segunda-feira, janeiro 14, 2008

globos de ouro

aqui fica a lista de vencedores da edição de 2008 dos globos de ouro, a primeira a não ter direito a transmissão televisiva, devido à greve dos guionistas em hollywood. os vencedores receberam a indicação de que tinham vencido por... correio.

best motion picture - drama: "atonement"
best performance by an actress in a motion picture - drama: julie christie, "away from her"
best performance by an actor in a motion picture - drama: daniel day lewis, "there will be blood"
best motion picture - musical or comedy: "sweeney todd: the demon barber of fleet street"
best performance by an actress in a motion picture - Musical or Comedy: marion cotillard, "la vie en rose"
best performance by an actor in a motion picture - Musical Or Comedy: johnny depp, "sweeney todd: the demon barber of fleet street"
best performance by an actress in a supporting role in a motion picture: cate blanchett, "i'm not there"
best performance by an actor in a supporting role in a motion picture: javier bardem, "no country for old men"
best animated feature film: "ratatouille"
best foreign language film: "the diving bell and the butterfly" (frança, estados unidos)
best director - motion picture: julian schnabel, "the diving bell and the butterfly"
best screenplay - motion picture: "no country for old men", joel e ethan coen
best original song - motion picture: "guaranteed" – "into the wild", música e letra de eddie vedder
best original score - motion picture: "atonement", composta por dario marianelli
best television series - drama: "mad men"
best performance by an actress in a television series - drama: glenn close – "damages"
best performance by an actor in a television series - drama: jon hamm – "mad men"
best television series - musical or comedy: "extras"
best performance by an actress in a television series - musical or comedy: tina fey, "30 rock"
best performance by an actor in a television series - musical or comedy: david duchovny, "californication"
best mini-series or motion picture made for television: "longford"
best performance by an actress in a mini-series or motion picture made for television: queen latifah – "life support"
best performance by an actor in a mini-series or motion picture made for television: jim broadbent, "longford"
best performance by an actress in a supporting role in a series, mini-series or motion picture made for television: samantha morton, "longford"
best performance by an actor in a supporting role in a series, mini-series or motion picture made for television: jeremy piven, "entourage"

quinta-feira, janeiro 10, 2008

dois anos de "nuvens da alma"


em entrevista exclusiva à revista "visão", isaac davis (na foto ao lado) evidencia uma clara satisfação pelo patamar atingido pelo "nuvens da alma": o segundo aniversário. o administrador do blogue admite, no entanto, que ainda poderia ter ido mais longe, nomeadamente ao quarto aniversário. para tal, bastaria ter criado o blogue dois anos antes, o que não se verificou. assim, o dia 10 de janeiro de 2006 marcou o nascimento de um dos blogues mais lidos no cazaquistão e no bangladesh. aliás, esse dia passou a constituir feriado nacional naqueles países, saindo o povo à rua em manifestações de júbilo, a comer jubileus, acompanhados pelo júbilo isidro. é ainda inegável e, ao mesmo tempo, difícil de entender, a forte influência dos artigos de isaac davis junto da comunidade piscatória de setúbal e peniche. arlindo barradas, pescador setubalense, refere que os barcos nunca entram no mar antes de uma leitura em grupo, em voz alta, do post "ócio duro de roer", de outubro de 2007. outro bom exemplo da importância social do blogue, que abrange áreas diversas como economia, desporto e a lanificação, é o protocolo com o instituto nacional de meteorologia. desde março de 2006 que aquele instituto, para além do estudo dos movimentos e fenómenos da atmosfera terrestre nas suas relações com o tempo e o clima, com o fim de efectuar a previsão do tempo, por medições de temperatura, precipitação, velocidade e direcção do vento, se debruça igualmente sobre o estudo das nuvens da alma, criando um novo boletim diário televisivo com conselhos sentimentais, com as previsões para a semana, no amor, trabalho e saúde, e os números da sorte para jogar no euro milhões.
seguem-se alguns excertos da curta entrevista da "visão" a isaac davis:
visão - como surgiu a escolha do nome isaac davis?
isaac davis - olhe, ainda bem que me faz essa pergunta. estava à espera de perguntas mais difíceis. com essa pergunta até parece que estou a ser entrevistado pela "tv 7 dias".
visão - sim, mas importa-se de responder, por favor.
isaac davis - claro. escolhi isaac davis porque é o nome da personagem de woody allen num dos meus filmes preferidos, "manhattan".
visão - preferiu, portanto, refugiar-se no anonimato...
isaac davis - sim, o povo gosta de coisas misteriosas. não se lembra do livro "o meu pipi"? aquilo tinha ainda mais piada porque ninguém sabia quem era o autor.
visão - mas no seu profile tem informações muito específicas sobre a sua identidade...
isaac davis - ó meu amigo, o que há mais em viseu são paginadores, com 35 anos. nós até temos uma associação, fazemos excursões para ir ver os jogos de futebol do portimonense, temos torneios de ténis de mesa todos os meses e estamos nesta altura a vender umas rifas para ver se conseguimos comprar uma carrinha em segunda mão, uma nissan vannete, com 80.000 kms, de sete lugares, para a nossa equipa de futsal.
visão - até agora, qual foi o momento mais alto do "nuvens da alma"?
isaac davis - foi quando fui ao piódão (julho de 2007). fartei-me de ter vertigens.
visão - pensei que ia escolher o dia em que um post seu veio transcrito no jornal "público", em março de 2007.
isaac davis - meu amigo, até os textos da constança cunha e sá e do vasco pulido valente saem no "público"...
visão - está satisfeito com os números obtidos até agora?
isaac davis - instalei o extreme tracking apenas em março de 2007 e só a partir dessa altura comecei a ter alguma noção de quantas visitas diárias tinha. antes, baseava-me apenas no número de comentários. mas confesso que fiquei surpreendido com os números, não estava à espera de tanto. tenho pena de não ter instalado, logo no início, o contador de visitas, porque em 2006 tinha muitos comentários no blogue, logo muitas visitas. curiosamente, quando o instalei, o número de comentários caiu imenso. enfim...
visão - não tem medo de ficar, repentinamente, sem assunto para escrever?
isaac davis - tenho, disso e de aranhas.
visão - e de perder os seus leitores?
isaac davis - disso não tenho, enquanto a minha mulher viver comigo, tenho sempre alguém a quem impingir os meus textos, se bem que começo a desconfiar da sua solicitude. ontem, por volta da meia-noite, pedi-lhe para ler um texto e ela disse que não podia porque tinha que ir tirar o leitão do forno e dar de comer aos gatos. e nós nem sequer temos animais domésticos.
visão - música, cinema, televisão e futebol são temas recorrentes no seu blogue. vai manter a mesma ideologia ou vai alterar alguma coisa nos próximos tempos?
isaac davis - vou tentar diversificar mais os temas, entrando por outros domínios, como a indústria de cabedais na noruega, a caça à baleia em alto mar e a jardinagem. vou ainda tentar, ainda não sei bem como, oferecer um café a todas as pessoas que entrem ao "nuvens da alma". se ficarem mais de trinta minutos a ler, ofereço também um queque de laranja, da dan cake.
visão - em fevereiro vai receber, na república dominicana, o prémio de "melhor blogue internacional com nuvens no título e escrito por alguém chamado isaac". o que vai dizer aquando dos agradecimentos?
isaac davis - é claro que vou agradecer a muita gente. desde logo a todos os blogs que têm um link para o "nuvens", dos quais destaco, pelo número de visitas de lá oriundas, o passagem estreita, o devaneios cor do céu, um nome qualquer, astro que flameja, a lasciva, 9-9 e o gato zarolho. uma palavra especial ainda para paulo bento, purovic, bem como a toda a equipa do sporting, francisco penim, teresa guilherme (aquela cena da nova novela da sic, que eu apanhei por acaso, em que ela se "enrola" com o jorge corrula, ainda hoje me causa náuseas e vómitos), santana lopes, fátima felgueiras, alberto joão jardim, joe berardo e luís filipe vieira, pelo material e pela inspiração.
visão - por último, qual a sua maior ambição para 2008?
isaac davis - caramba, mais uma pergunta difícil ao estilo da "tv 7 dias". a minha principal ambição para este ano é cimentar a posição do "nuvens da alma" no top cinco dos blogues mais visitados no quénia, chipre e arménia. infelizmente, a minha outra ambição para este ano foi por água abaixo, devido ao cancelamento do lisboa dakar. eu queria ganhar a edição deste ano, no meu ford fiesta de 1998. é pena! era uma excelente forma de divulgar, naquele nicho de países africanos, o meu blogue. mas enfim, quem fica a perder são eles. a mauritânia seria um país totalmente diferente...

quarta-feira, janeiro 09, 2008

reset

a meu ver, os seres humanos, à semelhança dos pc's, deviam ter um botão de "reset". sempre que as suas vidas começassem a percorrer caminhos perigosos, junto de pessoas duvidosas, ou não se vislumbrasse qualquer saída para um estilo de vida errante, era só carregar no botão de "reset" e tudo recomeçaria do zero. seria como que uma espécie de nova identidade, limpa, sem vícios, sem cadastro, sem influências de qualquer espécie.

