segunda-feira, abril 06, 2026

algarve de costa a costa





































 

as fotos estão por ordem cronológica e são o testemunho do que foram as nossas primeiras férias algarvias, realizadas entre os dias 29 de março e 2 de abril. já tínhamos estado praticamente em todos os cantos do país, mas nunca tínhamos ido ao algarve juntos. em 2024, fomos passar vários dias a évora, no nosso alentejo, mas desta vez fomos mais longe.

saímos de viseu no domingo, pelas 11h00. depois de termos comprado um bolo de azeite na confeitaria amaral, para oferecer aos padrinhos da ana, e do abastecimento na área de serviço de viseu na A25, metemo-nos a caminho pela autoestrada referida. da A25, seguimos pela A17 até à saída para pombal, via IC8. seguimos então pela A1 até santarém, onde iríamos apanhar a A13, via que vai desembocar na A2. parámos para almoçar, os restos da festa da mariana da noite anterior, na área de serviço de monte redondo, na A17, pouco antes de sairmos para pombal. na A2, depois de mais uma paragem na área de serviço de alcácer do sal, fomos longos quilómetros a apreciar o verde (sim, o verde) do alentejo, em paisagens deslumbrantes que nos apeteceu fotografar a todo o momento. 

No final da A2, entrámos verdadeiramente no algarve, seguindo pela via do infante até são brás de alportel e estoi, onde residem os padrinhos da ana. chegámos por volta das 18h00 e fomos muito bem recebidos pelo senhor césar e pela sua esposa, rosarinho. jantámos e ficámos à conversa com eles até o cansaço nos obrigar a ir descansar. na manhã seguinte, após o pequeno almoço, fomos visitar duas casas do mesmo empreendimento, onde só moram familiares deles. depois dos cumprimentos, fomos com os padrinhos da ana apanhar laranjas para trazermos para viseu. pouco tempo depois, despedimo-nos deles e seguimos o nosso caminho na direção de faro. o objetivo era seguirmos logo para albufeira, onde tínhamos alojamento marcado, mas fomos por faro e decidimos parar no forum algarve para almoçar e fazer algumas compras. gostámos muito do espaço, das lojas, da diversidade em termos gastronómicos e ficámos por lá algum tempo. como o check in em albufeira era só às 16h00, fomos andando devagarinho, novamente pela via do infante (A22). como estávamos com tempo, meti-me pela EN125, para fugir da autoestrada e revisitar uma via que tinha percorrido 30 anos antes, e onde, inclusivamente, tive um acidente de viação.

em albufeira, como o nosso alojamento ficava muito próximo de um pingo doce, decidimos ir às compras no sentido de tratar logo do jantar. fomos depois fazer um reconhecimento pedonal do acesso à rua da oura, onde contávamos ir nessa mesma noite. mas, no final do jantar, o cansaço venceu-nos e acabámos por ficar por casa.

após o pequeno almoço caseiro, fruto das nossas compras do dia anterior, voltámos à estrada, desta vez para seguir na direção de sagres, uma localidade onde há muito a ana me queria levar. fomos pela A22, pensando que esta nos levaria diretamente a sagres, mas não, a via termina a uns 30 quilómetros de lá. tivemos então de passar por várias localidades, como bensafrim, e até pelo zoo de lagos, para chegarmos à EN125 e, depois, a sagres. fomos então conhecer a fortaleza de sagres e o forte do beliche, que as fotos documentam, tentando depois procurar um local para almoçar por sagres. como não encontrámos nada que nos titilasse, decidimos seguir para lagos. 

estacionámos e fomos ao primeiro restaurante que vimos ver a ementa. o empregado veio ter connosco e nós dissemos que nos apetecia comer peixe (ali era uma churrasqueira). em vez de nos "despachar", o simpático funcionário recomendou-nos a cataplana de tamboril com gambas do restaurante reis, uns 150 metros dali. lá fomos nós atrás da referência e em pouco minutos encontrámos o local. ficamos na esplanada e, de facto, a recomendação não poderia ter sido mais certeira. almoçámos divinalmente e, no final, ainda passeámos um pouco pela cidade. como me lembrava bem da praia de d. ana, ali perto, seguimos para lá. estacionamento fácil e em poucos minutos estávamos no areal. tirei bastantes fotos, a ana foi deitar-se um pouco à sombra, e passámos lá um bom bocado. tive uma enorme vontade de ir à água, mas infelizmente não tinha trazido o fato de banho...

