segunda-feira, maio 14, 2007

top ten actrizes séries tv - 2


9º lugar
jamie lynn siegler
série: "sopranos"
canal: hollywood e rpt 2 (brevemente)
todos os dias da semana, às 01h30, no hollywood

top ten actrizes séries tv - 1


10º lugar
bridget moynahan
série: "six degrees"
canal: AXN
quinta-feira, 22h30

raridade!

david sylvian, o grande david sylvian dos japan, dos rain tree crow e dos nine horses, para além de uma muito bem sucedida carreira a solo, onde pontificam excelentes discos como "brilliant trees", "secrets of the beehive", "gone to earth" e "dead bees on a cake", é dono de uma portentosa, sombria e emocional voz. quem ouve temas como "forbidden colours", "some kind of fool", "ride", "blackwater", "orpheus", "brilliant trees", "nostalgia", "heartbeat" (em dueto com a esposa ingrid chavez), "darkest dreaming" e "thalhiem" fica automaticamente rendido. foi durante anos o meu cantor predilecto. a seguir ao disco "dead bees on a cake", de 1999, david sylvian lançou uma compilação, em disco duplo, intitulada "everything and nothing", em 2000. depois... perdi-lhe o rasto. até que, em 2005, surge como parte integrante do projecto nine horses, com burnt friedman e steve jansen, seu irmão. o primeiro disco desta banda, "snow borne sorrow", foi editado em outubro de 2005; o segundo disco, "money for all", foi lançado há pouco tempo, em janeiro deste ano. experimentalista, visionário, inovador, criador de ambientes musicais, david sylvian, no activo desde 1974 e prestes a fazer 50 anos, ainda tem muito para dar à arte que abraçou. a raridade que hoje aqui coloco é uma música dos blonde redhead (que ouço agora diariamente graças ao fabuloso disco "23"), do disco "misery is a butterfly", intitulada "messenger", interpretada precisamente por david sylvian. espero que gostem!


sexta-feira, maio 11, 2007

músicas que marcam

canções preferidas, quem as não tem?! há uns tempos, aquando da verdadeira efeméride que foi a chegada aos 200 posts, coloquei outros tantos nomes de músicas que eu entendia serem as minhas preferidas. foi necessária muita pesquisa, muitas consultas aos locais onde tenho as músicas (prateleira dos cds, computador, outra prateleira dos cds, torradeira, microondas), para poder, de facto, colocar no post uma lista verdadeiramente ponderada. entretanto, já se passaram mais uns meses, apareceram novas músicas, bandas e discos, como é natural, o mundo discográfico está em constante movimento (ao contrário do nuno gomes); o que se gosta hoje já se esqueceu depois de amanhã, quando nos cair nas mãos um disco novo, é mesmo assim. no entanto, há músicas que marcam mesmo, que nos fazem lembrar passagens da nossa vida, que estão agrafadas a sensações, a odores, a paixões, a pessoas, a relações... assim, numa espécie de retrospectiva, vou escolher cerca de 50 músicas que, por algum motivo, tenho a certeza de que vou gostar sempre, independentemente do estilo ou corrente musical que possa vir a gostar no futuro (speed metal, salsa, bossa nova, fado, ranchos folclóricos, cantares à desgarrada).

a que me vem imediatamente à cabeça é a música que se ouve no vídeo deste post: "trust", dos the cure. já escrevi sobre a música e tudo o que ela representa para mim. acho que nunca deixarei de me arrepiar todo e de ficar com a chamada pele de galinha quando a ouço. é intemporal, inesquecível, marcante! ao mesmo nível que "trust" está "a chain of flowers", igualmente dos the cure, a música que eu andei à procura durante 16 anos (também já lhe dediquei um post). mas continuando: dos longínquos anos 70, de que não sou particularmente apreciador, destaco apenas duas músicas: "northern sky", de nick drake, e "the severed garden", dos the doors (grupo que não admiro, diga-se). depois, e viajando até aos fabulosos anos 80, escolho mais umas quantas, facilmente: "save a prayer", dos duran duran; "tomorrow started", dos talk talk; "more than this", dos roxy music; "purple rain", do prince; "love kills", de freddie mercury; "forbidden colours", de david sylvian; "hunting high and low", dos a-ha; "drive", dos the cars; "working hour", dos tears for fears; e duas dos the blue nile: "from a late night train" e "let's go out tonight", ambas do excelente disco "hats", de 1987.

os "meus" anos 90 foram essencialmente marcados por duas bandas, no registo sadcore: american music club e red house painters; e três outras no registo alternativo: radiohead, cocteau twins e smashing pumpkins. daí que escolha uma de cada banda: "blue and grey shirt", dos american music club; "rollercoaster", dos red house painters; "street spirit (fade out)", dos radiohead; "ella megablast burls forever", dos cocteau twins; e "1979", dos smashing pumpkins. no entanto, ainda nesta década, posso apontar outras músicas que ainda hoje gosto: "cowboys and angels", de george michael; "the night", dos morphine; "machine gun", dos slowdive; "flowers in december", dos mazzy star; "dream brother", de jeff buckley; "pink cigarette", dos mr. bungle; "yellow", dos coldplay"; "wild horses", dos the sundays; "gently falls", dos into paradise; "at first sight", dos the durutti column; "roads", dos portishead; "holes", dos mercury rev; e "leave them all behind", dos ride.

finalmente, já na década actual, a lista é ainda mais extensa: "bird gehrl" e "mysteries of love", dos antony and the johnsons (e ainda poderiam ser mais umas cinco); "bleed a river deep", de ed harcourt; "stand in the world" e "my sun is setting over her magic", dos marjorie fair; "i will sing you songs", dos my morning jacket; "abandoned masquerade", de diana krall; "listen" e "action figure", dos lambchop; "this love affair" e "beautiful child", de rufus wainwright; "no easy way down" e "saved", de mark eitzel; "smokey", de mark kozelek (red house painters); "in the morning of the magicians", dos the flaming lips; "the second part", dos the dears; "concentrate" e "autumn", dos the czars; "svo hljott", dos sigur ros; "reason why", de rachel yamagata; "on your side", de pete yorn; "the white trash period of my life", de josh rouse; "public pervert", dos interpol; "they died for beauty", dos ilya; "song for the angels", dos great lake swimmers"; "the warming sun", dos grandaddy; "salty seas", dos devics; "stable song", dos death cab for cutie; "a jealous heart is a heavy heart", de damien jurado; "i see a darkness", de bonnie prince billy; "anticipation", dos blonde redhead; e "this one's gonna bruise", de beth orton.

apaixonado por isto

rufus wainwright - going to a town

quinta-feira, maio 10, 2007

mais filmes para a monica


novos projectos cinematográficos de monica bellucci:
manuale d'amore 2 (capitoli successivi)
estreou em janeiro em itália.
realizado por giovanni veronesi.
com carlo verdone, riccardo scamarcio e elsa pataky.
shoot 'em up
estreia em setembro nos estados unidos.
realizado e escrito por michael davis.
com clive owen e paul giamatti.
le deuxième souffle
estreia em outubro na europa.
realizado por alain corneau.
com daniel auteuil, michel blanc, jacques dutronc e eric cantona.
1:30 train
estreia prevista para 2008.
realizado por joel schumacher.
com patrick cooper.

percurso leonino

2001/2002 - o sporting venceu o campeonato nacional, com jardel e joão vieira pinto em grande estilo. paulo bento era o esteio do meio campo, ao lado de rui bento. a defesa era de luxo, na altura: beto, andré cruz, phil babb e rui jorge. lazlo boloni foi o treinador.

2002/2003 - a segunda época de boloni à frente dos leões foi um desastre, só se aproveitando mesmo as apostas do técnico em valores emergentes como quaresma e cristiano ronaldo.

2003/2004 - estádio novo. chegou fernando santos a alvalade. cristiano ronaldo foi para o manchester united. a época foi um desastre completo, com o cúmulo de sermos eliminados da taça uefa, em casa, por 0-3, por uns turcos com um nome muito esquisito (gençlerbirligi).

2004/2005 - chegou josé peseiro ao sporting. época interessante em que a equipa "morreu na praia", perdendo a final da taça uefa, em casa, frente ao cska de moscovo (1-3), e o campeonato para o benfica a uma jornada do fim, com o tal golo de luisão, em falta clara sobre ricardo, a 10 minutos do final da partida.

2005/2006 - época a meias entre peseiro e paulo bento. este último chegou a colocar novamente a equipa na rota do título, vencendo dez jogos consecutivos, mas ao perder em casa com o fc porto (0-1), golo de jorginho, hipotecou a oportunidade de chegar à liderança da prova a poucas jornadas do final do campeonato.

