sexta-feira, dezembro 22, 2006

feliz natal e tal

2006 está a chegar ao fim. foi um ano interessante, aqui e ali entusiasmante, acolá um bocado deprimente, mais além ainda, detrás daquele pinheiro, um pouco exuberante. não houve grandes mudanças, importantes decisões ou metas para alcançar, a não ser aquelas que envolvem o pagamento de prestações mensais. sobrevivemos, com a cabeça à tona, a toda esta crise generalizada, as crianças andam vestidas, temos os pés calçados, pelo menos dois pares de calças, portanto, acho que ainda vamos andar por cá algum tempito. o ano que aí vem não inspira muita animação, vai subir tudo, electricidade, gás, combustível, os elevadores, etc.. os ordenados é que nem por isso. é nestas alturas, quando acabo de escrever isto, que me apetece ser o joe berardo e ter uma colecção de arte avaliada em 360 milhões de euros. mas fora isso, sinto-me bem no meu corpo, no meu papel, no meu lugarzito nesta sociedade. tenho o que sempre quis ter, não preciso de mais nada para ser feliz.
resta-me agradecer a todas as pessoas que conheci durante 2006. todas elas acrescentaram alguma coisa e foram especiais por isso. às que ficaram pelo caminho, restam as memórias que me deixaram, os sorrisos e as lágrimas que trocamos. no hard feelings...
feliz natal! até para o ano!

terça-feira, dezembro 19, 2006

system recovery

foram vários os motivos para tão longo afastamento, sendo o principal a época natalícia que estamos a viver. por causa dela, o volume de trabalho aqui no jornal aumentou exponencialmente, com suplementos de natal, publicidade aos montes, números especiais dos jornais que aqui também são paginados, etc.. para "ajudar" ainda houve dois feriados (dias 1 e 8 de dezembro) em dias de semana. a somar a tudo isto, o meu pc, que já há muito ameaçava, "quebrou" de vez, forçando a uma limpeza e recuperação do sistema, nas quais perdi centenas de músicas gravadas. enfim... voltam-se a sacar, é o remédio.
agora que a turbulência provocada pelo excesso de trabalho diminuiu, tenho aproveitado para recuperar o tempo perdido em termos de blogosfera. e começo logo por levar com essa péssima notícia que é o final do blog "perguntar não ofende". é pena, era já um hábito bastante entranhado ir ver todos os dias a pergunta do ricardo. espero que ele volte com outro "projecto" igualmente interessante e inovador, como o foi este.
quanto ao resto, várias festas e ceias de natal (ATL, escola, hospital, jornal), corrida às prendas, empurrões nos hipermercados, filas intermináveis para pagar, falta de estacionamento em todo o lado, compras para a consoada que, como costume, vai ser lá em casa, montagem da árvore de natal, luzinhas, presépio, and so on, and so on... no meio de tudo isto, apanhei a minha 47ª constipação deste ano e pareço o boneco da michelin, dado que, para além das camisolas, camisas, casacos, chacecol, tenho embalagens de lenços de papel em todos os bolsos disponíveis. mas raios me partam se não vou marcar presença amanhã, quarta, na jogatana semanal de futebol. tem que ser! nem que tenha uma perna partida. é a minha descompressão semanal.
faltam três dias de trabalho, depois vem o natal, com a família, claro, e uma semana de férias, para acabar o ano em beleza e... descanso, junto das pessoas que mais amo no mundo: a minha mulher e os meus filhos. e quase que já consigo saborear o fabuloso, divinal, extraordinário, saboroso e delicioso tronco de natal que a minha mulher faz. talvez lhe peça para fazer dois este ano. fica um só para mim. tem que ser, tou doentinho...

terça-feira, dezembro 05, 2006

risos transparentes

quando conhecemos alguém, como por exemplo um novo colega de trabalho, qual é a pergunta mais frequentemente colocada? de onde és? que idade tens? já namoras? sabes a tabuada dos 9? há uma quantidade infinita de questões a colocar, no sentido de ficarmos a saber algo mais sobre essa pessoa nova e de, no futuro, podermos utilizar algumas das suas respostas em conversas mais demoradas. há sempre uma vaga esperança de encontrarmos alguém interessante, inteligente e perspicaz, que tenha um excelente sentido de humor e bons gostos culturais. pois, esperança há... mas o resto quase nunca se encontra, nem mesmo naquelas pessoas em que investimos um bocado mais. como sou "viciado" em música e cinema, esses são, normalmente, os tópicos aflorados em primeiras conversas. começa, geralmente, aqui o desvanecimento de qualquer veleidade. de chris de burgh a patrick swayze, de scorpions a steven seagal, de céline dion a van damme, já apanhei com quase tudo. já lá vai o tempo em que ficava mais decepcionado com este tipo de gostos. quem sou eu para criticar o gosto dos outros? o marcelo rebelo de sousa? o miguel sousa tavares? o cláudio ramos?
depois desta fabulosa introdução, sinto-me capacitado para vos revelar que encontrei a pergunta definitiva, penso eu, aquela que revela traços mais incontornáveis da personalidade de alguém. a partir de agora, sempre que conhecer alguém, vou colocar-lhe esta questão apenas: "o que é que te faz rir?". chega. apenas isto. porque o que nos faz rir define-nos como ser humano. uma pessoa que responda, por exemplo, malucos do riso, batanetes ou fernando rocha, não subirá muito na minha consideração; mas, por outro lado, se me disserem monty python, ou woody allen, ou seinfeld, ou friends, teremos motivos para longas e demoradas conversas.
por isso, coloco aqui neste blog o meu primeiro desafio.
no sentido de ficar a conhecer um pouco melhor os frequentadores deste blog, desafio-os a revelarem o que é que vos faz rir.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

não sai nada

nada, é que não sai nada mesmo. eu bem tento fazer um esforço, ultrapassar inclusivamente as minhas próprias capacidades, ir um bocadinho mais longe, sempre à procura de que saia alguma coisa. mas não sai nada... sou capaz de desistir, assim, resignado à minha impotência, conformado perante os factos. e os factos são bem evidentes: não sai mesmo nada!
conclusão: tenho que levar o raio da camisola à lavandaria para ver se eles conseguem tirar o catano da nódoa de vinho tinto, porque eu desisto...

sexta-feira, novembro 24, 2006

musicas nas nuvens 6

as músicas que nos deixam nas nuvens:
portishead - roads

quinta-feira, novembro 23, 2006

défice de realismo

vivemos hoje em portugal com um tremendo défice de realismo. é este o mais perigoso de todos os défices actuais. as famílias afogam-se em dívidas, compram tudo a crédito, sempre com a sensação de que vão conseguir pagar tudo, nem que seja aos poucos. mas as mensalidades acumulam-se, misturam-se com outras antigas, há sempre imprevistos financeiros e despesas com que não contávamos que lixam sempre tudo. viver em portugal é viver sempre acima das possibilidades. isto porque o vizinho tem tv cabo, carro novo, mobílias novas e, curiosamente, também comprou tudo a crédito. se ele pode, porque raio não haveremos nós de poder também? de mês para mês, aparece uma nova "financeira", para além das antigas cofidis, credifin, etc.. a crise aperta mas a tentação de comprar é irresistível e supera a fraca capacidade financeira. sobretudo se nos impingirem aquela treta do "comece a pagar apenas no próximo ano", como se isso suprimisse alguma prestação. e geralmente o "próximo ano" é... dentro de dois meses.
a expressão "estar em crise" só se aplica aos portugueses naquelas conversas de treta que acontecem diariamente, no emprego, no café. continua a ser um bom desbloqueador de conversas, dá pano para mangas em conversas de dez, quinze minutos. porque uma pessoa vai ao continente (para tomar café e comprar o jornal), aos sábados ou domingos, quando não se trabalha, e vê milhares de pessoas às compras. ora, todos sabemos que existem vários locais de compras com preços muito mais baixos que a referida superfície comercial. meia dúzia de produtos no carrinho chegam para se desembolsar 50 euros na caixa. mas não importa. o que interessa é o estatuto, o poder de compra que se transmite aos outros. se forem às compras ao mini preço ou ao lidl não impressionam ninguém. este é apenas um exemplo, mas há muitos mais: brinquedos, roupa, calçado...
o estatuto é o que realmente interessa. não interessa ter algo, o que interessa é mostrar a toda a gente que temos esse algo, nem que tenhamos que fazer um sacrifício enorme para conseguir pagar todos os meses as mensalidades.
é este o défice que urge combater em portugal. convencer as pessoas a descer à terra, a viverem mediante as suas capacidades financeiras e nunca acima disso. porque, mais tarde, quem vai acabar por pagar os nossos erros são... os nossos filhos.

a bonança

como previram várias vozes, a seguir a uma fase menos boa... vem sempre uma fase agradável. pois bem, cá venho eu comprovar isso mesmo. em casa voltou tudo à normalidade, carro de novo operacional, enfim, parece que tudo vai voltar a entrar nos eixos.
a bonança, como o nome do post sugere, chegou hoje...
admirador confesso da beleza das mulheres italianas, como é o caso de monica bellucci, maria grazia cucinotta, sabrina ferilli (não é a sabrina do "boys, boys, boys". é outra), giorgia palmas, pamela camassa, e muitas outras, vou ter o prazer, a partir de amanhã e durante alguns meses, de trabalhar com uma estagiária... italiana. chama-se francesca.
vá, roam-se lá de inveja (os homens, claro). hoje esteve aqui na redacção apenas uns minutos, mas os suficientes para causar alguns transtornos evidentes na comunidade masculina. não admira que o jornal esta semana saia com os títulos na diagonal, as fotos todas trocadas, os óbitos e a ficha técnica na primeira página, etc..
vamos ver se o tal período de "bonança" continua a surpreender-me pela positiva, como neste caso.

