sexta-feira, abril 27, 2007
out of sight
quinta-feira, abril 26, 2007
filmar a monica
jardim sem flores
"jardim devia fazer uma campanha eleitoral com elevação", reclama a oposição na madeira. duvido que o homem consiga até tomar o pequeno almoço com elevação, quanto mais uma campanha eleitoral. é certo que o homem vai ganhar as eleições, disso ninguém duvida, mas esta constante pirraça digna de um menino mimado que faz questão de ir mostrar os seus valiosos brinquedos a um bairro de lata já mete nojo. esta história de andar a fazer inaugurações de estradas e obras públicas é uma afronta a toda a gente: ao continente, que motivou os reparos de cavaco silva, no sentido em que "o Governo Regional se encontra limitado, por imperativos constitucionais e legais, à prática dos actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos da região", e dos outros partidos envolvidos nas eleições madeirenses.
o homem quer mostrar a toda a gente que ele é que manda. ninguém manda nele, nem pode. a madeira é dele, só dele. por mim, que fique lá muito tempo, desde que não chupe mais verbas ao continente, para pagar reveillons, clubes de futebol e carnavais.
asco é o termo que mais me vem à cabeça quando se fala nesse energúmeno madeirense.
terça-feira, abril 24, 2007
25 de abril!
sim, recordo muito bem esse dia: 25 de abril de 1998! foi o dia do meu casamento. o desenlace natural para uma relação que teve início em 1988, há quase 20 anos...
25 de abril sempre!
russo paga dívida americana
Talk about an expensive birthday present: a russian billionaire forked over $2 million for Jennifer Lopez to perform at a joint birthday party for himself and his wife saturday night, sources tell PEOPLE. Lopez's 40-minute set – which included such hits as "Jenny From the Block" – cost 35-year-old Andrei Melnichenko $1.2 million. He paid another $800,000 to fly the singer, her husband Marc Anthony and their entourage from the U.S. to his 27-acre estate in Surrey, England, and put them up at the Mandarin Oriental in London. "I can confirm that a very high-profile American singer performed at a private party in Surrey," Melnichenko's spokesman, Brian MacLaurin, tells PEOPLE. Sixty guests attended the bash for Melnichenko and his 30-year-old wife, former model Aleksandra Nikolic Melnichenko. Melnichenko, who is worth $5 billion, according to his spokesman, made his fortune founding MDM Bank. He's no stranger to lavish spectacle: He paid Christina Aguilera $4 million to sing at his 2005 wedding in the south of France.
lilly no grande ecrã
jessica biel
mas mudou alguma coisa?
«Não! Nem pensar! Essa perspectiva está completamente fora do meu horizonte.»
«Por que o diz de forma tão determinada?»
«Porque não tenho qualquer tipo de dúvidas. Tenho noção das minhas qualidades e das minhas limitações.»
MARQUES MENDES, então líder parlamentar do PSD. VIP, 20 de Janeiro de 1999
«Engenheiro José Sócrates, vamos vê-lo, um dia, primeiro-ministro?»
«Não! Primeiro, porque não tenho o talento e as qualidades que um primeiro-ministro deve ter. Segundo, porque ser primeiro-ministro é ter uma vida na dependência mais absoluta de tudo, sem ter tempo para mais nada. É uma vida horrível e que eu não desejo. Ministro é o meu limite.»
JOSÉ SÓCRATES, ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território. Dna, 16 de Setembro de 2000
se ao menos eles tivessem seguido os seus próprios vaticínios...
segunda-feira, abril 23, 2007
filmes infantis
o primeiro filme que o "agarrou" completamente foi "monstros e companhia", oferecido pelo padrinho, ainda em vhs. lembro-me de ele ver aquilo duas e três vezes seguidas, rebobinando a cassete sempre que o filme acabava para tornar a ver. eu e a minha mulher já sabíamos o filme de cor e salteado. depois, ainda em vhs, compramos-lhe "pacha e o imperador" (excelente filme!), "lilo e stitch", "toy story" e "a idade do gelo" (um dos meus preferidos! não consigo evitar a lagrimazita no final do filme). com o dvd, foi sempre a "abrir": "stuart little 2" (que viu dezenas de vezes também), "o planeta do tesouro", "vida de insecto", "shrek", "a fuga das galinhas", "el dorado", "toy story 2" (outro caso de paixão a cada visionamento), "space jam" e "à procura de nemo" eram os discos que passavam mais pelo dvd. mais recentemente, "os incríveis", "robots", "shrek 2" e "selvagem" encheram as medidas ao pedro. agora, as últimas aquisições, por ingerência paternal (porque ele está já um bocado desligado dos filmes, está agora mais virado para a playstation e para o computador), são "por água abaixo", "pular a cerca", "o rapaz formiga" e "capuchinho vermelho, a verdadeira história". ao todo, já tem 53 filmes infantis. e a tendência é para aumentar... se depender de mim... e a mariana também já começa a gostar de ver filmes, mas para já prefere o little people, o noddy e "os três porquinhos". mas já está a começar a ficar com o "bichinho" pela sétima arte.
tempo para ter tempo
simples, tão simples, não é? parece algo acessível a toda a gente. no entanto, senti inveja. como parte integrante de um casal, há anos que não disfruto de algo semelhante, daquela morosidade que o calor oferece, que nos faz vegetar pelas esplanadas, bebendo ginger ale's com limão e devorando gelados. aproveitar para ler, comentar, sossegadamente, sem constantes interrupções. inveja, sim, é a palavra certa...
