domingo, janeiro 16, 2011

25 de abril em alvalade

escrevi isto, em resposta a um comentário de outro sportinguista, no dia 14 de janeiro de 2011:

"pela forma como as coisas estão pelos lados de alvalade, com "costinhas", "couceiros", "bettencourts" e um treinador de "meio da tabela", que não tem sobrancelhas mas parece que usa eyeliner, creio que daqui a cinco anos vou escrever exactamente a mesma coisa. é preciso desmantelar tudo e começar a construir de raiz. preferia que os dirigentes reconhecessem que o clube não tem, para já, condições para lutar pelo título, ficar 2/3 anos em jejum, mas a lançar bases sólidas para o futuro e, daqui a uns 4 anos, ter equipa para disputar o título com benfica e fc porto. o problema é continuarem a insistir que todos os anos vão lutar pelo título, quando o plantel não "estica" e os jogadores que fazem a diferença se contam pelos dedos de uma mão, ao contrário dos rivais mais directos".

espero que a demissão de josé eduardo bettencourt seja o primeiro passo para a tal "construção de raiz" de um novo sporting. espero igualmente que, atrás de bettencourt, sigam costinha, couceiro e paulo sérgio. quanto ao novo presidente, tem que ser alguém que se faça rodear de pessoas competentes, alguém que não se deixe levar em "cantigas" de agentes como jorge mendes e faça negócios como os de torsiglieri (a contratação mais cara deste ano... para ficar no banco), maniche, tales, hildebrand, pongolle, caicedo, etc.. é necessário um critério muito mais sério e ponderado na contratação de jogadores, para posições específicas e não, como aconteceu este ano, comprar jogadores por comprar, porque o negócio até pareceu interessante; depois, temos esta disparidade no plantel, com vários "trincos", nenhuns extremos e quatro centrais dos quais só se aproveita um (e carriço, para evoluir, precisa urgentemente de um central de categoria ao seu lado - como o foram no passado andré cruz, stan valckx ou phil babb).
repito: não me importo que o sporting fique mais 3/4 anos sem ganhar nada, desde que se note que, de facto, se está a construir algo para o futuro e se estão a lançar jovens valores para jogarem no clube e não para serem vendidos à primeira oferta do estrangeiro. os processos de renovação dos contratos de hélder postiga e maniche vão em sentido contrário à "limpeza" que se tem de fazer no plantel. tal como estes dois jogadores, não interessa continuar a insistir em jogadores como grimi, polga, nuno andré coelho, djaló, saleiro e abel. depois, num segundo patamar, ver o que realmente valem jogadores como torsiglieri, matias fernandez (que já teve inúmeras oportunidades de "explodir", mas continua a ser uma fotocópia de romagnoli em termos de rendimento - ou falta dele), zapater (que nesta altura é a terceira opção para o lugar de "trinco"), tales (que nunca vi jogar. nem eu, nem nenhum sportinguista...), vukcevic (que há anos parece desmotivado) e izmailov (se fica, se vai embora, se o joelho está bom...).
enfim, muitos dossiers para estudar com atenção pelo novo presidente leonino. o 25 de abril chegou a alvalade; é bom que esta "revolução" seja abraçada por todos os sportinguistas. só assim contribuiremos para a construção do sporting que todos nós ambicionamos ver.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

infinite arms



I had a dream
I had a dream
That I was your neighbor
About to give birth
And then everything
Was really hurt
And I was so lonely
I didn't see It's like
Living in a movie
Twisting the plot
My friends and family
The little things I've got, I've got

When my thoughts drift to you

I love the morning
I like to listen
To 4am birdies
Begging to feed
Now there's something here before me
A figure, I think
Isn't there a warning
Or something to drink
My god, my god

When my thoughts drift to you

These mended bones
The storms approach
Ever so slowly
Out on the sea
There's an animal below me
Lack of control
Others came before me
Others to come, to come

When my thoughts drift to you

segunda-feira, janeiro 10, 2011

cinco anos de "nuvens da alma"


"nuvens da alma" completa hoje cinco anos de existência. ao todo, são 1700 posts, o que, a dividir por cinco anos, dá uma bonita média de 340 posts por ano. portanto, quase um post por dia (faltam 25 posts por ano, que vamos considerar, com o vosso beneplácito - que palavra tão bonita e, no entanto, tão desconsiderada -, como o período de férias anual). nestes cinco anos fica, essencialmente, uma grande mágoa: o sporting nunca foi campeão nacional. caso o tivesse sido, certamente não teria os tais 125 posts em falta. outra grande mágoa: a tvi nunca me contactou no sentido de comprar o nome deste blogue para intitular uma novela. mágoa ainda maior que estas duas: cavaco silva foi sempre o presidente da república. pelo meio, houve espaço também para algumas alegrias: festejei a saída de paulo bento do sporting, festejei a saída de carlos carvalhal do sporting e espero festejar, brevemente, a saída de paulo sérgio do sporting; ganhei uma máquina de café e nunca fui multado. um balanço muito equilibrado, portanto.
depois das entrevistas à revista "visão" e ao "diário de notícias", e da nega que levei da "dica da semana", este ano decidi premiar os leitores deste blogue com a possibilidade (eu diria mais, o privilégio) de fazerem eles mesmos a entrevista que se impõe na passagem desta efeméride, escolhendo, para tal, as melhores perguntas colocadas, entre as mais de quinze que recebi no mail facultado para o efeito. aqui fica o resultado, num trabalho que judite sousa não desdenharia:

andré saraiva (arganil):
- gosto muito do seu blogue e não há um único dia em que não passe por aqui para ler o seus textos. haverá realmente vida para além da morte?
isso não sei, tenho evitado ao máximo experimentar a resposta a essa pergunta. o que lhe posso dizer, caro andré, é que todas as épocas da vida têm as suas compensações próprias, ao passo que quando se está morto é tremendamente difícil encontrar o interruptor da luz. a meu ver, se não morrermos de gripe a, será de cancro ou num hotel em nova iorque. por isso, para quê fazer a barba?...

raquel ferreira (sines):
- o meu amigo joca envia-me vinte sms por dia e insiste em convidar-me para ver o filme "noites de china blue" em sua casa. estará apaixonado por mim?
ser-se amado é, evidentemente, diferente de se ser admirado, pois pode-se ser admirado à distância, mas para amar alguém verdadeiramente é preciso estar no mesmo quarto que a outra pessoa, agachado atrás das cortinas. aceite o filme, para constatar que a kathleen turner já foi, realmente, em tempos, uma sex symbol, portanto, o seu pai não estava a gozar consigo quando a viram na terceira série de "californication".

artur mendonça (leça da palmeira):
- nestes cinco anos de existência do blogue, nunca sentiu vontade de começar a escrever a sério?
senti, uma vez, mas afinal eram apenas gases. a vida não pode ser reduzida a esses rótulos, ao "bom" e ao "mau", ao "perfeito" e ao "imperfeito", ao "boazona" e ao "hediondo camafeu". é importante saber escrever? é. mas é mais importante ter uma choruda conta num banco suiço. sim, é certo que o dinheiro não é tudo, mas é melhor do que ter saúde. quer dizer, não se pode ir ao talho e dizer ao talhante "olhe-me só para este bronzeado fantástico e, além disso, nunca me constipo" e esperar que ele nos passe um quilo de costeletas para a mão (a não ser, claro, que o talhante seja um idiota). escrever, nesta auto-estrada que é a vida, não passa de uma placa a dizer "próxima área de serviço 41km".

paulo gonçalves (braga):
- como é que surgiu o nome "nuvens da alma"?
finalmente, uma boa pergunta. sinceramente, já não me lembro.

andreia santos (sines):
- tenho um amigo, chamado joca, que está constantemente a meter conversa comigo no messenger. para além disso, há meses que tenta convencer-me a ver com ele o filme "noites de china blue". que devo fazer?
onde é que eu já li isto... a melhor forma de ficar a saber as reais intenções desse seu amigo é simular, durante três ou quatro meses, uma infecção urinária. se for possível, junte a isso um ligeiro coxear da perna direita. se, mesmo assim, ele continuar a insistir com o raio do filme, tente ingerir, no dia estipulado para a sua visualização, o maior número de cebolas, alho e azeitonas que conseguir.

gustavo silva (viseu):
- quais são os seus projectos para o futuro em relação ao blogue?
outra boa pergunta. essencialmente, quero deixar uma marca. não tão grande como a fuga de crude no golfo do méxico, mas um bocadinho maior que o impacto que del neri teve como treinador do fc porto. não persigo a fama, até porque esta poderia mandar-me prender, já ficaria contente com uma estátua em viseu. se não fosse minha, poderia ser de outro tipo qualquer, desde que fosse uma estátua. o "nuvens da alma" é o meu terceiro filho (ou o meu segundo animal de estimação, a seguir à minha gata). alimento-o, mudo-lhe o visual, passo muito tempo com ele, ponho-o a dormir. é cansativo, eu sei, era mais fácil ter um tamagotchi.

eduardo matos (coimbra):
- se pudesse escolher uma pessoa para entrevistar no seu blogue, quem escolheria?
gostava muito de entrevistar o miguel esteves cardoso, uma das minhas grandes referências nacionais em termos de escrita. caso não fosse possível, e porque seria igualmente cómico, de certeza, optaria pelo candidato presidencial josé manuel coelho. sempre gostaria de lhe perguntar como raio é que ele conseguiu as assinaturas necessárias para concorrer à presidência. comprou-as no ebay? tirou fotocópias? visitou todas as morgues do país?

joana loureiro (santarém):
- qual é a sua orientação política e religiosa?
sou agnóstico e ateu, respectivamente. portanto, alego a impossibilidade de provar a existência ou não de bons políticos; por outro lado, faltam-me importantes provas empíricas para provar a existência de deus. e o pior é que não sei onde é que as deixei.

alice madureira (faro):
- trocava o seu blogue por um outro qualquer?
trocava por um que desse efectivamente dinheiro. eu olho para a blogosfera e penso "bolas, como sou insignificante". se me pagassem 50 euros por post continuava a dizer a mesma coisa, mas sempre metia alguma coisa ao bolso. o dinheiro é melhor que a penúria, quanto mais não seja por razões financeiras. é sempre muito mais fácil gastar 20 euros do que poupar 2, até pelo tempo que demora...

joão antunes (sines):
- um dos meus melhores amigos, chamado joca, para além de fazer questão de me ajudar a secar as costas com a toalha depois do banho, no final da aula de educação física, tem-me sugerido repetidamente que vá a casa dele ver o filme "noites de china blue". estou muito confuso. o que devo fazer?
leve batatas fritas...