a vida não pode esperar

as pessoas estão mesmo habituadas a apressar tudo. é assim desde o início da nossa vida, desde o berço. querem que tudo evolua rapidamente e não aceitam nunca um "não" como resposta. nos primeiros anos de vida de uma pessoa, as perguntas são invariavelmente as mesmas, sempre tentando aferir se está tudo a evoluir depressa: "já gatinha?", "já fala?", "já caminha?". voltando só um pouco atrás, portanto antes mesmo do nascimento, sempre achei muito irritante e parva aquela mania que toda a gente tem de, quando encontra uma grávida conhecida, palpitar sempre sobre o sexo do bebé, como se fossem doutoradas no assunto. perdi a conta às pessoas que atiraram com palpites quando a minha mulher esteve grávida. elas sabem que têm 50% de hipóteses de acertarem, portanto dizem sempre qualquer coisa. ficaria impressionado era se alguém afirmasse categoricamente que a minha mulher iria dar à luz um koala.
mas voltando à minha linha de pensamento, a nossa pessoa virtual cresceu, já caminha e já fala. próximo passo: "já aprendeste a andar de bicicleta?", "já andas na escola?", "já tens namorada?" (esta é infalível!), "já sabes ler?", "já sabes escrever?". sempre a queimar etapas, rapidamente.
a seguir a esta fase, que termina na escola e percorre todo o liceu, a curiosidade das pessoas acalma sempre. entra-se na adolescência e essa é considerada uma fase chata, em que a nossa pessoa virtual fica automaticamente antipática, aversa a diálogos chatos com os "adultos", vive praticamente no seu quarto, o seu refúgio quando está em casa. nesta fase a pressa das outras pessoas (e reparem bem na maravilha que vai ser esta frase!) é que esta fase passe depressa (brilhante! faz lá melhor ó lobo antunes!). depois voltamos ao normal: "já estás na universidade?", "em que curso estás?", "já tens emprego?", "já tens carro?", "já tens namorada?" (eu sei, esta é repetida. no primeiro caso é uma pergunta inocente. neste caso, é mais uma pergunta no sentido de se saber se haverá casamento para breve). a nossa pessoa virtual está agora numa idade adulta. e o que é que as outras pessoas esperam de um adulto? isso mesmo. que se case. então começa a pressão. no meu caso, ouvi a frase que vou colocar a seguir entre aspas uma centena de vezes (também é certo que namorei 10 anos antes de me casar...): "então quando é que te casas?".
chega o casamento, mas isso não impede que comecem logo a seguir mais perguntas, sendo a mais comum a célebre "quando é que têm filhos?". as pessoas acabaram de ficar satisfeitas com o casamento, mas já têm nova "preocupação". tem que ser sempre a evoluir. outras perguntas fatais nesta altura são "já têm casa?" e "já têm carro?", mas estas são de índole mais materialista. chega um filho e recomeça o ciclo, agora com a criança da nossa pessoa virtual. mas as pessoas querem mais. "já é tempo de terem outro filho, não acham?".
depois de ter tido o número de filhos que a sociedade entende como normal, a nossa pessoa virtual... tem o merecido descanso, sendo as perguntas direccionadas para a evolução dos seus filhos. só anos mais tarde é que surgem questões como "quando é que te reformas?", "vais morar com o teu filho ou a tua filha?", "para qual lar da terceira idade vais?".
com tantas perguntas sobre a sua natural evolução, a nossa pessoa virtual acabou por fazer tudo o que a sociedade lhe "exigiu". agora resta-lhe esperar que ninguém lhe pergunte "então quando é que morres?".

quarta-feira, novembro 22, 2006

penso, logo não resisto

o que é que as dietas têm em comum com o euro milhões? em ambos os casos, quando inicio uma dieta e quando acabo de jogar no euro milhões, mentalizo-me de que vou conseguir realmente alguma coisa. durante uns dias, faço um esforço e mantenho longe de mim as bebidas com gás, as batatas fritas, o álcool, os fritos, etc.. como apenas batatas cozidas, arroz seco, carne grelhada, peixe, legumes, fruta. na mesma medida, conforme se vai aproximando a hora da extracção do euro milhões, eu vivo na ilusão de que posso ser o vencedor. até saírem os número, ninguém nos diz que os nossos não são os correctos. (por falar nisso, temos que levar todas as sextas feiras, em que há jackpot no euro milhões, com aqueles directos insuportáveis, com os repórteres a perguntarem a toda a gente que encontram o que fariam com o dinheiro caso ganhassem?).
no final, o grau de resignação acaba por ser o mesmo. sai o número 8 (eu tenho o 4), lá vai um jantar com batatas fritas, ovo estrelado e salsichas; sai o número 14 (eu tenho o 18), bebo coca-cola como se não houvesse amanhã; sai o 25 (eu tenho o 23), manda-se vir umas pizzas; sai o 34 (tenho o 39), "porque não irmos lanchar ao mac donald's?"; sai o 45 (tenho o 42), "tenho a impressão que estas calças já não me servem...".
em pouco tempo, voltamos ao normal.
euro milhões? "eu nunca tive sorte nenhuma ao jogo. aliás, deviam dar-me um prémio por colocar sempre números que nunca saem". não raras vezes, lá vem o cliché da praxe: "azar ao jogo, sorte no amor" - se eu apanho o tipo que inventou esta parvoíce... em que raio se terá baseado? era feio como tudo mas ganhava sempre na sueca? namorava com a sophia loren mas perdia sempre nas corridas de cavalos?
dieta? "é melhor não contrariar o nosso próprio organismo". aqui também pode entrar outro cliché: "nunca ouviram dizer que gordura é formosura!?". e depois, também não quero colocar em risco os empregos dos funcionários da pizza hut, do mac donald's, das pizzarias em geral. que raio de ser humano seria eu afinal?
nunca tive força de vontade para seguir à risca uma dieta. acabo sempre por ceder perante algo que sei que me faz mal, ou engorda. na porcaria do euro milhões, digo sempre a mesma coisa todas as semanas: "nunca mais jogo, tou farto de perder dinheiro". mas na semana seguinte, perante a perspectiva de vencer uma batelada de dinheiro de uma vez só, sem trabalhar, não resisto e jogo outra vez.
explicações? não há. não adianta contrariar o nosso próprio organismo. eh, eh, eh...

terça-feira, novembro 21, 2006

sucessão negativa

há alturas em que parece que a vida se resume basicamente a uma sucessão de coisas más, alternadas com alguma coisita menos má e outras ainda consideradas boas. estou numa daquelas fases "más". a filha adoece, o filho adoece, tiram-se dias para ficar com eles em casa, corta-se no ordenado ao fim do mês, os electrodomésticos avariam, o carro fica sem bateria, as lâmpadas fundem-se, o guarda chuva desaparece, a nota de liquidação do irs ainda está nas finanças e nunca há tempo para lá ir buscá-la, a playstation que mandamos compor nunca mais regressa, o subsídio de natal que nunca mais chega, etc.. é uma sucessão negativa, quase um jackpot, que parece nunca mais acabar. quando acaba uma coisa, começa imediatamente outra. por isso, estou já a mentalizar-me para a próxima coisa má que irá acontecer.
pessimismo e resignação é comigo.

sexta-feira, novembro 17, 2006

lambchop


até pode parecer que não, à primeira vista, mas a foto que agrafo neste post é mesmo de um grupo musical. é mentira que seja uma foto de um grupo de adeptos do portimonense, quando acompanharam recentemente a equipa de futebol na deslocação ao terreno do desportivo de chaves. curiosamente, na foto estão 12 (até lá está o leonardo di caprio; reparem bem no quarto homem a contar da esquerda. ah, e a mulher que está ao lado dele não é a irmã lúcia) mas creio que ainda faltam membros da banda na mesma. chamam-se lambchop e produzem um estilo musical inclassificável, um híbrido de jazz, country e soul, à sombra da potente e inconfundível voz do vocalista kurt wagner. conheci-os com o disco "is a woman" e fiquei rendido. é daqueles discos intemporais, que se ouvem sempre com agrado, pela serenidade que transmite. depois comprei o duplo "aw c'mon" e "no you c'mon" e reforcei a já excelente opinião que tinha deles.
os lambchop vão estar em lisboa, no próximo dia 10 de dezembro, na aula magna (ainda bem que o concerto não é no santiago alquimista, porque não caberiam os membros todos da banda). se tiverem oportunidade de ir ver, podem crer que não vão sair desapontados.

série completa

pronto, já tenho a série completa do "friends". 10 caixas, 10 temporadas de uma série que começou a ser exibida em 1994, tendo o último episódio ido para o ar em maio de 2004.
são cerca de 240 episódios, cada um com 22 minutos, o que corresponde a 5.280 minutos de boa disposição, com o chandler, o joey, o ross, a monica, a rachel e a phoebe. é uma das séries "padrão" da televisão, marcou uma época, vai ser sempre falada e utilizada como termo de comparação em relação a novos produtos, tal como sucedeu com outras séries de sucesso, como "seinfeld" ou "frasier".
estou a acabar de ver a décima série e, à medida que vou devorando os episódios finais, vou sentindo cada vez mais apertado o "nó na garganta" que marca qualquer despedida. resta o conforto de poder visitar estes amigos sempre que me apetecer. eles lá estarão na minha prateleira dos dvd's, ao lado de "seinfeld", "everybody loves raymond", "mad about you", "family guy", "nip/tuck", "lost", "24"...

quinta-feira, novembro 16, 2006

borat


estou mortinho para ver este filme. já vi vários trailers e em todos me escangalho a rir. já acontecia o mesmo com a anterior personna de sascha baron cohen, o ali g. o filme tem sido um estrondoso êxito de bilheteira nos estados unidos da américa, contra todas as expectativas, considerando o seu baixo orçamento, o facto de parecer mais um documentário do que um filme, de não ter actores americanos conhecidos e de "gozar" bastante com o povo americano e o seu estilo de vida. mas também ninguém pensaria que a série "the office" algum dia poderia ter tanto êxito nos estados unidos, ao ponto de fazerem uma versão americana da mesma. parece que os americanos estão a descobrir, finalmente, a europa...
estreia em portugal no dia 30 de Novembro.
não vou perder!

