quarta-feira, novembro 26, 2008

humilhante!

pois é, meus amigos, este é o verdadeiro sporting, que sofre golos infantis, que tem jogadores na equipa titular que ainda pensam que jogam nos juniores, que não pressiona o adversário, que deixa jogar as "estrelas" do barcelona como se os estivessem a admirar, à espera que eles acabem o seu recital para no final lhes pedirem autógrafos, etc..
é precisamente isto que vai acontecer ao sporting nos oitavos-de-final da liga dos campeões. vamos ser copiosamente humilhados novamente, seja qual for a equipa, porque naquela fase da prova só vão estar autênticos "papões" e toda a gente sabe que os "meninos" têm medo dos "papões". real madrid, chelsea, juventus, bayern, inter de milão, arsenal, manchester united, liverpool, um destes calhará certamente em sorte ao sporting. a questão depois vai ser por quantos é que o sporting vai perder...
mas analisemos a equipa do sporting hoje. rui patrício é o que se sabe. o lance do penalty é esclarecedor em termos de azelhice, imaturidade e insegurança. caneira é um "buraco" autêntico, um zero à esquerda, alguém que nunca devia ter escolhido a profissão de jogador de futebol. foi expulso contra o fc porto, expulso contra a naval, este ano já cometeu dois penaltys e hoje, para cúmulo, marcou um auto-golo, precisamente um minuto depois de o sporting ter reduzido para 2-3, ou seja, de "reentrar" no jogo. será um tremendo azar ou caneira é mesmo um dos piores jogadores que alguma vez participou na liga dos campeões (pior do que ele só celsinho, purovic e farnerud). daniel carriço falhou estrondosamente no primeiro golo, ao deixar passar messi junto à linha final quando parecia ter o lance controlado, e depois disso acumulou asneiras, como no tal lance do penalty em que rui patrício foi expulso. polga esteve claramente mal acompanhado na defesa, foi incapaz de tapar todos os buracos. grimi é básico, é o típico jogador de chuto para a frente, sem sentido, apenas para aliviar e afastar a bola da sua proximidade, porque ele convive muito mal com a bola. o meio campo praticamente não existiu na primeira parte. decididamente, romagnoli não está para se chatear e faz questão de passear a sua indiferença pelo relvado, como se estivesse a fazer o maior dos fretes. por mim, é correr definitivamente com ele no final da época, ou até mesmo em janeiro. desde que está no sporting, em cem jogos deve ter jogado bem apenas em três. sem exagero. miguel veloso "salvou-se" com o golo que apontou, exactamente da mesma forma que marcou ao real madrid em agosto. moutinho andou perdido na ala esquerda, quando rende muito mais no centro; só que nesse lugar estava... o inconsequente romagnoli. não entendo por que é que paulo bento insiste neste erro... pereirinha até foi desarmado na primeira parte por... henry, que não é propriamente um jogador defensivo. yannick, mais uma vez, foi zero, uma nulidade, e rivaliza directamente com caneira para o prémio de "pior jogador em campo". liedson hoje fartou-se de cair em fora do jogo, mas diga-se que nunca foi servido em condições pelo seu meio campo. marcou um golo, o que num jogo destes é sempre de salientar. os suplentes nada trouxeram de novo.
em conclusão: o sporting foi dominado, gozado até, em sua própria casa, durante os 90 minutos. ficou bem patente que a equipa só está nos oitavos-de-final da prova por clara sorte no sorteio, que colocou shakhtar e basileia no caminho do sporting. pior: o sporting cometeu hoje precisamente os mesmos erros que tinha cometido em barcelona, o que indicia que estes jogadores, e este treinador, não aprende nada com a experiência. se daqui a quinze dias fosse jogar a barcelona, o sporting jogaria exactamente da mesma forma, tenho a certeza, e perderia novamente por quatro ou cinco. não se vê nesta equipa nenhuma evolução, nenhum processo novo, nenhuma movimentação ofensiva. não se vê nada deste sporting. a equipa não joga bom futebol, vive do pontapé para a frente à procura de liedson, não consegue trocar a bola durante 20 segundos seguidos, não há nenhuma ligação entre sectores. enfim, uma miséria. há anos que não via o sporting jogar tão mal, chega a ser deprimente. se paulo bento continua à frente do sporting por ter conseguido essa histórica passagem aos oitavos-de-final da liga dos campeões, preferia mil vezes que o clube não tivesse conseguido essa façanha e que já estivesse a comandar a equipa técnica outro treinador. está mais do que visto que paulo bento já não consegue fazer mais nada desta equipa. não a consegue motivar para os grandes jogos, a equipa entra sempre amedrontada e encolhida, a prestar vassalagem aos adversários. será que soares franco e ribeiro teles ainda não conseguiram ver isto?
honestamente, alguém acha que o sporting vai ganhar alguma coisa este ano? a taça de portugal já foi, no campeonato temos três derrotas em nove jogos, duas delas em casa, e estamos a seis pontos do líder. resta a taça da liga e a tradicional luta pelo segundo lugar, a que paulo bento já está habituado. só que este ano esse segundo lugar não dá acesso directo à liga dos campeões...
já perdi a conta ao número de "posts" a lamentar exibições do sporting, mas esta foi exagedaramente humilhante. no sorteio dos oitavos-de-final da liga dos campeões, a mais importante e prestigiada da europa, até vai parecer mal estar lá esta equipa, com este treinador à frente, no meio de equipas que realmente praticam futebol.

"underneath the stars" - the cure



esta música acabou de passar no vh1, onde está a ser transmitido um concerto ao vivo dos the cure. é the cure "vintage": deprimente, arrastado, fabuloso, magnífico!

sobreviver ao natal... outra vez

2008 caminha rapidamente para o seu término, mas antes da chegada de um novo e fresquinho ano ainda teremos que sobreviver a mais uma aventura chamada natal. a meio de novembro já vieram os primeiros sinais, os primeiros anúncios televisivos, a medo. uma semana depois, duplicaram, para, na semana seguinte, triplicarem. agora cerca de 90% da publicidade visual, sonora e escrita é sobre o natal, porque a febre das compras de natal vai começar. vamos novamente ser bombardeados com anúncios alusivos à época, incitando ao consumismo desenfreado. fazem-se listas, contam-se os trocos para tentar ficar ainda com algum dinheiro do subsídio de natal para o início do ano, quando se prevê que a crise e a recessão económica se instale de vez em portugal. é também por esta altura que começam os "balanços" do ano, as tradicionais retrospectivas, com o melhor e o pior, as revelações e a desilusões do ano que termina. mas quanto a este aspecto falaremos noutra altura.
hoje quero falar essencialmente da atmosfera natalícia, daquela magia que nos invadia quando éramos crianças e sentíamos o natal cada vez mais perto. é claro que não vou começar para aqui com balelas e sermões sobre o facto de o natal ser cada vez mais mercantilista e comercial, isso já toda a gente sabe. em minha casa, por esta altura, ou seja, a um mês e pouco do natal, vem sempre a mesma conversa: "este ano não vão haver prendas para ninguém, temos que poupar". e o mais engraçado é que sabemos perfeitamente que nos estamos a tentar enganar a nós próprios. as crianças falam umas com as outras, depois chegam a casa e, como quem não quer a coisa, lá dizem que gostavam de ter o novo "action man advogado", que nunca perde um caso, porque o andré também vai ter um no natal, os pais da joana vão-lhe comprar uma boneca que consegue dactilografar 120 palavras em 30 segundos, os padrinhos do leonardo já mandaram vir uma psp, os do bruno uns gnr, etc.. e quem são os pais com coragem para dizer aos filhos, nestas circunstâncias, "tu não vais ter nada porque temos que poupar, o banco central europeu anunciou que as taxas de juro vão subir, aumentando as prestações e, consequentemente, provocando um déficit no nosso superavit financeiro".
os anúncios televisivos vão desfilando, as crianças vão criando listas mentais de prioridades. os pais vão registando, distribuindo posteriormente os brinquedos desejados pelos compradores interessados em oferecer algo que realmente eles queiram, em vez de um par de meias ou de um livro da margarida rebelo pinto. assim, os pais oferecem o brinquedo que aparece no anúncio a que ele reage mais energicamente, os avós o brinquedo imediatamente a seguir, os tios, os padrinhos, etc, etc.. acontece isto todos os anos, uma "joint venture" para proporcionar às nossas crianças o mais cintilante brilho nos olhos, o mais rasgado sorriso, o mais apertado abraço e o mais sentido beijo de agradecimento. para mim, é isto o natal, dar uma enorme alegria às crianças, mesmo que três dias depois o brinquedo que lhes demos esteja já a um canto, avariado ou partido.
até ao nível das prendas de natal estamos sempre em constante evolução em termos geracionais. os meus pais provavelmente nem teriam direito a prendas no natal, dadas as dificuldades com que se debateriam os meus avós. a geração seguinte, a minha, também se debateu com muitas dificuldades financeiras, mas os meus pais nunca deixaram passar esta época sem uma lembrança, por mais insignificante que fosse. e nós também sabíamos que não podíamos almejar muito alto. na minha altura, não passavam nem 10% dos anúncios a brinquedos que hoje inundam os canais de televisão, lembro-me dos carrinhos majorette e matchbox, das garagens com andares de estacionamento de carrinhos, com elevador, do cubo mágico, mais tarde do spectrum (o saudoso spectrum), dos walkman, etc.. hoje, por estes dias, a geração dos meus filhos tem aquilo que nós, quando éramos da idade deles, queríamos ter. tentamos sempre fazer mais do que os nossos pais fizeram, ou puderam fazer... obviamente, também espero que o mesmo aconteça com os meus netos, quando chegar a altura de os meus filhos se debaterem com a lista de "exigências" no natal. era bom sinal...

