terça-feira, junho 16, 2009

irritações - V

pessoas que tentam, como se a vida delas dependesse disso, passar à frente de toda a gente nas filas, seja na farmácia, no hospital, na padaria, nos hipermercados, no cinema. aprecio imenso aquelas que se colocam ao meu lado, em vez de ficarem atrás de mim, porque eu já lá estava, tentando a todo o custo provocar um contacto visual qualquer, para aferirem se eu tenho cara de lorpa ou não. outra das tácticas é, quando temos apenas uma pessoa à nossa frente e estamos a chegar ao balcão de atendimento, colocarem uma das mãos no balcão, como que a marcar o território, tentando fazer passar a mensagem ao funcionário de que quem coloca primeiro a mão no balcão tem sempre prioridade em relação à pessoa que, por acaso, até estava à sua frente na fila. se eu recebesse uma nota de 50 euros por cada vez que isto já me aconteceu... nunca mais teria que me colocar em filas até ao fim dos meus dias. mandava entregar tudo em casa.

irritações - IV

esta é das mais primárias de todas e, ao mesmo tempo, das mais irritantes. é impossível contornar este flagelo, para qualquer sítio que olhe, na rua, nos cafés, no trabalho, está sempre alguém a fazê-lo. já em tempos escrevi aqui sobre isto, que me transtorna profundamente, pior ainda do que as constantes calinadas verbais, do género "ouvistes", "dissestes", "há-dem", "quaisqueres", etc.; é algo apenas comparável a esse nojento e repugnante acto de cuspir para o chão. meus amigos, estou a falar-vos do acto de mascar pastilhas com a boca aberta. é irritante porque tenho quase a certeza de que estas pessoas, às refeições, não mastigam com a boca aberta. está provado cientificamente que se consegue mascar pastilhas, sejam elas quais forem, com a boca fechada. até o jorge jesus sabe isto, só que ele tem desculpa, porque com aquele cabelo e com a sua maneira de se expressar (ainda há dois meses apelidou o standard de liège de "santander" de liège) só poderia mesmo mascar pastilhas com a boca aberta.

irritações - III

será completamente impossível, nos cafés e restaurantes, pedir um café curto e vermos inteiramente satisfeito o nosso pedido? se alguém pede um café cheio, eles acertam sempre; mas pedir-lhes um café curto é o mesmo que perguntar aos funcionários daqueles estabelecimentos qual é a raiz quadrada de 1839. e o pior ainda é quando fazem aquela carinha de inocentes quando, sabendo que o café está tudo menos curto, nos perguntam "está bom assim ou quer que lhe tire outro?".

irritações - II

por que raio é que quando as pessoas pretendem saber o número de telemóvel de alguém perguntam sempre "tens o telemóvel de fulano", em vez de "tens o número de telemóvel de beltrano"? é que existe uma grande diferença entre as duas questões.

irritações - I

quando é que os apresentadores de televisão e jornalistas vão deixar de dizer "voltar a repetir"?

segunda-feira, junho 15, 2009

ditaduras

é impressão minha ou o luís filipe vieira, a discursar, soa exactamente igual ao antónio salazar? o mesmo tom arrastado, baixo e monocórdico, como se estivesse a mandar mais um contingente de soldados portugueses para o ultramar. o demissionário e, ao mesmo tempo, futuro presidente do benfica, sem opositor que se veja (josé veiga só poderia concorrer às eleições a partir de agosto, quando faria cinco anos como sócio do benfica), LFV nunca mais se exaltou com as arbitragens, nem com apitos dourados, nem com pinto da costa. para o ano, com jesus a treinar, só faltará um "f" do triunvirato do antigo regime: a fátima (religião, não a felgueiras) e ao futebol (se a equipa chegar a praticá-lo, algo que não fez na época que terminou), só faltará juntar-se o fado (bem, talvez esse fado de voltar a terminar uma época sem um título relevante).

sábado, junho 13, 2009

narciso ronaldo


em casa dos aveiro, há duas semanas:
dolores aveiro: então cristiano, já decidiste onde vais passar as férias este ano?
cristiano ronaldo: este ano vou procurar um sítio mais calmo. no ano passado, na sardenha, fui muito incomodado pelos paparazzi. não me largaram, nem a mim nem à nereida, coitada da moça.
dolores aveiro: então, sendo assim, vai para a madeira rapaz. lá tens toda a calma e sossego para descansares. ah, e lá não há paparazzis...
cristiano ronaldo: não mãe, tenho outra ideia. também é um sítio calmo e sossegado, onde posso descansar, e lá também não há paparazzis.
dolores aveiro: então para onde vais?
cristiano ronaldo: los angeles.
dolores aveiro: sim, és capaz de ter razão. los angeles é muito calmo nesta altura do ano. olha lá, e vais sozinho? não levas nenhuma menina contigo desta vez? a luciana ainda ontem me ligou a dizer que tinha duas semanas livres...
cristiano ronaldo: ó mãe, estou farto de que me arranjem namoradas, ainda por cima conhecidas. já foi o que foi com a merche. no ano passado, falava-se mais da nereida do que de mim. este ano quero ver se arranjo alguma desconhecida, alguém de que ninguém fale, nem nos jornais, nem nas revistas, nem na internet. quero alguém que ninguém conheça, para variar.

os meus anos 80 - X



décimo e último post dedicado aos anos 80, com "hunting high and low", dos a-ha, música inserida no disco com o mesmo nome, de 1985, juntamente com temas bem conhecidos como "take on me", "the sun always shines on tv" e "train of thought". lembro-me bem do teledisco, em que morten harket, o vocalista, se transformava em leão, tubarão e em águia, caçando, lá está, "high and low", mas o raio do teledisco não se encontra no you tube, bem como outros que quis colocar aqui nesta rubrica, como "it's over", dos level 42, ou o teledisco original de "save a prayer", dos duran duran. mas voltando aos a-ha, estão certamente no top five das minhas bandas preferidas dos anos 80. os discos seguintes a "hunting high and low" também foram muito bem recebidos lá em casa. tanto "scoundrel days" (1986) como "stay on these roads" (1988) consolidaram o estatuto da banda norueguesa, se bem que neste último, embora com um single poderoso ("stay on theses roads", cujo teledisco também não consegui encontrar), o trio já indicasse alguns sinais de menor criatividade. voltando à música, "hunting high and low" transporta-me sempre para um programa da mtv apresentado por adam curry, que a nossa rtp 2 colocava no ar todas as tardes dos dias da semana. para além disso, faz-me lembrar os antigos verões, as idas ao rio e praias fluviais, os lanches nos sacos de plástico, as boleias para o rio, um vidro no meio das pedras numa praia fluvial que me cortou o pé direito (não todo, calma), a boleia de regresso, com o pé ensanguentado, para ir à farmácia fazer o curativo. enfim, isto já parece um argumento do quentin tarantino e aqui o que interessa é a música, que também me faz recordar os tempos em que frequentei uma escola de música e não descansei enquanto não consegui tocar o solo de piano mais ou menos a meio desta canção. o professor apanhava-me sempre e desligava-me os phones (porque todos os alunos os tinham colocados, como era óbvio, caso contrário ninguém se entendia), ouvindo tudo menos as músicas que tínhamos de tocar ("au clair de la lune" e essas tretas). bons tempos, não haja dúvida.

os meus anos 80 - IX



ah, a era dos sintetizadores! os alphaville eram um grupo alemão, liderado por marian gold (nome de mulher, mas, na realidade, um homem), e obtiveram o seu primeiro grande sucesso com a música "big in japan", do disco "forever yound", datado de 1984, que o all music guide descreve como "a classic synth pop album". para além de "big in japan" e de "forever young", uma balada bem ao jeito dos anos 80, o disco continha também este "sounds like a melody", que sempre foi a minha preferida dos alphaville, uma banda que ainda chegou à dezena de discos, o último dos quais em 2001, mas que nunca mais atingiu o protagonismo de 1984.