2006/2007 - novamente com paulo bento, o sporting fez um campeonato alicerçado numa forte consistência defensiva, sofrendo poucos golos e poucas derrotas (apenas duas e em casa, não perdendo fora de casa), seguindo na peugada do fc porto até ao final da prova. na penúltima jornada, no entanto, perdeu o campeonato, por causa do... george michael.

quarta-feira, maio 09, 2007

quem quer lisboa?

quem quer presidir à câmara municipal de lisboa? alguém?... ninguém?!...
é natural que ninguém avance, seria o mesmo que ir gerir agora o freeport de alcochete. a situação financeira deve ser terrível na autarquia lisboeta, juntando-lhe toda a confusão que o caso bragaparques irá causar, indemnizações, loteamentos, terrenos, empreiteiros e adjudicações. não admira que ainda não haja muita movimentação partidária no sentido de avançar com candidaturas. apesar de ser a principal câmara municipal do país, suscita por estes dias tanto interesse como a junta de freguesia de fiais da telha ou de santiago de besteiros. o timing não podia ser pior: o cds-pp passou por toda aquela convulsão recentemente e ainda está a reunir os pedaços; o ps está a tentar voltar a erguer-se depois do "caso sócrates" e da sua alegada licenciatura; o psd continua a perder protagonismo na assembleia, tem um líder inconsequente e pouco carismático e, acima de tudo, foi o partido do poder em lisboa nos últimos anos (santana lopes e carmona rodrigues); o pcp perdeu odete santos, a única figura capaz de ombrear em termos de popularidade com jerónimo de sousa; o bloco de esquerda... é o bloco de esquerda e está tudo dito.
desta forma, os nomes até agora ventilados, que são meras suposições, são nomes "fraquinhos", de gente pouco habituada a estes nebulosos e movediços meios autárquicos: antónio josé seguro, paula teixeira da cruz, o crónico sá fernandes, do bloco. os "grandes" não se querem queimar. até santana lopes continua descansadinho "debaixo da sua pedra". a única excepção parece ser joão soares, que deve andar numa roda viva, para ver se alguém se lembra dele (o que deve ser difícil; um político que perde umas eleições para santana lopes fica marcado para a vida).

good cop, bad cop

ponto 1:
em portugal, a polícia sempre foi considerada, pelos portugueses, uma completa nulidade, ineficaz, com falta de meios humanos e materiais. sempre foi assim. nos noticiários é sempre o mesmo: falta de policiamento nos bairros considerados perigosos, escassez de postos de polícia, mecanismos de prevenção reduzidos ao mínimo indispensável, jogos de futebol de alto risco em que o trabalho da polícia é sempre criticado, etc..
no entanto, todo este cenário se transforma, ou se esquece, quando são os estrangeiros a questionar a capacidade e a eficácia das nossas forças policiais. quando isso acontece, como está a suceder agora no "caso madeleine", somos logo os primeiros a defender e a enaltecer os pobres coitados, que fazem um excelente trabalho tendo em conta os precários meios que têm ao seu dispor.

ponto 2:
como seria se este episódio tivesse ocorrido com um casal de portugueses, a passar férias no algarve, que tivesse tido o desplante e a negligência de ir jantar, deixando três filhos no quarto do hotel? provavelmente já estariam presos, por negligência e incúria, seriam vergastados pela imprensa e teriam sempre à porta do estabelecimento prisional centenas de senhoras, entre os 40 e os 60 anos (que são as que vão sempre às manifestações, comícios políticos e levantamentos populares), a gritar e a berrar "assassinos, assassinos" (de notar que este género de movimentação só surte algum efeito se estiver alguma estação de televisão a filmar; inclusivamente as senhoras guardam os seus mais sonantes "assassinos, assassinos" para os momentos em que sabem que estão a ser filmadas. não estando a ser filmadas, conversam sobre o estado do tempo e a novela do dia anterior, na maior das calmas).
como os pais são estrangeiros, há aquele sentimento de compaixão e uma abordagem mais terna e compreensiva.

dois factos, duas medidas.

o que se ouve por cá - 2


blonde redhead
23

1. 23; 2. dr. strangeluv; 3. the dress; 4. s.w.; 5. spring and by summer fall; 6. silently; 7. publisher; 8. heroine; 9. top ranking; 10. my heroine hair

o que se ouve por cá - 1

rufus wainwright
release the stars


1. do i disappoint you; 2. going to a town; 3. tiergarten; 4. nobody's off the hook; 5. between my legs; 6. rules and regulations; 7. not ready to love; 8. slideshow; 9. tulsa; 10. leaving for paris nº 2; 11. sanssouci; 12. release the stars

terça-feira, maio 08, 2007

rufus wainwright


15 de maio, data do lançamento do novo disco de rufus wainwright, "release the stars". para mim é uma das melhores vozes do panorama musical actual, ao lado de antony (antony and the johnsons), kurt wagner (lambchop), john grant (the czars), mark kozelek (red house painters e sun kil moon), paul buchanan (the blue nile) e mark eitzel (american music club). é inconfundível o seu timbre, os seus devaneios vocais, umas vezes sorumbático, expondo os seus sentimentos com uma sensibilidade fora do vulgar, outras em êxtase, fazendo transparecer uma inefável alegria, um arrebatamento dos sentidos fora do mundo palpável, criando verdadeiros épicos musicais, dos quais o exemplo maior será "beautiful child", do disco "want one", de 2003.
em jeito de homenagem a este excelente compositor e cantor, aqui fica uma compilação (uma espécie de best of) dos seus melhores temas:
1. the tower of learning, de "poses"
2. beautiful child, de "want one"
3. agnus dei, de "want two"
4. the consort, de "poses"
5. go or go ahead, de "want one"
6. natasha, de "want one"
7. this love affair, de "want two"
8. dinner at eight, de "want one"
9. memphis skyline, de "want two"
10. cigarettes and chocolate milk, de "poses"
11. movies of myself, de "want one"
12. one man guy, de "poses"

sexta-feira, maio 04, 2007

a vida de brian


é oficial e vai ficar registado em acta: estou apaixonado pela série "os amigos de brian", que passa na rtp 2, todas as quintas-feiras, às 22h45. sei perfeitamente que não é nada de extraordinário, de sublime, mas a mim agarrou-me completamente, desde o primeiro episódio.
o argumento até nem parece nada original, e até consegue ser um pouco previsível às vezes, mas fiquei refém daquelas personagens e dos seus problemas, alegrias, receios, aspirações, etc.
gosto da cumplicidade latente entre as personagens e da sua interacção, que quase fazem lembrar a série "friends". já escrevi sobre "os amigos de brian", quando a série estreou em portugal; mantenho o que disse na altura e reforço.
na rtp 2 está a passar a segunda série, espero que depois venha a terceira. pena é que à mesma hora, no axn, passe outra série interessante, também do guru da televisão j.j. abrams (produtor de "lost" e de "os amigos de brian"), chamada "six degrees", com bridget moynahan, campbell scott, hope davis e erika christensen. mas as "aventuras" de brian e dos seus inseparáveis amigos são sempre prioridade.

quinta-feira, maio 03, 2007

grande salmão!


salman rushdie nasceu em bombain, índia, em 1947 (no mesmo ano em que o meu pai nasceu, por acaso). escritor e novelista, cujos trabalhos aborda temas como mitologia, fantasia, religião e política, rushdie acabaria por se tornar mundialmente famoso em 1988, com a publicação do livro "versículos satânicos", pelo qual foi condenado à morte pelo líder espiritual iraniano ayatollah khomeini, em fevereiro de 1989. o livro foi banido na índia e na áfrica do sul e causou grande polémica junto do mundo islâmico, tendo salman rushdie sido forçado ao exílio. a pena de morte, que era ainda extensiva aos editores do livro, foi renovada em 1997, tendo a recompensa passado de 1 milhão para 2 milhões de dólares. em 1990, o escritor editou um ensaio, chamado "in good faith", para acalmar as críticas e apresentar as suas desculpas, reafirmando o seu respeito pelo islão. no entanto, a pena de morte não foi levantada. apesar de ter que estar sempre bastante atento a possíveis atentados contra a sua vida, rushdie continuou a lançar livros e a celeuma que o livro causou foi perdendo relevância, mas o governo iraniano, através do ayatollah hassan sanei, em 1999, voltou a insistir na condenação do escritor, oferecendo a astronómica quantia de 2,8 milhões de dólares pela sua "cabeça".
com tudo isto, estarão certamente a estranhar a foto que se anexa a este post. já vou explicar. salman rushdie casou já por quatro vezes (1976, 1988, 1998 e 2004). a sua actual esposa é a lindíssima actriz/modelo padma lakshmi, a moça da foto, com quem casou em 2004, mudando-se de londres para nova iorque.
o homem continua a recear pela sua vida, escondendo-se e protegendo-se de possíveis atentados, por causa de um livro que escreveu há quase 20 anos. a sua tortura e constante receio deverão, no entanto, ser ligeiramente atenuados pela presença ao seu lado da bela padma, sua compatriota. rushdie deve passar imenso tempo em casa, por causa das ameaças, mas, desta forma, uma pessoa até acaba por não ter pena dele. fechado em casa com a padma? não deve ser castigo nenhum. se eu fosse o salman também não queria sair de casa...

desprendimento

era uma sensação com um misto de prazer
e desconforto, não sabia definir bem.
um aperto onde a vida se enuncia
ou o pronúncio de uma saudade
em que a mesma se atormenta.
uma incoerência entre o que se diz e o que se faz,
ou o vazio de um fim que tem de acontecer
e de que se ignora o depois;
um alívio de incumbência
ou a certeza irremovível do tempo.

sentia-se dono de uma serenidade sem desalento,
porque o passado não lhe remoía o presente
e nunca se sentaria à espera das tábuas necrológicas.
a vida ensinara-lhe que não há prudências
nem regozijos programados,
pois ninguém controla os desígnios.