terça-feira, novembro 25, 2008

estado d'alma

1. the second part - the dears
2. here to go - idaho
3. i will sing you love songs - my morning jacket
4. leviathan bound - shearwater
5. ballad of sister sue - slowdive
6. levitate - idaho
7. some kind of fool - david sylvian
8. a jealous heart is a heavy heart - damien jurado
9. my life - bonnie prince billy
10. astronaut - beach house
11. sometimes - my bloody valentine
12. tonight the sky - sun kil moon
13. your heart is an empty room - death cab for cutie
14. wondering the fields - idaho
15. memories of you - ryan adams
16. sad eyes - josh rouse
17. song for the angels - great lake swimmers

jehovah, jehovah



"life of brian" estreou em agosto de 1979, descrito na altura como "a motion picture destined to offend nearly two thirds of the civilized world. and severely annoy the other third". são às dezenas as cenas memoráveis e hilariantes neste filme, uma delas já foi publicada (biggus dickus e a incontinentia buttocks), como a people's front of judea, o stan que quer ser loretta e ter o direito de ter filhos, embora não tenha útero ("where's the fetus going to gestate? you going to keep it in a box?"), o centurião que corrige gramaticamente o latim de brian ("now write it a hundred times!"), um outro centurião que pergunta educadamente a cada um dos condenados em fila "crucifixion? good!", a reunião do people's front of judea em que se questiona o mérito dos romanos ("all right, but apart from the sanitation, medicine, education, wine, public order, irrigation, roads, the fresh water system and public health, what have the Romans ever done for us?"), o eremita que estava sem falar há 18 anos, a "judean people's front crack suicide squad" que aparece no final do filme para "salvar" o brian da crucificação, jesus cristo a oferecer-se para ajudar um condenado a arrastar a sua cruz, o "release brian", a multidão que segue brian por julgar que ele é o novo messias, simplesmente porque não acabou um "discurso" ("i say you are lord, and i should know. i've followed a few"), o discurso de jesus cristo ("blessed are the cheesemakers"), os reis magos que se enganaram na manjedoura, o plano para raptar a mulher de pilatos, a conversa entre a mãe de brian e a multidão que o seguiu até casa ("are you a virgin?")... muitas cenas hilariantes num filme, a todos os títulos, notável.

biggus dickus



uma cena hilariante, entre as muitas do filme, de uma das comédias mais brilhantes de sempre: "a vida de brian", dos monty python.

domingo, novembro 23, 2008

insónias

ah, a bela da insónia, sempre ao domingo à noite. tudo porque de sábado para domingo uso e abuso do belo do sono. assim sendo, toca a rentabilizar o tempo. como? debitando meia dúzia de baboseiras neste espaço, coisas que me assolam o pensamento. por exemplo, hoje à noite, enquanto me deleitava, mais uma vez, com a visão das belas pernas da catarina furtado, surgiu como primeiro convidado do programa o carlos do carmo. quando ele cantou, de forma magistral, como sempre, o tema "no teu poema", senti um enorme arrepio na espinha outra vez, tal como senti há tempos quando ele cantou "estrela da tarde" num programa do herman. o homem é dono da mais bela voz que este país deu a conhecer e todas as homenagens ou tributos que lhe possam dedicar nunca serão demais.
depois, passei pelos "gatos". os sketches estão a melhorar, é verdade, mas continuo a embirrar com aqueles espaços de conversa informal entre cada um deles. primeiro, se contabilizarmos bem, o programa, que tem uns 40 minutos de duração, deve ter uns 2 minutos só de público a bater palmas. depois, para quem lê as crónicas de ricardo araújo pereira na "bola" e na "visão", não é lá muito gratificante vê-lo no programa a repetir as mesmas piadas que escreveu naquelas publicações.
voltando um bocadinho atrás, a reportagem que a tvi transmitiu sobre o processo casa pia, precisamente um dia antes de o processo voltar à barra do tribunal, com as alegações finais, pareceu encomendada e foi tudo menos imparcial. quem viu a reportagem certamente que não deixou imediatamente de condenar os arguidos, porque toda a gente que nela prestou declarações acusou deliberadamente e sem pejo algum as pessoas envolvidas, com bastantes pormenores sórdidos e escabrosos que deveriam estar em segredo de justiça. considerei tudo aquilo um péssimo trabalho jornalístico, que optou por ver apenas um lado da questão, tomando partido claramente sobre um dos lados e, ainda por cima, com uma calinada incrível a meio de uma entrevista a uma das vítimas, quando a jornalista pergunta "o que é que tu vistes?", exactamente assim, com o "s" no final. obviamente, carlos cruz foi o alvo a abater. a tvi determinou há muito tempo que o ex-apresentador seria o seu "cavalo de batalha", facto a que não será alheia a animosidade entre este e manuela moura guedes. para a tvi, carlos cruz tem de ser condenado e a reportagem serviu claramente para mostrar aos espectadores que o ex-apresentador de televisão é um monstro, sujeitando-o a este verdadeiro julgamento popular. em vésperas de um julgamento nunca tinha visto tal coisa, um produto televisivo tão parcial, tão bem orientado na sua função de aniquilar alguém. é claro que não estou a assumir nenhuma preferência ou a escolher também eu um dos lados, só acho que os arguidos devem ser considerados, todos eles, inocentes até serem condenados ou se provar a sua culpa em tribunal. se isso acontecer, se for provada a culpa de todos os arguidos, então sim, que lancem foguetes, que façam uma gala com todos os actores das novelas tvi, com a júlia pinheiro e o manuel luís goucha a apresentar, que ponham o moniz a fazer de pirata e a moura guedes a cantar marilyn monroe. mas prometam-me que, antes disso, ensinam a jornalista ana leal a falar. combinado? "vistes" é muito mau, mesmo para os padrões da tvi.

se eu fosse um simpson...

pronto, acho que já só faltava eu!... se o isaac davis morasse em springfield, seria este o seu aspecto. confesso que não esperava ter umas entradas assim tão grandes, mas paciência, até estou atraente o suficiente para ter um caso com uma das irmãs da marge.

sábado, novembro 22, 2008

vitória bem suada


triste, mas verdade. uma vitória do sporting quase vale tanto como seis do fc porto e cinco do benfica, de tão sofridas que são. aliás, até deviam valer mais pontos. há duas jornadas vencemos o rio ave, por 0-1, mas jogamos mais de 30 minutos com menos um jogador (derlei). hoje, frente à naval, novamente o mesmo resultado, mas a jogar com 10 a partir dos 55 minutos e com 9 a partir dos 66 minutos. e ainda tivemos um penalty contra! uma vitória do sporting tem que ser sempre arrancada a ferros, no limite do esforço dos jogadores. é certo que a equipa não exibe uma boa qualidade exibicional, raramente liga um lance de ataque (a excepção foi mesmo a primeira parte contra o fc porto para a taça de portugal) e tem jogadores com muitos minutos na liga que nem no tourizense tinham lugar, mas caramba, esta equipa não tem uma pontinha de sorte. ou então esgotou-a no jogo contra o basileia em alvalade, na jogada do primeiro golo (com romagnoli no epicentro de um lance às três tabelas), e na vitória no terreno do shakthar donetsk (quase sem saber ler nem escrever). hoje foi o que se viu. os árbitros não têm qualquer problema em expulsar jogadores do sporting. nenhum mesmo. e agora, depois das declarações de paulo bento no final do jogo da taça frente ao fc porto, isso tornou-se ainda mais evidente. resultado: o sporting acabou o jogo com 9 jogadores, sofrendo a bom sofrer para ganhar os 3 pontos. mesmo assim, a melhor oportunidade da segunda parte pertenceu a liedson, esse verdadeiro mouro de trabalho, que conseguiu "segurar" três defesas da naval, pouco se notando a vantagem numérica da naval nos últimos 30 minutos. em suma, vitória suada e conseguida com muito esforço e empenho dos bravos 9 jogadores que ficaram no terreno. como já elogiei liedson, resta-me enaltecer a boa exibição (até que enfim, já era tempo de ele fazer uma boa exibição) de rui patrício, bem como de polga e carriço, dupla de centrais hoje intransponível, e de... izmailov. tanto se falou durante a semana da sua virose e dos seus múltiplos problemas físicos; no entanto, uma pessoa vê o jogo que ele fez hoje contra a naval, onde fez várias posições e acabou praticamente a defesa esquerdo, sempre em jogo, a defender e a atacar, e não consegue deixar de fazer uma pergunta: se ele é assim tão bom doente, como será quando estiver realmente em forma? izmailov é um grande jogador! tomara que paulo bento nunca se incompatibilize com ele...

sexta-feira, novembro 21, 2008

saturday night - suede



um dos meus inícios de música preferidos. os suede deixaram-nos grandes canções nos anos 90, sendo esta uma delas.

woman in chains - tears for fears



fabulosa música, que amadureceu muito bem com a idade. roland orzabal e oleta adams num dueto inesquecível!

quinta-feira, novembro 20, 2008

meia dúzia

a meu ver, os jogadores da selecção nacional de futebol, depois da saída de scolari, entraram em clara descompressão. ou seja, com o afastamento de um treinador duro e implacável, que exigia sempre mais dos seus jogadores e os forçava a irem aos limites da aplicação e rendimento, eles sentiram que finalmente poderiam "relaxar" e usufruir dos louros conquistados nos últimos anos. ainda por cima o seleccionador escolhido para substituir o "sargentão" foi um daqueles que não mete medo a ninguém (até soares franco não teve receio de entrar numa guerra de palavras com ele). carlos queirós chegou à selecção em agosto e encontrou o mesmo cenário que é evidenciado por aquele provérbio "patrão fora, dia santo na loja". os jogadores, finalmente libertos do jugo scolariano, devem ter ficado radiantes com a escolha de queirós, o macio, paciente, compreensivo e paternalista queirós.
o que se vai vendo nos jogos de portugal é uma dezena de jogadores "instalados", que pensam que não têm mais nada que provar a ninguém, porque jogam em grandes clubes europeus, são praticamente milionários e, sobretudo, não querem de maneira nenhuma lesionar-se ao serviço da selecção, colocando em perigo a época ao serviço dos seus clubes. e depois há as "invenções". contra a albânia, foi manuel fernandes a jogar de início; ontem foi tiago. os médios com capacidades defensivas ficaram todos no banco de suplentes e queirós apresentou-se no brasil, para enfrentar uma das mais poderosas selecções do mundo, com o seguinte meio campo: maniche, deco e tiago. o que é que ele estava à espera? o brasil, com anderson, elano, gilberto silva e kaká, foi sempre superior no meio campo. é certo que o quarteto defensivo nacional esteve muito mal, bem como quim, mas será justo dizer-se que não teve qualquer tipo de ajuda do meio campo, nem na primeira parte, com tiago "ausente" do jogo, nem na segunda, com raúl meireles também perdido no terreno de jogo, incapaz de ajudar paulo ferreira no lado esquerdo, por onde se desenrolaram os lances de três golos do brasil na segunda parte. maniche pareceu sempre muito mais preocupado em bater em tudo o que era perna brasileira e a "pedir" a expulsão do que em construir jogo; deco nunca conseguiu ligar um lance de ataque com nenhum dos avançados; simão nunca consegue desequilibrar na selecção; danny foi o mais inconformado da primeira parte mas, estranhamente, queirós trocou-o por nani ao intervalo, deixando ficar o inconsequente simão em campo; e... cristiano ronaldo. sim, esse mesmo, o tal que "antes de o ser já o é", pelo menos para a nossa brilhante imprensa desportiva. o rótulo de "melhor jogador do mundo", que ele também não se cansa de apregoar, fica-lhe muito mal e chega a ser injusto atribuir um galardão desses ao jogador com mais tiques de vedetismo à superfície da terra, que joga essencialmente para si e para o seu protagonismo, que faz as figuras de "menino birrento" que fez ontem, porque se considera a "estrela" da companhia. se fosse jornalista desportivo, daqueles que não têm que dar cavaco a ninguém e não têm os pensamentos e as ideias presas a uma trela, atribuía-lhe a nota "1", de 0 a 10. o seu comportamento ontem foi exactamente o mesmo que exibiu no euro 2008, típico de "vedeta". é óbvio que não foi por causa dele que levamos seis golos do brasil, mas a nossa capacidade de resposta ficou claramente diminuída com o madeirense em campo, porque sempre que a bola lhe foi parar aos pés... as jogadas morriam. danny marcou um golo, tal como simão, deco fez a assistência para o segundo golo, nani fez dois remates à baliza, e ronaldo... nada. nem um finta, nem um rasgo individual, nada. o estatuto que ele tanto apregoa, o de melhor do mundo, também lhe acarreta algumas responsabilidades e muito mais exigência. ontem, com kaká e robinho a exibirem-se à altura, e até anderson, o suposto melhor jogador do mundo parecia um farnerud ou um pereirinha. no fundo, cristiano ronaldo padece do mesmo problema que afecta a selecção nacional: ambos pensam que já fizeram tudo o que tinham para fazer e que não têm mais nada que provar. por causa disso, vamos ficar de fora, e agora tenho a certeza disso, do mundial 2010.

