quinta-feira, maio 10, 2012
o insuportável peso da idade
"my one regret in life is that I am not someone else"
devo utilizar a minha invisibilidade para o bem ou para o mal?
eu gosto de passar por invisível, não quero que me abordem na rua, tento ser o mais "low profile" possível, mas caramba, também não é preciso exagerarem no desprezo. há dias, numa farmácia de viseu, antes de ser atendido, ouvi por diversas vezes os funcionários da mesma perguntarem aos clientes se já tinham o calendário da farmácia, dando a dois ou três deles o referido calendário. quando chegou a minha vez de ser atendido, esperei, obviamente, que, na mesma linha de orientação, também me fosse oferecido um calendário. não é pelo calendário em si, que provavelmente iria deixar em casa, em cima do frigorífico, ou no móvel de entrada, sem que alguma vez me servisse dele, mas pelo facto de o mesmo ter sido oferecido a todos os outros clientes da farmácia nos minutos que precederam o meu atendimento. muito bem, pedi os medicamentos, o senhor foi buscar, trouxe os medicamentos, pediu-me o nome para a factura, disse-me quanto era, paguei-lhe, deu-me o troco e... mais nada. "e o calendário?" - poderia ter perguntado, "toda a gente recebeu um antes de mim". não disse nada, obviamente, mas foi mais uma daquelas situações que servem para ir encurtando o espaço entre o rastilho e a dinamite. é que desta vez nem sequer foi um problema de invisibilidade. o homem viu-me, de facto, atendeu-me e tudo, mas achou que eu não era digno de levar para casa um calendário daquela farmácia. lá está, eu até já deveria estar habituado e este género de situações, tantas são as vezes que elas ocorrem. tenho cara de mau? devo ter. serei invisível? não creio, sinceramente, embora pareça que sou. tenho um problema de atitude? sim, tenho, mas um problema grave que não permite que eu reaja no instante em que as situações acontecem e reaja depois, umas semanas mais tarde, na porcaria deste blogue...
o filme mais chato de todos os tempos
há igualmente uma crescente preocupação em relação ao género do filme. comédia ou drama? porque se há alturas em que me sinto um jim carrey, em filmes como "yes" ou "ace ventura", há outras em que visto as roupas de um jack baker, em "the fabulous baker boys", ou de um miles raymond, em "sideways". ou seja, se eu fosse escolhido como actor principal desta grande produção, hesitaria bastante quando tivesse que escolher um dos registos. ainda não cheguei a nenhuma conclusão neste domínio. a minha vida daria uma comédia ou um drama? e, havendo um produtor completamente lunático disposto a levar a minha vida ao grande ecrã, quem entraria no meu filme? que momentos da minha vida seriam realçados? e teria cenas de acção frenéticas ou, pelo menos, uma perseguição de carro? um affair? um "love interest"? um homicídio passional? um iceberg? vampiros? um vírus mortal? provavelmente, teriam que incluir tudo isto no filme, para ficar minimamente apetecível gastar seis euros para o ver no cinema. se o filme fosse apenas baseado na minha vida seria um autêntico soporífero. seria uma espécie de "groundhog day", o filme em que bill murray é obrigado a reviver o mesmo dia... todos os dias, encontrando sempre as mesmas pessoas e passando constantemente pelas mesmas situações, mas com muito menos piada, obviamente. resultaria um "groundhog day" como se fosse realizado por manoel de oliveira, o que, ainda por cima, significaria que eu teria que arranjar um papel para o luís miguel cintra e para o ricardo trêpa (como se já não houvesse dezenas de personagens aborrecidas no "meu" filme).
como personagem principal do filme (do tal lunático e, sejamos francos, demente produtor), não cativaria nem apelaria a ninguém (provavelmente só aquela franja de espectadores que considera o filme "branca de neve", de joão césar monteiro, o melhor filme de sempre), tanto a nível psicológico, como físico. daí que, para tornar o filme um pouco mais interessante, tal como fiz há anos e na medida em que estamos a fazer cócegas à imaginação neste exercício especulativo que chega a roçar a pura imbecilidade, me permitam que vá buscar os seguintes atributos a algumas personagens masculinas:
- a eloquência e a destreza de gerard depardieu em "cyrano de bergerac"
- os dotes artísticos e o virtuosismo de geophrey rush em "shine"
- a inteligência e o discernimento de morgan freeman em "seven"
- ser sedutor como daniel day lewis em "a idade da inocência"
- a "pinta" do jeff bridges em "os fabulosos irmãos baker"
- o sex appeal de george clooney em "out of sight"
- o sentido de humor de woody allen em "annie hall"
- o charme natural de hugh grant em "notting hill"
- o cavalheirismo de clint eastwood em "as pontes de madison county"
- a paixão profissional de robin williams em "o clube dos poetas mortos"
- o carácter meticuloso de tim robbins em "shawshank redemption"
- o optimismo e altruísmo de roberto benigni em "a vida é bela"
- a integridade de paul giamatti em "sideways".
com tudo isto, nem o manoel de oliveira conseguiria estragar o filme da minha vida. a única coisa que o poderia fazer seria... o argumento.
os timings perfeitos
é o chamado "síndrome miles raymond" - quem viu o filme "sideways" sabe do que estou a falar. faz lembrar, também, um episódio de "seinfeld", em que george costanza é alvo de chacota no seu local de trabalho, por comer camarões em catadupa e de forma alarve ("hey george, the ocean called; they're running out of shrimp"). na altura, fica sem palavras, mas horas mais tarde lembra-se da resposta perfeita. nos dias seguintes, no escritório, tenta desesperadamente repetir a situação inicial, de forma a poder responder adequadamente ao comentário do seu colega de trabalho. obviamente, apesar de conseguir dizer o que tinha "engatilhado" há dias, o impacto não é o mesmo. os timings, nestas situações, são vitais.
george clooney, em "up in the air", é um homem solitário, habituado a viajar de um lado para o outro, sem residência fixa, sem amarras emocionais ou familiares. no entanto, quando começa a vacilar sentimentalmente, por vera farmiga, vai perdendo, sucessivamente, o momento exacto para "oficializar" o que sente, isto apesar de ela lhe dizer que "i am the woman that you don't have to worry about" (e mais tarde saberemos o que ela quis dizer com isto). quando eles se despedem, no aeroporto (where else?), depois de um fim de semana juntos, ela diz-lhe "call me when you're feeling lonely". enquanto ela se vai afastando, ele diz "i'm feeling lonely right now". mas que raio, se nem o george clooney consegue "sacar" um momento destes, que esperança temos nós, a ralé feiosa e totalmente desprovida de charme? mas confesso que gostei de ver, tanto em "500 days of summer" como em "up in the air", duas personagens femininas verdadeiramente independentes a nível emocional e de fortes convicções a nível sentimental: zooey deschanel e vera farmiga.
