quarta-feira, maio 02, 2007

consciência limpa

este ano pretendo cumprir rigorosamente a resolução que tomei no fim do ano passado: não mais tomar resoluções de ano novo. são promessas que fazemos à nossa consciência em que nem a consciência acredita mais. a minha já estava a reagir com bocejos a cada juramento que eu fazia para o novo ano. "vou começar uma dieta", "vou comer sopa e salada a todas as refeições", "vou ser tolerante, justo e equilibrado", "vou arrumar o sótão", "vou ali ao café e já volto", "vou fazer exercícios diários, usar fio dental, reler os clássicos, não tudo ao mesmo tempo, claro". e a consciência, com enfado: "sim, sim, está bem, tem é cuidado com o nariz, que ainda magoas alguém".
mesmo com esse espectro de dúvida a pairar sobre ela, a minha consciência não deixa de se submeter ao exame anual que faço nos últimos dias de dezembro. uma espécie de check-up moral necessário para desanuviar qualquer nuvem negra que possa pairar na minha consciência. em dezembro, o seu estado geral era bom, pese embora algumas questões pendentes relacionadas com uma amizade de 16 anos que se perdeu. o que mais custou ainda foi ser informado por e-mail desse desenlace, sem confronto, sem troca de ideias, sem apelo, nem agravo. se tive culpas? claro que tive. mas acabar assim, desta forma, tudo o que se construiu durante tantos anos, é doloroso. a minha consciência manteve-se limpa e, embora tenha vacilado por alguns momentos, preferiu levantar a cabeça e seguir, sem olhar para trás. passado é passado. quando não somos desejados, somos meros obstáculos.
de resto, não teve grandes provações no ano passado. fiz algumas coisas que não devia, não fiz outras que devia, nada de grave. vou poder continuar a conviver normalmente com a minha consciência, principalmente agora que eliminamos este ridículo ritual das resoluções de fim de ano da nossa relação. o homem maduro é o que desiste da virtude impossível para não perder a possível.

2 comentários:

Anónimo disse...

Lendo a última parte do penúltimo parágrafo, e tentando repôr a verdade dos factos, aqui vai um conselho: deves interpretar melhor os teus mails e talvez de uma forma mais imparcial! So long, pal!!!

rita disse...

tens toda a razão.. fixei esta parte - quando não somos desejados, somos meros obstáculos. - parabéns pelo blog, gostei de passar por aqui!