quarta-feira, novembro 19, 2008

segunda-feira, novembro 17, 2008

o beijo



house e cuddy, na quinta série de "house".

quinta-feira, novembro 13, 2008

post lamechas da semana

"só existe uma coisa melhor do que fazer novos amigos: conservar os velhos."
elmer g. letterman

não faço a mínima ideia quem é elmer g. letterman, até procurei no google mas o homem nem sequer tem página no wikipedia. portanto, é um borra botas qualquer, que num belo dia proferiu esta frase. alguém a ouviu na mesa ao lado do café e achou-lhe piada, ao ponto de a colocar num daqueles sites bonitinhos com frases sobre tudo e mais alguma coisa: amizade, amor, hóquei em patins, puericultura, pesca submarina, acne facial, etc.. encontrei a frase num site desse género, em trabalho. vi a frase, que até estava destacada, e senti-me exactamente da mesma maneira que o tal tipo que estava na mesa ao lado no café, onde o elmer g. letterman ia tomar todos os dias o pequeno almoço com um primo, quatro anos mais novo do que ele, que tinha a particularidade de coxear das duas pernas. de facto, a frase faz sentido, sobretudo se olhar para os últimos meses da minha vida. procurar novos amigos é complicado, sobretudo quando já se passou há muito a barreira dos 30 anos e estamos naquela fase em que não estamos para nos chatear com essas coisas. os velhos amigos já leram o nosso manual de instruções, já assimilaram as informações vitais, conhecem os nossos gostos e sabem lidar perfeitamente com o nosso feitio. iniciar um novo processo com um total desconhecido pode ser traumático. faz lembrar aquela teoria que define a principal diferença sentimental entre homens e mulheres da seguinte forma: um homem pode ter dez mulheres apaixonadas por ele, mas no dia em que uma delas deixe de o amar, ele começa a questionar tudo, inclusivamente o amor das outras nove, partindo do princípio que a que deixou de o amar é que tem razão. por sua vez, uma mulher borrifa-se completamente para os outros nove homens que não estão apaixonadas por ela, porque tem um que está e isso basta-lhe. o que é que eu quero dizer com isto? bem, vamos lá ler tudo isto juntos, devagarinho desta vez. eu espero...
bem, a questão, transportada para assuntos de amizade, pode desembocar exactamente na mesma conclusão. se o carlos carpinteiro cortou relações com o arlindo gnr, oficialmente por conflitos de personalidade mas toda a gente sabe que foi porque o arlindo foi "chibar" à mulher do carlos que ele, aos sábados, em vez de ir ver os jogos de futebol na sport tv do café do senhor cardoso, vai a casa da salete, que é precisamente a mulher do coitado do senhor cardoso, que tem que ficar com o café aberto a noite toda por causa do futebol na sport tv (uff, vamos respirar fundo agora que a frase já vai longa como o catano), servirá o mesmo arlindo para ser amigo de um outro qualquer ser humano? bem, talvez só de um padre. ou da mulher do carlos, porque se calhar era essa a sua intenção desde o início.
conservar os velhos amigos é sinal de maturidade, de plenitude emocional. em termos simplistas, mas mesmo muito simplistas, é como a minha relação com a roupa. há anos que tenho um casaco azul (o casaco que tenho vestido na foto no meu perfil), até já lhe dediquei um post uma vez; sinto-me confortável com ele, visto-o e sei que ele "encaixa" perfeitamente porque parece já moldado ao meu corpo. sou muito esquisito com a roupa. normalmente, qualquer peça de vestuário nova leva imediatamente um carimbo de "não me sinto confortável com isto". até já mandei fazer autocolantes para facilitar a vida à minha mulher. ou são as mangas que são muito compridas ou curtas, os colarinhos irritam-me o pescoço, o último botão da camisa não dá para apertar, o penúltimo está muito subido ou muito descido, as calças arrastam no chão e é preciso fazer uma dobra (e eu detesto dobras), a t'shirt por baixo do pullover ou se vê demasiado ou não se vê de todo. enfim, um suplício. para evitar estes dramas matinais, eu tenho uma dúzia de peças de roupa infalíveis, daquelas com que se pode contar sempre quando o tempo aperta e não há muito tempo para perder com estes momentos desconfortáveis. o tal casaco azul é uma delas. por muito velho e gasto que ele possa vir a ficar, será sempre de preservar. a roupa estraga-se, mas pode sempre remendar-se; as amizades, por vezes, também se estragam, mas existem sempre soluções para as "remendar". até no caso do arlindo e do carlos...

a colecção "bond"


aproveitando a estreia do 22º filme da saga james bond, "quantum of solace", aqui fica uma rápida recapitulação de todos os filmes deste rentável franchise. até agora, foram seis os actores a interpretar o agente secreto 007: sean connery, george lazenby, roger moore, timothy dalton, pierce brosnan e daniel craig. oficialmente, "quantum of solace" é o 22º filme da série, embora exista um 23º, que nunca foi reconhecido como um filme 007 oficial: "never say never again", com sean connery, que marcou igualmente o regresso do actor escocês ao papel de james bond, "entalado" entre vários filmes em que roger moore encarnou, igualmente na perfeição, a personagem. aqui fica a lista completa dos filmes james bond:

1. Dr. No (1962), 110 minutos

james bond (sean connery) persegue o dr. no (joseph wiseman), um dos vilões mais famosos da série. a primeira bond girl foi ursula andress, como honey ryder.

2. From Russia With Love (1963), 115 minutos

sean connery volta a dar corpo à personagem, enfrentando a organização spectre, que pretende vingar o desaparecimento do dr. no. daniela bianchi interpreta a segunda bond girl, chamada tatiana romanova.

3. Goldfinger (1964), 110 minutos

de novo connery no papel principal, no filme que marca a estreia da personagem "q", bem como dos famosos "gadgets" 007. auric goldfinger (gert frobe) é o vilão. honor blackman é a bond girl de serviço, interpretando pussy galore, uma das mais famosas personagens femininas da série. trivia: a cena em que goldfinger usa um raio laser para torturar james bond marcou a primeira vez em que um raio laser foi utilizado num filme.

4. Thunderball (1965), 130 minutos

regressa connery, bem como a organização spectre, que agora ameaça o mundo inteiro com duas ogivas nucleares. claudine auger é a bond girl, interpretando domino.

5. You Only Live Twice (1967), 117 minutos

ainda com sean connery ao leme, james bond tenta evitar uma terceira grande guerra mundial, mediando um eminente conflito entre os estados unidos da américa e a rússia, em plena "guerra fria". donald pleasance é o vilão (ernst blofeld) e mie hama, actriz japonesa, dá corpo à primeira bond girl asiática, como kissy suzuki. trivia: este é o único filme em que o agente secreto não se apresenta como "bond. james bond".

6. On Her Majesty’s Secret Service (1969), 142 minutos

este filme marca a estreia de george lazenby como james bond, naquele que viria a ser o único filme da série que protagonizou. foi igualmente o único filme 007 a ser gravado parcialmente em lisboa e, também, o único em que james bond... se casa. mais uma vez, bond persegue o vilão ernst blofeld (desta vez interpretado por telly savalas), que ameaça o mundo com um vírus letal. diana rigg, da popular série "the avengers", é a bond girl deste filme, como tracy de vicenzo, a única mulher que levou james bond ao altar.

7. diamonds are forever (1971), 120 minutos

sean connery regressa ao papel de james bond (pela primeira vez, mais tarde regressaria em "never say never again", o tal filme não oficial da série), para investigar uma rede internacional de comércio de diamantes. regressa igualmente o vilão ernst blofeld, desta vez interpretado por charles gray. jill st. john é a bond girl tiffany case.

8. Live and Let Die (1973), 121 minutos

roger moore estreia-se como james bond, num filme considerado pelos admiradores da série como a "ovelha negra" dos filmes 007, criticando a falta de cenas de acção, o argumento pouco interessante e o facto de o filme se assemelhar mais com uma novela do que com um filme de acção. mr. big (não é o mesmo de "sex and the city") é o vilão, interpretado por yaphet kotto. jane seymour é a bond girl de serviço, com o curioso nome de "solitaire", especialista em cartas de tarot.

9. the man with the golden gun (1974), 125 minutos

segundo filme de roger moore, que marcou o aparecimento do vilão scaramanga, interpretado por christopher lee. maud adams e britt ekland são as bond girls, como andrea anders e mary goodnight, respectivamente. aqui, james bond é o alvo de um assassino contratado (scaramanga), que cobra um milhão de dólares por cada "serviço", cuja imagem de marca é a sua pistola com balas douradas.

10. The Spy Who Loved Me (1977), 125 minutos

este filme marca o aparecimento da personagem "jaws", um dos vilões mais imediatamente reconhecíveis de toda a série, interpretado pelo actor richard kiel. neste filme, james bond tem que encontrar o paradeiro de um submarino nuclear, com dezasseis ogivas a bordo, antes que o mesmo caia nas mãos erradas. karl stromber (interpretado por curt jurgens) é o vilão do filme, que pretende criar uma guerra entre a rússia e a inglaterra. barbara bach é anya amasova, uma agente secreta russa que vai ajudar bond nesta aventura.