musicas nas nuvens 5

as músicas que nos deixam nas nuvens:
marjorie fair - stare

regresso ao... passado



Às vezes sinto que há situações pelas quais não passarei jamais. é uma sensação... estranha, no mínimo. pode até ser meio caminho andado para a tão apregoada crise de meia idade. olha-se para trás, para o que se fez, e sente-se um certo vazio. o que é que eu poderia ter feito mais? o que é que poderia ter feito de forma diferente? enfim, se todos nós tivéssemos um "DeLorean" (sim, eu fui ao google ver como se escreve), como o michael j. fox nos filmes "regresso ao futuro", certamente que voltaríamos atrás e tentaríamos rectificar e melhorar alguns pontos da nossa existência. como isso não é possível, resta-nos a resignação do presente, a inexorável marcha do tempo, que outrora considerávamos lenta demais, quando queríamos crescer, e implacável e dolorosa quando sentimos que esse mesmo tempo está a escorregar rápido demais por entre os nossos dedos.
Nunca mais vou viver a emoção de um primeiro beijo; o turbilhão de sentimentos de uma paixão; aqueles desgostos provocados geralmente por ciúmes cegos na fase do namoro, que nos "atiravam" para o quarto a ouvir música romântica durante horas, com a porta fechada; os encontros no jardim à hora marcada; as sempre dolorosas despedidas; enfim, todo o encanto de uma relação. como sei que tenho um excelente casamento, sei perfeitamente que nunca mais irei passar por tudo isto. hoje, quando ouço pessoas mais novas do que eu, solteiras, a falar sobre uma relação ou uma paixão, não posso deixar de sentir alguma nostalgia, porque penso que gostaria de estar novamente a passar também por isso, nem que fosse apenas por uma semana. mas esse tempo passou, tenho consciência disso. resta-me agora ouvir e aconselhar quem me pede conselhos (por falar nisso, sabem quem é que estava sempre a pedir conselhos ao jorge sampaio? - o povo de canas de senhorim. eu sei, é uma piada parva. já estou arrependido de ter escrito isto. onde está o delete?).
também há aspectos bons no meio disto tudo. não vou voltar a passar por um casamento, por exemplo. ir a um casamento é muito mau, é constrangedor, as roupas são apertadas, os sapatos fazem doer os pés e, geralmente, quando nos estamos a começar a divertir é quando a coisa acaba. mas é muito pior quando é o nosso casamento. uma pessoa tem que beijar 59 mulheres, apertar a mão a 67 homens, beijar criancinhas, oferecer charutos e flores com um sorriso amarelo nos lábios e agradecer a vinda de uma data de pessoas que nunca vimos na vida e que provavelemente não veremos mais. já para não falar na seca que é a cerimónia religiosa, aquela encenação toda, os pais nossos e avé marias, etc.. enfim, estou livre disto tudo, graças a... bem, à minha mulher, no fundo.
se pudesse voltar atrás, mudaria alguns comportamentos e actos, algumas opções, mas uma coisa não mudaria, de certeza: a pessoa que escolhi (ou foi ela que me escolheu?!) para encetar uma vida a dois e para ser a mãe dos meus filhos. nesse aspecto, tenho a certeza de que não encontraria melhor. é esta garantia que me faz sentir bem no presente e confiante no futuro (catano, isto parece mesmo um daqueles discursos dos políticos na noite de eleições!), embora não recusasse o tal "DeLorean"...

terça-feira, novembro 14, 2006

devaneios

encontrar... conhecer... imaginar...
sentir... ansiar... sofrer...
ausência... vazio... angústia...
(é verdade, são palavras que podem encontrar no dicionário!)
já a monica bellucci será mais difícil de encontrar. é pena. até podíamos ter um futuro juntos,
se ela não desse muita importância a esse pequeno pormenor chamado beleza.
quem sabe se um dia destes ela não precisará de colocar um anúncio num jornal, a pedir emprego, coitada, que isto de ser actriz não dura para sempre... e aí sim, vou ter a minha oportunidade de... a matar de tédio...
- vá lá rapaz, acorda! escreve lá algo com sentido, pelo menos uma vez.
(isto foi o meu alter ego a intervir e a interromper a minha linha de pensamento, que consistia em conquistar a monica bellucci com os meus dotes de paginação, deixando-a em êxtase com os meus títulos em georgia, bold, tamanho 26).
- ó alter ego, vai lá ler um bocado de proust ou lobo antunes, que eu agora estou ocupado.
catano, nem se pode sonhar em paz. também tenho direito à minha futilidadezita, de vez em quando. ou ao contrário, todo o blog até agora foi fútil e insípido e este é o meu post mais inspirado e com mais significado. será? talvez a monica bellucci o leia.
conhecem algum tradutor de italiano?

sexta-feira, novembro 10, 2006

as desilusões

pequenas desilusões ensombram frequentemente o nosso dia a dia. pode tudo estar a correr terrivelmente bem, o emprego, a vida lá em casa, os filhos na escola, tudo, mas há-de haver sempre um pequeno grão de areia a emperrar a roldana que nos vai mantendo activos. nada nos prepara para elas, mas quando acontecem deitam-nos mesmo abaixo. não totalmente abaixo, porque tenho um mecanismo de defesa que consiste em imaginar-me numa daquelas situações cinematográficas onde tenho direito a um desejo antes de morrer, antes da execução propriamente dita. se estivesse numa situações destas, que será uma daquelas situações limite, irreversíveis, escolheria sempre o desejo de ver a minha família uma última vez. posto isto, a desilusão de que vou falar pode até parecer ridícula, face à importância que dou à minha família em relação a tudo o resto...
como já referi noutros posts, não sou uma pessoa fácil, de acesso imediato e fácil. quem estiver somente comigo uns 20 ou 30 minutos deve ficar com a impressão de que sou a pessoa mais arrogante, emproada, convencida e antipática do mundo. e acreditem que colecciono primeiras opiniões deste género há muitos anos. acabei por me habituar a elas, sem mudar nada no meu comportamento para as evitar. no entanto, há pessoas que, ultrapassado esse período de tempo (os tais 20/30 minutos), acabam por entrar na nossa vida e fazer parte do quotidiano normal. alguns desses casos resultam de convivência profissional diária e, com o tempo, acabam por se desenvolver relações de amizade que julgamos consistentes. momentos houve em que até me senti contente por estar a construir uma amizade nova, eu que nunca fui muito dado a essas coisas. arranjar novos amigos e mantê-los nunca foi uma das minhas especialidades. como nota de rodapé para ilustrar esta minha inépcia, basta referir que perdi a totalidade dos amigos que angariei na minha época estudantil, ou seja, naquela idade em que se constroem amizades. durante dez anos da minha vida partilhei confidências, desabafos, sentimentos, gargalhadas, bebedeiras, jantaradas, momentos, etc., com pessoas que, agora, se passar por elas na rua, nem sequer um olá somos capazes de trocar. aqui, neste caso, bastou-me chatear com uma das pessoas desse grupo para logo todo o restante grupo me passar a ignorar também. é o que dá chatearmo-nos com a "abelha raínha"... a vida levou-nos para caminhos diferentes, certamente.
mas voltando ao caso que me levou a escrever este post... pois, relações de amizade "forçadas" por uma convivência diária, por motivos profissionais. sentimo-nos especiais por receber tanta atenção por parte de uma pessoa que até consideramos atraente, mas, no fundo, se observarmos bem, quando nos libertamos de toda aquela ilusão que não nos deixa ver as coisas claramente, chegamos à conclusão de que aquela atenção toda poderia ser atribuída perfeitamente a uma qualquer pessoa, desde que trabalhasse no mesmo sítio. ou seja, não havendo mais ninguém, ficamos nós com ela. foi o caso, precisamente. enquanto trabalhei nesse local, em part-time, sempre senti que estava envolvido numa relação de amizade com alguma solidez, com respeito e apoio mútuo. até estava a resultar bem, mas o meu passado apanhou-me... quando terminou esse part-time, a sensação esfumou-se. novamente os tais caminhos diferentes... que raio de amizade era esta que não conseguiu resistir à separação, mesmo que momentânea? e onde é que está escrito que duas pessoas, quando não trabalham juntas, não podem ir tomar um café ou almoçar? será assim tão complicado? não se arranjará tempo para tomar um café com uma pessoa que durante um ano e meio esteve todos os dias ao nosso lado, a ouvir os nossos desabafos, a dar-nos conselhos?
pois, eu já me cansei de tentar responder a estas perguntas. sinceramente, pensei que ainda era capaz de construir uma amizade com alguém, mesmo que a partir de uma convivência profissional. pelos vistos, não sou. é a tal desilusão de que falava no início deste post. foi mais uma. têm sido algumas ultimamente. mas o que interessa é manter os verdadeiros amigos. e esses, apesar de serem apenas uns três ou quatro, conto manter, por muitos anos.
o lado bom, ou menos mau, destas pequenas desilusões é que transferimos tudo o que temos de bom para oferecer, em termos emocionais e sentimentais, para as pessoas que realmente interessam, acabando por dar realmente muito valor, muito mesmo, ao que temos lá em casa, ao pequeno núcleo familiar que ajudamos a fortelecer diariamente. isto sim, são laços verdadeiramente fortes e indestrutíveis.