domingo, janeiro 09, 2011

amigo do seu amigo

na televisão, sempre que se fala sobre alguém, nunca falha o tradicional "amigo do seu amigo". renato seabra, claro está, também era "amigo do seu amigo", para além de, obviamente, também ser calmo, sereno e muito boa pessoa. foi a irmã dele que assim o descreveu ao país. uma pessoa assim, "amigo do seu amigo", nunca poderia ser capaz de cometer um crime daqueles. é claro que há aquele "pequenino" pormenor de o dito "amigo do seu amigo" se ter tentado suicidar, cortando os pulsos, pouco tempo depois do crime... mas isso é tão pouco importante que nem o jornalista que "entrevistou" a irmã do renato se lembrou de perguntar. qual peso na consciência, qual carapuça?!
o problema, quanto a mim, foi a infelicidade dos apelidos das duas pessoas envolvidas (renato, se abra; carlos, castro?).
o que eu acho é que com tudo isto (carlos castro e alberto joão jardim, este último quase, quase...), 2011 começa, desde já, a tentar compensar-nos das grandes perdas, em termos de personalidades (leslie nielsen, antónio feio, carlos pinto coelho...), que tivemos no ano passado.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

the tourist


normalmente, este não seria o género de filmes que me levaria ao cinema, mas como foi inserido numa saída nocturna com amigos decidi aproveitar. não morro de amores por nenhum dos protagonistas do filme, para além de continuar sem entender por que raio os homens se babam todos com a angelina jolie, mas a premissa do filme até nem parecia má de todo.
a unidade de crimes financeiros da scotland yard segue todos os passos de elise ward (jolie), primeiro em paris, depois em veneza, na esperança de ela os levar até alexander pierce, um banqueiro, de quem eles não conhecem o aspecto, que roubou biliões ao seu mafioso patrão, reginald shaw (steven berkoff). o início até prometia, com alguns "gags" bem conseguidos e, posteriormente, o encontro entre jolie e depp no comboio que os levaria até veneza. elise segue as indicações de pierce e, no comboio, escolhe uma pessoa, ao acaso, como "isco" para enganar os perseguidores, convencendo-os de que essa pessoa é, na realidade, alexander pierce. a escolha recai em frank tupelo (depp), um professor de matemática americano (o suposto "turista" do nome do filme). quando chegam a veneza, têm ambos não só a scotland yard à perna, mas também reginald shaw, e a sua inepta equipa de "gorilas", que acredita que frank é, efectivamente, o homem que o roubou. a premissa começa a perder muito do seu já pouco interesse quando o realizador começa a mostrar-se muito mais interessado em fazer um postal cinematográfico de veneza do que em desenvolver as personagens ou desenhar cenas de acção com alguma... excitação. jolie e depp, sejamos francos, dão o seu melhor. depp compõe um personagem charmoso, por vezes despistado, que arranca sólidas gargalhadas à audiência quando fala espanhol como se fosse italiano (ou quando responde "bon jovi" a um "buon giorno"). jolie é a mulher com a auto-estima mais alta do universo, muito bem vestida e produzida, que consegue concentrar todos os olhares em si quando entra numa sala qualquer, mas com uma espécie de letreiro a dizer "inacessível" ao comum dos mortais. sensivelmente a meio do filme, percebemos que ela, afinal, é uma agente da unidade de crimes financeiros da scotland yard, embora suspensa, cuja missão seria envolver-se directamente com pierce para descobrir as suas fraudes financeiras e entregá-lo à polícia. o problema é que ela acaba por se apaixonar por ele, boicotando dessa forma a sua missão, forçando o inspector john acheson (paul bettany) a segui-la por todo o lado na esperança de encontrar alexander pierce, a tal personagem que ninguém parece conhecer neste filme. depois de muitas cenas ridículas, em que a inépcia dos "gorilas" de reginald shaw atingem proporções bíblicas, com praticamente todos os clichés deste género de filmes, chegamos ao "twist" final. para quem não viu o filme, não vou revelar aqui como ele acaba, como é óbvio, mas não posso deixar passar em claro que esse mesmo "twist" não faz rigorosamente sentido nenhum. parece uma coisa arranjada à pressa por parte dos argumentistas, que ignora completamente toda a história contada até esse momento. é certo que este género de "reviravolta" final não é para todos. quando bem executada, coerentemente e com lógica, ficamos com o filme na cabeça durante anos. mas isso é muito raro; o mais certo é deixar a audiência confusa e frustrada. o final de "the tourist" é quase uma afronta a quem esteve a seguir, com algum interesse, desde o início. não tem lógica nenhuma, ficamos a encolher os ombros e a comentar para o lado "mas que raio?! isto não faz sentido nenhum". é a mais pura negação do que foi o filme até então. se o objectivo era deixar os espectadores de boca aberta, faltou consistência, um argumento mais credível e melhor elaborado, que sustentasse devidamente o final do filme. desta forma, deu a impressão que foram filmados vários finais possíveis e que, provavelmente, foi este que venceu nas projecções realizadas antes do lançamento do filme. muito filmes que tentam, no final, um "twist" surpreendente, gostam de ir deixando pistas pelo caminho, mostrando ao espectador que ele devia ter reparado nelas desde o início (ver filmes como "the usual suspects" ou "the sixth sense", por exemplo), ou revelam, no final, através de flashbacks, vários aspectos que sustentam esse mesmo "twist". em "the tourist", os argumentistas nem se dão a esse trabalho, e, dessa forma, o filme acaba de uma forma ridícula, em que as peças se encaixam todas de uma forma perfeita, num registo de novela da tvi, para a audiência sair satisfeita das salas de cinema. garanto-vos que, pelo menos, uma pessoa não saiu...

quinta-feira, janeiro 06, 2011

grandes legados dos anos 90



o trio nova-iorquino codeine surgiu em 1990, com o disco "frigid stars". a banda tinha sido criada em 1989, pelo baterista chris brokaw, o guitarrista john engle e o baixista e cantor stephen immerwahr. foi frequentemente apontada como uma das bandas fundadoras da corrente musical slowcore, ao lado de bandas como os low, red house painters, idaho ou bedhead. influenciada pelos velvet underground, galaxie 500 e joy division, os codeine arrancaram excelentes críticas com o seu disco de estreia. em 1992 lançaram um ep, com seis temas, intitulado "barely real", seguindo-se, em 1994, o disco "the white birch". depois de uma longa digressão pelos estados unidos, o trio separou-se para trabalhar noutros projectos. o vocalista fundou outra banda ("raymond"), o baterista chris brokaw, que acumulava funções nos codeine e nos come, passou a centrar as suas energias nesta última banda, tendo sido substituído, em 1992 por douglas scharin, baterista dos rex, grupo a que regressou após a dissolução dos codeine.

aposta para 2011



os canadianos memoryhouse, aqui com o tema "heirloom". a banda é composta por denise nouvion e evan abeele, tendo lançado o seu primeiro trabalho em 2009, com "to the lighthouse". em 2010 o duo lançou "the years", um ep com quatro temas, e um single, "lately". as influências musicais do duo canadiano são bandas como galaxie 500, cocteau twins, slowdive, my bloody valentine e beach house.



"bonfire" faz parte do disco "to the lighthouse".



"caregiver" pertence ao ep "the years".

domingo, janeiro 02, 2011

viciado nisto


por influência do meu filho, que pediu esta prenda ao pai natal, confesso que deixo sair o rocker que há em mim quando jogo guitar hero 5. não foi fácil, de início, acompanhar o ritmo do pedro, que me dava autênticas "tareias". mas, agora, depois de algum treino, já começo a dar-lhe alguma luta. quer dizer, o rapaz já atingiu 96% no "in my place" dos coldplay, e sempre que ia comigo à fnac ficava o tempo todo, enquanto eu procurava filmes e séries, na zona dos jogos, a praticar guitar hero; o mais alto que consegui foi na música "i'm only happy when it rains", dos garbage, onde fiz uns heróicos 94%. agora, o objectivo é chegar aos 100%. veremos quem lá chega primeiro...

quinta-feira, dezembro 30, 2010

compilação musical de dezembro

1. ready to start - arcade fire
2. the face - kings of leon
3. sorrow - the national
4. castaways - shearwater
5. marz - john grant
6. third and seneca - sun kil moon
7. the lake - antony and the johnsons
8. road - grand salvo
9. the book i haven't read - lambchop
10. sea - grand salvo
11. spain - blonde redhead
12. caramel - john grant
13. an insular life - shearwater
14. brother - grand salvo
15. the end - kings of leon

quarta-feira, dezembro 29, 2010

megamind


noite de cinema hoje. as meninas preferiram o "entrelaçados" (gostei de ver a apresentação e fiquei bastante entusiasmado), os rapazes optaram por este "megamind". por estes dias, depois de ver também "toy story 3" no cinema, igualmente em 3d, é fácil chegar à conclusão de que a melhor forma de dar umas valentes gargalhadas no cinema é mesmo ir ver um filme de animação. outra conclusão que se pode tirar é que o 3d é realmente fantástico e torna a experiência cinematográfica ainda mais gratificante.
com os chamados actores cómicos a enveredarem cada vez mais pelos papéis mais sérios (jim carrey, robin williams, steve carell, etc.), é nos filmes de animação que procuramos o caminho mais fácil para o riso e a boa disposição. nesse aspecto, "megamind" não defrauda. chega a ser hilariante por vezes. em termos visuais, com o "pequenino" aspecto do 3d, é simplesmente notável. é uma hora e meia de puro deleite visual, em que a personagem principal, o inepto e maléfico (mas com bom coração) megamind, nos vai conquistando pouco a pouco, até acabar em ombros, basicamente, polvilhado com cenas de acção de cortar o fôlego e muitas gargalhadas, garantidamente. a não perder...