voltando à terra, cada um de nós é responsável pelos momentos que perde, por todas as frases que não chegou a dizer, pelos "amo-te" que não confessou, os "tens mau hálito", os "já ouviste falar em desodorizante?", ou os "raios me partam se esse decote não é das coisas mais sensuais que eu já vi na vida". em suma, por tudo o que ficou a entulhar o telencéfalo ao longo dos anos. seríamos mais felizes se tivéssemos dito tudo o que nos passou pela cabeça? nunca se saberá... mas, em todo o caso, os momentos já passaram e as oportunidades goraram-se. irreversivelmente.
socialmente desenquadrado vs. confortavelmente instalado
lá fora o mundo fervilha, cheio de pessoas com vontade de se divertir, precisando, para tal, de outras pessoas com o mesmo propósito. há como que uma espécie de acordo tácito entre companheiros da noite, como se se esforçassem ao máximo para se encaixarem em variados ambientes nocturnos, numa descontracção directamente proporcional à quantidade de bebidas alcoólicas ingeridas. é um jogo, um ritual socialmente obrigatório que se divide em três categorias dominantes: os "lobos solitários", que se embrenham na noite à espera que lhes aconteça algo; os "groupies", aqueles que pertencem a um grupo consolidado há anos e que vagueiam pela noite perfeitamente "amparados" uns pelos outros; e os chamados "inadequados", aqueles que saem esporadicamente e, por norma, se sentem completamente deslocados, pouco seguros de si, ao contrário de um "lobo solitário", e sem o conforto de ser um "groupie", uma parte integrante de algo que foi construído ao longo dos tempos.
geralmente, estes "inadequados", claramente sem "bagagem" espiritual e social para se arvorarem em "lobos solitários", saem em ceias de natal, jantares de empresa, aniversários ou, menos frequente, "atrelados" a um grupo, por intermédio de alguém. raramente se sentem confortáveis em situações do género, olhando diversas vezes para o relógio, nunca sentindo os minutos a passar, pensando em todos os programas de televisão, incluindo jogos de futebol, que estão a perder, tentando fazer sentido numa qualquer conversa de circunstância com alguém, elogiando ou comentando a qualidade, ou a falta dela, da comida, olhando mais uma dezena de vezes para o relógio, até, finalmente, chegar o café.
é chegada então a altura das decisões, normalmente tomadas à porta do restaurante. "para onde vamos agora?", pergunta o núcleo duro dominante e com mais peso social. o "inadequado" vê claramente aqui a oportunidade que estava à espera. "eu amanhã tenho que me levantar cedo, por isso acho que vou andando". já os aspirantes a "groupies", à espera de uma oportunidade há algum tempo de se encostarem ao tal núcleo duro, aproveitam para, numa espécie de "casting", mostrar todas as suas potencialidades, sejam elas humorísticas, sócio-culturais ou simplesmente a baixa resistência ao álcool. há ainda quase sempre alguém "independente", que quer continuar na noite mas não quer acompanhar os outros, por não concordar com o local escolhido ou por simplesmente preferir caminhar sozinho, qual "lobo solitário". portanto, no mesmo jantar/evento/ceia/aniversário, temos os três grupos dominantes presentes.
sábado à noite. lá fora o mundo fervilha. eu estou em casa a escrever este texto, ao som delicioso do novo disco dos sun kil moon. até o gato já adormeceu com a voz melodiosa e enleante de mark kozelek. vejam lá se adivinham em qual das três categorias me incluo...
essas coisas chatas chamadas palavras
neil hannon, líder dos divine comedy, disse em tempos que os seus melhores trabalhos foram compostos quando vivia grandes desgostos amorosos. nunca me esqueci dessa sua frase, porque imagino que, se fosse escritor de canções, seria exactamente assim. o problema é que quando tinha desgostos amorosos... não havia internet ainda. limitava-me a escrever o nome da pessoa amada nos meus cadernos e livros escolares, a fazer aqueles corações com uma seta a atravessá-los, a escrever cartas que depois, por timidez, nunca eram entregues...
com a internet, é tudo muito mais simples. hoje consegue-se encontrar toda a gente, seja no facebook, no hi5, no netlog, no my space, sem sair do conforto do lar. depois de encontrar a pessoa pretendida, é só teclar... e nem é preciso saber escrever. agora, pelos vistos, faz-se tudo com parêntesis, pontos e vírgula e dois pontos a imitar expressões faciais. aventuras como a que eu tive, aos 13/14 anos, de andar cerca de 10 quilómetros de bicicleta para tentar encontrar uma rapariga, de quem só conhecia o nome e a aldeia onde morava, tornaram-se obsoletas. tal como escrever cartas, conquistar alguém pelo poder das palavras, qual cyrano de bergerac, mostrar determinação e empenho na conquista da pessoa amada.
as palavras têm cada vez menos significado, perdendo impacto e valor. aliás, as palavras têm sido sistematicamente amputadas ao longo dos anos, seja na internet, nos telemóveis ou até mesmo no nosso dia-a-dia. se a palavra é competitividade, por exemplo, as pessoas dizem "competividade", para ser mais rápido; se uma pessoa quer saber se a outra está bem, não pergunta "estás bem?", diz somente "tá-se?". depois há os "tb", os "pq", os "qq", etc..
em suma, escrever é uma valente maçada para a maior parte das pessoas, especialmente escrever correctamente. manter um "diálogo" virtual na internet com alguém, depois de conseguir facilmente o seu mail ou a página de facebook, é agora uma tarefa ao alcance de qualquer um, mesmo que não tenha a mínima noção da língua portuguesa, escrita ou falada. bastam uns quantos "lol", umas carinhas com pontos e vírgula e parêntesis e está o assunto tratado. ainda me lembro, posso não ter grandes qualidades mas reconheço que tenho uma boa memória, de a minha primeira namorada me ter apontado um erro ortográfico na primeira carta que lhe escrevi (sim, foi apenas um!...), quando tinha 14 anos. escrevi "ei-de" em vez de "hei-de". duvido que hoje exista essa preocupação de corrigir, de alertar alguém para um erro ortográfico ou verbal. quantos "ouvistes", "fizestes", "quaisqueres" ou "há-dem" uma pessoa ouve por dia? dezenas? centenas? até fere os ouvidos.
este cenário, infelizmente, com a profusão de telemóveis, a utilização em massa da internet, as redes sociais, messenger, etc., tem clara tendência para piorar. o lema universal parece ser "abreviar, facilitar e despachar". nos dias de hoje, aquele rapaz da bicicleta e das cartas de amor não teria a mínima hipótese...
quarta-feira, abril 11, 2012
art of fighting
conheci os art of fighting através de um post de um "irmão" da igreja universal dos fazedores de bonitas listas musicais dos últimos dias. a canção era "break for me". ouvi, por curiosidade e... fiquei "agarrado". graças ao you tube, continuei a ouvir músicas desta banda australiana, de sydney, composta por ollie browne (guitarra, voz), peggy frew (baixo, voz), cameron grant (bateria) e miles brown (guitarra), que editou o seu primeiro disco em 1998 ("the very strange year"). depois de "empty nights" (2000), seguiram-se os dois trabalhos mais elogiados dos art of fighting: "wires" (2002) e "second storey" (2005), trabalhos dos quais saiu a maioria dos temas que coloquei no facebook e aqui neste blogue. em 2007, a banda ainda publicou o disco "runaways", um pouco mais "agitado" e mais pop, tendo posteriormente... desaparecido do mapa. não sei se a banda acabou ou se está a fazer um longo interregno. o que sei é que me agradou sobremaneira a sonoridade desta banda australiana, em que, aqui e ali, até se conseguem ouvir sons que fazem lembrar red house painters.
ouçam, se quiserem/puderem as músicas que escolhi para "ilustrar" o que escrevi sobre a banda e tirem as vossas próprias conclusões.
quinta-feira, março 22, 2012
a música. sempre a música...
