quarta-feira, outubro 11, 2006

ser pai

não há como ser pai para finalmente podermos ver os nossos próprios defeitos. os meus filhos estão bem divididos em termos genéticos. o rapaz sai ao pai, a menina sai à mãe, tanto fisicamente (como convém), como psicologicamente. o pedro é, como diz a mãe, tal e qual o pai e, como tal, torna-se difícil repreender ou reprimir um comportamento que eu entendo e pratico, mesmo inconscientemente. e ele sabe isso, aproveitando-se deste meu "calcanhar de aquiles" para "usar e abusar" da minha paciência. reage mal ou não reage de todo quando confrontado com alguma autoridade mais evidente. gosta de fazer as coisas no timing dele, sem pressões, sem constantes apelos à rapidez. gosta é de jogar playstation (quem é que o pode recriminar?), ver televisão, os filmes que lhe estou contantemente a comprar (há dias comprei os dois "toy story" em dvd, que acho essenciais naquele género cinematográfico), de andar de bicicleta, de brincar com as centenas de brinquedos que tem no quarto. raramente quer sair de casa ao fim de semana, prefere sempre ficar em casa (mais uma vez, ninguém o pode censurar). cede neste aspecto quando lhe dizemos que vamos comprar alguma coisa para ele ou para a mariana. sim, o materialismo está bem vincado já na sua personalidade. o natal está a chegar e ele já anda a consultar catálogos e folhetos dos hipermercados e toys are us.

a escola começou há um mês. nas breves conversas que tenho com a professora dele, ela entende que o pedro é muito brincalhão e distraído, que está sempre na brincadeira, em vez de se aplicar a fundo nas aulas. em casa, fazer os trabalhos é sempre uma maçada e qualquer coisinha insignificante serve para o distrair do que está a fazer, como uma mota a passar na rua ou o camião que vem recolher o lixo. nós "apertamos" com ele, fazemos-lhe ver que já tem responsabilidades, que tem de ser mais aplicado e atento. ele entende e aceita, mas no dia seguinte faz precisamente os mesmos erros e tem a mesma atitude. é um castigo para nós e para ele os trabalhos de casa. apenas posso imaginar como será o seu comportamento na sala de aula e o que "sofre" a professora (mas também é a profissão dela e está lá para isso mesmo; certamente que haverá alunos mais problemáticos do que o meu filho).

não posso deixar de me sentir "culpado" por ele ser assim. são os meus genes a interferir. ele tem as suas prioridades, próprias da sua idade. quer brincar, ver televisão, jogar, andar de bicicleta. sabemos que não poderemos forçar demasiado o seu sentido de responsabilidade, sob pena de ele se revoltar e agir precisamente ao contrário do que nós queremos. vamos confiar nele e nas linhas orientadoras que lhe incutimos até agora. sabemos que ele não nos vai decepcionar; apenas está a devorar a vida, a saborear o facto de ser uma criança. e isso é saudáve!
quero chegar a casa e brincar ou jogar playstation com ele, ver um filme ou televisão com ele. não tenho personalidade nem postura para ser um pai severo e castigador. já tentei mas ele não me leva a sério. sabe que sou feito do mesmo material que ele...

4 comentários:

tulipa_negra disse...

eheheehe
gostei de ler este teu post.
acho que esse é o procedimento mais correcto.

marta r disse...

Espera até ele perguntar "porque é que não pode fumar se o pai ou o avô ou o tio ou o primo fumam"....

isaac davis disse...

felizmente, ninguem fuma na minha familia mais chegada. é uma sorte. caso contrário teria mesmo que responder a essa questão. bem observado.

Tovarich Gina disse...

o teu filho é um querido.
mas ou a mariana mudou muito ou... eu achava que ela era a tua cara chapada!!!