os meus anos 80 - VIII



as minhas primeiras "paixões", no meio musical, foram a nena (a dos 99 balões vermelhos) e tanita tikaram, que cheguei a ver ao vivo em 1991. comprei religiosamente os seus primeiros três discos, como se a minha vida dependesse disso. eu pensava honestamente que ela a mulher mais gira à superfície da terra... até que ela cortou o cabelo, que ficou bem curtinho, e eu aí decidi que não comprava mais discos dela. ela deve ter dado conta, porque as vendas em portugal caíram a pique (eu era o único que comprava os discos dela...). "ancient heart" foi o nome do seu primeiro disco, de onde foi retirado este belíssimo "cathedral song". mas o disco tinha outras "pérolas", como "good tradition" (a música que lhe deu notoriedade), "twist in my sobriety", "world outside your window" e a fabulosa mas nunca transformada em single "for all these years", talvez a sua melhor música de sempre.
tanita tikaram é uma figura incontornável dos meus anos 80 e eu gostava tanto dos discos dela como das fotos que vinham na capa, contra-capa e no invólucro com as letras das músicas. ah, e como homenagem à cantora, quando os meus pais arranjaram uma gata lá para casa, eu fiz questão de lhe colocar o nome de "tanita". tanita, tanita, por onde andarás tu agora? (a cantora. a gata, essa, já deve ter sido servida em algum restaurante chinês).

os meus anos 80 - VII



os cutting crew lançaram dois discos nos anos 80, um excelente, a meu ver, e outro pouco mais do que banal. o excelente chamava-se "broadcast" e foi lançado em 1986. lembro-me que mandei vir o disco pelo círculo de leitores e da sensação que foi abrir a encomenda e colocar pela primeira vez o disco no gira-discos. na altura conhecia os singles "i just died in your arms" e este "i've been in love before", para mim uma das grandes baladas dos anos 80, mas o disco impressionou-me mesmo e faz parte, certamente, do top ten dos discos que mais ouvi naquela década. temas como "sahara", "the broadcast", "any colour", "one for the mockingbird", "fear of falling" ou "life in a dangerous time" encheram-me as medidas. esta música, "i've been in love before" teria, indiscutivelmente, de fazer parte, dos "meus anos 80".

os meus anos 80 - VI



nik kershaw era uma figura simpática, ainda é, do panorama musical nos anos 80. os seus telediscos eram sempre interessantes e até inovadores. lembro-me bem de ter ficado espantado com o teledisco de "the riddle". esta música, "wouldn't it be good", do seu primeiro disco, "human racing", que também continha outro single bastante popular, "i won't let the sun go down on me", passou muitas vezes no meu gira-discos. o mais complicado era, para os meus concertos, tentar imitar o penteado do nik kershaw na altura. hoje em dia, que o homem está praticamente careca, seria bem mais fácil...

os meus anos 80 - V



podia ser "avalon", podia ser "slave to love", mas a minha relação com "more than this" foi sempre muito mais intensa, em termos de músicas dos roxy music. em 2003, sofia coppola prestou uma singela homenagem a esta balada cantada magistralmente por bryan ferry, ao colocar bill murray a cantá-la num karaoke, para impressionar scarlett johansson, no filme "lost in translation". se foi da música ou não, o que é certo é que murray impressionou, e de que maneira, a insinuante johansson. quando viu o filme, bryan ferry deve ter-se roído de inveja...
"more than this, you know there's nothing". grande música, nos anos 80 e ainda hoje!

os meus anos 80 - IV



uma das bandas mais subestimadas de sempre, responsáveis por um dos melhores discos de estreia dos anos 80, "keep your distance", que continha singles como "misfit", "free" e "down to earth", este último constituiu mesmo um dos últimos telediscos que andy warhol dirigiu). esta música, "red lights", sempre foi a minha preferida do disco. como não foi lançada em single, não teve direito a teledisco. o melhor que se arranjou foi este vídeo. de qualquer forma, a música merece o devido destaque e nos "meus" anos 80 ela tinha que estar presente. ao ouvir o refrão, estranha-se o facto de esta música nunca ter sido considerada para uma campanha de prevenção rodoviária...
refira-se, a título de curiosidade (que não mata o gato), que os curiosity killed the cat estiveram recentemente em portugal, a 29 de maio, integrados no festival here and now, juntamente com outros nomes dos anos 80, como kim wilde (hum... kim wilde), nik kershaw, rick astley, abc e belinda carlisle (hum... belinda carlisle).

os meus anos 80 - III



decididamente a música que mais vezes ouvi nos anos 80: "save a prayer", dos duran duran. infelizmente, não encontrei no you tube o teledisco original. fica, por isso, uma versão ao vivo desta verdadeira pérola musical, autêntico hino de uma das bandas mais marcantes dos anos 80. esta também era obrigatória nos "meus concertos", depois de uma breve pausa para ir à casa de banho molhar o cabelo e tentar penteá-lo como o simon le bon.

os meus anos 80 - II



"never again", dos classix nouveaux. outro "clássico", que termina de uma forma quase épica, com san solo, o vocalista, a evidenciar todo o seu potencial.

os meus anos 80



"it's you, only you (mein schmerz)", de lene lovich. não sei quantificar as vezes que ouvi esta música nos anos 80. fartei-me de fazer playbacks desta música, a simular um concerto, quando ainda pensava que era cantada por um homem. depois de saber que lene lovich era, afinal, uma mulher... continuei a fazer playbacks da música na mesma. era impossível retirá-la do alinhamento do "meu concerto". as fãs, aquelas que geralmente ficavam entre os vasos que a minha mãe tinha no parapeito da janela, mesmo na primeira fila portanto, deliravam com os meus movimentos nesta canção. o resto da "plateia" era a persiana, que dava sempre a sensação de ser uma imensidão de isqueiros acessos. na altura, era quase impossível arranjar bilhete para os meus concertos.
em todo o caso, resta referir que este "it's you, only you" ainda se ouve muito bem hoje em dia. muito bem mesmo!

sexta-feira, junho 12, 2009

junho de 1988



foi em 1988, mais ou menos a esta hora, na transição do dia 11 para o dia 12 de junho. 21 anos passaram desde então e muita coisa aconteceu, com a balança a pender claramente para os aspectos positivos, mas esta música continua a marcar o início de algo, o raiar de uma caminhada que já está quase a entrar na sua quarta década. o final dos anos 80 foram de descoberta, os 90 consolidaram e fortaleceram os laços e a década actual trouxe a vida adulta em todo o seu esplendor. "i don't want to talk about it", dos everything about the girl, foi a "nossa" música, aquela que ouvíamos vezes sem conta enquanto contávamos os dias para voltarmos a estar juntos ou enquanto escrevíamos cartas um ao outro (sim, ainda somos do tempo em que se escreviam cartas). 21 anos! e, no entanto, ao ouvir novamente esta música, parece que foi ontem que tudo começou. é o poder da música, essa capacidade de nos fazer regressar ao passado e reviver sensações, recordar momentos e voltar a sentir tudo outra vez. resta saber o que nos espera na próxima década, mas, com a "bagagem" que levamos, acredito que tudo vai correr muito bem.