"sexta-feira.
durante a semana passaram por aqui patrick watson, scott matthews, talk talk, sleepingdog, ray lamontagne, the czars, thomas dybdahl, marjorie fair, my morning jacket, portishead, the blue nile, red house painters, jeff buckley, rufus wainwright, bill callahan, robin guthrie, explosions in the sky, durutti column, dakota suite, david sylvian, gavin friday, low roar, bonnie prince billy, john grant, american music club, cranes, cocteau twins, micah p. hinson, perry blake, doug paisley, king creosote & jon hopkins, antony and the johnsons, lisa gerrard, dead can dance, iron and wine, the national, damien jurado, our broken garden, arco, memoryhouse, mark kozelek, mark eitzel, grandaddy e nick drake.
espero que tenham gostado...
até segunda".
esta transcrição feita do meu perfil no facebook data do dia 16 de março de 2012. todas as sextas-feira faço uma espécie de resumo de tudo o que foi colocado, em forma de vídeo do you tube, para ser ouvido durante a semana. é assim desde agosto de 2011 e o entusiasmo não esmorece, antes pelo contrário. há sempre bandas novas para descobrir, novas vozes, novos projectos, para além das bandas "recorrentes", que apetece visitar de vez em quando. como poderão verificar, a última semana foi bastante fértil em nomes, entre discos actuais e antigos. amanhã, quando fizer o resumo desta semana, vou registar com muito agrado o aparecimento de novos nomes, recomendados ou "pescados" nos perfis de amigos. nesse aspecto, posso considerar-me um privilegiado, porque há sempre novos nomes a surgir, pessoas com muito bom gosto a recomendar bandas ou cantores/as, troca de ideias sobre este ou aquele disco, este ou aquele grupo. pode mesmo dizer-se que a minha vida virtual, através do facebook, é infinitamente melhor que a minha vida social efectiva. a minha integração num grupo chamado "igreja universal dos fazedores de bonitas listas musicais dos últimos dias", que consiste em publicar, todos os dias, uma música ou banda, seguindo o tema sugerido pelos "bispos" da igreja, alargou-me os horizontes, colocando-me em contacto com gente sabedora, muitos dos quais com o mesmo "background" musical que eu, os mesmos gostos e referências. desta troca de ideias, surgem partilhas de bandas, permuta de recomendações e, logicamente, um espectro mais alargado em termos musicais. esta semana, por exemplo, "conheci" leona naess e thomas feiner & anywhen, cujas músicas podem ouvir um pouquinho mais abaixo; na semana passada, sleepingdog e gavin friday; antes tinha sido thomas dybdahl, joe purdy, j. tillman, etc..
espero que continue a ter público, ou ouvintes, nesta minha empreitada musical. parece um programa de rádio, mas com imagens e letras das músicas.
obrigado a todos os ouvintes!
leona naess - northern star
Northern Star
Come down from where you are
You've hung yourself so strangely
My northern star
Your three kings are we
Waiting to be free
We will wait for you
Till you come through, baby
Northern Star
You shine
Northern Star
Come down from where you are
and save me
These walls are growing higher,
growing higher
These walls are growing higher,
growing higher
My sympathy
Lies with those who try
To cage you in
And love you more and more
Know your history
Maybe then they'd see
Though the coldness comes
Your beating drums
could lead a symphony
Northern Star
You shine
Northern Star
Come down from where you are
and save me
I look at you
Like a child
Oh no, I'll never be like you
I'll never be like you
paul buchanan - seasons of light
não há adjectivos suficientes no mundo para descrever todo o virtuosismo da voz de paul buchanan, que vai lançar em 2012 um album a solo, intitulado "mid-air", editado pela essential records. será, certamente, um dos discos mais aguardados do ano.
gavin friday - a song that hurts
Is this is a thought inside, or just a song that hurts
Another broken year so full of bitter tears
There's something I cant hide. It's something you deny
So stop youre dragging me around. Stop youre pulling me... down
A song that hurts, a love's disdain, a silent wound, a sad refrain
The blood, the cross, my love, youre head , youre lips, youre kiss, the words we said
thomas feiner & anywhen - scars and glasses
the slamming doors then daylight's fade
no you don't have to ask me
I'll stay
More a state of bodily heart
then actual heart to heart
and now strongest force of habit
my favorite game my wrecking ball
as you wise stay clear
and frozen words my heart attack
sleepless night our lips cracked...?
dont mind when you're all here
tomorrows came and then went again
left scars and glasses and a little
change of name
and the world I see now is open wide
for anything that's true to you
my strongest force of habit
my favorite game my wrecking ball
as you so wise stay clear
and frozen words my heart attack
the sleepless night our lips cracked...?
don't mind when you're all here
um grito calado
é que estou fartinho de acumular dias, semanas, meses e anos de imundice, em todos os aspectos, que me vai corroendo por dentro, servindo de atestado de impotência e de carimbo vitalício para as más opções que tomei na vida.