p.s. - é absolutamente incrível como ainda há pessoas que não sabem estar numa sala de cinema, falando como se estivessem num café, fazendo comentários impróprios, alto e bom som, a todo o instante, com uma necessidade premente de partilhar todo e qualquer pensamento que lhes passa pela cabeça com o resto das pessoas que estão a assistir (ou a tentar) ao filme. então comigo, é "tiro e queda". apanho sempre um grupo assim. sempre! hoje, eu e o meu filho fomos dos primeiros a entrar na sala. dirigimo-nos ao nosso lugar, sentamo-nos e ficamos à espera do início do filme, sem ninguém à nossa volta. a sala, bastante ampla, com cerca de cento e poucos lugares, não teria mais do que dezena e meia de espectadores. quando começaram as apresentações, entraram 3 rapazes, 19/20 anos, carregados de pipocas. comecei logo a pensar que seria azar a mais eles virem para junto de nós (ainda por cima havia centenas de lugares vazios). eles, de facto, entraram e foram-se afastando de nós, cada vez mais. e eu a suspirar de alívio. continuando a seguir o trajecto deles, reparo que começam a subir. fila g, fila h, fila i... fila j, precisamente a nossa. tinha que ser... mesmo assim, sentaram-se a umas seis cadeiras de nós, mas o barulho era mais do que evidente, já nessa altura. bem, pensei eu, tivemos azar, mas felizmente são só três pessoas, pode ser que a coisa passe. uns dez minutos depois, ainda nas apresentações e nos anúncios (uma eternidade de anúncios...), entra um grupo, da mesma faixa etária, de seis pessoas, também carregados de pipocas. voltei a pensar que seria mesmo muito azar (e repito que a sala tinha montes de lugares vazios) eles virem para perto de nós. pois bem, não só vieram para perto de nós como, ainda por cima, vieram para a nossa fila, a célebre e muito requisitada fila j, e, para cúmulo dos cúmulos, entraram, todos eles, pela nossa extremidade (eu escolho sempre um lugar nas extremidades, com acesso rápido à porta de saída), obrigando-nos a levantar, pegar nos casacos, encolher as nossas cadeiras, etc.. acham que isto já é mau o suficiente? pois enganam-se. este grupo, o mais atrasado (literalmente?), estava com os outros três, apenas chegaram mais tarde à sala. se três já faziam barulho, imaginem nove, a falar constantemente. aguentamos estoicamente a primeira parte, até porque o filme era interessante o suficiente para "eliminarmos" aquele ruído de fundo (ou de lado, neste caso), mas, após o intervalo, decidimos "avançar" umas filas, até à fila e. a deserta fila e. mesmo à distância, ainda se ouviam uns "grunhidos" aqui e acolá. ah, e fizeram questão de regressar do intervalo quando o filme já tinha recomeçado há dez minutos. pergunto: para quê gastar dinheiro nos bilhetes, nos óculos 3d, nas pipocas, etc., quando nem sequer vêem o filme, nem o deixam ver sossegadamente? enfim, ainda há pessoas assim. eu pensei que tinham ficado nos anos 80...

sexta-feira, dezembro 24, 2010

2010 - mais um ano para arrumar


24 de dezembro. o que é que isso significa? pois, falta apenas uma semana para acabar o ano. quer-me parecer que, a partir dos trinta, os anos passam duas vezes mais rápido. lembro-me bem, quando tinha 11 ou 12 anos, de querer que o ano passasse a correr, para voltar a fazer anos novamente. era a pressa de crescer (aliada a uma indesmentível vontade de receber presentes), de ser maior, de chegar depressa à próxima etapa do crescimento. 2010 passou a correr, assim ao género de um usain bolt, quando, nesta fase, pretendíamos que o jamaicano fosse substituído por um fernando mendes. quando dermos por nós, já teremos 63 anos e nem nos apercebemos como é que chegamos lá.
2010 será como aqueles filmes que vemos e arrumamos em seguida no armário, ao lado dos outros trezentos. daqui por uns tempos, já nem nos lembramos dele, será apenas mais um ano na nossa vida, do qual pouca coisa nos recordaremos. eu não me lembro de nada de especial em relação a 1996, por exemplo, ou 2003. os anos passam e o que se vai ganhando em tempo de vida, perde-se com a incapacidade de guardar na memória tudo aquilo por que passamos no passado. o cérebro, lentamente, vai deitando recordações para o lixo, de forma a aliviar o "disco rígido". não sei o que ficará deste 2010 quando, daqui a uns 20 anos, me sentar à frente de um monitor (se ainda existirem) para escrever um texto sobre o passado. será, certamente, ainda mais difícil (alzheimer e tal) do que tentar, agora, dissertar sobre 1990. é que, sinceramente, de 1990 só me lembro que o campeonato mundial de futebol foi disputado em itália e que a alemanha se sagrou campeã mundial, numa das finais mais chatas de sempre, frente à argentina de maradona, decidida com um golo de penalty, apontado por andreas brehme. de resto... muito pouco. se este blogue ainda existir daqui a 20 anos, então terei uma missão muito mais facilitada. posso sempre vir aqui "visitar" 2010, tal como os anos anteriores (a partir de 2006).
o que ficou de 2010? boa música (john grant, blonde redhead, shearwater, sun kil moon, etc), meia dúzia de bons filmes (500 days of summer, greenberg, toy story 3, inception, etc), desilusões atrás de desilusões a nível futebolístico (quem me mandou ser sportinguista?! já para não falar da selecção nacional no mundial...), o aparecimento de algumas pessoas na minha vida, a consolidação de outras, as amizades fortes que se mantiveram (mesmo à distância), a união familiar e a certeza, comprovada pelos "patrões", de que sou reconhecido a desempenhar a minha principal função: ser pai. quando entrar em 2011, vou pedir, apenas, para continuar a ser feliz. e, já agora, se pudessem eliminar do meu sistema o meu "sportinguismo", tanto melhor... era meio caminho andado para a felicidade total...

24 de dezembro. ah, pois é, tinha-me esquecido. pelos vistos, é natal! por isso, e já que toda a gente o faz, aqui vão os meus votos de boas festas e feliz natal a todos os meus leitores (sim, vocês os três!), em perfeita harmonia familiar e sempre com saúde (da boa, claro!).

quinta-feira, dezembro 23, 2010

sea - grand salvo



música inebriante, deliciosamente depressiva, que nos envolve a alma em ambiente confortável e aconchegante. alguém disse desta música, "um dia no céu deveria ter essa música como banda sonora". concordo em absoluto. pertence ao disco "soil creatures", de grand salvo, projecto do "cantautor" australiano paddy mann. um disco a descobrir nestes dias frios.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

os "vintes" e os "trintas"

os "trintas" são tramados, não tenham dúvidas. é aquela altura da vida em que se definem as nossas prioridades, em que se faz aquela transição, nem sempre fácil, entre uma vida de solteiro e uma vida de casado. enquanto solteiros, o mais normal é manter durante vários anos as amizades que se foram cimentando durante a vida de estudante, nos liceus, nas universidades, etc.. mesmo quando surge uma namorada na nossa vida, é de certa forma fácil conciliar os dois mundos e, apesar das exigências de ambos os lados, o pensamento que impera nesta fase é o de que a vida deveria ser sempre assim, com os amigos e a namorada sempre "à mão", dependendo do nosso estado de espírito. os "vintes" são, dessa forma, fantásticos, porque há um pouco de tudo na nossa vida: ainda há vida de estudante, com as consequentes loucuras sazonais, há a emoção do primeiro emprego, as borbulhas começam finalmente a desaparecer, decidimos que "look" é que vamos adoptar ao entrar na chamada "vida adulta" (pêra, barba de três dias, bigode à freddie mercury, cabelinho "à fosga-se", risco ao meio), conduzimos o nosso primeiro carro, temos o nosso primeiro acidente de viação, ainda temos energia para parques de campismo, discotecas e batalhas de shot's, ainda há bebidas alcoólicas para experimentar e, sobretudo, já não temos, finalmente, hora para chegar a casa, porque experimentamos pela primeira vez as maravilhas de viver sozinho. basicamente, the world is your oyster, ou seja, estamos a retirar tudo o que queremos da vida, da forma como queremos e quando queremos. nos "vintes", depois de muitos anos a obedecer às regras parentais, nós fazemos as nossas próprias regras. se quisermos ficar a dormir até ao meio dia num sábado, tomar o pequeno-almoço à uma da tarde, dormir mais um bocado, porque a noite foi "puxada", e almoçar apenas às seis, podemos fazê-lo sem recriminações. à noite, estamos novamente fresquinhos para repetir a dose. pois, os "vintes" não têm comparação com mais nenhuma época da nossa vida. os amigos são realmente amigos, aturam-nos tudo, embarcam em todas as nossas loucuras, não desperdiçam vinho nem palavras e são, acima de tudo, mais honestos e francos, sobretudo quando estão embriagados. é nesta altura das nossas vidas que descobrimos que os nossos amigos só dizem determinadas coisas quando estão "tocados", abandonando todas as camadas de timidez e preconceito para dizerem bacoradas como "tu és um tipo muito porreiro", ou "sempre achei que ficavas muito sexy com essas calças", ou ainda "fui eu que atropelei acidentalmente o teu gato". depois, vomitar nos "vintes" é de homem, ou um sinal de que nos estamos a tornar uns homenzinhos; vomitar nos "trintas" é deprimente, para quem vomita e para quem vê. uma noitada nos "trintas" é diferente. já existem horas para chegar a casa, temos sempre que conduzir até casa, o fígado já começa a dar de si e a "controlar" o que bebemos, até os amigos e as conversas são diferentes. nos "trintas" já não queremos dominar o mundo, marcar uma posição, falar mais alto do que os outros para impressionar a sala inteira; só queremos é ser bem atendidos e passar o mais despercebidos possível, sobretudo quando estamos num ambiente... cheio de "vintes". certamente que, quando andava pelos "vintes", pouca importância dava aos "trintas", porque na maior parte das vezes, nas saídas nocturnas, estavam sempre aquela mesa mais silenciosa, só se fazendo notar quando olhavam incredulamente para nós, os "vintes", na maior algazarra e animação. agora, os papéis inverteram-se. os "trintas" já nem querem sair à noite por se sentirem deslocados ou, lá está, por terem assumido outras prioridades na vida. esta transição não é visível a olho nu e muito menos palpável, mas acontece e marca decisivamente o adeus aos "vintes". nos "trintas", o mundo já não é a nossa ostra, no máximo é uma ameijoa, e o grande objectivo passa a ser, essencialmente, a gestão desse grande empreendimento chamado família. a tendência é, quer se queira, quer não, termos outros amigos, com as mesmas prioridades e estilo de vida, pessoas que nos compreendam e respeitem a nossa "missão". agora, em vez de estarmos às 4 da manhã a beber mais um shot, estamos na cozinha a preparar um biberon de leite. os "trintas" demoram um pouco a resignar-se, mas quando se conformam é para o resto da vida. regressar aos "vintes", só num de lorean, como no "regresso ao futuro"...