minutos mais tarde, chegou um outro casal, de idade bem mais avançada. sentaram-se, pediram os seus cafés e começaram a dividir a leitura. ela com a revista e ele com o jornal. leram em sossego, calmamente...
quando me levantei, questionei-me se não teria feito uma viagem pelo tempo, entre o meu passado e o meu futuro.
quinta-feira, abril 19, 2007
resolução
mas voltando ao início deste texto: já plantei algumas árvores e tenho dois filhos. portanto, falta o livro. tenho algumas ideias, personagens em construção, cenários por situar, um esboço de argumento, etc.. conheço as minhas limitações, sei perfeitamente que nunca conseguirei escrever, por exemplo, um texto tão brilhante como a última crónica de lobo antunes na visão. mas que diabo, a nossa missão neste mundo é precisamente vencer as nossas próprias limitações, crescer como pessoas e sentirmo-nos, no final, realizados e contentes com o resultado. no meu leito de morte não quero sentir remorsos de nada, por não ter feito algo que devia ter feito, ou por não ter dito às pessoas que amava que gostava delas. não, quero morrer com a consciência tranquila, com a garantia de que tentei fazer tudo aquilo que quis fazer. ninguém faz a mínima ideia de quanto tempo mais vai andar "por cá", vamos caminhando lentamente para a inevitabilidade da morte. e depois? que imagem vamos deixar? que contributo é que nós demos ao mundo? vamos ser lembrados por alguma coisa? provavelmente não…
o que eu escrever, seja de que qualidade for, péssimo, de mau gosto, fraquito ou razoavelzinho, ficará como testemunho da minha passagem "por cá". ficará em testamento para os meus filhos e deles para os meus netos, e assim sucessivamente. é essa a minha vontade. eles depois que entendam qual será o melhor destino a dar-lhe. (curioso que, neste momento, esteja a ouvir "the funeral party", dos the cure). vai também ficar registada a minha própria evolução (ou a falta dela) como "escritor", visto que pretendo escrever, se me deixarem "cá" andar tempo suficiente, um livro de cinco em cinco anos. quem sabe se, aos 80 anos, não sai efectivamente alguma coisa de jeito.
até lá, à sua conclusão, vou tentar divertir-me a escrevê-lo para que, em cada página, venha reflectido o meu enorme prazer por cada noite sem sono passada a escrever, por cada piada parva metida na narrativa, por cada personagem criada para interagir com outra. é isto que eu quero fazer! e é tão bom quando temos objectivos, mesmo irrealizáveis, e pretendemos alcançá-los…
quarta-feira, abril 18, 2007
voltar a escrever
afectos envergonhados
sempre me habituei a despedir-me, todos os dias, do meu filho, quando o levava ao jardim de infância e agora à escola, com um beijo na face. ele sempre aceitou e retribuiu esse mesmo gesto de carinho; mas, mais recentemente, só o aceita e pratica quando ninguém está a ver, para não ser alvo de piadas. bem sei que é uma idade ainda muito tenra, 8 anos, mas é nestas idades que são lançadas muitas das bases para o futuro de uma pessoa. um princípio destes, gozar com o afecto e carinho, é sempre errado. no entanto, se esses mesmos miúdos virem o meu filho a partir o vidro de um carro com uma pedra, passa a ser considerado um herói. algo está mal nesta fotografia da actualidade escolar. aliás, actualidade nem é o termo correcto. já no meu tempo era assim... quem mostrasse coragem para fazer asneiras, para desafiar os professores, para gozar com os outros, para não fazer os trabalhos de casa, para bater nos mais fracos, era imediatamente considerado um líder nato pelos seus colegas. uma espécie de james dean, de "rebelde sem calças", mas com calções, fisga e pedras afiadas. o miúdo bem comportado, sossegado, respeitador e educado é corrido a termos como "betinho", "menino da mamã" e "quequezinho".
outro evidente sinal de que a afectividade não é, de forma alguma, bem recebida neste precoce meio escolar é a questão da "namorada". quando é que alguém é mais gozado na escola? quando se desconfia que essa pessoa gosta de outra. "ai o andré gosta da raquel"; "o tiago é o namorado da rita". para o meu filho, por causa deste tipo de reacções, o tema "namorada" é um tema tabu. nem sequer se pode pronunciar a palavra "namorada" lá em casa. tivemos que deitar fora todos os livros do fernando namora por causa disso. curiosamente, apenas uns anos depois, na adolescência, já é extremamente "cool" ter namorada. passamos da "vergonha" dos afectos para a "exposição" dos afectos, em pouco tempo.
a escola ideal seria aquela que ensinasse que nunca se deve ter vergonha de gostar de alguém. devemos ter vergonha de matar, de roubar, de forjar licenciaturas; nunca devemos ter vergonha de amar alguém, de assumir esses sentimentos, sem culpas nem receio de represálias. nem que essas represálias venham em forma de pedra afiada atirada com uma fisga...