quarta-feira, março 21, 2012
top ten concertos
segunda-feira, fevereiro 27, 2012
óscares 2012 - os vencedores

The Artist
Melhor Realizador
Michel Hazanavicius por The Artist
Melhor Ator
Jean Dujardin por The Artist
Melhor Atriz
Meryl Streep por The Iron Lady
Melhor Ator Secundário
Christopher Plummer por Beginners
Melhor Atriz Secundária
Octavia Spencer por The Help
Melhor Argumento Original
Midnight in Paris por Woody Allen
Melhor Argumento Adaptado
The Descendants
Melhor Filme de Animação
Rango
Melhor Direção Artística
Hugo
Melhor Fotografia
Hugo
Melhor Guarda Roupa
The Artist
Melhor Documentário
Undefeated
Melhor Edição
The Girl with the Dragon Tattoo
Melhor Filme Estrangeiro
A Separation (Irão)
Melhor Maquilhagem
The Iron Lady
Melhor Banda Sonora
The Artist por Ludovic Bource
Melhor Canção Original
Man or Muppet - The Muppets
Melhor Edição de Som
Hugo
Melhor Mistura de Som
Hugo
Melhor Efeitos Visuais
Hugo
Melhor Filme de Animação (Curta-metragem)
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
Melhor Curta-Metragem
The Shore
Melhor Documentário (Curta-metragem)
Saving Face
terça-feira, janeiro 24, 2012
nomeações para os óscares 2012
The Artist
The Descendants
Extremely Loud & Incredibly Close
The Help
Hugo
Midnight in Paris
Moneyball
The Tree of Life
War Horse
Best Director
Michel Hazanavicius, The Artist
Alexander Payne, The Descendants
Martin Scorsese, Hugo
Woody Allen, Midnight in Paris
Terrence Malick, The Tree of Life
Best Actor
Demián Bichir, A Better Life
George Clooney, The Descendants
Jean Dujardin, The Artist
Gary Oldman, Tinker Tailor Soldier Spy
Brad Pitt, Moneyball
Best Actress
Glenn Close, Albert Nobbs
Viola Davis, The Help
Rooney Mara, The Girl With the Dragon Tattoo
Meryl Streep, The Iron Lady
Michelle Williams, My Week With Marilyn
Best Supporting Actor
Kenneth Branagh, My Week With Marilyn
Jonah Hill, Moneyball
Nick Nolte, Warrior
Christopher Plummer, Beginners
Max Von Sydow, Extremely Loud & Incredibly Close
Best Supporting Actress
Bérénice Bejo, The Artist
Jessica Chastain, The Help
Melissa McCarthy, Bridesmaids
Janet McTeer, Albert Nobbs
Octavia Spencer, The Help
Best Original Screenplay
Michel Hazanavicius, The Artist
Annie Mumolo & Kristen Wiig, Bridesmaids
J.C. Chandor, Margin Call
Woody Allen, Midnight in Paris
Asghar Farhadi, A Separation
Best Adapted Screenplay
Alexander Payne, Jim Rash & Nat Faxon, The Descendants
John Logan, Hugo
George Clooney, Grant Heslov & Beau Willimon, The Ides of March
Aaron Sorkin & Steven Zaillian, Moneyball
Peter Straughan & Bridget O’Connor, Tinker Tailor Soldier Spy
Best Animated Film
The Adventures of Tintin
A Cat in Paris
Chico & Rita
Kung Fu Panda 2
Puss in Boots
Rango
Best Foreign Language Film
Bullhead (Belgium)
Monsieur Lazhar (Canada)
A Separation (Iran)
Footnote (Israel)
In Darkness (Poland)
Best Music (original score)
The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn
The Artist
Hugo
Tinker Tailor Soldier Spy
War Horse
Best Music (original song)
The Muppets
Rio
Best Art Direction
The Artist
Harry Potter and the Deathly Hallows, Part 2
Hugo
Midnight in Paris
War Horse
Best Cinematography
The Artist
The Girl with the Dragon Tattoo
Hugo
The Tree of Life
War Horse
Best Costume Design
Anonymous
The Artist
Hugo
Jane Eyre
W.E.
Best Film editing
The Artist
The Descendants
The Girl with the Dragon Tattoo
Hugo
Moneyball
Best Sound editing
Drive
The Girl with the Dragon Tattoo
Hugo
Transformers: Dark of the Moon
War Horse
Best Sound mixing
The Girl with the Dragon Tattoo
Hugo
Moneyball
Transformers: Dark of the Moon
War Horse
Best Visual effects
Harry Potter and the Deathly Hallows, Part 2
Hugo
Real Steel
Rise of the Planet of the Apes
Transformers: Dark of the Moon
Best Make up
Albert Nobbs
Harry Potter and the Deathly Hallows, Part 2
The Iron Lady
Best Documentary feature
Hell and Back Again
If A Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Paradise Lost 3: Purgatory
Pina
Undefeated
Best Documentary short subject
The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement
God is the Bigger Elvis
Incident in New Baghdad
Saving Face
The Tsumani and the Cherry Blossom
Best Short film (animated)
Dimanche / Sunday
The Fantastic Flying Books of Mr Morris Lessmore
La Luna
A Morning Stroll
Wild Life
Best Short film (live action)
Pentecost
Raju
The Shore
Time Freak
Tuba Atlantic
segunda-feira, janeiro 16, 2012
globos de ouro 2012
Best Motion Picture - Drama: The Descendants
Also nominated: The Help; Hugo; The Ides of March; Moneyball; War Horse
Best Motion Picture - Comedy or Musical: The Artist
Also nominated: 50/50; Bridesmaids; Midnight in Paris; My Week with Marilyn
Best Actor - Drama: George Clooney, The Descendants
Also nominated: Leonardo DiCaprio, J Edgar; Michael Fassbender, Shame; Ryan Gosling, The Ides of March; Brad Pitt, Moneyball
Best Actress - Drama: Meryl Streep, The Iron Lady
Also nominated: Glenn Close, Albert Nobbs; Viola Davis, The Help; Rooney Mara, The Girl with the Dragon Tattoo; Tilda Swinton, We Need to Talk About Kevin
Best Actor - Comedy or Musical: Jean Dujardin, The Artist
Also nominated: Brendan Gleeson, The Guard; Joseph Gordon-Levitt, 50/50; Ryan Gosling, Crazy Stupid Love; Owen Wilson, Midnight in Paris
Best Actress - Comedy or Musical: Michelle Williams, My Week with Marilyn
Also nominated: Jodie Foster, Carnage; Charlize Theron, Young Adult; Kristen Wiig, Bridesmaids; Kate Winslet, Carnage
Best Supporting Actor: Christopher Plummer, Beginners
Also nominated: Kenneth Branagh, My Week with Marilyn; Albert Brooks, Drive; Jonah Hill, Moneyball; Viggo Mortensen, A Dangerous Method
Best Supporting Actress: Octavia Spencer, The Help
Also nominated: Berenice Bejo, The Artist; Jessica Chastain, The Help; Janet McTeer, Albert Nobbs; Shailene Woodley, The Descendants
Best Director: Martin Scorsese, Hugo
Also nominated: Woody Allen, Midnight in Paris; George Clooney, The Ides of March; Michel Hazanavicius, The Artist; Alexander Payne, The Descendants
Best Screenplay: Midnight in Paris
Also nominated: The Artist; The Descendants; The Ides of March; Moneyball
Best Score: The Artist
Also nominated: The Girl with the Dragon Tattoo; Hugo; War Horse; W.E.
