sexta-feira, janeiro 07, 2011

the tourist


normalmente, este não seria o género de filmes que me levaria ao cinema, mas como foi inserido numa saída nocturna com amigos decidi aproveitar. não morro de amores por nenhum dos protagonistas do filme, para além de continuar sem entender por que raio os homens se babam todos com a angelina jolie, mas a premissa do filme até nem parecia má de todo.
a unidade de crimes financeiros da scotland yard segue todos os passos de elise ward (jolie), primeiro em paris, depois em veneza, na esperança de ela os levar até alexander pierce, um banqueiro, de quem eles não conhecem o aspecto, que roubou biliões ao seu mafioso patrão, reginald shaw (steven berkoff). o início até prometia, com alguns "gags" bem conseguidos e, posteriormente, o encontro entre jolie e depp no comboio que os levaria até veneza. elise segue as indicações de pierce e, no comboio, escolhe uma pessoa, ao acaso, como "isco" para enganar os perseguidores, convencendo-os de que essa pessoa é, na realidade, alexander pierce. a escolha recai em frank tupelo (depp), um professor de matemática americano (o suposto "turista" do nome do filme). quando chegam a veneza, têm ambos não só a scotland yard à perna, mas também reginald shaw, e a sua inepta equipa de "gorilas", que acredita que frank é, efectivamente, o homem que o roubou. a premissa começa a perder muito do seu já pouco interesse quando o realizador começa a mostrar-se muito mais interessado em fazer um postal cinematográfico de veneza do que em desenvolver as personagens ou desenhar cenas de acção com alguma... excitação. jolie e depp, sejamos francos, dão o seu melhor. depp compõe um personagem charmoso, por vezes despistado, que arranca sólidas gargalhadas à audiência quando fala espanhol como se fosse italiano (ou quando responde "bon jovi" a um "buon giorno"). jolie é a mulher com a auto-estima mais alta do universo, muito bem vestida e produzida, que consegue concentrar todos os olhares em si quando entra numa sala qualquer, mas com uma espécie de letreiro a dizer "inacessível" ao comum dos mortais. sensivelmente a meio do filme, percebemos que ela, afinal, é uma agente da unidade de crimes financeiros da scotland yard, embora suspensa, cuja missão seria envolver-se directamente com pierce para descobrir as suas fraudes financeiras e entregá-lo à polícia. o problema é que ela acaba por se apaixonar por ele, boicotando dessa forma a sua missão, forçando o inspector john acheson (paul bettany) a segui-la por todo o lado na esperança de encontrar alexander pierce, a tal personagem que ninguém parece conhecer neste filme. depois de muitas cenas ridículas, em que a inépcia dos "gorilas" de reginald shaw atingem proporções bíblicas, com praticamente todos os clichés deste género de filmes, chegamos ao "twist" final. para quem não viu o filme, não vou revelar aqui como ele acaba, como é óbvio, mas não posso deixar passar em claro que esse mesmo "twist" não faz rigorosamente sentido nenhum. parece uma coisa arranjada à pressa por parte dos argumentistas, que ignora completamente toda a história contada até esse momento. é certo que este género de "reviravolta" final não é para todos. quando bem executada, coerentemente e com lógica, ficamos com o filme na cabeça durante anos. mas isso é muito raro; o mais certo é deixar a audiência confusa e frustrada. o final de "the tourist" é quase uma afronta a quem esteve a seguir, com algum interesse, desde o início. não tem lógica nenhuma, ficamos a encolher os ombros e a comentar para o lado "mas que raio?! isto não faz sentido nenhum". é a mais pura negação do que foi o filme até então. se o objectivo era deixar os espectadores de boca aberta, faltou consistência, um argumento mais credível e melhor elaborado, que sustentasse devidamente o final do filme. desta forma, deu a impressão que foram filmados vários finais possíveis e que, provavelmente, foi este que venceu nas projecções realizadas antes do lançamento do filme. muito filmes que tentam, no final, um "twist" surpreendente, gostam de ir deixando pistas pelo caminho, mostrando ao espectador que ele devia ter reparado nelas desde o início (ver filmes como "the usual suspects" ou "the sixth sense", por exemplo), ou revelam, no final, através de flashbacks, vários aspectos que sustentam esse mesmo "twist". em "the tourist", os argumentistas nem se dão a esse trabalho, e, dessa forma, o filme acaba de uma forma ridícula, em que as peças se encaixam todas de uma forma perfeita, num registo de novela da tvi, para a audiência sair satisfeita das salas de cinema. garanto-vos que, pelo menos, uma pessoa não saiu...

3 comentários:

tadeu disse...

hum...essa piada do bom dia em italiano já havia sido explorado em "inglorious basterds"...
bem, não queria ver o filme, e com tua sentença final, menos quero :)

portanto, não é comédia, tem, no personagem de depp, um rapaz com alguma piada, nada mais. certo?

que raio de idéia terá sido esta de nomear o filme para comédia, num prémio de cinema??...
bom fds!

josé alberto lopes disse...

não basta juntar dois nomes fortes (um para agradar ao público feminino e outro para agradar ao masculino) numa cidade considerada das mais românticas do mundo, para se fazer um bom filme. quer-me parecer que, neste filme, os produtores nem se importaram muito com o argumento, tal a vontade de verem depp e jolie a partilhar o grande ecrã.
não recomendo, de todo.

rasgos em rosa e cinza disse...

Como ainda não vi o filme, não vou comentar o seu conteúdo só pela minha vontade de o ver. Mas fica aqui a minha rectificação ao teu post: o que querias dizer era que não entendes porque é que homens e mulheres se babam pela Jolie.. Porque eu, hetero, também me babo. E venha a 1ª mulher negar que uma mulher não aprecia outra... tangas!