11. Moonraker (1979), 126 minutos

james bond no espaço. para muitos considerado um dos melhores filmes da série, "moonraker" volta a contar com "jaws", agora ao serviço do vilão hugo drax (michael lonsdale). 007 investiga o desaparecimento de uma nave espacial e descobre uma enorme estação espacial, não detectável pelos radares soviéticos e americanos, dirigida por drax. a belíssima lois chiles interpreta o papel de drª. holly goodhead (mais um nome sugestivo, tal como pussy galore e honey ryder).

12. For Your Eyes Only (1981), 127 minutos

bond entra na década de 80, desta vez para tentar encontrar primeiro que os russos um poderoso dispositivo tecnológico que permite controlar os submarinos nucleares polaris. para tal vai contar com a ajuda de mais uma belíssima bond girl, carole bouquet, que interpreta o papel de melina havelock. o vilão do filme é milos columbo, interpretado pelo actor topol.

13. octopussy (1983), 131 minutos

um falso ovo fabergé e a morte de um agente próximo de bond levam-no a investigar uma rede internacional de contrabando de jóias, comandada pela misteriosa octopussy, interpretada por maud adams, que curiosamente já tinha aparecido como bond girl no filme "the man with the golden gun". kamal kahn, interpretado por louis jordan, é, no entanto, o vilão a ter em conta neste filme.

14. never say never again (1983), 134 minutos

lançado apenas quatro meses depois de "octopussy", este filme, embora não faça oficialmente parte da série bond) recebeu uma forte campanha de marketing, assinalando o regresso de sean connery ao papel que o tinha tornado famoso. mesmo assim, foi menos rentável que "octopussy". quem regressa igualmente é o vilão ernst blofeld (desta vez é max von sidow que interpreta o papel), bem como a organização spectre, que rouba dois mísseis tomahawk e planeia chantagear a nato. klaus maria brandauer, como maximilian largo, é outro agente da spectre que bond tem que enfrentar. barbara carrera e uma kim basinger em início de carreira são as duas bond girls de serviço, como fatima blush e domino petachi, respectivamente. trivia: rowan atkinson, o famoso mr. bean, tem neste filme uma hilariante participação; steven seagal (sim, esse mesmo) participou na rodagem deste filme, como treinador de artes marciais de sean connery, chegando inclusivamente a partir o pulso do actor escocês.

15. A View To A Kill (1985), 131 minutos

dois vilões de peso, christopher walken (como max zorin) e grace jones (como may day), cenas de acção na torre eiffel e música dos duran duran, com um teledisco apropriado, marcam a despedida de roger moore. max zorin quer controlar a produção e o mercado dos computadores, através da sua empresa, a zorin industries, ameaçando o mundo com uma explosão nuclear. tanya roberts é a bond girl, interpretando stacy sutton. trivia: no dvd do filme, roger moore revelou que este foi o filme que menos gostou dos sete que protagonizou como 007, porque achou que o filme era violento demais e... que já era velho demais para o papel.

16. The Living Daylights (1987), 130 minutos

timothy dalton foi o actor escolhido para substituir roger moore, num filme em que ficou bem patente a escalada de violência nos filmes 007. neste filme, bond tem como missão deter um esquema global de contrabando de armas envolvendo os russos, os americanos e a resistência afegã. jeroen krabbé (interpretando georgi koskov) é o vilão, enquanto maryam d'abo é a bond girl, como kara milovy. os noruegueses a-ha interpretaram o tema do filme, sucedendo aos duran duran.

17. license to kill (1989), 133 minutos

desta vez timothy dalton, no seu segundo e último filme como james bond, enfrenta um barão da droga, franz sanchez, interpretado por robert davi, que torturou e deixou às portas da morte o seu melhor amigo, felix leiter (david hedison), matando-lhe inclusivamente a mulher. para se vingar, james bond tem que revogar o seu estatuto de agente secreto, actuando por conta própria, sem licença para matar. este filme foi considerado, na altura, o mais violento de sempre da série. carey lowell e a bela talisa soto, como pam bouvier e lupe lamora, são as bond girls. gladys knight cantou o tema "license to kill". trivia: benicio del toro tem uma curta participação no filme, como um dos capangas de sanchez; inicialmente, o filme tinha como título "license revoked", mas foi alterado depois de, numa pesquisa de mercado realizada na altura nos estados unidos, menos de 50% das pessoas inquiridas reconhecerem que não sabiam o que significava a palavra "revoked".

18. goldeneye (1995), 130 minutos

depois de uma ausência de seis anos (a mais longa de toda a série), james bond regressa na pele de pierce brosnan, que finalmente iria assumir o papel, ele que tinha sido a primeira escolha para protagonizar "the living daylights", depois de resolvidas as obrigações contratuais com a série televisiva "remington steele". a missão de bond é encontrar a chave de acesso do satélite goldeneye antes que o vilão o utilize para destruir londres. 007 descobre que um antigo agente "00", que todos julgavam morto, está por trás de toda a operação: alec trevelyan (sean bean). famke janssen e izabella scorupco são as bond girls, como xenia onatopp e natalya simonova. este foi o primeiro filme em que judi dench interpretou o papel de "m.". "goldeneye" foi também o filme mais rentável da série, até aquela altura: 350 milhões de dólares em todo o mundo. o tema principal do filme foi interpretado por tina turner.

19. Tomorrow Never Dies (1997), 119 minutos

segundo filme de pierce brosnan, em que 007 tenta travar as intenções de um poderoso empresário do mundo da comunicação, elliot carver (interpretado por jonhatan pryce), de provocar uma guerra entre a china e a inglaterra, de modo a causar o caos internacional. bond chega até carver pela sua mulher, uma ex-amante de 007 (teri hatcher, que interpreta o papel de paris carver). para o ajudar na missão, bond conta com a ajuda de wai lin, uma agente chinesa interpretada por michelle yeoh. trivia: teri hatcher estava grávida durante a rodagem do filme. sheryl crow cantou o tema principal do filme.

20. The World Is Not Enough (1999), 128 minutos

sophie marceau (elektra king), denise richards (drª. christmas jones) e maria grazia cucinotta (cigar girl)! creio que não será necessário dizer escrever mais alguma coisa. nunca um filme 007 esteve tão bem servido de bond girls. neste filme o vilão é brilhantemente interpretado por robert carlyle, um homem incapaz de sentir qualquer tipo de dor, por ter uma bala alojada no cérebro. trivia: este foi o último filme de desmond llewelyn ("q."), que morreu um mês depois da estreia do filme. foi também o primeiro filme de john clesse, que iria substituir precisamente llewelyn. o tema principal do filme foi interpretado pelos garbage.

21. Die Another Day (2002), 133 minutos

neste filme, o último de brosnan, vemos james bond como prisioneiro, na coreia do norte, depois de ter sido traído. a sua liberdade, depois de constante tortura, só é possível através de uma troca com zao, um poderoso terrorista coreano que sabe a identidade da pessoa que traiu james bond na coreia. a sua investigação leva-o a um misterioso bilionário, gustav graves, interpretado por toby stephens, que está envolvido em obscuros negócios de diamantes. a sua intenção é consturir um satélite com diamantes encrustrados, uma espécie de espelho solar com o poder de concentrar a energia do sol, criando um poderoso canhão laser capaz de destruir qualquer coisa no seu caminho. halle berry, como jinx, é a bond girl de serviço, a primeira actriz vencedora de um óscar de melhor actriz a interpretar o papel de uma bond girl. trivia: a produção deste filme foi atrasada propositadamente de forma a estrear em 2002, coincidindo com o 40º aniversário de lançamento do primeiro filme da série ("dr. no" - 1962). para os verdadeiros fanáticos, este filme contém referências a todos os anteriores filmes da série. madonna interpretou o tema principal do filme e ainda arranjou um papel como instrutora de esgrima.

22. Casino Royale (2006), 144 minutos

daniel craig foi o actor escolhido para protagonizar esta prequela dos filmes bond. aqui bond é ainda um jovem aspirante a agente secreto, menos experiente, mais descuidado e imprevisível, cometendo mais erros de percepção e de juízo, permitindo que as suas emoções o controlem, mostrando-nos igualmente alguns dos passos formativos que o transformaram no james bond que todos conhecemos. este filme relata-nos a primeira missão de james bond depois de lhe ter sido atribuído o estatuto de "00". mads mikkelsen é o vilão de serviço, como le chiffre. eva green, como vesper lynd, quase "rouba" o filme, interpretando uma das mais inesquecíveis bond girls. este filme contém algumas das mais espectaculares cenas de acção dos filmes bond. trivia: apenas em dois filmes james bond profere a frase "i love you": em "on her majesty's secret service" e em "casino royale"; daniel craig é o primeiro actor louro a interpretar james bond e o primeiro actor mais novo do que a própria série a encarnar james bond; "casino royale" foi o mais rentável filme de sempre da série bond, o que acabou por "compensar" os excessos de produção, porque durante a rodagem do filme foram destruídos três aston martin's, avaliados em 300 mil dólares cada um, durante a rodagem de uma cena de acção; o tema principal, "you know my name", foi interpretado por chris cornell. a célebre frase de james bond, "i'll have a martini, shaken not stirred" foi igualmente retratada em "casino royale". na altura, bond dava os primeiros passos como agente secreto e ainda não tinha o carisma e a fleuma que nos habituamos a ver na personagem. assim, à pergunta de um barman sobre se queria o martini "shaken or stirred", bond responde imediatamente: "do i look like i give a damn?".

23. Quantum of Solace (2008), 106 minutos

o último filme da série começa precisamente no ponto onde ficou o anterior, com james bond a interrogar mr. white, que ele capturou no final de "casino royale", sobre os eventos que levaram à morte de vesper lynd (eva green) no final desse filme. procurando vingar-se da morte da sua amada, bond toma conhecimento, através da bela camille (olga kurylenko), de uma organização chamada quantum, liderada por um empresário chamado dominic greene (interpretado por mathieu amalric), que quer tomar o controlo do abastecimento de água na américa do sul. enquanto tenta deter o maquiavélico plano de greene, 007 continua a procurar a pessoa responsável pela traição de vesper lynd no final de "casino royale".

quarta-feira, novembro 12, 2008

só isso?


será que o homem pode, ao menos, respirar ao pé das crianças?

terça-feira, novembro 11, 2008

sigur ros



os sigur ros vão estar hoje à noite no campo pequeno, em lisboa. mais um concerto que tenho pena de ter perdido.

segunda-feira, novembro 10, 2008

antevisão da 5ª série de house



- i like the shoes, by the way.
- thank you.
- you don't like her shoes, you like her legs.
- it sounds less creepy if you say shoes.
- less creepy, more gay!

ah, e já vos disse que a "thirteen" vai ter uma cena lésbica!?