terça-feira, junho 09, 2009

"monstros e companhia"


o site da revista empire revelou ontem que, para além de "toy story 3" e "cars 2", outro filme da pixar vai ter direito a uma sequela: "monstros e companhia", que estreou em 2001. com a estreia de "toy story 3" prevista para junho de 2010, acredita-se que "monstros" estreie apenas depois de "cars 2", o que provavelmente adiará a saída do filme para 2012. refira-se que a única sequela da pixar tinha sido "toy story 2" (1999), um filme que chegou a ultrapassar, em termos de qualidade e de sucesso de bilheteira, o original, portanto, as expectativas em relação a mais estas sequelas são bastante altas.
há ainda poucos detalhes sobre a sequela, para além do envolvimento do realizador do filme original, pete docter, que foi igualmente co-argumentista. o mais recente trabalho de docter para a pixar foi o filme "up", que está a corresponder em termos de bilheteira nos estados unidos, chegando perto dos 140 milhões de dólares em apenas duas semanas.
"monstros e companhia" fez 255 milhões de dólares em território americano e foi o quarto filme mais rentável de 2001, atrás de "shrek", "the lord of the rings: the fellowship of the ring" e "harry potter and the sorcerer's stone". billy crystal e john goodman deram voz às inesquecíveis personagens de mike wazowski e james p. "sulley" sullivan, mas outros actores estiveram igualmente envolvidos no filme: steve buscemi, james coburn, jennifer tilly, john ratzenberger, frank oz e bonnie hunt, entre outros.
quem vai ficar certamente radiante com esta notícia são os meus filhos, ambos adeptos incondicionais de "monstros e companhia". pois, venha ele...

domingo, junho 07, 2009

homenagem da autarquia ao académico de viseu



direcção, equipa técnica e jogadores do académico de viseu foram hoje recebidos na câmara municipal de viseu, que quis, desta forma, prestar homenagem à equipa pela subida de divisão, conquistada ontem, com a vitória sobre o anadia por 2-0. ao som da infantuna de viseu, o autocarro do académico entrou no rossio, tendo os jogadores sido recebidos pelo executivo camarário de viseu, liderado por fernando ruas. seguiu-se a cerimónia no salão nobre da câmara, onde a autarquia entregou ao presidente do académico de viseu, antónio albino, um troféu alusivo à subida de divisão. no final, e sempre com o fundo musical da infantuna, a comitiva do académico despediu-se do elenco camarário e da numerosa plateia que assistiu a esta homenagem da autarquia, certamente a pensar que seria notável regressar ao rossio, daqui a um ano, para voltar a ser homenageado pela subida à liga de honra...
(fotos: isaac davis)

sábado, junho 06, 2009

"slumdog millionaire"


pode-se ver "slumdog millionaire" de duas formas: como o filme que venceu o óscar de melhor filme, e mais sete galardões, na última edição dos óscares; ou como um filme passado na índia, sobre um concorrente ao concurso "quem quer ser milionário", dirigido por um realizador britânico e praticamente sem nenhum actor conhecido no elenco. são duas perspectivas diferentes, em que a primeira acaba por toldar o nosso discernimento e condicionar a nossa apreciação do filme, mesmo que esse mesmo filme tenha estado muito perto de ser lançado apenas no mercado de dvd e venda directa, sem passar pelas salas de cinema. a tendência, depois de um filme ter ganho dezenas de prémios por esse mundo fora, é "engraçar" com o filme e deixarmo-nos envolver na história do pequeno jamal que, depois de ter ficado órfão, é obrigado a viver numa favela com o irmão, sobrevivendo à custa de pequenos roubos e burlas. o "lost love" que o cartaz do filme revela é latika, a órfã que cresce com os dois irmãos mas que depois cai numa rede de prostituição infantil. jamal vai assumir como seu destino voltar a encontrar latika, nem que, para tal, tenha que enfrentar... o seu próprio irmão, que se transforma, entretanto, num criminoso de rua. sem se saber muito bem como, jamal consegue ser apurado para ir ao concurso "quem quer ser milionário". a sua intenção não é ficar extremamente rico ou conquistar uma popularidade meteórica, mas sim reencontrar latika, sabendo que ela seguia o concurso pela televisão. durante o filme, transportando a acção para a actualidade, ou seja, poucas horas antes da edição do concurso em que jamal vai responder à derradeira questão, a tal que o pode tornar efectivamente milionário, este é interrogado e torturado numa esquadra policial indiana por dois polícias, que procuram aferir se jamal fez batota durante o concurso.
visto o filme, sob as duas perspectivas, chega-se a uma rápida conclusão: o filme sabe a pouco. ou melhor, é banal de mais para ter ganho o óscar de melhor filme. o enredo é perfeitamente previsível, não há praticamente carga dramática e a história de amor que serve de pano de fundo a todo o filme é... do mais corriqueiro possível, sem que se veja ou sinta alguma química entre as duas personagens. como cúmulo da superficialidade deste filme, as perguntas que são colocadas a jamal no "quem quer ser milionário", especialmente a última (que até o meu filho de dez anos sabia a resposta), aquela que deixou milhares de indianos "colados" aos televisores no final do filme, são incrivelmente fáceis, e o facto de jamal ter uma história para cada uma das respostas que dá, tenha ele cinco ou quinze anos, é de uma sorte e de uma memória assinaláveis.
dos últimos vencedores do óscar de melhor filme, eu costumava dizer que o mais fraco tinha sido "shakespeare in love" (que venceu sete óscares na edição de 1999). agora, talvez tenha que rever esta opinião. são dois bons filmes, é um facto, mas não filmes para vencerem o óscar de melhor filme e serem colocados ao lado de filmes como "casablanca", "one flew over the cuckoo's nest", "the godfather", "annie hall", "amadeus", "out of africa", "ghandi", "schindler's list", "forrest gump", "gladiator", etc.. mas lá está, tal como tinha escrito no post "television killed the movie stars", se formos olhar para a lista de filmes que venceu nesta década o óscar de melhor filmes, constatamos que a qualidade tem caído vertiginosamente. aqui fica as "provas" desse declínio: 2001 - "a beautiful mind"; 2002 - "chicago"; 2003 - "the lord of the rings: the return of the king"; 2004 - "million dollar baby"; 2005 - "crash"; 2006 - "the departed"; 2007 - "no country for old men"; 2008 - "slumdog millionaire". ainda bem que as séries de televisão estão a ficar, essas sim, cada vez mais interessantes...

académico de viseu subiu de divisão


depois da "travessia no deserto", em que o clube mais representativo do distrito recomeçou do zero, o académico de viseu parece disposto a recuperar o seu lugar no futebol nacional, um lugar mais de acordo com os seus pergaminhos e historial. hoje, no estádio do fontelo, na última jornada da fase de subida da 3ª divisão nacional - série c, exigia-se uma vitória por dois golos de diferença frente ao anadia para o académico de viseu conseguir o objectivo principal no início da época: a subida à 2ª divisão nacional. a tarefa até nem se afigurava muito fácil, porque o anadia liderou sempre esta fase de subida e nos restantes nove jogos disputados apenas tinha sofrido dois golos. pois bem, hoje sofreu outros tantos e, não marcando nenhum, acabou por ficar em terceiro lugar na classificação final e, consequentemente, não subiu de divisão. coube ao tondela, outra equipa do distrito, acompanhar o académico de viseu na subida à 2ª divisão nacional. para tal, os tondelenses venceram por 4-2 o fiães, em casa, conseguindo acabar a fase de subida em primeiro lugar, com mais dois pontos que o académico de viseu. esta dupla subida de equipas do distrito de viseu acabou por compensar a descida, esta época, de outros dois emblemas da região: o penalva do castelo e o nelas, que desceram à 3ª divisão nacional.
o jogo de hoje à tarde proporcionou a maior enchente deste ano no estádio do fontelo, com milhares de viseenses a apoiar o académico neste jogo decisivo. o anadia, que apostou bastante na subida de divisão este ano, também conseguiu levar muita gente ao fontelo, num derradeiro apoio à equipa bairradina. a vitória por 2-0 foi o suficiente para o académico de viseu ultrapassar na tabela o anadia, embora tenham terminado com o mesmo número de pontos (40), dado que o resultado do jogo da primeira volta tinha sido de 1-0. desta forma, o académico venceu no confronto directo com o anadia, a primeira forma de desempate em caso de igualdade.
estão de parabéns os jogadores, a equipa técnica liderada por luís almeida e a direcção do clube, que tem realizado um trabalho notável na gerência dos destinos do clube, que ainda há poucos anos estava praticamente à beira da extinção. na próxima época, depois de devidamente reforçada a equipa, com uma espinha dorsal muito jovem, todos os sonhos serão permitidos. e sonhar não custa...