convencia-se, por vezes, de um fatalismo insuperável
e nele justificava os desaires.
amava a vida mas não esquecia a morte,
era um constante conflito entre a luz e a escuridão.
a morte era-lhe essa marca de infância,
semelhada pela vida fora,
do tamanho de uma sombra poligonal,
conjecturada e não vivida.

a morte fora sempre a sua vulnerabilidade,
a sua angústia, uma ferida que se disfarça,
mas que nunca sara. era uma justiça divina
e uma ingratidão do destino, porque, crente,
nunca a compreenderia na sua ocasião,
suportando-a em silêncio,
contra os desprezos e as raivas;
um castigo sem culpa, impossibilitado
de apresentar provas e testemunhos
da sua inocência.

o futuro encolhera aos seus olhos,
mas ainda teria tempo de saber
se é mais fácil ou mais difícil
polir uma identidade quando se dobra
a esquina da idade maturescente,
deixando para trás agrados antigos,
quando os livros o faziam viajar
pelos caminhos de fantasia,
imaginando futuros inalcançáveis
e aventuras que não chegou a realizar.

quarta-feira, maio 02, 2007

24 - apresentação

apresentação oficial da sexta temporada de "24". espero que gostem!

consciência limpa

este ano pretendo cumprir rigorosamente a resolução que tomei no fim do ano passado: não mais tomar resoluções de ano novo. são promessas que fazemos à nossa consciência em que nem a consciência acredita mais. a minha já estava a reagir com bocejos a cada juramento que eu fazia para o novo ano. "vou começar uma dieta", "vou comer sopa e salada a todas as refeições", "vou ser tolerante, justo e equilibrado", "vou arrumar o sótão", "vou ali ao café e já volto", "vou fazer exercícios diários, usar fio dental, reler os clássicos, não tudo ao mesmo tempo, claro". e a consciência, com enfado: "sim, sim, está bem, tem é cuidado com o nariz, que ainda magoas alguém".
mesmo com esse espectro de dúvida a pairar sobre ela, a minha consciência não deixa de se submeter ao exame anual que faço nos últimos dias de dezembro. uma espécie de check-up moral necessário para desanuviar qualquer nuvem negra que possa pairar na minha consciência. em dezembro, o seu estado geral era bom, pese embora algumas questões pendentes relacionadas com uma amizade de 16 anos que se perdeu. o que mais custou ainda foi ser informado por e-mail desse desenlace, sem confronto, sem troca de ideias, sem apelo, nem agravo. se tive culpas? claro que tive. mas acabar assim, desta forma, tudo o que se construiu durante tantos anos, é doloroso. a minha consciência manteve-se limpa e, embora tenha vacilado por alguns momentos, preferiu levantar a cabeça e seguir, sem olhar para trás. passado é passado. quando não somos desejados, somos meros obstáculos.
de resto, não teve grandes provações no ano passado. fiz algumas coisas que não devia, não fiz outras que devia, nada de grave. vou poder continuar a conviver normalmente com a minha consciência, principalmente agora que eliminamos este ridículo ritual das resoluções de fim de ano da nossa relação. o homem maduro é o que desiste da virtude impossível para não perder a possível.

o regresso de jack bauer


a sexta temporada de "24" vai começar a passar na rtp 2 na quarta-feira, dia 9 de maio. o horário previsto é o mesmo da série anterior: 22h35. no final da quinta série, por muitos considerada a melhor de todas, jack bauer tinha sido capturado pelo governo chinês, sob suspeita do homicídio do cônsul daquele país nos estados unidos da américa. agora vamos saber qual vai ser o destino do intrépido agente anti-terrorista. para já, como aperitivo, ficam já a saber que nesta temporada vai aparecer o pai de jack bauer. as minhas noites de quarta-feira vão voltar a ser vividas com muita ansiedade à frente do televisor, tenho a certeza.
nesta época "dourada" da televisão nacional, que finalmente começou a ver nas séries televisivas um filão inesgotável, colocando-as em horários decentes, casos de "prison break", "lost", "ugly betty", "heroes", "o meu nome é earl", "os amigos de brian", "E.R.", "anatomia de grey", "a unidade" e "house", saúda-se igualmente o regresso de "nip/tuck", que vai estrear a terceira série a 11 de maio no canal fox life. as segundas séries de "ossos" e "o meu nome é earl" vão chegar ao canal fox a 9 e a 27 de maio, respectivamente. na rtp 2, nos serões de segunda-feira, aguarda-se ansiosamente a chegada da última série de "sopranos", agendada para breve. só no mercado das sitcoms é que parece ter havido uma quebra assinalável, o que é pena. de resto, toca a aproveitar esta maré de boa televisão, à custa das séries.

300 posts

três centenas de textos que marcam os 17 meses de existência do "nuvens da alma".

espelho meu

o momento mais complicado no dia-a-dia de uma pessoa é o primeiro olhar no espelho depois de acordar. o espelho mostra-nos o nosso contrário, a nossa esquerda na nossa direita, mas este é o limite máximo da sua dissimulação. fora isso, ele é de uma franqueza brutal e irrevogável. é de manhã, naquele momento em que ainda estamos amarrotados pelo sono, que estamos mais vulneráveis. queremos encontrar uma imagem reflectida no espelho que nos dê algum alento para iniciar o dia. ao contrário, apenas encontramos um rosto abatido, cada vez mais velho, e do qual estamos francamente já muito fartos de ver. ao procurar algum consolo no nosso espelho todos os dias, estamos inconscientemente à espera de ver outra coisa, como se o sono de oito horas que acabamos de ter fosse de alguma forma regenerador e embelezador. não o é, de forma alguma. quando as luzes da casa de banho são ligadas e os nossos olhos procuram a nossa imagem no espelho não aparece, infelizmente, o george clooney ou o clive owen. quando muito aparece um nicolau breyner ou um josé carlos malato. é por isso que o espelho é um instrumento diabólico, que destrói todos os dias as nossas fantasias. a nossa esperança é a tecnologia: mais tarde ou mais cedo vão inventar um espelho digital, que não se limitará a reflectir a nossa imagem, vai antes captá-la e transformá-la em impulsos electrónicos, que poderão depois ser manipulados pelo utilizador, tipo photoshop. no painel do espelho digital existirão duas teclas: "a verdade" e "escolha você mesmo". carregando nesta última opção, teremos à nossa disposição um vasto menu de opções, mais reconfortantes, como "rodrigo santoro", "wentworth miller, "clive owen", "george clooney", "brad pitt", "jude law", "keanu reeves", ou "johnny depp". como seria diferente sair de casa com a sensação de que somos tal e qual o clive owen? fazia bem à auto-estima, teríamos certamente mais confiança em nós próprios, trabalharíamos mais animados e até mandaríamos uns piropos à chefe da redacção. isto se ela também tiver em casa um espelho digital e tenha optado nesse dia pela cara da eva green...
enquanto não for possível aceder a este milagre da tecnologia, cá vamos aguentando a mesma cara todos os dias, assistindo ao seu envelhecimento, ao aparecimento de mais rugas, do segundo queixo e dos cabelos brancos, ao desaparecimento de mais cabelo, ao aumento progressivo das entradas, a pele cada vez mais sêca. não é fácil conviver com a mesma cara todos os dias...

inadaptado

não deve haver nada mais difícil do que conseguir sair de uma conversa chata, especialmente se nessa conversa só houver dois interlocutores, e, pior ainda, se esses dois interlocutores se conhecerem mal. ainda há pouco tempo fui a casa de um casal, ela trabalha com a minha mulher, ele completamente desconhecido, que nos mostrou embevecidamente a sua casa nova, não poupando nos detalhes de cada parede, de cada peça de mobiliário, dos azulejos da casa de banho, etc. foi um frete desgraçado ouvir aquilo tudo, mais os apartes sobre o incompetente do empreiteiro, a banheira de hidromassagem que ele mandou desmontar e montar novamente umas três vezes por não estar plenamente satisfeito, as portas dos armários que teve que ser ele a colocar, "porque ninguém conseguia atinar com o que eu queria", enfim, uma descrição pormenorizada de tudo o que foi feito naqueles 60 m2 de área coberta. e no exterior foi outra aventura: o quintal, a garagem, a churrasqueira… o mais engraçado é que ele falava comigo como se eu entendesse perfeitamente tudo o que ele estava a dizer. era o contraplacado, o estuque, a barra de inox, todos os utensílios que utilizou para montar a garrafeira (típico: todas as casas têm que ter uma garrafeira, e um bar, com balcão, claro… falta de imaginação, cum catano!).
eu, como forma de esconder a minha total ignorância sobre o assunto, limitava-me a repetir as suas últimas palavras, transformando-as em pergunta, e, claro, tentava mostrar-me entusiasmado e interessado na conversa.
mais tarde, já em casa, não pude deixar de pensar que não me importaria de ser um pouco assim, como o tal tipo que me mostrou, orgulhoso, o seu trabalho, a sua obra. fico sempre com a sensação, cada vez que conheço alguém, que não consigo criar ligação nenhuma, que não tenho assunto para essa pessoa, nem ela para mim. sempre tive este estigma. e como não consigo "fingir" um outro eu, para melhor me moldar a esses momentos constrangedores em que se chega à conclusão de que não há mais assunto, limito-me a estar quietinho no meu canto, em que por vezes quase sinto as letras em néon a piscar em cima da minha cabeça, a dizerem "inadaptado".
o tema futebol costuma ser a minha salvação, mas desta vez nem a isso pude recorrer. o homem queria que eu me envolvesse mais no seu entusiasmo, "discutisse" com ele a melhor ferramenta a utilizar, o melhor berbequim, que, no fundo, valorizasse mais o seu trabalho. não consegui, não possuo de todo conhecimentos para isso, infelizmente. se os tivesse, poderia estar a encetar agora uma nova relação de amizade, alicerçada em gostos comuns; ao invés, o homem, se passar amanhã por mim na rua, até vai evitar falar comigo, porque não vai ter assunto e sabe perfeitamente que eu também não vou ter assunto para ele. e assim ficamos. um dia destes a esposa dele até poderá pensar em convidar-nos para jantar lá em casa, porque ainda por cima o meu filho é muito amigo do filho deles, e ele vai torcer o nariz, como é óbvio. esta minha inépcia social já não me prejudica apenas a mim, mas também à minha família. mas eu não consigo ser diferente. ainda por cima não me facilitam muito as coisas. os meus tópicos, aqueles que domino melhor, nunca, mas é que nunca mesmo, são ventilados em conversas ou encontros com pessoas semi-desconhecidas. nunca me aparece alguém que me fale de música, do último disco dos arcade fire ou do rufus wainwright, por exemplo, ou de cinema, da obra de woody allen ou o último filme de martin scorsese, de livros, de séries de televisão ao menos…
os meus conhecimentos nunca me vão ser úteis para nada. a "bagagem" cultural que tenho não me serve de nada no meu mundo real, no pequeno círculo a que pertenço e que me é dado para interagir. e esta é, de todas as minhas resignações, a que mais me custou a aceitar.