terça-feira, dezembro 21, 2010

a melhor música de 2010



My love is the rarest jewel
And he grounds me with his love
My love he is rich like caramel
And he moves me from above

He sees me with tiger eyes
And that’s where I make my home
His heart is a shield which protects me from the violent cold
His smiles an elixer which heals the wounds of my darkest years
My love is quiet I consider him and he drives away my fears

My love he reels himself with tenderness and grace
My love has constructed with his arms for me the safest place
His laughter destroys my doubts and he lifts me up so high
His voice it is soothing like a warm breeze on a summer night

When he envelops me I give myself to him and my soul takes flight

("caramel", de john grant, do disco "queen of denmark")

que dizer mais desta música? continua, a cada audição, a arrepiar-me, atingindo a sua expressão máxima a partir dos 2:10, altura em que os sintetizadores tomam conta da música, levando-a até à estratosfera musical, envolvendo a voz de john grant e o som do piano de uma forma perfeita. creio que esta será uma daquelas músicas que ouvirei com satisfação daqui a uns 5, 10, 20 ou 30 anos, nunca saturando. john grant já tinha sido o responsável por dezenas de músicas inesquecíveis quando liderava a banda "the czars". agora, com este seu primeiro disco a solo, voltou a evidenciar todo o seu talento e as suas virtudes vocais. temas como "marz", "where dreams go to die", "outer space", "queen of denmark", "tc and honeybear", "sigourney weaver", "it's easier" e "leopard and lamb" vão direitinhos para a galeria das minhas músicas preferidas. mas, acima de todos esses temas, este "caramel".

domingo, dezembro 19, 2010

padrões e valores morais

serei alguma vez capaz de atingir os meus próprios padrões em termos de personalidade? é complicado estabelecer comparações e juízos de valor sobre uma pessoa quando verificamos que padecemos dos mesmos defeitos. a rita (nome fictício de marta) é intriguista, básica, fútil, hipócrita, tem mau hálito e um hábito terrível de citar fernando pessoa sempre que lhe perguntam o que quer de sobremesa. tudo bem, a rita pode ser isto tudo, mas é fabulosamente agradável em termos visuais. o rafael (igualmente nome fictício de marta, curiosamente) deve sentir-se mal por ser amigo dela? por preferir as virtudes físicas às virtudes morais? por deixar arrastar uma "amizade" que nada de psicologicamente estimulante lhe oferece? se analisarmos estas últimas três pertinentes questões pelo lado masculino, chegamos à conclusão de que o rafael quer, efectivamente, apenas "saltar para a cueca" da rita. ou então nem tanto, tendo em conta o tal problema do mau hálito da rapariga, quer apenas ser visto com ela, ser invejado pelo resto da sua espécie. o rafael criou durante largos anos, baseando-se em revistas, programas nocturnos com bolinha vermelha no canto superior direito e na sua professora de inglês do 8º ano, um consistente ideal de beleza. na sua transição da adolescência para a vida adulta, conheceu centenas de mulheres, umas mais inteligentes, outras mais atraentes, sempre com os mesmos padrões físicos embutidos no cérebro. depois de uma interminável travessia pelo deserto (em sentido figurado, claro, porque ele não conseguiu os mínimos para participar no rally lisboa dakar), rafael conheceu rita. dois segundos depois, a sua libido deu cambalhotas de contentamento. dois minutos depois, a libido foi-se deitar novamente, por manifesto cansaço. meia hora depois, a libido acordou porque alguém estava a bater à porta, mas era engano. ou seja, o estímulo visual criado pela rita foi-se desvanecendo com o tempo e o pobre do rafael começou a ficar dividido. ouvir horas e horas de conversas fúteis e insípidas só porque ela é efectivamente uma "brasa" ou continuar a procurar alguém que reúna as vertentes psicológica e física num só corpo? pepsi ou coca-cola? fifa 2008 ou pro evolution soccer 2008? conan 0'brien ou jon stewart? miguel sousa tavares ou vasco pulido valente? pois, o rafael não sabe o que fazer. chega a sentir-se mal ao lado da rita porque sente que está a atraiçoar os seus próprios valores e padrões. sente que não é aquilo que ele representa. sente que poderia perfeitamente estar a ter conversas muito mais interessantes e estimulantes com outras pessoas, que poderia estar a cultivar-se e a aprender. a rita, por sua vez, gosta muito de estar com o rafael, acha que ele é boa pessoa, com um sentido de humor um bocado esquisito (que ela muitas vezes não entende mas sorri na mesma para mostrar que percebeu a piada) e umas referências musicais e cinematográficas estranhas (cinema europeu? isso existe?). no entanto, ao mesmo tempo também acha que o rafael é intriguista, básico, fútil, hipócrita, tem mau hálito e um hábito terrível de assobiar o refrão da música "the final countdown", dos europe, antes de tomar café.

"desculpe, já não temos vagas"

sim, esta treta de fazer posts só com vídeos do you tube tinha que acabar. senti que vos devia algumas palavras, como "frigorífico", "estendal" e "capacete". a minha vida continua a ser a mesma sucessão de quintas-feiras, sem que nada de particularmente interessante ou especial me aconteça. continuo a cumprimentar as pessoas e a ficar com a sensação de que elas não respondem aos meus "bons dias" e "boas tardes" (já nem digo "boas noites" porque já não saio à noite desde que foi proclamada a república), continuo com a impressão de que sou sempre mal atendido nos cafés e restaurantes onde entro pela primeira vez (por isso tento sempre frequentar os mesmos sítios em viseu - pastelaria lobo e restaurante hilário), continuo a chegar e a sair sempre a horas ao trabalho, embora por vezes o patronato merecesse que eu entrasse às 15h e saísse às 15h30, e continuo à espera que algo de bom me aconteça, todos os dias. acho que toda a gente parte para um novo dia com esse pensamento na cabeça. "e se hoje surgisse uma proposta de emprego aliciante?", "será que me vão pagar hoje?", "conseguirei arranjar estacionamento hoje no centro histórico à hora de almoço?". no fim do dia, antes de preparar mentalmente o dia seguinte (o que não é muito difícil), faz-se o balanço e, se não tiver acontecido nada de relevante, arrumamos as memórias das últimas 24 horas no fundo do cérebro, ao lado do cubo mágico, da bota botilde e do spectrum zx, e ansiamos rapidamente pelo próximo dia. é claro que o meu objectivo nunca foi conhecer uma pessoa nova por dia, embora reconheça que é um excelente objectivo, sobretudo para quem trabalha atrás de um balcão numa repartição pública, mas se calhar, e colocando o dedo na ferida, fazia-me bem conhecer pessoas novas, sobretudo daquele tipo de pessoas que não me irrita automaticamente quando se mexe ou abre a boca. acreditem, já conheci muitas dessas. não me interpretem mal, o problema não são as pessoas que conheço, as que já fazem parte do meu pequeno círculo de amizades, essas são interessantes o suficiente. infelizmente, é muito reduzido o tempo que passo com elas, criando-se um fosso temporal enorme que condiciona e faz estremecer a mais sólida das amizades. quando reencontramos um amigo deste género, ao fim de algum tempo, perde-se sempre uma hora a actualizar as informações, o ambiente é quase sempre de constrangimento, porque nunca sabemos se alguma coisa mudou, se o nosso comportamento é o ideal, se devemos ou não fazer uma graçola fácil quando esse amigo nos está a contar algo desagradável que lhe aconteceu, etc.. gasta-se algum tempo a encontrar o ponto em que tinha ficado o nosso encontro anterior. e geralmente quando isso acontece, a outra pessoa tem que ir embora. segue-se uma inevitável frustração, seguida da previsível resignação. não há mesmo nada a fazer. só aceitar as evidências.
em termos de novos conhecimentos, todavia, também não peço muito, não quero conhecer um astronauta, um prémio nobel ou um cientista, contentar-me-ia com alguém que soubesse, pelo menos, qual é a capital da turquia e da austrália, quem é o vocalista dos radiohead, o realizador de "when harry met sally" e a formação inicial do sporting na final da taça de portugal na época 1994/1995. pronto, nesta última estava a brincar. vou alterá-la para o nome dos 24 jogadores da selecção de el salvador no mundial 82, realizado na espanha.
o meu problema é que as pessoas interessantes parecem já estar ocupadas... com as outras pessoas interessantes. mesmo que tentasse, eu nunca conseguiria entrar. lembro-me sempre da famosa citação de groucho marx, que dizia que não gostaria de pertencer a um clube que o aceitasse como membro...

