quinta-feira, abril 10, 2008

entretanto, vinte anos antes...

vinte anos! passaram já vinte anos... nos anos 80, quando ouvia duran duran de manhã à noite, era um tipo despreocupado, sem responsabilidades para além de passar de ano e não chumbar por faltas. quando ouço o "save a prayer" vem-me tudo à cabeça: o zx spectrum, as muitas horas a jogar o chuckie egg e o match day, o meu walkman preto com equalizador, onde ouvia música a toda a hora (lembro-me bem que rod stewart e os europe foram as primeiras cassetes que lá ouvi), os discos de vinil que mandava vir pelo círculo de leitores, os cadernos escolares todos rabiscados com nomes de grupos, as revistas bravo que me confiscavam no liceu, com o consequente aviso aos meus pais de que andava a ver revistas pornográficas (isto é mesmo verdade!), as horas que faltava às aulas para ir jogar snooker (e mais tarde o tetris), as minhas primeiras desilusões amorosas, a gritante falta de jeito para iniciar qualquer conversa minimamente coerente ou eloquente com uma rapariga, a minha "fabulosa" colecção de posters (que saíam na bravo e na pop rocky, as tais "revistas pornográficas" segundo os botas de elástico dos meus professores), onde imperava a minha "deusa" naquela altura, onde alicercei muitos dos meus ideais de beleza feminina: a nena (a dos "99 red balloons"), os primeiros bailes, onde pude efectivamente constatar, no terreno, a minha total incapacidade para "meter" conversa com uma pessoa do sexo oposto... enfim, muitas memórias, sempre com a componente musical a acompanhar cada uma delas. lembro-me perfeitamente da minha primeira namorada, tinha eu 14 anos (e ela tinha 19...), a ana, do seu estranho hábito de escrever mensagens de amor em todos os espelhos de minha casa (que depois tinha de limpar para os meus pais não verem), de ter faltado uma tarde inteira às aulas para ir fazer um piquenique com ela, em que levei o meu gravador (lá está a componente musical) com cassetes do (e agora, por favor, não vomitem) bon jovi (conseguiram aguentar?), a-ha e duran duran. ainda hoje a música "never say goodbye", dos bon jovi, me transporta imediatamente para esse dia, naquele que foi um dos meus primeiros grandes actos de insubordinação e rebeldia. o que é que vocês queriam? tinha uma namorada cinco anos mais velha do que eu e não ia fazer tudo o que ela me pedisse? sobretudo tendo em conta aquela minha já referida falta de iniciativa (ou jeito) para lidar com o sexo oposto. escusado será dizer, nesta altura, que foi ela que deu o primeiro passo, isso é fácil de concluir. começamos a namorar no dia 1 de abril de 1987. parece mentira, mas é verdade. foram 4 meses fantásticos, apesar de ter chumbado nesse ano. e disse 4 meses fantásticos porque ela, no final de julho, foi ter com a mãe à suiça (não, a minha primeira namorada não foi a martina hingis. a mãe dela não é suiça, é portuguesa, mas emigrante). nesse dia, em que ela foi embora, fechei-me no meu quarto a ouvir o disco dos cutting crew. a música "i've been in love before" é como uma cicatriz desse dia. nesse disco, "broadcast", também há duas músicas que ainda hoje recordo com nostalgia, "sahara" e "the broadcast", que ficarão para sempre ligadas a esta fase da minha vida. o primeiro amor nunca se esquece, é bem verdade, mas quando nos aparece aos 14 anos, sem aviso prévio e com tantos jogos interessantes para jogar no zx spectrum, um tipo fica com as prioridades irremediavelmente alteradas.
este passeio nostálgico vai ter que ficar por aqui porque me "bateu" uma enorme vontade de jogar snooker, de beber uma green sands e de comer um zainy crispy, o melhor chocolate que alguma vez existiu. ah, belos anos 80!

2 comentários:

Jerri Dias disse...

Adolescência tem isso de bacana, a gente faz muita loucura e fica com muita história para contar.

Falndo em saudades, eu publiquei um post sobre Saudades dos Anso 90, 80, 70...? Acho que foi em fevereiro, dá uma olhada...

isaac davis disse...

caro jerri: fui ler o seu post e comentei. acho que é um artigo que marca bem a diferença entre as gerações e, ao mesmo tempo, a evolução das artes ao longo dos tempos. e com uma excelente conclusão.