quando voltámos ao carro, seguimos pela EN125, onde as localidades surgiam como ervas daninhas. vimos, numa delas, um descapotável, onde seguia um homem a conduzir e, ao lado, um cão enorme com óculos espelhados de cor azul. ficámos perplexos a olhar um para o outro, porque até dava a sensação de que era o cão que ia a conduzir (tratava-se de um carro de matrícula inglesa, que tem o volante do lado contrário aos nossos).

poucos quilómetros depois, e após termos visto a placa, resolvemos parar na praia do carvoeiro, onde já ambos tínhamos estado muitos anos antes. fomos a uma esplanada, depois de mais um estacionamento fácil, e bebemos um mojito e um green glow. calor, sol, zero vento, um fim de tarde perfeito, ali, naquela esplanada a poucos metros do areal e da água. quando reentramos no carro, a ideia era seguir para casa, albufeira, o nosso quartel general. fomos buscar novamente o jantar ao pingo doce e comemos em casa. à noite, a nossa intenção era ir à rua da oura, uma das mais movimentadas da cidade, com bares porta sim, porta sim. percorremos a rua toda, vimos o ambiente e decidimos ir a um dos bares porque na altura a música que se ouvia era da amy winehouse. e escolhemos bem. a música era boa, com alguns temas dos anos 80 a ajudar. mas o ponto alto foi mesmo um tema de 1977, dos smokie, "who the fuck is alice?". a música ficou para o resto das férias e carimbou a nossa primeira noite na movida algarvia. estivemos mesmo ao lado do liberto's bar, que tinha frequentado algumas vezes 20 anos antes, mas estava fechado.

no dia seguinte, a ideia era seguir para o outro lado, ou seja, fazer o resto do algarve, até vila real de santo antónio. já tínhamos definido o nosso destino preferido, tavira, sendo que, depois, a ideia seria seguir até vila real e escolher, pelo caminho, uma praia, para podermos ir à água, um desejo que ficou do dia anterior. mas, em tavira, a ideia era visitar a zona mais próxima do rio gilão, tirar fotos e procurar um local para almoçar. foi lá que aconteceu outro episódio inesquecível destas férias. quando fazíamos o reconhecimento daquela área ao lado do rio, à procura de um restaurante que nos estimulasse, fomos parar à praça à frente da câmara municipal, onde havia várias esplanadas. decidimos abancar numa delas para beber algo antes do almoço. pouco tempo depois de nos termos sentado, um casal de músicos de rua começou a tocar. reconhecemos as músicas todas e até íamos acompanhando, como é nosso timbre. passados uns 20 minutos, a cantora pegou numa caixinha de metal e seguiu em direção às esplanadas. percebemos então que ela ia receber os "donativos" do público. o seu parceiro ficou sozinho "em palco", a cantar duas músicas do sting. quando ela chegou à nossa mesa, decidi perguntar-lhe, na brincadeira, se ela cantava algo dos anos 80, mas muito longe de pensar que ela iria acatar esse mesmo pedido. ela sugeriu cindy lauper e eu até lhe disse que a "true colors" era uma das músicas preferidas da ana. mas adiante, ela continuou a receber os donativos e quando chegou ao lado do parceiro nós até pensávamos que eles iriam embora. mas não. começam a tocar a... "true colors"! ficámos boquiabertos! no final, aplaudimos bastante, mostrando-lhes o quão gratos tínhamos ficado. e essa foi mesmo a última música que eles interpretaram. quando saímos da esplanada, fui ter com eles, máquina fotográfica na mão, para lhes agradecer novamente e pedir-lhes uma foto. eles acederam logo e já estavam a posar quando o músico se lembrou do cão e fez questão que ele ficasse na foto. o instantâneo está no meio das fotos que aqui se publicam. seguiu-se o almoço, no restaurante gilão, mesmo ao lado do rio, onde comemos moqueca de atum e peito de frango e gambas com caril. tudo delicioso!

saímos de tavira com o propósito de seguir até vila real de santo antónio, para cumprir o desígnio de percorrer o algarve de costa a costa. ainda equacionámos ir a espanha, até ayamonte, mas não o fizemos. voltámos para trás com o propósito de ir a uma destas praias: altura, monte gordo, manta rôta e cacela velha. optámos por manta rôta e íamos todos entusiasmados para ir à água, mas mal entrámos no areal sentimos um vento desconfortável que nos demoveu. ainda ficámos uns 20 minutos no areal, mas nem os pés fui molhar. voltámos à estrada e seguimos para albufeira.

