terça-feira, novembro 07, 2006

brilho nos olhos

este ano de 2006 caminha rapidamente para o seu término. a febre das compras de natal vai começar. vamos novamente ser bombardeados com anúncios alusivos à época, incitando ao consumismo desenfreado. fazem-se listas, contam-se os trocos para tentar ficar ainda com algum dinheiro do subsídio de natal para o início do ano, quando se prevê que tudo vá subir vertiginosamente (luz, água, gás, taxas de juro, combustível, etc). é também por esta altura que começam os "balanços" do ano, as tradicionais retrospectivas, com o melhor e o pior, as revelações e a desilusões do ano que termina. mas quanto a este aspecto falaremos mais tarde.
hoje quero falar essencialmente da atmosfera natalícia, daquela magia que nos invadia quando éramos crianças e sentíamos o natal cada vez mais perto. é claro que não vou começar para aqui com balelas e sermões sobre o facto de o natal ser cada vez mais mercantilista e comercial, isso já toda a gente sabe. em minha casa, por esta altura, ou seja, a um mês e pouco do natal, vem sempre a mesma conversa: "este ano não vão haver prendas para ninguém, temos que poupar". e o mais engraçado é que sabemos perfeitamente que nos estamos a tentar enganar a nós próprios. as crianças falam umas com as outras, depois chegam a casa e, como quem não quer a coisa, lá dizem que gostavam de ter o novo "action man advogado", que nunca perde um caso, porque o andré também vai ter um no natal, os pais da joana vão-lhe comprar uma boneca que consegue dactilografar 120 palavras em 30 segundos, os padrinhos do leonardo já mandaram vir uma psp, os do bruno uns gnr, etc.. e quem são os pais com coragem para dizer aos filhos, nestas circunstâncias, "tu não vais ter nada porque temos que poupar, o banco central europeu anunciou que as taxas de juro vão subir, aumentando as prestações e, consequentemente, provocando um déficit no nosso superavit financeiro".
os anúncios televisivos vão desfilando, as crianças vão criando listas mentais de prioridades. os pais vão registando, distribuindo posteriormente os brinquedos desejados pelos compradores interessados em oferecer algo que realmente eles queiram, em vez de um par de meias ou de um livro da margarida rebelo pinto. assim, os pais oferecem o brinquedo que aparece no anúncio a que ele reage mais energicamente, os avós o brinquedo imediatamente a seguir, os tios, os padrinhos, etc, etc.. acontece isto todos os anos, uma joint venture para proporcionar às nossas crianças o mais cintilante brilho nos olhos, o mais rasgado sorriso, o mais apertado abraço e o mais sentido beijo de agradecimento. para mim, é isto o natal, dar uma enorme alegria às crianças, mesmo que três dias depois o brinquedo que lhes demos esteja já a um canto, avariado ou partido.
até ao nível das prendas de natal estamos sempre em constante evolução em termos geracionais. os meus pais provavelmente nem teriam direito a prendas no natal, dadas as dificuldades com que se debateriam os meus avós. a geração seguinte, a minha, também se debateu com muitas dificuldades financeiras, mas os meus pais nunca deixaram passar esta época sem uma lembrança, por mais insignificante que fosse. e nós também sabíamos que não podíamos almejar muito alto. na minha altura, não passavam nem 10% dos anúncios a brinquedos que hoje inundam os canais de televisão, lembro-me dos carrinhos majorette e matchbox, das garagens com andares de estacionamento de carrinhos, com elevador, do cubo mágico, mais tarde do spectrum (o saudoso spectrum), dos walkman, etc.. hoje, por estes dias, a geração dos meus filhos tem aquilo que nós, quando éramos da idade deles, queríamos ter. tentamos sempre fazer mais do que os nossos pais fizeram, ou puderam fazer... obviamente, também espero que o mesmo aconteça com os meus netos, quando chegar a altura dos meus filhos se debaterem com a lista de "exigências" no natal. era bom sinal...

musicas nas nuvens 2

as músicas que nos deixam nas nuvens:
slowdive - machine gun

segunda-feira, novembro 06, 2006

o sentido da vida

encontraremos, ao longo da nossa curta existência, tudo aquilo que procuramos? porventura nem as chaves do sótão conseguiremos encontrar, ou a chupeta da filha quando estamos à porta de casa, cheios de tralha, preparados para sair e só falta mesmo essa pequenina coisa para encurtarmos o nosso atraso de uma hora para 56 minutos.
amor? realização profissional? dinheiro? casa de praia? carro de alta cilindrada? amigos? um excelente spread no crédito à habitação? um empregado de café que nos traga realmente um café curto quando pedimos um café curto? acho que é colocar a faixa muito alta. deviamos contentar-nos apenas com o café curto. o amor é sobrevalorizado, com o tempo transforma-se apenas em respeito e consideração; o emprego é sempre mal pago; o dinheiro gasta-se em meia hora; a casa de praia no inverno fica inundada e exige reparações anuais caríssimas; o carro de alta cilindrada gasta muito combustível e basta um risco na porta para perder metade do valor comercial; ter amigos é sempre chato, porque os convidamos para ir jantar lá a casa e ficamos à espera três ou quatro anos que eles nos convidem para o mesmo. ou seja, nunca há retribuição à altura. e outra coisa, os amigos só estão de facto presentes quando sentem que precisam de nós para alguma coisa. logo que esse pequenito aspecto se esfume, deixamos de ter qualquer ponta de interesse; quanto ao spread bancário, tenho 34 anos e nunca entendi patavina sobre isso, deve ser apenas para pessoas inteligentes.
qual é o maior problema das pessoas hoje em dia? não terem tempo. nunca há tempo para nada. têm que chegar aos seus empregos a tempo, sair a tempo para almoçar, entrar novamente a tempo, sair a tempo de não apanhar trânsito, chegar a casa a tempo de fazer o jantar, arrumar a casa a tempo para ir dar banho aos filhos, deitar os filhos a tempo. uff... que canseira. chega o fim de semana e quando pensamos que vamos descansar... enganamo-nos redondamente. é ainda pior. porque há a casa para arrumar, aspirar, temos que cozinhar, limpar o chão, lavar a louça, etc.. no domingo então há sempre visitas de familiares, há que ser bom anfitrião, não deixar faltar nada na mesa, encher sempre os copos, ir buscar pão... em suma, uma grande estafa, ficamos ainda mais cansados do que se estivessemos a trabalhar.
na prática, quando é que uma pessoa tem algum tempo? no meu caso, com tudo isto que referi no parágrafo anterior, só tenho algum tempo quando toda a gente lá em casa está a dormir. é nessa altura que aproveito para ter algum tempo de qualidade. normalmente vejo séries como o seinfeld ou o friends, ou jogo playstation até cair para o lado, literalmente, com sono.
portanto, com tudo isto, o que restará procurar ou extrair mais desta vida se não há tempo para o fazer? amigos tenho os suficientes, não ando à procura; emprego tenho e gosto do que faço; dinheiro vai-se ganhando todos os meses, se tivesse mais também gastava mais, por isso...; casa de praia e carro de alta cilindrada dispenso, tenho a minha casita na cidade que gosto e dois carritos velhitos que ainda cumprem; amor? sim. saúde? sim.
agora, se me pudessem trazer o tal cafezito curto... se não for pedir muito...