questões

mistérios futebolísticos para resolver em 2008:
- quando é que os benfiquistas se compenetram que josé antónio camacho é um treinador medíocre? tanta tolerância com o espanhol, que tem "boa imprensa", contrasta em demasia com a falta dela noutras situações (fernando santos).
- com a saída de luís coentrão, miguelito, diaz, katsouranis (mais do que previsível) e bergessio, bem como a confirmação das contratações "falhadas" de zoro, luís filipe (o segundo pior jogador do mundo, atrás do purovic) e butt, chegará à luz mais um autocarro de jogadores?
- por que motivo a sad benfiquista castigou katsouranis com um jogo e multa e não luisão? estão a abrir a porta ao grego para uma saída inglória, ele que foi o melhor jogador do benfica na temporada passada? com a sua saída, camacho, que nunca conseguiu "encaixar" devidamente o grego no meio campo, ficará mais aliviado, podendo jogar com petit e rui costa no meio, com rodriguez e di maria (ou maxi pereira) nas alas. assim, já poderá jogar com dois pontas de lança.
- paulo bento ainda não entendeu que fazendo recuar miguel veloso, o que acontece em todos os jogos, o sporting fica sem municiador no ataque?
- jogadores como farnerud, had, ronny, pereirinha, celsinho, purovic, rui patrício e djaló ainda vão ficar muito mais tempo no sporting? sempre quero ver a sad leonina a tentar colocar estas "preciosidades"... felizmente já se livraram do paredes, ao menos isso.
- no início da época, o sporting tinha apenas ronny para defesa esquerdo. comprou marian had, que raramente jogou. por essa altura, jorge ribeiro estava sem clube. e jorge ribeiro é defesa esquerdo, até já foi à selecção e marcou o segundo golo do boavista frente ao sporting no sábado passado...
- roland linz era mais caro do que purovic? ou mesmo dady, meyong, edinho (vitória de setúbal)? caramba, até o cherbakov renderia mais do que o tosco purovic.
- já estamos no dia 9 de janeiro, as inscrições de novos jogadores estão abertas desde o dia 1. o sporting está à espera de quê, já que padece tanto de atacantes, para inscrever saleiro e marinho, ambos emprestados ao fátima? com derlei e djaló lesionados; com purovic a continuar a evidenciar uma gritante falta de jeito para jogar futebol; e, assim de repente, o paraguaio paez (o sporting nunca teve sorte nenhuma com paraguaios - césar ramirez, paredes) parece uma versão latina de... purovic, o sporting só tem mesmo liedson.
- por que motivo paulo bento continua a apostar em romagnoli para o lugar de nº 10, em detrimento de joão moutinho, e até mesmo de miguel veloso, que podia perfeitamente fazer essa posição (colocando adrien a trinco)? o argentino já demonstrou que só fez alguns bons jogos na época passada para... conseguir novo contrato.
- o fc porto ainda arranjará motivação para o resto do campeonato?

you're the disease, i'm the cure

daqui a dois meses os the cure vêm a portugal para um concerto no pavilhão atlântico. se houver oportunidade de os ver ao vivo pela segunda vez (a primeira foi na estreia do festival super rock super bock em 1995) será como que uma viagem ao passado, ao início dos anos 90, em que "consumia" o disco "desintegration" ao almoço, lanche e jantar. seguiu-se-lhe "wish", em 1992, outro registo recheado de canções marcantes, como "to wish impossible things", "trust", "friday i'm in love" e "from the edge of the deep green sea". claro que sou dos primeiros a reconhecer que a carreira dos the cure, a partir dessa altura, foi sempre descendente, embora tenha existido um grande esforço da banda em "bloodflowers". de qualquer forma, o que me levará, hipoteticamente, ao pavilhão atlântico no dia 8 de março não será o novo disco da banda (se é que vai haver algum) ou os seus últimos discos; será a recorrente nostalgia daqueles primeiros anos da década de 90, a oportunidade de voltar a chorar de felicidade (sim, é possível) a ouvir "trust" ao vivo, de poder contemplar a mestria de simon gallup e a presença tímida e contida de robert smith. tenho pena que o concerto tenha sido marcado para essa monstruosidade chamada pavilhão atlântico, onde as condições acústicas estão muito longe do aceitável, mas entendo a escolha (é a "sala" mais ampla do país, tirando os estádios, claro). não faço ideia do número de pessoas que os the cure arrastarão ainda para os seus concertos, mas tenho a certeza de que, tal como eu, haverá por esse país fora, muita gente nostálgica, ávida por este concerto. afinal, trata-se de uma das bandas mais importantes de sempre do panorama musical alternativo, com 30 anos de carreira.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

band of horses


"cease to begin", dos band of horses: disco para ouvir com muita atenção durante este fim de semana. para já, pela música "no one's gonna love you", a primeira a "cair no goto", a coisa promete. começa bem o ano, em termos musicais: the frames, patrick watson e band of horses.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

close to paradise - patrick watson

luscious life - patrick watson

"patrick watson"




"patrick watson" é uma banda canadiana, liderada por patrick watson, integrando ainda o baixista mishka stein, o baterista robbie kuster e o guitarrista simon angell. o que inicialmente estava previsto como um projecto a solo, com uma banda de apoio, transformou-se numa banda, com o nome do líder, quando os "patrick watson" produziu e lançou o disco "just another ordinary day". seguiram-se vários concertos pelo canadá, que incluiram a participação no pop montreal festival de 2005. rapidamente encontraram uma editora disposta a lançar o seu segundo disco, "close to paradise", disco de que se fala hoje aqui. o blog sound and vision refere que este é um disco perfeito para quem gosta de antony and the johnsons e jeff buckley; o site all music guide enumera bandas como coldplay, the shins, the divine comedy, rufus wainwright, the dears, jens lekman e antony and the johnsons como "similar artists"; e ainda coloca nas influências os nomes de jeff buckley e nick drake. sobre o disco, que recebe quatro em cinco estrelas, o all music guide diz isto: "in fact, "close to paradise" plays like a film soundtrack more than anything else, from the cirque du soleil vamping of "weight of the world" to the peter pan-esque twinkling of "daydreamer," backing the story of some sunken-shouldered traveler as he walks, or floats, across the plains. entrancing, to say the least".
com todos os nomes enunciados acima, referidos como influências musicais e "similar artists", todos eles de bandas e cantores que aprecio, seria difícil não gostar deste disco. os falsetes de patrick watson fazem mesmo lembrar o malogrado jeff buckley, mas também há evidentes semelhanças vocais com antony hegarty em algumas músicas, como em "daydreamer" e no single "the great escape". mas, tal como o inesquecível disco "grace", de jeff buckley, "close to paradise" exige bastantes audições para o podermos elevar à categoria de "clássico". e é isso que eu não me tenho cansado de fazer.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

get a grip!

os anos passam mas a tradição vai-se mantendo: a seguir ao natal vem sempre uma gripezinha, daquelas que fazem doer o corpo todo e que transformam o simples acto de apanhar um objecto do chão numa missão quase impossível. então com duas crianças em casa constantemente a atirar coisas para o chão, borrifando-se completamente para a desarrumação que estão a causar, ainda é mais complicado. juntemos a tudo isto febre, tosse compulsiva, nariz a pingar, olhos a chorar e garganta dorida, de tal forma que até me queixaria a comer algodão doce. ainda por cima, esta semana, ou seja quarta, quinta e sexta, não podia faltar ao trabalho. na quarta, último dia de trabalho do meu colega antes de partida para licença de casamento (sim, vai-se casar o rapaz), tinhamos que passar o serviço aqui no jornal, para depois quinta e sexta ficar sozinho, não podendo, assim, faltar ao trabalho. com quase 40 graus de febre e com os sintomas que descrevi acima, na quarta de manhã vim trabalhar. foi duro, mas teve que ser. com um pouco de jeito, conseguimos despachar tudo até ao meio dia e meio e já não voltei de tarde. fui para casa e enfiei-me debaixo de três cobertores, com nimed's, xaropes, vick's, anadin, tantun verde e cetirizina no organismo. um verdadeiro jackpot químico. a cetirizina dá um sono tremendo, mas com os miúdos lá em casa, ainda por cima a brincar com as prendas que tinham recebido no dia anterior, tive dificuldades em adormecer. dessa forma, parecia um zombie, amorfo, sem reacção alguma, à procura apenas de uma nesga de silêncio para dormir, um bocadito que fosse. assim foi. começamos a ver o "ratatouille", uma das prendas do meu filho, e, apesar de estar a gostar do filme, lá conseguir adormecer. a noite foi terrível, porque a febre alta provoca-me sempre pesadelos incríveis, daqueles em que uma pessoa tem que acordar propositadamente só para "sair" daquela confusão. mas o "choco" de quarta-feira à tarde foi preponderante para vir trabalhar ontem e hoje. a tosse continua, a garganta ainda arranha, mas as dores no corpo já passaram. a "vantagem" é que agora a minha voz está parecida com a do joe cocker. e, com tudo isto, amanhã tenho um casamento. vai ser lindo. embalagens de lenços de papel em todos os bolsos, mais comprimidos e pastilhas para a garganta... bem, pelo menos já tenho uma desculpa para a minha tradicional falta de fotogenia nas fotos de casamentos. bem, e agora que penso nisso seriamente, não é só em fotos de casamentos que ela transparece...

sexta-feira, dezembro 21, 2007

feliz natal!