quarta-feira, junho 03, 2009

television killed the movie stars




segunda-feira. fox. 21h30. "house" - 5ª temporada
terça-feira. fox. 22h20. "lost" - 5ª temporada
quarta-feira. rtp 2. 22h40. "24" - 7ª temporada

começo a acreditar que se perder um episódio que seja, de qualquer uma destas séries, a minha vida deixa de fazer sentido. estes horários são praticamente sagrados às segundas, terças e quartas-feiras. lentamente, as séries televisivas vieram ocupar o espaço outrora preenchido pela sétima arte, ganhando terreno primeiro com as sitcoms (um formato que sempre me agradou, desde o saudoso "soap", passando pelo "alf", o "quem sai aos seus", o "allô, allô", até aos mais recentes "seinfeld", "friends", "mad about you" e "arrested development", entre dezenas e dezenas de séries) e depois com as séries dramáticas, como "the sopranos", que demorou um pouco a "entrar" mas que, quando "entrou", tinha religiosamente o seu lugar reservado às segundas-feiras à noite, na rtp 2, ou "nip/tuck", "lost", "24" e "house".
"house" é uma série que, à primeira vista, nunca me seduziria, por se passar num hospital, porque nunca fui fanático por séries como "e.r." ou "anatomia de grey", cujos termos médicos e técnicos nunca consegui acompanhar devidamente. no entanto, a personagem interpretada por hugh laurie faz toda a diferença, de tão viciante que é, com os seus métodos pouco ortodoxos, os jogos de palavras, os fascinantes diálogos (por vezes com referências totalmente inesperadas, como a dos duran duran na semana passada), a forma subversiva como consegue manipular praticamente toda a gente à sua volta de forma a ter sempre o que deseja, a amizade com wilson, o jogo do gato e do rato com cuddy, o amor platónico de cameron por ele, tudo isto aliado a uma constante agonia interior, de uma necessidade de se sentir constantemente infeliz e de nunca dar uma oportunidade a si mesmo de ser feliz. é, certamente, a personagem menos lamechas de sempre da televisão e, a meu ver, em termos de séries dramáticas, estará ao lado de tony soprano no ranking de personagens mais marcantes.
"lost" é um desafio, de inteligência, memória e dedução. quem começou a ver desde o início, não descansará enquanto não vir tudo e obter, finalmente, as respostas às dezenas de perguntas que são colocadas semanalmente. esta quinta temporada impressiona pela forma como os argumentistas conseguiram "renovar" a série, fazendo avançar e recuar o tempo, introduzindo ainda mais personagens (aliás, o vasto elenco e o facto de "lost" ser gravado "on location" na ilha de oahu, no hawai, fazem desta série uma das mais dispendiosas de sempre da televisão) e "explicando", de certa forma, o papel dos "outros" na ilha e a iniciativa dharma, bem como o regresso à ilha das personagens que conseguiram sair dela (jack, kate, sayid, hurley e sun). no entanto, só em 2010 saberemos como todo este mistério irá acabar, quando o último episódio de "lost" for para o ar, em maio, na sexta temporada, que irá ter 17 episódios. ao todo, a série totalizará 120 episódios. matthew fox é o único elemento do elenco que sabe como vai acabar a série, um final que os produtores definiram como "highly anticipated and shocking finale". por agora, na fox faltam ainda cinco episódios para acabar a quinta temporada e as dúvidas continuam a amontoar-se...
"24" é totalmente diferente das duas outras séries. é intensidade, adrenalina, emoção! cada segundo que passa no relógio digital que frequentemente aparece no ecrã faz aumentar o nervosismo e é sempre com alguma tristeza que vejo chegar o final do episódio. lá está, aqui reside a grande vantagem de seguir as séries em dvd e não pela televisão. se eu tivesse esta série do "24" já em casa era capaz de a "despachar" em três ou quatro noites. assim, tenho que me sujeitar a esta "ração" semanal. tal como "lost", também faltam cinco episódios para acabar a sétima série de "24". a oitava série já está a ser preparada e vai ser gravada, pela primeira vez, em nova iorque, sendo que a acção começará pouco tempo depois do final da sétima série, como já anunciou kiefer sutherland numa entrevista ao canal itn. em princípio, a oitava será a última temporada de "24", mas jack bauer será, certamente, imortalizado em filme posteriormente.

p.s. - para quando a transmissão da segunda série de "californication"?

"I would never" - the blue nile



as imagens pertencem ao filme "the sixth sense" (1999), com bruce willis, olivia williams e haley joel osment. a música, o que realmente interessa aqui, é dessa espantosa banda escocesa chamada the blue nile, formada em 1981 por paul buchanan (o dono do vozeirão que podem escutar neste post), robert bell e paul joseph moore. da longa lista de colaborações com outros músicos, destacam-se os nomes de david sylvian, texas, craig armstrong, peter gabriel, annie lennox, rickie lee jones e maire brennan (a voz dos clannad). a música que aqui podem ouvir chama-se "i would never" e pertence ao disco "high", de 2004. coloquem os phones, carreguem no play e fechem os olhos...

"wind in the wires" - patrick wolf



uma música que sabe sempre bem visitar...

segunda-feira, junho 01, 2009

o próximo presidente


josé eduardo bettencourt esteve hoje em directo no programa "o dia seguinte", da sic notícias. com uma postura irrepreensível, a medir bem as palavras, eloquência e inteligência q.b. a responder a todas as questões, bettencourt mostrou que está efectivamente preparado para abraçar esta nova fase da sua vida, com determinação, ambição e dedicação. a sondagem do programa, sobre quem seria o melhor presidente para o sporting (ele ou paulo pereira cristóvão), não deixa dúvidas: 79% para bettencourt contra 21% para cristóvão. a meu ver, só se "engasgou" na questão do pivot do programa sobre a sua afirmação ("um treinador de prestígio não assina pré-acordos com candidatos a presidente") e a consequente resposta de paulo pereira cristóvão ("nesse caso está a dizer que paulo bento não é um treinador de prestígio"). as suas alegações de que eriksson está na pré-reforma, muito mais rico do que nas suas anteriores passagens por portugal e, dessa forma, vinha para o nosso país gozar umas merecidas férias, não foram muito elegantes. em todo o caso, confesso que, das pessoas que fizeram parte das direcções do sporting nos últimos 10/15 anos, colocaria sempre nos dois primeiros lugares miguel ribeiro teles e josé eduardo bettencourt, grandes artífices do título de 2001/2002, com lazlo boloni, tal como tinham sido luís duque e manolo vidal na época 1999/2000, com augusto inácio. por isso, se na sexta-feira for eleito, como se espera, acredito que o sporting vai passar a ter, finalmente, um presidente capaz, sóbrio e, acima de tudo, muito mais próximo da equipa de futebol e do seu departamento técnico. josé roquete, dias da cunha e soares franco "cavaram" um fosso enorme entre a direcção e a equipa de futebol, deixando sempre os treinadores entregues a si próprios na defesa do clube.
o única aspecto negativo, para mim, da sua candidatura prende-se com o facto de bettencourt manter paulo bento à frente da equipa de futebol. parece-me contraproducente manter a aposta num técnico que já teve quatro oportunidades para ser campeão e falhou-as todas. quatro segundos lugares, com a consequente participação na liga dos campeões, não pode nunca ser suficiente para um clube como o sporting, nem para um candidato a presidente que se diz ambicioso e ávido de títulos. mais: para os sportinguistas será sempre muito complicado dissociar paulo bento daquela humilhação com o bayern de munique na liga dos campeões (12-2 no total), já para não falar nas outras goleadas, contra o barcelona e o real madrid... regressar à liga dos campeões (se chegarmos a entrar) com o mesmo treinador chega a ser masoquismo. para além disso, é evidente o gradual desgaste na relação do treinador com os adeptos e até com os próprios jogadores. só na última época, paulo bento incompatibilizou-se com stojkovic, miguel veloso, yannick djaló e vukcevic, para além de ter ostracizado tonel, que se lesionou ainda na primeira volta e perdeu o lugar para daniel carriço (numa altura em que o sporting, com tonel e polga a centrais, tinha a melhor defesa da liga), e de manter uma predilecção inexplicável, durante largos períodos da época, por jogadores como pereirinha, caneira e romagnoli. já para não falar em rui patrício... portanto, a meu ver, paulo bento deveria ter encerrado o seu ciclo como treinador do sporting no final desta época, como andou a apregoar praticamente durante toda a época, um facto que pode ter contribuído para a desmotivação do balneário, especialmente num plantel com tantos jogadores jovens, que ele lançou e amparou.
a solução ideal seria haver uma votação paralela na próxima sexta-feira, em que os sócios poderiam escolher, para além do novo presidente, o treinador para a próxima época. se eu votasse, a minha escolha seria josé eduardo bettencourt e... sven-goran eriksson.

