sexta-feira, março 30, 2007

reflexão

friends don't waste wine when there's words to sell.

quinta-feira, março 29, 2007

a chain of flowers

tal como aconteceu na semana passada, com a música dos the durutti column, "at first sight", esta semana voltei a encontrar uma outra pérola do meu passado. a banda sempre foi uma das minhas preferidas, embora prefira os seus registos mais depressivos e melancólicos, bem patentes em músicas como "trust", "to wish impossible things", "the funeral party", "a thousand hours", "the same deep water as you", "breathe", "one more time", "la-ment" e "all cats are grey", entre tantas outras de uma brilhante carreira de 30 anos. estou a falar dos the cure, banda que no final dos anos 80 e início dos anos 90 era idolatrada por toda a gente, sendo quase obrigatória a sua referência em todas as listas de preferências musicais. foi também por esta altura que conheci a música de que vou falar hoje, através de uma amiga/colega de turma. lembro-me que a ouvi umas três vezes, em casa dessa amiga, e foi amor à primeira... audição. imediatamente a gravei numa cassete e, durante uns meses, fartei-me de a ouvir, sem nunca saber o nome da música, porque essa minha amiga, a quem gravaram a música inicialmente, também não sabia. a dada altura, porém, a cassete desapareceu, como é normal. mudanças de casa, mudanças de carro, etc, etc, e a cassete evaporou-se. perdi o rasto à música, embora, de tantas vezes a ouvir, guardasse na memória os acordes e a letra da mesma. pois bem, hoje finalmente consegui encontrar a música, depois de muita pesquisa, e veio-me tudo à memória. regressei, depois de tantos anos, ao meu passado, aos meus primeiros passos fora de casa, o meu quarto alugado no centro histórico de viseu, as constantes viagens de autocarro, o contar meticuloso do dinheiro para a semana. enfim, muita coisa de que tenho saudades. os meus tempos de liceu, os amigos de então, o marco, o miguel, o filipe (hoje meu colega de trabalho), a carla, a sofia, a teresa, o paulo, a vanda, a margarida, etc., os lanches na pastelaria bocage, as horas livres passadas no parque aquilino ribeiro, as noitadas, as directas a estudar para os testes do dia seguinte... de uma certa forma, a música marcou uma despedida, porque tinhamos acabado todos o 12º ano e cada um de nós ia seguir o seu caminho, uns por coimbra, outros pelo porto e lisboa, o que colocava um derradeiro ponto final naquela fase das nossas vidas. por isso, quando a ouvia, sentia-me invadir por uma gigante onda de nostalgia e saudade. foram bons tempos!...

a música pertence ao disco duplo "join the dots 1978-2001", disco 2, uma colectânea de lados b e raridades dos the cure, editado em 2004. chama-se, e só hoje é que soube isto, "a chain of flowers". tenho pena de não a ter encontrado no radio.blog.club, porque queria partilhá-la com toda a gente. dessa forma, apenas posso partilhar a letra.

a chain of flowers - the cure

Please wake up
It's so dark and cold
Please wake up
I feel so alone
And I feel so scared
That you're going away
And I feel so scared...

All I want is summer
Stories from before
Just like the day you tried to hide
Behind the churchyard wall
And fell asleep before I came
I found you
In a chain of flowers
Sleeping like a marble girl
Sleeping in another world...

Please wake up
It's so dark and cold
Please wake up
I feel so alone
And I feel so scared
That you're going away
And I feel so scared...

I'll never tell you
Of all the different ways
You make me so afraid...

quarta-feira, março 28, 2007

eva green


vi há dias o filme "casino royale", o mais recente 007, com daniel craig a interpretar, pela primeira vez, o papel de james bond. em termos de argumento e acção, o filme é bem capaz de ser o melhor da série, mas para quem cresceu a ver roger moore a fazer de james bond, com aquela vincada fleuma britânica e superior contenção, despachando vilões como quem toma o pequeno almoço, sempre com a maior das facilidades, ver agora daniel craig fez-me lembrar... timothy dalton, sempre em esforço, sempre agitado, nervoso e impetuoso ao ponto de fazer perigar a sua missão. até estava a gostar do pierce brosnan como 007, que tinha trazido de volta os referidos atributos de roger moore, mas ele deixou o lugar vago, depois de quatro filmes.
mas quem realmente me impressionou, e acho que a toda a gente, foi eva green. já a tinha visto, naquele que foi o seu papel de estreia, em the dreamers (2003), de bernardo bertolucci, e tinha ficado impressionado. mas em "casino royale" está irresistível como vesper lynd. não é, de maneira nenhuma, uma bond girl, nem sequer anda lá perto. será, talvez, a personagem feminina mais bem escrita num filme de james bond, por vezes até parece deslocada do próprio filme, pela sua doçura, delicadeza e elegância.
vi o filme, gostei, mas quando me lembro dele o que me vem imediatamente à memória é eva green. talvez ainda passe hoje pelo meu clube de vídeo e alugue novamente o filme...
refira-se ainda que, em 2007, vai contracenar com nicole kidman em "his dark materials: the golden compass". a carreira de eva green parece lançada. ainda bem!

dream team?

melhor equipa de sempre do sporting:
meszaros; luisinho, stan valckx e andré cruz; douglas, simão sabrosa, balakov, figo e quaresma; liedson e cristiano ronaldo.
banco de suplentes:
ricardo; phil babb, anderson polga; silas, duscher, joão moutinho; fernando gomes e acosta.

hoje, em belgrado, a nossa selecção vai contar com estes sportinguistas e ex-sportinguistas: ricardo, caneira, joão moutinho, nani, simão sabrosa, quaresma, hugo viana, cristiano ronaldo. para completar um onze só faltariam três jogadores, que poderiam ser miguel veloso, tonel e custódio, se este último não fosse um completo cêpo que só sabe jogar para os lados e para trás.
fica provado que o sporting é o maior viveiro de futebolistas em portugal. pena é não saber aproveitar devidamente os seus talentos e não os saber fazer regressar ao clube depois de más experiências no estrangeiro, como foram as casos de simão e quaresma. se estivessem hoje no sporting a apoiar liedson no ataque não estaríamos, certamente, em terceiro lugar, a seis pontos do primeiro. cambada de dirigentes... tomara que não aconteça o mesmo com joão moutinho, nani ou miguel veloso e que eles não estejam a brilhar, daqui a uns anos, com as camisolas do benfica e do fc porto.

está confirmado!

Pope says hell and damnation are real and eternal
By Richard Owen, in Rome. March 28, 2007
HELL is a place where sinners really do burn in an everlasting fire, and not just a religious symbol designed to galvanise the faithful, Pope Benedict XVI has said.
Addressing a parish gathering in a northern suburb of Rome, the Pope said that in the modern world many people, including some believers, had forgotten that if they failed to "admit blame and promise to sin no more", they risked "eternal damnation - the inferno". Hell "really exists and is eternal, even if nobody talks about it much any more".
The Pope, who as cardinal Joseph Ratzinger was head of Catholic doctrine, noted that "forgiveness of sins" for those who repented was a cornerstone of Christian belief. He recalled that Jesus had forgiven the "woman taken in adultery" and prevented her from being stoned to death, observing: "He that is without sin among you, let him first cast a stone at her."
God had given men and women free will to choose whether "spontaneously to accept salvation... the Christian faith is not imposed on anyone, it is a gift, an offer to mankind".
The Times, London, in The Australian (aqui)

meus amigos, o papa confirmou: o inferno existe mesmo e é um lugar onde os pecadores ardem num fogo eterno, como castigo pelos seus pecados terrenos. o papa consegue provar, com estas afirmações, que é um ser infinitamente superior ao comum dos mortais. estes últimos apenas sabem que existe o céu, porque basta-lhes olhar para cima e ele lá está, umas vezes azul, outras cinzento, mas o papa consegue ver mais longe, vê chamas eternas, vê o belzebu, vê o inferno, vê um t4 com quatro assoalhadas, com logradouro e 250 m2 de área descoberta, onde habitam saddam hussein, benito mussolini, adolph hitler e antónio salazar... mais:
com isto a religião católica pretende angariar outra franja de seguidores: aqueles que têm verdadeiramente medo de ir parar ao inferno. ou seja, é uma nova espécie de inquisição, motivada pela crucial premissa de que o inferno é mesmo uma coisa muito chata, algo extremamente desagradável e que pode, eventualmente, provocar queimaduras graves de primeiro e segundo grau. e o papa vai mais longe: para além de comprovar a existência do inferno, diz ainda que o lugar não é um símbolo religioso criado para galvanizar a fé dos homens. não senhor, é efectivamente um sítio onde os pecadores ardem eternamente nos seus pecados, mesmo que, e citando, "nobody talks about it much any more". portanto, o papa entendeu por bem evocar nos dias de hoje o inferno, no sentido de impedir que as pessoas pequem a torto e a direito. isto porque, e citando, "a fé cristã não é imposta a ninguém, é uma prenda, uma oferta à raça humana". caramba, que grande prenda! que grande oferta! escusavam de se incomodar, um par de meias bastava...