a foto revela um aspecto do presépio instalado no rossio, em viseu, com a câmara municipal em segundo plano. serve para ilustrar os meus votos de FELIZ NATAL e de FESTAS FELIZES a todos aqueles que por aqui passam (aqui pelo blog, não pelo rossio). o tempo é de solidariedade, de paz, de amor, de vitórias sem espinhas do benfica para animar o povinho e os fazer esquecer do dinheiro gasto em prendas de natal inconsequentes, de receber familiares em casa que não vimos durante o ano inteiro, de fazer sorrisos amarelos a todos os pares de meias que nos ofereçam, de comer como uns alarves os troncos de natal, as rabanadas e todos os outros doces tradicionais, de ficar mal disposto no dia seguinte e não ter estômago para comer seja o que for, de revirar a casa à procura dos alka-seltzer's, de ir despejar ao lixo os papéis de embrulho e as dezenas de caixas de brinquedos vazias, de perder a paciência a tentar montar pistas de comboios, garagens, castelos e afins, enfim... de viver o espírito natalício, junto da família e das pessoas que amamos (infelizmente, a monica bellucci não vai poder estar presente). pena não podermos estar igualmente com os nossos amigos, porque eles também têm as suas famílias, como é evidente. espero que todos tenham um natal feliz e com excelente ambiente familiar, que é o mais importante.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

the frames - true

the frames - falling slowly

the frames


depois de quatro estagiárias italianas, actualmente, aqui no jornal, temos uma estagiária inglesa, de nome ruth. foi ela que me falou de uma banda irlandesa, de dublin, chamada "the frames". recomendação que surgiu depois de eu ter passado para o seu computador alguns dos meus grupos e músicas preferidas. ela achou que eu ia gostar... e acertou. já ouvi três discos da banda ("for the birds", "burn the maps" e "the cost") e a avaliação que faço é extremamente positiva. o vocalista e letrista desta banda irlandesa, glen hansard, entrou no filme "the commitments". se viram o filme chegarão facilmente à conclusão de que é o primeiro a contar da esquerda, não mudou muito o rapaz. no filme era saxofonista; nos "the frames" evidencia uma poderosa voz que, sinceramente, para quem viu "the commitments", nunca pensaríamos que tinha. em termos de sonoridade estão muito próximos de nomes como bonnie prince billy, my morning jacket, tindersticks e the waterboys. ambientes suaves e calmos, músicas pungentes e delicadas (tentem ouvir "true" do disco "the cost", ou "headlong" do disco "for the birds") e, acima de tudo, uma vontade de voltar a ouvir tudo novamente, porque a paixão é imediata e avassaladora. o site all music guide escreveu isto sobre o último disco da banda, "the cost": "The Cost reflects us with a conscience that doesn't shy away from poetry or craft, and gets it all across with the immediacy of a performance. The Frames may have a slew of albums and be Ireland's best-kept secret in the U. S., but The Cost signals their true arrival as artists of the first order, who can pull it off on a stage, and on record. This stuff is pure musical and lyrical inspiration".
glen hansard entrou recentemente no filme "once", que estreou no festival de sundance, com excelentes críticas, recebendo inclusivamente o prémio "world cinema audience award". o filme foi realizado por john carney, ex-baixista dos "the frames". uma das músicas da banda sonora do filme, "falling slowly", que consta também do disco "the cost", foi nomeada para o grammy de "best song written for motion picture, television or other visual media". em "once", hansard contracena com a actriz checa markéta irglová, igualmente parceira de hansard na vida real e colaboradora musical nos seus discos, nomeadamente no seu disco a solo, lançado em 2006, intitulado "the swell season", e na banda sonora do filme.
por último, uma referência ao facto de os "the frames" serem apontados frequentemente na irlanda como a melhor banda ao vivo, à frente dos "colossos" u2.

indiana jones 4


o quarto capítulo das aventuras de indiana jones já tem poster. o filme chamar-se-á "indiana jones and the kingdom of the crystal skull" e tem estreia marcada para o dia 22 de maio de 2008.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

às páginas tantas...

detesto quando me perguntam o que faço profissionalmente, porque as pessoas, a seguir à minha resposta, começam imediatamente a franzir o sobrolho, questionando logo de seguida: "o que é isso?", seguindo-se vários minutos de explicação. já perdi a conta aos olhares de incredulidade que me são dirigidos quando respondo que sou paginador, do género "mas isso existe como profissão?". nas finanças, no banco, na segurança social, sempre que encontro um antigo colega de liceu ou um familiar afastado, voltamos ao mesmo "drama".

- paginador? o que é isso?
- bem, estás a ver um jornal? eu sou o tipo que coloca aquilo tudo em ordem, os títulos, as colunas de texto, as imagens, etc.
- mas como?
- as fotos são tratadas no programa "y", vou buscar o texto ao programa "w" e depois organizo tudo no programa "x", página a página.
- então és jornalista?
- não, eu não escrevo os textos.
- mas então quem escreve?
- os jornalistas.
- mas trabalhas num jornal?
- sim.
- então se trabalhas num jornal és jornalista...
- não. o tipo que trabalha na tipografia também trabalha no jornal e não é jornalista. nem a tipa que dobra os jornais para enviar para os assinantes.
- e tiraste algum curso superior para fazeres isso? (esta é a parte que lhes interessa, saber se tenho ou não mais qualificações do que eles).
- frequentei cursos do cenjor de informática na redacção.
- ah, está bem então.
- e tu? o que fazes?
- sou contabilista.

não seria tudo muito mais simples se eu fosse contabilista? mas nem todos podem ter esse emprego de sonho...

segunda-feira, dezembro 17, 2007

globos de ouro - nomeações

1. BEST MOTION PICTURE – DRAMA
AMERICAN GANGSTER; ATONEMENT; EASTERN PROMISES; THE GREAT DEBATERS; MICHAEL CLAYTON; NO COUNTRY FOR OLD MEN; THERE WILL BE BLOOD

2. BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A MOTION PICTURE – DRAMA
CATE BLANCHETT – ELIZABETH: THE GOLDEN AGE
JULIE CHRISTIE – AWAY FROM HER
JODIE FOSTER – THE BRAVE ONE
ANGELINA JOLIE – A MIGHTY HEART
KEIRA KNIGHTLEY – ATONEMENT

3. BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A MOTION PICTURE – DRAMA
GEORGE CLOONEY – MICHAEL CLAYTON
DANIEL DAY-LEWIS – THERE WILL BE BLOOD
JAMES MCAVOY – ATONEMENT
VIGGO MORTENSEN – EASTERN PROMISES
DENZEL WASHINGTON – AMERICAN GANGSTER

4 BEST MOTION PICTURE – COMEDY OR MUSICAL
ACROSS THE UNIVERSE
CHARLIE WILSON’S WAR
HAIRSPRAY
JUNO
SWEENEY TODD

5.BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A MOTION PICTURE – COMEDY OR MUSICAL
AMY ADAMS – ENCHANTED
NIKKI BLONSKY – HAIRSPRAY
HELENA BONHAM CARTER – SWEENEY TODD
MARION COTILLARD – LA VIE EN ROSE
ELLEN PAGE – JUNO

6. BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A MOTION PICTURE – COMEDY OR MUSICAL
JOHNNY DEPP – SWEENEY TODD
RYAN GOSLING – LARS AND THE REAL GIRL
TOM HANKS – CHARLIE WILSON’S WAR
PHILIP SEYMOUR HOFFMAN – THE SAVAGES
JOHN C. REILLY – WALK HARD: THE DEWEY COX STORY

7. BEST ANIMATED FEATURE FILM
BEE MOVIE
RATATOUILLE
THE SIMPSONS MOVIE

8. BEST FOREIGN LANGUAGE FILM
4 MONTHS, 3 WEEKS AND 2 DAYS (ROMANIA)
THE DIVING BELL AND THE BUTTERFLY (FRANCE AND USA)
THE KITE RUNNER (USA)
LUST, CAUTION (TAIWAN)
PERSEPOLIS (FRANCE)

9. BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A SUPPORTING ROLE IN A MOTION PICTURE
CATE BLANCHETT – I’M NOT THERE
JULIA ROBERTS – CHARLIE WILSON’S WAR
SAOIRSE RONAN –ATONEMENT
AMY RYAN – GONE BABY GONE
TILDA SWINTON – MICHAEL CLAYTON

10. BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A SUPPORTING ROLE IN A MOTION PICTURE
CASEY AFFLECK – THE ASSASSINATION OF JESSE JAMES BY THE COWARD ROBERT FORD
JAVIER BARDEM –NO COUNTRY FOR OLD MEN
PHILIP SEYMOUR HOFFMAN – CHARLIE WILSON’S WAR
JOHN TRAVOLTA – HAIRSPRAY
TOM WILKINSON – MICHAEL CLAYTON

11. BEST DIRECTOR – MOTION PICTURE
TIM BURTON – SWEENEY TODD
ETHAN COEN & JOEL COEN – NO COUNTRY FOR OLD MEN
JULIAN SCHNABEL – THE DIVING BELL AND THE BUTTERFLY
RIDLEY SCOTT – AMERICAN GANGSTER
JOE WRIGHT – ATONEMENT

12. BEST SCREENPLAY – MOTION PICTURE
DIABLO CODY – JUNO
ETHAN COEN & JOEL COEN – NO COUNTRY FOR OLD MEN
CHRISTOPHER HAMPTON – ATONEMENT
RONALD HARWOOD – THE DIVING BELL AND THE BUTTERFLY
AARON SORKIN – CHARLIE WILSON’S WAR

13. BEST ORIGINAL SCORE – MOTION PICTURE
MICHAEL BROOK, KAKI KING, EDDIE VEDDER – INTO THE WILD
CLINT EASTWOOD – GRACE IS GONE
ALBERTO IGLESIAS – THE KITE RUNNER
DARIO MARIANELLI – ATONEMENT
HOWARD SHORE – EASTERN PROMISES

14. BEST ORIGINAL SONG – MOTION PICTURE
"DESPEDIDA" – LOVE IN THE TIME OF CHOLERA
Music by: Shakira, Antonio PintoLyrics by: Shakira
"GRACE IS GONE" – GRACE IS GONE
Music by: Clint EastwoodLyrics by: Carole Bayer Sager
"GUARANTEED" – INTO THE WILD
Music & Lyrics by: Eddie Vedder
"THAT’S HOW YOU KNOW" – ENCHANTED
Music By: Alan MenkenLyrics By: Stephen Schwartz
"WALK HARD" – WALK HARD: THE DEWEY COX STORY
Music & Lyrics by: Marshall Crenshaw, John C. Reilly, Judd Apatow, Jake Kasdan