domingo, maio 31, 2009

sven-goran eriksson


paulo pereira cristóvão, que se tivesse um bigode longo com as pontas retorcidas seria tal e qual o jorge gonçalves, anunciou que o seu treinador, caso ganhe as eleições para presidente do sporting, será sven-goran eriksson. o sueco ganhava 300 mil dólares por mês como treinador do méxico, cargo que ocupou apenas durante dez meses, sendo despedido em virtude dos maus resultados. anteriormente, tinha estado a orientar a selecção inglesa (de 2001 a 2006), onde também foi principescamente pago, e o manchester city. o facto de ele ter concordado com a possibilidade de treinar o sporting, que só acontecerá caso paulo pereira cristóvão seja eleito (o que não me parece muito provável), é, no mínimo, estranho, tendo em conta as depauperadas finanças do clube leonino. onde é que o sporting vai "arranjar" dinheiro para lhe pagar? e aceitará eriksson orientar um plantel com apenas uma dezena de jogadores de qualidade inegável? quantos jogadores pedirá o sueco à direcção para poder construir uma equipa competitiva? virá para o sporting apenas por razões logísticas, na medida em que possui ainda habitação em cascais? será que ele próprio vai investir no sporting, tendo em conta a choruda indemnização que recebeu da federação mexicana (à volta de 4,2 milhões de dólares)? ou será uma "bofetada de luva branca" que o técnico quer dar a rui costa e a luís filipe vieira, que, no ano passado, não chegaram aos números que o sueco queria para regressar ao benfica?
parece-me tudo um pouco "em cima do joelho", sendo, curiosamente, também neste aspecto paulo pereira cristóvão parecido com jorge gonçalves (o inesquecível "bigodes", que se fartou de contratar "unhas" para o sporting, muitas delas de qualidade altamente duvidosa). o homem até tem um bom discurso, embora um pouco ressabiado, tem boas ideias e está cheio de boas intenções, mas caramba, para alguém que está constantemente a falar do passivo do sporting e dos buracos orçamentais das últimas direcções do clube, contratar um técnico tão caro com sven-goran eriksson não será, desde já, um péssimo erro de gestão? um bom treinador não chega para vencer campeonatos (e eriksson é, de facto, um excelente treinador, isso nem se discute - foi o primeiro estrangeiro a vencer o campeonato italiano, pela lazio de roma (em 2000), o primeiro técnico estrangeiro a orientar a selecção inglesa e o único técnico a vencer, até agora, o campeonato e a taça em três países diferentes: suécia, portugal e itália); faltam essencialmente bons jogadores. que fará eriksson com ronny, romagnoli, tiuí, abel, caneira, pereirinha, djaló, rui patrício, hélder postiga, pedro silva, etc.? ainda por cima, o sporting terá este ano uma pré-época muito mais curta, em virtude das pré-eliminatórias da liga dos campeões. que faria eriksson em mês e meio para preparar a equipa, ele que está afastado da realidade do futebol português desde 1992 (ano da sua última passagem pelo benfica)?
mas deixando de lado as questões financeiras e deixando vir ao de cima o lado irracional de todo o adepto de futebol, gostaria muito de ver sven-goran eriksson a treinar o sporting, até porque nunca morri de amores por paulo bento e o considero básico de mais para orientar um clube com os objectivos do sporting. sempre admirei o técnico sueco, pelo seu profissionalismo e simpatia, elevação e correcção. mesmo quando treinava o benfica eu gostava dele (ficaram famosos os seus "penso qué..." nas conferências de imprensa). mas, sinceramente, acho que isso não vai acontecer. josé eduardo bettencourt vai ser o próximo presidente do sporting, disso ninguém tem dúvidas e vai tudo ficar na mesma, como se lá estivesse soares franco. paulo pereira cristóvão atirou o "trunfo" eriksson um pouco tarde demais. se o tivesse atirado antes de bettencourt anunciar a sua candidatura... talvez as coisas mudassem. desta forma, lá vamos ter que aturar paulo bento mais uma época, o treinador dos segundos lugares.

novo vício

sábado, maio 30, 2009

toy story 3



estreia a 18 de junho de 2010.

quinta-feira, maio 28, 2009

por que raio não consigo tirar esta música da cabeça?



on and on and on - wilco

jeff buckley



faz amanhã 12 anos que jeff buckley faleceu, com apenas 30 anos. aqui fica "last goodbye", como homenagem deste blogue ao autor de um dos melhores discos da década de 90: "grace".

quarta-feira, maio 27, 2009

correr, correr, correr


acordar todos os dias a sentir-me cada vez mais velho. não tarda iniciarei todas as minhas frases por "no meu tempo é que era". faltam-me objectivos, estímulos e metas, para além daquelas que compreendem a vida e o bem-estar da minha família. às vezes apetece-me começar a correr, sem sentido ou destino, como o forrest gump, e só parar quando algo fizer sentido. não sei se será a isto que chamam "crise da meia idade". o que sei é que a depressão se instalou. só sinto que estou realmente a fazer algo por mim, apenas por mim, quando vou correr e respirar natureza, ar puro e saudável para o fontelo, o coração de viseu. aí sim, sinto-me rejuvenescido e a fazer algo útil por mim, pela minha sanidade e bem-estar, psicológico e físico. fora disto, limito-me a integrar o rebanho, todos os dias, e a estender a mão no final de cada mês, à espera de algo que nunca chegará... não na minha idade. não nesta vida. talvez na próxima tenha mais sorte...