sexta-feira, abril 27, 2007

out of sight




há dias questionei neste espaço o talento da jennifer lopez para cantar. tal como muitas outras "cantoras", ela tem inquestionavelmente uma excelente aparência, tem corpo, tem presença, e os espectáculos ao vivo devem atestar isso mesmo. o que lhe sobra em termos físicos, falta-lhe, no entanto, em termos vocais. e a prova disso é que, enquanto esteve em alta como actriz, os seus discos vendiam como pão quente acabadinho de sair do forno; agora que a carreira está um bocado em baixo, até já se limita a cantar em espanhol e as vendas não andam famosas.
em termos cinematográficos, a jennifer lopez também não se pode gabar muito. entrou em "cagadas" tipo "o comboio do dinheiro", "vamos dançar?" (com o canastrão do richard gere), "uma sogra de fugir", com jane fonda, "gigli", com ben affleck, "anaconda", "a cela", etc.. no entanto, no seu currículo aparece um filme, de 1998, que se destaca sobremaneira de todos os outros. chama-se "out of sight", em português creio que se chama "romance perigoso", realizado por steven soderbergh e produzido por danny de vito e barry sonnenfeld, com um elenco de luxo: george clooney, ving rhames, don cheadle, albert brooks, catherine keener, michael keaton, steve zahn, dennis farina e a própria jennifer lopez. na última cena, conta ainda com uma participação especial de samuel l. jackson. o filme é, de facto, muito bom, pelo argumento, pelas interpretações, pela realização, mas o que me leva a fazer este post, para além de salientar a performance de jennifer lopez (coisa rara em filmes, para ela), é a excelente química existente entre ela e george clooney. a cena em que ambos estão fechados na mala de um carro em andamento e o diálogo que encetam vão ficar para a história. ambos conseguem sair dos seus papéis, ela de polícia, ele de ladrão de bancos, e reagem como se estivessem a tomar café numa esplanada, numa abordagem marcada por muita tensão e atracção física.

neste filme, lopez provou que, de facto, era actriz. pena foi que depois tivesse escolhido sempre papéis fracos em filmes "fáceis" para o box-office, em detrimento de bons papéis que a ajudassem a crescer como actriz. há pouco tempo, a actriz tentou, finalmente, uma incursão pelo cinema mais sério, menos comercial e mais desafiante. rodou em 2005, com robert redford e morgan freeman, o filme "an unfinished life" e até se saiu bem. pode ser que seja uma viragem na sua carreira como actriz. mas mesmo que nunca mais faça nenhum filme de jeito, hei-de recordá-la sempre como a karen sisco do "out of sight".

quinta-feira, abril 26, 2007

filmar a monica







vi ontem "combien tu m'aimes?", em português "quanto me amas?", com monica bellucci e gérard depardieu. como filme, pouco ou nada tem de inovador, a não ser a própria premissa do argumento: um recém vencedor da lotaria "compra" uma prostituta, por 100 mil euros por mês, para ir viver com ele. entre constantes recuos narrativos (ela fica, ela vai...), surgem diálogos por vezes sem nexo, que parecem até de improviso, algumas vezes cómicos, piscando o olho à comédia mais brejeira, outras vezes dramáticos, como um fabuloso monólogo da personagem de jean-pierre darroussin. depardieu parece perdido no filme, interpretando um suposto vilão que não quer "abrir mão" de monica bellucci (quem é que o pode censurar?). mas o seu registo é mais cómico do que sério, embora pareça que devia ser antes... o contrário.
em suma, uma hora e meia perdida, em que, tudo espremido, só resta mesmo... a monica bellucci. até hoje, e já vi vários filmes dela, este é o filme que mais tira proveito da sua presença. está esplendorosa, elegante, bela, fascinante, excitante (esperem que vou ao dicionário ver mais termos...), insinuante, encantadora e deslumbrante. bendito realizador, bertrand blier, que a filmou desta maneira. deve ter ficado tão encantando ao fazê-lo, que até se "desligou" do filme, tendo o produto final saído assim para o fraquito. quem é que te pode censurar ó bertrand?...

jardim sem flores

Alberto João Jardim pretende fazer, no mínimo, uma inauguração por dia, incluindo sábados e domingos, entre investimentos públicos e privados até ao dia das eleições antecipadas, 6 de Maio. Uma "boa data", sublinhou o líder madeirense demissionário, porque não só "dá tempo a fazer o esclarecimento ao eleitorado" como resolve a crise instalada o "mais célere possível", disse. Instado a comentar as advertências de Cavaco Silva de que o Governo Regional se encontra limitado, por imperativos constitucionais e legais, à prática dos actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos da região, Jardim desvalorizou. "Uma inauguração não é um acto inovador, é o cumprimento do dever constitucional de informar a população dos actos do Governo. É mostrar o que está feito e a lei não se opõe a isso", referiu. Um método também utilizado pelos "governos socialistas quando estão no poder em Lisboa", reiterou - e que está longe de ser original nas vésperas de eleições na Madeira. A oposição não pensa o mesmo. Segundo Jacinto Serrão, líder e candidato do PS/M, "Jardim não pode utilizar as inaugurações para fazer discursos de propaganda eleitoral usando os meios públicos. Nisso a lei é clara. Por alguma razão, Cavaco Silva sentiu-se na obrigação de fazer esta chamada de atenção. Jardim deveria suspender o cargo para, a exemplo de Carlos César, dos Açores, fazer uma campanha eleitoral com elevação", disse ao DN. Paulo Martins (BE), Edgar Silva, (PCP) e José Manuel Rodrigues (CDS/PP), todos reclamam "ética política".

"jardim devia fazer uma campanha eleitoral com elevação", reclama a oposição na madeira. duvido que o homem consiga até tomar o pequeno almoço com elevação, quanto mais uma campanha eleitoral. é certo que o homem vai ganhar as eleições, disso ninguém duvida, mas esta constante pirraça digna de um menino mimado que faz questão de ir mostrar os seus valiosos brinquedos a um bairro de lata já mete nojo. esta história de andar a fazer inaugurações de estradas e obras públicas é uma afronta a toda a gente: ao continente, que motivou os reparos de cavaco silva, no sentido em que "o Governo Regional se encontra limitado, por imperativos constitucionais e legais, à prática dos actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos da região", e dos outros partidos envolvidos nas eleições madeirenses.
o homem quer mostrar a toda a gente que ele é que manda. ninguém manda nele, nem pode. a madeira é dele, só dele. por mim, que fique lá muito tempo, desde que não chupe mais verbas ao continente, para pagar reveillons, clubes de futebol e carnavais.
asco é o termo que mais me vem à cabeça quando se fala nesse energúmeno madeirense.

músicas nas nuvens 14

rufus wainwright - natasha

terça-feira, abril 24, 2007

25 de abril!