15. BEST TELEVISION SERIES – DRAMA
BIG LOVE (HBO)
DAMAGES (FX NETWORKS)
GREY’S ANATOMY (ABC)
HOUSE (FOX)
MAD MEN (AMC)
THE TUDORS (SHOWTIME)

16. BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A TELEVISION SERIES – DRAMA
PATRICIA ARQUETTE – MEDIUM
GLENN CLOSE – DAMAGES
MINNIE DRIVER – THE RICHES
EDIE FALCO – THE SOPRANOS
SALLY FIELD – BROTHERS & SISTERS
HOLLY HUNTER – SAVING GRACE
KYRA SEDGWICK – THE CLOSER

17. BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A TELEVISION SERIES – DRAMA
MICHAEL C. HALL – DEXTER
JON HAMM – MAD MEN
HUGH LAURIE – HOUSE
JONATHAN RHYS MEYERS – THE TUDORS
BILL PAXTON – BIG LOVE

18. BEST TELEVISION SERIES – COMEDY OR MUSICAL
30 ROCK (NBC)
CALIFORNICATION (SHOWTIME)
ENTOURAGE (HBO)
EXTRAS (HBO)
PUSHING DAISIES (ABC)

19.BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A TELEVISION SERIES –COMEDY OR MUSICAL
CHRISTINA APPLEGATE – SAMANTHA WHO?
AMERICA FERRERA – UGLY BETTY
TINA FEY – 30 ROCK
ANNA FRIEL – PUSHING DAISIES
MARY-LOUISE PARKER – WEEDS

20. BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A TELEVISION SERIES – COMEDY OR MUSICAL
ALEC BALDWIN – 30 ROCK
STEVE CARELL – THE OFFICE
DAVID DUCHOVNY – CALIFORNICATION
RICKY GERVAIS – EXTRAS
LEE PACE – PUSHING DAISIES

21. BEST MINI-SERIES OR MOTION PICTURE MADE FOR TELEVISION
BURY MY HEART AT WOUNDED KNEE (HBO)
THE COMPANY (TNT)
FIVE DAYS (HBO)
LONGFORD (HBO)
THE STATE WITHIN (BBC AMERICA)

22. BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A MINI-SERIES OR MOTION PICTURE MADE FOR TELEVISION
BRYCE DALLAS HOWARD – AS YOU LIKE IT
DEBRA MESSING – THE STARTER WIFE
QUEEN LATIFAH – LIFE SUPPORT
SISSY SPACEK – PICTURES OF HOLLIS WOODS
RUTH WILSON – JANE EYRE (MASTERPIECE THEATRE)

23. BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A MINI-SERIES OR MOTION PICTURE MADE FOR TELEVISION
ADAM BEACH – BURY MY HEART AT WOUNDED – KNEE
ERNEST BORGNINE – A GRANDPA FOR CHRISTMAS
JIM BROADBENT – LONGFORD
JASON ISAACS – THE STATE WITHIN
JAMES NESBITT – JEKYLL

24. BEST PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A SUPPORTING ROLE IN A SERIES, MINI-SERIES OR MOTION PICTURE MADE FOR TELEVISION
ROSE BYRNE – DAMAGES
RACHEL GRIFFITHS – BROTHERS & SISTERS
KATHERINE HEIGL – GREY’S ANATOMY
SAMANTHA MORTON – LONGFORD
ANNA PAQUIN – BURY MY HEART AT WOUNDED - KNEE
JAIME PRESSLY – MY NAME IS EARL

25. BEST PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A SUPPORTING ROLE IN A SERIES, MINI-SERIES OR MOTION PICTURE MADE FOR TELEVISION
TED DANSON – DAMAGES
KEVIN DILLON – ENTOURAGE
JEREMY PIVEN – ENTOURAGE
ANDY SERKIS – LONGFORD
WILLIAM SHATNER – BOSTON LEGAL
DONALD SUTHERLAND – DIRTY SEXY MONEY

lost in translation - a revelação

surgiu finalmente a revelação do que diz bill murray ao ouvido de scarlett johansson no final do filme "lost in translation". escusam de colocar o som muito alto porque o vídeo tem legendas.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

dry december

estive há momentos a ver o número de posts deste blog em dezembro de 2006. foram apenas três. dezembro é mesmo o mês mais fraco em termos de "alimentação" bloguística. e quem é o culpado desta situação? o pai natal, esse mesmo. em dezembro toda a gente se comporta como se o mundo fosse acabar no fim do mês. tentam fazer tudo aquilo que não fizeram no resto do ano. se durante o ano negligenciaram toda a gente, família, filhos, avós, tios, primos afastados, nesta altura sentem-se "obrigados" a compensar tudo aquilo que se mova. e porquê? porque o raio do mundo é capaz de acabar dentro de dias e um tipo não quer chegar ao céu e ouvir um raspanete de são pedro, ou de são francisco. então tentamos camuflar todos os nossos defeitos e arrogância com prendas, cumprimentos afáveis e centenas de desejos de boas festas, feliz natal, bom ano ano e o diabo a quatro. acho que são as músicas de natal a tocar ininterruptamente por todas as ruas com comércio, as luzes a piscar, as alcatifas vermelhas no chão, as centenas de pais natal à entrada das lojas, tudo isto é interiorizado, assimilado e imediatamente nos transforma em seres caridosos, bondosos, simpáticos, sorridentes e prestáveis. por isso, que diabo, devia ser natal pelo menos mais uma vez por ano, talvez em julho ou setembro. em dezembro é porreiro e tal mas "choca" muito com o final do ano, com o reveillon, as boas entradas no novo ano, as passas, as garrafas de champanhe a abrirem em uníssono à meia-noite. é chato juntar-se tudo numa semana. não há estômago que aguente, nem fígado. por isso, julho seria uma óptima solução, nada acontece em julho, não há feriados, não há rigorosamente nada. julho é um deserto de ideias. assim sempre se compunha o calendário em termos de feriados. pensem lá nisso.
ah, este post serve apenas para justificar a minha ausência (desde 5 de dezembro), em virtude da enorme carga de trabalho que tenho tido aqui no jornal. daí o "dry december". para a semana isto acalma. bom fim de semana!

quarta-feira, dezembro 05, 2007

dois dias

esta semana foi-me dada uma excelente notícia: eu ainda tenho cinco dias de férias para gozar. como as próximas duas semanas e meia vão ser terríveis em termos de trabalho (natal e tal), decidi tirar os dois próximos dias, quinta e sexta-feira. vou finalmente poder cortar o cabelo (até porque já me confundem na rua com o lucho gonzalez), vou poder ir almoçar com o meu pai (que faz 60 anos amanhã), ir buscar o meu filho à escola, ir lanchar com ele, enfim, uma série de coisas que não costumo ter tempo para fazer.
por tudo isto, volto na segunda-feira.

terça-feira, dezembro 04, 2007

"reign over me"


grande filme! magníficas interpretações de adam sandler e don cheadle. o argumento aprofunda e valoriza uma improvável relação de amizade entre duas pessoas totalmente diferentes à primeira vista, tanto social como profissionalmente. a personagem de adam sandler, depois de perder a mulher e três filhas num acidente de aviação, mergulha numa profunda depressão, acabando, com o passar dos anos, por se sentir cómodo na sua "não existência", passando ao lado de qualquer convivência social. don cheadle é um dentista bem sucedido profissionalmente, casado, com duas filhas, com uma excelente casa. no entanto, sente um enorme vazio na sua vida, anseia por algo mais do que o constante e monótono percurso "casa-trabalho-casa". apesar das óbvias diferenças, ambos acabam por descobrir que o que faltava verdadeiramente nas suas vidas era... um amigo. dito desta forma até parece lamechas, mas podem crer que não é. aliás, o filme balança numa espécie de corda bamba entre a comédia e o drama, em proporções exactas, ou não contasse o filme com adam sandler (que alicerçou a sua carreira no género cómico) e com a intensidade dramática de don cheadle. no elenco de "reign over me" podemos ver ainda liv tyler, safron burrows e donald sutherland. o filme é realizado por mike binder, que interpreta também uma das personagens. última referência para um dos extras do dvd: uma sessão musical de improviso dos dois actores principais, na guitarra e no baixo. muito bom!
altamente recomendado.