domingo, maio 24, 2009

sábado, maio 23, 2009

vicky cristina barcelona






depois de ver "vicky cristina barcelona", e isto deve ter acontecido a muito boa gente, fica-se com uma vontade incrível de ir a espanha, visitar barcelona e oviedo. a fotografia do filme é realmente fantástica, a cargo de javier aguirresarobe, e ambas as cidades são "bem trabalhadas" pela mestria da realização de woody allen. quanto ao resto, o cerne da questão, o argumento gira à volta das avaliações constantes que se fazem durante uma relação amorosa. as personagens representam filosofias românticas totalmente opostas, em que há nitidamente uma ténue linha entre o amor/paixão e o ódio/morte, na relação entre javier bardem e penélope cruz, um cepticismo idealista em relação ao amor que se vai diluindo durante o filme, na surpreendente interpretação da grande revelação do filme, rebecca hall, e uma curiosidade sexual latente e liberal como parte integrante de uma personalidade ainda por moldar e constantemente à procura de novas sensações e emoções, que encontramos na personagem de scarlett johansson. as interpretações, como estamos habituados a ver nos filmes de woody allen, são irrepreensíveis, nomeadamente dos quatro actores citados, dando vida a personagens extremamente bem escritas, minuciosamente trabalhadas em termos psicológicos. não há dúvida que a maria elena (penélope cruz), que só aparece no filme por volta dos 45 minutos, dá um valente "safanão" no filme, transformando uma comédia romântica, quase idílica até aí, num complexo e intenso jogo de sentimentos, dúvidas e ciúmes. as três principais personagens femininas do filme (e ninguém cria personagens femininas tão ricas como woody allen) procuram efectivamente um rumo a dar às suas vidas. johansson (cristina) vê em bardem (juan antonio) o talento que ela sempre perseguiu e sente-se imediatamente atraída por ele e pelo mundo em que ele vive, também à espera de descobrir a sua verdadeira vocação e inspiração; cruz (maria elena) ama loucamente bardem mas não consegue viver com ele, da mesma forma que não consegue viver... sem ele, entrando e saindo da sua vida, cometendo vários excessos pelo meio; e rebecca hall (vicky) (por quem, sinceramente, fiquei "apaixonado" em termos artísticos, chegando mesmo a pensar que o óscar que penélope cruz venceu por este filme deveria ter ido parar às suas mãos) chega a barcelona apenas com a intenção de estudar o mundo catalão, para preparar a sua tese, pensando ter a vida perfeitamente delineada e programada, com casamento marcado, um noivo exemplar e uma carreira profissional definida. porém, o aparecimento de bardem na sua vida faz com que ela descubra um novo conceito, até aí desconhecido: a paixão. javier bardem é o homem que faz "virar" a cabeça a estas três mulheres. é ele que puxa os cordelinhos durante todo o filme, na composição de uma personagem ao mesmo tempo determinada e segura, como vulnerável e vacilante, seguindo os desígnios do seu coração. a inter-relação entre este quarteto é um dos pontos fortes de "vicky cristina barcelona", onde woody allen volta a provar toda a sua perspicácia, acutilância e inteligência na avaliação e observação de relações amorosas.

quarta-feira, maio 20, 2009

estados de alma



(contemplação, meditação, solidão. as nuvens perpassam a alma, revestindo-a de tons de amargura e de sombras tenebrosas de angústia)

Desfaço-me em dúvidas,
multiplico-me em conjecturas.
Suavemente escureço.
Conscientemente, entrego-me,
cansado de pensar luas cheias,
farto de porejar ocasos solares,
fatigado de brotar tulipas e girassóis.
Recolho agora os mil pedaços
desta fragmentado ser,
esmigalhado na sua pequenez,
absorvido pelo pensamento reinante
ao qual a minha voz não se sobrepôs.
Quero que a noite caia depressa
e me proteja na sua escuridão;
hoje o meu espírito só espalha trevas,
as sombras invadiram o meu corpo,
sinto uma leveza inerte,
uma indolência gritante,
como se uma faca me rasgasse o peito
e em vez de dor, sangue e lágrimas
dele saísse apenas... poeira.
Suavemente escureço...

"stay alive" - the pains of being pure at heart

segunda-feira, maio 18, 2009

a pedido de várias famílias...






mais fotos da catarina furtado em viseu, obtidas por um colega do órgão de comunicação social regional onde trabalho, que estava muito mais bem situado do que eu... e com uma máquina fotográfica bem melhor, como se pode aferir pela qualidade das imagens.

domingo, maio 17, 2009

e lá nos encontramos outra vez...





dia: 16 de maio de 2009.
local: palácio do gelo.
cidade: viseu.
motivo: desfile de moda apresentado por catarina furtado.
frase mais usada durante o evento: "raios partam a máquina que não tira foto nenhuma de jeito".
visual da apresentadora (de 1 a 10): 45.
expectativas de ver catarina furtado sem maquilhagem e num estilo mais informal e casual: muito altas.
resultado das expectativas: tal como no final da peça "transições", catarina voltou a sair dos "bastidores" completamente maquilhada e, neste caso, exactamente com a mesma roupa (a que vêem nas fotos acima publicadas). aliás, mesmo com chuva e frio, a apresentadora foi nestes preparos até à viatura em que abandonou o palácio do gelo, sem que a produção tivesse a delicadeza de lhe emprestar um casaco.
outras conclusões do desfile: a núria madruga é pouco interessante visualmente; as modelos estão cada vez mais esqueléticas e parecem todas iguais.
se me apanhariam num evento deste género se não fosse a catarina furtado a apresentar: not a chance.

sábado, maio 16, 2009

the dream beyond the words


oh life
when are you truly there
do you think about the world
how far this time to be yourself
must you go down a stream
floating on the top is better
and you feel just what you are

what you are talking about is pure
what you're talking about is pure
what you're talking about is pure
and what you're talking about

must be the dream beyond the words
it gives way and steers itself
how far this time to be the one
that you knew was always here
won't you take the time to get it
so you'll know just what you are

what you're talking about is pure
what you're talking about is pure
what you're talking about is pure
and what you're talking about

will hang the sun every day to melt you down
will hang the sun every day to melt you down

quinta-feira, maio 14, 2009

compilação musical de maio

como faço o que bem entender deste blogue, até tentar acabar com ele, como tem sido o caso, decidi, há uns tempos, fazer mensalmente uma compilação musical, reunindo os temas que mais ouvi em determinado mês. esses temas não têm necessariamente que ser actuais, por dois motivos: primeiro, porque sou eu que estipulo as regras e apetece-me estipular desta forma, e o que eu gosto de estipular...; segundo, porque ouço muita música dos anos 80, dos anos 90, muito foxtrot, charleston e corridinho, e seria injusto não as referir, colocando apenas músicas recentes para dar uma de entendido na matéria, conhecedor de tudo o que há de novo na indústria musical. fixei o número de músicas por compilação em 15. porquê? porque acho que é o número ideal de músicas para um cd, não muito longo e chato, nem muito curto ao ponto de ficarmos com água na boca a desejar mais (para além disso, eu já tinha dito antes que adoro estipular, não foi?). a ideia é gravar a dita compilação, tal como as futuras, para quando chegar a dezembro deste ano, quando gravar o último cd do ano, olhar para os doze discos e dizer: "porra, que maneira mais entediante de perder tempo". a minha mulher também não entende as minhas "emergências musicais" lá em casa. normalmente, ao fim de jantar apetece-me ouvir música, deve ser o momento do dia em que isso mais vezes acontece, o que a irrita solenemente, porque ela quer ver as notícias. também não tem muita paciência para aquelas situações, que acontecem frequentemente, em que eu, entusiasmado com uma nova banda ou cantor(a), digo que lhe vou mostrar uma música muita boa e que ela vai gostar, porque geralmente não gosta. é impossível competir com rita redshoes neste aspecto. ela olha para mim como se eu fosse um maluquinho, não entendendo como é que eu posso criar uma relação tão afectuosa com as minhas músicas preferidas. eu respondo que me apaixono mais rapidamente por músicas do que por pessoas, o que acaba por ser muito bom em termos de solidez do próprio casamento. ela não me imagina a fugir para las vegas com uma música, ou a sair de casa para ir viver com uma música num parque de campismo em peniche. aliás, o nosso casamento só corre verdadeiramente perigo quando ela me pergunta o que é que eu quero para jantar. ainda hoje aconteceu isso. se eu não dou a resposta certa, ou seja, aquilo que ela quer ouvir, as fundações da nossa relação começam imediatamente a abanar. se digo pizza, frango assado com natas, panados ou lasanha, ela revira os olhos instantaneamente, ao mesmo tempo que diz que só escolho pratos com natas e molhos. quem me mandou casar com uma dietista. quando disse, na minha terceira tentativa, pescada cozida com batatas cozidas, ela concordou e eu consegui salvar, mais uma vez, o nosso casamento.
a lenga-lenga já vai longa e eu ainda não anunciei quais são as doze músicas da compilação de maio. aqui estão elas:

1. to be the one - idaho
2. some kind of fool - david sylvian
3. the night - morphine
4. tomorrow started - talk talk
5. northern sky - nick drake
6. the warming sun - grandaddy
7. to wish impossible things - the cure
8. they died for beauty - ilya
9. dave's dream - the czars
10. in the morning of the magicians - the flaming lips
11. smokey - red house painters
12. ride - david sylvian
13. by starlight - the smashing pumpkins
14. pink cigarette - mr. bungle
15. the same deep water as you - the cure

decidi não colocar ainda nenhuma música do disco de estreia dos the pains of being pure at heart, porque só o comecei a ouvir ontem e tenho que "amadurecer" as minhas preferências em relação às músicas, isto apesar de já ter algumas preferidas ("a teenager in love", "young adult friction", "stay alive" e "gentle sons"). se tiver, no entanto, que avaliar o disco neste momento, apenas por estes dois dias de audição, sou tipo para lhe dar um 9, de 1 a 10.

"whatever works"



larry david e woody allen! promete...
entretanto, o próximo filme de woody allen, que vai ser gravado em londres no verão, já não vai contar com nicole kidman, que abandonou o projecto (fala-se numa possível gravidez da actriz). desta forma, kidman já não se vai juntar ao elenco de luxo, e de várias nacionalidades, que allen reuniu para o seu próximo filme: anthony hopkins, naomi watts, antonio banderas, freida pinto e josh brolin.

o que se ouve por cá...


alex naidus (baixo), kip berman (guitarra/voz), kurt feldman (bateria) e peggy wang-east (teclados/voz) juntaram-se em 2007, em nova iorque, para formarem os the pains of being pure at heart, banda que nos remete imediatamente para o início dos anos 90, para o estilo musical apelidado de "shoegaze", onde pontificaram bandas como os my bloody valentine, ride e the jesus and mary chain. neste disco de estreia, que tem o mesmo nome da banda, conseguem ainda ouvir-se influências de uma outra banda britânica marcante: the smiths. a propósito de todas estas influências sonoras, o site all music guide escreveu "it all could come off like a pastiche with little more than nostalgic value but the band acts as if it were the first time anyone ever captured this kind of sound, never sitting back and aping the past but instead giving it a healthy boost". a banda gravou inicialmente um ep para a editora painbow, em 2008, tendo o primeiro disco sido lançado em fevereiro passado, pela editora slumberland, tendo obtido excelentes críticas por parte da imprensa especializada, tornando-se rapidamente numa das bandas mais faladas do início de 2009. o all music guide termina assim a crítica ao disco: "a little more variation from song to song, a little more of their own sound, or another song or two as compelling as the best stuff here and the POBPAH's debut would have been classic. settling for impressive is fair enough and good enough for fans of loud, fuzzy, and heartfelt indie noise pop".

quarta-feira, maio 13, 2009

a feel good song



"young adult friction", dos the pains of being pure at heart.

sábado, maio 09, 2009

liedson é deus


já serão poucos os adjectivos que ainda não foram utilizados para descrever o virtuosismo de liedson (pelo menos neste blogue). fará 32 anos a 17 de dezembro mas joga como se tivesse 19, estando sempre em jogo, nunca dando uma bola por perdida, nunca virando a cara à luta. há muito que "carrega" com o sporting de paulo bento às costas, garantindo muitas vitórias à custa da sua raça, entrega e dedicação. hoje, frente ao vitória de setúbal, voltou a ser ele a resolver o jogo. liedson já teve ao seu lado, desde que chegou ao sporting em 2003, muitos companheiros de ataque (silva, niculae, pinilla, deivid, bueno, alecsandro, purovic, djaló, derlei, tiuí, postiga), não tendo nunca nenhum deles feito frente ao "levezinho", nem em termos exibicionais, nem em número de golos apontados. mesmo assim, continuo a considerar que liedson ainda não teve no sporting um companheiro de ataque à sua altura. no meu entender, liedson só deveria sair do sporting quando fosse campeão nacional, mesmo que isso implique que ele lá fique a jogar até aos 50 anos. o clube deveria apresentar-lhe um contrato vitalício, mas não como aquele que, um dia, manuel damásio assinou com joão vieira pinto (para depois vale e azevedo "correr" com o "menino de oiro"). liedson ainda tem muitos anos para dar ao sporting (caramba, filippo inzaghi vai fazer 36 anos em agosto e ainda é o melhor marcador do ac milan!) e, a jogar a este nível e a resolver jogos com esta frequência, mantendo sempre um elevado nível exibicional e de entrega ao jogo, já merecia há muito a braçadeira de capitão. com a sua cara meio faraónica, meio pelezinho (personagem de maurício de sousa), o "levezinho" entrou definitivamente na história do clube, sendo hoje o estrangeiro com mais golos apontados pelo clube nas competições europeias e um dos melhores marcadores de sempre do clube, figurando ao lado de nomes como fernando peyroteo, hector yazalde, manuel fernandes, rui jordão, alberto acosta e mário jardel. para mim, e sem nenhuma pontinha de exagero da minha parte, liedson tem lugar em qualquer equipa do mundo, mesmo no barcelona e no manchester united. aliás, wayne rooney, caso o sporting tivesse dinheiro para o comprar (e para isso teria que vender o estádio, a academia e o rodrigo tiuí), seria mesmo o jogador ideal para jogar ao lado de liedson na frente de ataque. mas isto já sou eu a sonhar...
nas duas jornadas que faltam disputar, espero que liedson ainda consiga apanhar nené (fantástico jogador!) no topo dos melhores marcadores da liga. será o único motivo de interesse para mim, agora que o 2º lugar está garantido.

"yes man"


há muito tempo que não me ria tanto com um filme de jim carrey. como admirador das suas capacidades como actor, tanto cómico, como dramático ("the truman show", "eternal sunshine of the spotless mind", "man on the moon" e "the majestic" são bons exemplos), acho que até seria capaz de ver jim carrey, durante 90 minutos, apenas a fazer caretas, iguais às que fazia no início da carreira em filmes como "ace ventura" ou "dumb and dumber". no entanto, nos seus últimos filmes carrey andava longe do registo do início de carreira. desde 2003, com "bruce almighty", que tem os seus momentos, que o actor não tinha um filme realmente cómico, "à jim carrey"! este "yes man" é um filme que só teria piada com um actor como jim carrey (talvez com steve carell também resultasse), onde o actor pode dar largas a toda a sua "loucura", com todo um vasto leque de composições hilariantes, nomeadamente quando fala coreano ou apanha uma "pedra" com red bull. é um filme perfeito para um sábado à tarde a ameçar chuva, com boa disposição, bons actores (rhys darby, o agente dos "the flight of the conchords", também entra) e várias cenas em que se fica, autenticamente, com os olhos a chorar... de tanto rir. não é nenhuma "obra-prima", mas, convenhamos, há cada vez menos comédias de jeito.