25 de abril. feriado nacional. quantas memórias... é um dia para recordar sempre, para ter constantemente na minha mente. dia de sol, de calor, de roupa apertada e constrangimento natural. as pessoas andavam agitadas, nervosas, um tanto ou quanto apressadas, para que nada faltasse naquele dia, para que fosse realmente um dia perfeito, para recordar mais tarde. era muita a atenção aos pormenores, a todos os elementos que faziam parte daquele grande passo que ia ser dado, passo esse verdadeiramente ponderado e encarado como um desenlace natural, fruto de muito querer, de muita vontade de mudar o rumo das coisas.
sim, recordo muito bem esse dia: 25 de abril de 1998! foi o dia do meu casamento. o desenlace natural para uma relação que teve início em 1988, há quase 20 anos...
25 de abril sempre!

russo paga dívida americana


jennifer lopez paid 1.2 million for 40-minute concert
Talk about an expensive birthday present: a russian billionaire forked over $2 million for Jennifer Lopez to perform at a joint birthday party for himself and his wife saturday night, sources tell PEOPLE. Lopez's 40-minute set – which included such hits as "Jenny From the Block" – cost 35-year-old Andrei Melnichenko $1.2 million. He paid another $800,000 to fly the singer, her husband Marc Anthony and their entourage from the U.S. to his 27-acre estate in Surrey, England, and put them up at the Mandarin Oriental in London. "I can confirm that a very high-profile American singer performed at a private party in Surrey," Melnichenko's spokesman, Brian MacLaurin, tells PEOPLE. Sixty guests attended the bash for Melnichenko and his 30-year-old wife, former model Aleksandra Nikolic Melnichenko. Melnichenko, who is worth $5 billion, according to his spokesman, made his fortune founding MDM Bank. He's no stranger to lavish spectacle: He paid Christina Aguilera $4 million to sing at his 2005 wedding in the south of France.
MONDAY APRIL 23, 2007 - Courtney Rubin
a questão que se pode colocar é: a jennifer lopez (que pelo apelido ainda deve ser minha prima) arranjou material para encher os quarenta longos minutos do concerto? quarenta minutos em palco... é obra! estes russos bilionários são doidos!... já não bastava comprarem equipas de futebol, agora andam a comprar músicas (se é que se podem apelidar de músicas) ao vivo por uma fortuna.
já agora, como nota de rodapé, fica a informação de que o marido da "lopez", o cantor marc anthony (nome lindo!), foi condenado a pagar 2.5 milhões de dólares nos estados unidos da américa, por fuga ao fisco entre 2000 e 2004, em que apresentou rendimentos superiores a 15 milhões de dólares, nunca declarados às finanças.
estarão as duas notícias relacionadas??? hum... não sei... quantos mais concertos de quarenta minutos terá a minha prima de dar para pagar as burrices do marido?

lilly no grande ecrã


no próximo ano vamos poder ver, finalmente, evangeline lilly no grande ecrã e, sobretudo, ao lado de grandes actores, num projecto sério. isto porque, em 2004, ainda antes da série televisiva "lost", participou num filme chamado "the lost weekend", num papel secundário, ao lado de chris klein e brendan fehr, em mais uma comédia do género "american pie" e sucedâneos. esta canadiana, nascida a 3 de agosto de 1979, que tem feito essencialmente carreira na televisão, em séries como "smalville", "tru calling", "kingdom hospital" e, obviamente, "lost", vai começar a rodar em junho, em nova iorque e montreal, o thriller sobrenatural "afterwards", ao lado de john malkovich e romain duris (excelente actor francês que vimos em "a residência espanhola", "as bonecas russas" e "de tanto bater o meu coração parou"). o filme é uma produção franco-canadiana, realizada pelo francês gilles bourdos. a actriz tem vindo a recusar sucessivos convites para fazer a sua verdadeira estreia no grande ecrã, tal como alguns dos seus colegas de "lost", resolvendo agora aceitar dar corpo ao papel de ex-mulher do personagem de romain duris. espero que seja o início de uma grande carreira na sétima arte.

jessica biel


porque, de vez em quando, sabe bem fazer uma pausa, descansar o cérebro e simplesmente ficar a olhar para algo belo e excitante!

mas mudou alguma coisa?

«Tem esperanças de um dia passar a ser o número um [do PSD]?»
«Não! Nem pensar! Essa perspectiva está completamente fora do meu horizonte.»
«Por que o diz de forma tão determinada?»
«Porque não tenho qualquer tipo de dúvidas. Tenho noção das minhas qualidades e das minhas limitações.»
MARQUES MENDES, então líder parlamentar do PSD. VIP, 20 de Janeiro de 1999

«Engenheiro José Sócrates, vamos vê-lo, um dia, primeiro-ministro?»
«Não! Primeiro, porque não tenho o talento e as qualidades que um primeiro-ministro deve ter. Segundo, porque ser primeiro-ministro é ter uma vida na dependência mais absoluta de tudo, sem ter tempo para mais nada. É uma vida horrível e que eu não desejo. Ministro é o meu limite.»
JOSÉ SÓCRATES, ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território. Dna, 16 de Setembro de 2000

se ao menos eles tivessem seguido os seus próprios vaticínios...

segunda-feira, abril 23, 2007

filmes infantis

depois de tantos anos a ver filmes infantis com o meu filho, acabei por ficar viciado neste género cinematográfico. e tanto assim é que, agora, já ele está um bocado farto e nem me pede para os comprar, como antes, quando saem para venda em dvd, e sou eu que insisto com ele. há dias até fiquei irritado com ele porque eu estava-lhe a oferecer um pack com o "por água abaixo" e o "pular a cerca" e ele, o malandro, rejeitou e preferiu comprar uma treta de bonecos do action man. para além de ser mais caro o que ele escolheu, tem muito menor durabilidade (já deve andar tudo espalhado lá pelo quarto, sem utilidade nenhum), enquanto que um filme é para durar muitos anos (se a irmã não lhe puser as mãos e usar o disco como prato de comida para as bonecas).
o primeiro filme que o "agarrou" completamente foi "monstros e companhia", oferecido pelo padrinho, ainda em vhs. lembro-me de ele ver aquilo duas e três vezes seguidas, rebobinando a cassete sempre que o filme acabava para tornar a ver. eu e a minha mulher já sabíamos o filme de cor e salteado. depois, ainda em vhs, compramos-lhe "pacha e o imperador" (excelente filme!), "lilo e stitch", "toy story" e "a idade do gelo" (um dos meus preferidos! não consigo evitar a lagrimazita no final do filme). com o dvd, foi sempre a "abrir": "stuart little 2" (que viu dezenas de vezes também), "o planeta do tesouro", "vida de insecto", "shrek", "a fuga das galinhas", "el dorado", "toy story 2" (outro caso de paixão a cada visionamento), "space jam" e "à procura de nemo" eram os discos que passavam mais pelo dvd. mais recentemente, "os incríveis", "robots", "shrek 2" e "selvagem" encheram as medidas ao pedro. agora, as últimas aquisições, por ingerência paternal (porque ele está já um bocado desligado dos filmes, está agora mais virado para a playstation e para o computador), são "por água abaixo", "pular a cerca", "o rapaz formiga" e "capuchinho vermelho, a verdadeira história". ao todo, já tem 53 filmes infantis. e a tendência é para aumentar... se depender de mim... e a mariana também já começa a gostar de ver filmes, mas para já prefere o little people, o noddy e "os três porquinhos". mas já está a começar a ficar com o "bichinho" pela sétima arte.

tempo para ter tempo

hoje sentei-me na esplanada para tomar o meu habitual café ao fim de almoço. demasiado calor, demasiada gente, demasiados odores (e não há nada pior do que o cheiro a suor das outras pessoas. com o meu posso eu bem, até podia ser comercializado em frascos). não havendo interlocutor, ou interlocutora, dediquei-me a observar as pessoas que passavam e as outras mesas da esplanada. reparei num jovem casal, ela com uma revista, ele com um jornal, que lia relaxadamente, sem pressas, sem distrações. ocasionalmente, faziam comentários sobre o que estavam a ler, riam um pouco, voltavam a ler, trocavam novamente opiniões e regressavam à leitura. estavam no mundo deles, sem interferências, sem preocupações, sem horários a cumprir, sem pressas.
simples, tão simples, não é? parece algo acessível a toda a gente. no entanto, senti inveja. como parte integrante de um casal, há anos que não disfruto de algo semelhante, daquela morosidade que o calor oferece, que nos faz vegetar pelas esplanadas, bebendo ginger ale's com limão e devorando gelados. aproveitar para ler, comentar, sossegadamente, sem constantes interrupções. inveja, sim, é a palavra certa...
minutos mais tarde, chegou um outro casal, de idade bem mais avançada. sentaram-se, pediram os seus cafés e começaram a dividir a leitura. ela com a revista e ele com o jornal. leram em sossego, calmamente...
quando me levantei, questionei-me se não teria feito uma viagem pelo tempo, entre o meu passado e o meu futuro.