Best Song: W.E., 'Masterpiece'
Also nominated: Albert Nobbs, 'Lay Your Head Down'; Gnomeo and Juliet, 'Hello Hello'; The Help, 'The Living Proof'; Machine Gun Preacher, 'The Keeper'
Best Animated Feature: The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn
Also nominated: Arthur Christmas; Cars 2; Puss in Boots; Rango
Best Foreign Language Film: A Separation (Iran)
Also nominated: The Flowers of War (China); In the Land of Blood and Honey (USA); The Kid with a Bike (Belgium); The Skin I Live In (Spain)
Television awards - Best TV Series - Drama: Homeland
Also nominated: American Horror Story; Boardwalk Empire; Boss; Games of Thrones
Best TV Series - Comedy or Musical: Modern Family
Also nominated: Enlightened, Episodes, Glee, New Girl
Best Miniseries or Motion Picture Made for TV: Downton Abbey
Also nominated: Cinema Verite; The Hour; Mildred Pierce; Too Big to Fail
Best Actor - Drama: Kelsey Grammer, Boss
Also nominated: Steve Buscemi, Boardwalk Empire; Bryan Cranston, Breaking Bad; Jeremy Irons, The Borgias; Damian Lewis, Homeland
Best Actress - Drama: Claire Danes, Homeland
Also nominated: Mireille Enos, The Killing; Julianna Margulies, The Good Wife; Madeleine Stowe, Revenge; Callie Thorne, Necessary Roughness
Best Actor - Comedy or Musical: Matt LeBlanc, Episodes
Also nominated: Alec Baldwin, 30 Rock; David Duchovny, Californication; Johnny Galecki, The Big Bang Theory; Thomas Jane, Hung
Best Actress - Comedy or Musical: Laura Dern, Enlightened
Also nominated: Zooey Deschanel, New Girl; Tina Fey, 30 Rock; Laua Linney, The Big C; Amy Poehler, Parks and Recreation
Best Actor - Miniseries or Motion Picture Made for TV: Idris Elba, Luther
Also nominated: Hugh Bonneville, Downton Abbey; William Hurt, Too Big to Fail; Bill Nighy, Page Eight; Dominic West, The Hour
Best Actress - Miniseries or Motion Picture Made for TV: Kate Winslet, Mildred Pierce
Also nominated: Romola Garai, The Hour; Diane Lane, Cinema Verite; Elizabeth McGovern, Downton Abbey; Emily Watson, Appropriate Adult
Best Supporting Actor: Peter Dinklage, Game of Thrones
Also nominated: Paul Giamatti, Too Big to Fail; Guy Pearce, Mildred Pierce; Tim Robbins, Cinema Verite; Eric Stonestreet, Modern Family
Best Supporting Actress: Jessica Lange, American Horror Story
Also nominated: Kelly Macdonald, Boardwalk Empire; Maggie Smith, Downton Abbey; Sofia Vergara, Modern Family; Evan Rachel Wood, Mildred Pierce
terça-feira, janeiro 10, 2012
6 anos de "nuvens da alma"
segunda-feira, janeiro 09, 2012
blogue vs. facebook
assim sendo, também fui atrás da carneirada e dediquei muito mais tempo a "decorar" com letras o meu perfil do facebook do que a "alimentar" este espaço. todavia, nunca o descurei por completo. o mais curioso é que, quando criei a conta no facebook, metia lá os conteúdos do blogue, através de links, e no último ano aconteceu precisamente o contrário. não admira, portanto, que 2011 tenha sido um dos anos menos profícuos desde a criação deste blogue, que amanhã completa 6 anos de existência. com isto, não estou a dizer que os outros anos foram de uma qualidade literária extraordinária, recheados de excelsas prosas, magníficas observações e apurado sentido crítico. digamos que estou a querer dizer que o último ano foi ainda pior que os restantes. pronto. é isso.
"feedback". quem não gosta de "feedback"? bem, talvez os técnicos de som. pois bem, ao contrário dos blogues, que vêm perdendo mediatismo nos últimos anos, o facebook tem essa vantagem. uma pessoa publica algo (um vídeo, uma observação, um desabafo) e, normalmente, tem uma reacção, seja ela imediata ou um pouco mais lenta (como os centrais do sporting). cria-se, então, a chamada interactividade, a conectividade que um blogue (pelo menos o meu) raramente oferece. mesmo assim, há muitos casos em que se consegue conciliar as duas plataformas de uma forma saudável, sem perder leitores ou seguidores. lembro-me de dois, aqui bem pertinho: os blogues "olho de gato", de joaquim alexandre rodrigues, e o "viseu, senhora da beira", de fernando figueiredo, dois dos maiores baluartes da informação e opinião, crítica e construtiva, da região de viseu.
"mas o que é que nós temos a ver com este paleio todo?", podem vocês perguntar. sim, vocês os três aí. quero apenas transmitir que, com facebook, twitter e afins, este espaço nunca há-de acabar, mesmo que menos alimentado, coitadito. são seis anos, afinal, da minha vida, que eu tenho a certeza que vão ajudar a explicar muita coisa aos meus netos sobre a demência do avô. para além disso, não me envergonho do que aqui está e quase posso garantir que, dos 1954 posts, pelo menos três serão publicados no folheto do lidl a título póstumo ou depois da minha morte. o que acontecer primeiro.
apontamentos sobre a despedida da luta pelo título do sporting
Se reparares, o Schaars tem subido cada vez mais no terreno. Não baixa para vir buscar a bola!
2. o schaars deve ser o jogador com mais minutos nas pernas. é natural. mas há ainda outros problemas neste sporting. domingos insiste em não colocar matias na sua posição natural, no miolo, atrás do trio atacante. desta forma, o chileno, que ...é o jogador com mais características de "nº 10" do plantel, nunca vai jogar no sporting como joga na selecção chilena (onde é titular indiscutível). depois, num plantel com carrillo, capel, jéffren, izmailov, rubio e bojinov, custa a compreender que domingos coloque insúa no lugar de capel, sacrificando o espanhol (em baixo de forma, claramente), gastando uma substituição e colocando em campo um dos piores jogadores do plantel (evaldo). se era preciso vencer o jogo, domingos apostou pouco, muito pouco. ah, e é bom que wolfswinkel não sinta que é uma vaca sagrada, porque tem jogado muito pouco, falhado situações de golo inacreditáveis, mas domingos nunca o tira. rubio conta para alguma coisa? e bojinov? o 4x3x3 funcionava com rinaudo. desde a lesão deste que domingos não consegue encontrar um meio campo funcional. se reparares, o sporting não faz um jogo decente desde a goleada ao gil vicente (6-1). mesmo os jogos que venceu, foi sempre com exibições muito fraquinhas...
Apenas não compreendo porque não dá uma oportunidade ao Rubio. O Capel tem que aprender a fazer gestão do esforço, porque a intensidade de jogo dele é diferente da da equipa!
3. se bem que, no sábado, o capel não tenha tido, sequer, intensidade alguma. foi o pior jogo que lhe vi esta época, nem uma finta, nem um rasgo, nem um cruzamento. sem capel a desequilibrar, schaars e elias a construírem (como já fizeram, tão... bem, esta época), ou mesmo a finalizarem na área, um trinco em condições (sporting sem rinaudo não é sporting) e um wolfswinkel matador torna-se complicado. e já vamos em 3 empates seguidos. seguem-se nacional e sp. braga e o panorama não parece ser muito bom nesta altura. é imperioso ganhar ao nacional e, pelo menos, empatar em braga. se vencermos a taça de portugal, se ficarmos em 3º e formos, pelo menos, à final da taça da liga (já nem falo na europa, porque teremos pela frente, depois dos polacos, o fc porto ou o manchester city), já será uma boa época. depois, já que tanto falam em equipa em construção, sempre quero ver se os bons jogadores que temos se vão manter no plantel na próxima época. caso não fiquem, lá voltamos nós ao discurso batido da "equipa em construção" novamente...
Eu fui ver o jogo ao estádio com a Académica e aí deu para ver claramente o fosso que existe entre os centrais e os avançados. Ninguém quer assumir o jogo no meio-campo. Esse é que é o maior problema. Acredito que isto só se resolve se Domingos apostar em ceder o lugar de médio defensivo ao Elias, porque este acrescenta a qualidade de passe e construção que está a faltar à frente dos centrais.