quarta-feira, maio 06, 2009

a final desejada

injusto? sim, talvez, se levarmos em linha de conta que o barcelona, em 14 remates, apenas por uma vez acertou na baliza de cech... e foi golo. polémico? sim, o chelsea tem meia dúzia de lances em que reclama penalty, sendo pelo menos um deles flagrante (mão de piqué na bola). porém, também é certo que abidal foi mal expulso. depois, foi evidente que o chelsea teve mais oportunidades de golo e esteve muito perto de "matar" a eliminatória, tal como no ano passado esteve perto de vencer a liga dos campeões, senão fosse a escorregadela de terry na marcação da sua decisiva grande penalidade. mas, mesmo a jogar com mais um jogador, o chelsea de hiddink continuou a ser super defensivo, recuando cada vez mais as suas linhas para a entrada da sua grande área. o barcelona, mesmo sem puyol, marquez e henry, e com messi a meio gás, nunca desistiu de tentar furar a defesa do chelsea (é preciso assinalar que a equipa de guardiola, que já apontou 100 golos no campeonato espanhol em 34 jogos, somente conseguiu marcar um golo ao chelsea ao fim de 190 minutos, mais minuto menos minuto). tanto porfiou que, aproveitando um falhanço incrível de essien (logo ele, que havia marcado aquele excelente golo), ao aliviar mal uma bola na sua grande área, deixando-a nos pés de messi, o barcelona acabou por chegar mesmo ao golo, quando já ninguém acreditava, por intermédio de iniesta. depois, foi ver guardiola correr metade do campo, fazendo lembrar josé mourinho em manchester em 2004.
custou, no final, ver a angústia estampada nas faces de lampard e de essien, contrastando com a alegria exuberante dos espanhóis. no cômputo geral, o chelsea demonstrou em ambos os jogos que estudou muito bem este barcelona, foi das poucas equipas que este ano conseguiu travar a avalanche ofensiva da equipa de guardiola. o barcelona mostrou-se impotente, tanto em camp nou como em stanford bridge, para conseguir tornear o sistema defensivo de hiddink; no entanto o golo de iniesta (e, sejamos francos, a má arbitragem do árbitro norueguês) fez toda a diferença. por este jogo, o barcelona não merecia ir à final com o manchester united, mas convenhamos que já mostrou esta época uma qualidade futebolística a que o chelsea nunca chegou, nomeadamente nessa extraordinária exibição no santiago bernabéu no passado sábado.
na final da liga dos campeões, o manchester united não vai poder contar com fletcher; o barcelona, mais castigado, não poderá fazer alinhar daniel alves e abidal, mas já contará com puyol (o pulmão da equipa) e henry, que hoje fez tanta falta.
era a final de sonho. o sonho concretizou-se...

terça-feira, maio 05, 2009

o verdadeiro soporífero


conhecem aquele género de filmes que uma pessoa tenta ver, várias vezes, e acaba, inevitavelmente, por adormecer sempre? pois bem, "the women" vence claramente o prémio de "filme que mais rapidamente me põe a dormir". é que já por cinco ou seis vezes tentei ver o filme e acabei sempre por adormecer. ando a ver o filme aos 15/20 minutos de cada vez. por incrível que pareça, na altura em que escrevo este post, ainda não acabei de ver o filme. confesso que ainda tive tempo para arregalar os olhos ao ver eva mendes a experimentar lingerie numa cena do filme, mas, quanto ao resto, pouca coisa me despertou a atenção, para além do facto de não aparecer nenhum homem. pelo menos, até à altura em que vi. lá para o fim do mês saberei se, de facto, não entra nenhum homem neste "the women".

manchester united - barcelona?

depois de ter assistido ao verdadeiro recital que o barcelona foi executar a madrid no fim-de-semana passado, vencendo concludentemente por 2-6 o real madrid, num jogo em que poderia, ainda, ter apontado mais golos;
depois de ter assistido à autêntica demonstração de poderio defensivo e ofensivo do manchester united no emirates stadium, frente ao arsenal, "esmagando" a equipa de arséne wenger;
faço figas para que, amanhã, o barcelona consiga ultrapassar a rigidez ultra defensiva do chelsea, que na primeira mão não deixou a equipa de guardiola "montar" o seu fabuloso carrossel do meio campo para a frente, para que, na final da liga dos campeões 2008/2009, se encontrem as duas melhores equipas da actualidade. assistir a um barcelona - manchester united, com artistas do calibre de um rooney (espantoso jogador de equipa), xavi, iniesta, cristiano ronaldo, eto'o, messi, ferdinand, vidic, touré, carrick, giggs, henry, evra, puyol, tevez, berbatov...

quarta-feira, abril 22, 2009

longe...

desafio óscares

respondendo a um desafio lançado pelo tadeu, aqui ficam as minhas impressões sobre os óscares e os anos em que eu considerei ter havido alguma injustiça. começo por 1991, em que, para mim, existiu uma campanha negra (à semelhança daquela que o nosso primeiro-ministro afirma que tem sido alvo) contra gerard depardieu, para ele não vencer o óscar de melhor actor, mais do que merecido, pela sua grandiosa e virtuosa interpretação em "cyrano de bergerac". quem ganhou nesse ano? pois, foi jeremy irons, pelo filme "reversal of fortune", num papel simples, básico e muitas vezes visto em cinema. aceitaria, porém, que depardieu tivesse perdido o óscar para robert de niro, que, em "awakenings", tem uma actuação brilhante.
em 1990, "driving miss daisy" venceu o óscar de melhor filme, quando no lote dos nomeados havia outro filme que, na minha opinião, merecia ganhar: "dead poet's society". até "field of dreams", igualmente nomeado nesse ano, me pareceu um filme bem melhor que o entediante "driving miss daisy".
em 1994 venceu "forrest gump", um filme simpático, divertido e uma história bem americana sobre um "zé ninguém" que se transforma numa pessoa muito bem sucedida a todos os níveis. o óscar acabou, na altura, por ser bem entregue. mas agora que olhamos para os outros nomeados nesse ano vamos filmes que "amadureceram" muito melhor ao longo dos anos: "four weddings and a funeral", "pulp fiction" e o fabuloso "the shawshank redemption". 1994 foi, talvez, das edições com um grupo mais forte de nomeados a melhor filme. resta dizer que o quinto nomeado era "quiz show". outra grande injustiça nesse ano foi a não nomeação de tim robbins para melhor actor por "the shawshank redemption".
em 1995 não concordei nada com a vitória de susan sarandon para melhor actriz, pelo filme "dead man walking". elisabeth shue, em "leaving las vegas", e meryl streep, em "the bridges of madison county", pareciam escolhas mais acertadas.
em 1998, um dos anos mais fracos na história dos óscares para mim, também não concordei em nada com a vitória de "shakespeare in love" e muito menos com a vitória de gwyneth paltrow como melhor actriz, num papel completamente banal. mas as alternativas também não eram muito fortes, refira-se (competia contra fernanda montenegro, "central do brasil"; meryl streep, "one true thing", emily watson, "hilary and jackie", e cate blanchett, "elizabeth"). já o filme ganhou a um dos meus filmes preferidos: "la vita è bella", de roberto benigni, que, a meu ver, merecia ganhar. ou até "saving private ryan", de steven spielberg. agora "shakespeare in love"... por amor de deus.
em 2004 venceu "million dollar baby", mas no lote dos nomeados a melhor filme estava igualmente um dos meus filmes preferidos, "sideways". como melhor actor ganhou jamie foxx, por "ray", quando paul giamatti, de "sideways", nem sequer foi nomeado.
em 2005 achei a escolha de "crash" para melhor filme um pouco estapafúrdia. "brokeback mountain" ou "munich" teriam sido muito melhores escolhas.
em 2006 venceu "the departed", que muita gente considera uma obra menor de martin scorsese, derrotando outro dos meus filmes preferidos: "little miss sunshine". gostei, no entanto, da vitória de alan arkin como melhor actor secundário por "little miss sunshine", mas fiquei indignado com a não nomeação de steve carell, que eu achei simplesmente fantástico neste filme.
e é isto, espero que tenha respondido em condições ao teu desafio, caro tadeu.