musicas nas nuvens 1

as musicas que nos deixam nas nuvens:
antony and the johnsons - bird guhl

sexta-feira, novembro 03, 2006

misantropia

- mas o que é que ele tem?
- são parvoíces, não ligues.
- que raio de comportamento, não fala a ninguém...
- diz que a partir de agora vai ser apenas misantropo.
- vai-se dedicar à solidariedade e a ajudar os desfavorecidos?
- não pá. isso é filantropo. ele não quer ter nenhuma convivência social.
- ó diabo, isso é mau. para a semana vai haver o jogo de solteiros contra casados a seguir ao magusto. e ele até joga umas coisas.
- pois, mas podes esquecer. ele entrou naquilo a que ele chama de "disposição sombria do espírito".
- mas o jogo até vai ser disputado de noite. vai haver uma data de sombras...
- irra que és parvo, chiça! deixa lá o homem em paz. também acho uma parvoíce mas, como amigo, respeito as decisões dele.
- ele também sempre foi esquisito. cada vez que me lembro do tipo, no liceu, sempre de walkman nos ouvidos. ou no grupo de teatro e na escola de música. que paneleirices...
- pois, mas por qualquer motivo acabamos por nos tornar amigos dele. já o aceitamos como ele é há algum tempo. não adianta fingir agora que não o conhecemos.
- pois, mas a equipa dos casados vai ficar desfalcada...
- tens razão nisso. e temos que vingar a derrota do ano passado. vamos falar com o artur, que é bastante menos problemático. jogou no ano passado no cabanas de viriato. até é um tipo fixe.
- podes crer. na semana passada emprestou-me cd's dos iron maiden e um filme do steven seagal.
- ah grande artur! se jogar por nós ganhamos sem dificuldade. vamos lá a casa dele.
- dizemos alguma coisa antes de ir embora?
- não, deixa lá. ele nem vai dar conta que a gente cá esteve.

fade out again

Street Spirit (Fade Out)

Rows of houses all bearing down on me
I can feel their blue hands touching me
All these things into position
All these things we'll one day swallow whole
And fade out again and fade out

This machine will not communicate
These thoughts and the strain I am under
Be a world child, form a circle
Before we all go under
And fade out again and fade out again

Cracked eggs, dead birds
Scream as they fight for life
I can feel death, can see it's beady eyes
All these things into position
All these things we'll one day swallow whole
And fade out again and fade out again

Immerse your soul in love
Immerse your soul in love.


quinta-feira, outubro 19, 2006

escuridão total

ele não queria ser visto como um santo, uma espécie de anjo na terra. detestava simpatias forçadas e sorrisos amarelos. caminhava de cabeça baixa por não querer chocar com uma conversa banal ou cumprimentos institucionalizados. apenas queria ser ele mesmo, sem tentar agradar a ninguém, nem mesmo a ele próprio. todos os dias tinha que ver a mesma cara de manhã, as mesmas olheiras, os mesmos olhos cansados. os amigos foram passando, uns nem sequer um esforço fizeram para o compreender ou aceitar. não mendigava convites, não falseava atitudes, não aceitava hipocrisias. afastou-se. saiu de cena. sem dar explicações. também ninguém não as pediu. o impacto criado tinha sido insignificante, quase nulo. o rosto foi ficando cada vez mais fechado, o seu interior cada vez mais negro. o que antes era sangue transformou-se em poeira, o que antes era vida transformou-se em morte. amargurou por dentro. enrugou os tecidos que antes abrigavam o seu coração e... escureceu de vez.
será que ele alguma vez voltará?

terça-feira, outubro 17, 2006

disco da semana 2

Grandaddy
"Just like the fambly cat"
último disco dos grandaddy, banda californiana formada em 1992. da sua discografia constam "a pretty mess by this one band" (1996), "under the western freeway" (1997), "the sophtware slump" (2000) e "sumday" (2003). antes de lançar este novo disco, a banda anunciou o final da carreira, fazendo de "just like the fambly cat" o seu epitáfio. apontados como "the next big thing" em 2000, depois do magnífico "the sophtware slump", e muitas vezes comparados com bandas como the flaming lips, radiohead e mercury rev, os grandaddy saem agora de cena com um disco que potencia as virtudes do grupo, no seu estilo electro/pop/rock, fundindo arranjos electrónicos e sintetizadores com sons pungentes de guitarra, acompanhados da voz meiga e doce de jason lytle. os pontos altos do disco são "the animal world", "rear view mirror", "guide down tonight", "campershell dreams", "elevate myself" e "summer... it's gone" (tal como eles, infelizmente). vão deixar saudades...

disco da semana 1


richard hawley
"coles corner"
em termos vocais é uma espécie de paul buchanan (the blue nile) misturado com kurt wagner (lambchop), com laivos de nick cave, aqui e ali. nomeado com este album para os mercury prize deste ano, prémio vencido pelos arctic monkeys, richard hawley atinge finalmente o merecido reconhecimento, com canções introspectivas e sentimentais, envoltas num ambiente romântico suave e intimista. a voz do cantor domina completamente as atenções, cativando imediatamente com o seu timbre carregado e grave. no entanto, os arranjos de violino, presentes em todas as músicas, merecem igualmente destaque, criando uma simbiose perfeita, num puro deleite auditivo. em termos de canções, o destaque vai para "coles corner" (que dá nome ao disco), "the ocean", "tonight", "wait for me" e "born under a bad sign".

segunda-feira, outubro 16, 2006

esquecer...

esquecer... como se pode efectivamente esquecer alguém? afastamo-nos propositadamente dessa pessoa? pedimos um tempo? solicitamos uma deslocalização lá na empresa? comemos queijo desalmadamente durante uma semana?
tentamos enganar-nos prometendo a nós próprios que nunca mais vamos ligar a essa pessoa, quando interiormente desconfiamos que, ao mais insignificante motivo, lá cedemos e quebramos essa promessa. se essa pessoa faz parte da nossa vida, seja ela emocional ou profissional, ainda mais difícil se torna, porque esquecer uma pessoa que sabemos que não voltaremos a ver durante um largo período de tempo é substancialmente fácil (vejam o que sucedeu no psd, onde já ninguém se lembra do santana lopes, por exemplo). o mais difícil é mantermos as nossas convicções e resoluções. queremos esquecer uma pessoa mas não lhe queremos dar a entender que a queremos esquecer, porque isso seria a prova de como essa pessoa está a influenciar a nossa vida, ocupando quase metade do nosso cérebro e protagonizando 50% dos nossos pensamentos diários. entenderam? está confuso, admito.
o problema de tentar esquecer alguém de uma forma rápida e definitiva (como pretendemos) é que essa pessoa pode ficar-nos para sempre. porque um corte unilateral é sempre motivo de constantes perguntas do género: "estás chateado comigo?", "porque raio deixaste de me convidar para almoçar?", "porque não respondes aos meus sms?". teremos, então, de fazer algo que queremos evitar a todo o custo: dar uma explicação. porque na maior parte das vezes a outra pessoa não faz a mínima ideia do que se está a passar connosco e nem desconfia que a estamos a tentar esquecer. e explicar isso a alguém é uma tarefa quase impossível.
primeiro é preciso interiorizar que temos que sofrer para esquecer, reconhecer a doença é sempre a primeira parte de qualquer cura. é preciso esquecer devagar. não se pode esquecer alguém antes de terminar de a lembrar. não adianta forçar. para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, de momento em momento, na esperança de ele se cansar. quando conseguirmos passar, depois, um dia inteiro, sem pensar nessa pessoa, estamos no caminho certo. há-de haver recaídas, elas existem sempre, especialmente quando estivermos sós, a precisar de uma palavra, de um conselho, de conforto emocional. é nessas alturas que temos que pensar e aceitar que há lembranças e amores que necessitam do afastamento para poderem perpetuar-se. os grandes amores vencem o afastamento e a distância. há grandeza no sofrimento. sofrer é respeitar o tamanho e o significado que tem o amor que se vive. quando sabemos que não nos podemos continuar a enganar a nós próprios ao viver uma determinada relação, resta-nos aceitar a dor, enfrentando a mágoa que nos despedaça o coração, libertando-nos e libertando a outra pessoa.