4. esse foi precisamente um dos aspectos que foquei no post. no sábado, tal como habitualmente, nem elias, nem schaars assumiram essa responsabilidade. matias, jogando a "10", creio que faria melhor essa função, mas também é um jogador muito intermitente, à imagem do seu antecessor no lugar, romagnoli. o sporting precisa de um "10" urgentemente, daqueles que não enganem, de classe reconhecida, experiente e maduro o suficiente para colocar alguma ordem naquele meio campo. pensei, sinceramente, que schaars e elias me iam entusiasmar mais, mas o brasileiro tem falhados golos atrás de golos e o holandês parece esconder-se do jogo durante largos minutos. não há passes de ruptura (até agora quem os fez foi quase sempre capel) e, dessa forma, o trio atacante é quem mais sofre, sobretudo, e aqui voltamos ao início do teu último comentário, quando são lançados, a 30/40 metros, pelos centrais.
E que grande exibição que fez o Onyewu! Secou o Hulk
sim, ele é lento, mas o luisão também é e não é por isso que deixa de ser um grande central. eu gosto do onyewu, disfarça a sua lentidão com um sentido posicional imaculado. e, lá está, não perde um lance de cabeça, coisa rara ultimamente em termos de centrais leoninos. ele e insúa foram claramente os melhores. pena não terem tido acompanhamento.
acredito que os próximos dois jogos serão decisivos para a época do sporting. ganhar ao nacional é importantíssimo, sem sofrer golos de preferência, para depois jogarmos a segunda mão sem sobressaltos, porque uma presença no jamor é fulcral..., sobretudo quando já não há benfica, fc porto nem sp. braga na competição. depois, o jogo em braga servirá para aferir se o sporting merece estar na corrida pelo título ou na corrida pelo terceiro lugar. será um jogo deveras importante, onde espero que já haja jeffrén (carrillo tem-se mostrado mais incisivo quando vem do banco), para podermos jogar desta forma: rui patrício; joão pereira, onyewu, polga (xandão?) e insúa; schaars, elias e matias; capel, jeffrén e wolfswinkel (ribas?).
quinta-feira, dezembro 29, 2011
low roar
sábado, dezembro 24, 2011
é natal... outra vez

quarta-feira, dezembro 14, 2011
os dez melhores discos de 2011
o disco de scott matthews junta-se, assim, à galeria dos notáveis deste blogue, que já elegeu, na sua existência, os trabalhos de marjorie fair - self help serenade (2006), blonde redhead - 23 (2007), sun kil moon - april (2008), jason lytle - yours truly, the commuter (2009) e john grant - queen of denmark (2010).
aqui fica a lista completa:
1. what the night delivers - scott matthews
2. diamond mine - king creosote & jon hopkins
3. apocalypse - bill callahan
4. you were a dick - idaho
5. father, son, holy ghost - girls
6. wolfroy goes to town - bonnie prince billy
7. burst apart - the antlers
8. passenger - lisa hannigan
9. kaputt - destroyer
10. days - real estate
o disco do ano
terça-feira, dezembro 13, 2011
the invisible man

sexta-feira, dezembro 09, 2011
a música, a minha eterna amante
estou a falar do facebook e da minha "missão", desde setembro, de colocar no meu perfil vídeos de músicas que me dizem alguma coisa, que me despertam sensações... já em tempos disse que me apaixonava muito mais rapidamente por uma música do que por pessoas. como não conheço assim tantas por pessoas novas (por mês devo conhecer uma, se tanto), compenso essa lacuna social com músicas, bandas, cantores, letras, etc..
em setembro começou então a minha emissão, com as minhas bandas de sempre, aquelas de que já gosto há anos e anos (umas há mais anos do que outras, obviamente): red house painters, american music club, idaho, the blue nile, mark kozelek, mark eitzel, john grant, bonnie prince billy, band of horses, the cure, nick drake, antony and the johnsons, devics, david sylvian, mercury rev, the czars, grandaddy, slowdive, sun kil moon, great lake swimmers, rufus wainwright, my morning jacket, marjorie fair, cranes, radiohead, cocteau twins, blonde redhead, mazzy star, shearwater, the national, sigur rós, lambchop, violet indiana, etc., a que se juntaram as "descobertas" da altura: ray lamontagne (que foi uma "panca" bastante forte), king creosote & jon hopkins (enamorei-me em absoluto pelo disco "diamond mine" depois do concerto deles no sintra misty), memoryhouse, our broken garden (outra grande "pancada". durante duas semanas só ouvia esta banda dinamarquesa) e the antlers.
seguiu-se, depois, já em outubro, uma procura incessante de "material novo": bandas influenciadas por "x", bandas que seguem a corrente musical de "y", nomes relacionados com "w" (só não arranjei nada para o "k". prometo tratar disso o quanto antes...). foi então que surgiram nomes como richard swift, iron and wine, bon iver, lisa hannigan, mojave 3, bedhead, junip (cujas músicas "to the grain" e "don't let it pass" considero das melhores que ouvi este ano), dakota suite (um "comeback"), mogwai, alexi murdoch, kings of convenience, girls, smog, bill callahan ("jim cain" e "riding for the feeling" vão ficar para sempre), rachel yamagata, scott matthews, the morning benders ("your dark side" ficou em repeat alguns dias na minha cabeça), patrick watson (uma "redescoberta", basicamente, embora só agora me tenha apercebido da genialidade do músico. a sequência "sit down beside me", "fall", "summer sleeps", "to build a home", "step into a dream" e "night fall" é assombrosa!), doug paisley, thom hell, low, edith frost, lana del rey ("oh say can you see" também é uma das minhas preferidas), sea oleena, cass mc combs, matt keating (também "bateu" forte este), things in herds, the last town chorus, greg laswell (outra importante "descoberta"), the perishers, angus & julia stone, the jezabels, figurines, dan auerbach, j. tillman (outro nome para reter nos próximos anos), agnes obel e arco (magnífica banda. já tenho a discografia toda deles).
no final de cada semana, às sextas, faço sempre um resumo da semana, com as bandas que tive o prazer de publicar no meu perfil. e assim me vou mantendo entretido... e a alargar os meus conhecimentos musicais.
sexta-feira, outubro 14, 2011
sábado, outubro 01, 2011
"i'm still here"

Barney Panofsky: ...and I'm just gonna keep talking here, 'cause I'm afraid that if I stop there's gonna be a pause or a break and you're gonna say 'It's getting late' or 'I should get going', and I'm not ready for that to happen. I don't want that to happen. Ever.
[they pause]
Miriam: There it was. The pause.
Barney Panofsky: Yeah.
Miriam: I'm still here.