o casaco azul
é estranha esta sua reacção, na medida em que normalmente o processo de escolha de roupa, todas as manhãs, implica algum tempo e ginástica mental, para conciliar as cores e os estilos, a chamada "moda". pois bem, com esta minha rapidez de escolha, ganhamos todos os dias cinco preciosos minutos, principalmente quando se têm duas crianças para vestir, o pequeno almoço para fazer, preparar o lanche de um, a sopa e o biberon de outra, a mochila super pesada da escola, o saco com fraldas, toalhitas e petit filous... uma canseira! todos os santos dias...
na verdade, em 34 anos de vida, certamente que passei uns 3 a vestir-me. já devem ser aos milhares as peças de roupa que já vesti. casacos, meias, camisolas, camisas, pullovers, cachecóis, gravatas, fatos, t'shirt's, cuecas, camisolas interiores... em média, uma peça de roupa, na minha posse, não tem muitos anos de vida. visto umas vezes e, por algum motivo insignificante, a maior parte das vezes, coloco de lado, para nunca mais vestir. ou é porque tem borbotos, golas chatas que me irritam o pescoço, as mangas alargam, outras não tapam a camisola interior, encolhem, ficam esbranquiçadas, apertadas... são muitos os factores. o mais irónico é que a minha mulher me critica imenso por eu ser assim tão picuinhas com a roupa e, volta e meia, profere a sua sentença: "pronto, mais uma peça de roupa para pôr de lado". ela sabe que é mesmo assim, sou extremamente rápido a vetar uma camisola, veloz a discriminar umas calças, um tgv a ostracizar um casaco.
agora estranho é ela ter esta reacção perante a minha idolatria a este casaco. e digo "este" porque o trago vestido hoje, como é normal. será errado uma pessoa sentir-se confortável com uma peça de roupa? será pecado gostar de o usar (quase) todos os dias? usando-o todos os dias, estou a transmitir ao mundo a minha plenitude em termos de vestuário, que atingi, em termos de estilo, o meu nirvana. não tem borbotos, as golas não irritam, tem um fecho de cima a baixo, que posso apertar até ao pescoço ou posso deixar aberto, dependendo da temperatura. é prático, é simples, é fácil de vestir e de despir. em suma, tem tudo o que podemos esperar de uma peça de roupa. tenho-o há seis anos e não apresenta ainda nenhum sinal de desgaste. mas admito que, ultimamente, não tenho dormido lá muito bem, porque, sempre que a minha mulher se levanta da cama de noite, eu acordo, com receio de que ela vá mesmo colocar o casaco no lixo. ela tem é ciúmes, essa é que é essa!... uma relação destas com uma peça de roupa não é para todos...
quinta-feira, abril 12, 2007
pausa libertadora
há pessoas que sentem necessidade de ter mais do que um blog, porventura porque um apenas não chega para elas escoarem tudo o que têm para dizer. se calhar, são as mesmas pessoas que têm igualmente três ou quatro telemóveis, para poderem estar sempre disponíveis e também, lá está, porque continuam a ter muito para dizer. eu não sou assim, nem quero ser. não sou, nem nunca fui, popular a esse ponto. tenho um telemóvel, que muito raramente tem utilidade, e tenho um blog, este. não preciso de mais nenhum para falar sobre os meus míseros assuntos. mas sinto que estou a ficar sem assunto e não quero transformar isto num cantinho sofrível e banal, se ainda não o é já, onde apenas se evocam os dias internacionais, as sextas feiras 13, os fins de semana prolongados, as épocas festivas, etc. (por falar nisso, no "etc", tenho a sensação de que escrevo "etc" em todos os meus posts. isto tem que acabar!). não quero escrever por escrever, por obrigação, por imperativo, detesto qualquer tipo de pressão e, neste momento, sinto que estou a ser, de certa forma, esmagado pela constante preocupação em ver se tenho comentários, se tenho visitas, se tenho, no fundo, feedback. cansei. saturei.
tal como a imagem colocada, uns passaram por esta "árvore" e ficaram, outros passaram e voaram, outros ainda não chegaram, nem chegarão provavelmente. são muitos blogs, muitas palavras, muitos círculos fechados, muita treta que leio, às vezes apenas uma frase, que tem imediatamente trinta e tal comentários...
vou fazer uma pausa libertadora, até para ver se arranjo assuntos para poder dissecar no futuro. aqui, no nuvens, ou noutro lado qualquer. até um dia destes (28 de setembro, 14 de julho, 9 de maio, 23 de agosto. escolham!).
quarta-feira, abril 11, 2007
ironia
refira-se igualmente que, em inglaterra, para além do campeonato ter 38 jornadas, há ainda mais uma competição, a taça da liga, o que obriga as equipas a jogarem quase sempre ao fim de semana e a meio da semana. portanto, mais jogos, mais cansaço, mais viagens, mais estágios.
2- hoje, o liverpool vai, seguramente, garantir lugar nas meias-finais da liga dos campeões. com chelsea e manchester united, será a terceira equipa inglesa no lote das quatro ainda em prova. equipas como real madrid, barcelona, inter de milão, ficaram para trás. as três equipas inglesas, nomeadamente o chelsea e o manchester united, que ainda estão na taça de inglaterra também, já disputaram mais de meia centena de partidas oficiais. mesmo assim, com todos estes jogos, de três em três dias, mais a tradicional e desgastante época natalícia, em que as equipas fazem 4 jornadas em poucos dias, as equipas inglesas marcam pontos na europa do futebol.