sexta-feira, outubro 13, 2006

naquele lugar só nosso


conheço um lugar onde tudo parecerá certo. queria ter a possibilidade de te levar lá. lá contornaríamos a impossibilidade das coisas, poderíamos vencer a inevitabilidade do tempo, rir sem tapar a boca e abafar o som. lá estaríamos apenas nós a contemplar o pôr do sol, deitados a olhar o infinito em cima da relva fresca. o tempo vai-nos deixar ficar lá, para sempre, vamos alimentar-nos de palavras e olhares cúmplices, encher a alma e nascer de novo, nos braços um do outro. lá poderia estar sempre perto de ti para garantir que as únicas lágrimas que chorasses fossem de felicidade, nunca deixando que as nuvens habitassem a tua alma, escurecendo a tua natural incandescência. seríamos apenas nós. eu e tu! num cantinho só nosso, inacessível ao resto dos mortais.
vem cá ter... espero por ti!

sonhos

sonhos! quem não tem sonhos? e não estou a falar daqueles sonhos no sentido de aspirações, desejos (o chamado sonhar acordado). nesse género de sonhos eu hoje já ganhei o jackpot do euromilhões, fundei uma revista, tornei-me director dela, comprei um clube de video, uma casa nova para a minha familia, mais dois carros, uma lata de atum e um pacote de batatas fritas. estou a falar dos outros, os "inconscientes". uma pessoa deita-se, fecha os olhos, adormece e lá vêm eles. estranhos, esquisitos, sem qualquer vislumbre de lógica.
há quem diga que os sonhos são desejos reprimidos, recalcamentos, motivo pelo qual lhes dão inusitada importância. essas pessoas tendem a analisar os seus sonhos, têm um bloco de notas na mesinha de cabeceira para, quando acordarem, apontarem tudo para não se esquecerem, para no dia seguinte terem motivo de conversa no trabalho ou mesmo na consulta de psiquiatria. também há quem defenda que, enquanto se dorme, a alma sai do corpo e vai passear para outro mundo, regressando de madrugada a cheirar a tabaco e licor beirão. outra corrente de pensamento interessante defende que, num acto de machismo comovente e tocante, um homem que sonhe que a mulher é adúltera pode devolvê-la ao sogro na manhã seguinte.
mas, no fundo, o que são os sonhos? são puros disparates sem sentido (como os filmes recentes de david lynch). são poucos os sonhos que me lembro de ter tido. num deles sonhei com a mulher do jardel (a karen ribeiro ou metzenbacher ou lá o que é) e o que é que isso quer dizer? nunca vi a mulher ao vivo, mas já sonhei com ela. quer dizer que lhe quero saltar para a espinha? bem... talvez. outra vez sonhei que um vizinho meu queria à força estacionar o carro dele na minha garagem, oferecendo-me em troca uma robusta abóbora. num outro sonho, os meus pais estavam a chegar a minha casa para almoçar e ainda estava toda a gente a dormir lá em casa, a almoço por fazer, a mesa não estava posta, e eu levantei-me com o som da campaínha e... fui-me esconder na despensa até eles irem embora. enfim, tudo numa lógica acima da média.
um sonho é uma espécie de "chichi" cerebral. sonhar é um alívio. o cérebro fica com aquilo que precisa para pensar, lembrar, desejar, imaginar e organizar-se; o resto deita fora em forma de sonhos. admito que um sonho, tal como o citado "chichi", se possa analisar, mas daí a tirar as grandes ilações que por vezes se tiram, vai uma grande distância.
sonhos a sério são aqueles que se perseguem e constroem, como aquele de que tanto falava o martin luther king quando dizia "I have a dream". os outros são balelas psicológicas que o nosso cérebro nos impinge, enquanto vai passear fora do nosso corpo.

quinta-feira, outubro 12, 2006

irmão gémeo?


ontem, dia 11 de outubro, a minha irmã fez 31 anos. a minha família reuniu-se, como é tradição, para festejar, com um jantar, a passagem de mais um aniversário. a coisa correu bem, como sempre, bacalhau com natas, casal garcia, tinto alentejano... a minha irmã não toca em bebidas alcoólicas, de forma que ela e os miúdos (que já são quatro, sendo 2 filhos para cada irmão) beberam sumos e néctares. numa rápida consulta, a meio da noite, pelos canais nacionais, na sic estava a passar a novela "cobras e lagartos" (uma das quinhentas novelas brasileiras que aquele canal é obrigado a transmitir, à luz do contrato que tem com a rede globo). pois bem, repararam certamente na informação preciosa que eu dei há momentos, sobre a minha irmã não beber bebidos alcoólicas, que até parecia gratuita e supérflua à primeira vista mas que passa a fazer sentido nos próximos segundos: espectadora assídua desta novela, a minha irmã acha que eu sou extremamente parecido com o tipo da fotografia agrafada a este post. o actor chama-se henri castelli e na novela, pelos vistos, interpreta a personagem "estevão". detivemo-nos por mais uns minutos a ver o programa e, passados uns minutos, também a minha mulher começa a ver algumas semelhanças faciais, nomeadamente do nariz para cima (olhos, testa, entradas, cabelo), considerando, todavia, que tenho uma boca e uns lábios muito mais sexy's do que o actor (lá está, a minha mulher, no que toca a bebidas, não é nada parecida com a minha irmã).
como ela fazia anos, dei-lhe um desconto. estava animada e feliz por fazer anos (e ainda por cima fazia também aniversário de casamento - 9 anos). de certeza que amanhã, quando regressar à normalidade e estiver a ver o "um contra todos" na rtp, me vai achar parecido com o josé carlos malato...

quarta-feira, outubro 11, 2006

perguntas

perguntas sem resposta (aparente):
(em jeito de homenagem ao blog "perguntar não ofende")

- quantos mais homens vão ser "o homem da vida" de elsa raposo?
- a floribella terá fim ou só quando os seus actores aprenderem a representar?
- o santana lopes ainda terá lata para voltar a aparecer no meio político?
- os criadores da telenovela "jura" não sabiam que era preciso escrever um argumento?
- o valentim loureiro é verdadeiramente o tony soprano português?
- o caso "casa pia" só terá fim quando os acusados morrerem de velhice?
- alberto joão jardim proferirá, algum dia, qualquer coisa inteligente e ponderada?
- quando é que começa a passar na rtp a terceira série do "lost"?
- porque é que não convidam a catarina furtado para ser concorrente no "dança comigo"?
- haverá alguém em portugal que nutra alguma simpatia pela júlia pinheiro?
- o desfile de aniversário da sic era uma tentativa de realizar o evento mais patético de sempre em televisão?