as terríveis listas de compras

há uma qualquer força cósmica que faz com que eu, sempre que vou sozinho às compras lá para casa, cometa sempre algum erro de palmatória. até em coisas simples, como ir buscar uns raminhos de salsa ao mini-mercado, em que eu, em vez de tirar os ramos por inteiro de um molho atado, parti-os ao meio e trouxe só a parte de cima dos ramos da salsa. quando a minha mulher me pede para ir comprar alguma coisa, porque lhe é de todo impossível ir (só mesmo assim), todo eu tremo de medo, porque já sei que algo vai correr mal. ou trago pacotes de leite mais caros do que o habitual (nem que a diferença seja de cinco cêntimos ela repara sempre), ou em vez de escolher fiambre da pá trago da perna (raios me partam se algum dia vou conseguir distinguir estas variedades), ou escolho dois frangos crus que estão mal depenados (mas alguém se preocupa com isto quando está a escolher dois frangos crus? se estão dentro de um saco é porque estão bons para vender...). o pior mesmo é quando tenho como "missão" comprar fruta. é completamente impossível eu acertar em alguma coisa neste departamento. se compro bananas, estão muito verdes. se escolho tangerinas ou laranjas, não prestam porque são muito ácidas e sempre que alguém mete um gomo à boca faz mais caretas que o jim carrey. maçãs, peras, kiwis, ameixas, diospiros, tudo sempre verde ou, por incrível que pareça, maduro demais.
as mulheres, quando vão às compras, têm um comportamento diferente. enquanto nós procuramos demorar o menor tempo possível, geralmente agarramos no primeiro produto que encontramos, as mulheres, não querendo generalizar, sabem que mesmo uma lista de meia dúzia de items exige pelo menos uma hora, porque têm que analisar e comparar tudo: ingredientes, preço, a relação quantidade/qualidade, as calorias, o dia em que o produto foi embalado, quando acaba a validade do mesmo, onde foi produzido, qual era o nome de cada uma das vacas que deram o leite, apalpam a fruta toda para ver se está madura ou verde (ficam meia hora a apalpar fruta. eu vi e posso comprovar tudo isto), provam as uvas, provam as azeitonas, só não provam o camarão porque os senhores não deixam, dão-se ao cuidado de ver, quando escolhem frango cru, se ele está bem depenado ou não, perguntam sempre na charcutaria qual é o fiambre mais fresco e sabem exactamente a diferença entre o da pá e o da perna. mas o pior mesmo é a secção da roupa, que é sempre percorrida de uma forma minuciosa, ao detalhe, até ao último cinto ou par de meias nos expositores. então a facilidade com que elas se descalçam e experimentam umas sandálias ou sapatos é assustadora. nem quero pensar na quantidade de pessoas que já tinha metido ali os pés naqueles mesmos sapatos. é assustador. aliás, quando vou com a minha mulher, o que felizmente hoje em dia é muito raro (já vão perceber porquê no próximo parágrafo), àquela secção, sinto que sou a única pessoa calçada no meio de uma dúzia de mulheres descalças dispostas a experimentar tudo o que houver para experimentar em matéria de calçado. sinto sempre que não há espelhos suficientes para aquela gente toda. elas até fazem fila para se verem ao espelho. o mais engraçado, e é nisto que a minha mulher é especial neste aspecto, é que ela experimenta, gosta, pede-me opinião, eu aprovo (faço tudo para sair dali o mais rapidamente possível), ela descalça-se, volta a calçar os sapatos que trazia, arruma o calçado que experimentou, gostou e que tinha recebido a minha aprovação e quando eu lhe pergunto por que não os leva (depois de termos perdido largos minutos com aquilo tudo), ela responde, simplesmente, "não, deixa estar", ou então "não levo porque daqui a uns meses começam os saldos e compro-os por metade do preço". pronto, lá reviro eu os olhos mais uma vez, sempre com a sensação de que nunca mais na vida vou conseguir recuperar aqueles 45 minutos.
antigamente, ir às compras com a minha mulher era uma aventura, perdia a conta aos suspiros e à quantidade de revirar de olhos. hoje, sempre que vamos os quatro às compras, felizmente, e realço o felizmente, fico com a minha filha na secção dos livros ou com o meu filho na secção dos brinquedos e deixo-a ir à vontade apalpar fruta durante meia hora. é muito mais reconfortante. primeiro porque tenho total confiança na capacidade de apreciação e no juízo de valor da minha mulher na escolha dos produtos, por todas as razões acima discriminadas; e depois porque, assim, já não vou cometer nenhum erro nas compras. por falar nisso, este texto surgiu porque a minha mulher me telefonou, pedindo-me para passar pelo continente e comprar dois frangos crus. pelo sim, pelo não, vou levar a minha lupa, para ver se os galináceos estão efectivamente bem depenados. não quero arriscar desta vez.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

wikileaks story

para quando um reality show dedicado à política internacional com o wikileaks como pano de fundo? qual seria o segredo de putin? o que esconderia obama? seria sarkozy desmascarado?

terça-feira, dezembro 14, 2010

globos de ouro 2011 - os nomeados

"the king's speech" é o filme com maior número de nomeações para a 68ª edição dos globos de ouro, que serão entregues a 16 de janeiro de 2011, em cerimónia apresentada por ricky gervais. o filme de tom hooper arrecadou 7 nomeações, incluindo as de melhor filme, realizador, actor principal (colin firth), actor secundário (geoffrey rush), actriz secundária (helena bonham carter) e argumento. seguem-se, com 6 nomeações, os filmes "the social network" e "the fighter". com quatro nomeações surgem "black swan", "inception" e "the kids are all right". refira-se ainda que johnny depp tem duas nomeações para o globo de ouro de melhor actor em comédia/musical, com os filmes "alice in wonderland" e "the tourist"; e que o filme "toy story 3" foi praticamente ignorado, recebendo apenas uma nomeação, a de melhor filme de animação.

FILMES

Best Picture — Drama
Black Swan
The Fighter
Inception
The King’s Speech
The Social Network

Best Picture — Musical or Comedy
Alice in Wonderland
Burlesque
The Kids Are All Right
Red
The Tourist

Best Actor — Drama
Jesse Eisenberg, The Social Network
Colin Firth, The King’s Speech
James Franco, 127 Hours
Ryan Gosling, Blue Valentine
Mark Wahlberg, The Fighter

Best Actress — Drama
Halle Berry, Frankie and Alice
Nicole Kidman, Rabbit Hole
Jennifer Lawrence, Winter’s Bone
Natalie Portman, Black Swan
Michelle Williams, Blue Valentine

Best Actor — Musical or Comedy
Johnny Depp, Alice in Wonderland
Johnny Depp, The Tourist
Paul Giamatti, Barney’s Version
Jake Gyllenhaal, Love and Other Drugs
Kevin Spacey, Casino Jack

Best Actress — Musical or Comedy
Annette Bening, The Kids Are All Right
Anne Hathaway, Love and Other Drugs
Angelina Jolie, The Tourist
Julianne Moore, The Kids Are All Right
Emma Stone, Easy A

Best Supporting Actor
Christian Bale, The Fighter
Michael Douglas, Wall Street: Money Never Sleeps
Andrew Garfield, The Social Network
Jeremy Renner, The Town
Geoffrey Rush, The King’s Speech

Best Supporting Actress
Amy Adams, The Fighter
Helena Bonham Carter, The King’s Speech
Mila Kunis, Black Swan
Melissa Leo, The Fighter
Jacki Weaver, Animal Kingdom

Best Director
Darren Aronofsky, Black Swan
David Fincher, The Social Network
Tom Hooper, The King’s Speech
Christopher Nolan, Inception
David O. Russell, The Fighter

Best Screenplay
127 Hours, Simon Beaufoy and Danny Boyle
Inception, Christopher Nolan
The Kids Are All Right, Lisa Cholodenko and Stuart Blumberg
The King’s Speech, David Seidler
The Social Network, Aaron Sorkin

Best Original Song
“Bound to You,” Burlesque (performed by Christina Aguilera; written by Samuel Dixon, Christina Aguilera and Sia Furler)
“Coming Home,” Country Strong (performed by Gwyneth Paltrow; written by Bob PiPiero, Tom Douglas, Hillary Lindsey, Troy Verges)
“I See the Light,” Tangled (performed by Mandy Moore & Zachary Levi; written by Alan Menken & Glenn Slater)
“There’s a Place For Us,” The Chronicles of Narnia: The Voyage of the Dawn Treader (performed by Carrie Underwood; written by Carrie Underwood, David Hodges, Hillary Lindsey)
“You Haven’t Seen the Last of Me Yet,” Burlesque (performed by Cher; written by Diane Warren)

Best Original Score
Inception, Hans Zimmer
The King’s Speech, Alexandre Desplat
The Social Network, Trent Reznor and Atticus Ross
Alice in Wonderland,
Danny Elfman
127 Hours, A.R. Rahman

Best Foreign Language Film
Biutiful
The Concert
The Edge
I Am Love
In a Better World

Best Animated Feature
Despicable Me
How to Train Your Dragon
The Illusionist
Tangled
Toy Story 3

TELEVISÃO

Best TV Series — Drama
Boardwalk Empire
Dexter
The Good Wife
Mad Men
The Walking Dead

Best TV Series — Musical or Comedy
30 Rock
The Big Bang Theory
The Big C
Glee
Modern Family
Nurse Jackie

Best Miniseries or Made-for-TV Movie
Carlos
The Pacific
The Pillars of the Earth
Temple Grandin
You Don’t Know Jack

Best Actor — Drama
Steve Buscemi, Boardwalk Empire
Bryan Cranston, Breaking Bad
Michael C. Hall, Dexter
Jon Hamm, Mad Men
Hugh Laurie, House M.D.

Best Actress — Drama
Elizabeth Moss, Mad Men
Julianna Margulies, The Good Wife
Piper Perabo, Covert Affairs
Katey Sagal, Sons of Anarchy
Kyra Sedgwick, The Closer

Best Actor — Musical or Comedy
Alec Baldwin, 30 Rock
Steve Carell, The Office
Thomas Jane, Hung
Matthew Morrison, Glee
Jim Parsons, The Big Bang Thoery

Best Actress — Musical or Comedy
Toni Collette, United States of Tara
Edie Falco, Nurse Jackie
Tina Fey, 30 Rock
Laura Linney, The Big C
Lea Michele, Glee

Best Actor — Miniseries or Made-for-TV Movie
Idris Elba, Luther
Ian McShane, Pillars of the Earth
Al Pacino, You Don’t Know Jack
Dennis Quaid, The Special Relationship
Edgar Ramirez, Carlos

Best Actress — Miniseries or Made-for-TV Movie
Hayley Atwell, Pillars of the Earth
Claire Danes, Temple Grandin
Judi Dench, Return to Cranford
Romola Garai, Emma
Jennifer Love Hewitt, The Client List

Best Supporting Actor in TV Series, Mini-Series, or Made-for-TV Movie
Scott Caan, Hawaii Five-0
Chris Colfer, Glee
Chris Noth, The Good Wife
David Strathairn, Temple Grandin
Eric Stonestreet, Modern Family

Best Supporting Actress in TV Series, Mini-Series, or Made-for-TV Movie
Hope Davis, The Special Relationship
Jane Lynch, Glee
Kelly Macdonald, Boardwalk Empire
Julia Stiles, Dexter
Sofia Vergara, Modern Family

terça-feira, dezembro 07, 2010

os melhores discos de 2010


2010 foi um ano sensacional em termos discográficos. se nos outros anos houve alguma dificuldade em conseguir reunir dez discos para elaborar uma lista que fizesse realmente justiça aos meus gostos pessoais em termos musicais, este ano foi muito fácil fazê-lo. depois de alguma ponderação, em termos posicionais, porque não houve problemas em encontrar dez discos para figurarem nesta lista, eis a minha escolha dos melhores discos de 2010:

1. the queen of denmark - john grant
2. the golden archipelago - shearwater
3. penny sparkle - blonde redhead
4. high violet - the national
5. the courage of others - midlake
6. admiral fell promises - sun kil moon
7. swanlights - antony and the johnsons
8. the suburbs - arcade fire
9. infinite arms - band of horses
10. interpol - interpol

sábado, dezembro 04, 2010

a música na sua expressão máxima



The crickets cry tonight
Here comes your girl
The showers fall tonight
It's a rainy world

