quarta-feira, novembro 25, 2009

serena agonia


era tão serena aquela tarde, somente o som e a espuma das ondas
como carícias meigas de mãos puras.
o calor doce envolvia-nos numa cumplicidade silenciosa,
apenas os nossos olhos teimavam em se encontrar,
em detrimento daquela imponente imagem de pôr do sol.
ao longe não se erguiam adamastores tétricos
nem se previam tempestades,
antes se desenhava um horizonte longínquo de dominante azul
em perfeito contraste com o laranja do sol.
a praia, de areias açucaradas,
beijada por uma irresistível mansidão líquida,
estende-se até aos confins do olhar.
a natureza conversava entre murmúrios de amor,
namorando-se e amando-se na concretização das paixões eternas,
ciciando juras que mais ninguém deve escutar.
nos nossos rostos rasgavam-se inocentes sorrisos,
os nossos olhares encontravam-se no emaranhado da nossa timidez.
assim ficámos até o último raio de sol desaparecer,
as palavras não passaram de meros esboços,
receosas perante a invisibilidade de uma emoção
ou a aspereza de um instinto nocivo.
as letras são os tons da nossa alma,
da nossa força ou da nossa fraqueza.
nesse fim de tarde sereno imperou o olhar,
contemplativo, de pura adulação,
tornado desespero, como quem sabe que um prazer vai acabar,
ou alguém, que amamos, parte sem nós!

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