ser pai

não há como ser pai para finalmente podermos ver os nossos próprios defeitos. os meus filhos estão bem divididos em termos genéticos. o rapaz sai ao pai, a menina sai à mãe, tanto fisicamente (como convém), como psicologicamente. o pedro é, como diz a mãe, tal e qual o pai e, como tal, torna-se difícil repreender ou reprimir um comportamento que eu entendo e pratico, mesmo inconscientemente. e ele sabe isso, aproveitando-se deste meu "calcanhar de aquiles" para "usar e abusar" da minha paciência. reage mal ou não reage de todo quando confrontado com alguma autoridade mais evidente. gosta de fazer as coisas no timing dele, sem pressões, sem constantes apelos à rapidez. gosta é de jogar playstation (quem é que o pode recriminar?), ver televisão, os filmes que lhe estou contantemente a comprar (há dias comprei os dois "toy story" em dvd, que acho essenciais naquele género cinematográfico), de andar de bicicleta, de brincar com as centenas de brinquedos que tem no quarto. raramente quer sair de casa ao fim de semana, prefere sempre ficar em casa (mais uma vez, ninguém o pode censurar). cede neste aspecto quando lhe dizemos que vamos comprar alguma coisa para ele ou para a mariana. sim, o materialismo está bem vincado já na sua personalidade. o natal está a chegar e ele já anda a consultar catálogos e folhetos dos hipermercados e toys are us.

a escola começou há um mês. nas breves conversas que tenho com a professora dele, ela entende que o pedro é muito brincalhão e distraído, que está sempre na brincadeira, em vez de se aplicar a fundo nas aulas. em casa, fazer os trabalhos é sempre uma maçada e qualquer coisinha insignificante serve para o distrair do que está a fazer, como uma mota a passar na rua ou o camião que vem recolher o lixo. nós "apertamos" com ele, fazemos-lhe ver que já tem responsabilidades, que tem de ser mais aplicado e atento. ele entende e aceita, mas no dia seguinte faz precisamente os mesmos erros e tem a mesma atitude. é um castigo para nós e para ele os trabalhos de casa. apenas posso imaginar como será o seu comportamento na sala de aula e o que "sofre" a professora (mas também é a profissão dela e está lá para isso mesmo; certamente que haverá alunos mais problemáticos do que o meu filho).

não posso deixar de me sentir "culpado" por ele ser assim. são os meus genes a interferir. ele tem as suas prioridades, próprias da sua idade. quer brincar, ver televisão, jogar, andar de bicicleta. sabemos que não poderemos forçar demasiado o seu sentido de responsabilidade, sob pena de ele se revoltar e agir precisamente ao contrário do que nós queremos. vamos confiar nele e nas linhas orientadoras que lhe incutimos até agora. sabemos que ele não nos vai decepcionar; apenas está a devorar a vida, a saborear o facto de ser uma criança. e isso é saudáve!
quero chegar a casa e brincar ou jogar playstation com ele, ver um filme ou televisão com ele. não tenho personalidade nem postura para ser um pai severo e castigador. já tentei mas ele não me leva a sério. sabe que sou feito do mesmo material que ele...

terça-feira, outubro 10, 2006

o sexo

ja alguém me disse que este blog é giro (ainda bem que não utilizaram termos com "fofo" ou "querido"), que cobre algumas áreas culturais e tal, tem alguma opinião, alguma ironia às vezes. no entanto, essa mesma pessoa queixou-se que existem poucas referências a... sexo. facilmente chegamos à conclusão que a pessoa que me disse tudo isto é um homem. é um factor sempre presente nas nossas vidas. os homens ficam loucos com decotes, mini saias, calças de ganga apertadas a realçar o rabo, etc.. as mulheres até podem pensar da mesma forma em relação aos homens, mas essas sensações são facilmente postas de lado se virem uma montra de uma sapataria ou de um pronto a vestir. o corpo masculino não é, vamos lá ser sinceros, nada de especial. não temos seios salientes, rabos espetados ou que encham umas calças de ganga, temos pelos no peito, etc. e tal. o corpo feminino é, por outro lado, simplesmente inebriante. claro que as mulheres podem sempre contradizer-me e dizer exactamente o contrário. mas a questão é que cada homem deve pensar em sexo cerca de 50 vezes por dia, enquanto as mulheres devem pensar apenas umas 3. como disse jerry seinfeld, num dos episódios de "seinfeld":
"o conflito básico entre homens e mulheres, do ponto de vista sexual, é que os homens são como os bombeiros: para nós o sexo é uma emergência e independentemente do que estivermos a fazer conseguimos estar prontos em dois minutos. as mulheres, por seu turno, são como o fogo. são muito excitáveis, mas têm de estar reunidas as condições exactas para que aconteça".

basta compararmos igualmente o comportamento de homens e mulheres numa discoteca, por exemplo, num sábado à noite. os homens solteiros andam em grupos grandes, aos encontrões, aos grunhidos a maior parte das vezes, todos desorganizados, sem saberem para onde ir, geralmente com copos na mão e um aspecto miserável. as mulheres solteiras andam em grupos pequenos, o guarda roupa mantém-se impecável a noite toda, a maquilhagem idem, são observadoras, sabem esperar, ponderadamente, pelo momento certo, caso encontrem algo de que gostem. no fundo, comportam-se ambos como as nossas células sexuais. os homens são os espermatozóides, aos encontrões, desorganizados, numa corrida louca em busca de algo; as mulheres são o óvulo, ficam à espera, calmamente. quando os espermatozóides chegam dizem:
- "bem, qual destes é que vai ser? tenho mesmo que escolher? posso esperar mais um mês. é melhor esperar. há tempo".
pronto, já abordei o tema "sexo" no blog. agora sim, isto vai avançar. oh se vai!

I see a darkness
















"I see a darkness" - bonnie "prince" billy

Well, you're my friend
And can you see
Many times we've been out drinking
Many times we've shared our thoughts
But did you ever, ever notice, the kind of thoughts I got
Well you know I have a love, a love for everyone I know
And you know I have a drive to live I won't let go
But can you see this opposition, comes rising up sometimes
That dreadfull imposition, comes blacking in my mind

And then I see a darkness
And then I see a darkness
And then I see a darkness
And then I see a darkness
Did you know how much I love you
Is there hope that somehow you
Can save me from this darkness

Well I hope that someday buddy
We'll have peace in our lives
Together or apart
Alone or with our wives
And we can stop our whoring
And pull the smiles inside
And light it up forever
And never go to sleep
My best unbeaten brother
This isn't all I see

I know, I see a darkness
I know, I see a darkness
I know, I see a darkness
I know, I see a darkness
Did you know how much I love you
Is there hope that somehow you
Can save me from this darkness

o video, ao vivo, desta música, pode ser visto em:
http://www.youtube.com/watch?v=OzF09GHuDt0

a versão ao vivo perde um bocado para o original, portanto, se puderem, tentem ouvir o original. e já que estão com a "mão na massa", há músicas muito interessantes de bonnie "prince" billy para ouvir, como "you will miss me when I burn", "gulf shores", "beast for thee", "bed is for sleeping", "hard life", "wolf among wolves", "madeleine-mary", etc..

segunda-feira, outubro 09, 2006

bonnie "prince" billy


se este blog fosse uma espécie de magazine cultural, ao estilo do "acontece", e eu uma versão do carlos pinto coelho, por hoje já teríamos enchido o programa. televisão, cinema e agora música. o disco recomendado esta semana (caramba, parece mesmo um programa de televisão!) é este:

"the letting go", de bonnie "prince" billy.