ilha deserta


tradicional pergunta naqueles inquéritos banais das revistas cor de rosa: quem levaria para uma ilha deserta? pois bem, vou responder. tinha que levar alguém que não fosse claustrofóbico, como eu, para me acalmar durante os meus ataques de ansiedade e arritmia; alguém que soubesse nadar, porque eu só consigo nadar uns 10 metros e tenho que ter sempre consciência de que tenho "pé"; alguém que soubesse desenrascar-se na procura e confecção de alimentos numa ilha deserta, dado que a pizza hut estaria fora de questão; alguém que tivesse sempre, devido a uma inexplicável coincidência, lenços de papel, por causa das minhas constantes constipações; alguém inteligente, com sentido de humor e eloquente, no sentido de "matar" algum tempo com conversas interessantes e estimulantes; alguém hábil, corajoso, destemido e intrépido, para me ajudar a lutar contra as adversidades, monstros, bichos, ratazanas, insectos e iguanas; e finalmente, alguém bastante atraente, sensual e... queriducha, porque sou bastante friorento e tenho que dormir sempre enroscado em alguém, tipo colher.
dessa forma, a minha resposta seria... a kate, do "lost", interpretada pela actiz evangeline lilly. ela até já tem bastante experiência e know how em ilhas desertas...

terça-feira, março 27, 2007

leonor varela


leonor varela. nasceu em santiago, chile, no dia 9 de dezembro de 1972. sim, é da importante e conceituada colheita de 1972. filha do biólogo chileno francisco varela e de leonor palma, dançarina com raízes francesas e húngaras. o que é que isto interessa? não sei. mas é para não ser sempre a monica bellucci. e a foto até está interessante... digo eu...

little miss sunshine


para já, é o meu filme preferido do ano! retrata a disfuncionalidade de uma família, repleta de idiossincrasias, ambições e ressentimentos. a viagem que encetam, rumo a um concurso de beleza infantil, vai desencadear emoções fortes e uma partilha de sentimentos que desfaz as barreiras iniciais de preconceito e falta de comunicação. é um road movie por vezes hilariante, por vezes melodramático, por vezes ternurento, por vezes... nonsense. mas, no final, aquela família acaba mais unida do que nunca, capaz de respeitar as diferenças e as crenças uns dos outros.
o elenco é soberbo: greg kinnear, é o pai de família, que quer a todo o custo vender uma ideia para um livro; toni collette é a mãe, que parece andar sempre com um tubo de cola a tentar "colar" os pedaços da sua família fracturada; alan arkin, vencedor do óscar de melhor actor secundário, é o avô, responsável pela surpreendente coreografia da dança que a neta, abigail breslin, também candidata ao óscar de melhor actriz secundária, apresenta no concurso de beleza infantil; paul dano é o adolescente que fez um voto de silêncio e que quer ser piloto de aviões; e steve carell interpreta o irmão de toni collette, que vai morar com eles depois de uma tentativa de suicídio. o brilhante argumento pertence a michael arndt. a realização pertence ao casal jonathan dayton e valerie faris, responsáveis por vários videoclips de bandas como smashing pumpkins, red hot chilli peppers, rem e offspring.
recomendo vivamente!

27 de março

27 de março de 1999.
27 de março de 2005.
dois dias.
dois filhos.
seis anos de diferença.
dois motivos para sorrir todos os dias!

hoje é o dia deles! será sempre o dia deles!
a nós, pais, compete-nos tornar este dia sempre inesquecível, porque também o foi para nós. duas vezes...

segunda-feira, março 26, 2007

reforço de posição

domingo, jornal da noite, sic. reportagem sobre a bebé que foi raptada no ano passado no hospital de penafiel e que foi agora devolvida aos pais biológicos. andreia elizabete, assim se chama a criança, tinha sido motivo de abertura de telejornais, capas de jornais e revistas, etc.. a mediatização do caso do rapto de andreia foi de tal forma despropositada que o "povinho" entendeu que também já fazia parte da história. foi então que, no dia da chegada da bebé à aldeia do concelho de penafiel onde moram os pais biológicos, se assistiu a um autêntico arraial popular. dezenas de jornalistas e centenas de populares exigiram (é esse mesmo o termo) ver a criança, não arredando pé do sítio até verem cumpridas as suas exigências. a crispação foi de tal ordem que até já chamavam nomes à mãe da criança por ela não a mostrar aos populares, que trouxeram merenda e tudo. depois, o cúmulo do ridículo: a mãe foi a janela mostrar a bebé, logo se empoleirando algumas pessoas na janela, abrindo a persiana (estragando a persiana), querendo tocar na criança... mas que idiotice é esta meu deus? está tudo parvo ou quê? como o povinho não estava ainda satisfeito, a pobre da mãe ainda teve que sair à rua, criando-se um cordão humano para a deixar passar, trazendo a bebé ao colo, para as pessoas verem ainda melhor e terem oportunidade de beijar e acariciar a andreia. depois, foi a festa: merenda, foguetes, música, banda filarmónica, enfim... a parvoíce desta gente não conhece limites. tudo isto me fez lembrar do filme "a vida de brian", dos monty python, em que a personagem principal é assumida pelo povo como o novo messias, em virtude de um discurso inacabado, e imediatamente o seguem e exigem vê-lo a todo o instante.
é este o portugal que temos... infelizmente, onde as pessoas parecem fantoches nas mãos de uma comunicação social cada vez mais tablóide e sensacionalista.
este post serve apenas para reforçar a ideia do post anterior. o sentimento é o mesmo: vergonha.

vergonha

25 de abril de 1974? nunca ouvi falar...
portugal bateu no fundo. evocar nesta altura a memória de salazar é passar um atestado de estupidez a homens, verdadeiros portugueses, como salgueiro maia, otelo saraiva de carvalho, mário soares, zeca afonso, etc., que lutaram pela democracia, pelo fim da ditadura, pela liberdade de expressão. não serve o argumento de que tudo isto foi uma forma de protestar contra o estado político actual, porque para isso existem dezenas de manifestações por mês. há inúmeras formas de manifestar o desagrado pela actuação de um governo. esta não podia ser uma delas, porque pretendia ser algo sério, no sentido de enaltecer a acção e o forte cunho pessoal deixado por valiosos homens portugueses na história do nosso país, em vários domínios, como política, literatura, diplomacia, descobrimentos, etc..
e o que aconteceu? nos dois primeiros lugares ficaram dois representantes de duas das ideologias políticas mais contestadas e renegadas: fascismo e comunismo. isto entende-se?
ontem à noite, mais uma vez, senti uma vergonha imensa de ser português. vergonha de um país que não sabe respeitar o seu passado. vergonha de um país que parece ansiar agora por um regresso a um passado negro, de perseguição, de censura e de ditadura. e concordo e muito com o que foi dito no final do programa de ontem: algo vai muito mal no ensino nacional, sobretudo ao nível da história. negligenciar os descobrimentos, a independência de portugal, a nossa brilhante literatura, a favor de um ditador, de um censurador, de um fascista, é muito grave. a rtp bem tentou, no final da emissão, explicar que aquilo, no fundo, era um concurso, um entretenimento, quando antes pretendia atribuir ao programa uma importância vital à escala nacional. notou-se o desconforto de toda a gente, sobretudo de maria elisa. foi precisamente para evitar situações deste género que, na alemanha, em programa similar, o nome de hitler não foi sequer considerado para efeitos de votação. mas a mim quer-me parecer que, se fossemos alemães, ontem teríamos votado hitler como o grande alemão. que raio de país este...