último episódio de "sopranos"

será que ninguém na rtp2 sabia que ontem passava o último episódio dos "sopranos"? fartam-se de promover e anunciar outras coisas, de menor qualidade, e ontem, aquando da emissão do último episódio de uma das mais importantes séries televisivas de sempre, nem sequer anunciam? saberiam que era o derradeiro episódio? ou ficaram completamente confusos pela forma como acaba o último episódio? devem ter pensado: "isto não pode acabar assim, este não pode ser o último episódio!". enfim... de qualquer forma, eu já sabia que ontem me ia despedir da família soprano, porque tenho acesso às sinopses dos episódios. mas certamente que muita boa gente assistiu ontem ao episódio desconhecendo que era o último.
deixando isso de lado, custa ver sair do ar uma série como "sopranos", tal como custaram as despedidas de "seinfeld" e "friends". e, em jeito de confissão apaixonada, ainda bem que a série não acabou com a morte de tony soprano. no final, ficaram no ar muitas questões, muitas dúvidas sobre o que se passaria a seguir, antes de o ecrã ficar totalmente negro e começarem a passar os créditos finais. assim, acabou num saudável ambiente familiar, algo que não acontecia há muito na série, com os quatro elementos da família em comunhão e claramente a sorrirem para o futuro. ficamos sem saber se o tipo que estava no balcão, a olhar constantemente para a mesa de tony, e que depois foi à casa de banho, era ou não um assassino contratado para "despachar" tony soprano, tal como sucedera com phil leotardo (numa das mortes mais mórbidas de sempre da televisão). este avolumar de tensão sempre foi uma das imagens de marca da série, normalmente para não dar em nada. sinceramente, para mim, depois da mencionada morte de phil leotardo, o grau de violência já tinha atingido a sua expressão máxima, era desnecessário ver verter mais sangue. quem seguiu a série sabe que era mais do que natural que tony soprano tivesse a "cabeça a prémio", por isso... acho que foi melhor assim. o desfecho fica a cargo da nossa imaginação, que se encarregará de absolver ou condenar os actos de uma das personagens mais bem elaboradas de sempre da história da televisão.

sexta-feira, novembro 30, 2007

quinta-feira, novembro 29, 2007

prendas de natal

preparo-me para passar uma tarde verdadeiramente terrível: a gastar dinheiro. aproxima-se o natal, as listas de prendas aumentam de dia para dia. tenho a impressão de que se guardasse as compras de natal para uma altura muito mais próxima do dia 25 de dezembro a lista de prendas seria ainda maior. todos os anos, em meados de novembro, é proferida a seguinte frase em minha casa: "este ano não vão haver prendas para ninguém, isto está muito mal". a seguir a esta frase vem quase sempre esta outra: "bem, pronto, pelo menos para as crianças tem que haver". ou seja, começamos a ceder imediatamente. depois das crianças, que são muitas, vem sempre a família mais chegada: os pais, os irmãos, os cunhados. portanto, das zero prendas iniciais já estamos, por esta altura, em cerca de 20. depois, os colegas de trabalho. "se eles me oferecerem alguma coisa, vou-me sentir mal se não lhes der também uma prenda". e a lista aumenta. depois, são os filhos dos colegas de trabalho. "é só uma prendita, a marcineide (nome fictício) também deu uma prenda ao nosso fagundes (outro nome fictício)". muito bem, aceita-se e compreende-se. só que a lista já vai em trinta e tal nomes. e será essa a minha missão para hoje à tarde. tentar encontrar prendas baratinhas, mas não muito reles, para esta gente toda (excepto as crianças, porque essas merecem prendas de outro quilate. enfim, merecem tudo!). se levar em linha de conta os comentários da minha filha quando passam anúncios de brinquedos na televisão, terei que lhe comprar 238 prendas, porque ela diz, quase sempre, "quero este", "quero uma destas", "quero este carro"... já o meu filho é mais selectivo, mas selectivo do género "upa, upa", brinquedos carotes e tal. mas o natal é deles e para eles, por isso, temos que perder o amor ao subsídio de natal e alinhar no espírito natalício, que cada vez mais se distingue pelo seu desenfreado cariz comercial. mas não me vou esquecer de dizer isto, hoje à tarde, à minha mulher: "olha, ainda bem que este ano não ia haver prendas para ninguém..."

quarta-feira, novembro 28, 2007

para mim, acabou!

estou farto de ver o meu clube jogar mal. estou farto de ouvir as mesmas desculpas no final dos jogos. estou farto de ver o liedson a ser mal servido no ataque. estou farto de ver jogadores como purovic, ronny, farnerud, pereirinha e yannick a jogarem habitualmente. estou farto de ver o joão moutinho perdido no terreno, sem posição definida, a correr que nem um doido para... nada. estou farto de assistir todos os anos a meia dúzia de contratações furadas. estou farto de esperar que contratem, um dia, um jogador de jeito para jogar ao lado de liedson, um outro jogador para ser o verdadeiro nº 10, que o sporting não tem desde balakov, e um guarda-redes em condições.
mas, acima de tudo, estou farto, fartinho mesmo, de paulo bento. acabou-se o "estado de graça" em virtude da taça de portugal e da supertaça. a equipa não rende, não joga, não produz futebol de qualidade. isso é mais do que evidente. ontem bastou o manchester acelerar um bocadinho o jogo para o sporting "desaparecer". e depois ficaram todos contentes com a transição para a taça uefa. pudera, com o dinamo de kiev a perder cinco jogos seguidos e a levar, em média, 4 golos por jogo...
estamos a 10 pontos do fc porto. o benfica está a 6. ainda não tocou o alarme em alvalade? empate em matosinhos, goleada em braga, apenas uma vitória fora no campeonato em seis jogos. não chega?
e outra coisa que me intriga solenemente. por que é que paulo bento, que foi tão rápido a lançar nani, miguel veloso e yannick, não lança de vez o jovem adrien, que tão boa conta de si deu na pré-época? sobretudo quando "encostou" de vez paredes e tem alternativas sofríveis para o meio campo como farnerud e pereirinha. e marian had é assim tão mau, em comparação com ronny (que é horrível), para apenas ter jogado a titular duas vezes? ontem esteve bem. ao contrário de rui patrício, que nos fez perder dois pontos em matosinhos e nos custou a derrota ontem. é assim mesmo, paulo bento. lança-se um "puto" às feras, com tiago e stojkovic operacionais, e não se lança adrien. enfim...
mais uma vez, e para reforçar a ideia deste post: estou farto de paulo bento. que venha outro, desde que não seja o fernando santos...

segunda-feira, novembro 26, 2007

i gaer - sigur ros



esta música é intensa, dramática, pungente, épica, triste, poderosa. parece que encerra em si toda a tristeza do mundo, toda a angústia e a dor de quem sofre, de quem perdeu alguém, de quem ama e não é amado, de quem sente a falta de uma pessoa. no disco anterior, "takk", o tema "svo hljott" flutuou pela minha mente largos meses, ainda hoje continuo a arrepiar-me quando a ouço. no novo disco, os sigur ros "tricotaram" esta sinfonia angelical chamada "i gaer".

quarta-feira, novembro 21, 2007

inadaptado

não deve haver nada mais difícil do que conseguir sair de uma conversa chata, especialmente se nessa conversa só houver dois interlocutores, e, pior ainda, se esses dois interlocutores se conhecerem mal. ainda há pouco tempo fui a casa de um casal, ela trabalha com a minha mulher, ele completamente desconhecido, que nos mostrou embevecidamente a sua casa nova, não poupando nos detalhes de cada parede, de cada peça de mobiliário, dos azulejos da casa de banho, etc. foi um frete desgraçado ouvir aquilo tudo, mais os apartes sobre o incompetente do empreiteiro, a banheira de hidromassagem que ele mandou desmontar e montar novamente umas três vezes por não estar plenamente satisfeito, as portas dos armários que teve que ser ele a colocar, "porque ninguém conseguia atinar com o que eu queria", enfim, uma descrição pormenorizada de tudo o que foi feito naqueles 60 m2 de área coberta. e no exterior foi outra aventura: o quintal, a garagem, a churrasqueira… o mais engraçado é que ele falava comigo como se eu entendesse perfeitamente tudo o que ele estava a dizer. era o contraplacado, o estuque, a barra de inox, todos os utensílios que utilizou para montar a garrafeira (típico: todas as casas têm que ter uma garrafeira, e um bar, com balcão, claro… falta de imaginação, cum catano!).
eu, como forma de esconder a minha total ignorância sobre o assunto, limitava-me a repetir as suas últimas palavras, transformando-as em pergunta, e, claro, tentava mostrar-me entusiasmado e interessado na conversa.
mais tarde, já em casa, não pude deixar de pensar que não me importaria de ser um pouco assim, como o tal tipo que me mostrou, orgulhoso, o seu trabalho, a sua obra. fico sempre com a sensação, cada vez que conheço alguém, que não consigo criar ligação nenhuma, que não tenho assunto para essa pessoa, nem ela para mim. sempre tive este estigma. e como não consigo "fingir" um outro eu, para melhor me moldar a esses momentos constrangedores em que se chega à conclusão de que não há mais assunto, limito-me a estar quietinho no meu canto, em que por vezes quase sinto as letras em néon a piscar em cima da minha cabeça, a dizerem "inadaptado".
o tema futebol costuma ser a minha salvação, mas desta vez nem a isso pude recorrer. o homem queria que eu me envolvesse mais no seu entusiasmo, "discutisse" com ele a melhor ferramenta a utilizar, o melhor berbequim, que, no fundo, valorizasse mais o seu trabalho. não consegui, não possuo de todo conhecimentos para isso, infelizmente. se os tivesse, poderia estar a encetar agora uma nova relação de amizade, alicerçada em gostos comuns; ao invés, o homem, se passar amanhã por mim na rua, até vai evitar falar comigo, porque não vai ter assunto e sabe perfeitamente que eu também não vou ter assunto para ele. e assim ficamos. um dia destes a esposa dele até poderá pensar em convidar-nos para jantar lá em casa, porque ainda por cima o meu filho é muito amigo do filho deles, e ele vai torcer o nariz, como é óbvio. esta minha inépcia social já não me prejudica apenas a mim, mas também à minha família. mas eu não consigo ser diferente. ainda por cima não me facilitam muito as coisas. os meus tópicos, aqueles que domino melhor, nunca, mas é que nunca mesmo, são ventilados em conversas ou encontros com pessoas semi-desconhecidas. nunca me aparece alguém que me fale de música, do último disco dos blonde redhead ou do rufus wainwright, por exemplo, ou de cinema, da obra de woody allen ou o último filme de martin scorsese, de livros, de séries de televisão ao menos…os meus conhecimentos nunca me vão ser úteis para nada. a "bagagem" cultural que tenho não me serve de nada no meu mundo real, no pequeno círculo a que pertenço e que me é dado para interagir. e esta é, de todas as minhas resignações, a que mais me custou a aceitar.