musicas nas nuvens 4

as músicas que nos deixam nas nuvens:
mercury rev - holes

quinta-feira, novembro 09, 2006

interior

sempre vivi no interior. estive apenas uns meses a residir em coimbra (já é mais litoral que interior), em virtude de lá ter conseguido entrar na universidade. sinceramente, não gostei, senti-me deslocado e voltei imediatamente para o meu "cantinho". não foi por causa da cidade, que até adorava antigamente quando lá ia passar uns fins de semana com a minha então namorada, hoje mulher, que lá estudava na altura. senti-me sozinho, desamparado e inadaptado. o meu hedonismo sempre me levou a evitar tudo o que é desagradável, dando clara predominância a tudo o que dê prazer. e foi nessa altura que causei aos meus pais um desgosto enorme, ao desistir do curso, voltando para "debaixo das saias da minha mãe". reconheço que posso ter perdido "os melhores anos da minha vida", como é frequente ouvirmos dizer aos estudantes universitários. festas, noitadas de copos, etc.. atirei para o ar tudo isto, anos de farra e de despreocupação, se excluirmos os próprios estudos, obviamente. queria que a minha vida começasse o mais rapidamente possível, e isso passava por viver com a mulher que amava, casar, ter filhos... dessa forma, comecei a trabalhar para que o meu futuro chegasse rapidamente. não chegou... eu tinha acabado de renunciar a coimbra e a minha namorada foi chamada para faro (faro, meu deus, longe como tudo!), aceitando imediatamente o emprego que já ansiava há anos. ou seja, voltava tudo à estaca zero e a oportunidade coimbra tinha-se esfumado. só meia década depois (parece muito mais tempo do que "cinco anos depois") se consumaria o ansiado desiderato.
este episódio acabou por ser, de certa forma, irónico. de vez em quando sinto que aqueles anos em coimbra me fizeram falta, pela "bagagem" que me poderiam ter dado, pelo fortelecimento de carácter que me dariam, pela "viagem" espiritual que não cheguei a fazer, pelo corte do cordão umbilical que se impunha já na altura, pelas pessoas que não conheci... se calhar, hoje seria uma pessoa diferente... mas preferi o "quentinho", o aconchego do lar e a companhia das pessoas de que gostava (e ainda gosto). no interior (lá está! interior!), ainda se travam algumas lutas entre o "eu" extrovertido que não teve oportunidade de se soltar devidamente, na altura certa, e o "eu" certinho e introvertido, que foi privilegiado e convocado um pouco cedo demais.

musicas nas nuvens 3

as musicas que nos deixam nas nuvens:
elizabeth fraser & craig armstrong - this love

terça-feira, novembro 07, 2006

brilho nos olhos

este ano de 2006 caminha rapidamente para o seu término. a febre das compras de natal vai começar. vamos novamente ser bombardeados com anúncios alusivos à época, incitando ao consumismo desenfreado. fazem-se listas, contam-se os trocos para tentar ficar ainda com algum dinheiro do subsídio de natal para o início do ano, quando se prevê que tudo vá subir vertiginosamente (luz, água, gás, taxas de juro, combustível, etc). é também por esta altura que começam os "balanços" do ano, as tradicionais retrospectivas, com o melhor e o pior, as revelações e a desilusões do ano que termina. mas quanto a este aspecto falaremos mais tarde.
hoje quero falar essencialmente da atmosfera natalícia, daquela magia que nos invadia quando éramos crianças e sentíamos o natal cada vez mais perto. é claro que não vou começar para aqui com balelas e sermões sobre o facto de o natal ser cada vez mais mercantilista e comercial, isso já toda a gente sabe. em minha casa, por esta altura, ou seja, a um mês e pouco do natal, vem sempre a mesma conversa: "este ano não vão haver prendas para ninguém, temos que poupar". e o mais engraçado é que sabemos perfeitamente que nos estamos a tentar enganar a nós próprios. as crianças falam umas com as outras, depois chegam a casa e, como quem não quer a coisa, lá dizem que gostavam de ter o novo "action man advogado", que nunca perde um caso, porque o andré também vai ter um no natal, os pais da joana vão-lhe comprar uma boneca que consegue dactilografar 120 palavras em 30 segundos, os padrinhos do leonardo já mandaram vir uma psp, os do bruno uns gnr, etc.. e quem são os pais com coragem para dizer aos filhos, nestas circunstâncias, "tu não vais ter nada porque temos que poupar, o banco central europeu anunciou que as taxas de juro vão subir, aumentando as prestações e, consequentemente, provocando um déficit no nosso superavit financeiro".
os anúncios televisivos vão desfilando, as crianças vão criando listas mentais de prioridades. os pais vão registando, distribuindo posteriormente os brinquedos desejados pelos compradores interessados em oferecer algo que realmente eles queiram, em vez de um par de meias ou de um livro da margarida rebelo pinto. assim, os pais oferecem o brinquedo que aparece no anúncio a que ele reage mais energicamente, os avós o brinquedo imediatamente a seguir, os tios, os padrinhos, etc, etc.. acontece isto todos os anos, uma joint venture para proporcionar às nossas crianças o mais cintilante brilho nos olhos, o mais rasgado sorriso, o mais apertado abraço e o mais sentido beijo de agradecimento. para mim, é isto o natal, dar uma enorme alegria às crianças, mesmo que três dias depois o brinquedo que lhes demos esteja já a um canto, avariado ou partido.
até ao nível das prendas de natal estamos sempre em constante evolução em termos geracionais. os meus pais provavelmente nem teriam direito a prendas no natal, dadas as dificuldades com que se debateriam os meus avós. a geração seguinte, a minha, também se debateu com muitas dificuldades financeiras, mas os meus pais nunca deixaram passar esta época sem uma lembrança, por mais insignificante que fosse. e nós também sabíamos que não podíamos almejar muito alto. na minha altura, não passavam nem 10% dos anúncios a brinquedos que hoje inundam os canais de televisão, lembro-me dos carrinhos majorette e matchbox, das garagens com andares de estacionamento de carrinhos, com elevador, do cubo mágico, mais tarde do spectrum (o saudoso spectrum), dos walkman, etc.. hoje, por estes dias, a geração dos meus filhos tem aquilo que nós, quando éramos da idade deles, queríamos ter. tentamos sempre fazer mais do que os nossos pais fizeram, ou puderam fazer... obviamente, também espero que o mesmo aconteça com os meus netos, quando chegar a altura dos meus filhos se debaterem com a lista de "exigências" no natal. era bom sinal...

musicas nas nuvens 2

as músicas que nos deixam nas nuvens:
slowdive - machine gun

segunda-feira, novembro 06, 2006

o sentido da vida

encontraremos, ao longo da nossa curta existência, tudo aquilo que procuramos? porventura nem as chaves do sótão conseguiremos encontrar, ou a chupeta da filha quando estamos à porta de casa, cheios de tralha, preparados para sair e só falta mesmo essa pequenina coisa para encurtarmos o nosso atraso de uma hora para 56 minutos.
amor? realização profissional? dinheiro? casa de praia? carro de alta cilindrada? amigos? um excelente spread no crédito à habitação? um empregado de café que nos traga realmente um café curto quando pedimos um café curto? acho que é colocar a faixa muito alta. deviamos contentar-nos apenas com o café curto. o amor é sobrevalorizado, com o tempo transforma-se apenas em respeito e consideração; o emprego é sempre mal pago; o dinheiro gasta-se em meia hora; a casa de praia no inverno fica inundada e exige reparações anuais caríssimas; o carro de alta cilindrada gasta muito combustível e basta um risco na porta para perder metade do valor comercial; ter amigos é sempre chato, porque os convidamos para ir jantar lá a casa e ficamos à espera três ou quatro anos que eles nos convidem para o mesmo. ou seja, nunca há retribuição à altura. e outra coisa, os amigos só estão de facto presentes quando sentem que precisam de nós para alguma coisa. logo que esse pequenito aspecto se esfume, deixamos de ter qualquer ponta de interesse; quanto ao spread bancário, tenho 34 anos e nunca entendi patavina sobre isso, deve ser apenas para pessoas inteligentes.
qual é o maior problema das pessoas hoje em dia? não terem tempo. nunca há tempo para nada. têm que chegar aos seus empregos a tempo, sair a tempo para almoçar, entrar novamente a tempo, sair a tempo de não apanhar trânsito, chegar a casa a tempo de fazer o jantar, arrumar a casa a tempo para ir dar banho aos filhos, deitar os filhos a tempo. uff... que canseira. chega o fim de semana e quando pensamos que vamos descansar... enganamo-nos redondamente. é ainda pior. porque há a casa para arrumar, aspirar, temos que cozinhar, limpar o chão, lavar a louça, etc.. no domingo então há sempre visitas de familiares, há que ser bom anfitrião, não deixar faltar nada na mesa, encher sempre os copos, ir buscar pão... em suma, uma grande estafa, ficamos ainda mais cansados do que se estivessemos a trabalhar.
na prática, quando é que uma pessoa tem algum tempo? no meu caso, com tudo isto que referi no parágrafo anterior, só tenho algum tempo quando toda a gente lá em casa está a dormir. é nessa altura que aproveito para ter algum tempo de qualidade. normalmente vejo séries como o seinfeld ou o friends, ou jogo playstation até cair para o lado, literalmente, com sono.
portanto, com tudo isto, o que restará procurar ou extrair mais desta vida se não há tempo para o fazer? amigos tenho os suficientes, não ando à procura; emprego tenho e gosto do que faço; dinheiro vai-se ganhando todos os meses, se tivesse mais também gastava mais, por isso...; casa de praia e carro de alta cilindrada dispenso, tenho a minha casita na cidade que gosto e dois carritos velhitos que ainda cumprem; amor? sim. saúde? sim.
agora, se me pudessem trazer o tal cafezito curto... se não for pedir muito...

musicas nas nuvens 1

as musicas que nos deixam nas nuvens:
antony and the johnsons - bird guhl

sexta-feira, novembro 03, 2006

misantropia

- mas o que é que ele tem?
- são parvoíces, não ligues.
- que raio de comportamento, não fala a ninguém...
- diz que a partir de agora vai ser apenas misantropo.
- vai-se dedicar à solidariedade e a ajudar os desfavorecidos?
- não pá. isso é filantropo. ele não quer ter nenhuma convivência social.
- ó diabo, isso é mau. para a semana vai haver o jogo de solteiros contra casados a seguir ao magusto. e ele até joga umas coisas.
- pois, mas podes esquecer. ele entrou naquilo a que ele chama de "disposição sombria do espírito".
- mas o jogo até vai ser disputado de noite. vai haver uma data de sombras...
- irra que és parvo, chiça! deixa lá o homem em paz. também acho uma parvoíce mas, como amigo, respeito as decisões dele.
- ele também sempre foi esquisito. cada vez que me lembro do tipo, no liceu, sempre de walkman nos ouvidos. ou no grupo de teatro e na escola de música. que paneleirices...
- pois, mas por qualquer motivo acabamos por nos tornar amigos dele. já o aceitamos como ele é há algum tempo. não adianta fingir agora que não o conhecemos.
- pois, mas a equipa dos casados vai ficar desfalcada...
- tens razão nisso. e temos que vingar a derrota do ano passado. vamos falar com o artur, que é bastante menos problemático. jogou no ano passado no cabanas de viriato. até é um tipo fixe.
- podes crer. na semana passada emprestou-me cd's dos iron maiden e um filme do steven seagal.
- ah grande artur! se jogar por nós ganhamos sem dificuldade. vamos lá a casa dele.
- dizemos alguma coisa antes de ir embora?
- não, deixa lá. ele nem vai dar conta que a gente cá esteve.