sexta-feira, março 23, 2007

música para o fim de semana

hoje foi dia de gravações, de preparar a música para ouvir no fim de semana. levo mark kozelek, vocalista dos red house painters e dos sun kil moon, com o seu último registo ao vivo, "little drummer boy".
depois fiz três compilações: uma dos ride, que mistura temas ao vivo com músicas dos discos "nowhere", "going blank again" e "carnival of light";
outra mais heterogénea, com mark eitzel, vocalista dos american music club, com vários temas dos seus discos a solo, como "saved" e "no easy way down", ambas do disco "60 watt silver lining", e ainda "sleeping beauty", do disco "candy ass", e "anything", de "the ugly american"; natalie merchant, ex-vocalista dos 10.000 maniacs, com temas do disco "ophelia": "my skin", "king of may" e "frozen charlotte"; sun kil moon, com temas dos dois discos da banda: "space travel is boring", "grey ice water", "gentle moon", "neverending math equation", "jesus christ was an only child" e "floating". nesta compilação ainda houve espaço para hannah marcus, com "tired swan" e "vampire snowman", que conta com a voz de mark kozelek; e ainda para os ilya, com "they died for beauty".
a outra compilação é uma espécie de viagem ao passado. há dias, através do blog "quandooblogtoca.blogspot.com", lembrei-me que adorava, no início dos anos 90, uma música dos the durutti column. então não descansei enquanto não a encontrei. nessa procura encontrei ainda outras músicas deles que coloquei igualmente na compilação. a música que eu procurava incessantemente era "at first sight" e está incluída no disco "lips that would kiss madeleine", de 1990. as outras que integram este cd são "la douleur", "the sea wall", "take some time out" e "the square". juntei-lhes duas músicas instrumentais dos explosions in the sky (uma espécie de seguidores dos durutti column): "first breath after coma" e "your hand in mine". e ainda alguns temas bem mais recentes: the divine comedy, com o belíssimo tema "if", os voxtrot, com "sway", os amandine, com "for all the marbles", frida hyvonen, com "we'll be just fine", laura veirs, com "where gravity is dead", e pelle carlberg, com "oh no, it´s happening again". para fechar, duas músicas novamente do meu passado, do tal início dos anos 90: "gently falls", dos into paradise (que música, meu deus, que música!) e "two step", dos throwing muses.
vai ser um fim de semana cheio de qualidade musical lá em casa... e no automóvel também...

quinta-feira, março 22, 2007

lost - terceira série


começou na terça feira a terceira série de "lost", no canal fox. a rtp vai mostrar os três primeiros episódios, seguidos, no próximo domingo. no primeiro episódio a acção centrou-se nos três novos prisioneiros dos "outros": kate, jack e sawyer. e ficamos também a saber quem é, de facto, o líder dos "outros": benjamin linus (ben), que na segunda série foi capturado e mantido preso na escotilha durante alguns episódios. nos estados unidos, esta terceira série, que começou a 4 de outubro de 2006 e vai terminar a 23 de maio deste ano, tem recebido algumas críticas, por não ter mantido a qualidade das séries anteriores. isso reflectiu-se igualmente nas audiências, que agora mantém uma audiência média de 15 milhões de espectadores, quando antes era de 23 milhões. apesar disso, "lost" continua a suscitar muito interesse e curiosidade. e, segundo consta, parece que vai finalmente haver uma cena de sexo na série, entre kate e... sawyer. coitados, já lá estão "perdidos" na ilha há 80 dias. um homem não é de ferro... nem uma mulher...

pp - partido partido

tendo em conta o que se tem passado ultimamente no panorama político nacional, a pergunta que se impõe é a seguinte: para quando a criação de uma comissão disciplinar para políticos, como existe no futebol? a sua missão seria castigar, após visionamento exaustivo de material audiovisual cedido pelos órgãos de comunicação nacional, todos aqueles que prevaricassem e ofendessem a integridade física e moral dos seus colegas. caso existisse, esta semana seriam revelados os castigos para hélder amaral, maria josé nogueira pinto, ribeiro e castro, anacoreta correia e paulo portas. o "obama" do cds, como é conhecido hélder amaral, meu conterrâneo, acusado de ter agredido a "queque" do cds, maria josé nogueira pinto, não se livraria de apanhar umas dez sessões parlamentares de castigo, caso se provasse a alegada agressão. até agora, nenhuma das câmaras instaladas no congresso do cds-pp registou o momento, apenas mostrando telmo correia a entrar de pés juntos sobre nobre guedes, depois de ter perdido momentaneamente a sua visão, ofuscado pelo brilho dos dentes de paulo portas, e escorregado num tapete. outra câmara mostra anacoreta correia a dar uma cotovelada em bagão félix, quando pretendia romper pela multidão, no sentido de impedir que fizessem à sua amiga maria josé o mesmo que fizeram ao francisco assis em felgueiras. o momento do cumprimento entre ribeiro e castro e paulo portas também está envolto em polémica: parece que ribeiro e castro apertou demasiado a mão de portas, provocando-lhe várias fracturas nos ossos escafóide e pisiforme.
meus amigos, a solução é simples: instalar mais câmaras de televisão nos congressos, nas reuniões partidárias, nas casas de banho, na assembleia da república, nos bares, nas mesas de voto. inclusivamente, não seria má ideia colocar aquelas micro-câmaras, que se utilizam na fórmula 1, na lapela dos políticos. assim já não haveria dúvidas nenhumas, nem falsas acusações, como me parece ser o caso aqui. hélder amaral é beirão, é viseense, é boa pessoa. e também tem uma filha chamada mariana, como eu. "utilizarei todas as armas que do direito e instâncias judiciais me conferem para defender da grotesca acusação e da infâmia que recai sobre o meu nome", sublinhou o deputado do cds-pp. muito bem!

quarta-feira, março 21, 2007

dia mundial da água


hoje assinala-se o dia mundial da água, um dos recursos naturais mais preciosos e que mais urge preservar dos nossos tempos. há inclusivamente pessoas que, nesse sentido, apenas tomam banho uma vez por mês. outras há que nem a podem ver, como os habitantes da costa da caparica. mas ninguém duvida da importância da água na vida dos seres humanos, basta atentar na passagem bíblica em que joão baptista atira uma mão cheia de água à cabeça de jesus cristo no rio jordão. a partir desse momento, entendeu-se por bem fazer o mesmo a todos os recém nascidos cristãos por esse mundo fora, atribuindo ao acto o nome de "baptismo". portanto, a água é a password para entrarmos no mundo cristão. infelizmente, levar para o baptizado uma embalagem de head and shoulders e um amaciador ainda é considerado um abuso... já para não falar de uma tonificação capilar.
neste blog, considerações religiosas à parte, entendeu-se por bem homenagear a água. e que melhor maneira de o fazer do que esta: colocar a monica bellucci no meio dela, a desfrutar da água enquanto esta a acaricia e envolve. que inveja...

filosoficamente

ah, que saudades das minhas aulas de filosofia no liceu, aquele jogo de palavras fascinante, o estudo de mentes brilhantes e grandes inteligências que proferiam observações pertinentes e luminosas, como "penso, logo existo", e abordavam a vida, a morte, a arte, a moral, etc., sempre de uma forma elevada e de infinita sabedoria. são pensadores desta estirpe que fazem o mundo avançar, como kierkegaard: "uma tal relação que se relaciona a si consigo mesmo (quer dizer, com o Eu) tem de se ter constituído a si própria ou ter sido constituída por outrem". o conceito de kierkegaard até me fez vir as lágrimas aos olhos... são pensamentos como este que fazem de nós homens, que nos preparam efectivamente para a vida. pensamos imediatamente, "como ele é inteligente!". agora sim, constatamos que aquelas aulas de filosofia eram necessárias para o nosso crescimento como ser humanos. eu, que até tenho dificuldades em escrever até três frases inteiras e inteligíveis sobre "a visita de estudo ao museu soares da costa", reparo agora que nunca seria capaz de escrever algo tão inteligente, porque, na verdade, aquela frase é totalmente incompreensível para mim, mas o que é que isso importa agora, se kierkegaard se tinha divertido a escrevê-la?! caramba, o homem tem inúmeros livros publicados... as suas pesquisas e descobertas filosóficas hão-de ter ajudado alguém, como por exemplo aquele meu colega de liceu, que hoje tem um excelente emprego como secretário de estado do desenvolvimento rural e florestas. há dias encontrei-o e, como já não nos víamos há muito tempo, colocamos a conversa em dia. quando ele me disse a profissão que tinha, fiquei pasmado e algo invejoso. mas ele aí desarmou-me logo: "não me digas que, desde o liceu, nunca mais voltaste a pegar num livro do kierkegaard? eu tenho sempre um livro dele na minha mesinha de cabeceira".
enveredei então pela metafísica. debrucei-me sobre o conceito filosófico "o que é que podemos ter a certeza de conhecermos, ou a certeza de conhecermos o que conhecíamos, se é que é de todo conhecível, ou simplesmente nos esquecemos e estamos demasiado envergonhados para dizer seja o que for". peguei numa caneta e comecei a anotar as minhas primeiras meditações filosóficas. esta foi a primeira: "a minha mente nunca pode conhecer o meu corpo, apesar de se ter tornado muito amiga das minhas pernas". a segunda foi: "para conhecer uma substância ou uma ideia temos de duvidar dela e, deste modo, ao duvidar, chegar à apreensão das qualidades que possui no seu estado finito, as quais estão na própria coisa ou são da própria coisa, ou de alguma coisa ou de coisa nenhuma". muitos mais pensamentos brilhantes como este me vieram à cabeça, como: "porque é que a existência é muitas vezes considerada estúpida, em particular pelas pessoas que usam calças à boca de sino?". ou: "o conhecimento é conhecível? como é que poderemos ter a certeza?".
tenho a certeza de que a história vai reservar um espaço para mim, depois da publicação da minha obra filosófica, que deverá ser lançada postumamente ou depois da minha morte, o que acontecer primeiro.

árvore / poesia


Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.


Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava, porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.


Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.


Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.


Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.


Eugénio de Andrade

segunda-feira, março 19, 2007

sábado à noite

sábado, dia 17 de março. o meu filho, quase a fazer 8 anos, foi com a mãe ao seu primeiro concerto rock: os 4 taste. veio de lá um pouco defraudado, nomeadamente porque o som estava demasiado alto para os seus pouco habituados ouvidos. mas ele conhece as músicas de cor, vê os morangos, sabe os nomes deles, enfim, é um fã. mas, segundo a minha mulher, no concerto portou-se... com discrição. sossegado, a observar tudo o que se passava à sua volta, sempre com "um pé atrás", desconfiado mas ao mesmo tempo a assimilar tudo. esse seu comportamento foi rotulado pela mãe como um comportamento típico... do pai. no dia seguinte, ele sabia responder, com exactidão, a todas as perguntas que lhe coloquei sobre o concerto. assimilou, na verdade, tudo o que se passou ali, naquela hora e meia de concerto, naquele que ficará, para sempre, como o seu primeiro concerto de sempre.

por sua vez, a minha filha, nessa mesma noite, ficou comigo em casa. depois do tradicional "truque" para ela não reparar que a minha mulher saiu de casa (quando repara desata num choro de meia hora), resolvi pôr música calminha, para a sossegar. na televisão, estava prestes a começar a segunda parte do fc porto - sporting, depois de uma primeira parte interessante do sporting, mas em que a equipa voltou a revelar os mesmos três "in's" de sempre: é inofensiva, inconsequente e ingénua (neste último aspecto, até demais). já sabia que, para evitar que a minha filha chorasse durante meia hora, teria que a adormecer. e foi o que aconteceu depois de 20 minutos ao som de the czars. deitei-a no sofá, aconcheguei-a e pude, verdadeiramente, assistir ao resto do jogo, já com o som da televisão em vez da música. o sporting jogava agora a um nível inferior ao registado na primeira parte e eu já nem sequer imaginava que pudessem marcar. mas tello surpreendeu-me e marcou mesmo. agora vejam lá o meu azar... não costumo festejar os golos do sporting de forma efusiva, mas era um golo contra o fc porto, o campeão nacional, e em sua casa. o entusiasmo invadiu-me uns míseros milésimos de segundo após a bola embater no fundo da baliza de helton e... eu não pude fazer nada... gritar golo? impossível. a mariana acordava. abraçar alguém? não estava lá ninguém comigo. dar pulos? ir à varanda gritar "sporting"? também não. então, sentado no sofá ao lado da minha filha a dormir, apenas levantei os braços e sorri. depois, até ao final do jogo, foi um sufoco. já tinha a mensagem escrita no telemóvel a dizer "sporting venceu um a zero", para enviar à minha mulher, portista, que estava no concerto com o pedro, quando o fc porto ia marcando. felizmente, não marcou e pude enviar a mensagem. azar o dela, sorte a minha (e dos benfiquistas também, incluindo o meu pai e o meu cunhado). o campeonato parecia estar entregue mas o sporting, com aquela vitória no sábado, conseguiu alterar uma história que parecia previsível há muito tempo. antes assim...

o pedro e a paula chegaram a casa, estivemos a falar sobre o concerto ainda durante algum tempo, até o meu filho se render ao cansaço e ir dormir, com um enorme sorriso estampado na face. quando me fui despedir dele no quarto, disse-me: "pai, este foi um dia espectacular!". e foi mesmo.

pai

lembro-me da primeira bicicleta que tive, era verde e tinha um banco comprido, com encosto; lembro-me de te chateares muito comigo quando me ensinaste a andar de bicicleta, porque eu não me endireitava em cima dela; lembro-me de ir contigo aos jogos de futebol, de me trazeres batatas fritas ou amendoins do bar ao intervalo; lembro-me de teres ficado chateado comigo quando fui ter contigo, ao café onde trabalhavas, empunhando um pau com um saco de plástico verde, dizendo "pote, pote, pote", tu que querias que eu fosse benfiquista como tu; lembro-me de ter mudado de escola primária três vezes porque tu procuravas sempre um emprego melhor para nos poderes oferecer outro nível de vida; ainda hoje guardo aquele carrinho, um dodge vermelho e branco, da matchbox, que me trouxeste de coimbra quando foste tirar a carta de condução e chegaste às tantas da madrugada; no dia seguinte levei o carro para a escola e pensei em ti o dia todo (sim, nessa altura os brinquedos ainda tinham algum significado, porque eram tão raros); lembro-me de que fazia tudo para não te desapontar; lembro-me que não te pedia brinquedos, como as outras crianças pediam, porque sabia que não os podias dar; mas lembro-me que um dia, sem te pedir nada, chegaste a casa com um computador spectrum 78k e me deste uma alegria enorme, tal como tinhas dado quando me ofereceste a minha primeira bicicleta; ensinaste-me a conduzir, fizeste-me ver que tinhas total confiança em mim e foi a melhor forma de me ensinares a ser responsável e a retribuir o teu voto de confiança; eu cresci sempre ao teu lado e tentei ganhar o mesmo respeito e orgulho que eu tinha por ti, tentei sempre não defraudar as expectativas que tinhas para mim; vi-te subir na vida, passar de empregado a proprietário, ganhar o respeito de toda a gente com o teu trabalho.

ao longo de tudo isto, senti-me sempre orgulhoso de ti. tal como ainda me sinto hoje. ofereceste-me as mais sólidas bases que se pode ter. devo-te tudo, a ti e à mãe! por isso espero, ainda hoje, que sintas orgulho em ser meu pai, porque eu sinto muito orgulho em ser teu filho!

músicas nas nuvens 13

trust - the cure

quinta-feira, março 15, 2007

sick of it

de vez em quando, infelizmente muito mais vezes do que gostaria, sinto-me assim:

I'm sick of food
So why am i so hungry
I was sick of you
But i don't mind seeing your little face
I was sick of love
So i just stopped feeling
But i couldn't find anything to take its place

What'll i do with my time?

I'm sick of drink
So why am i so thirsty
I must have been born on the planet mercury

I just called to ask you what i said last night
I just called to ask you what i did last night

So what'll i do with my time?

Now i wake up and i don't have any gravity
Now i wake up still walking in my sleep
Now i wake up feel the world drawing away from me
And now i wake up still walking in my sleep

I'm sick of food
So why am i so hungry
I'm sick of feeling the world draw away from me

("sick of food", dos american music club)

terça-feira, março 13, 2007

forrest gump angolano

contratado ao alverca e apresentado como o "novo eusébio", encetou no benfica um longo calvário de lesões, que o colocaram rapidamente no anedotário nacional. em 2004 foi "apanhado" no aeroporto com um passaporte falso. depois veio a história da chantagem que lhe estava a ser feita por um "admirador", que constituiu notícia em todos os órgãos de comunicação social. agora foi novamente apanhado, desta vez ao volante, com uma carta de condução angolana, que desde o ano passado deixou de ser válida em portugal, e fica agora impossibilitado de conduzir enquanto não regularizar a sua situação junto da direcção geral de viação. em virtude disso, o governo angolano pondera agora recorrer ao princípio de reciprocidade e ilegalizar também a carta de condução portuguesa em angola, impedindo milhares de portugueses a residir naquele país de conduzir.
por tudo isto, mantorras pode eventualmente vir a ficar conhecido como o forrest gump angolano.