afectos envergonhados

desde pequenos que somos "gozados" por mostrarmos sinais de afecto. em casa, fazemos tudo para que os nossos filhos sejam afectuosos, ternurentos e afáveis; mas mal vão para a escola, esquecem rapidamente tudo o que lhes ensinamos. isto porque esse tipo de "comportamento" é frequentemente mal aceite e excomungado pelos colegas de escola. nas meninas ainda se tolera, mas em meninos é... motivo de chacota para o resto do ano lectivo.
sempre me habituei a despedir-me, todos os dias, do meu filho, quando o levava ao jardim de infância e agora à escola, com um beijo na face. ele sempre aceitou e retribuiu esse mesmo gesto de carinho; mas, mais recentemente, só o aceita e pratica quando ninguém está a ver, para não ser alvo de piadas. bem sei que é uma idade ainda muito tenra, 8 anos, mas é nestas idades que são lançadas muitas das bases para o futuro de uma pessoa. um princípio destes, gozar com o afecto e carinho, é sempre errado. no entanto, se esses mesmos miúdos virem o meu filho a partir o vidro de um carro com uma pedra, passa a ser considerado um herói. algo está mal nesta fotografia da actualidade escolar. aliás, actualidade nem é o termo correcto. já no meu tempo era assim... quem mostrasse coragem para fazer asneiras, para desafiar os professores, para gozar com os outros, para não fazer os trabalhos de casa, para bater nos mais fracos, era imediatamente considerado um líder nato pelos seus colegas. uma espécie de james dean, de "rebelde sem calças", mas com calções, fisga e pedras afiadas. o miúdo bem comportado, sossegado, respeitador e educado é corrido a termos como "betinho", "menino da mamã" e "quequezinho".
outro evidente sinal de que a afectividade não é, de forma alguma, bem recebida neste precoce meio escolar é a questão da "namorada". quando é que alguém é mais gozado na escola? quando se desconfia que essa pessoa gosta de outra. "ai o andré gosta da raquel"; "o tiago é o namorado da rita". para o meu filho, por causa deste tipo de reacções, o tema "namorada" é um tema tabu. nem sequer se pode pronunciar a palavra "namorada" lá em casa. tivemos que deitar fora todos os livros do fernando namora por causa disso. curiosamente, apenas uns anos depois, na adolescência, já é extremamente "cool" ter namorada. passamos da "vergonha" dos afectos para a "exposição" dos afectos, em pouco tempo.
a escola ideal seria aquela que ensinasse que nunca se deve ter vergonha de gostar de alguém. devemos ter vergonha de matar, de roubar, de forjar licenciaturas; nunca devemos ter vergonha de amar alguém, de assumir esses sentimentos, sem culpas nem receio de represálias. nem que essas represálias venham em forma de pedra afiada atirada com uma fisga...

dominado

considero-me uma pessoa organizada, sou viciado em pontualidade, devo olhar umas 354 vezes para o relógio (do meu telemóvel, porque não uso relógio). por norma, todos os meus dias são delineados mentalmente no dia anterior. também por norma, esses mesmos dias correm, sem surpresas, como o previsto. sei o trabalho que me espera, sei com que pessoas vou lidar, onde vou almoçar, a que horas hei-de ir buscar os meus filhos, a que horas vou chegar a casa, etc.. em suma, à primeira vista, a minha vida parece muito previsível e nada entusiasmante, sem distrações, sem grandes novidades, sem perseguições de automóvel ou bombas para desactivar no último segundo. sinto, por vezes, que domino perfeitamente tudo o que se passa na minha vida, na minha pequena redoma, sem necessidade de aventuras ou surpresas. uns chamar-lhe-iam conformação ou resignação. mas não é. acho que é mais uma plenitude, um estado de alma estacionário, que já percorreu várias estações de serviço ao longo da auto-estrada da vida e agora escolheu uma para ficar, controlando toda a sua área de jurisdição, incluindo as casas de banho e o refeitório.
por ser precisamente assim, como descrevi no longo parágrafo anterior, é que me irritam algumas imponderabilidades e incertezas. gosto de ter tudo delineado, agendado, programado; caso contrário a ansiedade acaba por dar cabo de mim. não devo ser o único a pensar assim ou a sentir isto. simplesmente gosto da sensação de ter tudo dominado e quando me vejo numa situação em que não sou eu a determinar ou a decidir, fico... meio perdido.
serve isto tudo para dizer que tenho saudades de algumas pessoas, pessoas essas que gostaria de ter mais vezes no meu dia-a-dia, mas que infelizmente não fazem parte daquela minha delineação diária. o que me transtorna ainda mais é não fazer a mínima ideia quando é que as vou voltar a ver. 24 de abril? 14 de setembro? 3 de dezembro? transtorna-me não ter uma data, uma ideia, uma certeza. daí a minha "revolta". tenho inveja das pessoas que lidam com os amigos todos os dias, no mesmo café, ao almoço, ao jantar, idas ao cinema, etc., um pouco como a série "friends". quando vejo a série imagino como seria fantástico ter algo assim, viver algo assim.
sinto-me mesmo impotente quando sou dominado pela minha incapacidade de dominar este aspecto da minha vida...

a nossa essência

vários escritores, romancistas e alguns canalizadores, apontam frequentemente que o homem só se conhece verdadeiramente em duas situações: quando está sob a ameaça de uma arma ou quando quer conquistar uma mulher. ou seja, a maneira como reage define o tipo de homem. há ainda uma terceira situação, embora seja apontada apenas por cientistas eslovacos: como o homem reage quando, num café, pede uma coca-cola e lhe trazem pepsi. para já, vamos deixar de lado esta terceira situação, pese embora toda a sua relevância.
toda a gente pode argumentar que ambas são situações de descontrole emocional, em que os instintos e os nervos falam mais alto. mas o verdadeiro descontrole é mesmo o homem. em ambos os casos, o controle aparente é... o disfarce. no primeiro caso, a pergunta que se pode fazer é: estaremos preparados para a eventualidade de morrer daqui a cinco minutos? claro que não, talvez em vinte se pudesse arranjar alguma coisa. ameaçados por uma arma estamos perante uma possível finitude, um encerramento perpétuo e definitivo do que fomos, do que construímos. e como reagiremos? em quem pensaremos? que contas deixaremos por pagar?
é impossível prever a nossa reacção. no fundo, tudo residirá no facto de termos coragem ou não para ripostar, para lutar pela vida. ou se, pelo facto de ripostarmos e lutar pela vida, não acabamos por apressar ainda mais as coisas e ainda chegamos ao céu antes de servirem o jantar.
na segunda situação, a maior parte de nós porta-se como um pateta. falsos encontros casuais diários cuidadosamente arquitectados, perseguições de carro, telefonemas constantes (mesmo anónimos), esperas junto da casa dela para ver se ela entra com algum outro homem, noites inteiras sem dormir a pensar no que dizer no próximo "encontro casual", em outras maneiras de a impressionar sem ser com o 18 que tivemos no curso de dactilografia. este imbecil - e não o cidadão adulto, respeitável, razoável, comedido - somos nós, quando nos apaixonamos. tudo o resto é fingimento. se calhar, é neste tipo de situações que acabei de relatar que somos mesmo nós, na nossa essência. obviamente, não somos todos iguais e, tal como na situação da morte à frente dos olhos, neste caso também há inúmeras possibilidades de reacção. também há os discretos, os que amam mas nem às paredes confessam, os que estão apaixonados mas só revelam a alguns muros e janelas. pois, somos todos diferentes e reagimos de maneira diferente.
mas, também vos digo, se me derem a tal pepsi no café, depois de eu ter pedido coca-cola, podem crer que... a bebo, resignado, sem levantar ondas. não sou desse género. infelizmente.

encomenda

como eu queria ser (e manifestamente não sou).
se me dessem a escolher, escolhia isto:

- a eloquência e a destreza de gerard depardieu em "cyrano de bergerac"
- os dotes artísticos e o virtuosismo de geophrey rush em "shine"
- a inteligência e o discernimento de morgan freeman em "seven"
- ser sedutor como daniel day lewis em "a idade da inocência"
- a pinta do jeff bridges em "os fabulosos irmãos baker"
- o sex appeal de george clooney em "out of sight"
- o sentido de humor de woody allen em "annie hall"
- o charme natural de hugh grant em "notting hill"
- o cavalheirismo de clint eastwood em "as pontes de madison county"
- a paixão profissional de robin williams em "o clube dos poetas mortos"
- o carácter meticuloso de tim robbins em "shawshank redemption"
- o optimismo e altruísmo de roberto benigni em "a vida é bela"
- a integridade de paul giamatti em "sideways".

quando é que me podem entregar isto tudo em casa??!!