fade out again

Street Spirit (Fade Out)

Rows of houses all bearing down on me
I can feel their blue hands touching me
All these things into position
All these things we'll one day swallow whole
And fade out again and fade out

This machine will not communicate
These thoughts and the strain I am under
Be a world child, form a circle
Before we all go under
And fade out again and fade out again

Cracked eggs, dead birds
Scream as they fight for life
I can feel death, can see it's beady eyes
All these things into position
All these things we'll one day swallow whole
And fade out again and fade out again

Immerse your soul in love
Immerse your soul in love.


quinta-feira, outubro 19, 2006

escuridão total

ele não queria ser visto como um santo, uma espécie de anjo na terra. detestava simpatias forçadas e sorrisos amarelos. caminhava de cabeça baixa por não querer chocar com uma conversa banal ou cumprimentos institucionalizados. apenas queria ser ele mesmo, sem tentar agradar a ninguém, nem mesmo a ele próprio. todos os dias tinha que ver a mesma cara de manhã, as mesmas olheiras, os mesmos olhos cansados. os amigos foram passando, uns nem sequer um esforço fizeram para o compreender ou aceitar. não mendigava convites, não falseava atitudes, não aceitava hipocrisias. afastou-se. saiu de cena. sem dar explicações. também ninguém não as pediu. o impacto criado tinha sido insignificante, quase nulo. o rosto foi ficando cada vez mais fechado, o seu interior cada vez mais negro. o que antes era sangue transformou-se em poeira, o que antes era vida transformou-se em morte. amargurou por dentro. enrugou os tecidos que antes abrigavam o seu coração e... escureceu de vez.
será que ele alguma vez voltará?

terça-feira, outubro 17, 2006

disco da semana 2

Grandaddy
"Just like the fambly cat"
último disco dos grandaddy, banda californiana formada em 1992. da sua discografia constam "a pretty mess by this one band" (1996), "under the western freeway" (1997), "the sophtware slump" (2000) e "sumday" (2003). antes de lançar este novo disco, a banda anunciou o final da carreira, fazendo de "just like the fambly cat" o seu epitáfio. apontados como "the next big thing" em 2000, depois do magnífico "the sophtware slump", e muitas vezes comparados com bandas como the flaming lips, radiohead e mercury rev, os grandaddy saem agora de cena com um disco que potencia as virtudes do grupo, no seu estilo electro/pop/rock, fundindo arranjos electrónicos e sintetizadores com sons pungentes de guitarra, acompanhados da voz meiga e doce de jason lytle. os pontos altos do disco são "the animal world", "rear view mirror", "guide down tonight", "campershell dreams", "elevate myself" e "summer... it's gone" (tal como eles, infelizmente). vão deixar saudades...

disco da semana 1


richard hawley
"coles corner"
em termos vocais é uma espécie de paul buchanan (the blue nile) misturado com kurt wagner (lambchop), com laivos de nick cave, aqui e ali. nomeado com este album para os mercury prize deste ano, prémio vencido pelos arctic monkeys, richard hawley atinge finalmente o merecido reconhecimento, com canções introspectivas e sentimentais, envoltas num ambiente romântico suave e intimista. a voz do cantor domina completamente as atenções, cativando imediatamente com o seu timbre carregado e grave. no entanto, os arranjos de violino, presentes em todas as músicas, merecem igualmente destaque, criando uma simbiose perfeita, num puro deleite auditivo. em termos de canções, o destaque vai para "coles corner" (que dá nome ao disco), "the ocean", "tonight", "wait for me" e "born under a bad sign".

segunda-feira, outubro 16, 2006

esquecer...

esquecer... como se pode efectivamente esquecer alguém? afastamo-nos propositadamente dessa pessoa? pedimos um tempo? solicitamos uma deslocalização lá na empresa? comemos queijo desalmadamente durante uma semana?
tentamos enganar-nos prometendo a nós próprios que nunca mais vamos ligar a essa pessoa, quando interiormente desconfiamos que, ao mais insignificante motivo, lá cedemos e quebramos essa promessa. se essa pessoa faz parte da nossa vida, seja ela emocional ou profissional, ainda mais difícil se torna, porque esquecer uma pessoa que sabemos que não voltaremos a ver durante um largo período de tempo é substancialmente fácil (vejam o que sucedeu no psd, onde já ninguém se lembra do santana lopes, por exemplo). o mais difícil é mantermos as nossas convicções e resoluções. queremos esquecer uma pessoa mas não lhe queremos dar a entender que a queremos esquecer, porque isso seria a prova de como essa pessoa está a influenciar a nossa vida, ocupando quase metade do nosso cérebro e protagonizando 50% dos nossos pensamentos diários. entenderam? está confuso, admito.
o problema de tentar esquecer alguém de uma forma rápida e definitiva (como pretendemos) é que essa pessoa pode ficar-nos para sempre. porque um corte unilateral é sempre motivo de constantes perguntas do género: "estás chateado comigo?", "porque raio deixaste de me convidar para almoçar?", "porque não respondes aos meus sms?". teremos, então, de fazer algo que queremos evitar a todo o custo: dar uma explicação. porque na maior parte das vezes a outra pessoa não faz a mínima ideia do que se está a passar connosco e nem desconfia que a estamos a tentar esquecer. e explicar isso a alguém é uma tarefa quase impossível.
primeiro é preciso interiorizar que temos que sofrer para esquecer, reconhecer a doença é sempre a primeira parte de qualquer cura. é preciso esquecer devagar. não se pode esquecer alguém antes de terminar de a lembrar. não adianta forçar. para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, de momento em momento, na esperança de ele se cansar. quando conseguirmos passar, depois, um dia inteiro, sem pensar nessa pessoa, estamos no caminho certo. há-de haver recaídas, elas existem sempre, especialmente quando estivermos sós, a precisar de uma palavra, de um conselho, de conforto emocional. é nessas alturas que temos que pensar e aceitar que há lembranças e amores que necessitam do afastamento para poderem perpetuar-se. os grandes amores vencem o afastamento e a distância. há grandeza no sofrimento. sofrer é respeitar o tamanho e o significado que tem o amor que se vive. quando sabemos que não nos podemos continuar a enganar a nós próprios ao viver uma determinada relação, resta-nos aceitar a dor, enfrentando a mágoa que nos despedaça o coração, libertando-nos e libertando a outra pessoa.

sexta-feira, outubro 13, 2006

naquele lugar só nosso


conheço um lugar onde tudo parecerá certo. queria ter a possibilidade de te levar lá. lá contornaríamos a impossibilidade das coisas, poderíamos vencer a inevitabilidade do tempo, rir sem tapar a boca e abafar o som. lá estaríamos apenas nós a contemplar o pôr do sol, deitados a olhar o infinito em cima da relva fresca. o tempo vai-nos deixar ficar lá, para sempre, vamos alimentar-nos de palavras e olhares cúmplices, encher a alma e nascer de novo, nos braços um do outro. lá poderia estar sempre perto de ti para garantir que as únicas lágrimas que chorasses fossem de felicidade, nunca deixando que as nuvens habitassem a tua alma, escurecendo a tua natural incandescência. seríamos apenas nós. eu e tu! num cantinho só nosso, inacessível ao resto dos mortais.
vem cá ter... espero por ti!

sonhos

sonhos! quem não tem sonhos? e não estou a falar daqueles sonhos no sentido de aspirações, desejos (o chamado sonhar acordado). nesse género de sonhos eu hoje já ganhei o jackpot do euromilhões, fundei uma revista, tornei-me director dela, comprei um clube de video, uma casa nova para a minha familia, mais dois carros, uma lata de atum e um pacote de batatas fritas. estou a falar dos outros, os "inconscientes". uma pessoa deita-se, fecha os olhos, adormece e lá vêm eles. estranhos, esquisitos, sem qualquer vislumbre de lógica.
há quem diga que os sonhos são desejos reprimidos, recalcamentos, motivo pelo qual lhes dão inusitada importância. essas pessoas tendem a analisar os seus sonhos, têm um bloco de notas na mesinha de cabeceira para, quando acordarem, apontarem tudo para não se esquecerem, para no dia seguinte terem motivo de conversa no trabalho ou mesmo na consulta de psiquiatria. também há quem defenda que, enquanto se dorme, a alma sai do corpo e vai passear para outro mundo, regressando de madrugada a cheirar a tabaco e licor beirão. outra corrente de pensamento interessante defende que, num acto de machismo comovente e tocante, um homem que sonhe que a mulher é adúltera pode devolvê-la ao sogro na manhã seguinte.
mas, no fundo, o que são os sonhos? são puros disparates sem sentido (como os filmes recentes de david lynch). são poucos os sonhos que me lembro de ter tido. num deles sonhei com a mulher do jardel (a karen ribeiro ou metzenbacher ou lá o que é) e o que é que isso quer dizer? nunca vi a mulher ao vivo, mas já sonhei com ela. quer dizer que lhe quero saltar para a espinha? bem... talvez. outra vez sonhei que um vizinho meu queria à força estacionar o carro dele na minha garagem, oferecendo-me em troca uma robusta abóbora. num outro sonho, os meus pais estavam a chegar a minha casa para almoçar e ainda estava toda a gente a dormir lá em casa, a almoço por fazer, a mesa não estava posta, e eu levantei-me com o som da campaínha e... fui-me esconder na despensa até eles irem embora. enfim, tudo numa lógica acima da média.
um sonho é uma espécie de "chichi" cerebral. sonhar é um alívio. o cérebro fica com aquilo que precisa para pensar, lembrar, desejar, imaginar e organizar-se; o resto deita fora em forma de sonhos. admito que um sonho, tal como o citado "chichi", se possa analisar, mas daí a tirar as grandes ilações que por vezes se tiram, vai uma grande distância.
sonhos a sério são aqueles que se perseguem e constroem, como aquele de que tanto falava o martin luther king quando dizia "I have a dream". os outros são balelas psicológicas que o nosso cérebro nos impinge, enquanto vai passear fora do nosso corpo.