(agora vem a parte em que se debitam algumas palavras sobre o artista)

bonnie "prince" billy é, basicamente, will oldham, músico que também já editou trabalhos com o nome de "palace", "palace songs" e "palace brothers". confusos? é mesmo para estarem. nascido em louisville (e.u.a.), will oldham trabalhou na década de 80 e inícios da de 90 como actor. em 1992 decide tentar a música, estreando-se como "palace songs", com o single "ohio river boat song"; no ano seguinte editou o seu primeiro album, "there is no-one what will take care of you", já como "palace brothers". em 1995, novo album, "viva last blues", já sob o nome de "palace music". em 1997 lançou "joya", um disco privilegiado porque foi o primeiro e único a levar o verdadeiro nome do artista na capa. todavia, a partir de 1998, todo o trabalho e as várias colaborações do cantor começaram a ser creditadas ao nome bonnie "prince" billy. albuns como "black dissimulation", "I see a darkness", "ease down the road" e "master and everyone" foram cimentando a carreira do artista, sempre com excelentes avaliações por parte da crítica especializada, rendida já ao seu potencial. em 2004 surgiu uma espécie de colectânea, "bonnie "prince" billy sings greatest palace music", em que regravou músicas antigas do seu repertório, para, em janeiro de 2005, lançar "superwolf", um dos seus discos mais aclamados pela crítica, que se referiu ao mesmo como "reflective, bittersweet, and achingly melodic, it was praised as one of the year's first truly strong albums". finalmente, em setembro deste ano, apareceu este "the letting go", disco que me levou a escrever tudo isto.

bonnie "prince" billy vai crescendo dentro de nós, não é daqueles sons imediatos, que se consomem imediatamente mas que também enchem rapidamente. vai-se gostando mais de cada vez que se ouve. recomendo!

"o filme"


revi "cyrano de bergerac" no fim de semana.
voltei a ficar com a sensação de que é este "o filme". dezasseis anos depois, continua a despertar as mesmas emoções, a comover e a apaixonar... gérard depardieu é assombroso como cyrano, a realização é eficiente, a fotografia excelente. já dissertei bastante sobre este filme neste blog. o post serve apenas para confirmar, em absoluto, que este é mesmo o meu filme preferido de todos os tempos!

novo vício


NIP/TUCK

comprei a primeira série em dvd. lá em casa ficamos rendidos e "despachamos" os 13 episódios em 4 dias! entra directamente para o top ten das minhas séries preferidas, onde já estão lost, 24, sopranos, friends, seinfeld, curb your enthusiasm, six feet under, house e family guy.

quarta-feira, outubro 04, 2006

as praxes académicas

"Ex-caloira pede 70 mil € de indemnização ao Instituto Piaget
- Uma ex-caloira do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros que se queixou de abusos nas praxes em 2002 pede uma indemnização de quase 70 mil euros ao estabelecimento de ensino, anunciou a aluna. Em declarações à Lusa, Ana Sofia Damião disse sentir-se "lesada" pela forma como a direcção do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros conduziu o caso e quer ser ressarcida por alegados "danos morais e patrimoniais". A ex-aluna do Piaget, que se encontra a concluir um curso de Farmácia noutra instituição, decidiu avançar com um pedido de indemnização no valor de quase 70 mil euros num processo cível que começa a ser julgado amanhã no Tribunal de Macedo de Cavaleiros. Esta é a segunda vez que Ana Sofia Damião recorre à justiça, depois de o mesmo tribunal ter decidido, em Novembro de 2004, não levar a julgamento um processo-crime por entender "não haver matéria para levar adiante as acusações" aos dez alunos investigados. A antiga caloira acusou colegas dos segundo e terceiro anos do curso de Fisioterapia de, durante a recepção ao caloiro em Outubro de 2002, a terem obrigado a praticar "actos humilhantes" como a "simulação de actos sexuais e nudez em público". O caso motivou a intervenção da Inspecção-Geral de Educação, que enviou um relatório à Procuradoria-Geral da República, e um processo interno de averiguações no Piaget, que culminou em repreensões escritas aos alunos identificados. A própria caloira foi também repreendida pela exposição pública que fez dos factos. A repreensão de que foi alvo é uma das razões que Ana Sofia Damião alega para avançar com o pedido de indemnização, por entender que "a escola não teve uma postura correcta, o que criou um ambiente hostil na escola e fez com que tivesse desistido do curso". Na sequência deste caso, o Instituto Jean Piaget abriu um debate nacional sobre a problemática das praxes, que levou à elaboração de uma carta de princípios reguladores destes rituais académicos nos seus estabelecimentos de ensino superior".
- notícia de 4 de outubro 2006.

vergonhoso! as praxes são meros pretextos para que pessoas com mentalidade perversa e tortuosa, devidamente autorizados pela sociedade e pelas instâncias universitárias, que "fecham os olhos" a tudo em nome do espírito académico, perpetuem e instiguem actos vergonhosos, censuráveis e condenatórios. humilhar alguém em praça pública é algo que deve dar algum gozo a esse género de pessoas, sobretudo quando no ano passado foram eles os humilhados. é um ciclo vicioso: quem foi humilhado, humilha nos anos seguintes. pura parvoíce, idiotice e, acima de tudo, reveladora do espírito infantil, irresponsável e depravado de muitos desses estudantes. podem dizer que é tradição, que é o espírito académico... para mim, tudo isto leva a excessos, as praxes resultam em casos como o relatado neste post, as latadas e os desfiles académicos não passam de centenas de jovens com latas de cerveja na mão, a caírem de bêbedos, a conspurcar tudo o que encontram pela frente, as semanas académicas idem...
andamos a criar os nossos filhos para depois os vermos a fazer estas figuras, com o beneplácito das escolas e das universidades?
felizmente, o último parágrafo da notícia transcrita em cima leva-nos a ter alguma esperança. acho bem que regularizem estes actos. afinal, a época medieval já lá vai...

revistas femininas


há dias acompanhei um amigo a um laboratório de análises clínicas. ainda estivemos por lá uma meia hora, espaço de tempo que eu aproveitei para folhear algumas revistas expostas na sala de espera. a predominância literária ia claramente para as revistas femininas e cor de rosa. as revistas femininas, activa, máxima, cosmopolitan, vogue, etc., são o género jornalístico com mais "certezas" e "verdades inquestionáveis" por metro quadrado. elas dão conselhos de beleza, dicas sobre os melhores acessórios, a lingerie mais adequada para qualquer situação. enfim, todas as mulheres (sim, mesmo a teresa guilherme e a odete santos) podem ser belas e charmosas se seguirem os conselhos da revista sobre os cuidados de beleza feminina. é fácil ser bonita, perder a celulite em duas semanas, as rugas em dois meses, etc.. curiosamente, quase sempre os editoriais destas revistas apregoam que só os homens insensíveis acham que as mulheres precisam de ser bonitas...