The shivers on the spine
Could be what we had in mind
Remember all the times we said
We could be we should be in love

On a windy porch tonight
Here comes your girl
Beneath the dull porch light
Your thoughts will curl
Past the women and the men
To where the story ends
The voice from up above says
We could be we should be in love

My disgusting habits end
It's a crazy world
Neither real nor pretend
And there's your girl

My eyes fall from my head
With all the pages read
And i'm so glad you said
We could be we should be in love

("the book i haven´t read - lambchop)

segunda-feira, novembro 29, 2010

leslie nielsen (1926-2010)


leslie nielsen faleceu ontem, aos 84 anos. o seu desaparecimento não apagará da minha memória as centenas de gargalhadas que me proporcionou com a trilogia "naked gun", a série "police squad" e vários filmes non-sense, como "airplane", "dracula: dead and loving it" e "spy hard", entre outros.

domingo, novembro 28, 2010

sporting - fc porto

não sei o que ainda me move quando vejo jogos do sporting. depois de, há quinze dias, ter praticamente jurado que não via mais nenhum jogo do clube, de tão frustrado que fiquei a seguir à derrota em alvalade frente ao vitória de guimarães, hoje, qual peregrino, lá fui cheio de ilusões ver a recepção do sporting ao fc porto. começo por dizer que fiquei de alguma forma espantado com a exibição da equipa de paulo sérgio na primeira parte. inicialmente, desconfiei um pouco daquele meio-campo, com andré santos, maniche e pedro mendes, e da sua articulação perante o muito mais rotinado meio-campo portista, com fernando, joão moutinho e belluschi. para minha surpresa, resultou, porque o fc porto não conseguiu, na primeira parte, fazer as habituais transições atacantes, nem pelo meio, nem pelas alas, onde hulk e varela esbarravam na defensiva leonina. no entanto, o lance de falcao, isolado frente a rui patrício, aos 10 minutos, poderia ter alterado, e de que forma, o sentido do jogo na primeira parte. o sporting apareceu a fazer pressão alta, com todas as suas unidades muito concentradas e disponíveis para defender. evaldo e joão pereira estiveram bem a travar hulk e varela. carriço e polga controlaram falcao (excepto no referido lance aos 10m). o meio-campo "carburava" bem, com pedro mendes a ocupar os espaços com mestria e inteligência, bem secundado pelo aguerrido andré santos (um elemento cada vez mais imprescindível no meio campo leonino) e por um maniche empenhado (pelo menos na primeira parte; na segunda fez apenas "caça às pernas" - moutinho que o diga!). valdés, cada vez mais a "estrela da companhia", apoiou sempre os homens mais avançados: postiga (muito rematador) e liedson (ainda e sempre, para mim, o melhor jogador do clube). o momento alto dos primeiros 45m, para além do golo, um pouco fortuito, diga-se, foi o estrondoso remate à barra de pedro mendes. seria um golo fantástico, de um jogador a que este adjectivo encaixa na perfeição. não foi golo nessa situação, foi-o numa outra, muito caricata. rui patrício coloca a bola em jogo, num remate forte, e esta, depois de sobrevoar rolando e de fugir a maicon, acaba nos pés de valdés, que, isolado frente a helton, não desperdiçou. até ao intervalo, postiga ainda poderia ter marcado, de cabeça, naquele que seria um castigo demasiado severo para o fc porto.
a segunda parte... foi totalmente diferente. o fc porto foi muito mais incisivo e começou os segundos 45 minutos a "empurrar" o sporting para trás, notando-se desde logo a muito maior disponibilidade física dos portistas, em virtude do enorme esforço leonino, na referida pressão alta, durante a primeira parte. o meio-campo do sporting começou, então, a vacilar. maniche passou a ser claramente uma unidade a menos, pouco preocupado em jogar futebol e mais interessado em procurar quezílias com os jogadores adversários. custa a crer que, depois da famigerada expulsão contra o vitória de guimarães, que muitos consideraram ter sido fulcral para a perda dos três pontos (o sporting vencia por 2-0 quando maniche foi expulso e acabou o jogo com uma derrota por 2-3), um dos jogadores mais experientes e mais internacional do clube incorra neste tipo de comportamente, jogo após jogo, sem que se questione sequer a sua titularidade. hoje só por muita sorte não voltou a ser expulso, depois de uma entrada sobre moutinho. no banco, paulo sérgio, impávido, assistia ao maior domínio do fc porto, cada vez mais perto do empate, sem conseguir vislumbrar o que toda a gente estava a ver: a "falência" do meio-campo do sporting e o consequente recuo da defesa. mesmo assim, não mexeu na equipa (paulo sérgio sempre revelou uma incapacidade gritante para "ler" o jogo, portanto, fez o mesmo que costuma fazer, ou seja, nada). ficou, portanto, a assistir ao mais do que natural golo do fc porto, por falcao. se repararem bem no lance do golo, evaldo, em vez de marcar hulk, vai, juntamente com andré santos, se não estou em erro, fazer pressão a moutinho, deixando o brasileiro sozinho nas costas. moutinho faz um passe fácil para hulk, que entra na área sozinho, forçando carriço a sair da sua posição para corrigir evaldo. quando hulk centra, apenas polga e joão pereira estão no seu lugar. mesmo assim, deixaram falcao sozinho. para mim, e parece incrível que se esteja sempre a bater na mesma tecla, sem que a direcção faça algo para mudar este estado de coisas, polga já não tem lugar na equipa há duas épocas. por muito que insistam, polga compromete sempre, treme mais do que qualquer outro jogador, mesmo os mais inexperientes, como andré santos. este ano contratou-se torsiglieri e veio nuno andré coelho. no entanto, joga polga ao lado de carriço. confesso que não entendo...
para piorar ainda mais a situação, poucos minutos depois do golo de falcao, valdés lesionou-se, deixando liedson e postiga sem "abono de família". não havendo, no "banco", nem izmailov, nem matias fernandez, nem diogo salomão, nem tales de souza (alguém sabe quem ele é?), entrou djaló. aos 68 minutos, o sporting recebeu uma "benesse dos deuses", com a expulsão de maicon, num lance onde ficou, mais uma vez, bem evidente a raça e a entrega de liedson, que nunca desiste de um lance. a 22 minutos do fim, aqui estava uma boa oportunidade para paulo sérgio "ler" correctamente o jogo, até porque villas-boas se viu obrigado a tirar falcao para equilibrar o sector defensivo com otamendi. como já tinha tirado, antes, varela, para meter guarin, o fc porto tinha apenas hulk na frente nos últimos 22 minutos do jogo. mesmo assim, obrigado a vencer o jogo, para encurtar para dez (10!!) os pontos que o separam do líder, paulo sérgio manteve o quarteto defensivo e os dois médios mais defensivos (andré santos e pedro mendes). ou seja, seis jogadores (sete, com o guarda-redes) defensivos em campo, a jogar com mais uma unidade. optou por tirar maniche e introduzir vukcevic, que deve ter metido na cabeça antes de entrar que não iria passar a bola a ninguém, tal o excesso de individualismo que exibiu.
o sporting bem tentou "furar" a estratégia de recurso montada por villas-boas, mas faltava uma unidade desequilibradora (diogo salomão?), capaz de romper pelas alas. o que se viu nos últimos minutos foi uma concentração de jogadores verdes e brancos no miolo do terreno, situação que ficou ainda mais insustentável com a entrada de saleiro. juro que quando vi entrar saleiro me apeteceu levantar e não ver o resto do jogo. paulo sérgio deve ter olhado para o banco, onde estavam tiago, torsiglieri, nuno andré coelho e saleiro, e imaginou que o iriam crucificar se não metesse os avançados todos. desta forma, o ataque leonino parecia uma espécie de "mac drive", com os avançados a fazerem fila à frente da baliza de helton: postiga, liedson, saleiro, mais djaló e vukcevic, sempre a derivarem para o centro do terreno. nas alas, era um deserto. joão pereira não subiu, evaldo também não, e o principal municiador do ataque era... rui patrício, que procurava sempre colocar a bola na frente do ataque quando a recuperava, tentando apanhar desprevenida a defesa do fc porto. os últimos minutos do jogo foram, portanto, um enorme bocejo. paulo sérgio bem poderia ter tentado ligar a manuel machado, para este lhe ensinar como se joga contra equipas com dez unidades.
o sporting foi inconsequente, inofensivo e impotente para alterar a fatalidade do seu destino, muito por culpa do seu treinador, que preferiu introduzir mais uma unidade na frente de ataque, para atrapalhar, basicamente, do que colocar alguém, como zapater, que pudesse levar mais jogo aos avançados. mas, lá está, é a tradicional táctica saloia dos treinadores medíocres, como é paulo sérgio: quando se querem ganhar jogos, metem-se avançados. até apetece dizer que paulo sérgio começou logo a perder pontos quando fez a convocatória, ao deixar diogo salomão de fora. preferiu levar para o banco dois centrais (??), três avançados e apenas um jogador de meio campo (que não jogou).
com este resultado, o sporting manteve os 13 pontos de atraso em relação ao fc porto (e ainda terá que ir ao dragão...). o campeonato, se é que havia ainda alguma ilusão, acabou aqui em termos de título. resta a luta pelo segundo lugar, que não se adivinha muito fácil. se o benfica vencer em aveiro (onde o sporting perdeu dois pontos), aumenta para cinco os pontos de vantagem sobre os leões. e ainda há o vitória de guimarães, o nacional e o sp. braga. vendo bem as coisas, o segundo lugar talvez seja um objectivo demasiado alto...

sexta-feira, novembro 19, 2010

compilação musical de novembro

quando a nostalgia nos surpreende, sabe bem olhar para trás e recordar as sensações que várias músicas proporcionavam, como se fossemos atrás do passado e o quiséssemos revisitar. nos últimos 20 anos, e deixando já os longínquos anos 80 para trás, já devidamente homenageados neste blogue, foram certamente muitos os nomes de bandas, cantores e cantoras que aprendi a gostar, que mudaram muito a minha forma de encarar e sentir a música, de dar mais valor às letras e à "mensagem" que se quer passar. nos anos 90 tenho que destacar meia dezena de bandas, que ainda aprecio actualmente, que me ajudaram a fazer essa transição entre os sintetizadores dos anos 80 e a nova década, mais profunda a todos os níveis. falo dos cocteau twins, dos the cure, red house painters, american music club e david sylvian. estes nomes abriram-me as portas para todo um novo espectro musical, de que ainda hoje colho os frutos.
em jeito de homenagem aos últimos 20 anos, a duas décadas de música, aqui deixo, na colectânea musical de novembro, 20 músicas, umas mais antigas do que outras, mas que ainda carregam um elevado grau de nostalgia, cada uma delas com o seu momento agrafado.