o que serei daqui a 30 anos

sou uma pessoa de rotinas. tenho rotinas para tudo. para quando me levanto, ao pequeno almoço, ao almoço, no café, ao jantar, etc. não sou de maneira nenhuma uma pessoa muito dada a surpresas. tento evitar ao máximo lugares estranhos, onde me sinta desconfortável e desintegrado. não confio no meu sistema nervoso, porque por diversas vezes ele me atraiçoou, impelindo-me a abandonar esses mesmos lugares estranhos. são palpitações, suores frios, nervos, que levam a uma postura inquietante e sôfrega. daí que, por norma, eu frequente sempre os mesmos sítios e tenha a mesma rotina diária para tomar o pequeno almoço, almoçar e tomar café. ora, no local onde tomo café todos os dias, há já uns quatro anos, um sítio amplo, fresco, costumo escolher sempre a mesa encostada às paredes, ou que esteja numa extremidade, não gosto nunca de ficar no meio ou de costas para a porta. há dias, não havendo mesa livre dentro dessas minhas preferências, fiquei numa outra. por norma, até me poderia sentir deslocado, mas como já frequento há muito esse café, isso não aconteceu. mas até a empregada que todos os dias me atende, geralmente muito compenetrada e eficiente, pouca dada a small talk e confianças, deu conta do sucedido e comentou comigo, com um ligeiro sorriso, que eu estava muito fora dos meus locais habituais.
mas tudo isto serviu como preâmbulo para o que quero contar. nesse mesmo café, todos os dias, à mesma hora, entra um senhor, dos seus 75/80 anos, vai quase sempre para a mesma mesa (excepto se estiver ocupada). senta-se, não precisa pedir porque a empregada já sabe que ele toma todos os dias a sua cevada. ali fica cerca de vinte minutos, a beber a sua cevada, sem olhar para ninguém, apenas olhares vagos para a rua. nota-se que não está ali para observar ou ser observado. está ali porque aqueles vinte minutos fazem parte da sua rotina.
já o observei por diversas vezes e o homem não altera nada na sua postura. a cena parece repetir-se todos os dias, sempre da mesma forma.
de certa forma, vejo todos os dias o que serei daqui a 30 anos. os meus filhos terão as suas famílias, espero que tenham bons empregos e excelente estabilidade financeira, estarei certamente já divorciado, porque a minha mulher tem muitas qualidades mas não vai aguentar as minhas idiossincrasias e medos por muito mais tempo (espero estar enganado a este respeito), e sem amigos (pelos mesmos motivos atrás citados). a minha rotina será a mesma de hoje (excluindo a parte profissional). tenho a certeza que aqueles 20 minutos para a cevada, todos os dias, serão o meu único contacto diário com o mundo exterior. e a empregada do café receberá todos os dias as minhas únicas palavras a esse mundo exterior: "boa tarde!", "obrigado!" e "até amanhã"!...

sexta-feira, novembro 16, 2007

a morte

sinto o caminhar da morte ao meu lado.
o peso da sua presença esmaga-me,
dilacerando-me lentamente a alma.

será este o teu propósito,
o de esvaziar emocionalmente as tuas presas,
tornando-as indefesas e suplicantes
por uma rápida e indolor despedida?

creio não ter forças para lutar contigo.
invadiste de tal forma a minha mente,
que não consigo deixar de pensar em ti
e no que acontecerá a seguir.

tenho medo, sabes,
medo de te estar a provocar.
medo de partir sem levar quem amo.
medo de não conseguir ver crescer
aqueles que ajudei a criar.
medo de partir antes do tempo.

sinto que não tenho forças
para lutar contigo, morte.
sinto cada fôlego como o último,
o derradeiro som do meu respirar.
o coração parece apertar as minhas veias,
não quer bater, quer sossego e paz.

que fazer então, morte?
levas-me contigo para o fogo eterno?
arrancas-me do meu pequeno mundo,
onde me sentia amado e acarinhado?
e o que me dás em troca?

não, não definharei assim, sem dar luta.
posso sentir-me fraco e frágil,
mas não me entrego assim.
no final, até poderás ganhar,
despedaçar aquilo que fui,
estilhaçar e rasgar o meu corpo,
mas eu ficarei sempre com a sensação
de que fiz tudo para evitar ir contigo...

quinta-feira, novembro 15, 2007

post nº 600


estas nuvens estão a ficar cada vez mais pesadas...

quarta-feira, novembro 14, 2007

blonde redhead - messenger

o disco "misery is a butterfly" contém várias pérolas musicais. uma delas é esta "messenger". conheci os blonde redhead com este disco e foi paixão imediata. com o novo disco, "23", cimentaram a sua posição no meu top ten de bandas preferidas. vê-los ao vivo era uma aspiração antiga que concretizei na semana passada. e sim, são efectivamente muito bons, tanto em estúdio como ao vivo.

blonde redhead - anticipation

blonde redhead, a fabulosa banda que fez a primeira parte do concerto dos interpol, responsável por um dos discos do ano, "23", numa actuação na televisão, com o tema "anticipation", do disco "misery is a butterfly". espero ansiosamente por um concerto dos blonde redhead em portugal, com mais do que os 45 minutos que ofereceram no dia 7 de novembro, que souberam nitidamente a pouco.

interpol - public pervert

"public pervert" é uma das minhas músicas preferidas dos interpol. está no disco "antics", tal como outras duas de igual quilate, que também merecem vídeo de actuação ao vivo, como poderão constatar mais abaixo: "not even jail" e "take you on a cruise". estas três músicas são a cereja no topo do bolo num disco brilhante, o segundo da banda, o "temível" segundo disco que costuma "afundar" muitas bandas. tal não aconteceu com os interpol, que conseguiram elevar a fasquia de qualidade no segundo registo. o concerto foi há uma semana, é verdade, mas as músicas continuam a flutuar na minha mente. acho que vocês vão confirmar isto que eu estou a dizer nos posts imediatamente abaixo deste.

interpol - evil

interpol ao vivo, com uma das músicas que mais agitação causou no coliseu dos recreios no passado dia 7 de novembro, "evil", com o "rosemary" do início a ser cantado em uníssono.

interpol - slow hands

interpol ao vivo com "slow hands". desta vez a actuação é no "late night with conan o'brien.

interpol - not even jail

outra excelente música do disco "antics", dos interpol: "not even jail", ao vivo.

interpol - rest my chemistry

interpol ao vivo, no festival lollapalooza, em chicago, em abril deste ano. daniel kessler é brilhante, como sempre, na guitarra.

interpol - take you on a cruise

interpol ao vivo no eurockéenes 2005, com um dos meus temas preferidos do disco "antics": "take you on a cruise". "i´m timeless like a broken watch"...

interpol - pda

interpol ao vivo no programa de david letterman, com o tema "pda", de "turn on the bright lights". esta foi a primeira actuação de sempre dos interpol na televisão, como letterman faz questão de salientar no início.

interpol - obstacle 1

actuação ao vivo, com alguns anos já, dos interpol, com o tema "obstacle 1", do primeiro disco da banda "turn on the bright lights". e sim, é verdade, ainda estou a ressacar do concerto...

terça-feira, novembro 13, 2007

"roxanne"



no mesmo dia em que comprei "the princess bride", comprei "roxanne", igualmente datado de 1987. esta versão moderna da célebre peça "cyrano de bergerac", datada de 1950, de edmond rostand, foi realizada por fred schepisi, com argumento de steve martin, sendo que desta vez a acção se desenrola numa pacata cidade americana, onde c.d. bales (steve martin) é o comandante dos bombeiros (note-se que a personagem "c.d. bales" tem as mesmas iniciais que "cyrano de bergerac"). respeitado e admirado por toda a gente, c.d. tem, no entanto, uma particularidade física que as outras pessoas não conseguem deixar de reparar: o seu enorme nariz. quando roxanne kowalski (daryl hannah) chega à cidade, o comandante não resiste e apaixona-se, sem nunca lhe revelar o que sente, por se sentir obviamente constrangido pelo seu aspecto. por sua vez, roxanne sonha com um homem romântico, belo e inteligente. quando troca tímidos olhares com o belo chris (rick rossovich) começa a pensar que ele pode ser isso tudo. o problema é que, para além da beleza, rick não tem nenhum dos outros dois atributos, exibindo tanto romantismo e inteligência como uma máquina de lavar. quando c.d. bales toma conhecimento da paixão de roxanne por chris, bombeiro na sua corporação, resolve ajudar o pobre rapaz a cortejar a bela roxanne, escrevendo-lhe as cartas românticas em seu nome. ela apaixona-se pelo físico de rick e pela personalidade de c.d. (que ela pensa que pertence a rick).
com "roxanne", steve martin foi nomeado para o globo de ouro de melhor actor em comédia ou musical, venceu o prémio de melhor actor da los angeles film critics association e da national society of film critics awards, vencendo ainda o prémio de melhor argumento adaptado da writers guild of america.
mais um daqueles filmes para guardar muito bem lá em casa, ao lado desse portento cinematográfico chamado "cyrano de bergerac".

the princess bride

este é um daqueles filmes que eu julgava que nunca iria encontrar em dvd. produzido em 1987, acabou de fazer 20 anos, este filme fantástico (no género cinematográfico e na apreciação) foi realizado por rob reiner (responsável por filmes como "when harry met sally" e "a few good men", só para dizer alguns). no elenco constam nomes como cary elwes, mandy patinkin, wallace shawn, billy crystal, mel smith, peter falk, chris sarandon e uma estreante robin wright. tinha o filme apenas em vhs, gravado da televisão. quando o vi, apaixonei-me imediatamente. pelo humor, pelo nonsense, pela história de amor, pela personagem de mandy patinkin e a sua famosa frase "hello, my name is inigo montoya. you've killed my father. prepare to die", repetida até à consumação da ameaça. foi um deleite tornar a ver este filme, depois de o ter comprado na semana passada na fnac, em lisboa. encontrei-o numa prateleira recôndita, ao lado de filmes de qualidade muito duvidosa, no verdadeiro refugo. valeu a pena a insistência!