(diálogo do filme "barney's version", entre barney (paul giamatti) e miriam (rosamund pike))
barney's version

um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. paul giamatti continua a provar que é um dos melhores actores da actualidade e neste filme tem mais um excelente desempenho, a "cheirar" a óscar, tal como já tinha acontecido em "sideways" e "cold souls". rosamund pike encanta e hipnotiza, num papel pleno de contenção e subtileza. e ainda há um hilariante dustin hoffman.
em suma, brilhante!
segunda-feira, setembro 26, 2011
very low and insignificant profile
dúvida
como é que é?
sábado, setembro 17, 2011
enclausuramento
toda a gente sente a falta de alguém. toda a gente faz falta. é um fenómeno de massas. há pessoas que passam por nós diariamente, seja um carteiro, um polícia ou um estafeta, que certamente estará a fazer falta a alguém. todavia, a nós não nos dizem nada, literalmente. aliás, muito dificilmente me dirão algo, na medida em que, diariamente, exceptuando o trabalho, só comunico basicamente com empregados de café.
o tempo que passamos longe das pessoas de quem gostamos é interminável. por outro lado, o tempo que gastamos, ou perdemos, com pessoas que não nos dizem nada é uma monstruosa amargura. os dias passam e a frieza dos minutos, das horas a passar tornam-nos cada vez mais azedos, mais tristes. é muito fácil deixarmo-nos viciar pela tristeza, pela depressão. por vezes até é cómodo. é uma desculpa, como outra qualquer, para não funcionarmos, para vegetar.
há certamente pessoas com quem queremos estar, que querem estar connosco. mas quando olhamos à volta, vemos que não são aquelas que nos rodeiam. o mesmo sucederá com as outras pessoas em relação a mim... e por aí adiante. é praticamente um genocídio sentimental. e continuamos a perder tempo, dias, semanas, meses, sempre a ansiar por um reencontro, um regresso.
há quem acredite que a partir de uma certa idade se perde o luxo de ter amigos só por amizade. inventam-se novas categorias: "amigos de amigos", "amigos de familiares", "amigo que dá jeito porque eu não faço ideia de como se compõe uma persiana", "amigo que um dia me pode ser muito útil quando quiser abrir uma loja de peças para torradeiras", "amigo que me leva o carro à inspecção todos os anos se eu lhe pedir", etc.. a vida "obriga-nos" a alargar os nossos horizontes em termos sociais, dando especial relevo à via profissionalizante desses nossos contactos.
infelizmente, ou felizmente, ainda não decidi, não enveredei por essa prática. como já referi, o meu "público" são as funcionárias e os funcionários dos cafés e restaurantes. o resto do meu tempo é... para o saudosismo. nunca tive vocação nenhuma para estabelecer qualquer tipo de cumplicidade com desconhecidos. até fujo desse tipo de situações. por isso, abracei a solidão, habituei-me a ela. dessa forma, evito ser avaliado ou julgado, ou estar numa posição desconfortável de tentar agradar a alguém. os amigos que (ainda) tenho já vêm de longe e é deles que tenho saudade.
há quem endeuse esta palavra (saudade), mas ela é apenas o sinal evidente de que há qualquer coisa que não está bem. ou seja, alguém não está onde devia estar. simplesmente! saudade é amor ou amizade que se gasta sem proveito, provavelmente enquanto estamos a almoçar sozinhos numa esplanada qualquer, em silêncio, pensando que poderíamos estar a ter uma conversa estimulante com um amigo. ao invés, estamos enclausurados num básico "boa tarde, queria um café curto, se faz favor" (café esse que nunca, mas nunca mesmo, vem como a gente o pediu, ou seja, curto), provando que metade do que dizemos não se ouve mesmo (e eu já digo tão pouco...).
e o tempo vai-se gastando... sem piedade. fica, como consolação, o facto de imaginarmos que, algures, a 100 metros, a 10 ou a 800 quilómetros, haverá alguém a sentir o mesmo por nós. só espero que tenha mais sorte do que eu em relação ao café curto...
sexta-feira, setembro 16, 2011
infinite arms - band of horses
I had a dream
I had a dream
That I was your neighbor
About to give birth
And then everything
Was really hurt
And I was so lonely
I didn't see It's like
Living in a movie
Twisting the plot
My friends and family
The little things I've got, I've got
When my thoughts drift to you
I love the morning
I like to listen
To 4am birdies
Begging to feed
Now there's something here before me
A figure, I think
Isn't there a warning
Or something to drink
My god, my god
When my thoughts drift to you
These mended bones
The storms approach
Ever so slowly
Out on the sea
There's an animal below me
Lack of control
Others came before me
Others to come, to come
When my thoughts drift to you
(actuação dos band of horses, na semana passada, no talk show de conan o'brien)
quinta-feira, setembro 15, 2011
cyrano de bergerac

voltei a ficar com a sensação de que é este "o filme". vinte e um anos depois, continua a despertar as mesmas emoções, a comover e a apaixonar... gérard depardieu é assombroso como cyrano, a realização é eficiente, a fotografia excelente. já dissertei bastante sobre este filme neste blogue. o post serve apenas para confirmar, em absoluto, que este é mesmo o meu filme preferido de todos os tempos!
terça-feira, setembro 13, 2011
queimar etapas

quando mudei para outra terra, senti-me revigorado, pronto para recomeçar a construir um outro eu, uma nova identidade. fiz amigos, criei novas rotinas e cresci bastante em termos psicológicos, sociais e intelectuais. rapidamente me entrosei, me senti em casa. no meu primeiro ano de liceu em viseu, 10º ano de escolaridade, vivia mesmo no centro da cidade. apetecia-me sempre andar na rua, passear pela rua formosa, cheirar as tílias do rossio e a relva molhada do parque aquilino ribeiro (por onde passava todos os dias para ir às aulas), calcorrear a rua direita e a zona histórica... foi um gigantesco "banho" de viseu, um novo baptismo espiritual, que me fez cair de amores por esta cidade para o resto da vida.
três anos depois, deu-se a despedida. coimbra chamou por mim. ainda lhe dei o benefício da dúvida durante uns meses, mas a minha cidade de eleição já tinha sido encontrada. senti-me desamparado em coimbra, não fui capaz de absorver a cidade da mesma forma. sabia que me estava a enganar a mim mesmo ao prolongar aquele martírio, mas não queria desapontar os meus pais, especialmente a minha mãe, grande admiradora do fado de coimbra, das tunas e das serenatas. mas algum tempo depois o barco bateu no icebergue (excelente analogia! diria mais: brilhante!). desabafei com os meus pais, dei-lhes um grande desgosto e uma desilusão que jamais esqueceram (a minha mãe suspira sempre que vê uma tuna na televisão) e voltei. adeus latadas, queimas, bebedeiras de caixão à cova, concertos do quim barreiros, sexo desenfreado sem obrigações morais, "directas" a estudar, pequenos-almoços às cinco da tarde, mais concertos do quim barreiros, mais sexo desenfreado sem obrigações morais e sem telefonema obrigatório no dia seguinte, preservativos de todas as cores, lingerie comestível, cogumelos esquisitos, "o bacalhau quer alho" em altos berros, sexo desenfreado com gémeas polacas do erasmus, colecção de garrafas vazias de absinto na cozinha, pilha de roupa suja na marquise, cama por fazer há quatro meses, quim barreiros novamente e, para acabar, sexo desenfreado no banco traseiro de um renault 5 laureate gtl com a equipa feminina de voleibol do castêlo da maia. perdi tudo isto, sem que alguma vez possa recuperar seja o que for (bem, talvez o quim barreiros). será que quem passou por isto tudo atribui alguma importância a estes anos das suas vidas? creio que sim, pelo menos a acreditar em alguns meus amigos. entraram na vida adulta mais aliviados, mais leves, em clara descompressão. esgotaram totalmente o plafond de "loucuras permitidas" que lhe foi atribuído aquando da entrada na universidade e encararam, de forma positiva, a vida laboral, com memórias e incidências suficientes para centenas de coffee-breaks nas empresas onde trabalham. as minhas histórias, quando muito, dariam para uma pausa para um cigarro no parque de estacionamento. nem sequer para um charuto davam. mas já estou completamente resignado, acreditem. por estes dias, depois de intensa introspecção e alguma terapia, só ainda não consegui tirar da cabeça as gémeas polacas do programa erasmus...