quinta-feira, abril 19, 2007

resolução


cheguei à conclusão, ao chegar à tão falada "crise da meia idade", que quero escrever um livro. a empreitada não será fácil de concretizar, nem por sombras, mas o empenho e a dedicação vão ser totais. para tal, o meu primeiro passo nesse sentido foi o de comprar um computador lá para casa (ou melhor, aqui para casa. estou tão habituado a fazer os textos no trabalho que até me esqueci que estou a escrever isto em casa). sim, este é o primeiro post que faço em casa. neste momento toda a gente dorme, menos eu, que estou enfiado aqui no quarto a escrever e a ouvir, ao mesmo tempo, os the cure. a propósito, raios me partam se o tema "trust" não é das músicas mais belas feitas até hoje… é simplesmente fabulosa! lembro-me perfeitamente de a ouvir, ao vivo, na primeira edição do super bock super rock, na gare de alcântara, em 1995. fechei os olhos e… chorei de emoção. a música sempre carregou uma enorme carga emocional e marcou, também ela, uma importante fase da minha vida. em 1995 soou exactamente como eu a queria ouvir e não consegui evitar o meu colapso emocional. era o fim de um ciclo, de 1990 a 1995, que teve basicamente como banda sonora os the cure e os discos "desintegration" e "wish". sempre que ouço "trust", "to wish impossible things", "the same deep water as you" ou "plainsong" lembro-me do que foram os meus últimos anos de estudante e os primeiros como trabalhador. depois ocuparam o lugar desta banda os american music club e os red house painters, que também já tive o privilégio de ver ao vivo.
mas voltando ao início deste texto: já plantei algumas árvores e tenho dois filhos. portanto, falta o livro. tenho algumas ideias, personagens em construção, cenários por situar, um esboço de argumento, etc.. conheço as minhas limitações, sei perfeitamente que nunca conseguirei escrever, por exemplo, um texto tão brilhante como a última crónica de lobo antunes na visão. mas que diabo, a nossa missão neste mundo é precisamente vencer as nossas próprias limitações, crescer como pessoas e sentirmo-nos, no final, realizados e contentes com o resultado. no meu leito de morte não quero sentir remorsos de nada, por não ter feito algo que devia ter feito, ou por não ter dito às pessoas que amava que gostava delas. não, quero morrer com a consciência tranquila, com a garantia de que tentei fazer tudo aquilo que quis fazer. ninguém faz a mínima ideia de quanto tempo mais vai andar "por cá", vamos caminhando lentamente para a inevitabilidade da morte. e depois? que imagem vamos deixar? que contributo é que nós demos ao mundo? vamos ser lembrados por alguma coisa? provavelmente não…
o que eu escrever, seja de que qualidade for, péssimo, de mau gosto, fraquito ou razoavelzinho, ficará como testemunho da minha passagem "por cá". ficará em testamento para os meus filhos e deles para os meus netos, e assim sucessivamente. é essa a minha vontade. eles depois que entendam qual será o melhor destino a dar-lhe. (curioso que, neste momento, esteja a ouvir "the funeral party", dos the cure). vai também ficar registada a minha própria evolução (ou a falta dela) como "escritor", visto que pretendo escrever, se me deixarem "cá" andar tempo suficiente, um livro de cinco em cinco anos. quem sabe se, aos 80 anos, não sai efectivamente alguma coisa de jeito.
até lá, à sua conclusão, vou tentar divertir-me a escrevê-lo para que, em cada página, venha reflectido o meu enorme prazer por cada noite sem sono passada a escrever, por cada piada parva metida na narrativa, por cada personagem criada para interagir com outra. é isto que eu quero fazer! e é tão bom quando temos objectivos, mesmo irrealizáveis, e pretendemos alcançá-los…

quarta-feira, abril 18, 2007

voltar a escrever


pois é, foi um suplício ficar ausente tanto tempo da vossa companhia. as saudades eram muitas, apesar de tudo. mas sabe bem voltar, o regresso é sempre mais saboroso e mais profícuo. as ideias voltaram todas ao lugar, estão agora bem arrumadinhas (imaginem que fui dar com algumas ideias no calcanhar e outras nos cotovelos. estavam a tentar escapar, as malandras).
quem não gostou muito da ideia de eu voltar a escrever foi a brooke burke, que ainda tem umas costelas portuguesas. ela tem usado sobremaneira aquela mesa que vêem na imagem e ficou muito chateada quando lhe disse isto ontem: "eh pá, ó brooke, sai lá de cima da mesa que eu preciso desse espaço novamente, para colocar o monitor, o teclado e o rato".

afectos envergonhados

desde pequenos que somos "gozados" por mostrarmos sinais de afecto. em casa, fazemos tudo para que os nossos filhos sejam afectuosos, ternurentos e afáveis; mas mal vão para a escola, esquecem rapidamente tudo o que lhes ensinamos. isto porque esse tipo de "comportamento" é frequentemente mal aceite e excomungado pelos colegas de escola. nas meninas ainda se tolera, mas em meninos é... motivo de chacota para o resto do ano lectivo.
sempre me habituei a despedir-me, todos os dias, do meu filho, quando o levava ao jardim de infância e agora à escola, com um beijo na face. ele sempre aceitou e retribuiu esse mesmo gesto de carinho; mas, mais recentemente, só o aceita e pratica quando ninguém está a ver, para não ser alvo de piadas. bem sei que é uma idade ainda muito tenra, 8 anos, mas é nestas idades que são lançadas muitas das bases para o futuro de uma pessoa. um princípio destes, gozar com o afecto e carinho, é sempre errado. no entanto, se esses mesmos miúdos virem o meu filho a partir o vidro de um carro com uma pedra, passa a ser considerado um herói. algo está mal nesta fotografia da actualidade escolar. aliás, actualidade nem é o termo correcto. já no meu tempo era assim... quem mostrasse coragem para fazer asneiras, para desafiar os professores, para gozar com os outros, para não fazer os trabalhos de casa, para bater nos mais fracos, era imediatamente considerado um líder nato pelos seus colegas. uma espécie de james dean, de "rebelde sem calças", mas com calções, fisga e pedras afiadas. o miúdo bem comportado, sossegado, respeitador e educado é corrido a termos como "betinho", "menino da mamã" e "quequezinho".
outro evidente sinal de que a afectividade não é, de forma alguma, bem recebida neste precoce meio escolar é a questão da "namorada". quando é que alguém é mais gozado na escola? quando se desconfia que essa pessoa gosta de outra. "ai o andré gosta da raquel"; "o tiago é o namorado da rita". para o meu filho, por causa deste tipo de reacções, o tema "namorada" é um tema tabu. nem sequer se pode pronunciar a palavra "namorada" lá em casa. tivemos que deitar fora todos os livros do fernando namora por causa disso. curiosamente, apenas uns anos depois, na adolescência, já é extremamente "cool" ter namorada. passamos da "vergonha" dos afectos para a "exposição" dos afectos, em pouco tempo.
a escola ideal seria aquela que ensinasse que nunca se deve ter vergonha de gostar de alguém. devemos ter vergonha de matar, de roubar, de forjar licenciaturas; nunca devemos ter vergonha de amar alguém, de assumir esses sentimentos, sem culpas nem receio de represálias. nem que essas represálias venham em forma de pedra afiada atirada com uma fisga...

o casaco azul



não sei porque é que a minha mulher se irrita tanto por eu andar sempre com o mesmo casaco? diz ela que, qualquer dia, até o atira para o lixo, de tão farta que está de me ver sempre com ele.
é estranha esta sua reacção, na medida em que normalmente o processo de escolha de roupa, todas as manhãs, implica algum tempo e ginástica mental, para conciliar as cores e os estilos, a chamada "moda". pois bem, com esta minha rapidez de escolha, ganhamos todos os dias cinco preciosos minutos, principalmente quando se têm duas crianças para vestir, o pequeno almoço para fazer, preparar o lanche de um, a sopa e o biberon de outra, a mochila super pesada da escola, o saco com fraldas, toalhitas e petit filous... uma canseira! todos os santos dias...
na verdade, em 34 anos de vida, certamente que passei uns 3 a vestir-me. já devem ser aos milhares as peças de roupa que já vesti. casacos, meias, camisolas, camisas, pullovers, cachecóis, gravatas, fatos, t'shirt's, cuecas, camisolas interiores... em média, uma peça de roupa, na minha posse, não tem muitos anos de vida. visto umas vezes e, por algum motivo insignificante, a maior parte das vezes, coloco de lado, para nunca mais vestir. ou é porque tem borbotos, golas chatas que me irritam o pescoço, as mangas alargam, outras não tapam a camisola interior, encolhem, ficam esbranquiçadas, apertadas... são muitos os factores. o mais irónico é que a minha mulher me critica imenso por eu ser assim tão picuinhas com a roupa e, volta e meia, profere a sua sentença: "pronto, mais uma peça de roupa para pôr de lado". ela sabe que é mesmo assim, sou extremamente rápido a vetar uma camisola, veloz a discriminar umas calças, um tgv a ostracizar um casaco.
agora estranho é ela ter esta reacção perante a minha idolatria a este casaco. e digo "este" porque o trago vestido hoje, como é normal. será errado uma pessoa sentir-se confortável com uma peça de roupa? será pecado gostar de o usar (quase) todos os dias? usando-o todos os dias, estou a transmitir ao mundo a minha plenitude em termos de vestuário, que atingi, em termos de estilo, o meu nirvana. não tem borbotos, as golas não irritam, tem um fecho de cima a baixo, que posso apertar até ao pescoço ou posso deixar aberto, dependendo da temperatura. é prático, é simples, é fácil de vestir e de despir. em suma, tem tudo o que podemos esperar de uma peça de roupa. tenho-o há seis anos e não apresenta ainda nenhum sinal de desgaste. mas admito que, ultimamente, não tenho dormido lá muito bem, porque, sempre que a minha mulher se levanta da cama de noite, eu acordo, com receio de que ela vá mesmo colocar o casaco no lixo. ela tem é ciúmes, essa é que é essa!... uma relação destas com uma peça de roupa não é para todos...