a ideia da última noite era visitar a "old town", a albufeira velha, ali nas proximidades da praia dos pescadores. lembrava-me bem dessas ruelas completamente lotadas, com as pessoas a acotovelaram-se para passar. estacionámos atrás da câmara municipal e descemos a pé até à praia dos pescadores. ambiente fantástico, música, dezenas e dezenas de restaurantes, 95% das pessoas eram estrangeiras, raramente se ouvia falar português. percorremos várias artérias, sempre com dezenas de esplanadas à escolha para jantarmos. optámos por uma que já existia no início do século, na última vez que ali estive: a central station. bom ambiente, centenas de pessoas a passar na praça, restaurante bem composto e com animador de karaoke. a música ambiente atingiu o expoente máximo quando ouvi a "it's my life", dos talk talk, mas também passaram outras da nossa playlista, como "never gonna give you up", de rick astley, "ou "sweet dreams", dos eurythmics. o ponto alto, em termos de karaoke, foi a "sweet caroline", de neil diamond, que foi cantada por toda a gente que estava no restaurante. foi uma excelente forma de nos despedirmos na noite de albufeira, porque no dia seguinte já seguiríamos viagem para norte.

no último dia, após o pequeno almoço, passámos no mercado municipal de albufeira para comprar amêndoa, folar e os rodriguinhos, um doce típico algarvio, que a mariana me tinha pedido. ainda compramos as melhores tangerinas que há em portugal, as encores. saímos de albufeira e tomámos a direção da A22 e depois a A2. tínhamos estabelecido que iríamos almoçar em beja e, nessa medida, saímos da A2 para o IP2. à nossa frente, nesses cerca de 80 kms, uma paisagem deslumbrante, com o tal verde do alentejo. e desta vez sim, pudemos parar para tirar fotos. em beja, ainda caminhamos alguns quilómetros à procura de um restaurante. escolhemos o "merenda", em virtude de ter aquilo que mais pretendíamos comer: porco preto. depois do almoço, estrada novamente, até évora. em évora, apanhámos a A6 até vendas novas, a capital das bifanas (eheh), e depois a A13 até santarém, onde seguimos pela A1 até pombal. pelo IC8, apanhámos a A17, seguindo-se a A25 até casa.

foram muitos quilómetros, muita estrada, mas tudo valeu a pena. umas férias (spring break) inesquecíveis, cheias de bons momentos, boa comida, boa bebida, muita música, ouvimos a nossa pen/playlist, com 138 músicas, por duas vezes, e, acima de tudo, muita harmonia. as fotos refletem isso mesmo. e agora, com o algarve devidamente "picado", só nos faltam conhecer, juntos, dois distritos no país: portalegre e setúbal. não tardarão, certamente...

segunda-feira, fevereiro 23, 2026

"sometimes"


podemos não aceitar imediatamente quando as provas irrefutáveis nos caem em cima, porque preferimos pensar que não estamos a envelhecer e que ainda temos a energia dos "vintes" e "trintas", mas à medida que o tempo passa sentimos mais o peso do trabalho. no corpo e na mente.

são os deadlines, a preocupação com os detalhes, o rigor que se coloca em tudo o que fazemos, escrever, corrigir, rever, analisar, conferir... tudo é importante e uma menor aplicação num destes patamares pode deitar tudo a perder.

o tempo avança, sem piedade, e quando passas a ter menos energia tens o dobro ou o triplo das responsabilidades no teu local de trabalho. ironias...

tudo isto para explicar que, após uma semana de seis dias de trabalho (de domingo a sexta-feira), era absolutamente necessária uma saída, uma escapadela, um carregar de baterias, uma mudança de ares. e qual é o melhor ar que se pode respirar? precisamente. à beira mar.

os benefícios para a saúde respiratória e mental são enormes. o ar húmido e rico em sal agem como uma nebulização natural, aliviando as vias aéreas, reduzindo o muco e ajudando quem sofre de rinite e sinusite. em suma, a brisa marítima exponencia a oxigenação, reduz o stress e faz crescer os níveis de serotonina.