segunda-feira, novembro 12, 2007

telecabeleireiro

que neura, tenho que cortar o cabelo. irrita-me esta confusão em cima de algo que eu tanto prezo, o meu cérebro. parece o quarto dos meus filhos depois de eles lá terem estado a brincar durante uma hora. é que não há penteado possível, por muita ginástica mental que faça. o meu cabelo não obedece. podem vir ventos ciclónicos, katrinas and the waves, que ele fica exactamente na mesma, sem oscilar uns centímetros que sejam. a neura que esta anarquia capilar me provoca arrasta-se para o nível psicológico. por estas alturas ando irritadiço, depressivo, sorumbático, tal como fico, curiosamente, quando não faço a barba. costumo fazê-la todos os dias e quando isso não sucede, no fim de semana e sempre por preguiça, evito ver-me ao espelho, porque um hedonista só gosta de ver e de fazer coisas que provoquem prazer.
o cabelo curto, à ricardo araújo pereira, faz-me sentir novo, fresco, dentro do prazo. sinto-me um actimel, um espírito selvagem no auge da adolescência, apetece-me pegar numa fisga, saltar ao eixo, apalpar as miúdas e fugir, tocar às campainhas... até as borbulhas parecem surgir novamente. um tipo acorda, toma banho, lava os dentes, faz a barba e... mais nada! nem vale a pena olhar para a parte de cima da cabeça. para quê? o cabelo lá está, sossegadinho, no seu canto, sem levantar quaisquer ondas, o mais low profile possível. com o cabelo curto poupo cinco minutos de manhã, que até me poderão fazer falta à tarde ou à noite, nunca se sabe quando vamos precisar de cinco minutos. com o cabelo comprido, demoro uns largos minutos até me considerar apresentável para sair de casa e mostrar esta obra de arte capilar ao resto do mundo, que é como quem diz, viseu. sortudos dos habitantes de outras cidades...
é mais ou menos por esta altura que a pessoa que está a ler isto pergunta "mas por que raio é que não vais cortar o cabelo e pões termo a essa aflição?". antes de mais, muitos parabéns pela pertinência da pergunta. de facto, este blog pode ter poucos leitores mas a nível de inteligência não ficam atrás de um "abrupto" ou de um "há vida em markl". a resposta está no tempo que eu preciso de "angariar" para esse desiderato. no fim de semana é impossível: o meu cabeleireiro, onde já vou há quase sete anos, está sempre apinhado. nos dias de semana, saindo às 18h para ir buscar os filhos ao atl, também se torna complicado. já comprei uma daquelas máquinas para cortar o cabelo em casa, mas não durou muito tempo, tal o vigor e a robustez do meu cabelo. agora nem para cortar as sobrancelhas serve. desistiu mesmo, tirei a alegria de viver àquela máquina. a hora de almoço poderia ser uma boa solução, poderia, não fosse esse pequenino pormenor de o cabeleireiro também ter as suas necessidades alimentares. a verdadeira solução seria esta: telecabeleireiro. caramba, um tipo chegava ao telefone e solicitava um cabeleireiro. dizia a morada e trinta minutos depois estava à porta de casa um profissional do ramo, com os competentes acessórios. não sei como é que ainda ninguém se lembrou disto... vão lá tantas testemunhas de jeová bater à porta, tantos vendedores da tv cabo, tantos adventistas do sétimo céu, etc., e nenhum deles sabe efectivamente cortar o cabelo a quem necessita. daí a minha ideia ser tão simples e prática: chegar ao telefone e solicitar a deslocação de uma cátia vanessa ou de um marco antónio, escolher o tópico de conversa (futebol, política ou a indústria de cabedais na noruega), o preço, o modo de pagamento e se queremos ou não pão de alho a acompanhar...

quinta-feira, novembro 08, 2007

o concerto!

são 4:18 da manhã. sei que tinha escrito que voltaria a este espaço apenas na segunda-feira, mas não resisto a "despejar" a alma depois das emoções vividas há poucas horas no coliseu dos recreios, em lisboa. sala cheia de público ávido e conhecedor, que esgotou as bilheteiras. pudera, com duas bandas fenomenais no cartaz, não seria de esperar outra coisa. abriram o concerto os blonde redhead. os meus receios de que as suas músicas pudessem soar muito diferentes do que ouvimos nos seus discos dissiparam-se completamente. tocaram 4 músicas de "23", entre as quais a belíssima "the dress", e outras tantas do disco anterior, "misery is a butterfly". o único senão foi terem tocado apenas 45 minutos. soube a pouco. a doce kazu makino, dona de uma sensualidade latente, e os irmãos gémeos simone e amedeo pace foram irrepreensíveis em termos profissionais, mas deixaram-me, tal como ao resto do público, com "água na boca", à espera de mais. quem sabe se eles não regressam a portugal como cabeças de cartaz?...
depois, os interpol. era muito grande a expectativa de ver ao vivo uma banda com três discos editados verdadeiramente fabulosos, e eles não defraudaram ninguém. nas cerca de 20 músicas tocadas a entrega da banda e do público foi total, registando-se uma electrizante empatia logo ao primeiro acorde. "pioneer to the falls" abriu o concerto. seguiram-se "obstacle 1", "no i in threesome", "next exit", "pda", "the scale", "rest my chemistry", "narc", "lighthouse", "evil", "c'mere", "slow hands", "heinrich manouver", "mammoth", "take you on a cruise", "not even jail", "public pervert", "stella was a diver and she was always down" e "roland". foi vibrante, contagiante e superiormente interpretado, com paul banks a provar ser o vocalista com mais pinta do panorama musical actual, igualmente exímio na guitarra eléctrica, sam fogarino brilhou intensamente na bateria, carlos d. (de dengler), o baixista, foi, como costuma ser, o menos expansivo fisicamente, embora de uma eficácia tremenda. mas, para mim, quem mais brilhou, tal como tinha acontecido no concerto que vi deles na semana passada na sic radical, foi o guitarrista daniel kessler. é ele que marca o ritmo da banda, sempre enérgico e com uma postura desconcertante em palco. impecavelmente vestido com um smoking cinzento, kessler foi o centro das atenções, com os seus solos de guitarra magistralmente executados. o som dos interpol ao vivo não difere muito, e ainda bem, do que se ouve nos seus discos. por isso foi fácil, para os apreciadores da banda, acompanhar as músicas, alternando entre uma bateria imaginária e as guitarradas com os dedos a roçar na camisola. no final, o sentimento era de satisfação total. tinham sido preenchidas todas as expectativas que haviam sido criadas nestes longos meses de espera pelo concerto. até mesmo em termos das músicas apresentadas (da minha lista de preferências, só faltou mesmo a "pace is the trick", do último disco).
eu e o ricardo, que até fazia anos nesse dia (ontem, portanto), saímos do coliseu e, depois de "gambrinos" e "maria caxuxa", acabamos por ir parar ao lux. ambiente morno, música jazz ao vivo, poucas pessoas. pedimos algo para beber e sentámo-nos num sofá. quando olhamos para o lado direito, vemos que, a passar por trás do palco, vêm duas mulheres e um homem. ambos ficámos com a impressão de que o tipo era parecido com o guitarrista dos interpol. conforme o trio se foi aproximando, porque tinham que passar por nós para aceder às escadas, essa impressão passou a constituir uma realidade inquestionável. era ele, o daniel kessler, ali, à nossa frente. levantámo-nos imediatamente e fomos cumprimentar o homem (deus? guru? supra sumo? de laranja, se faz favor). ele foi muito simpático e aturou a nossa reverênica pacientemente, embora parecesse estar de saída. "great show man", foram estas as palavras que lhe disse, enquanto lhe apertava a mão. há dois anos, quando vi american music club, no santiago alquimista, fiz o mesmo com mark eitzel no final do concerto. momentos como estes agradecem-se e guardam-se na memória.
são agora 5:02. vou-me deitar. na minha cabeça continua a ecoar o "rest my chemistry". "but you'se so young, so young to look in my eyes".

terça-feira, novembro 06, 2007

pior timing possível...

olho para o calendário e verifico que vou estar cinco dias seguidos sem trabalhar. ena, ena, que fartura! o tempo até está quentinho e tudo, portanto, vai ser fantást... não, não vai. é sempre assim, já sabia que ia ficar doente. este até estava a ser um ano com poucas gripes, aguentei estoicamente o verão todo, fiz tudo bem, comi fruta, legumes, etc., lavei os dentes, arrumei a garagem, separei o lixo, meti gasolina no carro, saí de casa sempre pela porta. e qual é a minha recompensa? uma torradeira? uma máquina de lavar? vá lá, um porta-chaves, no mínimo?... não, a um insignificante dia da minha viagem até à capital, a gripe bate-me à porta. infelizmente, eu estava em casa. hoje têm sido chás atrás de chás, halls mentholyptus em catadupa, montes de lenços de papel e voz à joão malheiro. o objectivo é curar tudo isto rapidamente, entrando em estágio forçado, que consiste em vestir o pijama, embrulhar-me em três cobertores, fazer o ar mais desolador e cabisbaixo possível com o intuito de receber mais miminhos, beber coisas quentes (tudo menos mel, essa aberração de sabor) e tomar alguma medicação, para amanhã estar em plenas condições físicas para pular, berrar, esbracejar, cantar, dançar e fazer figuras ridículas de adolescente assoberbado no concerto interpol/blonde redhead. caramba, agora reparo que a frase anterior talvez tenha sido a mais longa que já escrevi. é da gripe, certamente. em todo o caso, o entusiasmo é enorme, como não poderia deixar de ser, tendo em conta o "cardápio" musical. tenho o mp3 preparado, carregado com interpol, radiohead, blonde redhead, death cab for cutie, slowdive, devics e red house painters, auscultadores em condições e leitura devidamente escolhida ("pura anarquia", de woody allen). só tenho pena que o jogo sporting - roma não seja hoje, até me ajudava a recuperar mais depressa, com dois ou três golos do liedson (ainda por cima não vai jogar o totti). amanhã não vai dar para ver, infelizmente. hoje vou ter que "levar" com o benfica e o fc porto na televisão. por falar em televisão, excelente episódio ontem dos "sopranos". mas já estou a divagar. serve tudo isto para dizer que... volto segunda-feira.