quinta-feira, abril 12, 2007

pausa libertadora


há pessoas que sentem necessidade de ter mais do que um blog, porventura porque um apenas não chega para elas escoarem tudo o que têm para dizer. se calhar, são as mesmas pessoas que têm igualmente três ou quatro telemóveis, para poderem estar sempre disponíveis e também, lá está, porque continuam a ter muito para dizer. eu não sou assim, nem quero ser. não sou, nem nunca fui, popular a esse ponto. tenho um telemóvel, que muito raramente tem utilidade, e tenho um blog, este. não preciso de mais nenhum para falar sobre os meus míseros assuntos. mas sinto que estou a ficar sem assunto e não quero transformar isto num cantinho sofrível e banal, se ainda não o é já, onde apenas se evocam os dias internacionais, as sextas feiras 13, os fins de semana prolongados, as épocas festivas, etc. (por falar nisso, no "etc", tenho a sensação de que escrevo "etc" em todos os meus posts. isto tem que acabar!). não quero escrever por escrever, por obrigação, por imperativo, detesto qualquer tipo de pressão e, neste momento, sinto que estou a ser, de certa forma, esmagado pela constante preocupação em ver se tenho comentários, se tenho visitas, se tenho, no fundo, feedback. cansei. saturei.
tal como a imagem colocada, uns passaram por esta "árvore" e ficaram, outros passaram e voaram, outros ainda não chegaram, nem chegarão provavelmente. são muitos blogs, muitas palavras, muitos círculos fechados, muita treta que leio, às vezes apenas uma frase, que tem imediatamente trinta e tal comentários...
vou fazer uma pausa libertadora, até para ver se arranjo assuntos para poder dissecar no futuro. aqui, no nuvens, ou noutro lado qualquer. até um dia destes (28 de setembro, 14 de julho, 9 de maio, 23 de agosto. escolham!).

quarta-feira, abril 11, 2007

ironia

1- em termos futebolísticos, para mim, o campeonato inglês é o campeonato mais aliciante, mais competitivo e com os melhores futebolistas, já para não falar dos árbitros, que deixam jogar, não querem ser os protagonistas do espectáculo e que repudiam, tal como o público, qualquer tentativa de simulação de faltas, de lesões, de queimas de tempo, etc.. em suma, em inglaterra os jogos são sempre interessantes, com poucas faltas, sem perdas de tempo, sem constantes mergulhos à procura de faltas (esta é para o simão) e sem paragens de jogo sucessivas. ah, e em inglaterra o lucílio baptista não arbitra jogos (nem nas ligas amadoras o deixariam arbitrar).
refira-se igualmente que, em inglaterra, para além do campeonato ter 38 jornadas, há ainda mais uma competição, a taça da liga, o que obriga as equipas a jogarem quase sempre ao fim de semana e a meio da semana. portanto, mais jogos, mais cansaço, mais viagens, mais estágios.

2- hoje, o liverpool vai, seguramente, garantir lugar nas meias-finais da liga dos campeões. com chelsea e manchester united, será a terceira equipa inglesa no lote das quatro ainda em prova. equipas como real madrid, barcelona, inter de milão, ficaram para trás. as três equipas inglesas, nomeadamente o chelsea e o manchester united, que ainda estão na taça de inglaterra também, já disputaram mais de meia centena de partidas oficiais. mesmo assim, com todos estes jogos, de três em três dias, mais a tradicional e desgastante época natalícia, em que as equipas fazem 4 jornadas em poucos dias, as equipas inglesas marcam pontos na europa do futebol.

3- o benfica, com 24 jornadas disputadas, liga dos campeões e taça uefa, tem muito menos jogos do que qualquer uma das equipas inglesas. no entanto, o engenheiro fernando santos alega que a equipa está cansada e que, por causa disso, não ganharam ao porto e ao beira mar e perderam com o espanhol, na primeira mão. aliás, sobre o jogo de aveiro, ainda hoje não consigo "engolir" aquele nojo de arbitragem, da (ir)responsabilidade desse autêntico dejecto humano chamado lucílio baptista. mas adiante. em portugal, há desculpas para tudo: cansaço, viagens longas de avião, o mantorras não pode conduzir, o nuno assis está proibido de jogar, o derlei nunca mais adquire ritmo para aguentar dez minutos em campo, o nuno gomes não acerta com a bola nem numa baliza de rugby. (e se não fosse o lucílio tinham menos um ponto). em inglaterra, um treinador que, em abril, corre sérios riscos de vencer quatro (4!!) competições, tem o emprego em risco... isto entende-se?!?!

o marco!

estudamos juntos durante dois anos, no 10º e 11º ano, na escola secundária alves martins. decorriam os anos lectivos de 90/91 e 91/92. na altura ele já tinha uma personalidade bem vincada. sempre a ouvir beatles, the doors, barclay james harvest, earth wind & fire, música de décadas passadas, porque tudo o que era actual ele não gostava. os seus cabelos compridos e o seu caminhar característico eram a sua imagem de marca. lembro-me bem dos seus "devaneios" psicológicos, das mudanças de humor, ora sério e introspectivo, ora brincalhão e estridente. conheci-o melhor no 11º ano, quando morávamos muito perto um do outro. fizémos várias directas a estudar, intercalando o estudo com jogos de match day 2 no spectrum dele, que mais tarde lhe comprei por cinco contos. era uma companhia agradável, sempre no seu mundo alternativo, onde ainda existiam os beatles, o john lennon não tinha morrido e os doors eram sempre o grupo do momento. sempre sincero, nunca hipócrita; sempre disponível para embarcar em uma nova aventura (chegamos a acampar, imaginem, em... viseu!!, no parque de campismo do fontelo. e foi realmente uma aventura!).
quando ambos terminamos o liceu, ele desapareceu... nunca mais ninguém soube dele. em esporádicos encontros com o resto dos meus colegas de liceu, o seu nome era sempre ventilado e a conclusão era sempre a mesma: ninguém fazia a mínima ideia para onde ele tinha ido. chegamos a visitar algumas vezes a terra natal dele, trancoso, para tentar saber do seu paradeiro, mas essas tentativas foram sempre infrutíferas.
ontem, terça-feira, fui almoçar com o meu colega de trabalho, também meu antigo companheiro de turma nesses mesmos anos lectivos. muitas vezes, em conversa, recordamos esses anos de liceu e, inevitavelmente, o nome desse nosso grande amigo de então vem à baila. de entre muitos outros nomes que então faziam parte do nosso quotidiano, o nome dele pontificava sempre ao recordar situações, momentos, etc.. de tanto falar nele, quase que acabamos por assumir interiormente que nunca mais o veríamos o marco. pois bem, ontem, como estava a dizer, fomos almoçar e, no final, quando nos preparávamos para regressar ao trabalho, demos de cara com... o marco. era ele! nem queríamos acreditar... quase 15 anos depois, o marco aparece-nos assim, desta forma, à frente! sem um contacto prévio, sem combinações. e caramba, como soube bem revê-lo. continua magro, usa óculos agora, o cabelo já não é comprido, já tem umas entradas e... está mais velho, como é natural. recordamos aqueles anos de liceu, os colegas de turma, os professores, as viagens de estudo. pareceu mais calmo, mais ponderado, mas continua a ser o marco que a gente conheceu na alves martins: nada materialista, algo deslocado socialmente, sem vaidades estéticas, sem pretensiosismos, sem hipocrisias. talvez tenha sido a pessoa que mais me custou "perder" durante todo este tempo.
actualmente, o marco ainda estuda, é bolseiro universitário. já esteve no brasil, na suécia, na suiça, estudou um ano e meio em paris, já viveu imensas aventuras "à marco". ainda não casou e não tem filhos. curiosamente, durante a nossa conversa, cheguei à conclusão de que era isto mesmo que imaginaria que o marco estivesse a fazer nesta altura. nunca o imaginei casado, nem com dois ou três filhos. ele sempre foi assim, despreocupado, nunca quis ter grandes responsabilidades, preferindo absorver tudo a que tem direito desta vida.
vamos ver se não ficarei mais 15 anos sem o ver. com o marco, o factor da imprevisibilidade está sempre patente. mas espero voltar a vê-lo, certamente!

quinta-feira, abril 05, 2007

steven wright

espectáculo de stand up de steven wright. impunha-se. hilariante, no mínimo. contém pérolas como esta: "i'm writing a short story myself right now. it's a story of a photographer who goes completely insane trying to take a close up photograph of the horizon". ou esta: "and he said to me "have you ever fallen asleep driving?", and i said "no, but i've woken up driving".

bird gerhl

uma das minhas músicas preferidas de todos os tempos!

os marjorie fair de 2007?