sexta-feira, março 09, 2007

ride


bandas injustamente esquecidas e subvalorizadas - I

RIDE
formada em 1988, em oxfordshire, inglaterra, por andy bell (voz e guitarra), mark gardener (voz e guitarra), stephan queralt (baixista) e loz colbert (bateria), os ride foram inicialmente conotados com os my bloody valentine, sobretudo pela veia psicadélica e a constante distorção das guitarras, embora com um som mais melódico e acessível. no final dos anos 80, com os membros da banda a sair ainda da adolescência, e através do feedback que começaram a criar com os seus concertos, conseguiram um contrato com a creation records. em 1989 lançaram o primeiro ep, "ride", muito elogiado pelos críticos de música britânicos. o seu sucessor, "play" (1990), ultrapassou as expectativas e chegou a entrar no top 40. foi um pequeno passo até chegar o primeiro album dos ride: "nowhere" (1990), um disco brilhante e intenso, de cujo alinhamento tirei a música "paralysed", uma das minhas preferidas, que podem ouvir neste post. o disco chegou ao número 14 no top britânico e os ride começavam a ser descritos pela imprensa especializada como "the next big thing". no verão de 1991 lançaram o terceiro ep, "fall". em 1992 surgiu o segundo disco do grupo: "going blank again", o maior sucesso comercial dos ride, sobretudo devido ao single "leave them all behind", que chegou ao top 10 britânico. no entanto, a incapacidade da banda em aumentar exponencialmente a sua audiência levou a que começassem a surgir tensões entre bell e gardener, os dois vocalistas, nomeadamente durante uma frustrante digressão pelos estados unidos. por esta altura, também, despontavam em inglaterra os oasis e os blur, relegando imediatamente para segundo plano os ride. depois da referida digressão os ride decidiram parar por uns tempos, regressando aos discos apenas dois anos depois, com "carnival of light" (1994), uma tentativa clara de tornar a banda mais mainstream e mais convencional. o disco, apesar de não ser tão bom como os dois anteriores, é constituído por excelentes músicas, como "moonlight medicine", "crown of creation" e "1000 miles", mas foi um fracasso em termos de vendas. a banda não conseguiu "agarrar" mais admiradores com este rumo mais comercial que encetou e perdeu igualmente algum crédito junto da crítica, que vibrava agora com o som mais pop de bandas como os oasis, blur, suede e pulp. mesmo assim, os ride juntaram-se em 1995 para gravar o quarto disco: "tarantula", claramente o menos bom do quarteto, não vindo acrescentar nada à carreira do grupo. quase que apetece dizer que os ride teriam uma discografia perfeita se não fosse este último disco, dado que os três anteriores são imensamente superiores e, para mim, farão sempre parte de qualquer lista de melhores discos de sempre. em janeiro de 1996, os ride anunciaram o fim da banda, depois da saída de mark gardener, primeiro, e de andy bell, em seguida. o disco "tarantula" foi lançado em março de 1996, já depois do anúncio do desmembramento dos ride, que mereciam ter saído de cena de outra forma. de qualquer maneira, deixaram-nos músicas inesquecíveis como "paralysed", "in a different place", "vapour trail", "here and now", "chrome waves", "moonlight medicine", "leave them all behind", "dreams burn down", "decay", "cool your boots", "from time to time", "1000 miles", "kaleidoscope" e "OX4". para ouvir... sempre!
discografia:
ep's:
"ride", 1989; "play", 1990; "fall", 1991.
albuns:
"nowhere", 1990; "going blank again", 1992; "carnival of light", 1994; "tarantula", 1996.

40 anos

O amor é uma companhia

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.


Alberto Caeiro

- poema dedicado à pessoa que me acompanha há quase 20 anos. hoje faz 40 anos e, depois de demorada e ponderada consulta, escolhi este poema para lhe dedicar, por ser o que mais fielmente verbaliza o que sinto por ela. se ontem sentia que a "homenagem" que tinha feito às mulheres era singela e simples, hoje então tenho a certeza de que nem todos os poemas do mundo, de emily dickinson, oscar wilde, shakespeare, eugénio de andrade, etc., chegariam para lhe expressar todo o meu carinho, amor, admiração e respeito! Parabéns!

quinta-feira, março 08, 2007

a nova musa do génio




depois de ter rodado três filmes em londres, "match point", com johnatan rhys meyers e scarlett johansson, "scoop", também com scarlett johansson e hugh jackman, e "cassandra's dream", este último ainda por estrear, com colin farrell e ewan mcgregor, o realizador woody allen vai instalar-se em barcelona, onde vai iniciar a rodagem do seu próximo filme, que segundo o site do canal norte-americano fox será uma "comédia dramática". este novo projecto do realizador vai contar com vários actores espanhóis, dos quais se destaca a actriz penelope cruz, a primeira espanhola a ser nomeada para o óscar de melhor actriz. não há dúvida que woody allen continua a escolher muito bem as suas actrizes. confesso que estou desde já curioso para ver como resulta esta primeira incursão do realizador por território espanhol. depois de nova iorque e londres... surge barcelona!

interpol


os interpol vão estar em julho, no dia 5, última dia do certame, no festival super bock super rock, naquele que vai ser o primeiro concerto da banda em portugal. precisamente um mês antes disso, o terceiro disco dos interpol vai ser colocado à venda, editado pela capitol records, o que constitui um timing perfeito para o concerto.
igualmente confirmados no super bock super rock de 2007 estão os arcade fire, os bloc party e os klaxons.
os interpol contam na sua discografia com dois discos: "turn on the bright lights" (2002) e "antics" (2004), igualmente vibrantes e enérgicos. se tudo correr bem até lá, serei um dos milhares presentes na estreia dos interpol em portugal.

Mulher


são tantos os malabarismos que temos que fazer para lhes conseguir arrancar um sorriso. são tantas as palavras que ainda não lhes dissemos. são tantos os elogios, tanto o respeito, tanta a admiração que temos por elas. e tanto o esquecimento de lhes mostrarmos exactamente isso. hoje não vou deixar passar este dia sem fazer uma singela homenagem à Mulher (isso mesmo, com maiúscula!). escolhi sophie marceau, uma excelente actriz, para ilustrar este tributo.
é simples, concordo. mas é sentido... e isso é o mais importante. as mulheres são o sangue, o leite, a vida, o cordão que perpetua a existência. delas nascemos e por elas morremos de amor. serei sempre um homem realizado se continuar a respeitar e a amar as mulheres da minha vida: mãe, mulher, filha.


quarta-feira, março 07, 2007

fabulosos mesmo


revi ontem "the fabulous baker boys". com imenso prazer. jeff bridges é assombroso, como sempre, no papel de jack baker, a epítome da amargura, contenção e resignação. michelle pfeiffer está deslumbrante! este é daqueles filmes que nunca enche. vê-se sempre com um sorriso estampado na cara. a química entre michelle pfeiffer e jeff bridges é muito ténue, parece quase invisível, pelo antagonismo que representam, pela visão da vida que têm, mas ela existe, nem que por uns simples momentos. no final, fica sempre aquela sensação de que para serem felizes, basta... quererem!

regresso

ele voltou!
nós agradecemos!
http://passagem-estreita.blogspot.com

sexta-feira, março 02, 2007

a vaga de fundo

alberto joão jardim e paulo portas conseguiram nos últimos tempos criar à volta das suas imagens a tal vaga de fundo necessária para enfrentar uma eleição. soares franco fez o mesmo há uns tempos, afirmando repetidamente que não era candidato ao lugar de presidente do sporting, mas tantas vezes o disse que... acabou por o ser, partindo para as eleições com a vitória no papo praticamente. o processo é simples: esperar que a concorrência se aniquile a ela própria, queimando e desgastando a imagem com os repetidos tiros nos pés. depois, anunciam uma candidatura que, comparada com todas as restantes, é claramente a "menos má" e, nesse sentido, a que vai ter mais votos.
alberto joão jardim fez nitidamente "birra". sabe que ganha claramente qualquer eleição na madeira, mas quis mostrar ao continente que tem o povo madeirense na mão e que o mesmo o seguirá em qualquer decisão que tomar. quando for a eleições vencerá com larga maioria, claramente, porque os madeirenses querem continuar a sugar montanhas de dinheiro ao continente, para o esbanjar em fogo de artifício para o guiness, mas querem, ao mesmo tempo, continuar a apregoar a sua lírica independência económica e social. outro factor relevante na madeira é a inexistência de oposição à altura. digamos que, em termos de liderança, alberto joão jardim está para a madeira como pinto da costa está para o futebol clube do porto.
paulo portas vem emergindo aos poucos à superfície política. saiu de cena, bronzeou-se, tornou os seus dentes ainda mais brancos, foi a festas do jet set nacional, arranjou um programita na sic notícias e foi-se intrometendo, lentamente, na vida política nacional. por sua vez, santana lopes tentou um comeback com o mesmo tacto e sensibilidade que um elefante numa loja de porcelanas. escreveu um livro, disse mal de toda a gente, voltou a fazer-se de vítima e a falar em cabala e... nada. foi novamente gozado por toda a gente e voltou para o seu natural e merecido obscurantismo. agora, já nem as eleições para presidente do sporting ganharia. paulo portas bronzeou-se; santana lopes queimou-se.
voltando a paulo portas. é perfeitamente visível que ribeiro e castro não tem postura nem carisma de líder de um partido. nobre guedes muito menos. e o cds acabou de levar uma tareia no referendo sobre a despenalização do aborto. portas esperou pelos resultados e avançou, na melhor altura. e vai chegar novamente à liderança do partido, é óbvio. a vaga de fundo foi criada... pelos seus adversários directos, que guindaram o cds ao quinto posto da hierarquia política nacional, atrás do pcp e do bloco de esquerda. paulo portas aproveitou também outro importante timing: a crise na câmara de lisboa, a quebra do acordo psd/cds, que fragilizou os dois partidos e os seus respectivos líderes. luís filipe menezes foi outro que tentou obter dividendos desta crise, atacando de imediato marques mendes. mas, para já, a sua vaga de fundo ainda não é suficientemente forte.
paulo portas assumir-se-á em breve como o rosto da oposição nacional, passando por cima de marques mendes, jerónimo de sousa, francisco louçã e... marcelo rebelo de sousa, muito mais mansinho desde que o seu programa se transferiu para a rtp. é que um bom governo precisa sempre de uma boa oposição.