foi a pensar em todas estas vantagens que, no sábado de manhã, nos pusemos a caminho da praia da barra, em ílhavo, para passarmos o fim de semana. a meteorologia agiu em conformidade e deu-nos dois dias de sol, calor e vento ameno, o que, junto à praia, costuma ser muito invulgar.

como chegámos perto do almoço ao nosso destino, decidimos ir almoçar à costa nova, mesmo ao lado da barra. fomos a um restaurante que me dizia muito, por o ter frequentado amiúde com os meus pais: a marisqueira costa nova. lembro-me que os meus pais pediam sempre o pote do marinheiro e se deliciavam com todo aquele peixe e marisco. eu, na ingenuidade dos meus 10/11 anos, provavelmente insistiria no habitual, banal e corriqueiro bitoque.

chegámos cedo, o local ainda tinha pouca gente e arranjámos mesa facilmente, mesmo sem reserva. escolhemos açorda com savel frito, ela, e caril de lagosta, eu. comida de adulto, portanto. bebemos uma garrafa de mateus rosé, um dos nossos preferidos para acompanhar pratos de peixe e marisco. o almoço acabou por ser catártico, em virtude da conversa que tivemos naquele local, que tanto me fez lembrar o meu pai. agora, como adulto, tentei perceber como ele se sentiria quando nos levava a este mesmo restaurante, que nunca deve ter sido considerado acessível aos bolsos da classe média/baixa. o dinheiro não abundava, mas ele gostava destes momentos, em que podia proporcionar à família algo diferente, com muito mais requinte do que estávamos habituados. pensei muito nele e falei muito dele. a ana, como sempre, ouviu-me, sentiu-me e apaziguou-me.

seguimos então para a nossa praia da barra. fomos rapidamente colocar os sacos em casa e saímos para a nossa habitual caminhada pelos passadiços da praia. levei a máquina fotográfica, outra presença obrigatória. queríamos respirar o mar e sentir a brisa e a pressa/ansiedade já era muita.

a conversa, para nós, nunca foi um problema, temos assunto um para o outro mesmo que vivamos até aos 187 anos. mas, dada a leveza que ambos sentíamos, pelo facto de estarmos finalmente num local pelo qual ansiávamos há algum tempo, essa mesma conversa foi parar... aos anos 80. os gloriosos anos 80 e a todas as bandas e músicas que nos pudéssemos lembrar. somos da mesma idade, temos as mesmas referências musicais e, dessa forma, tal como cerejas, os nomes, os temas, os telediscos, as bandas e os cantores foram surgindo em catadupa. 

deviam ser umas duas da tarde quando iniciámos esta odisseia. creio que só a terminámos hoje de manhã (segunda-feira, por volta das 8h00), quando me lembrei de mais duas referências musicais dessa década: "19", de paul hardcastle; e "one night in bangcok", de murray head. ou seja, em 42 horas (descontando obviamente o tempo em que dormimos), devemos ter avançado com duas centenas de hits, de nomes, de referências, de curiosidades sobre a década, dos telediscos, dos duetos, das colaborações pontuais (queen/bowie; clannad/bono; dire straits/sting, etc).

e o que saiu da nossa memória? isto é apenas um resumo: duran duran, a-ha, cock robin, a flock of seaguls, tina turner, elton john, u2, nik kershaw, laura branigan, eurythmics, jennifer rush, the communards, abc, the human league, omd, kajagoogoo, limahl, robert palmer, frankie goes to hollywood, bryan adams, rod stewart, queen, wham, george michael, joe cocker, david bowie, sting, the police, pet shop boys, tears for fears, kool and the gang, erasure, starship, foreigner, whitney houston, the pretenders, kim wilde, talk talk, depeche mode, time bandits, falco, nena, sandra, texas, suzanne vega, fairground atration, all about eve, entre muitos, MUITOS, outros. mas a música que mais "bateu", a cantar e a dançar, em virtude do teledisco, em que andy bell, dos erasure, dançava de uma forma muito parva (algo que não nos custou a imitar, portanto), foi a música "sometimes". andámos com ela na cabeça várias horas. mas também vibrámos com a "cherish", dos kool and the gang, a "i want to dance with somebody", de whitney houston, e essa balada pindérica chamada "lover why", dos century (uma das centenas de one hit wonders dos anos 80).

estávamos no nosso mundo, a cantar e a dançar quando e como nos apetecia, sem amarras, sem complexos. conquistámos aqueles momentos! a nossa leveza, felicidade e plenitude devem ter deixado muita gente de boca aberta, mas estávamos a ser nós mesmos. isto durante uma tarde em que tirei à ana mais uma coleção de boas fotos, uma das coisas que eu mais gosto de fazer neste mundo. uma modelo maravilhosa num local com o mesmo adjetivo!