5ª série de house


estreia hoje, no canal fox, às 21h30, a quinta série de "house", que começa precisamente onde ficou a quarta temporada, com a morte de amber. house sente-se culpado pela morte da namorada de wilson e acredita que este nunca o irá perdoar. ainda por cima, wilson decide sair do hospital. será que algum dia voltará? e house vai mudar finalmente o seu comportamento anti-social? e como evoluirá a relação entre chase e cameron? conseguirá cuddy engravidar finalmente?
o primeiro episódio desta quinta série tem por título "dying changes everything" e "mergulha" na relação entre house e wilson, um dos aspectos mais fascinantes da série. se na quarta temporada tivemos o "afastamento", não total, das personagens que mais directamente trabalhavam com o dr. house, casos de chase, cameron e foreman, em detrimento de novas personagens como "thirteen", kutner e taub, agora a série reinventa-se com a perspectiva de mais um afastamento, o de wilson, precisamente o único amigo de house. confrontado com o pedido de demissão de wilson, house vai tentar tudo para fazer o amigo mudar de ideias, perdendo inclusivamente o interesse na paciente que lhe é entregue esta semana, deixando-a nas mãos de "thirteen".
esta quinta série tem 24 episódios e começou a ser transmitida nos estados unidos no passado dia 16 de setembro.

a malapata das grandes penalidades

sim, estava-se mesmo a ver que o sporting ia ganhar o jogo nas grandes penalidades. já nem me lembro da última vez que o sporting venceu algum jogo assim. então na taça de portugal é fatal. foi assim no tal jogo em que caneira foi expulso (de que falei no post "nojo", um pouco mais abaixo), há dois anos, no dragão. foi assim com o benfica, no ano anterior, no estádio da luz, no tal jogo em que paíto marcou o golo da sua vida e o hugo viana foi expulso "a pedido" do insuportável joão pereira (na altura defesa direito do benfica). é mais uma triste sina deste clube, que parece só ter alguma pontinha de sorte nos jogos contra equipas ucranianas. se jogassemos no campeonato ucraniano éramos sempre campeões.
hoje houve alguns jogadores leoninos que não mereciam este desiderato. polga, moutinho, izmailov e liedson (e o postiga e o romagnoli da primeira parte). a primeira parte do jogo mostrou o melhor sporting da época até agora, mas a equipa nunca "mata" o jogo quando está por cima, falta-lhe o "killer instinct" que bobby robson tanto apregoava quando treinou os leões. o sporting poderia e deveria ter resolvido o jogo na primeira parte, quando o fc porto parecia desgovernado no terreno. depois, na segunda parte, entregou-se ao seu destino e à fatalidade de perder um jogador na expulsão mais ridícula de todos os tempos. quando pedro emanuel foi expulso, o sporting voltou à carga, mas nessa altura já não tinha o mesmo meio campo criador do primeiro tempo. mesmo assim, e acho que não estou a ser faccioso, considero que o sporting merecia ganhar este jogo e merecia, igualmente, a sorte que coube aos portistas nas grandes penalidades. eu juro que quando vi abel partir para a bola na última grande penalidade já sabia que ele ia falhar. fez-me lembrar outro defesa direito, miguel garcia, que falhou igualmente o pontapé decisivo na luz há três anos. não temos sorte nenhuma, é assim mesmo. os jogadores do fc porto marcaram três penalidades para o meio da baliza. três! e rui patrício nunca desconfiou que talvez pudessem ser todas elas propositadas. numa delas até houve uma escorregadela de rodriguez, mas a bola entrou na mesma. já helton escolheu este jogo para voltar a fazer uma grande exibição. é sempre assim também, os guarda-redes parece que escolhem os jogos contra o sporting para fazerem as exibições das suas vidas.
por último, assinale-se um facto histórico: pereirinha hoje não jogou.

domingo, novembro 09, 2008

falta de paixão

jogo intenso, sem dúvida. sporting melhor na primeira parte, fc porto mais acutilante na segunda. o único elemento que manteve a mesma bitola ao longo dos noventa minutos foi... o árbitro. bruno paixão é um dos piores árbitros que já vi arbitrar (paulo paraty, isidoro rodrigues e lucílio baptista são outros) e neste jogo esteve à altura da sua qualidade. muito mau! uma pessoa vê jogos da liga inglesa e a qualidade dos árbitros ingleses e fica espantado com o que se vê por cá. sempre a apitarem, a mostrarem amarelos por tudo e por nada, em bolas disputadas pelo ar dentro das áreas há sempre falta atacante... enfim, vão matando o futebol aos poucos. coitadas das pessoas que pagam para ver estes espectáculos nos estádios.

onde está o oceano quando precisamos dele?

e ninguém parte uma perna ao bruno paixão?

verde de raiva estou eu

e ninguém parte uma perna ao hulk?

nojo

alguém me explica por que foi expulso marco caneira?
ah, e já agora, parabéns ao hulk pela grande filha da putice que fez ao caneira... está há pouco tempo no "dragão" mas já aprendeu a lição. provocar um frente a frente com um jogador que já tenha amarelo, que o "banana" do árbitro cai sempre na esparrela... o caneira não fez rigorosamente nada, limitou-se a levantar-se do chão. há duas épocas, numa meia final da taça de portugal, no dragão, caneira foi expulso exactamente da mesma forma. na altura, foi lucho gonzalez quem provocou a expulsão. hoje foi hulk.
incrível.
jogo viciado.
para mim, perca ou ganhe, isto é inadmissível.

quinta-feira, novembro 06, 2008

quarta-feira, novembro 05, 2008

nove pontos!?!

concluiu-se hoje a quarta jornada da fase de grupos da liga dos campeões. quase sem saber ler nem escrever, o sporting já tem garantida a passagem à fase seguinte, aos oitavos de final, em virtude das duas vitórias sobre o shakhtar donetsk. mesmo exibindo um futebol de fraco recorte técnico e táctico, os leões até poderão ainda ficar em primeiro lugar do grupo, caso vençam os dois últimos encontros desta fase: em casa com o barcelona e na suiça contra o basileia. com três vitórias na liga dos campeões, duas contra o shakhtar e uma frente ao basileia, sem sofrer golos, o sporting já amealhou nove pontos, um record para o clube desde a criação da liga, o que permite fazer uma análise curiosa, olhando para as tabelas classificativas de todos os grupos. o sporting tem mais pontos do que o chelsea, inter de milão, arsenal, roma, liverpool, manchester united, lyon, bayern e real madrid. apenas o barcelona e a juventus têm mais pontos que o sporting (e apenas mais um, têm ambos 10 pontos). é claro que as estatísticas valem o que valem e não invalidam que, em jogos como o de ontem, em alvalade contra o shakhtar, eu solte os mais diversos adjectivos depreciativos a quase toda a equipa leonina, ao mau futebol praticado, à incapacidade gritante de manter a bola por mais de dez segundos na primeira parte, à tremideira constante sempre que o adversário assume o domínio do jogo, a jogadores que deveriam ser proibidos de jogar nesta competição, como caneira e grimi. a primeira parte do sporting foi digna de uma final da taça sócios de mérito da associação de futebol de viseu. muito má mesmo. o que vai valendo são jogadores como liedson, izmailov (outra magnífica exibição, a defender e a atacar), polga, moutinho (lá tenho que dar o braço a torcer) e... rochemback, que fez, em termos defensivos, a melhor exibição desde que regressou ao sporting. e aprecio quase sempre a voluntariedade de hélder postiga, embora reconheça que é muito limitado na finalização. ah, quase me esquecia de dizer isto: quando é que paulo bento acerta de vez com a composição do meio campo? rochemback a trinco, depois a médio direito, miguel veloso entra e sai, moutinho já foi trinco, "nº 10" e médio esquerdo, romagnoli tem a preferência do treinador para "nº 10" mas raramente mostra serviço, izmailov vai cumprindo como médio esquerdo mas tem em grimi um péssimo aliado para fazer funcionar a ala esquerda, pereirinha tem que entrar sempre (deve estar no contrato), nem que seja para "jogar" trinta segundos, como ontem. quando é que o meio campo cristaliza de vez?

barack to the future



barack obama presidente?! será que vai ser mesmo possível?! em janeiro de 2007 coloquei isto num post, longe de imaginar que poderia mesmo vir a tornar-se realidade tal desiderato. para já, são duas horas da manhã e o site da cnn, ainda apenas com 17% dos votos contabilizados, dá vantagem a obama (51 - 48). a estação prevê que obama vença em connecticut, delaware, illinois, maine, maryland, massachusetts, michigan, minnesota, new hampshire, new jersey, new york, pennsylvania, rhode island, vermont, washington e wisconsin, prevendo que mc cain vença em alabama, kentucky, north dakota, oklahoma, south carolina, tennessee, wyoming, wets virginia e georgia. nesta altura, obama lidera a corrida na florida e mc cain no texas, dois dos estados mais importantes. entretanto, a cbs news foi a primeira estação da noite a dar como garantida a vitória de obama, às 2h40 da manhã, anunciando uma declaração de mc cain depois das primeiras projecções: "at this point, we need a miracle".
até simpatizo com o bonacheirão do mc cain, sobretudo tendo em conta a sucessão de azares que teve ao longo da vida, mas se a sua candidatura ganhar e os estados unidos passarem a ter como vice-presidente uma saloia do nível de sarah palin, totalmente fútil e vazia de conteúdo, que apenas foi escolhida para atrair os apoiantes de hillary clinton, confundindo zapatero com um presidente de um país da américa latina e gozada recentemente com um falso telefonema do presidente francês sarkozy, já para não falar das célebres imitações de tina fey no saturday night live, que "desmascararam" totalmente a mulher, ainda por cima, tendo em conta o fragilizado estado de saúde de mc cain, com possibilidades de chegar à presidência, então meus amigos, este mundo está perdido. ao pé disto, até george w. bush parece um excelente presidente.
fico a torcer por obama, porque me parece uma pessoa sensata, inteligente, perspicaz e um genuíno homem de família, sem vedetismos ou tiques de grandeza. tem orgulho das suas raízes e não as esconde, mesmo sabendo que poderiam ser prejudiciais numa campanha eleitoral que se prolongou por 21 meses (a mais longa de sempre nos eua), em que se esmiuçam todos os detalhes do passado dos candidatos e se procuram avidamente "podres" que possam virar a tendência das sondagens. obama fez uma campanha limpa, sem ofensas aos seus adversários, transmitindo ideias e soluções em vez de, como fez mc cain, tentar denegrir a outra candidatura. e até tinha vários motivos para isso. bastava falar de sarah palin. com a sua provável eleição, agora acredito que será mesmo isso que vai acontecer, os estados unidos entram numa nova fase, com um presidente conciliador e justo. acredito que, se o deixarem trabalhar (e aqui entra o pavor de um qualquer atentado sobre obama, à imagem de jfk e martin luther king), os estados unidos vão conseguir limpar a má imagem que o resto do mundo lhe atribuiu nos últimos anos.