3- o benfica, com 24 jornadas disputadas, liga dos campeões e taça uefa, tem muito menos jogos do que qualquer uma das equipas inglesas. no entanto, o engenheiro fernando santos alega que a equipa está cansada e que, por causa disso, não ganharam ao porto e ao beira mar e perderam com o espanhol, na primeira mão. aliás, sobre o jogo de aveiro, ainda hoje não consigo "engolir" aquele nojo de arbitragem, da (ir)responsabilidade desse autêntico dejecto humano chamado lucílio baptista. mas adiante. em portugal, há desculpas para tudo: cansaço, viagens longas de avião, o mantorras não pode conduzir, o nuno assis está proibido de jogar, o derlei nunca mais adquire ritmo para aguentar dez minutos em campo, o nuno gomes não acerta com a bola nem numa baliza de rugby. (e se não fosse o lucílio tinham menos um ponto). em inglaterra, um treinador que, em abril, corre sérios riscos de vencer quatro (4!!) competições, tem o emprego em risco... isto entende-se?!?!
o marco!
quando ambos terminamos o liceu, ele desapareceu... nunca mais ninguém soube dele. em esporádicos encontros com o resto dos meus colegas de liceu, o seu nome era sempre ventilado e a conclusão era sempre a mesma: ninguém fazia a mínima ideia para onde ele tinha ido. chegamos a visitar algumas vezes a terra natal dele, trancoso, para tentar saber do seu paradeiro, mas essas tentativas foram sempre infrutíferas.
ontem, terça-feira, fui almoçar com o meu colega de trabalho, também meu antigo companheiro de turma nesses mesmos anos lectivos. muitas vezes, em conversa, recordamos esses anos de liceu e, inevitavelmente, o nome desse nosso grande amigo de então vem à baila. de entre muitos outros nomes que então faziam parte do nosso quotidiano, o nome dele pontificava sempre ao recordar situações, momentos, etc.. de tanto falar nele, quase que acabamos por assumir interiormente que nunca mais o veríamos o marco. pois bem, ontem, como estava a dizer, fomos almoçar e, no final, quando nos preparávamos para regressar ao trabalho, demos de cara com... o marco. era ele! nem queríamos acreditar... quase 15 anos depois, o marco aparece-nos assim, desta forma, à frente! sem um contacto prévio, sem combinações. e caramba, como soube bem revê-lo. continua magro, usa óculos agora, o cabelo já não é comprido, já tem umas entradas e... está mais velho, como é natural. recordamos aqueles anos de liceu, os colegas de turma, os professores, as viagens de estudo. pareceu mais calmo, mais ponderado, mas continua a ser o marco que a gente conheceu na alves martins: nada materialista, algo deslocado socialmente, sem vaidades estéticas, sem pretensiosismos, sem hipocrisias. talvez tenha sido a pessoa que mais me custou "perder" durante todo este tempo.
actualmente, o marco ainda estuda, é bolseiro universitário. já esteve no brasil, na suécia, na suiça, estudou um ano e meio em paris, já viveu imensas aventuras "à marco". ainda não casou e não tem filhos. curiosamente, durante a nossa conversa, cheguei à conclusão de que era isto mesmo que imaginaria que o marco estivesse a fazer nesta altura. nunca o imaginei casado, nem com dois ou três filhos. ele sempre foi assim, despreocupado, nunca quis ter grandes responsabilidades, preferindo absorver tudo a que tem direito desta vida.
vamos ver se não ficarei mais 15 anos sem o ver. com o marco, o factor da imprevisibilidade está sempre patente. mas espero voltar a vê-lo, certamente!
quinta-feira, abril 05, 2007
steven wright
espectáculo de stand up de steven wright. impunha-se. hilariante, no mínimo. contém pérolas como esta: "i'm writing a short story myself right now. it's a story of a photographer who goes completely insane trying to take a close up photograph of the horizon". ou esta: "and he said to me "have you ever fallen asleep driving?", and i said "no, but i've woken up driving".
os marjorie fair de 2007?
o que se ouve por cá
quarta-feira, abril 04, 2007
casos proverbiais
porém, a curiosidade acaba por consumir interiormente qualquer um, começam a pairar frequentemente na mente músicas como "what if", dos coldplay, com frases como "how can you know it if you don't even try?", e chega-se rapidamente à conclusão de que "não se perde nada se tentarmos". ou seja, enquanto nos sentimos confortáveis a olhar, apenas, não haverá problema; o pior é quando constatamos que queremos mais do que isso.
voltando a este caso específico. "enchi-me de coragem e, numa noite, decidi apresentar-me. ela estranhou, olhou-me com um ar incrédulo, como se nunca na vida tivesse vivido situação semelhante, e por fim, quando eu pensava que seria apenas mais um nome para engrossar a já extensa lista de contactos na sua agenda, acedeu a tomar um café comigo", confessou o meu amigo M. (que raio de amigo é este que nem sequer me revela as outras letras do seu nome?).