à noite, decidimos ir jantar a aveiro. fomos sem destino, como também é habitual em nós. sabemos que vamos encontrar algo especial. foi precisamente isso que aconteceu. depois de consultarmos duas ou três ementas à porta dos estabelecimentos, optámos pelo "zeca - loja, cafetaria, turismo". ficámos encantados com o conceito, que juntava meia dúzia de elementos num "pacote" tabelado previamente. optámos por um que incluía queijos, patê, manteiga com limão, pão quentinho, tiras de frango panado, azeitonas e camarão frito em azeite e alho. simplesmente divinal! não tínhamos muita fome, depois de um almoço farto, mas quando começámos a comer... os itens desapareceram num ápice. bebemos sangria de espumante e saímos claramente saciados. como deixámos o carro ainda longe, fizemos mais uma caminhada até lá, e esta impunha-se, porque estávamos bem cheios.

no final do dia, conferimos os nossos relógios e a ana tinha feito acima de 16 mil passos, ficando eu pelos 13 mil. portanto, comer bem, sim, mas com dispêndio físico para compensar.

no domingo de manhã, saímos cedo de casa para mais uma caminhada junto ao mar, com mais fotos, mais referências dos anos 80, nomeadamente numa deliciosa mesinha na esplanada do "infinito", com vista para o mar, com dois cafés e uma fatia de bolo de cenoura à nossa frente. ficámos ali uma hora a puxar pela cabeça, a debitar mais nomes e mais músicas, num daqueles momentos para recordar sempre, de tão inebriante que foi. quando fomos pagar ao balcão, o dono, que nos deve ter ouvido, certamente, na nossa odisseia, deu-nos uma ajuda, embora "ilegal". estávamos a procurar nomes de bandas de forma alfabética e enquanto esperávamos para pagar, no referido balcão, íamos na letra "j". "jennifer rush, jamiroquai é anos 90, journey, j..., j..., j...", e ele, muito rapidamente, atira com "jennifer lopez". muito admirados, agradecemos, mas a j.lo só apareceria nos anos 90. mas ficou o registo de que conseguimos puxar alguém para a nossa loucura.

aproximava-se a hora de almoçar e já tínhamos a bebida, que levámos de casa no dia anterior: uma monte velho reserva. a ideia era mesmo ir buscar o almoço ao nosso supermercado preferido da barra, onde sempre gostámos de tudo o que fomos buscar. escolhemos leitão à bairrada, que estava divinal, levámos pão e batata frita. o almoço, agora só a dois, em casa e a ouvir (sempre) música dos anos 80, foi delicioso, por tudo: a nossa harmonia, a música que nos une, a paixão por uma refeição à nossa medida, com boa comida e boa bebida, a boa disposição, a leveza. sim, sempre a leveza.

cerca de duas horas depois, saímos da barra, empanturrados de tanta satisfação, de sorrisos nos lábios e com as baterias devidamente carregadas. foi uma escapadela, mas uma escapadela perfeita, em todos os parâmetros. iremos repetir várias vezes ao longo do ano, para enchermos o peito de ar e voltarmos a sentir toda aquela leveza que nos fez flutuar.

sábado, janeiro 10, 2026

20 anos de Nuvens da Alma

 