fotos: © Callie Shell / Aurora for Time

terça-feira, novembro 04, 2008

simplesmente irresistível



o diálogo no bar, num dos episódios de hoje de "weeds", entre doug wilson (o hilariante kevin nealon) e "el andy" (justin kirk), sobre o facto de doug ser apenas o "sidekick", ou o "andrew ridgeley", como ele prefere intitular-se, fez-me soltar uma sonora gargalhada. "o outro tipo dos wham? podia ser pior. preferias ser apanhado pela polícia a masturbares-te numa casa de banho pública?". o pior é que já só faltam três episódios para acabar esta quarta série...

segunda-feira, novembro 03, 2008

as expectativas

uma semana de férias! hoje foi o primeiro dia e... pois, estou doente. é sempre assim. depois de tanto me gabar que este tinha sido o ano em que menos vezes tinha estado doente, alguém lá em cima ouviu e começou desde logo a tentar recuperar terreno até janeiro. portanto, esperam-me umas 14 gripes até ao final do ano. bring it on!
com a casa só para mim, virei-me para os filmes que ainda não tinha tido oportunidade de ver. o "indiana jones 4" foi um deles, mas já escrevi sobre isso. o desgosto é tanto maior quando as expectativas são muito altas; mas o inverso também é verdade, ou seja, satla otium oãs savitatcepxe sa odnauq roiam otnat é otsogsed o. não, agora a sério: quando as expectativas para ver determinado filme não são muito altas, ao ponto de nem haver muita vontade de o ver, acaba por ser gratificante quando verificamos que, afinal, esse mesmo filme até "tem" alguma coisa. foi o caso do filme "sex and the city". nunca fui um grande apreciador da série, embora visse amíude alguns episódios, e estava algo renitente para ver o filme. geralmente, este género de adaptações ao cinema de séries televisivas de sucesso costumam correr mal ("casei com uma feiticeira", "os vingadores", só para citar alguns). não sei se foi por estar doente, mais debilitado ou fragilizado, mas creio que esta adaptação até está bem conseguida. passei os primeiros vinte minutos a embirrar com o filme, para provar a mim próprio que tinha razão. eram gritinhos histéricos a mais (especialmente da charlotte) e conteúdo a menos. o filme continuou a ser banal e algo fútil, porque só dava mesmo carrie bradshaw, mais nada, até à cena do "casamento" da carrie com o mr. big. a partir daí as peças começaram a encaixar e chega-se à conclusão de que existe, ao longo do filme, um "holofote" para cada uma das quatro amigas. são 140 minutos de um episódio gigante de "sex and the city", em que o quarteto acaba por enfrentar os seus desígnios amorosos e questionar as suas escolhas de vida. tudo embrulhado no mais puro glamour nova-iorquino. ah, e gostei muito da personagem de jennifer hudson (vencedora do óscar de melhor actriz secundária pelo filme "dreamgirls", em 2007), quase que "rouba" o filme às suas quatro protagonistas. foi pena, porém, ver o evan handler (o agente de hank moody em "californication") num papel tão "insignificante".
conclusões de um dia cinematográfico "de cama": expectativas altas para "indiana jones 4" e... nada de jeito; expectativas baixas para "sex and the city" e... olha, até gostei. quem diria? e não, não tive febre o dia todo...

o pior indiana

fico contente por steven spielberg, george lucas e harrison ford já estarem a trabalhar num indiana jones 5, porque, sinceramente, o 4 é muito mau. a série tinha acabado, originalmente, com "indiana jones e a grande cruzada", um bom filme, se calhar ainda melhor que o primeiro ("salteadores da arca perdida"), que contava ainda com a presença de peso de sean connery como pai do herói. ressuscitada a série, quase 20 anos depois, com um quarto filme, "indiana jones e o reino da caveira de cristal", aquela que parecia uma ideia agradável no início acabou por se transformar num filme tão mau que até ameaça "corromper" a sólida reputação dos três primeiros filmes. em primeiro lugar, um "mau da fita" coerente, pérfido, inteligente e ganancioso é sempre "metade" do filme (veja-se o caso de alan rickman, em "die hard", ou jack nicholson, em "batman"), porque transmite alguma credibilidade ao filme e ao próprio herói. neste caso, temos uma cate blanchett inócua, algo pateta por vezes, que nem ao scooby doo meteria medo. em segundo lugar, as cenas de acção parecem forçadas, especialmente as cenas de acção na selva, que de tão ridículas, excessivamente longas e inconsequentes que são levam o espectador a bocejar e a perder interesse. a caveira muda umas 20 vezes de mãos, indiana jones e o filho (shia la boeuf) trocam de veículo automóvel outras tantas vezes, há uma luta de espadas (??!!) entre a má da fita e la boeuf, cada um em cima do seu jeep em andamento, e, para cúmulo, o filho de indiana acaba a cena, qual tarzan, a saltar de liana em liana, como se tivesse praticado toda a vida, até chegar de novo à viatura da má da fita. em terceiro lugar, o final do filme, que é uma gigante bola de... nada. que raio de final é aquele? indiana jones nem chega a fazer nada de realmente heróico, excepto fugir a sete pés (e isso nada tem de heróico).
convenhamos, se era para isto mais valia terem deixado o "franchise" indiana jones em paz, que nos anos 80 praticamente redefiniu o conceito de "acção e aventura". desta forma, como apreciador das aventuras do dr. henry jones jr., espero que se redimam no quinto filme e encontrem uma saída airosa para este imbróglio. mexer em algo que já era perfeito é sempre arriscado, mas decidiram mexer e... correu mal, arriscando fechar o "franchise" com um produto menor. agora, por favor, e enquanto o harrison ford ainda tem pernas para isso, coloquem o nosso arqueólogo preferido num verdadeiro filme de acção e aventura e não numa espécie de filme de acção indiano (fabuloso trocadilho. não? ok, deixem lá). a personagem e os admiradores da série merecem.

quinta-feira, outubro 30, 2008

baladas dos anos 80

três colectâneas de baladas dos anos 80, banda sonora dos meus primeiros desgostos amorosos. o número de músicas não corresponde ao número de desgostos, como é óbvio. se correspondesse estaria hoje a escrever este post num convento ou seminário. a minha adolescência/juventude não foi assim tão má quanto isso no aspecto sentimental. os tais desgostos amorosos prendiam-se mais, isso sim, com as separações forçadas e as distâncias quase insuportáveis. nessas alturas, em que a saudade apertava, "abrigava-me" em músicas como estas:

A
1. it´s over - level 42 (grande música! nunca cansa)
2. save a prayer - duran duran (o verdadeiro clássico)
3. hunting high and low - a-ha (adorava o teledisco também)
4. sweetest smile - black (o taciturno black)
5. windswept - bryan ferry (o senhor "suave")
6. i've been in love before - cutting crew (música marcante)
7. love bites - def leppard (faz-me lembrar os bailes do liceu)
8. where did your heart go - wham (boa pergunta)
9. lover why - century (é verdade, até esta xaropada cá está)
10. red lights - curiosity killed the cat (grande banda esta)
11. there's never a forever thing - a-ha (palavras certeiras)
12. who wants to live forever - queen (música épica)
13. carrie - europe (sim, parece mentira mas também cá está)
14. holding back the years - simply red (muito romântica)
15. working hour - tears for fears (fabulosa música)
16. for all these years - tanita tikaram (que saudades da tanita)

B
1. martha's harbour - all about eve (para embalar)
2. the power of love - frankie goes to hollywood (envolvente)
3. broadcast - cutting crew (sabe sempre bem ouvi-la)
4. sahara - cutting crew (esta vinha a seguir à anterior)
5. hands to heaven - breathe (baladinha típica)
6. drive - the cars (hum... paulina porizkova)
7. eyes without a face - billy idol (mas nunca gostei do cantor)
8. girlfriend - julia fordham (por onde andas tu julia?)
9. up where we belong - joe cocker/jennifer warnes (olha, um dueto!)
10. take my breath away - berlin (quem não se lembra do top gun?)
11. never say goodbye - bon jovi (triste, sim, mas verdade)
12. careless whisper - george michael (esta era quase obrigatória)
13. one more try - george michael (ninguém fazia baladas como ele)
14. fragile - sting (devo ter ouvido esta músicas umas 750 vezes)
15. every breath you take - the police (clássico intemporal)
16. in a lifetime - clannad/bono (excelente conjugação de vozes)

C
1. against all odds - phil collins (outro baladeiro incurável)
2. broken wings - mr. mister (penetrante)
3. with or without you - u2 (outro clássico)
4. just around the corner - cock robin (indispensável)
5. i don't want to talk about it - everything about the girl (marcante)
6. slave to love - bryan ferry (ninguém fazia baladas como ele 2)
7. purple rain - prince (outra música com rótulo de 'clássico')
8. more than this - roxy music (excelente música)
9. stay on these roads - a-ha (marcou uma fase da minha vida)
10. avalon - roxy music ("toma lá um empréstimo"...)
11. a matter of feeling - duran duran ('love's already history to you')
12. true - spandau ballet (mas detestava a banda)
13. dancing with tears in my eyes - ultravox (comovente)
14. heaven - bryan adams (baladinha típica dos anos 80)
15. forever young - alphaville (por onde andarão estes tipos?)
16. a question of lust - depeche mode (saudades dos sintetizadores)

confesso que não estava à espera de colocar tantas músicas, mas neste caso as músicas foram como as cerejas. atrás de uma, vem sempre outra. mas soube muito bem recordar todas estas músicas. cada uma delas tem a sua história agrafada. e sei bem que, nos próximos dias, ainda me vou lembrar de mais umas quantas.

adenda: era inevitável. já me lembrei de mais uma: "eyes of ice", dos scarlet party. como pude esquecer-me desta música?!

"god's green earth"



primeiro single do disco de estreia dos idaho, "year after year", de 1993.