1. lazy calm - cocteau twins
2. last harbor - american music club
3. some kind of fool - david sylvian
4. from a late night train - the blue nile
5. to be the one - idaho
6. trust - the cure
7. far away . cranes
8. holes - mercury rev
9. svo hljott - sigur ros
10. castaways - shearwater
11. spain - blonde redhead
12. song for a blue guitar - red house painters
13. saved - mark eitzel
14. this love affair - rufus wainwright
15. bird gerhl - antony and the johnsons
16. autumn - the czars
17. send in the clowns - mark kozelek
18. listen - lambchop
19. caramel - john grant
20. i came to hear the music - bonnie prince billy

sexta-feira, novembro 12, 2010

pechinchas




"the it crowd", "spaced" e "gavin & stacey": a primeira série de três magníficas sitcoms britânicas à venda, numa grande superfície comercial viseense, a um euro (UM EURO!!!!) cada uma. sorte do consumidor que encontra pechinchas destas...

terça-feira, novembro 02, 2010

baladas dos anos 80

três colectâneas de baladas dos anos 80, banda sonora dos meus primeiros desgostos amorosos. o número de músicas não corresponde ao número de desgostos, como é óbvio. se correspondesse estaria hoje a escrever este post num convento ou seminário. a minha adolescência/juventude não foi assim tão má quanto isso no aspecto sentimental. os tais desgostos amorosos prendiam-se mais, isso sim, com as separações forçadas e as distâncias quase insuportáveis. nessas alturas, em que a saudade apertava, "abrigava-me" em músicas como estas:

A
1. it´s over - level 42 (grande música! nunca cansa)
2. save a prayer - duran duran (o verdadeiro clássico)
3. hunting high and low - a-ha (adorava o teledisco também)
4. sweetest smile - black (o taciturno black)
5. windswept - bryan ferry (o senhor "suave")
6. i've been in love before - cutting crew (música marcante)
7. love bites - def leppard (faz-me lembrar os bailes do liceu)
8. where did your heart go - wham (boa pergunta)
9. lover why - century (é verdade, até esta xaropada cá está)
10. red lights - curiosity killed the cat (grande banda esta)
11. there's never a forever thing - a-ha (palavras certeiras)
12. who wants to live forever - queen (música épica)
13. carrie - europe (sim, parece mentira mas também cá está)
14. holding back the years - simply red (muito romântica)
15. working hour - tears for fears (fabulosa música)
16. for all these years - tanita tikaram (que saudades da tanita)

B
1. martha's harbour - all about eve (para embalar)
2. the power of love - frankie goes to hollywood (envolvente)
3. broadcast - cutting crew (sabe sempre bem ouvi-la)
4. sahara - cutting crew (esta vinha a seguir à anterior)
5. hands to heaven - breathe (baladinha típica)
6. drive - the cars (hum... paulina porizkova)
7. eyes without a face - billy idol (mas nunca gostei do cantor)
8. girlfriend - julia fordham (por onde andas tu julia?)
9. up where we belong - joe cocker/jennifer warnes (olha, um dueto!)
10. take my breath away - berlin (quem não se lembra do top gun?)
11. never say goodbye - bon jovi (triste, sim, mas verdade)
12. careless whisper - george michael (esta era quase obrigatória)
13. one more try - george michael (ninguém fazia baladas como ele)
14. fragile - sting (devo ter ouvido esta músicas umas 750 vezes)
15. every breath you take - the police (clássico intemporal)
16. in a lifetime - clannad/bono (excelente conjugação de vozes)

C
1. against all odds - phil collins (outro baladeiro incurável)
2. broken wings - mr. mister (penetrante)
3. with or without you - u2 (outro clássico)
4. just around the corner - cock robin (indispensável)
5. i don't want to talk about it - everything about the girl (marcante)
6. slave to love - bryan ferry (ninguém fazia baladas como ele 2)
7. purple rain - prince (outra música com rótulo de 'clássico')
8. more than this - roxy music (excelente música)
9. stay on these roads - a-ha (marcou uma fase da minha vida)
10. avalon - roxy music ("toma lá um empréstimo"...)
11. a matter of feeling - duran duran ('love's already history to you')
12. true - spandau ballet (mas detestava a banda)
13. dancing with tears in my eyes - ultravox (comovente)
14. heaven - bryan adams (baladinha típica dos anos 80)
15. forever young - alphaville (por onde andarão estes tipos?)
16. a question of lust - depeche mode (saudades dos sintetizadores)

confesso que não estava à espera de colocar tantas músicas, mas neste caso as músicas foram como as cerejas. atrás de uma, vem sempre outra. mas soube muito bem recordar todas estas músicas. cada uma delas tem a sua história agrafada. e sei bem que, nos próximos dias, ainda me vou lembrar de mais umas quantas.

adenda: era inevitável. já me lembrei de mais uma: "eyes of ice", dos scarlet party. como pude esquecer-me desta música?

sozinho em casa

acontece poucas vezes, mas de vez em quando chego primeiro a casa, vindo do trabalho. quando lá chego deparo com uma casa silenciosa e desarrumada (quase sempre, catano para os miúdos!). sei que o resto da família chegará em dez, quinze minutos, por isso não posso fazer nada que demore muito tempo, porque vou ter que a cancelar quando eles chegarem (e com isto estou a referir-me à playstation). é então que se dá aquele fenómeno natural de não se saber o que fazer. muitas vezes, as coisas que fazemos quando estamos sozinhos em casa não são necessariamente egoístas, são apenas estúpidas. mas só nos apercebemos disso quando as vemos bem evidentes noutra pessoa. na verdade, tudo o que fazemos quando estamos sozinhos parece parvo. acções sem nenhuma lógica, simplesmente dez minutos de actividade ao acaso, sem entusiasmo e totalmente ineficazes.
pouso o correio, permaneço quieto, abro o frigorífico, olho para as prateleiras à procura não sei bem de quê, cheiro o leite, volto a pô-lo no frigorífico, volto para a sala, olho fixamente uma cadeira, vejo se tenho mensagens no telefone, ligo a televisão, faço zapping durante 2 minutos, vou à janela, olho fixamente a rua durante 3 minutos, desligo a televisão, ponho música, vou novamente ao frigorífico, não há nada que me apeteça comer de lá, pego numa banana, como metade, pego numa revista, leio meia dúzia de linhas, vou novamente à janela... enfim, pareço perdido na minha própria casa.
quando se vive sozinho isto acaba por ser normal. quando se vive acompanhado é... estranho. e então começamos a anunciar tudo o que vamos fazer.
- "vou ver televisão para a sala"
- "quanto tempo?"
- "quinze segundos. depois tenho que estar à janela, vou olhar fixamente a casa do outro lado da rua por um bocadinho".
- "por quanto tempo?"
- "não mais de dez segundos, porque tenho de comer meia banana e fixar o olhar numa cadeira. e já estou atrasado".

segunda-feira, novembro 01, 2010

missing islands - shearwater



Effortless gulls in the wake
silver and white on the bow
as the island is broken away
from the world

Bandages pulled from the eyes
the violent surging of life
in the bloodstream of heaven and earth
falls away

Stars on the boundary line
bloom and recede in the day
and the airfield is over the waves

"the golden archipelago", dos shearwater, continua a servir de banda sonora dos meus cinzentos dias. esta pequena mas maravilhosa peça musical lembra "it's getting late in the evening", uma das minhas músicas preferidas dos talk talk.

god made me - shearwater



My brother stands at the end of the line
my children at the breaking wall
a cloud is opening over the earth
the palms a dark and waving wall
and we call back to the old familiar life
please hide me

My father climbs to the top of the rail
his head above the roaring world
his body burning
his eyes on the waves
and a god below the waterline

And the grim towers along the barrier line
in the cold light of a wakening star
unchain me

Though the last shower of fire wheels in the air
I am life breathed in the radiant lie
god made me

sábado, outubro 30, 2010

irritações sazonais

juro que não entendo como é que surgiu, em portugal, esta febre pelo "halloween". por que raio se festeja no nosso país o "dia das bruxas"? para quê fazer uma homenagem anual a manuela moura guedes e teresa guilherme? não haverá costumes e tradições suficientes em portugal para termos que ir buscar ideias aos países que implementaram este feriado? será que o contrário também será possível e vamos ver, daqui a uns anos, os estados unidos da américa a festejar o 25 de abril? por este andar, qualquer dia também começamos a instituir cá o dia de acção de graças.

a sic mulher transmite actualmente um programa chamado "the biggest loser", um concurso / reality show em que os concorrentes competem entre si para ver quem perde mais peso. eu nem sequer vejo o programa em questão, mas quando faço zapping e passo pela sic mulher, aparece o nome do programa que está no ar. a minha irritação começa logo aí. apesar de o referido programa ter um logotipo e os concorrentes usarem sempre t'shirts com o nome correctamente escrito, aparece sempre "the biggest LOOSER". nas revistas, nos jornais, na net, sempre que há alguém que se refere a este programa, lá surge novamente "the biggest looser". provavelmente, as pessoas que acham que o programa se chama assim, também acham que um dos sucessos de beck, nos anos 90, se chamava "looser". "i´m a looser baby, so why don't you kill me". deve ser isso...
olhem lá, por favor, para as t'shirts dos concorrentes e comecem a escrever correctamente o nome do programa. seria menos uma irritação.

outra irritação solene é a quase unanimidade em dotar a jornalista judite sousa com um "de" no meio do seu nome. jornais e revistas chamam-lhe judite de sousa; na internet, fala-se de judite de sousa. mas quem será a mulher? que eu saiba, a jornalista da rtp1, há 30 anos, chama-se judite sousa.
na irritação anterior, as pessoas acrescentam um "o"; aqui acrescentam um "de". e eu a pensar que o que estava a dar, por estes dias, era encurtar as palavras ("competividade", "tive em paris no fim de semana", "independente" em vez de "independentemente", etc).

quinta-feira, outubro 28, 2010

the second part - the dears



Two days have passed
And all I want is to feel better
They won't be back
And a long weekend is coming up
I left the house
It was just to see you
For an hour
Hoping for two

I was short of breath
As I passed the doorman for a second time
And it rained all day
I don't have a raincoat of my own
I then arrived
Ten minutes early with no smokes
And I was broke
Without a smoke

All of the time
I thought I was crazy 'cos you told me so
It was profound
Like the piano I was humbled by
Our tongues may have touched
But all I remember was your nose
And I suppose
Our eyes were closed

Two days have passed
And all I want is gone
For good this time

decididamente, uma das minhas músicas preferidas. top ten, sem dúvida!

jon stewart é o homem mais influente dos estados unidos


O apresentador ficou à frente do milionário Bill Gates e do criador do Facebook.