quinta-feira, outubro 12, 2006

irmão gémeo?


ontem, dia 11 de outubro, a minha irmã fez 31 anos. a minha família reuniu-se, como é tradição, para festejar, com um jantar, a passagem de mais um aniversário. a coisa correu bem, como sempre, bacalhau com natas, casal garcia, tinto alentejano... a minha irmã não toca em bebidas alcoólicas, de forma que ela e os miúdos (que já são quatro, sendo 2 filhos para cada irmão) beberam sumos e néctares. numa rápida consulta, a meio da noite, pelos canais nacionais, na sic estava a passar a novela "cobras e lagartos" (uma das quinhentas novelas brasileiras que aquele canal é obrigado a transmitir, à luz do contrato que tem com a rede globo). pois bem, repararam certamente na informação preciosa que eu dei há momentos, sobre a minha irmã não beber bebidos alcoólicas, que até parecia gratuita e supérflua à primeira vista mas que passa a fazer sentido nos próximos segundos: espectadora assídua desta novela, a minha irmã acha que eu sou extremamente parecido com o tipo da fotografia agrafada a este post. o actor chama-se henri castelli e na novela, pelos vistos, interpreta a personagem "estevão". detivemo-nos por mais uns minutos a ver o programa e, passados uns minutos, também a minha mulher começa a ver algumas semelhanças faciais, nomeadamente do nariz para cima (olhos, testa, entradas, cabelo), considerando, todavia, que tenho uma boca e uns lábios muito mais sexy's do que o actor (lá está, a minha mulher, no que toca a bebidas, não é nada parecida com a minha irmã).
como ela fazia anos, dei-lhe um desconto. estava animada e feliz por fazer anos (e ainda por cima fazia também aniversário de casamento - 9 anos). de certeza que amanhã, quando regressar à normalidade e estiver a ver o "um contra todos" na rtp, me vai achar parecido com o josé carlos malato...

quarta-feira, outubro 11, 2006

perguntas

perguntas sem resposta (aparente):
(em jeito de homenagem ao blog "perguntar não ofende")

- quantos mais homens vão ser "o homem da vida" de elsa raposo?
- a floribella terá fim ou só quando os seus actores aprenderem a representar?
- o santana lopes ainda terá lata para voltar a aparecer no meio político?
- os criadores da telenovela "jura" não sabiam que era preciso escrever um argumento?
- o valentim loureiro é verdadeiramente o tony soprano português?
- o caso "casa pia" só terá fim quando os acusados morrerem de velhice?
- alberto joão jardim proferirá, algum dia, qualquer coisa inteligente e ponderada?
- quando é que começa a passar na rtp a terceira série do "lost"?
- porque é que não convidam a catarina furtado para ser concorrente no "dança comigo"?
- haverá alguém em portugal que nutra alguma simpatia pela júlia pinheiro?
- o desfile de aniversário da sic era uma tentativa de realizar o evento mais patético de sempre em televisão?

ser pai

não há como ser pai para finalmente podermos ver os nossos próprios defeitos. os meus filhos estão bem divididos em termos genéticos. o rapaz sai ao pai, a menina sai à mãe, tanto fisicamente (como convém), como psicologicamente. o pedro é, como diz a mãe, tal e qual o pai e, como tal, torna-se difícil repreender ou reprimir um comportamento que eu entendo e pratico, mesmo inconscientemente. e ele sabe isso, aproveitando-se deste meu "calcanhar de aquiles" para "usar e abusar" da minha paciência. reage mal ou não reage de todo quando confrontado com alguma autoridade mais evidente. gosta de fazer as coisas no timing dele, sem pressões, sem constantes apelos à rapidez. gosta é de jogar playstation (quem é que o pode recriminar?), ver televisão, os filmes que lhe estou contantemente a comprar (há dias comprei os dois "toy story" em dvd, que acho essenciais naquele género cinematográfico), de andar de bicicleta, de brincar com as centenas de brinquedos que tem no quarto. raramente quer sair de casa ao fim de semana, prefere sempre ficar em casa (mais uma vez, ninguém o pode censurar). cede neste aspecto quando lhe dizemos que vamos comprar alguma coisa para ele ou para a mariana. sim, o materialismo está bem vincado já na sua personalidade. o natal está a chegar e ele já anda a consultar catálogos e folhetos dos hipermercados e toys are us.

a escola começou há um mês. nas breves conversas que tenho com a professora dele, ela entende que o pedro é muito brincalhão e distraído, que está sempre na brincadeira, em vez de se aplicar a fundo nas aulas. em casa, fazer os trabalhos é sempre uma maçada e qualquer coisinha insignificante serve para o distrair do que está a fazer, como uma mota a passar na rua ou o camião que vem recolher o lixo. nós "apertamos" com ele, fazemos-lhe ver que já tem responsabilidades, que tem de ser mais aplicado e atento. ele entende e aceita, mas no dia seguinte faz precisamente os mesmos erros e tem a mesma atitude. é um castigo para nós e para ele os trabalhos de casa. apenas posso imaginar como será o seu comportamento na sala de aula e o que "sofre" a professora (mas também é a profissão dela e está lá para isso mesmo; certamente que haverá alunos mais problemáticos do que o meu filho).

não posso deixar de me sentir "culpado" por ele ser assim. são os meus genes a interferir. ele tem as suas prioridades, próprias da sua idade. quer brincar, ver televisão, jogar, andar de bicicleta. sabemos que não poderemos forçar demasiado o seu sentido de responsabilidade, sob pena de ele se revoltar e agir precisamente ao contrário do que nós queremos. vamos confiar nele e nas linhas orientadoras que lhe incutimos até agora. sabemos que ele não nos vai decepcionar; apenas está a devorar a vida, a saborear o facto de ser uma criança. e isso é saudáve!
quero chegar a casa e brincar ou jogar playstation com ele, ver um filme ou televisão com ele. não tenho personalidade nem postura para ser um pai severo e castigador. já tentei mas ele não me leva a sério. sabe que sou feito do mesmo material que ele...

terça-feira, outubro 10, 2006

o sexo

ja alguém me disse que este blog é giro (ainda bem que não utilizaram termos com "fofo" ou "querido"), que cobre algumas áreas culturais e tal, tem alguma opinião, alguma ironia às vezes. no entanto, essa mesma pessoa queixou-se que existem poucas referências a... sexo. facilmente chegamos à conclusão que a pessoa que me disse tudo isto é um homem. é um factor sempre presente nas nossas vidas. os homens ficam loucos com decotes, mini saias, calças de ganga apertadas a realçar o rabo, etc.. as mulheres até podem pensar da mesma forma em relação aos homens, mas essas sensações são facilmente postas de lado se virem uma montra de uma sapataria ou de um pronto a vestir. o corpo masculino não é, vamos lá ser sinceros, nada de especial. não temos seios salientes, rabos espetados ou que encham umas calças de ganga, temos pelos no peito, etc. e tal. o corpo feminino é, por outro lado, simplesmente inebriante. claro que as mulheres podem sempre contradizer-me e dizer exactamente o contrário. mas a questão é que cada homem deve pensar em sexo cerca de 50 vezes por dia, enquanto as mulheres devem pensar apenas umas 3. como disse jerry seinfeld, num dos episódios de "seinfeld":
"o conflito básico entre homens e mulheres, do ponto de vista sexual, é que os homens são como os bombeiros: para nós o sexo é uma emergência e independentemente do que estivermos a fazer conseguimos estar prontos em dois minutos. as mulheres, por seu turno, são como o fogo. são muito excitáveis, mas têm de estar reunidas as condições exactas para que aconteça".

basta compararmos igualmente o comportamento de homens e mulheres numa discoteca, por exemplo, num sábado à noite. os homens solteiros andam em grupos grandes, aos encontrões, aos grunhidos a maior parte das vezes, todos desorganizados, sem saberem para onde ir, geralmente com copos na mão e um aspecto miserável. as mulheres solteiras andam em grupos pequenos, o guarda roupa mantém-se impecável a noite toda, a maquilhagem idem, são observadoras, sabem esperar, ponderadamente, pelo momento certo, caso encontrem algo de que gostem. no fundo, comportam-se ambos como as nossas células sexuais. os homens são os espermatozóides, aos encontrões, desorganizados, numa corrida louca em busca de algo; as mulheres são o óvulo, ficam à espera, calmamente. quando os espermatozóides chegam dizem:
- "bem, qual destes é que vai ser? tenho mesmo que escolher? posso esperar mais um mês. é melhor esperar. há tempo".
pronto, já abordei o tema "sexo" no blog. agora sim, isto vai avançar. oh se vai!