depois lá estão sempre as mesmas rubricas em todas: os editoriais desprovidos de conteúdo, que se acabam de ler e cinco minutos depois já não nos lembramos de nada (se os editoriais servem para marcar uma posição redactorial, para assumir ideias, para quê este esmero com que nas revistas femininas se produzem editoriais sobre coisa nenhuma, verdadeiro pudim de banalidades a demonstrar como a escrita pode ser uma coisa rigorosamente inútil?); a secção "mulheres que se destacam" ou "mulheres que são notícia", como se elas fossem uma raça inferior e seja necessário realçar quando efectivamente conseguem algum protagonismo; os artigos de opinião de cerca de meia dúzia de indefectíveis, com tempo de antena em todas as revistas do género: rita ferro, margarida e clara pinto correia, margarida martins, margarida rebelo pinto (e já vou na terceira "margarida"!); as "reportagens" sobre temas da sociedade que afectam as mulheres, do género "recomeçar aos 40", "sexo no emprego", "apaixonei-me pelo meu melhor amigo", "como combater a rotina", etc., tudo baseado em "testemunhos" palpitantes e espontâneos, dum realismo impressionante, de pessoas como a "maria, 36 anos, enfermeira", "ana, 44 anos, veterinária" ou a "justina, 31 anos, secretária" (será que estas pessoas existem mesmo ou são apenas alter egos da redactora do texto?). a receita consiste em pôr na boca das imaginárias fontes o que as leitoras gostariam de dizer, sem se atreverem a tal.

outro tema sempre presente é o sexo. não pode faltar. a eterna questão do prazer feminino continua a ser a inspiração para milhares de textos. dá a impressão que esta gente quer transformar o sexo numa ciência exacta, com laivos de tese de doutoramento. no futuro teremos uma geração de mulheres que vai para a cama com o código dos direitos sexuais femininos e anuncia, logo de entrada: "fica sabendo que as minhas zonas erógenas são aqui, ali e acolá, o vocabulário que me excita é este e não aquele, o meu orgasmo é do tipo clitoridiano e, segundo o meu médico assistente, o meu tempo médio de aquecimento é de 11 minutos e quarenta".

terça-feira, outubro 03, 2006

a musica mais triste

"mysteries of love", uma versão de antony and the johnsons do clássico da banda sonora de "blue velvet", cantada originalmente por julee cruise, com letra de david lynch, realizador do filme, e música do compositor angelo badalamenti. a música, não na sua totalidade, pode ser ouvida aqui:
http://www.theworldofadam.com/mystery.html
site do artista adam shecter, que criou animação em flash para várias músicas de antony and the johnsons.
"mysteries of love" é pura emoção, um sentimento pungente que nos atravessa o corpo como um raio de luz. fala de um amor vivido num mundo à parte, entre duas pessoas conscientes de que têm tudo na outra pessoa e que isso é suficiente para voarem bem alto, como se tivessem asas, passando acima das nuvens e enfrentando juntos o desconhecido e o... mistério do amor.

Mysteries of Love
(Lyrics by David Lynch, Music by Angelo Badalamenti)

Sometimes
A wind blows
And you and I
Float
In love
And kiss forever
In a darkness
And the mysteries of love
Come clear
And dance
In light
In you
In me
And show
That we
Are Love

Sometimes
A wind blows
And you and I
Float
In love
And kiss forever
In a darkness
And the mysteries of love
Come clear
And dance
In light
In you
In me
And show
That we
Are Love

sexta-feira, setembro 29, 2006

24


estou completamente viciado nesta série. a temporada que passa actualmente na 2:, às quartas-feiras, é sem sombra de dúvida a melhor até agora, daí que entre as 22h30 e as 23h20 desse dia eu esteja incontactável para o resto do mundo. são cinquenta minutos ansiados durante toda a semana e vividos intensamente. premiada recentemente com 5 emmy's, "24" relançou a carreira de kiefer sutherland, que veste na série a pele do agente jack bauer, que é uma espécie de reinvenção de james bond (até as iniciais são as mesmas), liderando um elenco de ilustres desconhecidos. na actual temporada, até um actor "irritante" como julian sands consegue ser bastante credível e eficaz como o mau da fita, bierko, que planeia actos terroristas nos estados unidos da américa. para dar um toque de credibilidade ao argumento, até o presidente dos e.u.a. parece ter sido criado à imagem do verdadeiro, george w. bush, um homem incompetente, mentiroso e inseguro.
resta saber como é que jack bauer e o CTU vão evitar que bierko concretize os actos terroristas em território americano. na próxima quarta-feira lá estarei, pronto para mais emoções fortes, à frente do televisor.

beyonce


"Beyoncé actua em Portugal no próximo ano.
A cantora norte-americana Beyoncé actua em Portugal em Maio do próximo ano. A data é avançada pelo site oficial da artista, que se desloca ao Pavilhão Atlântico, Lisboa, a 24 de Maio.A estreia da ex-Destiny´s Child no nosso país insere-se na digressão europeia de promoção ao álbum «B´ Day», o segundo disco a solo de Beyoncé".
notícia de hoje, dia 29 de setembro, na imprensa nacional.

a questão que se pode colocar, vendo várias imagens da cantora em palco, nomeadamente a que se agrafa a este post, é a seguinte: a promotora do espectáculo oferecerá lenços de papel ou toalhetes à entrada?

"queiséééé"

momento mais cómico de cada dia:
no final de cada dia de trabalho, vou buscar os meus filhos: o pedro, de 7 anos, ao ATL e a mariana, de ano e meio, à ama. depois de colocados os respectivos cintos de segurança em cada uma das cadeirinhas, entro no carro e ligo o auto-rádio. ponho o carro em andamento e a música começa a ouvir-se: "I remember when, I remember, I remember when I lost my mind". é o "crazy", dos gnarls barkley. olho para trás e vejo o entusiasmo que os primeiros acordes do tema provoca neles. a mariana bate os pés na cadeirinha e abana a cabeça; o pedro tenta imitar os gestos usuais dos rappers que costuma ver nos telediscos. chegado o primeiro refrão... começa a gargalhada. a mariana canta "queiséééé", o pedro ri-se como se não houvesse amanhã, eu tento manter a compostura ao volante, embora me ria como um doido. depois vem a parte do "c'mon now, who do you, who do you, who do you think you are, ah, ah, ah, bless your soul" e aqui ninguém consegue conter-se. a mariana balbucia algo como "udiu, udiu, udiu" e depois imita na perfeição o "ah, ah, ah". impagável!
têm sido assim os meus finais de tarde, na melhor companhia possível, com boa disposição e, sobretudo, uma potencial cantora de prestígio.

quinta-feira, setembro 28, 2006

viver de ilusões

dias sorumbáticos, introspectivos e frios.
dias de recordações e de tristes ilusões.
dias de histórias de amor imaginadas.
dias de desilusões e amarguras reacendidas.