Jon Stewart é o homem mais influente de 2010 nos Estados Unidos da América. Aos 48 anos, o apresentador de televisão liderou, assim, uma lista de 50 personalidades, anunciada na terça-feira e organizada pelo site AskMen, e que contou com os votos de cerca de 500 mil leitores.

Em segundo lugar no ranking das pessoas com mais influência na terra do Tio Sam ficou Bill Gates, o dono da Microsoft; em terceiro ficou posicionado Mark Zuckerberg, o fundador da rede social Facebook; Steve Jobs, o co-fundador e chefe executivo da Apple, colocou-se este ano em quarto; e o polémico artista rapper Kanye West ficou-se pela quinta posição.

A lista revelada esta semana confirma o estatuto de Jon Stewart nos EUA. As pessoas que integram a votação foram descritas como indivíduos que conseguiram superar-se, de alguma forma, em tempos de crise como os que vivemos. "Notamos a tendência da superação em tempo de crise, porque ela estende-se por muitas indústrias", afirmou James Bassil, o editor-chefe do site AskMen. "Na lista deste ano, observamos a presença de pessoas que foram importantes na indústria, ou que foram reconhecidas como importantes", acrescentou o mesmo.

"A influência de Stewart deriva da ideia de que declarar líderes ou política como engraçados é uma forma de os criticar, de apontar as suas irracionalidades e incongruências", afirmou Jacob Bronsther, outro dos editores do AskMen.

Na lista de vencedores, Stewart sucede a Don Draper, a personagem principal da popular série Mad Men, interpretada pelo actor Jon Hamm, que ficou em primeiro lugar na lista dos mais influentes dos Estados Unidos em 2009.

Já este ano, o nome do apresentador do Daily Show surge à frente de ilustres personalidades, numa lista com ausências de peso. O golfista Tiger Woods, por exemplo, que constitui presença quase garantida neste tipo de votações nos últimos anos, não figura no ranking revelado pelo AskMen. A ausência de Woods poderá ser explicada, como afirmam os media americanos, pelas histórias de infidelidade e escândalos sexuais dos quais o golfista foi acusado, ao longo do ano passado.

O mesmo não aconteceu a David Letterman, que, também ele, revelou ter tido casos extraconjugais. Mesmo assim, Letterman, que, à semelhança de Jon Stewart, conduz diariamente um late night show de sucesso na televisão norte-americana, conseguiu assegurar o 39.º lugar nos mais influentes deste ano.

Outra curiosidade reside em Barack Obama, que foi ontem convidado de Stewart no seu talk show. O Presidente dos EUA ficou-se pela 21.ª posição, quando na mesma lista do ano passado figurava entre os cinco primeiros lugares.

O popular apresentador de televisão, que conduz o programa de late night The Daily Show with Jon Stewart há mais de dez anos, é um catalisador de audiências para o canal por cabo Comedy Central. Stewart, que está no ar de segunda a sexta-feira, tem uma média de quase dois milhões de telespectadores por noite. Um número significativo, quer para o canal quer para a televisão norte-americana por cabo.

Para além da sua carreira na televisão, Jon Stewart é também actor e escritor, facetas menos visíveis, pelos menos em Portugal.

O actual homem mais influente dos EUA já participou em filmes como Big Daddy, The Faculty ou Death to Smoochy.

Na escrita, já editou três livros: Naked Pictures of Famous People, de 1998, America: A Citizen's Guide to Democracy in-action, de 2004, e Earth: A Visitor's Guide to Human Race, deste ano. A versão em áudio do segundo livro acabou mesmo por ganhar um Grammy.

O norte-americano, que nasceu em Nova Iorque no seio de uma família judaica, já chegou a apresentar duas edições dos Óscares, em 2006 e 2008.

(in Diário de Notícias, de 28/10/2010)

domingo, outubro 17, 2010

greenberg


este é, certamente, um dos melhores filmes que vi recentemente. habituado a ver ben stiller a fazer papéis cómicos, alguns em filmes bastante medíocres ("the heartbreak kid", "dodgeball", "envy", etc.), fiquei espantado com a sua actuação neste "greenberg", filme realizado e escrito a meias (com a actriz jennifer jason leigh) por noah baumbach. aqui, ele é roger greenberg, um homem amargo de 40 anos, recém saído de um hospital psiquiátrico, que vai de nova iorque para los angeles, para casa do irmão, simplesmente para tentar não fazer nada... com uma casa inteira só para ele, porque o irmão saiu em trabalho para o vietname e levou a família, só tem de cuidar do cão da família.
o filme é de uma simplicidade desarmante, ora cómico, ora comovente, nunca resvalando para o lado piegas e lamechas de cada situação, mantendo em paralelo, do início ao final do filme, as vertentes dramáticas e cómicas. tem igualmente diálogos bem construídos, com tiradas brilhantes como esta, proferida por greenberg, em resposta à frase "youth is wasted on the young" de ivan (rhys ifans): "life is wasted on people"; ou ainda esta: "a shrink said to me once that I have trouble living in the present, so I linger on the past because I felt like I never really lived it in the first place, you know?". os pontos que tenho em comum entre a personagem principal deste filme (tirando a vida sentimental), nomeadamente a nível social, a frustração profissional (a escolha, entre dois caminhos, pelo pior deles), a incapacidade de resolver, frente a frente, os problemas que lhe são criados (greenberg escreve imensas cartas durante o filme, sempre a queixar-se de algo, à starbucks, a uma companhia aérea, a um serviço de transporte de animais, etc.. no meu caso, utilizo o blogue como "escape"), a relação com o seu melhor amigo, os desabafos que ficaram anos em stand by à espera de sair, a inépcia para conviver socialmente com desconhecidos, a ânsia pela solidão e, ao mesmo tempo, a procura incessante de alguém para conversar, a paixão pela música e a segurança que sente quando a ouve (a referência aos duran duran, no momento em que é proferida, é particularmente deliciosa), a tendência auto-destrutiva para terminar relacionamentos, para depois os tentar reatar... está tudo lá. em termos cinematográficos, nunca vi uma personagem tão parecida comigo como este roger greenberg. mas não foi apenas por isso que eu gostei do filme. rhys ifans e greta gerwig são absolutamente notáveis, acompanhando a interpretação notável de ben stiller.
recomendo vivamente!

quinta-feira, outubro 14, 2010

o maior sorriso do mundo



1:08: o sorriso mais genuíno, mais sincero e de maior felicidade que vi até hoje. um momento que nos faz arrepiar de emoção. no comportamento daquela criança de 7 anos estão espelhadas as preocupações e o alívio do mundo inteiro, que seguiu apaixonadamente o drama dos 33 mineiros no chile. primeiro, a angústia da incerteza de que tudo iria correr bem; depois, a alegria incontida manifestada na corrida para os braços do pai, com o maior sorriso do mundo. intenso, sem dúvida.

castaways - shearwater



By shadowing
all the darkened fields
of forgotten words
and civilian lives

Through violence
through the changing guards
through the grinding away
and the furious marching

By gathering
the holy light
and weathering
a cast away life

and the rising fear...

The hollowness
of the flags and gods
that are raised in the air
in the wake of their raging...

Your skinny arms
hold a lantern up
on the brightest array
of the stars in their moorings

and summoning
the holy light
on their citadels
the blackening sky

The collapsing sun
the burning wall
that approaches our eyes...

you live again
in the shuddering light
of these images
this valediction:

you are running from a rising tide
you are castaways

"the golden archipelago", o novo disco dos shearwater, permanece nas minhas escolhas diárias. "castaways" é um forte exemplo das muitas virtudes desta banda.

sábado, outubro 09, 2010

o ano dos grandes discos



"laredo", tema dos band of horses, tocado ao vivo no talk show de david letterman, pertence ao disco "infinite arms", o terceiro trabalho discográfico da banda. o ano de 2010 continua a surpreender em termos de qualidade musical, com excelentes discos como "high violet", dos the national, "queen of denmark", de john grant, "the golden archipelago", dos shearwater, "the courage of others", dos midlake, "admiral fell promises", dos sun kil moon, "interpol", dos interpol, e "penny sparkle", dos blonde redhead. e ainda falta "swanlights", de antony and the johnsons, que vai ser lançado a 12 de outubro.

sexta-feira, outubro 01, 2010

spain - blonde redhead




My notebook says
I can't take it anymore
The dancer says
He's the one to share my bed

I only know
When I look at you
Aren't many men I feel I love
I don't mean to flatter you

My sister says
No more calling you
It's out of my hand
No more missing you

I only know
When I look at you
Aren't many men I feel I love
I don't mean to flatter you

I don't care for making more
I just want the glazing eyes
I want us to share the wine
Let us share our blood and hearts
Let us share our blood and hearts

I stole your golden key
Tiptoed around and closed the door
I only want the love
Could give me back my modesty

I only know
When I look at you
There isn't much I feel I need
I don't mean to flatter you

I don't care for having more
I just want the glazing eyes
I want us to share the wine
Let us share our blood and hearts
I just want the glazing eyes
Let us share our blood and hearts
Let us share our blood and hearts

desculpem-me, mas não consigo tirar esta música da cabeça. tinha que a partilhar com vocês. "penny sparkle" não é daqueles discos que "entra" à primeira, mas garanto-vos que, quando isso acontece, é muito gratificante. é um disco para o resto da vida, com tudo que já tem "agrafado" em termos de conjuntura. sinceramente, acho que os blonde redhead são incapazes de fazer uma música má. a prova são os últimos quatro discos da banda, "melody of certain damaged lemons", "misery is a butterfly", "23" e este "penny sparkle". a voz de anjo redentor de kazu makino consegue apaziguar a mais turbulenta das almas. "spain" é a última música do disco e, não sei se já referi isto, não me sai da cabeça... também é gratificante verificar que em 2007, aquando da saída de "23", estava igualmente entusiasmado com a qualidade e o virtuosismo dos blonde redhead. três anos depois, continuo a pensar exactamente o mesmo...