no dia seguinte veio ter comigo para relatar o seu encontro na noite anterior. mostrava-se arrependido de ter tido coragem para se apresentar à pessoa que lhe assaltava o pensamento há largos meses. isto porque, antes do tal café, ainda havia a "hipótese" de ela ser, de facto, perfeita, em todos os aspectos; depois do encontro, esfumou-se essa expectativa. e ele estava bastante desanimado: "transportando a sua personalidade para uma música, ela era uma espécie de "you're beautiful" de james blunt; entediava ao fim de dez minutos, porque as palavras que saíam da sua boca enjoavam, causando náuseas e vómitos cerebrais. normalmente, esse era um sinal de que o cérebro se estava a queixar por estar a processar tão mísera informação, por não estar a ser minimamente estimulado; mas, algumas vezes também, era a minha consciência a dar-me estalos, forçando-me a voltar à realidade".
o que é certo é que aquela realidade não era mesmo a dele, não era isto o que ele procurava. nos dias seguintes, o encanto desapareceu por completo e aquela mulher, outrora idolatrada e desejada, era agora evitada a todo o custo.
conclusão em forma de provérbio, embora longo e parvo: "pessoa que agrada à vista e não estimula a mente, é como um careca com um pente".
tributo!
dez anos de "friends", entre 1994 e 2004. depois de ver as 10 séries, apetece sempre ver novamente. agora que já consigo meter estas coisas no blog (obrigado ricardo!), seria injusto não fazer um tributo a essa fabulosa sitcom, que eu simplesmente não consigo pôr de lado. chega a noite, tudo dorme lá em casa, e eu vou para a sala, deito-me no sofá, dois cobertores e três almofadas, algo para comer e beber e... play. a única parte chata é ter que me levantar ao fim de quatro episódios para virar o disco, para ver mais quatro. chega a ser doentio este meu vício. antigamente era a playstation, fazia quase campeonatos inteiros no fifa 2005 e 2006. agora é o friends. faltam-me 4 episódios para completar o segundo visionamento da série completa. depois... recomeço, do início. não enche, nunca.
terça-feira, abril 03, 2007
amélie
1º sinal do apocalipse
sopranos em 7 minutos
ora vejam lá se conseguem "apanhar" tudo, já que está narrado da mesma forma que aquela música dos toranja, em que o vocalista consegue enfiar 349 palavras numa frase.
http://www.youtube.com/watch?v=Tz_Ees_-kE4
segunda-feira, abril 02, 2007
águas mil
hugh grant
sexta-feira, março 30, 2007
quinta-feira, março 29, 2007
a chain of flowers
a música pertence ao disco duplo "join the dots 1978-2001", disco 2, uma colectânea de lados b e raridades dos the cure, editado em 2004. chama-se, e só hoje é que soube isto, "a chain of flowers". tenho pena de não a ter encontrado no radio.blog.club, porque queria partilhá-la com toda a gente. dessa forma, apenas posso partilhar a letra.
a chain of flowers - the cure
Please wake up
It's so dark and cold
Please wake up
I feel so alone
And I feel so scared
That you're going away
And I feel so scared...
All I want is summer
Stories from before
Just like the day you tried to hide
Behind the churchyard wall
And fell asleep before I came
I found you
In a chain of flowers
Sleeping like a marble girl
Sleeping in another world...
Please wake up
It's so dark and cold
Please wake up
I feel so alone
And I feel so scared
That you're going away
And I feel so scared...
I'll never tell you
Of all the different ways
You make me so afraid...
quarta-feira, março 28, 2007
eva green
dream team?
meszaros; luisinho, stan valckx e andré cruz; douglas, simão sabrosa, balakov, figo e quaresma; liedson e cristiano ronaldo.
banco de suplentes:
ricardo; phil babb, anderson polga; silas, duscher, joão moutinho; fernando gomes e acosta.
hoje, em belgrado, a nossa selecção vai contar com estes sportinguistas e ex-sportinguistas: ricardo, caneira, joão moutinho, nani, simão sabrosa, quaresma, hugo viana, cristiano ronaldo. para completar um onze só faltariam três jogadores, que poderiam ser miguel veloso, tonel e custódio, se este último não fosse um completo cêpo que só sabe jogar para os lados e para trás.
fica provado que o sporting é o maior viveiro de futebolistas em portugal. pena é não saber aproveitar devidamente os seus talentos e não os saber fazer regressar ao clube depois de más experiências no estrangeiro, como foram as casos de simão e quaresma. se estivessem hoje no sporting a apoiar liedson no ataque não estaríamos, certamente, em terceiro lugar, a seis pontos do primeiro. cambada de dirigentes... tomara que não aconteça o mesmo com joão moutinho, nani ou miguel veloso e que eles não estejam a brilhar, daqui a uns anos, com as camisolas do benfica e do fc porto.
está confirmado!
By Richard Owen, in Rome. March 28, 2007
HELL is a place where sinners really do burn in an everlasting fire, and not just a religious symbol designed to galvanise the faithful, Pope Benedict XVI has said.
Addressing a parish gathering in a northern suburb of Rome, the Pope said that in the modern world many people, including some believers, had forgotten that if they failed to "admit blame and promise to sin no more", they risked "eternal damnation - the inferno". Hell "really exists and is eternal, even if nobody talks about it much any more".
The Pope, who as cardinal Joseph Ratzinger was head of Catholic doctrine, noted that "forgiveness of sins" for those who repented was a cornerstone of Christian belief. He recalled that Jesus had forgiven the "woman taken in adultery" and prevented her from being stoned to death, observing: "He that is without sin among you, let him first cast a stone at her."