"é triste viver de ilusões".
o victor espadinha não diria melhor em "recordar é viver". ah grande victor espadinha! grande musicão! intemporal! "mas tu foste a mais linda história de amor que um dia me aconteceu... e recordar é viver, só tu e eu". lindo (e não estou a ser irónico!). marcou uma geração.

esta tem sido a banda sonora dos meus últimos dias. músicas que apetece ouvir repetidas vezes. ao som delas a minha mente voa, deseja, anseia, ilude-se...
1. mysteries of love - antony and the johnsons
2. this love - elizabeth fraser/craig armstrong
3. abandoned masquerade - diana krall
4. natasha - rufus wainwright
5. more than this - the cure
6. my love - mercury rev
7. god with no tear - antony and the johnsons
8. memphis skyline - rufus wainwright
9. fake plastic trees - radiohead
10. anniversary - the cure
11. dinner at eight - rufus wainwright
12. departure bay - diana krall

uma mulher (2)



depois de monica bellucci... catherine zeta jones!!
já ganhou um óscar (melhor actriz secundária em "chicago"), casou com um homem com o dobro da sua idade (michael douglas), já teve dois filhos... mas continua bela e deslumbrante.

quarta-feira, setembro 27, 2006

antony and the johnsons














recomendação: se procuram algo intenso, apaixonante, vibrante, cheio de sentimento, paixão, amargura e emoção, ouçam "I am a bird now", dos antony and the johnsons. é daqueles discos que se ouve vezes sem conta e se vai amando cada vez mais, em que antony hegarty canta o sofrimento como ninguém, em músicas magistralmente trabalhadas e orquestradas. o disco venceu o mercury prize do ano passado, que premiou o melhor disco de 2005. tem preciosidades como "bird gherl", "man is the baby", "hope there's someone", "you are my sister", com boy george, "spiralling" e "what can I do?", com rufus wainwright.
o som criado por esta banda é incomparável na cena musical actual, tal como a potente voz de antony, que a cantora e compositora diamanda galás definiu assim: "every emotion in the planet is in that gorgeous voice". a rolling stone disse: "antony is the dominant voice of solitude and agonized waiting". será preciso acrescentar mais alguma coisa? acredito que vão gostar de conhecer e sentir antony and the johnsons!...
se quiserem depois "investigar" a carreira da banda, aqui fica a discografia:
o primeiro album foi "antony and the johnsons", de 2000. os antony and the johnsons lançaram ainda dois ep's: "I fell in love with a dead boy" e "the lake".

terça-feira, setembro 26, 2006

a nossa essência

vários escritores, romancistas e alguns canalizadores, apontam frequentemente que o homem só se conhece verdadeiramente em duas situações: quando está sob a ameaça de uma arma ou quando quer conquistar uma mulher. ou seja, a maneira como reage define o tipo de homem. há ainda uma terceira situação, embora seja apontada apenas por cientistas eslovacos: como o homem reage quando, num café, pede uma coca-cola e lhe trazem pepsi. para já, vamos deixar de lado esta terceira situação, pese embora toda a sua relevância.
toda a gente pode argumentar que ambas são situações de descontrole emocional, em que os instintos e os nervos falam mais alto. mas o verdadeiro descontrole é mesmo o homem. em ambos os casos, o controle aparente é... o disfarce. no primeiro caso, a pergunta que se pode fazer é: estaremos preparados para a eventualidade de morrer daqui a cinco minutos? claro que não, talvez em vinte se pudesse arranjar alguma coisa. ameaçados por uma arma estamos perante uma possível finitude, um encerramento perpétuo e definitivo do que fomos, do que construímos. e como reagiremos? em quem pensaremos? que contas deixaremos por pagar?
é impossível prever a nossa reacção. no fundo, tudo residirá no facto de termos coragem ou não para ripostar, para lutar pela vida. ou se, pelo facto de ripostarmos e lutar pela vida, não acabamos por apressar ainda mais as coisas e ainda chegamos ao céu antes de servirem o jantar.

na segunda situação, a maior parte de nós porta-se como um pateta. falsos encontros casuais diários cuidadosamente arquitectados, perseguições de carro, telefonemas constantes (mesmo anónimos), esperas junto da casa dela para ver se ela entra com algum outro homem, noites inteiras sem dormir a pensar no que dizer no próximo "encontro casual", em outras maneiras de a impressionar sem ser com o 18 que tivemos no curso de dactilografia. este imbecil - e não o cidadão adulto, respeitável, razoável, comedido - somos nós, quando nos apaixonamos. tudo o resto é fingimento. se calhar, é neste tipo de situações que acabei de relatar que somos mesmo nós, na nossa essência. obviamente, não somos todos iguais e, tal como na situação da morte à frente dos olhos, neste caso também há inúmeras possibilidades de reacção. também há os discretos, os que amam mas nem às paredes confessam, os que estão apaixonados mas só revelam a alguns muros e janelas. pois, somos todos diferentes e reagimos de maneira diferente.
mas, também vos digo, se me derem a tal pepsi no café, depois de eu ter pedido coca-cola, podem crer que... a bebo, resignado, sem levantar ondas. não sou desse género. infelizmente.

segunda-feira, setembro 25, 2006

gerador de antipatia

por saber exactamente como vou ser atendido e tratado, costumo frequentar quase sempre os mesmos cafés, restaurantes, clubes de vídeo, lojas de revistas, etc.. isto porque quando experimento deslocar-me a um sítio diferente sou quase sempre tratado abaixo de cão. as pessoas são antipáticas, mal humoradas, anti profissionais. numa pastelaria, inclusivamente, que raramente frequento (nem nunca mais lá pus os pés novamente), cheguei a ser atendido por uma moça, ao balcão, que me perguntou o que é que eu queria enquanto tentava tirar qualquer coisa com o indicador da sua narina esquerda.
até para meter gasolina costumo ir sempre ao mesmo sítio. quando, por imperativos vários, tenho que me deslocar a um outro posto de abastecimento, acontece sempre algo desagradável. eu tenho o hábito de sair do carro e meter eu mesmo o combustível no carro, para não perder tanto tempo. o procedimento habitual é simples: tirar a mangueira, colocar a quantia pretendia na máquina, meter a gasolina, pagar e pirar-me. nesta situação específica a máquina não me estava a deixar colocar a quantia pretendida, embora eu tentasse repetidamente fazê-lo. o funcionário do tal posto, que até devia sentir-se grato por eu estar a fazer o seu trabalho, a cerca de 10 metros de mim, começa a berrar: "eh pá, escusa de estar aí a tentar fazer isso porque as máquinas estão avariadas, pá"... (!!!)
1º. se há coisa que me irrita é que pessoas, que não me conhecem de lado nenhum, me tratem por "pá". considero isso uma falta de consideração e de educação extremamente grave;
2º. eu não sabia que as máquinas estavam avariadas, precisamente porque não foi colocado nenhum papel a avisar.
3º. eu estava a tentar reduzir o trabalho do tal funcionário ao mínimo. neste caso, ele só teria que estender a mão e receber os meus 30 euros, sem ter que dizer nada, como normalmente acontece.
é claro que eu sei que o tal funcionário nunca iria falar assim a um tipo que estivesse de fato e gravata e tivesse um bmw ou um audi. e a funcionária do balcão da tal pastelaria também nunca procederia daquele modo (quando muito, coçava a cabeça). mas é assim... eu chego a um sítio novo e levo sempre com cartões de visita deste género.
eu não sou, de certeza absoluta, a pessoa mais simpática do mundo, longe disso (numa tabela classificativa à escala mundial, ficaria atrás do alberto joão jardim e do josé saramago). acho, todavia, que toda a gente merece ser tratada da mesma forma. por isso, funcionários das pastelarias, cafés, restaurantes, postos de combustíveis, etc., façam o favor de desprezar e de serem igualmente malcriados para com todos os outros clientes. eu não quero ter essa primazia.

