quinta-feira, novembro 16, 2006

regresso ao... passado



Às vezes sinto que há situações pelas quais não passarei jamais. é uma sensação... estranha, no mínimo. pode até ser meio caminho andado para a tão apregoada crise de meia idade. olha-se para trás, para o que se fez, e sente-se um certo vazio. o que é que eu poderia ter feito mais? o que é que poderia ter feito de forma diferente? enfim, se todos nós tivéssemos um "DeLorean" (sim, eu fui ao google ver como se escreve), como o michael j. fox nos filmes "regresso ao futuro", certamente que voltaríamos atrás e tentaríamos rectificar e melhorar alguns pontos da nossa existência. como isso não é possível, resta-nos a resignação do presente, a inexorável marcha do tempo, que outrora considerávamos lenta demais, quando queríamos crescer, e implacável e dolorosa quando sentimos que esse mesmo tempo está a escorregar rápido demais por entre os nossos dedos.
Nunca mais vou viver a emoção de um primeiro beijo; o turbilhão de sentimentos de uma paixão; aqueles desgostos provocados geralmente por ciúmes cegos na fase do namoro, que nos "atiravam" para o quarto a ouvir música romântica durante horas, com a porta fechada; os encontros no jardim à hora marcada; as sempre dolorosas despedidas; enfim, todo o encanto de uma relação. como sei que tenho um excelente casamento, sei perfeitamente que nunca mais irei passar por tudo isto. hoje, quando ouço pessoas mais novas do que eu, solteiras, a falar sobre uma relação ou uma paixão, não posso deixar de sentir alguma nostalgia, porque penso que gostaria de estar novamente a passar também por isso, nem que fosse apenas por uma semana. mas esse tempo passou, tenho consciência disso. resta-me agora ouvir e aconselhar quem me pede conselhos (por falar nisso, sabem quem é que estava sempre a pedir conselhos ao jorge sampaio? - o povo de canas de senhorim. eu sei, é uma piada parva. já estou arrependido de ter escrito isto. onde está o delete?).
também há aspectos bons no meio disto tudo. não vou voltar a passar por um casamento, por exemplo. ir a um casamento é muito mau, é constrangedor, as roupas são apertadas, os sapatos fazem doer os pés e, geralmente, quando nos estamos a começar a divertir é quando a coisa acaba. mas é muito pior quando é o nosso casamento. uma pessoa tem que beijar 59 mulheres, apertar a mão a 67 homens, beijar criancinhas, oferecer charutos e flores com um sorriso amarelo nos lábios e agradecer a vinda de uma data de pessoas que nunca vimos na vida e que provavelemente não veremos mais. já para não falar na seca que é a cerimónia religiosa, aquela encenação toda, os pais nossos e avé marias, etc.. enfim, estou livre disto tudo, graças a... bem, à minha mulher, no fundo.
se pudesse voltar atrás, mudaria alguns comportamentos e actos, algumas opções, mas uma coisa não mudaria, de certeza: a pessoa que escolhi (ou foi ela que me escolheu?!) para encetar uma vida a dois e para ser a mãe dos meus filhos. nesse aspecto, tenho a certeza de que não encontraria melhor. é esta garantia que me faz sentir bem no presente e confiante no futuro (catano, isto parece mesmo um daqueles discursos dos políticos na noite de eleições!), embora não recusasse o tal "DeLorean"...

3 comentários:

tulipa_negra disse...

era bom podermos viajar no tempo... mesmo que não fosse para mudar as coisas, pelo menos para recordar os momentos felizes por que passámos...
beijinhos

marta r disse...

Que bela declaração de amor na última parte do post!!!!!!!

Tovarich Gina disse...

bem, confesso que não li nem 25% deste artigo devido a passarem 23horas de uma sempre malfadada quinta-feira. Mas tenho sempre de dizer de minha justiça... se voltasse atrás MUDAVA TUDO.... e quando penso nisto, parece-me sempre muito triste. No futuro também já não acredito. Vivi sempre obcecada com ele. Agora vivo o hoje. E é o melhor que faço.
Bj e bom fds