segunda-feira, setembro 12, 2011
irreversivelmente
por mais "programados" que estejamos para enfrentar determinado momento das nossas vidas, quando ele surge parece que o nosso cérebro ganhou uma aridez nunca antes vista. a lógica é a mesma de um hotel ter um dia semanal de descanso. não há nenhuma lógica que explique como é que se pode estar preparado para algo, às vezes com o diálogo já todo decorado e na ponta da língua, e depois, quando é realmente a valer, ficar petrificado e com as cordas vocais entrelaçadas. o momento está lá, os intervenientes também, mas a conversa programada dilui-se como o pó de uma saqueta de alka-seltzer num copo de água. no final, quando o nosso cérebro recupera do choque e já conseguimos processar novamente o argumento previamente estabelecido, apetece voltar a chamar a pessoa, ou pessoas, para, então, repetir o momento. mas este, quando se perde, nunca volta. é o chamado "síndrome miles raymond" - quem viu o filme "sideways" sabe do que estou a falar. faz lembrar, também, um episódio de "seinfeld", em que george costanza é alvo de chacota no seu local de trabalho, por comer camarões em catadupa e de forma alarve ("hey george, the ocean called; they're running out of shrimp"). na altura, fica sem palavras, mas horas mais tarde lembra-se da resposta perfeita. nos dias seguintes, no escritório, tenta desesperadamente repetir a situação inicial, de forma a poder responder adequadamente ao comentário do seu colega de trabalho. obviamente, apesar de conseguir dizer o que tinha "engatilhado" há dias, o impacto não é o mesmo. os timings, nestas situações, são vitais.
george clooney, em "up in the air", é um homem solitário, habituado a viajar de um lado para o outro, sem residência fixa, sem amarras emocionais ou familiares. no entanto, quando começa a vacilar sentimentalmente, por vera farmiga, vai perdendo, sucessivamente, o momento exacto para "oficializar" o que sente, isto apesar de ela lhe dizer que "i am the woman that you don't have to worry about" (e mais tarde saberemos o que ela quis dizer com isto). quando eles se despedem, no aeroporto (where else?), depois de um fim de semana juntos, ela diz-lhe "call me when you're feeling lonely". enquanto ela se vai afastando, ele diz "i'm feeling lonely right now", sem que ela ouça. mas que raio, se nem o george clooney consegue "sacar" um momento destes, que esperança temos nós, a ralé feiosa e totalmente desprovida de charme? mas confesso que gostei de ver, tanto em "500 days of summer" como em "up in the air", duas personagens femininas verdadeiramente independentes a nível emocional e de fortes convicções a nível sentimental: zooey deschanel e vera farmiga.
voltando à terra, cada um de nós é responsável pelos momentos que perde, por todas as frases que não chegou a dizer, pelos "amo-te" que não confessou, os "tens mau hálito", os "já ouviste falar em desodorizante?", ou os "raios me partam se esse decote não é das coisas mais sensuais que eu já vi na vida". em suma, por tudo o que ficou a entulhar o telencéfalo ao longo dos anos. seríamos mais felizes se tivéssemos dito tudo o que nos passou pela cabeça? nunca se saberá... mas, em todo o caso, os momentos já passaram e as oportunidades goraram-se. irreversivelmente.
o filme da minha vida...
há igualmente uma crescente preocupação em relação ao género do filme. comédia ou drama? porque se há alturas em que me sinto um jim carrey, em filmes como "yes" ou "ace ventura", há outras em que visto as roupas de um jack baker, em "the fabulous baker boys", ou de um miles raymond, em "sideways". ou seja, se eu fosse escolhido como actor principal desta grande produção, hesitaria bastante quando tivesse que escolher um dos registos. ainda não cheguei a nenhuma conclusão neste domínio. a minha vida daria uma comédia ou um drama? e, havendo um produtor completamente lunático disposto a levar a minha vida ao grande ecrã, quem entraria no meu filme? que momentos da minha vida seriam realçados? e teria cenas de acção frenéticas ou, pelo menos, uma perseguição de carro? um affair? um "love interest"? um homicídio passional? um iceberg? vampiros? um vírus mortal? provavelmente, teriam que incluir tudo isto no filme, para ficar minimamente apetecível gastar cinco euros para o ver no cinema. se o filme fosse apenas baseado na minha vida seria um autêntico soporífero. seria uma espécie de "groundhog day", o filme em que bill murray é obrigado a reviver o mesmo dia... todos os dias, encontrando sempre as mesmas pessoas e passando constantemente pelas mesmas situações, mas com muito menos piada, obviamente. resultaria um "groundhog day" como se fosse realizado por manoel de oliveira, o que, ainda por cima, significaria que eu teria que arranjar um papel para o luís miguel cintra e para o ricardo trêpa (como se já não houvesse dezenas de personagens aborrecidas no "meu" filme).
como personagem principal do filme (do tal lunático e, sejamos francos, demente produtor), não cativaria nem apelaria a ninguém (provavelmente só aquela franja de espectadores que considera o filme "branca de neve", de joão césar monteiro, o melhor filme de sempre), tanto a nível psicológico, como físico. daí que, para tornar o filme um pouco mais interessante, tal como fiz há anos e na medida em que estamos a fazer cócegas à imaginação neste exercício especulativo que chega a roçar a pura imbecilidade, me permitam que vá buscar os seguintes atributos a algumas personagens masculinas:
- a eloquência e a destreza de gerard depardieu em "cyrano de bergerac"
- os dotes artísticos e o virtuosismo de geophrey rush em "shine"
- a inteligência e o discernimento de morgan freeman em "seven"
- ser sedutor como daniel day lewis em "a idade da inocência"
- a "pinta" do jeff bridges em "os fabulosos irmãos baker"
- o sex appeal de george clooney em "out of sight"
- o sentido de humor de woody allen em "annie hall"
- o charme natural de hugh grant em "notting hill"
- o cavalheirismo de clint eastwood em "as pontes de madison county"
- a paixão profissional de robin williams em "o clube dos poetas mortos"
- o carácter meticuloso de tim robbins em "shawshank redemption"
- o optimismo e altruísmo de roberto benigni em "a vida é bela"
- a integridade de paul giamatti em "sideways".
com tudo isto, nem o manoel de oliveira conseguiria estragar o filme da minha vida. a única coisa que o poderia fazer seria... o argumento.