God had given men and women free will to choose whether "spontaneously to accept salvation... the Christian faith is not imposed on anyone, it is a gift, an offer to mankind".
The Times, London, in The Australian (aqui)
meus amigos, o papa confirmou: o inferno existe mesmo e é um lugar onde os pecadores ardem num fogo eterno, como castigo pelos seus pecados terrenos. o papa consegue provar, com estas afirmações, que é um ser infinitamente superior ao comum dos mortais. estes últimos apenas sabem que existe o céu, porque basta-lhes olhar para cima e ele lá está, umas vezes azul, outras cinzento, mas o papa consegue ver mais longe, vê chamas eternas, vê o belzebu, vê o inferno, vê um t4 com quatro assoalhadas, com logradouro e 250 m2 de área descoberta, onde habitam saddam hussein, benito mussolini, adolph hitler e antónio salazar... mais:
com isto a religião católica pretende angariar outra franja de seguidores: aqueles que têm verdadeiramente medo de ir parar ao inferno. ou seja, é uma nova espécie de inquisição, motivada pela crucial premissa de que o inferno é mesmo uma coisa muito chata, algo extremamente desagradável e que pode, eventualmente, provocar queimaduras graves de primeiro e segundo grau. e o papa vai mais longe: para além de comprovar a existência do inferno, diz ainda que o lugar não é um símbolo religioso criado para galvanizar a fé dos homens. não senhor, é efectivamente um sítio onde os pecadores ardem eternamente nos seus pecados, mesmo que, e citando, "nobody talks about it much any more". portanto, o papa entendeu por bem evocar nos dias de hoje o inferno, no sentido de impedir que as pessoas pequem a torto e a direito. isto porque, e citando, "a fé cristã não é imposta a ninguém, é uma prenda, uma oferta à raça humana". caramba, que grande prenda! que grande oferta! escusavam de se incomodar, um par de meias bastava...
ilha deserta
terça-feira, março 27, 2007
leonor varela
little miss sunshine
para já, é o meu filme preferido do ano! retrata a disfuncionalidade de uma família, repleta de idiossincrasias, ambições e ressentimentos. a viagem que encetam, rumo a um concurso de beleza infantil, vai desencadear emoções fortes e uma partilha de sentimentos que desfaz as barreiras iniciais de preconceito e falta de comunicação. é um road movie por vezes hilariante, por vezes melodramático, por vezes ternurento, por vezes... nonsense. mas, no final, aquela família acaba mais unida do que nunca, capaz de respeitar as diferenças e as crenças uns dos outros.
o elenco é soberbo: greg kinnear, é o pai de família, que quer a todo o custo vender uma ideia para um livro; toni collette é a mãe, que parece andar sempre com um tubo de cola a tentar "colar" os pedaços da sua família fracturada; alan arkin, vencedor do óscar de melhor actor secundário, é o avô, responsável pela surpreendente coreografia da dança que a neta, abigail breslin, também candidata ao óscar de melhor actriz secundária, apresenta no concurso de beleza infantil; paul dano é o adolescente que fez um voto de silêncio e que quer ser piloto de aviões; e steve carell interpreta o irmão de toni collette, que vai morar com eles depois de uma tentativa de suicídio. o brilhante argumento pertence a michael arndt. a realização pertence ao casal jonathan dayton e valerie faris, responsáveis por vários videoclips de bandas como smashing pumpkins, red hot chilli peppers, rem e offspring.
recomendo vivamente!
27 de março
27 de março de 2005.
dois dias.
dois filhos.
seis anos de diferença.
dois motivos para sorrir todos os dias!
hoje é o dia deles! será sempre o dia deles!
a nós, pais, compete-nos tornar este dia sempre inesquecível, porque também o foi para nós. duas vezes...
segunda-feira, março 26, 2007
reforço de posição
é este o portugal que temos... infelizmente, onde as pessoas parecem fantoches nas mãos de uma comunicação social cada vez mais tablóide e sensacionalista.
este post serve apenas para reforçar a ideia do post anterior. o sentimento é o mesmo: vergonha.
vergonha
portugal bateu no fundo. evocar nesta altura a memória de salazar é passar um atestado de estupidez a homens, verdadeiros portugueses, como salgueiro maia, otelo saraiva de carvalho, mário soares, zeca afonso, etc., que lutaram pela democracia, pelo fim da ditadura, pela liberdade de expressão. não serve o argumento de que tudo isto foi uma forma de protestar contra o estado político actual, porque para isso existem dezenas de manifestações por mês. há inúmeras formas de manifestar o desagrado pela actuação de um governo. esta não podia ser uma delas, porque pretendia ser algo sério, no sentido de enaltecer a acção e o forte cunho pessoal deixado por valiosos homens portugueses na história do nosso país, em vários domínios, como política, literatura, diplomacia, descobrimentos, etc..
e o que aconteceu? nos dois primeiros lugares ficaram dois representantes de duas das ideologias políticas mais contestadas e renegadas: fascismo e comunismo. isto entende-se?
