terça-feira, junho 27, 2006

when harry met sally


apetece-me frequentemente rever "when harry met sally"!... voltar a ver aquelas situações que toda a gente gostaria de viver, dos encontros, das saídas para jantar, os telefonemas pela noite dentro, as conversas sobre filmes e música; o florescer de uma amizade depois de duas más primeiras impressões; a criação de uma ténue linha entre uma sólida relação de amizade e uma atracção física dissimulada e evitada a todo o custo, em nome dessa mesma amizade.
o filme gira em torno desta questão: pode realmente haver amizade entre duas pessoas que se atraem fisicamente? já lá vão 17 anos, desde o aparecimento do filme, e essa pergunta continua por responder. mas certamente já houve quem o tenha tentado... tanto responder como fazer parte de uma relação desse género.
a pergunta não implica que qualquer relação de amizade entre um homem e uma mulher só possa funcionar se ambos forem extremamente feios ou fisicamente repugnáveis. ou pelo menos uma das partes. há outra variante a ponderar: se um deles for comprometido (casado, noivo, padre, etc.). mas mesmo assim pode existir a tal "atracção física", que pode levar, como levou Billy Crystal e Meg Ryan no filme, a uma relação de outro género, mais consistente. há ainda mais variantes: se ambos forem muito escrupulosos e cientes das suas responsabilidades, conseguindo dessa forma ultrapassar o desejo; se ambos respeitarem a própria relação de amizade e não a queiram "estragar" por causa de um impulso ou luxúria. enfim, toda uma série de "estradas mentais" que o nosso cérebro cria no sentido de nos levar a alguma conclusão.
e se essa conclusão não aparece? e se o desejo se instalou de tal maneira que já é quase impossível ir tomar um simples café com essa amiga (ou amigo, no caso delas) sem aparecerem os tais pensamentos lascivos? o que fazer nestas circunstâncias? esconder da melhor maneira possível a crescente atracção física por essa amiga/o? confessar o que se está a sentir? acabar a relação de amizade com essa pessoa? continuo sem respostas...
no filme tudo se passou de uma forma "natural". eles conhecem-se numa viagem de carro para new york, conversam durante oito horas seguidas, não "clicam", antes chocam psicologicamente. encontram-se novamente quatro anos depois. voltam a "chocar", não alterando a primeira impressão que tinham um do outro. novamente quatro anos depois voltam a encontrar-se. e começam verdadeiramente a "falar", sobre os relacionamentos de ambos, ele está a divorciar-se, ela acabou uma relação de anos com o namorado. conseguem encontrar pontos em comum e afinidades e constroem daí uma relação de amizade. almoços, jantares, exposições, etc. tentam "impingir-se" um ao outro aos seus melhores amigos, no sentido de se "ajudarem" mutuamente a esquecer os antigos parceiros e seguirem as suas vidas com outras pessoas. até que acontece o "tal" impulso! ela liga-lhe a chorar, contando-lhe que o seu antigo namorado se vai casar. ele vai ter com ela a casa, encontrando-a chorosa e deprimida. muitos lenços de papel depois, acabam por se beijar... e o resto... adivinha-se. nos dias seguintes, ambos tentam "apagar" essa noite das suas vidas e continuar a ser o que eram antes disso: simples amigos. mas é impossível! e a relação de amizade ressente-se e torna-se periclitante.
nesta altura do filme só poderia haver duas saídas: ou eles acabavam de vez a amizade, por não terem chegado a um consenso sobre o real significado da tal noite; ou um deles cederia, finalmente, concluindo que aquela noite tinha sido o início de algo muito forte. (para quem não viu ainda o filme, e pretende ver, não vou revelar qual dos finais é o verdadeiro).
pois é. nos filmes é assim. no mundo real, convivemos com dezenas de pessoas todos os dias. umas são mais apelativas que outras. umas dizem-nos mais do que outras. umas nós nem sequer queremos encontrar mas, que diabo, temos que as aturar. umas fazem de nós melhores pessoas e ajudam-nos a evoluir, estimulando-nos a inteligência. outras ainda de quem tentamos esconder e dissimular os tais "impulsos"... até não conseguirmos...

2 comentários:

marta r disse...

Este é daqueles filmes que levanta questões que podem levar uma vida inteira à procura de resposta à altura. Eu ainda não cheguei lá mas não perdi a esperança.

Tovarich Gina disse...

é... nos filmes é tudo muito natural e simples...
A relação perfeita não deveria ser constituída por desejo físico a consolidar uma enorme e forte amizade?... mas lá está... isso seria a relação "perfeita" e não há nada que o seja... Quanto ao filme, não conheço, mas parece interessante.