2006-2026
2338 posts
2093 comentários
perto de 500 mil visualizações

no fundo, é um relatório, um testamento, vá, dos últimos 20 anos da minha vida. rachando a coisa a meio, ficam 10 anos para um estado de alma e outros tantos para outro completamente diferente. não dá para fugir a esta evidência, de tão incontornável que é.
este blogue teve as suas vitórias, os primeiros 3/4 anos foram mesmo muito bons, numa altura em que a blogosfera ainda era uma novidade e conquistava leitores todos os dias. foi nessa altura que o nuvens da alma registou os melhores resultados em termos de visualização e chegou mesmo ao jornal "público", que fazia diariamente uma rubrica dedicada aos blogues e tirou deste cantinho um texto dedicado à fuga da fátima felgueiras para o brasil.
por volta dos anos 2010/2011 as redes sociais vieram transformar tudo e o que antes se escrevia na blogosfera passou a debitar-se no facebook e, mais tarde, no instagram. foi então que a cadência de publicações decaiu imenso neste blogue, que manteve, pese embora, uma média de 10 posts por ano.
em 2026, dá vontade de olhar para trás e verificar que não sou, de maneira nenhuma, a mesma pessoa. muitas coisas mudaram, o que se pode comprovar por aqui em vários textos. daí ter escrito o termo "testamento" logo no início. 
as nuvens da alma sempre aqui estiveram refletidas em cada post. foram e são nuvens que não me vão abandonar, porque todos temos os nossos momentos de euforia e, no sentido inverso, fiapos de depressão, amargura e pessimismo. perscrutando os anos mais recentes, fico contente ao verificar que esses fiapos que referi são já muito escassos, o que, lá está, serviu de cimento para a edificação do homem que sou hoje. comecei tudo isto com 33 anos e hoje tenho 53, com mais 20 anos de experiência, com mais maturidade, cabelos brancos e muito mais estabilidade, a todos os níveis. creio mesmo que, e posso garantir isto com satisfação, consegui chegar onde queria. quem ler os textos dos primeiros 4/5 anos, deve ficar com a sensação de que era um homem incompleto a escrever, com muitas frustrações, receios e amarguras. fazendo um paralelismo com os cantores, de quem se diz que escrevem os melhores discos quando estão deprimidos ou a curar um desgosto de amor, também creio que os meus melhores textos são dessa fase. não a renego, ajudou-me a evoluir e de tanto escrever fui apurando esta minha apetência para deixar a caneta (ou o teclado) à solta, sem receio de debitar textos longos mas sim de respeitar tudo aquilo que queria dizer, sem censura. 
beneficiei imenso dessa farta escrita. foi ela que me permitiu evoluir também como profissional. sou jornalista desde 1993, mas esse longínquo eu pouco tem a ver com o atual, que hoje tem um emprego estável, um estatuto, trabalha com colegas impecáveis e sabe onde quer chegar. é outro aspecto importante da estabilidade de que vos falava anteriormente.
o mais importante aspecto é, como sempre foi, o emocional. neste departamento, sinto-me... nas nuvens. é isso mesmo. as nuvens da alma não são necessariamente melancólicas, tristonhas ou saudosistas. são também para nos receberem quando estamos a flutuar. é esse lugar que tenho habitado nos últimos anos e de lá não quero, nunca, sair.
venham mais 20 anos!
obrigado pela vossa paciência!