quinta-feira, março 01, 2007

the czars


para mim, sem dúvida, este é um dos melhores discos de todos os tempos.
a banda chama-se the czars, são liderados por john grant, que tem um vozeirão fantástico, e surgiram em 2000, com o album "before... but longer".

este disco, "the ugly people vs. the beautiful people", o segundo dos the czars, data de 2001, e é justamente considerado o melhor da banda até ao momento.

depois deste disco, lançaram ainda em 2004 "goodbye" e em 2006 um disco de versões, chamado "sorry i made you cry".
"the ugly people vs. the beautiful people" é um disco indispensável e tem o seguinte alinhamento:
1. drug
2. side effect
3. killjoy
4. caterpillar
5. lullaby 6000
6. this
7. autumn
8. black and blue
9. anger
10. roger's song
11. what used to be a human
12. catherine

nas nuvens

no jornal "público" de hoje, dia 1 de março, no suplemento P2, página 2, vem transcrito na íntegra o post "nem dorme a senhora", publicado há dias neste blog. no referido post falava-se de fátima felgueiras e das suas "curiosas" declarações durante o julgamento do processo "saco azul". o "público" fez uma espécie de apanhado do que se diz na blogosfera sobre o assunto, publicando igualmente posts de outros blogs, como o geniolouro.blogspot.com, agbarreto.blogspot.com, minervamacgonagall.blogspot.com e questao-dos-universais.blogspot.com.
é um grande motivo de regozijo para este cantinho, como é óbvio.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

penelope cruz


vi o "volver", de pedro almodovar, com penelope cruz e carmen maura. não vi "a rainha", com helen mirren. era óbvio que, depois de ter ganho tudo o que era prémio de interpretação, helen mirren ia arrecadar também o óscar. mesmo assim, apesar de saber que as hipóteses de ela vencer eram quase de 5%, a penelope cruz era a minha preferida. isto porque nunca considerei a actriz espanhola nada de especial, em todos os aspectos, sejam eles de índole profissional ou de cariz visual. o filme que alterou radicalmente esta minha opinião foi precisamente o "volver". o mérito também pertence, e muito, a pedro almodovar, que consegue sempre fazer brilhar intensamente as suas actrizes. no filme, penelope cruz é um rochedo de contenção, coragem e altruísmo, firme nas suas convicções, determinada a proteger a família, "pegando o touro pelos cornos" em termos de resolução de problemas, enfrentando tudo com uma simplicidade desarmante. ela é o filme! este papel merecia um óscar, sem dúvida.

oh no, not again...

nem dorme a senhora


"Não há nenhum autarca tão preocupado com a lei como eu". - fátima felgueiras, no dia 27 de fevereiro, durante a sessão do julgamento do processo "saco azul", em que é acusada de 23 crimes.
uma pessoa só pode imaginar o sofrimento que esta autarca passa, ao não conseguir dormir de tão preocupada que está com a lei e o seu cumprimento. até aquele longo período no soalheiro brasil deve ter sido tortura para ela, as caipirinhas e a picanha no espeto não sabiam a nada, as praias, o sol, o calor, o carnaval... zero. ela apenas pensava na lei. isso nunca lhe saía da cabeça. mas aguentou estoicamente, fez um upgrade visual, assim uma espécie de catherine deneuve saloia, voltou para o seu país, concorreu às eleições, ganhou, à custa de um povo ainda mais saloio que ela, instalou-se novamente no poder, foi chamada a tribunal (finalmente!!!), preparou o vestido com o maior decote que tinha lá em casa, treinou aquele ar angelical durante uns dias, para chegar lá e proferir a frase que encima este post. é de louvar a coragem da mulher. e a lata dela também. em felgueiras, se o hitler se candidatasse à câmara municipal, dizendo na campanha eleitoral que até nutria grande simpatia pelos judeus, que só tinha invadido aqueles países todos para ver se eles tinham alguma coisa que se comesse no frigorífico, ganhava com maioria.
agora num registo mais sério: se ela é assim tão preocupada com a lei, porque raio é que fugiu dela?

terça-feira, fevereiro 27, 2007

oscar trivia

nas 79 edições dos óscares, apenas um actor, com menos de 30 anos, conseguiu vencer a estatueta de melhor actor em papel principal: foi adrien brody, em 2002, pelo filme "o pianista";
nos primeiros dez anos de atribuição dos óscares foi atribuído por cinco vezes o galardão de melhor actriz em papel principal a actrizes com menos de 30 anos;
o primeiro actor a receber dois óscares foi spencer tracy, e logo em dois anos consecutivos (1937 e 1938). tom hanks, em 1993 e 1994 venceu igualmente dois óscares consecutivos, pelos filmes "filadélfia" e "forrest gump"; outros actores igualmente com dois óscares de melhor actor em papel principal: fredric marsh (1931 e 1946); marlon brando (1954 e 1972); jack nicholson (1975 e 1997); e dustin hoffman (1979 e 1988);
apenas um actor recebeu um óscar a título póstumo para melhor actor em papel principal: foi peter finch, em 1976. o óscar foi entregue à viúva de finch, que faleceu dois meses antes da cerimónia;
em termos de melhor actriz em papel principal, katherine hepburn é a grande "devoradora" de estatuetas, com quatro (1932; 1967; 1968 e 1981); olivia de havilland conquistou dois óscares (1946 e 1949); igualmente com dois óscares: luise rainer (1936 e 1937), bette davis (1935 e 1938); ingrid bergman (1944 e 1956); vivien leigh (1939 e 1951); glenda jackson (1970 e 1973); jane fonda (1971 e 1978); sally field (1979 e 1984); jodie foster (1988 e 1991) e hillary swank (1999 e 2004).
a actriz mais nova a vencer o óscar de melhor actriz em papel principal foi marlee matlin, pelo filme "filhos de um deus menos". a actriz tinha 21 anos. a actriz mais velha a receber este prémio foi jessica tandy, com 80 anos, pelo filme "driving miss daisy". o actor mais velho a receber o óscar de melhor actor em papel principal foi henry fonda, em 1981.
apenas dois actores se recusaram a aceitar o óscar de melhor actor: george c. scott (por "patton", em 1970) e marlon brando (por "o padrinho", em 1972).
roberto benigni, dustin hoffman e james cagney foram os actores mais baixos a vencer o óscar de melhor actor em papel principal, enquanto john wayne foi o actor mais alto a receber o galardão (em 1969); nas actrizes, as mais baixas foram holly hunter, reese whiterspoon e sally field; as mais altas foram nicole kidman e charlize theron (em 2002 e 2003, respectivamente);
até ao ano 2000, apenas um actor afro-americano tinha vencido o óscar de melhor actor em papel principal (sidney poitier, em 1963); nos últimos seis anos, três actores arrecadaram a estatueta na mesma categoria: denzel washington ("dia de treino", em 2001), jamie foxx ("ray", em 2004) e forest whitaker ("last king of scotland", 2006);
vencedores na categoria de melhor filme que, na mesma edição, obtiveram igualmente óscares para os seus actores principais: "it happened one night" (de 1934, com clark gable e claudette colbert); "voando sobre um ninho de cucos" (de 1975, com jack nicholson e louise fletcher); e "o silêncio dos inocentes" (de 1991, com anthony hopkins e jodie foster).

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

comer ou não comer

momento diário que pode transformar, em segundos, um casamento perfeitamente sólido e firme num autêntico drama em três actos, com direito a trombas prolongadas e falta de comunicação entre o casal durante largas horas:
- "o que é que queres para jantar hoje?".
atingir um consenso nesta matéria é sempre muito difícil lá em casa. quando me é recomendado algo que me desagrada, torço o nariz (o que é muito difícil de fazer); o mesmo acontece quando sou eu a sugerir, facto que motiva instantaneamente um revirar de olhos da minha mulher, seguido de um longo suspiro e da frase lapidar: "também escolhes sempre a mesma coisa". normalmente, o que eu sugiro nunca agrada à minha mulher (dado que geralmente implica uma destas três coisas: pizza, frango ou panados).
depois daquele irritante impasse, começa a "negociação":
opção a) sair e ir a um restaurante (que é sempre complicado por causa dos miúdos); opção b) ir buscar comida a qualquer lado para comer em casa; opção c) mandar vir comida; opção d) fazer dois pratos diferentes, um para cada gosto; opção e) mudar-me para o méxico de modo a evitar aquela discussão; opção f) abrir um restaurante, sempre com dezenas de pratos diários, a um preço económico.
este fim de semana, a cena aconteceu no almoço de sábado. os sábados são sempre chatos. uma pessoa ainda está com aquela agitação toda da semana no corpo e somos "obrigados" a vegetar por casa, sem compromissos, sem prazos para cumprir, sem iniciativa, sem vontade para nada, incluindo escolher algo para comer ao almoço. o pior que nos pode acontecer quando estamos a sentir-nos assim, é confrontar alguém com exactamente os mesmos sintomas. por isso, não experimentem isto em casa...

previsões certeiras

óscares
foram estas as minhas apostas, nas principais categorias:
melhor filme: the departed;
melhor actor principal: forest whitaker;
melhor actriz principal: helen mirren;
melhor actor secundário: alan arkin;
melhor actriz secundária: jennifer hudson;
melhor argumento original: little miss sunshine;
melhor argumento adaptado: the departed;
melhor realizador: martin scorsese.

fiz estas previsões no dia 21 de fevereiro, como podem constatar mais abaixo neste mesmo blog. em oito apostas, acertei em... oito! infelizmente, não ganhei nada. se ao menos o euro milhões fosse assim tão fácil...

