vírgula, cada ponto de exclamação, cada imagem, cada música que aqui gravei. é como ter acesso ao meu passado e vir visitá-lo de vez em quando.
obrigado por estes 15 anos e pela vossa infinita paciência! vão aparecendo por cá quando quiserem, vou tentar diversificar mais os temas, entrando por outros domínios, como a indústria de cabedais na noruega, a caça à baleia em alto mar e a jardinagem. vou ainda tentar, ainda não sei bem como, oferecer um café a todas as pessoas acedam ao blogue. se ficarem mais de trinta minutos a ler, ofereço também um queque de laranja da dan cake...