"hope there's someone"



antony and the johnsons no programa de jools holland, com "hope there's someone", do disco "i'm a bird now". as saudades que eu já tinha disto, do melhor disco de 2005.

quarta-feira, outubro 29, 2008

capítulo XI

capítulo XI
com o andré de regresso ao trabalho na repartição, e tendo em conta o nosso corte de relações, as minhas férias não poderiam ter surgido na melhor altura. duas semanas que eu aproveitei para tentar encontrar um apartamento, não para ir para a praia com o marco ou visitar o meu irmão em tomar. a minha ideia era encontrar um t1 com uma renda similar, ou mais baixa, do que a que pagava ao andré, porque o panorama financeiro começava a ficar negro. comecei por comprar vários jornais com classificados, mas fosse pelo preço ou pela localização, nada me entusiasmava. comecei então a circular pelas zonas que me interessavam, as que ficassem perto do emprego, à procura de placas a dizer "aluga-se", anotando números de telemóvel e mesmo visitando alguns apartamentos. mas nada me agradava. alguns tinham um cheiro nauseabundo, outros precisavam de obras de restauro de fundo para que fosse possível lá habitar um ser humano, outros ainda eram alugados por gente que não me inspirava a menor confiança. e assim se perderam vários dias, com o prazo que o andré me deu para sair do apartamento dele quase a expirar. em último caso, sabia que poderia passar uns dias numa pensão ou residência. o ambiente nos derradeiros dias em casa do andré foi muito tenso. nunca havia diálogo nos poucos momentos em que partilhávamos o mesmo espaço. foi por um vendedor imobiliário que fiquei a saber que o andré ia vender aquele apartamento. foi lá a casa, quando o andré estava a trabalhar, para colocar aquelas famosas placas de imobiliária na varanda. obviamente, e aproveitando um muito desconfortável silêncio, aproveitei para lhe perguntar por apartamentos para alugar. o vendedor, nélson ferreira, muito prestável, sugeriu que o acompanhasse à imobiliária para melhor consultar a oferta existente. com o dia inteiro à minha frente, sem compromisso nenhum agendado, como um verdadeiro dia de férias devia ser, resolvi aceitar o convite e a boleia do vendedor. vinte minutos de condução tresloucada depois, consegui suspirar, finalmente, de alívio, no preciso momento em que o homem puxou o travão de mão depois de estacionar. quando entramos na imobiliária, extremamente bem decorada e com um visual moderno, o nélson viu que tinha clientes à sua espera para ir mostrar um apartamento em carnaxide e "transferiu-me" para outro vendedor. no caso, uma vendedora. quando entramos no gabinete dela, senti imediatamente que a conhecia de algum lado. a confirmação surgiu com as apresentações. "jorge oliveira, esta é a cláudia rebelo". de repente, parece que recuei vinte anos no tempo. à minha frente estava aquela que foi a minha primeira grande paixão, por quem eu chorei "baba e ranho" quando ela decidiu romper os laços sentimentais que tinhamos criado em dois anos de namoro porque queria "ver o mundo". ao fim de dois anos comigo sentiu-se "presa e sufocada", foi a justificação que me deu. parte do meu coração, aquela parte que tem a capacidade de amar loucamente apenas uma vez na vida, escureceu naquele dia e nunca mais viu a cor do sol. a cláudia não me reconheceu, no que constituiu mais uma facada simbólica nas minhas costas, limitando-se a tratar-me cordialmente como a um qualquer anónimo cliente. teria eu mudado assim tanto visualmente nos últimos 20 anos, ao ponto de ela não me reconhecer? apesar de algo incomodado, consegui manter com ela uma conversa normal, tendo-me ela apontado várias hipóteses de aluguer nas áreas pretendidas. depois de lhe explicar a situação em que me encontrava, com necessidade de me mudar o mais rapidamente possível, a cláudia prontificou-se a ir comigo ver alguns apartamentos disponíveis. mal entramos no carro, e depois de eu rezar mentalmente a todos os santos para que ela conduzisse melhor que o nélson, ela olhou-me directamente nos olhos e disse:
- jorge oliveira, meu deus, há quanto tempo não te via?!...
- caramba, estava a ver que não me tinhas reconhecido.
- claro que reconheci. mal tu entraste no gabinete. mas no escritório não quis arriscar uma conversa de índole pessoal. lá dentro há muitos olhos e ouvidos, sempre à espreita de uma oportunidade para nos lixarem.
- eu compreendo, mas deixaste-me em completa agonia e angústia durante quinze minutos. sei que não nos víamos há já vinte anos mas, mesmo assim, o facto de não me reconheceres menosprezava ainda mais o que vivemos na altura.
- calma jorge, foi apenas uma questão de ética profissional. já tomaste café? vamos sentar-nos, tomar um cafezinho e colocar a conversa em dia. pode ser?
- claro que pode. quantos dias disponíveis tens? sempre são vinte anos...
para minha sorte e alívio, a cláudia conduzia suavemente e sem pressas. senti-me muito relaxado e confortável, muito ajudando o cd da sade que ela tinha colocado antes de iniciarmos a pequena viagem até a um café das docas. pelo caminho não me saía da cabeça a expressão "win some, lose some", porque o timing da reentrada da cláudia na minha vida não poderia ter sido melhor, agora que saía dela o andré.
na esplanada do café, vazia àquela hora do dia, onze da manhã, pudemos conversar e escalpelizar os diferentes rumos de vida que escolhemos. ela ainda era solteira, nem nunca esteve sequer perto de casar, embora coleccionasse relacionamentos amorosos. era extremamente fácil imaginar que não faltavam homens na vida da cláudia, ela continuava a exibir uma irresistível sensualidade aos 39 anos, bem expressa nos seus longos cabelos pretos, lábios carnudos, decote proeminente e nas fabulosas pernas que a saia ligeiramente acima dos joelhos deixava descobrir. eu, de simples t'shirt dos rolling stones, calças de ganga e sapatos de vela, sentia-me totalmente deslocado daquele "quadro". o mesmo deve ter pensado o empregado de mesa, que não se coibiu de "admirar" a cláudia como se ela não estivesse acompanhada. quando a longa passagem pelos últimos vinte anos desembocou na actualidade, a cláudia foi directa ao assunto que ambos estávamos a tentar evitar desde o início:
- então, ainda achas que nós teríamos tido futuro juntos?
- acho, eu entendo que foste tu que tiveste medo de ser feliz comigo.
- não digas isso. as coisas resultaram naqueles dois anos porque apenas estávamos juntos uns momentos, não mais do que isso. éramos apenas namorados. quando estivéssemos sempre juntos, de manhã à noite, ficaríamos sem assunto, entediados. e eu tive medo que isso acontecesse connosco, porque não sei se sobreviveríamos a isso, a essa pressão. preferi, dessa forma, partir e ficar apenas com o melhor de ti, com as boas recordações.
- mas porque é que nunca tentámos dar esse passo? até poderia ter resultado...
- porque, com o tempo, fui aprendendo a dar valor à minha liberdade, ao meu espaço, sem ninguém a controlar o que faço com o meu tempo, a perguntar-me o que estou a pensar, a "escravizar-me" emocionalmente. como te disse na altura, no final sentia-me sufocada por ti. tu querias constantes declarações e provas de amor, parecia que tinha que te provar todos os dias que te amava e, mesmo que o conseguisse, tudo voltava ao início no dia seguinte. com tudo isto, senti que a nossa relação só poderia piorar se tentássemos algo mais sério.
- no entanto, não posso deixar de sentir uma certa amargura por nunca me teres considerado sequer para outro tipo de papel na tua vida. nem de amigo. desapareceste completamente. fiquei completamente destroçado emocionalmente.
- mas acredita que foi melhor assim. nós acabaríamos por nos transformar na kathleen turner e no michael douglas do filme "a guerra das rosas". se nos reencontrássemos vinte anos depois, como está a acontecer agora, virávamos a cara um ao outro. assim, ficou uma bonita história de amor, que acabou antes de chegar ao intolerável.
- de certa forma, e vais-me desculpar a frontalidade, até fico contente por nunca te teres casado. acho que ficaria de rastos se soubesse que tinhas encontrado alguém com os argumentos que eu não tive para te levar a assumir esse passo.
- mas tu encontraste. casaste poucos anos depois.
- cláudia, eu já tinha encontrado essa pessoa. eras tu. a sónia fazia parte do nosso grupo de amigos e apoiou-me bastante quando tudo terminou entre nós, mas o nosso casamento baseou-se nos pressupostos errados, como se veio a comprovar. no final já só havia respeito e consideração um pelo outro, nada de paixão ou mesmo amor. daí que me sinta fortemente tentado a dar-te toda a razão do mundo. compreendo agora que a nossa relação talvez não pudesse ter ido mais longe. as primeiras paixões são sempre as mais complicadas. ama-se louca e entusiasmadamente e sentimo-nos eufóricos e apaixonados, mas, por outro lado, não há ainda qualquer experiência anterior onde se vá beber conhecimento para evitar os erros que se cometem naturalmente. é nas primeiras paixões que se cometem os maiores erros. ciúmes, possessão, egoísmo exacerbado. começo a pensar que te deveria ter conhecido uns 10 anos mais tarde, quando estivesse realmente preparado para uma relação.
- o teu problema foi quereres tudo rapidamente. ainda eu não me sentia verdadeiramente a tua namorada, já estavas tu a pensar em casamento, no passo seguinte. tu não chegavas a viver na total plenitude o momento em que estavas, porque estavas sempre a pensar no próximo. deste-me excelentes momentos, que eu vou recordar para sempre, mas sentia que te esforçavas demais para me agradar e eu queria que tudo acontecesse de forma natural, com mais espontaneidade e menos trabalho de preparação nos bastidores. e, como cereja em cima do bolo, eras ciumento como tudo.
- acho que naquela altura queríamos coisas diferentes. eu queria a vida familiar, a casinha nos arredores, os filhos, o carro familiar; tu querias liberdade para ver o mundo, sem amarras emocionais, sem impedimentos de qualquer ordem. basicamente, ainda não estávamos preparados um para o outro.
- também. nós desenhávamos futuros diferentes. juntos, acabaríamos por atrapalhar o desenho um do outro e, provavelmente, acabaríamos por apagá-lo.
- e eu nunca tive grande jeito para desenhar...
- bem, jorge, vamos lá então arranjar-te um apartamento...

segunda-feira, outubro 27, 2008

"weeds"


uma semana inteira à espera disto, da melhor hora televisiva da programação actual. por isso, sofá, manta felpuda, caneca de café, pijama, pantufas e... showtime!