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

a banda


Red House Painters
banda de rock alternativo formada em 1989, em san francisco, pelo cantor/compositor mark kozelek. fazem igualmente parte do grupo anthony koutsos (baterista), gorden mack (guitarrista) e jerry vessel (baixista). são considerados, juntamente com outros ícones de san francisco, os american music club, como precursores do estilo musical "slowcore" (ou sadcore) na música alternativa. na sua discografia têm sete albuns, lançados entre 1992 e 2001: "down colorful hill" (1992); "red house painters (rollercoaster)" (1993); "red house painters (bridge)" (1993); "ocean beach" (1995); "songs for a blue guitar" (1996); "retrospective" (1999); e "old ramon" (2001). lançaram ainda um ep, "shock me", em 1994.
em 1992 assinaram contrato com a conceituada editora independente inglesa 4AD Records, devido à preciosa ajuda de mark eitzel, vocalista dos american music club, que na altura afirmava que os red house painters eram a sua banda preferida. eitzel fez seguir para os escritórios da editora em londres uma demo com o trabalho da banda entre 1989 e 1991. essa mesma demo transformar-se-ia um ano mais tarde no primeiro disco da banda, "down colorful hill", uma colecção de canções com rara intensidade emocional, com letras introspectivas e melancólicas. seguir-se-ia o duplo "red house painters" (lançados no mesmo ano, 1993, em datas diferentes), que ficariam conhecidos (e distinguidos) pela imagem da capa do disco (rollercoaster e bridge). neste trabalho encontram-se muitas das melhores músicas dos rhp, como "rollercoaster", "katy song", "funhouse", "grace cathedral park", "dragonflies", "mother", "helicopter", etc.. depois de "ocean beach", a 4AD deixou cair os red house painters, colocando fim a um longo período de tensão entre editora e banda, em virtude de divergências artísticas irreconciliáveis. kozelek queria lançar um disco a solo, com outra orientação musical, mais "rockeiro", e a 4AD recusou. esse disco, "songs for a blue guitar", seria lançado em 1996 pela editora supreme, contendo três versões: "long distance runaround", dos yes; "all mixed up", dos the cars; e "silly love songs", de paul mc cartney.
no final dos anos 90, a fusão das editoras island e supreme deixou os red house painters sem contrato, e com um disco pronto, "old ramon". nessa altura, a 4AD aproveitou para lançar um "best of" da banda, "retrospective", que incluiu alguns temas inéditos, versões demo e ao vivo. com "old ramon" encalhado, mark kozelek conseguiria, em 2001, voltar a comprar os direitos do disco, tendo a editora sub pop, em 2001, lançado o album, quase quatro anos depois de o disco ter sido concluído. e também neste disco surgem temas épicos e pungentes, como "smokey", "river" e "void". este foi o último disco dos red house painters.
mark kozelek teve uma breve incursão, como actor, pela sétima arte, actuando no filme de cameron crowe "almost famous". em 2003, juntamente com anthony koutsos, formou os sun kil moon, grupo do qual também fazem parte tim mooney e geoff stanfield. "ghosts of the great highway" (2003) e "tiny cities" (2005) são os dois trabalhos da banda até agora.
finalmente, no ano passado, mark kozelek lançou um disco ao vivo, de edição limitada, "little drummer boy live", que engloba músicas dos rhp, dos sun kil moon e do seu trabalho a solo.
mark kozelek é um dos meus grandes ídolos musicais, juntamente com mark eitzel. os red house painters e os american music club já fazem parte das minhas bandas preferidas há muito tempo. já vi ambas as bandas ao vivo (rhp em paredes de coura e no ccb; e amc no santiago alquimista), no que constitui um verdadeiro sonho tornado realidade. são duas formas distintas de cantar a tristeza, de sentir as palavras, de exprimir amor, solidão e amargura. é essa tristeza palpável que emoldura cada música, aliada a letras introspectivas e melancólicas, a arranjos musicais delicados e minimalistas, ao arrastamento depressivo da guitarra, que faz com que o trabalho dos red house painters mereça ser enaltecido e apreciado.
coloquei há pouco tempo neste blog uma lista com 200 músicas, o que me deu bastante trabalho em termos de selecção, mas valeu a pena. quando fui contabilizar o número de músicas por grupo/cantor(a), um nome emergiu com a maior quantidade de canções: red house painters.
daí eles serem "a banda". para sempre...

exportem o 25 de abril

"egypt blogger jailed for "insult"
An Egyptian court has sentenced a blogger to four years’ prison for insulting Islam and the president. Abdel Kareem Soliman’s trial was the first time that a blogger had been prosecuted in Egypt. He had used his web log to criticise the country’s top Islamic institution, al-Azhar university and President Hosni Mubarak, whom he called a dictator. A human rights group called the verdict “very tough” and a “strong message” to Egypt’s thousands of bloggers. Soliman, 22, was tried in his native city of Alexandria. He blogs under the name Kareem Amer. During the five-minute court session the judge said Soliman was guilty and would serve three years for insulting Islam and inciting sedition, and one year for insulting Mr Mubarak. .
(in http://news.bbc.co.uk/1/hi/in_depth/6385849.stm)

um blogger egípcio, de 22 anos, foi condenado em tribunal, numa sessão de cinco minutos apenas, a quatro anos de prisão por ter chamado ditador a hosni mubarak e ter insultado o islão! infelizmente, a liberdade de expressão ainda não é privilégio universal. este episódio é lamentável e faz-nos pensar que, se este tipo de situações acontecesse em portugal, onde ainda há liberdade de expressão, metade do país estava preso. e o mais engraçado (hilariante quase) é que todas as pessoas indiciadas nos processos apito dourado e casa pia ainda estariam em liberdade. o que falta ao egipto em termos de liberdade de expressão, é compensado por uma fantástica fluidez judicial. em portugal, é ao contrário!
em todo o caso: "Fellow blogger Amr Gharbeia told the BBC it would not stop Egyptian bloggers from expressing opinions as "it is very difficult to control the blogosphere".
parece que está a nascer uma nova geração de che guevara's na blogosfera...

just silly


"I squeezed her boobs and they are real! they're jiggly and soft", disse tyra banks, depois de ter apalpado, em directo, no seu programa (the tyra banks show), os seios de katharine macphee, cantora que ficou em segundo lugar no "american idol" (uma espécie de "chuva de estrelas" e "ídolos"). a questão do silicone continua a suscitar muitas dúvidas. a tendência é desconfiar sempre que se vê alguém bem "dotada" nesse departamento. a própria tyra banks, antiga top model, primeira modelo negra a posar para a sports ilustrated e presença frequente nos catálogos da victoria secret, foi questionada várias vezes sobre a genuinidade dos seus seios; jennifer love hewitt também, mas ambas garantem que são naturais. depois há casos flagrantes de "tratamento cirúrgico", como os de mariah carey, pamela anderson, carmen electra, ou, em portugal, de patrícia tavares, sofia aparício, elsa raposo, etc..
nesta foto, encontra-se o chamado "teste do algodão". não há nada como tocar e sentir para se chegar a uma conclusão. tyra banks, outrora portadora do estigma "são reais/são falsas", ajuda as actuais portadoras do mesmo estigma a provarem a autenticidade do seu peito. portanto, está criado um precedente. imagino agora a lista de candidatas a irem ao programa dela... devem ser aos montes.

blogger fucker

caramba! foi difícil, extenuante até, mas consegui finalmente aceder ao blogger! porque raio é que insistem em alterar o que está bem? antigamente era muito mais fácil, simples e rápido aceder ao blogger, fazer um texto e publicá-lo. agora é uma luta férrea e desgastante. certamente que não serei o único a experimentar tais dificuldades hoje em dia, o blogger transformou-se na besta negra de quem pretende alimentar diariamente um blog. a lista de termos ofensivos que lhe são dedicados diariamente ultrapassou já o número de sócios do benfica. uma pessoa quer escrever um texto, quer partilhar com o mundo os seus pensamentos e opiniões e... nada, não consegue. e depois, passa o momento, a oportunidade. e eu até tenho algumas coisas para comentar, como a demissão de alberto joão jardim, a ida do príncipe harry para o iraque, a chegada do homem à lua, a conquista de ceuta, a batalha de aljubarrota... mas, enfim, passou a oportunidade. é pena.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

ver e ouvir



(shakira, durante a actuação nos grammy awards)
a quantidade de corpo que se mostra é inversamente proporcional à qualidade da música. também beyoncé, mariah carey, jennifer lopez, kylie minogue, britney spears, christina aguilera e muitas outras "sofrem" do mesmo problema: compensam a fraca qualidade do espectáculo musical com uma impecável apresentação pessoal. tenho a certeza de que, nestes concertos, a primazia vai sempre para o que se está a ver, relegando-se sempre para segundo plano o que se está a ouvir... porque cantoras como rachel yamagata, beth orton, diana krall, natalie merchant ou isobel campbell não precisam de recorrer ao seu aspecto físico para chamar pessoas aos seus concertos. têm algo muito mais importante: a voz. isso é que devia ser importante quando se vai a um concerto, caso contrário não se distingue um concerto musical de uma mera passagem de modelos. mas ainda hei-de fazer essa experiência, ir a um concerto só para ver, e não para ouvir. talvez em maio, quando vier a portugal a beyoncé, esse verdadeiro vulcão de sensualidade...