o meu ano de 2006 foi fortemente marcado, em termos musicais, pelos marjorie fair e o seu disco "self help serenade", entre outros nomes, como antony and the johnsons, the blue nile, my morning jacket, slowdive, the czars, lambchop, josh rouse, sun kil moon, devics, etc..
este ano de 2007 já destacou, nas minhas preferências, os death cab for cutie e os the shins. agora deparei-me com um disco de uma banda, papercuts, que parece talhada para assumir o rótulo de "marjorie fair" deste ano. o disco chama-se "can't go back" e foi lançado em fevereiro passado pela editora de devendra banhart (gnomonsong). o projecto papercuts, rotulado pelos especialistas de "soft indie pop", está centrado em jason quever, responsável pelas músicas e pelas letras e possuidor de uma voz delicada e tímida, mas tão multifacetada que, em algumas canções, chega a parecer que o cantor tem apenas 14 anos e noutras que é uma mulher que está a cantar. é um disco simples, de afectos e confidências, de músicas inebriantes, sempre com piano como pano de fundo, aliado a guitarras acústicas, violinos, acordeão (às vezes) e bateria. uma coisa vos garanto. "can't go back" sofre do mesmo "problema" que "self help serenade", dos marjorie fair: quanto mais se ouve mais se gosta! no final deste post podem ouvir a faixa 2 do disco, "john brown".
este é o alinhamento do disco:
1. dear employee; 2. john brown; 3. summer long; 4. unavailable; 5. take the 227th exit; 6. outside looking in; 7. sandy; 8. just another thing to dust; 9. found bird; 10. the world i love.

o que se ouve por cá


actualmente no leitor de cd:

air - pocket symphony
1. space maker; 2. once upon a time; 3. one hell of a party; 4. napalm love; 5. mayfair song; 6. left bank; 7. photograph; 8. mer du japon; 9. lost message; 10. somewhere between waking and sleeping; 11. redhead girl; 12. night sight
uma viagem tranquila, a banda sonora indicada para almas inquietas à procura de apaziguamento.


quarta-feira, abril 04, 2007

casos proverbiais

ela era, de facto, imensamente bela, deslumbrante até! cada vislumbre fazia aumentar a curiosidade, a ansiedade de a conhecer, de falar com ela, para confirmar, ou não, se os deuses a tinham abençoado com uma personalidade proporcional à sua beleza exterior. até assustava a ideia de um ser assim tão perfeito, caso ele existisse na realidade. nunca ninguém se sentiria à sua altura, certamente, as pessoas teriam medo de se confrontarem com as suas próprias limitações, fossem elas de índole física ou psicológica. neste caso, ela era praticamente uma amálgama de referências estéticas: os cabelos de catherine zeta jones, o rosto arredondado de charlize theron, os olhos de ashley judd, o nariz perfeito de kate beckinsale, o corpo de josie maran e o posse elegante e sensual de monica bellucci. por vezes chegava a doer interiormente aquela resignação de apenas a poder ver passar e seguir com os olhos, a dolorosa impotência de nada poder fazer, excepto olhar, contemplar e admirar, como se fosse um quadro de renoir ou van gogh.
porém, a curiosidade acaba por consumir interiormente qualquer um, começam a pairar frequentemente na mente músicas como "what if", dos coldplay, com frases como "how can you know it if you don't even try?", e chega-se rapidamente à conclusão de que "não se perde nada se tentarmos". ou seja, enquanto nos sentimos confortáveis a olhar, apenas, não haverá problema; o pior é quando constatamos que queremos mais do que isso.
voltando a este caso específico. "enchi-me de coragem e, numa noite, decidi apresentar-me. ela estranhou, olhou-me com um ar incrédulo, como se nunca na vida tivesse vivido situação semelhante, e por fim, quando eu pensava que seria apenas mais um nome para engrossar a já extensa lista de contactos na sua agenda, acedeu a tomar um café comigo", confessou o meu amigo M. (que raio de amigo é este que nem sequer me revela as outras letras do seu nome?).
no dia seguinte veio ter comigo para relatar o seu encontro na noite anterior. mostrava-se arrependido de ter tido coragem para se apresentar à pessoa que lhe assaltava o pensamento há largos meses. isto porque, antes do tal café, ainda havia a "hipótese" de ela ser, de facto, perfeita, em todos os aspectos; depois do encontro, esfumou-se essa expectativa. e ele estava bastante desanimado: "transportando a sua personalidade para uma música, ela era uma espécie de "you're beautiful" de james blunt; entediava ao fim de dez minutos, porque as palavras que saíam da sua boca enjoavam, causando náuseas e vómitos cerebrais. normalmente, esse era um sinal de que o cérebro se estava a queixar por estar a processar tão mísera informação, por não estar a ser minimamente estimulado; mas, algumas vezes também, era a minha consciência a dar-me estalos, forçando-me a voltar à realidade".
o que é certo é que aquela realidade não era mesmo a dele, não era isto o que ele procurava. nos dias seguintes, o encanto desapareceu por completo e aquela mulher, outrora idolatrada e desejada, era agora evitada a todo o custo.
conclusão em forma de provérbio, embora longo e parvo: "pessoa que agrada à vista e não estimula a mente, é como um careca com um pente".

tributo!

dez anos de "friends", entre 1994 e 2004. depois de ver as 10 séries, apetece sempre ver novamente. agora que já consigo meter estas coisas no blog (obrigado ricardo!), seria injusto não fazer um tributo a essa fabulosa sitcom, que eu simplesmente não consigo pôr de lado. chega a noite, tudo dorme lá em casa, e eu vou para a sala, deito-me no sofá, dois cobertores e três almofadas, algo para comer e beber e... play. a única parte chata é ter que me levantar ao fim de quatro episódios para virar o disco, para ver mais quatro. chega a ser doentio este meu vício. antigamente era a playstation, fazia quase campeonatos inteiros no fifa 2005 e 2006. agora é o friends. faltam-me 4 episódios para completar o segundo visionamento da série completa. depois... recomeço, do início. não enche, nunca.

finalmente!

terça-feira, abril 03, 2007

amélie

a amélie poulain é bem capaz de ser a personagem mais doce, delicada e sensível de sempre na história do cinema, com o seu aspecto frágil de menina que não quer crescer, olhos expressivos e curiosos, de quem quer aprender e compreender tudo o que se passa à sua volta. vive no seu pequeno mundo, como se fosse uma daquelas bailarinas de caixas de música. a sua missão na vida é fazer felizes as pessoas do "seu" mundo, aquelas que têm o privilégio de ter a amélie nas suas vidas. tenho saudades da amélie... um dia destes tenho que voltar a vê-la...

1º sinal do apocalipse


situações um pouco estranhas estão a acontecer por esse mundo fora: na venezuela, chavéz impôs uma rígida lei seca, impedindo a venda de álcool durante o fim de semana da páscoa, no sentido de dimunuir o número de acidentes durante a semana santa; em portugal discute-se se sócrates é engenheiro ou se tem apenas a quarta classe; salazar, que já deixou o mundo dos vivos há muito tempo, é agora mais falado do que nunca; odete santos e maria josé nogueira pinto demitiram-se dos seus cargos por nítida birra; o algarve agora é allgarve; portugal, segundo a lógica de manuel pinho, deveria passar a chamar-se também poortugal; itália, espanha e inglaterra estão "à rasca" para se conseguirem apurar para o euro 2008. mas nada disto é mais surpreendente do que aquilo que aconteceu ontem, no estádio de alvalade. abel, defesa direito do sporting, que nem nos matraquilhos tinha futuro, marcou um golo! é o primeiro sinal evidente do apocalipse. certamente que amanhã vão começar a chover sapos, depois de amanhã os cabelos de pessoas do signo capricórnio vão começar a arder por volta das 15h00, e, na quinta-feira, todas as pessoas nascidas entre 15 de maio e 29 de julho, irão declamar incontrolavelmente toda a poesia de mário cesariny. depois disto, deste golo, que mais poderemos esperar? golos de vitor baía ou, ainda mais estranho, de hélder postiga? a partir de agora, deixa de haver desculpa para pontas de lança como nuno gomes, bueno, alecsandro, mantorras, o já referido hélder postiga, bruno moraes. caramba, se até o abel consegue!?...

sopranos em 7 minutos


desisto! não consigo inserir vídeos do you tube neste blog. desta vez até pensei que ia mesmo conseguir, criei uma série de contas, submeti o vídeo, etc, mas quando chegou a hora h, de carregar no "post blog"... nada! zero. nicles. alguém me pode dar uma luzes sobre o assunto? alguém? ninguém? pronto, sendo assim sou obrigado a colocar apenas o endereço onde podem ver, em apenas sete minutos, um resumo das primeiras seis temporadas da série "sopranos". é verdade, é mesmo possível resumir todas aquelas horas em... sete minutos. e até está bem conseguido, fiquei mesmo impressionado. brevemente, na rtp 2, vai passar a sétima, e última, série dos "sopranos", essa magistral obra prima de televisão.
ora vejam lá se conseguem "apanhar" tudo, já que está narrado da mesma forma que aquela música dos toranja, em que o vocalista consegue enfiar 349 palavras numa frase.

http://www.youtube.com/watch?v=Tz_Ees_-kE4

segunda-feira, abril 02, 2007

águas mil


"em abril, águas mil"! mas porquê? quem é que estipula estas coisas? era só para rimar? então, se é só por causa disso, poderia ser "em abril, bebes sempre pelo funil", ou "em abril, não te esqueças de colocar o cão no canil". "águas mil"... porque raio, se até estamos em plena primavera?!... "em outubro, fica tudo ao rubro"; "em agosto, lava sempre o rosto"; "em maio, vota no jorge sampaio"; "em julho, cuidado com o entulho"; "em janeiro, traz sempre contigo baton do cieiro". a alessandra ambrosio, que é brasileira, é que não deve entender nada disto. tal como eu... "águas mil", sinceramente... até está sol! nabos!