sexta-feira, novembro 21, 2025

os nossos dezoitos de novembro

somos daquelas pessoas privilegiadas por terem tantas datas para comemorar durante o ano. festejamos em agosto, em setembro e em novembro os milestones mais importantes desta década que nos cristalizou, sendo que a deste último mês é, claramente, a mais importante.
18 de novembro.
para assinalar a data, já fomos duas vezes a caritel (vouzela), para aquela que foi a nossa primeira casa (turismo rural) como casal, à praia da barra e à covilhã. desta vez, e numa surpresa muito bem preparada pela ana, fomos à cidade de lamego, bem próxima de nós.
os afazeres profissionais deixaram-nos com menos de 24 horas para festejarmos convenientemente o dia, mas cada minuto foi aproveitado ao máximo.
o destino foi o douro castelo signature & spa, no centro histórico de lamego, bem próximo do castelo. nunca lá tínhamos ido, mas a ana escolheu-o porque gostou do que viu online. o check-in era às 15h00 e, pontuais e organizados como somos, a essa hora lá estávamos. deixámos as malas, preparamos a saída e em menos de meia hora já estávamos na rua, com a intenção de visitar o castelo, o centro arqueológico, a cisterna e várias artérias da cidade.
de regresso ao hotel, decidimos usufruir das suas valências, nomeadamente a piscina interior, com jacuzzi e cascata. aqui, entra a parte cómica do dia, porque fomos informados, quando fizemos o check-in, que o acesso à mesma teria de ser através de um elevador. apesar de ser apenas um piso, fiquei logo claramente transtornado, devido à minha galopante claustrofobia. o nuno, da receção, entendeu e registou a minha preocupação e passou essa indicação à colega que ia entrar no turno seguinte. quando descemos do quarto, já devidamente equipados (fato de banho, chinelos e robe), passámos pela receção para ir buscar as toalhas. o assunto do elevador veio novamente à baila e a colega do nuno disse que, afinal, havia uma alternativa, embora ela entendesse que nós não a iríamos aceitar. a alternativa seria sair do hotel, descer a rua durante uns 20 metros e entrar por uma porta que dava acesso a uma garagem do edifício. a ana foi pelo elevador e eu saí com a funcionária do hotel, rua abaixo, de robe e chinelos, não evitando alguns incrédulos olhares perante a inusitada situação. entrámos na garagem e, do lado direito, estava uma outra porta que dava acesso... à piscina interior. 
imaginar um enorme suspiro de alívio aqui, nesta parte do texto.
o espaço era fantástico, climatizado, água quentinha, jacuzzi muito competente, e por ali ficámos cerca de uma hora, completamente sozinhos. aliás, tivemos o hotel só para nós, usufruindo do seu staff e valências. claro que, para voltar ao hotel, tive de repetir o percurso, agora com outra funcionária, mas desta vez sem olhares inquisidores (já era de noite também).
o passo seguinte seria o jantar, que já tínhamos reservado também quando chegámos ao hotel. e aqui começa a nossa aventura gastronómica, que só terminou na manhã seguinte, perto das 10h00, quando acabámos o pequeno-almoço.
chegados ao piso do restaurante, com uma vista fantástica sobre a cidade e o escadório dos remédios, fomos recebidos pelo chefe de sala, o daniel, que nos transmitiu que iríamos usufruir de um jantar que foi pensado para nós pelo chef samuel fagundes, um jovem de 22 anos que nos deslumbrou pelas suas capacidades profissionais, simpatia e atenção.
sozinhos na sala, novamente, fomos mimados, é o termo certo, por estas duas pessoas, que nunca nos deixaram faltar nada. o daniel recomendou o vinho (murganheira tinto), decantou-o, contou histórias da sua vida, foi prestável sem ser abusivo e sempre atencioso a todos os pormenores. do nosso lugar, conseguíamos ver perfeitamente a cozinha, onde o samuel começou a preparar a nossa refeição. começou com umas deliciosas pataniscas de polvo, a que se seguiu um dos melhores pratos que já comi na minha vida, o risotto de gambas. simplesmente divinal! depois, o prato de carne: filet mignon com batatas gratinadas. tudo perfeito! para a sobremesa, fomos as cobaias do chef, que quis saber a nossa opinião sobre as duas propostas que nos apresentou. meticulosamente preparadas, as sobremesas foram-nos apresentadas pelo próprio chef, que descreveu o processo de confecção e elencou todos os ingredientes. eram ambas fantásticas, sim, mas não deixámos de dar ao jovem chef uma ou outra recomendação, que ele acatou com humildade. em suma, um jantar fantástico em lamego, uma terra na qual não tínhamos nenhuma referência em termos de restaurantes. 
ficámos tão cheios que, em vez de irmos para o quarto, ficámos cerca de uma hora na área da receção do hotel.
no dia seguinte, no mesmo local do jantar, nova lauta refeição. o pequeno almoço foi apenas servido para nós, novamente. não houve buffet, como habitualmente, com o chef a preparar tudo o que veio para a mesa, incluindo os ovos mexidos com bacon e uma omelete de queijo da ilha com trufas. tudo simplesmente maravilhoso! no final, despedimo-nos do chef, fazendo-lhe ver que foi muito importante na comemoração do nosso aniversário.
fizemos então o check-out, deixei palavras muito elogiosas no livro do hotel, despedimo-nos do nuno, que já estava novamente ao serviço, e prometemos voltar um dia. seguimos então para outro ponto alto: as bôlas de lamego, uma iguaria muito apreciada por ambos. fomos à pastelaria onde estamos habituados a comprá-las, trouxemos quatro, bebemos dois cafés e seguimos para o derradeiro ponto da visita: o santuário da nossa senhora dos remédios, ao qual já não ia há décadas.
no final da visita, o regresso a viseu. eram 12h00 quando chegámos. no dia anterior, o nosso encontro tinha sido às 13h00. portanto, foram 23 horas. poucas, mas intensas, como tudo aquilo que nos une!
o 18 de novembro é o nosso dia, mas a minha sensação é que qualquer dia, seja ele qual for, será sempre para festejar, porque estou ao lado dela, nesse que é o melhor sítio em todo o mundo para se estar!