I see a darkness
















"I see a darkness" - bonnie "prince" billy

Well, you're my friend
And can you see
Many times we've been out drinking
Many times we've shared our thoughts
But did you ever, ever notice, the kind of thoughts I got
Well you know I have a love, a love for everyone I know
And you know I have a drive to live I won't let go
But can you see this opposition, comes rising up sometimes
That dreadfull imposition, comes blacking in my mind

And then I see a darkness
And then I see a darkness
And then I see a darkness
And then I see a darkness
Did you know how much I love you
Is there hope that somehow you
Can save me from this darkness

Well I hope that someday buddy
We'll have peace in our lives
Together or apart
Alone or with our wives
And we can stop our whoring
And pull the smiles inside
And light it up forever
And never go to sleep
My best unbeaten brother
This isn't all I see

I know, I see a darkness
I know, I see a darkness
I know, I see a darkness
I know, I see a darkness
Did you know how much I love you
Is there hope that somehow you
Can save me from this darkness

o video, ao vivo, desta música, pode ser visto em:
http://www.youtube.com/watch?v=OzF09GHuDt0

a versão ao vivo perde um bocado para o original, portanto, se puderem, tentem ouvir o original. e já que estão com a "mão na massa", há músicas muito interessantes de bonnie "prince" billy para ouvir, como "you will miss me when I burn", "gulf shores", "beast for thee", "bed is for sleeping", "hard life", "wolf among wolves", "madeleine-mary", etc..

segunda-feira, outubro 09, 2006

bonnie "prince" billy


se este blog fosse uma espécie de magazine cultural, ao estilo do "acontece", e eu uma versão do carlos pinto coelho, por hoje já teríamos enchido o programa. televisão, cinema e agora música. o disco recomendado esta semana (caramba, parece mesmo um programa de televisão!) é este:

"the letting go", de bonnie "prince" billy.

(agora vem a parte em que se debitam algumas palavras sobre o artista)

bonnie "prince" billy é, basicamente, will oldham, músico que também já editou trabalhos com o nome de "palace", "palace songs" e "palace brothers". confusos? é mesmo para estarem. nascido em louisville (e.u.a.), will oldham trabalhou na década de 80 e inícios da de 90 como actor. em 1992 decide tentar a música, estreando-se como "palace songs", com o single "ohio river boat song"; no ano seguinte editou o seu primeiro album, "there is no-one what will take care of you", já como "palace brothers". em 1995, novo album, "viva last blues", já sob o nome de "palace music". em 1997 lançou "joya", um disco privilegiado porque foi o primeiro e único a levar o verdadeiro nome do artista na capa. todavia, a partir de 1998, todo o trabalho e as várias colaborações do cantor começaram a ser creditadas ao nome bonnie "prince" billy. albuns como "black dissimulation", "I see a darkness", "ease down the road" e "master and everyone" foram cimentando a carreira do artista, sempre com excelentes avaliações por parte da crítica especializada, rendida já ao seu potencial. em 2004 surgiu uma espécie de colectânea, "bonnie "prince" billy sings greatest palace music", em que regravou músicas antigas do seu repertório, para, em janeiro de 2005, lançar "superwolf", um dos seus discos mais aclamados pela crítica, que se referiu ao mesmo como "reflective, bittersweet, and achingly melodic, it was praised as one of the year's first truly strong albums". finalmente, em setembro deste ano, apareceu este "the letting go", disco que me levou a escrever tudo isto.

bonnie "prince" billy vai crescendo dentro de nós, não é daqueles sons imediatos, que se consomem imediatamente mas que também enchem rapidamente. vai-se gostando mais de cada vez que se ouve. recomendo!

"o filme"


revi "cyrano de bergerac" no fim de semana.
voltei a ficar com a sensação de que é este "o filme". dezasseis anos depois, continua a despertar as mesmas emoções, a comover e a apaixonar... gérard depardieu é assombroso como cyrano, a realização é eficiente, a fotografia excelente. já dissertei bastante sobre este filme neste blog. o post serve apenas para confirmar, em absoluto, que este é mesmo o meu filme preferido de todos os tempos!

novo vício


NIP/TUCK

comprei a primeira série em dvd. lá em casa ficamos rendidos e "despachamos" os 13 episódios em 4 dias! entra directamente para o top ten das minhas séries preferidas, onde já estão lost, 24, sopranos, friends, seinfeld, curb your enthusiasm, six feet under, house e family guy.

quarta-feira, outubro 04, 2006

as praxes académicas

"Ex-caloira pede 70 mil € de indemnização ao Instituto Piaget
- Uma ex-caloira do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros que se queixou de abusos nas praxes em 2002 pede uma indemnização de quase 70 mil euros ao estabelecimento de ensino, anunciou a aluna. Em declarações à Lusa, Ana Sofia Damião disse sentir-se "lesada" pela forma como a direcção do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros conduziu o caso e quer ser ressarcida por alegados "danos morais e patrimoniais". A ex-aluna do Piaget, que se encontra a concluir um curso de Farmácia noutra instituição, decidiu avançar com um pedido de indemnização no valor de quase 70 mil euros num processo cível que começa a ser julgado amanhã no Tribunal de Macedo de Cavaleiros. Esta é a segunda vez que Ana Sofia Damião recorre à justiça, depois de o mesmo tribunal ter decidido, em Novembro de 2004, não levar a julgamento um processo-crime por entender "não haver matéria para levar adiante as acusações" aos dez alunos investigados. A antiga caloira acusou colegas dos segundo e terceiro anos do curso de Fisioterapia de, durante a recepção ao caloiro em Outubro de 2002, a terem obrigado a praticar "actos humilhantes" como a "simulação de actos sexuais e nudez em público". O caso motivou a intervenção da Inspecção-Geral de Educação, que enviou um relatório à Procuradoria-Geral da República, e um processo interno de averiguações no Piaget, que culminou em repreensões escritas aos alunos identificados. A própria caloira foi também repreendida pela exposição pública que fez dos factos. A repreensão de que foi alvo é uma das razões que Ana Sofia Damião alega para avançar com o pedido de indemnização, por entender que "a escola não teve uma postura correcta, o que criou um ambiente hostil na escola e fez com que tivesse desistido do curso". Na sequência deste caso, o Instituto Jean Piaget abriu um debate nacional sobre a problemática das praxes, que levou à elaboração de uma carta de princípios reguladores destes rituais académicos nos seus estabelecimentos de ensino superior".
- notícia de 4 de outubro 2006.

vergonhoso! as praxes são meros pretextos para que pessoas com mentalidade perversa e tortuosa, devidamente autorizados pela sociedade e pelas instâncias universitárias, que "fecham os olhos" a tudo em nome do espírito académico, perpetuem e instiguem actos vergonhosos, censuráveis e condenatórios. humilhar alguém em praça pública é algo que deve dar algum gozo a esse género de pessoas, sobretudo quando no ano passado foram eles os humilhados. é um ciclo vicioso: quem foi humilhado, humilha nos anos seguintes. pura parvoíce, idiotice e, acima de tudo, reveladora do espírito infantil, irresponsável e depravado de muitos desses estudantes. podem dizer que é tradição, que é o espírito académico... para mim, tudo isto leva a excessos, as praxes resultam em casos como o relatado neste post, as latadas e os desfiles académicos não passam de centenas de jovens com latas de cerveja na mão, a caírem de bêbedos, a conspurcar tudo o que encontram pela frente, as semanas académicas idem...
andamos a criar os nossos filhos para depois os vermos a fazer estas figuras, com o beneplácito das escolas e das universidades?
felizmente, o último parágrafo da notícia transcrita em cima leva-nos a ter alguma esperança. acho bem que regularizem estes actos. afinal, a época medieval já lá vai...

revistas femininas


há dias acompanhei um amigo a um laboratório de análises clínicas. ainda estivemos por lá uma meia hora, espaço de tempo que eu aproveitei para folhear algumas revistas expostas na sala de espera. a predominância literária ia claramente para as revistas femininas e cor de rosa. as revistas femininas, activa, máxima, cosmopolitan, vogue, etc., são o género jornalístico com mais "certezas" e "verdades inquestionáveis" por metro quadrado. elas dão conselhos de beleza, dicas sobre os melhores acessórios, a lingerie mais adequada para qualquer situação. enfim, todas as mulheres (sim, mesmo a teresa guilherme e a odete santos) podem ser belas e charmosas se seguirem os conselhos da revista sobre os cuidados de beleza feminina. é fácil ser bonita, perder a celulite em duas semanas, as rugas em dois meses, etc.. curiosamente, quase sempre os editoriais destas revistas apregoam que só os homens insensíveis acham que as mulheres precisam de ser bonitas...

depois lá estão sempre as mesmas rubricas em todas: os editoriais desprovidos de conteúdo, que se acabam de ler e cinco minutos depois já não nos lembramos de nada (se os editoriais servem para marcar uma posição redactorial, para assumir ideias, para quê este esmero com que nas revistas femininas se produzem editoriais sobre coisa nenhuma, verdadeiro pudim de banalidades a demonstrar como a escrita pode ser uma coisa rigorosamente inútil?); a secção "mulheres que se destacam" ou "mulheres que são notícia", como se elas fossem uma raça inferior e seja necessário realçar quando efectivamente conseguem algum protagonismo; os artigos de opinião de cerca de meia dúzia de indefectíveis, com tempo de antena em todas as revistas do género: rita ferro, margarida e clara pinto correia, margarida martins, margarida rebelo pinto (e já vou na terceira "margarida"!); as "reportagens" sobre temas da sociedade que afectam as mulheres, do género "recomeçar aos 40", "sexo no emprego", "apaixonei-me pelo meu melhor amigo", "como combater a rotina", etc., tudo baseado em "testemunhos" palpitantes e espontâneos, dum realismo impressionante, de pessoas como a "maria, 36 anos, enfermeira", "ana, 44 anos, veterinária" ou a "justina, 31 anos, secretária" (será que estas pessoas existem mesmo ou são apenas alter egos da redactora do texto?). a receita consiste em pôr na boca das imaginárias fontes o que as leitoras gostariam de dizer, sem se atreverem a tal.

outro tema sempre presente é o sexo. não pode faltar. a eterna questão do prazer feminino continua a ser a inspiração para milhares de textos. dá a impressão que esta gente quer transformar o sexo numa ciência exacta, com laivos de tese de doutoramento. no futuro teremos uma geração de mulheres que vai para a cama com o código dos direitos sexuais femininos e anuncia, logo de entrada: "fica sabendo que as minhas zonas erógenas são aqui, ali e acolá, o vocabulário que me excita é este e não aquele, o meu orgasmo é do tipo clitoridiano e, segundo o meu médico assistente, o meu tempo médio de aquecimento é de 11 minutos e quarenta".

terça-feira, outubro 03, 2006

a musica mais triste

"mysteries of love", uma versão de antony and the johnsons do clássico da banda sonora de "blue velvet", cantada originalmente por julee cruise, com letra de david lynch, realizador do filme, e música do compositor angelo badalamenti. a música, não na sua totalidade, pode ser ouvida aqui:
http://www.theworldofadam.com/mystery.html
site do artista adam shecter, que criou animação em flash para várias músicas de antony and the johnsons.
"mysteries of love" é pura emoção, um sentimento pungente que nos atravessa o corpo como um raio de luz. fala de um amor vivido num mundo à parte, entre duas pessoas conscientes de que têm tudo na outra pessoa e que isso é suficiente para voarem bem alto, como se tivessem asas, passando acima das nuvens e enfrentando juntos o desconhecido e o... mistério do amor.