óscares

são estas as minhas apostas, nas principais categorias:
melhor filme: the departed;
melhor actor principal: forest whitaker;
melhor actriz principal: helen mirren;
melhor actor secundário: alan arkin;
melhor actriz secundária: jennifer hudson;
melhor argumento original: little miss sunshine;
melhor argumento adaptado: the departed;
melhor realizador: martin scorsese.
vamos lá ver quantos vou acertar... é já no domingo.

carnavalenada


não há altura do ano em que sinta mais vergonha de ser português do que no carnaval. é constragedor ver todos os anos as mesmas imagens, os mesmos bombos da festa (políticos, dirigentes desportivos), as mesmas vestimentas, tudo isto embrulhado num cenário kitsch, a roçar o teatro de revista, emoldurado pelo mesmo factor de sempre: o frio. sim, porque o carnaval nacional é no inverno mas o povinho insiste em descascar-se todo como se estivesse no brasil, no pico do verão. é penoso ver dezenas de mulheres a tentar sambar como as brasileiras (o que geralmente nunca conseguem), enquanto rapam um frio do camandro, apanham chuva, etc..
e ainda há outro pormenor que sempre me intrigou: no carnaval português, e apesar do frio, as mulheres têm tendência, natural, para vestirem pouca roupa, destapando deliberadamente o corpo de maneira a ficarem mais sexy's, mais vistosas, mais apelativas a quem as observa durante o corso carnavalesco. e o que fazem os homens portugueses durante o carnaval? vestem-se de mulher... está tudo dito!

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

ashley no campo


que bem se estaria assim, no campo, com bom tempo, com relva, sol, árvores, calor... e com a ashley judd, assim, com este ar sereno de contemplação, um sorriso tranquilo e despreocupado, como quem deixou todos os problemas para trás e agora só interessa mesmo desfrutar o fim de semana. o seu grande papel no cinema ainda não chegou, tem-se limitado a protagonizar filmes medianos, como "kiss the girls", "double jeopardy" ou "high crimes", ao lado de grandes actores como morgan freeman e tommy lee jones. mais recentemente, entrou no filme musical "de-lovely", filme biográfico sobre cole porter, ao lado de outro grande actor, kevin kline. a ashley judd falta-lhe um "monster" (charlize theron), um "million dollar baby" (hillary swank), um "monster's ball" (halle berry) ou um "uma mente brilhante" (jennifer connelly). talento não lhe falta... nem beleza...

made in heaven


rie rasmussen e jamel debbouze, em "angel-a", de luc besson.

angel-a


vi ontem este filme de luc besson, rodado a preto e branco, tendo paris como pano de fundo para uma fantasia lírica, protagonizada por jamel debbouze (actor cómico bastante popular em frança, que entrou em "o fabuloso destino de amélie" e "asterix e obelix: missão cleopatra", entre muitos outros) e rie rasmussen (actriz e ex-top model dinamarquesa, cujo único papel de relevo tinha sido em "femme fatale", de brian de palma, ao lado de antonio banderas e rebbeca romijn). ele é andré moussah, um pobre diabo que vai improvisando soluções não muito eficazes para pagar as suas dívidas a várias figuras do submundo parisiense, que, numa atitude de desespero, tenta o suicídi. para tal, escolhe uma das pontes sobre o rio sena. nessa altura, surge "angel-a", igualmente com os mesmos propósitos de andré. "angel-a" será o anjo da redenção de andré, nesta fábula desencantada dos tempos modernos, que cimenta definitivamente a cidade de paris como a mais romântica do mundo. luc besson tira o máximo partido da "cidade luz" e o filme, em termos estéticos e visuais, é dos mais interessantes que já vi. mas o que realmente nos prende é a invulgaridade daquele par romântico errante, ele num registo burlesco, desengonçado e maltrapilho, e ela de sublime elegância, bela e radiante. se já conhecia as capacidades artísticas de debouzze (ele já tem 25 anos de carreira como actor), fiquei estarrecido com a brilhante interpretação de rie rasmussen. é, certamente, um nome a fixar, tanto como actriz, como realizadora de curtas-metragens. já realizou duas, tendo uma delas sido seleccionada para o festival de cannes.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

life is grey


pois é, parece que vou ter que começar a esconder da minha mulher a caixa com a segunda série (estranhamente dividida em duas partes) de "anatomia de grey". quando lhe ofereci a primeira série, ela viu aquilo em três dias. está bem que a primeira série só tem nove episódios, mas mesmo assim... ela "despacha" aquilo rapidamente. já com o "E.R." era a mesma coisa, cada série que lhe oferecia era consumida freneticamente. eu, que via de soslaio o "E.R.", porque nunca foi série para me atrair muito, comecei a interessar-me mais por séries "de hospital" a partir de "house", que é realmente fantástica, como já referi há quase um ano neste blog. esta "anatomia de grey" não é uma série inovadora, longe disso (até já li uma definição sobre a série que a catalogava como uma espécie de cruzamento entre o "E.R." e o "sexo e a cidade", com sarah jessica parker), mas aos poucos vou ficando "cliente", à medida que vou assimilando as personagens e as suas idiossincrasias. também ajudou o facto de a dra. meredith grey ter uma panca por música, especialmente dos anos 80.
quando sair a segunda parte da segunda série já sei que vai acontecer o mesmo que agora: eu na sala a ver, pela segunda vez, a série inteira do "friends" (não me encho nunca, nem acho que alguma vez me encherei, de ver aquilo) ou a sétima série do "seinfeld", que comprei recentemente, e ela no quarto a consumir "anatomia de grey" como se não houvesse amanhã. ah, e também anda a ficar viciada no "prison break"... por mim, continuo com as minhas sitcom (para quando o lançamento nacional em dvd dessa mítica série chamada "mad about you"?), enquanto não chegam as novas séries de "24" e de "lost". e lá vou tomando a minha dose semanal de "my name is earl" e "what about brian", que, a propósito, vai passar hoje, na 2:, às 22h35.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

catarina furtado


sim, já era tempo de fazer um post sobre ela! vou ser o mais fútil possível, na medida em que, para mim, a beleza dela é vastamente superior a qualquer outro aspecto da sua vida profissional ou pessoal. também eu não atino muito com os seus sorrisos amarelos forçados lá para casa e todo o seu status quo televisivo. sei que consegue granjear facilmente ódios viscerais, especialmente entre as mulheres, mas vou oferecer o corpo às balas e vou mesmo fazer-lhe esta pequena homenagem, já que há anos que a catarina é uma das minhas preferidas no panorama nacional. tive que fazer algum esforço para ver os programas dela, chuva de estrelas, caça ao tesouro, operação triunfo, e até esse inenarrável filme que é o "pesadelo cor de rosa", com o diogo infante, ou até mesmo o "lampião da estrela", com o herman josé, só para a poder ver na caixinha mágica. pessoalmente, nunca a vi. tive uma oportunidade de ouro, em 1994, quando trabalhava para um jornal regional, em s. pedro do sul, como jornalista, e fui escalado para "cobrir" a passagem da catarina furtado por viseu, aquando do programa "caça ao tesouro", mas não pude ir. infelizmente. anos depois, ela, como embaixadora das nações unidas para a boa vontade, esteve numa palestra na escola secundária de s. pedro do sul... mas eu já não estava a trabalhar no mesmo jornal. parece sina. ela que nasceu no mesmo ano que eu, no mesmo mês, é do mesmo signo que eu, mas nasceu cinco dias antes de mim. para cúmulo, um dos meus melhores amigos costuma vê-la frequentemente para os lados do restelo, numa pastelaria perto da casa dela, e liga-me para descrever o quão deslumbrante ela estava. e eu... nada!