sexta-feira, janeiro 13, 2006

"There´s always another girl"

Quem seria capaz de viver sem música? Momentos há em que nos sentimos com necessidade de "sofrer", de ficar pasmados a olhar o vazio, uma paisagem, a chuva, enquanto ouvimos "aquela" música, a tal que nos põe num estado nostálgico, a pensar em alguém, num passado não muito distante. Quase que até apetece fumar, para carregar simbolicamente a cena, juntando a isto tudo um copo de baileys com muito gelo, um ambiente acolhedor, uma lareira acesa, a chuva a bater nos vidros. Está criado o cenário perfeito, tudo emoldurado pelos sons que nos aquecem a alma e nos reavivam a memória. A postura e o olhar para o infinito são sempre baseados numa cena marcante do filme "Os Fabulosos Irmãos Baker", em que o fabuloso Jeff Bridges, de cigarro na boca e copo de whisky na mão (lá está, tem mesmo que ser!), ouve a despedida comovente de Michelle Pfeiffer, corroído de dor por dentro mas aparentando uma frieza quase gélida que o leva a dizer a célebre frase: "There's always another girl"... A "nossa" Michelle Pfeiffer está no nosso pensamento, não está ao nosso lado a despedir-se, a colocar um fim numa relação errante. A música, por esta altura, seria bem suave, talvez a voz de John Grant, dos The Czars, soasse divinalmente aos nossos ouvidos. Ouviamos "Concentrate": I hope you're not talkin' 'bout yesterday, 'cause I can't live, I can't live that way it's all gone now and you don't know the truth so you must go now and find the door I hope I'm not disturbing you". Uma das musicas ideais para uma despedida, o som depressivo mais adequado para a nossa sensação ser ainda mais forte. Talvez ainda nos lembrássemos de ouvir Mark Eitzel, esse trovador apaixonado, cantar "It's time for me to go away, i'll get a new nem maybe i'll get a new face, it's time for me to go away, no i don't belong in this place, but i'm not going to ask you why you think the parade as passed us by, or if everything good as gones into the western sky", da musica "Western Sky", dos American Music Club. Ou Mark Kozelek, dos Red House Painters, em "Song for a Blue Guitar": "in the room all i feel is the cold that you left, through the air all i see is your face full of blame; what's left to see? what's there to see?". Mas outras vozes e outras musicas encaixariam perfeitamente neste nosso estado letárgico, de contemplação interior. O momento é nosso, mais ninguém poderá invadir esse espaço. Estamos "desligados" deste mundo, estamos agora a viver num outro, apenas de recordações, de momentos passados, a tentar imaginar como teria sido diferente a nossa vida se tivéssemos dado um determinado passo, de tivéssemos dado "aquele" beijo, se tivéssemos dito as palavras que nos enchiam a mente na altura certa... "What If", dos Coldplay, também se poderia incluir na banda sonora deste momento. O "nosso" momento, desprendido do mundo real. Como escreveu uma grande amiga minha, uma pessoa cheia de qualidades e virtudes, "se me encontrares por aí perdida nas estrelas, não me devolvas à realidade!". Brilhante Cláudia! O final perfeito! Obrigado pela inspiração!

3 comentários:

Cláudia Faro Santos disse...

Fazes-me sorrir!
Simplesmente...

LetrasaoAcaso disse...

Zé, a vida é infelizmente uma enorme sucessão de desencontros.

Anónimo disse...

E reencontros, em paragens não planeadas...

Sirc