ontem à noite, mais uma vez, senti uma vergonha imensa de ser português. vergonha de um país que não sabe respeitar o seu passado. vergonha de um país que parece ansiar agora por um regresso a um passado negro, de perseguição, de censura e de ditadura. e concordo e muito com o que foi dito no final do programa de ontem: algo vai muito mal no ensino nacional, sobretudo ao nível da história. negligenciar os descobrimentos, a independência de portugal, a nossa brilhante literatura, a favor de um ditador, de um censurador, de um fascista, é muito grave. a rtp bem tentou, no final da emissão, explicar que aquilo, no fundo, era um concurso, um entretenimento, quando antes pretendia atribuir ao programa uma importância vital à escala nacional. notou-se o desconforto de toda a gente, sobretudo de maria elisa. foi precisamente para evitar situações deste género que, na alemanha, em programa similar, o nome de hitler não foi sequer considerado para efeitos de votação. mas a mim quer-me parecer que, se fossemos alemães, ontem teríamos votado hitler como o grande alemão. que raio de país este...
sexta-feira, março 23, 2007
música para o fim de semana
depois fiz três compilações: uma dos ride, que mistura temas ao vivo com músicas dos discos "nowhere", "going blank again" e "carnival of light";
outra mais heterogénea, com mark eitzel, vocalista dos american music club, com vários temas dos seus discos a solo, como "saved" e "no easy way down", ambas do disco "60 watt silver lining", e ainda "sleeping beauty", do disco "candy ass", e "anything", de "the ugly american"; natalie merchant, ex-vocalista dos 10.000 maniacs, com temas do disco "ophelia": "my skin", "king of may" e "frozen charlotte"; sun kil moon, com temas dos dois discos da banda: "space travel is boring", "grey ice water", "gentle moon", "neverending math equation", "jesus christ was an only child" e "floating". nesta compilação ainda houve espaço para hannah marcus, com "tired swan" e "vampire snowman", que conta com a voz de mark kozelek; e ainda para os ilya, com "they died for beauty".
a outra compilação é uma espécie de viagem ao passado. há dias, através do blog "quandooblogtoca.blogspot.com", lembrei-me que adorava, no início dos anos 90, uma música dos the durutti column. então não descansei enquanto não a encontrei. nessa procura encontrei ainda outras músicas deles que coloquei igualmente na compilação. a música que eu procurava incessantemente era "at first sight" e está incluída no disco "lips that would kiss madeleine", de 1990. as outras que integram este cd são "la douleur", "the sea wall", "take some time out" e "the square". juntei-lhes duas músicas instrumentais dos explosions in the sky (uma espécie de seguidores dos durutti column): "first breath after coma" e "your hand in mine". e ainda alguns temas bem mais recentes: the divine comedy, com o belíssimo tema "if", os voxtrot, com "sway", os amandine, com "for all the marbles", frida hyvonen, com "we'll be just fine", laura veirs, com "where gravity is dead", e pelle carlberg, com "oh no, it´s happening again". para fechar, duas músicas novamente do meu passado, do tal início dos anos 90: "gently falls", dos into paradise (que música, meu deus, que música!) e "two step", dos throwing muses.
vai ser um fim de semana cheio de qualidade musical lá em casa... e no automóvel também...
quinta-feira, março 22, 2007
lost - terceira série
pp - partido partido
meus amigos, a solução é simples: instalar mais câmaras de televisão nos congressos, nas reuniões partidárias, nas casas de banho, na assembleia da república, nos bares, nas mesas de voto. inclusivamente, não seria má ideia colocar aquelas micro-câmaras, que se utilizam na fórmula 1, na lapela dos políticos. assim já não haveria dúvidas nenhumas, nem falsas acusações, como me parece ser o caso aqui. hélder amaral é beirão, é viseense, é boa pessoa. e também tem uma filha chamada mariana, como eu. "utilizarei todas as armas que do direito e instâncias judiciais me conferem para defender da grotesca acusação e da infâmia que recai sobre o meu nome", sublinhou o deputado do cds-pp. muito bem!
quarta-feira, março 21, 2007
dia mundial da água
filosoficamente
enveredei então pela metafísica. debrucei-me sobre o conceito filosófico "o que é que podemos ter a certeza de conhecermos, ou a certeza de conhecermos o que conhecíamos, se é que é de todo conhecível, ou simplesmente nos esquecemos e estamos demasiado envergonhados para dizer seja o que for". peguei numa caneta e comecei a anotar as minhas primeiras meditações filosóficas. esta foi a primeira: "a minha mente nunca pode conhecer o meu corpo, apesar de se ter tornado muito amiga das minhas pernas". a segunda foi: "para conhecer uma substância ou uma ideia temos de duvidar dela e, deste modo, ao duvidar, chegar à apreensão das qualidades que possui no seu estado finito, as quais estão na própria coisa ou são da própria coisa, ou de alguma coisa ou de coisa nenhuma". muitos mais pensamentos brilhantes como este me vieram à cabeça, como: "porque é que a existência é muitas vezes considerada estúpida, em particular pelas pessoas que usam calças à boca de sino?". ou: "o conhecimento é conhecível? como é que poderemos ter a certeza?".
tenho a certeza de que a história vai reservar um espaço para mim, depois da publicação da minha obra filosófica, que deverá ser lançada postumamente ou depois da minha morte, o que acontecer primeiro.