wondering the fields - idaho

Wondering The Fields - Idaho

49 horas


fim de semana de 49 horas. só há um por ano. uma hora a mais que, no meu caso, foi gasta a ver um filme muito fraco, daqueles a que devia ser proibido dar luz verde. "what happens in vegas", com a estridente cameron diaz e o canastrão do ashton kutcher. muito mau mesmo. tão mau que logo a seguir tive necessidade de ir ver algo de um outro quilate artístico: "the life and death of peter sellers", com uma magistral interpretação de geoffrey rush.
de resto, o fim de semana cá em casa decorreu sob o signo "horton", o filme infantil sobre um elefante que ouve vozes num grão. no original conta com as vozes de jim carrey, steve carell e will arnett. desde sexta-feira até agora, domingo à noite, os meus filhos viram o filme quatro vezes. foi um daqueles casos de paixão à primeira vista. e o filme bem merece essa distinção.
nos intervalos das exibições de "horton", ainda deu para umas horas saudáveis de corridas e caminhadas no fontelo com o meu filho, uma ida aos baloiços com a minha filha, para a visita semanal aos meus pais, uma deslocação à feira da castanha em sernancelhe, algumas horas de trabalho em casa, assistir ao melhor jogo de futebol deste fim de semana (liverpool - chelsea) e dormir umas horitas. pelo meio, várias perguntas existenciais da minha filha ("pai, todas as pessoas têm rabo?"; "por que é que eu não tenho uma pila e o pedro tem?"), uma definição da minha mulher sobre o programa "lucy" ("visualmente para maiores de 18 e intelectualmente para menores de 2 anos"), a tradicional decepção sportinguista, que valeu ao fortíssimo paços de ferreira a conquista do seu segundo ponto no campeonato em 18 possíveis, e "the severed garden", dos doors. poderiam ser 12349 músicas, porque acho que me apaixono por uma música todos os dias, mas esta "bate" sempre, cala fundo e arrepia-me a pele, daí o post de ontem, em forma de homenagem. há aqui um paralelismo entre as minhas paixões assolapadas pelas músicas e as dos meus filhos pelos filmes.
segue-se mais uma semana de trabalho. venha ela, estou preparado...

sábado, outubro 25, 2008

the severed garden



Wow, I'm sick of doubt
Live in the light of certain
South
Cruel bindings.
The servants have the power
Dog-men and their mean women
Pulling poor blankets over
Our sailors

I'm sick of dour faces
Staring at me from the tv
Tower, I want roses in
My garden bower; dig?
Royal babies, rubies
Must now replace aborted
Strangers in the mud
These mutants, blood-meal
For the plant that's plowed.

They are waiting to take us into
The severed garden
Do you know how pale and wanton thrillful
Comes death on a strange hour
Unannounced, unplanned for
Like a scaring over-friendly guest you've
Brought to bed
Death makes angels of us all
And gives us wings
Where we had shoulders
Smooth as raven's
Claws

No more money, no more fancy dress
This other kingdom seems by far the best
Until it's other jaw reveals incest
And loose obedience to a vegetable law.

I will not go
Prefer a feast of friends
To the giant family.

esta música consegue deixar-me sempre arrepiado e com pele de galinha. nunca fui, nem sou, grande apreciador da banda de jim morrison, mas "the severed garden" sensibiliza-me sempre. e a letra da música é simplesmente notável.

sexta-feira, outubro 24, 2008

passagem de testemunho?



no domingo passado, vi o terceiro "zé carlos" e não fui capaz de esboçar um sorriso que fosse. parecem as mesmas piadas, os mesmos trejeitos, tudo com um sabor a requentado. parece-me óbvio que a inspiração não lhes tem batido à porta. ou então desleixaram-se um bocado.

ontem, ao assistir aos "contemporâneos", fartei-me de rir. os sketches sobre as novelas da tvi e o processo casa pia, com música dos abba, foram hilariantes. todo o elenco da série é de grande qualidade mas nuno lopes é grande, chegam a ser brilhantes as suas composições. o único aspecto com que não engraço muito, e isto desde o início desta segunda série, são as "entrevistas" de rua, com bruno nogueira a ouvir o português comum. para além de raramente terem piada, e serem imperceptíveis por vezes, cortam o ritmo ao programa. nota-se, no entanto, que houve um incremento de qualidade em relação à primeira série, reduzindo-se a duração dos sketches, outrora excessivamente longos e entediantes. para mim, a saída de maria rueff, com quem eu engraço muito pouco (basta ver a figurinha que tem feito naquela treta da manicure vip, ou lá o que é), até ajudou.

marta leite castro

mais uma vez a revista masculina "gq" bateu aos pontos as suas rivais "maxmen" e "fhm". depois de catarina furtado, sofia cerveira, luísa beirão, sónia araújo e daquele fabuloso ensaio fotográfico a três, com liliana santos, rita andrade e marta leite castro, a "gq" voltou a chamar a apresentadora do "só visto", da rtp, para um novo ensaio, desta vez a solo. e o resultado é fabuloso. enquanto a "maxmen" e a "fhm" se entretêm com as "chavalitas" dos morangos com açucar e das novelas da tvi, a "gq" oferece à comunidade masculina mulheres a sério, em fotos de qualidade e bom gosto. deixo-vos aqui duas dessas imagens. para verem o resto das fotos, vão até ao "eva nice dream", que por acaso até completa hoje um ano de existência.

quarta-feira, outubro 22, 2008

capítulo X

capítulo X
"se algum dia te apetecer fugir, foge comigo!". escrevi isto num papel um dia, num café qualquer, enquanto esperava pela bica. guardei-o religiosamente na carteira, com o intuito de o poder oferecer à sofia. não sei de que forma ou quando, ou mesmo se algum dia teria coragem para o fazer, mas o simples facto de ter escrito aquelas palavras aliava-me a dor de não a ver. tinha passado um mês desde a última vez que a vi e a incerteza de um novo encontro dilacerava-me. nos momentos de solidão, como aqueles que esgotava no café ao fim de almoço, antes de voltar ao purgatório do emprego, fazia um exame a mim mesmo, a tudo o que se estava a passar na minha vida. o último ano tinha sido terrível: a morte do meu pai, o divórcio, o afastamento do marco da minha vida, o mau ambiente cada vez mais intolerável no emprego, o nascimento de uma vida nocturna questionável e de uma vertente boémia que pouco tinha a ver com o jorge oliveira que o meu pai conheceu em vida. a solidão corroía-me interiormente, obrigando-me a procurar companhia, mesmo que fosse nas ruas e a pagar. obviamente não me sentia bem com aquela situação mas já era mais forte do que eu. passei a compreender melhor os toxicodependentes, os viciados no jogo e no álcool ao entrar no mesmo mundo, ao percorrer os mesmos caminhos. nesses exames de consciência via perfeitamente a face recriminatória do meu pai e sentia-me envergonhado daquilo em que me tinha tornado, no rumo que a minha vida estava a tomar. sentia-me um adolescente, a dividir a casa com um colega de curso e a aproveitar as noites para a diversão, sem prestar contas a ninguém. mas mesmo que me sentisse mal com tudo aquilo, nunca tinha força à noite para combater este vício. durante as férias do andré, devo ter trazido para casa umas dez prostitutas. na noite anterior à chegada do andré fui ainda mais longe, disse à natasha para trazer uma amiga também. com o regresso do andré, eu sabia que teria finalmente um motivo forte para deixar aquele estilo de vida, por isso aquele ménage a trois foi uma espécie de despedida e, ao mesmo tempo, a realização de um fétiche sexual antigo. há muitos anos, ainda antes do nascimento do marco, eu e a sónia tinhamos uma amiga, bem sensual e insinuante, que um dia nos confessou, numa noite de copos, que gostaria de experimentar essa fantasia connosco. durante uns bons tempos, a ideia não me saiu da cabeça, mas nunca comentei esse assunto com a sónia, com receio de represálias, porque a leitura que ela faria seria bastante simples: eu queria fazer amor com outra mulher. apenas isso.
mas aquela que seria uma noite idealizada no paraíso acabou por se tornar um pesadelo, que meteu desacatos no prédio, barulho a altas horas da madrugada, vizinhos a bater à porta e a chamar a polícia. tudo porque o sergei, o "chulo" ucraniano da natasha, teve um ataque de ciúmes quando soube que ela tinha um cliente e não descansou enquanto não arrancou a minha morada a uma das outras prostitutas. quando lá chegou fez um escarcéu de todo o tamanho, batendo à porta, chamando por ela aos berros. como seria natural, os meus vizinhos acordaram para virem ver o que se passava. quando abri a porta ao sergei, ele entrou pela casa dentro e trouxe a natasha pelo braço, deixando ficar a sandy. perante o meu ar de perplexidade, o sergei e a natasha pararam à porta do meu apartamento e começaram a beijar-se, abraçando-se de seguida. antes de saírem do prédio, ainda com alguns vizinhos a vociferarem, a natasha explicou-me que eles tinham tido uma discussão no dia anterior, porque ela tinha acabado de descobrir que estava grávida dele, mas o sergei queria que ela abortasse, contra a vontade dela, para poder continuar a trabalhar. mas, nessa noite, o instinto protector e o receio de a perder falou mais alto e o sergei foi a correr dizer-lhe que queria criar aquele filho com ela. desejei-lhes felicidades e despedi-me deles, tentando posteriormente explicar a alguns vizinhos que se tratavam de uns amigos meus. quando a polícia chegou já estava o prédio em sossego. o pior foi no dia seguinte, quando o andré regressou. tomando conhecimento da história da noite anterior, bem como do constante "tráfego" nocturno no seu apartamento nas últimas duas semanas, o andré confrontou-me directamente. obviamente, contei-lhe a verdade. a tensão era grande naquela altura e eu, embora mais velho do que ele dez anos, sentia-me um rapazito prestes a levar um valente sermão do pai. depois de me explicar que se sentia humilhado com tudo aquilo e que nunca mais iria conseguir andar de cabeça levantada no prédio, por estarem a associar o nome dele a prostituição e proxenetismo, o andré disse-me que tinha uma semana para sair lá de casa. embora considerando que a sua decisão tinha sido demasiadamente ríspida, compreendi a sua posição e acatei a "ordem de despejo".
no dia seguinte, no café, enquanto folheava jornais à procura de apartamentos para alugar, senti-me verdadeiramente sozinho, abandonado à minha sorte. tinha perdido um amigo, decepcionado mais uma pessoa e não tinha uma única voz disponível para me reconfortar. quando abri a carteira, à procura de moedas para pagar o café, vi o bilhete que tinha guardado para entregar à sofia. naquela altura, quem queria fugir era eu. fugir de mim...