Mysteries of Love
(Lyrics by David Lynch, Music by Angelo Badalamenti)

Sometimes
A wind blows
And you and I
Float
In love
And kiss forever
In a darkness
And the mysteries of love
Come clear
And dance
In light
In you
In me
And show
That we
Are Love

Sometimes
A wind blows
And you and I
Float
In love
And kiss forever
In a darkness
And the mysteries of love
Come clear
And dance
In light
In you
In me
And show
That we
Are Love

sexta-feira, setembro 29, 2006

24


estou completamente viciado nesta série. a temporada que passa actualmente na 2:, às quartas-feiras, é sem sombra de dúvida a melhor até agora, daí que entre as 22h30 e as 23h20 desse dia eu esteja incontactável para o resto do mundo. são cinquenta minutos ansiados durante toda a semana e vividos intensamente. premiada recentemente com 5 emmy's, "24" relançou a carreira de kiefer sutherland, que veste na série a pele do agente jack bauer, que é uma espécie de reinvenção de james bond (até as iniciais são as mesmas), liderando um elenco de ilustres desconhecidos. na actual temporada, até um actor "irritante" como julian sands consegue ser bastante credível e eficaz como o mau da fita, bierko, que planeia actos terroristas nos estados unidos da américa. para dar um toque de credibilidade ao argumento, até o presidente dos e.u.a. parece ter sido criado à imagem do verdadeiro, george w. bush, um homem incompetente, mentiroso e inseguro.
resta saber como é que jack bauer e o CTU vão evitar que bierko concretize os actos terroristas em território americano. na próxima quarta-feira lá estarei, pronto para mais emoções fortes, à frente do televisor.

beyonce


"Beyoncé actua em Portugal no próximo ano.
A cantora norte-americana Beyoncé actua em Portugal em Maio do próximo ano. A data é avançada pelo site oficial da artista, que se desloca ao Pavilhão Atlântico, Lisboa, a 24 de Maio.A estreia da ex-Destiny´s Child no nosso país insere-se na digressão europeia de promoção ao álbum «B´ Day», o segundo disco a solo de Beyoncé".
notícia de hoje, dia 29 de setembro, na imprensa nacional.

a questão que se pode colocar, vendo várias imagens da cantora em palco, nomeadamente a que se agrafa a este post, é a seguinte: a promotora do espectáculo oferecerá lenços de papel ou toalhetes à entrada?

"queiséééé"

momento mais cómico de cada dia:
no final de cada dia de trabalho, vou buscar os meus filhos: o pedro, de 7 anos, ao ATL e a mariana, de ano e meio, à ama. depois de colocados os respectivos cintos de segurança em cada uma das cadeirinhas, entro no carro e ligo o auto-rádio. ponho o carro em andamento e a música começa a ouvir-se: "I remember when, I remember, I remember when I lost my mind". é o "crazy", dos gnarls barkley. olho para trás e vejo o entusiasmo que os primeiros acordes do tema provoca neles. a mariana bate os pés na cadeirinha e abana a cabeça; o pedro tenta imitar os gestos usuais dos rappers que costuma ver nos telediscos. chegado o primeiro refrão... começa a gargalhada. a mariana canta "queiséééé", o pedro ri-se como se não houvesse amanhã, eu tento manter a compostura ao volante, embora me ria como um doido. depois vem a parte do "c'mon now, who do you, who do you, who do you think you are, ah, ah, ah, bless your soul" e aqui ninguém consegue conter-se. a mariana balbucia algo como "udiu, udiu, udiu" e depois imita na perfeição o "ah, ah, ah". impagável!
têm sido assim os meus finais de tarde, na melhor companhia possível, com boa disposição e, sobretudo, uma potencial cantora de prestígio.

quinta-feira, setembro 28, 2006

viver de ilusões

dias sorumbáticos, introspectivos e frios.
dias de recordações e de tristes ilusões.
dias de histórias de amor imaginadas.
dias de desilusões e amarguras reacendidas.

"é triste viver de ilusões".
o victor espadinha não diria melhor em "recordar é viver". ah grande victor espadinha! grande musicão! intemporal! "mas tu foste a mais linda história de amor que um dia me aconteceu... e recordar é viver, só tu e eu". lindo (e não estou a ser irónico!). marcou uma geração.

esta tem sido a banda sonora dos meus últimos dias. músicas que apetece ouvir repetidas vezes. ao som delas a minha mente voa, deseja, anseia, ilude-se...
1. mysteries of love - antony and the johnsons
2. this love - elizabeth fraser/craig armstrong
3. abandoned masquerade - diana krall
4. natasha - rufus wainwright
5. more than this - the cure
6. my love - mercury rev
7. god with no tear - antony and the johnsons
8. memphis skyline - rufus wainwright
9. fake plastic trees - radiohead
10. anniversary - the cure
11. dinner at eight - rufus wainwright
12. departure bay - diana krall

uma mulher (2)



depois de monica bellucci... catherine zeta jones!!
já ganhou um óscar (melhor actriz secundária em "chicago"), casou com um homem com o dobro da sua idade (michael douglas), já teve dois filhos... mas continua bela e deslumbrante.

quarta-feira, setembro 27, 2006

antony and the johnsons














recomendação: se procuram algo intenso, apaixonante, vibrante, cheio de sentimento, paixão, amargura e emoção, ouçam "I am a bird now", dos antony and the johnsons. é daqueles discos que se ouve vezes sem conta e se vai amando cada vez mais, em que antony hegarty canta o sofrimento como ninguém, em músicas magistralmente trabalhadas e orquestradas. o disco venceu o mercury prize do ano passado, que premiou o melhor disco de 2005. tem preciosidades como "bird gherl", "man is the baby", "hope there's someone", "you are my sister", com boy george, "spiralling" e "what can I do?", com rufus wainwright.
o som criado por esta banda é incomparável na cena musical actual, tal como a potente voz de antony, que a cantora e compositora diamanda galás definiu assim: "every emotion in the planet is in that gorgeous voice". a rolling stone disse: "antony is the dominant voice of solitude and agonized waiting". será preciso acrescentar mais alguma coisa? acredito que vão gostar de conhecer e sentir antony and the johnsons!...
se quiserem depois "investigar" a carreira da banda, aqui fica a discografia:
o primeiro album foi "antony and the johnsons", de 2000. os antony and the johnsons lançaram ainda dois ep's: "I fell in love with a dead boy" e "the lake".

terça-feira, setembro 26, 2006

a nossa essência

vários escritores, romancistas e alguns canalizadores, apontam frequentemente que o homem só se conhece verdadeiramente em duas situações: quando está sob a ameaça de uma arma ou quando quer conquistar uma mulher. ou seja, a maneira como reage define o tipo de homem. há ainda uma terceira situação, embora seja apontada apenas por cientistas eslovacos: como o homem reage quando, num café, pede uma coca-cola e lhe trazem pepsi. para já, vamos deixar de lado esta terceira situação, pese embora toda a sua relevância.
toda a gente pode argumentar que ambas são situações de descontrole emocional, em que os instintos e os nervos falam mais alto. mas o verdadeiro descontrole é mesmo o homem. em ambos os casos, o controle aparente é... o disfarce. no primeiro caso, a pergunta que se pode fazer é: estaremos preparados para a eventualidade de morrer daqui a cinco minutos? claro que não, talvez em vinte se pudesse arranjar alguma coisa. ameaçados por uma arma estamos perante uma possível finitude, um encerramento perpétuo e definitivo do que fomos, do que construímos. e como reagiremos? em quem pensaremos? que contas deixaremos por pagar?
é impossível prever a nossa reacção. no fundo, tudo residirá no facto de termos coragem ou não para ripostar, para lutar pela vida. ou se, pelo facto de ripostarmos e lutar pela vida, não acabamos por apressar ainda mais as coisas e ainda chegamos ao céu antes de servirem o jantar.

na segunda situação, a maior parte de nós porta-se como um pateta. falsos encontros casuais diários cuidadosamente arquitectados, perseguições de carro, telefonemas constantes (mesmo anónimos), esperas junto da casa dela para ver se ela entra com algum outro homem, noites inteiras sem dormir a pensar no que dizer no próximo "encontro casual", em outras maneiras de a impressionar sem ser com o 18 que tivemos no curso de dactilografia. este imbecil - e não o cidadão adulto, respeitável, razoável, comedido - somos nós, quando nos apaixonamos. tudo o resto é fingimento. se calhar, é neste tipo de situações que acabei de relatar que somos mesmo nós, na nossa essência. obviamente, não somos todos iguais e, tal como na situação da morte à frente dos olhos, neste caso também há inúmeras possibilidades de reacção. também há os discretos, os que amam mas nem às paredes confessam, os que estão apaixonados mas só revelam a alguns muros e janelas. pois, somos todos diferentes e reagimos de maneira diferente.
mas, também vos digo, se me derem a tal pepsi no café, depois de eu ter pedido coca-cola, podem crer que... a bebo, resignado, sem levantar ondas. não sou desse género. infelizmente.