árvore / poesia
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava, porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
segunda-feira, março 19, 2007
sábado à noite
sábado, dia 17 de março. o meu filho, quase a fazer 8 anos, foi com a mãe ao seu primeiro concerto rock: os 4 taste. veio de lá um pouco defraudado, nomeadamente porque o som estava demasiado alto para os seus pouco habituados ouvidos. mas ele conhece as músicas de cor, vê os morangos, sabe os nomes deles, enfim, é um fã. mas, segundo a minha mulher, no concerto portou-se... com discrição. sossegado, a observar tudo o que se passava à sua volta, sempre com "um pé atrás", desconfiado mas ao mesmo tempo a assimilar tudo. esse seu comportamento foi rotulado pela mãe como um comportamento típico... do pai. no dia seguinte, ele sabia responder, com exactidão, a todas as perguntas que lhe coloquei sobre o concerto. assimilou, na verdade, tudo o que se passou ali, naquela hora e meia de concerto, naquele que ficará, para sempre, como o seu primeiro concerto de sempre.
por sua vez, a minha filha, nessa mesma noite, ficou comigo em casa. depois do tradicional "truque" para ela não reparar que a minha mulher saiu de casa (quando repara desata num choro de meia hora), resolvi pôr música calminha, para a sossegar. na televisão, estava prestes a começar a segunda parte do fc porto - sporting, depois de uma primeira parte interessante do sporting, mas em que a equipa voltou a revelar os mesmos três "in's" de sempre: é inofensiva, inconsequente e ingénua (neste último aspecto, até demais). já sabia que, para evitar que a minha filha chorasse durante meia hora, teria que a adormecer. e foi o que aconteceu depois de 20 minutos ao som de the czars. deitei-a no sofá, aconcheguei-a e pude, verdadeiramente, assistir ao resto do jogo, já com o som da televisão em vez da música. o sporting jogava agora a um nível inferior ao registado na primeira parte e eu já nem sequer imaginava que pudessem marcar. mas tello surpreendeu-me e marcou mesmo. agora vejam lá o meu azar... não costumo festejar os golos do sporting de forma efusiva, mas era um golo contra o fc porto, o campeão nacional, e em sua casa. o entusiasmo invadiu-me uns míseros milésimos de segundo após a bola embater no fundo da baliza de helton e... eu não pude fazer nada... gritar golo? impossível. a mariana acordava. abraçar alguém? não estava lá ninguém comigo. dar pulos? ir à varanda gritar "sporting"? também não. então, sentado no sofá ao lado da minha filha a dormir, apenas levantei os braços e sorri. depois, até ao final do jogo, foi um sufoco. já tinha a mensagem escrita no telemóvel a dizer "sporting venceu um a zero", para enviar à minha mulher, portista, que estava no concerto com o pedro, quando o fc porto ia marcando. felizmente, não marcou e pude enviar a mensagem. azar o dela, sorte a minha (e dos benfiquistas também, incluindo o meu pai e o meu cunhado). o campeonato parecia estar entregue mas o sporting, com aquela vitória no sábado, conseguiu alterar uma história que parecia previsível há muito tempo. antes assim...
o pedro e a paula chegaram a casa, estivemos a falar sobre o concerto ainda durante algum tempo, até o meu filho se render ao cansaço e ir dormir, com um enorme sorriso estampado na face. quando me fui despedir dele no quarto, disse-me: "pai, este foi um dia espectacular!". e foi mesmo.
pai
lembro-me da primeira bicicleta que tive, era verde e tinha um banco comprido, com encosto; lembro-me de te chateares muito comigo quando me ensinaste a andar de bicicleta, porque eu não me endireitava em cima dela; lembro-me de ir contigo aos jogos de futebol, de me trazeres batatas fritas ou amendoins do bar ao intervalo; lembro-me de teres ficado chateado comigo quando fui ter contigo, ao café onde trabalhavas, empunhando um pau com um saco de plástico verde, dizendo "pote, pote, pote", tu que querias que eu fosse benfiquista como tu; lembro-me de ter mudado de escola primária três vezes porque tu procuravas sempre um emprego melhor para nos poderes oferecer outro nível de vida; ainda hoje guardo aquele carrinho, um dodge vermelho e branco, da matchbox, que me trouxeste de coimbra quando foste tirar a carta de condução e chegaste às tantas da madrugada; no dia seguinte levei o carro para a escola e pensei em ti o dia todo (sim, nessa altura os brinquedos ainda tinham algum significado, porque eram tão raros); lembro-me de que fazia tudo para não te desapontar; lembro-me que não te pedia brinquedos, como as outras crianças pediam, porque sabia que não os podias dar; mas lembro-me que um dia, sem te pedir nada, chegaste a casa com um computador spectrum 78k e me deste uma alegria enorme, tal como tinhas dado quando me ofereceste a minha primeira bicicleta; ensinaste-me a conduzir, fizeste-me ver que tinhas total confiança em mim e foi a melhor forma de me ensinares a ser responsável e a retribuir o teu voto de confiança; eu cresci sempre ao teu lado e tentei ganhar o mesmo respeito e orgulho que eu tinha por ti, tentei sempre não defraudar as expectativas que tinhas para mim; vi-te subir na vida, passar de empregado a proprietário, ganhar o respeito de toda a gente com o teu trabalho.
ao longo de tudo isto, senti-me sempre orgulhoso de ti. tal como ainda me sinto hoje. ofereceste-me as mais sólidas bases que se pode ter. devo-te tudo, a ti e à mãe! por isso espero, ainda hoje, que sintas orgulho em ser meu pai, porque eu sinto muito orgulho em ser teu filho!