sexta-feira, novembro 10, 2006

as desilusões

pequenas desilusões ensombram frequentemente o nosso dia a dia. pode tudo estar a correr terrivelmente bem, o emprego, a vida lá em casa, os filhos na escola, tudo, mas há-de haver sempre um pequeno grão de areia a emperrar a roldana que nos vai mantendo activos. nada nos prepara para elas, mas quando acontecem deitam-nos mesmo abaixo. não totalmente abaixo, porque tenho um mecanismo de defesa que consiste em imaginar-me numa daquelas situações cinematográficas onde tenho direito a um desejo antes de morrer, antes da execução propriamente dita. se estivesse numa situações destas, que será uma daquelas situações limite, irreversíveis, escolheria sempre o desejo de ver a minha família uma última vez. posto isto, a desilusão de que vou falar pode até parecer ridícula, face à importância que dou à minha família em relação a tudo o resto...
como já referi noutros posts, não sou uma pessoa fácil, de acesso imediato e fácil. quem estiver somente comigo uns 20 ou 30 minutos deve ficar com a impressão de que sou a pessoa mais arrogante, emproada, convencida e antipática do mundo. e acreditem que colecciono primeiras opiniões deste género há muitos anos. acabei por me habituar a elas, sem mudar nada no meu comportamento para as evitar. no entanto, há pessoas que, ultrapassado esse período de tempo (os tais 20/30 minutos), acabam por entrar na nossa vida e fazer parte do quotidiano normal. alguns desses casos resultam de convivência profissional diária e, com o tempo, acabam por se desenvolver relações de amizade que julgamos consistentes. momentos houve em que até me senti contente por estar a construir uma amizade nova, eu que nunca fui muito dado a essas coisas. arranjar novos amigos e mantê-los nunca foi uma das minhas especialidades. como nota de rodapé para ilustrar esta minha inépcia, basta referir que perdi a totalidade dos amigos que angariei na minha época estudantil, ou seja, naquela idade em que se constroem amizades. durante dez anos da minha vida partilhei confidências, desabafos, sentimentos, gargalhadas, bebedeiras, jantaradas, momentos, etc., com pessoas que, agora, se passar por elas na rua, nem sequer um olá somos capazes de trocar. aqui, neste caso, bastou-me chatear com uma das pessoas desse grupo para logo todo o restante grupo me passar a ignorar também. é o que dá chatearmo-nos com a "abelha raínha"... a vida levou-nos para caminhos diferentes, certamente.
mas voltando ao caso que me levou a escrever este post... pois, relações de amizade "forçadas" por uma convivência diária, por motivos profissionais. sentimo-nos especiais por receber tanta atenção por parte de uma pessoa que até consideramos atraente, mas, no fundo, se observarmos bem, quando nos libertamos de toda aquela ilusão que não nos deixa ver as coisas claramente, chegamos à conclusão de que aquela atenção toda poderia ser atribuída perfeitamente a uma qualquer pessoa, desde que trabalhasse no mesmo sítio. ou seja, não havendo mais ninguém, ficamos nós com ela. foi o caso, precisamente. enquanto trabalhei nesse local, em part-time, sempre senti que estava envolvido numa relação de amizade com alguma solidez, com respeito e apoio mútuo. até estava a resultar bem, mas o meu passado apanhou-me... quando terminou esse part-time, a sensação esfumou-se. novamente os tais caminhos diferentes... que raio de amizade era esta que não conseguiu resistir à separação, mesmo que momentânea? e onde é que está escrito que duas pessoas, quando não trabalham juntas, não podem ir tomar um café ou almoçar? será assim tão complicado? não se arranjará tempo para tomar um café com uma pessoa que durante um ano e meio esteve todos os dias ao nosso lado, a ouvir os nossos desabafos, a dar-nos conselhos?
pois, eu já me cansei de tentar responder a estas perguntas. sinceramente, pensei que ainda era capaz de construir uma amizade com alguém, mesmo que a partir de uma convivência profissional. pelos vistos, não sou. é a tal desilusão de que falava no início deste post. foi mais uma. têm sido algumas ultimamente. mas o que interessa é manter os verdadeiros amigos. e esses, apesar de serem apenas uns três ou quatro, conto manter, por muitos anos.
o lado bom, ou menos mau, destas pequenas desilusões é que transferimos tudo o que temos de bom para oferecer, em termos emocionais e sentimentais, para as pessoas que realmente interessam, acabando por dar realmente muito valor, muito mesmo, ao que temos lá em casa, ao pequeno núcleo familiar que ajudamos a fortelecer diariamente. isto sim, são laços verdadeiramente fortes e indestrutíveis.

6 comentários:

tulipa_negra disse...

devemos ter sido "parentes" numa vida anterior...
as desilusões de amizade têm sido tantas e tão dolorosas ultimamente que hoje cheguei definitivamente à conclusão que as únicas pessoas que importam realmente são a família. essa é que vai lá estar sempre, nos bons e nos maus momentos! a família e esses poucos e únicos amigos, que cada vez mais se contam pelos dedos de uma mão...
beijocas

angelazaro disse...

hummmm...saberei eu de quem estás a falar?
ponto 1: nunca fiquei com a ideia de que fosses alguém arrogante ou qualquer dos adjectivos que mencionaste. notasse que és uma pessoa de humores... mas também eu sou, ora bolas! é normal!
ponto 2: perder "amizades" pelo caminho faz parte da vida e nada tem a ver com o facto de se ser uma pessoa difícil ou fácil. também estes últimos os perdem. faz parte da (aprendizagem da) vida. é um teste que nos revela quem é realmente importante. nem sempre são a família. às vezes são pessoas fora dela. o que importa é ver quem permanece do nosso lado: mesmo quando estamos falidos, ou de mau-humor, ou com um companheiro insuportável, ou com crises de loucura ou depressão...
porém... nunca deixamos de nos desiludir...
beijinhos e sorrisos

Anónimo disse...

EU SOU DAQUELAS K FAÇO PARTE DO CLUBE DA ABELHA RAINHA!

Anónimo disse...

E DIGO MAIS:
SABERÃO VOSSAS SENHORIAS QUEM SOU?
SOU A ABELHA RAINHA, CLARO!!!!

isaac davis disse...

abelha rainha anonima, por sinal.

Anónimo disse...

neste momento estou a passar a maior DESILUSÃO da minha vida,pois neste dia 2 /11/10 cortei relaçoes com os menbros da minha "querida" familia que me virou costas quando mais precisei.Pior ainda é que agroa acusam-me de tudo o que está a acontecer.JÁ NAO SEI QUEM É MELHOR POIS EU ESTOU DESILUDIDA COM TUDO E COM TODOS.
CADA VEZ SE RESPIRA MAIS FALCIDADES.