quinta-feira, novembro 05, 2026

concerto dos duran duran em lisboa











aqueles que conhecem este espaço desde 2006 sabem que os duran duran são, provavelmente, a banda mais citada, sobretudo naqueles posts nostálgicos sobre os anos 80. gosto da banda desde que comecei a apreciar música, basicamente. lembro-me do teledisco do planet earth, que passava na nossa rtp, e de ter chegado à conclusão de que a banda era composta por três homens e duas mulheres, tendo em conta os cabelos compridos e as roupas usadas. na altura, nem sabia quem eles eram, nem os nomes deles, mas gostava da música. tal como gostei de girls on film e do seu enigmático teledisco.

depois disso, lancei-me à procura de informação sobre esses duran duran. sem internet, restavam outras fontes, como a televisão, rádio, revistas nacionais e estrangeiras. fiquei então a saber que três membros partilhavam o apelido taylor, o que, na minha tenra ingenuidade, era sinónimo de serem irmãos ou, quando muito, familiares. mas não, nem uma coisa, nem outra. 

veio o primeiro disco, o homónino duran duran, que comprei, tal era já o fascínio, que no entanto viria a crescer desmesuradamente quando começaram a aparecer os telediscos do segundo disco, rio. aí foi mesmo endeusamento. músicas como rio, hungry like the wolf, my own way, new religion, hold back the rain, the chauffeur e, sobretudo, save a prayer, lançaram-me numa espiral de devoção que iria prolongar-se por algum tempo. e não eram só as músicas, os telediscos deixavam-me pregado ao ecrã, com as apelativas imagens de um longínquo sri lanka. o disco rio foi também para a minha prateleira dos vinis. assim como o próximo, embora de menor qualidade, seven and the ragged tiger, que tinha sucessos como is there something i should know e the reflex. 

nesta altura, a banda estava mais do que consolidada e em 1984 abalançou-se mesmo para um disco ao vivo, arena, ao qual juntaram outro sucesso massivo, wild boys. esse disco até o tinha duplamente, em vinil e cassete, para poder ouvir no carro do meu pai. chegou 1985 e antes da breve dissolução da banda, ainda veio o tema para um filme da saga james bond, a view to a kill. recordo-me de como vibrava, eu e os meus amigos, com o teledisco, que terminava com a famosa tirada "my name is bon, simon le bon".

seguiram-se projetos paralelos para os cinco duranies, com john e andy taylor a criarem os powerstation, com robert palmer, e simon, nick e roger a fazerem o mesmo com os arcadia. e que disco esta banda produziu, para mim um dos melhores mesmo dos anos 80, so red the rose. depois destas duas experiências, a banda voltou a juntar-se, embora já com andy taylor com um pé de fora, para editar, em 1986, o disco notorious, um trabalho notável onde pontificavam temas como skin trade, notorious, a matter of feeling e american science.

passaram dois anos até ao disco seguinte, big thing, lançado em 1988. apesar de conter meia dúzia de temas de alta qualidade, o álbum soou demasiado heterogéneo para o meu gosto, com uma aproximação demasiada ostensiva à música eletrónica. mas, dois anos depois, o resultado ainda foi pior, com liberty, um disco muito fraco para a bitola a que os duran duran me tinham habituado desde 1981.

apesar destes dois relativos fracassos, os duran duran conseguiram reinventar-se em 1993, com o wedding album, graças a um êxito comercial chamado ordinary world, uma espécie de save a prayer dos anos 90. do disco, retiram-se ainda mais meia dúzia de temas de grande qualidade, um deles com o cantor brasileiro milton nascimento.

a partir daqui, confesso, perdi um pouco o rasto à banda, até porque o início dos meus anos 90 ficou marcado pela descoberta de nomes como the cure, cocteau twins, david sylvian, tindersticks, the blue nile, entre outros, e o pop new wave dos duran duran tinha ficado para trás. já no novo século, fui tendo conhecimento dos discos que iam lançando, mas quando os ouvia tinha a certeza de que já não eram os meus duran duran. o mais perto disso chegou em 2021, com o disco future past, que tinha quatro ou cinco músicas interessantes. mas não foi o suficiente para ir ver a banda, em 2022, ao festival rock in rio, num alinhamento que ainda oferecia os noruegueses a-ha, outra banda icónica dos 80.

mas chegou o ano de 2026 e a confirmação do concerto da banda em lisboa. seria em novembro. mesmo assim, não fiquei eufórico ou com vontade de ir. mas chegaram os meus anos no final de agosto e a minha mulher fez-me essa enorme surpresa. dois bilhetes para o golden circle (mesmo à frente do palco, portanto) para o concerto de 3 de novembro no meo arena, no parque das nações.

a ansiedade era enorme porque, caramba, foi a minha primeira banda preferida e foi-o ainda durante muito tempo. e, obviamente, ao longo dos anos em que não seguia os novos trabalhos da banda, continuava a ouvir os antigos. devo ter ouvido a save a prayer, desde o seu lançamento em 1982, umas 10 mil vezes, sem exagero. e de repente estava em frente ao palco a olhar para o relógio à espera da entrada de simon le bon, nick rhodes, john taylor e roger taylor em palco...

21h20. as luzes apagam-se. vêem-se uns vultos a ocupar os seus lugares em palco. ouve-se uma batida compassada durante alguns segundos e chega o último vulto, que começa a cantar "please please tell me now". e as luzes acendem-se. e eles lá estavam, a uns 20/30 metros de mim. voltei a ser o adolescente que fazia playback das suas músicas na sala dos meus pais.

durante duas horas desfilaram, por esta ordem, is there something i should know, wild boys, a view to a kill, hungry like the wolf, the reflex, winter marches on, ordinary world, come undone, notorious, i dont want your love, planet earth e girls on film. coloquei aquelas com que vibrei intensamente, mas o melhor estava guardado para o encore: save a prayer e rio. a primeira foi, como se esperava, uma catarse partilhada por 20 mil pessoas, que encheram o meo arena. foi o momento que eu mais esperava e foi efetivamente mágico. a ana filmou a música toda, o ambiente e apanhou-me a cantar a plenos pulmões o refrão da música. foi um sonho tornado realidade. há 44 anos que ansiava por ouvir esta música ao vivo e a ana possibilitou-me a concretização desse sonho. 

os dois dias alocados para esta concretização e reencontro com os anos 80 foram, também eles, marcantes. eu e a ana voltámos a fazer algo que já ambicionávamos há muito tempo, voltar a viajar de comboio (a linha ferroviária esteve em obras de modernização quase 3 anos), ficámos num hotel bem próximo da estação do oriente e do meo arena. foi chegar a lisboa, ir ao hotel, sair para jantar (e que jantar, no italian republic, bem próximo do hotel) e seguir para o concerto. no final, regresso ao hotel. no dia seguinte, pequeno almoço no hotel, check out e rumo ao bairro de benfica, onde nos fomos encontrar com o compadre ricardo, para café matinal na esplanada da pastelaria nilo e um lauto almoço no restaurante córsega. eu e a ana regressámos depois ao parque das nações, onde fizemos tempo no starbucks e na fnac do vasco da gama até ao horário do comboio. tudo perfeito, sempre a horas, sem atrasos, viagens confortáveis e sem incidentes. quando chegámos a nelas, lá estava o meu carro à nossa espera para nos levar de novo a casa. 

temos de acreditar que merecemos coisas boas. uma excelente pessoa ao teu lado a aconchegar-te emocionalmente, bons amigos, bons momentos, harmonia perfeita, nostalgia e saudosismo. com banda sonora dos duran duran.