sexta-feira, setembro 22, 2006

seca confortável

a grande diferença entre um homem solteiro e um homem casado:
um homem solteiro, quando ouve falar numa festa que se vai realizar em casa de um amigo, pergunta logo se vão lá estar muitas mulheres, de preferência igualmente solteiras e extremamente atraentes, do género de nos conseguirem desviar a atenção da televisão quando está a dar a final do mundial de futebol e vai ser marcado um penalty no último minuto.
um homem casado, perante o mesmo cenário, pergunta logo se lá vão estar outros homens, para ter alguém com quem conversar, dado que é certo e sabido que as mulheres vão por-se à conversa durante horas, deixando de lado os homens. atenção que eu não quero generalizar nesta matéria, mas comigo é assim que se passam as coisas, sobretudo quando elas trabalham todas no mesmo sítio e têm assuntos de sobra para falar (enfermeiros atiradiços, médicos "bons como o milho", quem anda a enganar quem...).
ou seja, nós, homens, passamos grande parte da nossa vida a procurar por mulheres, em festas, em discotecas, no departamento de bioquímica da universidade de trás-os-montes, na body shop da rua direita, nos escritórios de advogados, etc.. a partir de certa altura, ou seja, do casamento, começamos a virar a nossa atenção para outros pormenores. é que os homens solteiros avaliam os eventos sociais somente pela quantidade e qualidade das mulheres que vão lá estar. é o que eles perguntam antes de ir e do que falam quando regressam. não importa qual o acontecimento, até pode ser um funeral. os homens casados só pretendem minimizar a seca que têm a certeza que vão apanhar. havendo nessa festa outros homens com o mesmo "problema" é reconfortante. é uma questão de equilíbrio. há um ratio homem/mulher que nos deixa confortáveis e que nós estamos sempre a verificar.
mas claro, tudo isto é secundário se estiver a dar um jogo de futebol na televisão que nos ocupe o tempo durante 2 horas...

o dilema do casaco

a transição verão/outono provoca sempre as mesmas questões quando se pretende ir jantar fora. "estará frio?", "fará frio mais tarde?". na minha profunda sabedoria, fruto de anos de estudo e investigação na área da meteorologia, digo quase sempre: "não sei".
depois vem sempre o dilema do casaco. a minha mulher nunca acha que está frio suficiente para se dar ao trabalho de vestir um casaco. por ela andava sempre de manga curta. o mais estranho é que tem montes de casacos e quando surgem situações deste género diz quase sempre: "não tenho nenhum casaco que fique bem com esta roupa". é fatal! portanto, a capacidade de aguentar temperaturas baixas está estreitamente relacionada com as chamadas regras de vestuário. o casaco até pode ser quentinho, mas ela pensa que fica gorda com ele e não condiz com nada que tem vestido. nesse caso, prefere gelar e apanhar uma gripe a destoar peças de vestuário, sujeitando-se a ouvir comentários maliciosos de outras "escravas da moda".
eu, por outro lado, tenho em mente o meu próprio interesse. sei que me constipo 228 vezes por ano e, como tal, sei que mais tarde, vai estar mais frio e vou ter necessidade de vestir um casaco. quando ela tiver frio, tenho de fazer o gesto de cavalheiro, que sou, de tirar o meu casaco e de o colocar sobre os seus ombros. o gesto é bonito, galante e charmoso, mas caramba... era escusado. quer dizer, se fossemos apanhados por uma inesperada chuva de granizo, ou o país fosse invadido e tivéssemos de fugir repentinamente com apenas a roupa do corpo, eu não teria qualqur problema. dar-lhe-ia o meu casaco instintivamente. mas neste caso temos escolha. estamos frente a um roupeiro com dezenas de artigos e acessórios protectores para cada variação potencial de cinco graus de temperatura: camisolas, cachecóis, blusões, luvas. mas não. "eu fico bem", diz ela.
e assim saímos de casa. mais tarde, quando vem o mais que provável frio, tendo em conta que estamos já no outono, os dias quentes já se foram, ela já não se importa se o meu casaco condiz com alguma coisa que ela tem vestido. de certeza que lhe fica pior do que qualquer outro casaco que ela tem em casa, mas, apesar disso, está tudo bem, porque as pessoas sabem o que se passa. não a vão criticar. quando se vê uma mulher com um casaco de homem a destoar sobre os ombros nunca se diz "credo, em que é que ela estava a pensar para vestir aquilo?", diz-se antes "olha que amoroso, como ele abdicou do casaco por ela".
e aquilo que eu penso é: "sou um paspalho. eu é que me preveni antes de sair de casa, eu é que trouxe casaco, mas eu é que estou aqui agora a gelar. amanhã não me posso esquecer de passar pela farmácia, para comprar mais antigripine".

quarta-feira, setembro 20, 2006

michelle pfeiffer


















depois de uma longa ausência, ela está de volta! os seus últimos filmes tinham sido "what lies beneath" (2000), com harrison ford, "I am sam" (2001), com sean penn, e "white oleander" (2002). depois... eclipsou-se, com muita pena minha. já acompanho a sua carreira desde "scarface", com al pacino. depois vieram filmes como "a mulher falcão", fábula fantástica com rutger hauer e matthew broderick; "as bruxas de eastwick", com jack nicholson, cher e susan sarandon; "ligações perigosas", com john malkovich e glenn close; "tequilla sunrise", com mel gibson; essa obra prima chamada "os fabulosos irmãos baker", onde contracenava com o sempre magnífico jeff bridges; "love field"; "a casa da rússia", com sean connery; "a idade da inocência", outro grande filme, de martin scorsese, com daniel day lewis e winona ryder; "wolf", com jack nicholson; "dangerous minds"; "one fine day", com george clooney; e "story of us", com bruce willis. é claro que não ia aqui referir todos os filmes que ela fez, citei apenas alguns. ela é daquelas actrizes que "envelheceu" muito bem, tanto em termos de beleza como em termos de interpretação. no início era apenas mais uma ex-modelo loura, que tinha feito anúncios ao sabonete lux. entrou em episódios da "ilha da fantasia", em filmes como "charlie chan and the curse of the dragon queen" (só o nome diz tudo) e "grease 2" (já sem john travolta, que tinha entrado no primeiro) e em vários produtos de qualidade duvidosa, até chegar a oportunidade em "scarface". michelle pfeiffer foi brilhante em "ligações perigosas", que lhe valeu a primeira nomeação para os óscares. no ano seguinte (1989) voltou a ser nomeada, desta vez para melhor actriz principal, por "os fabulosos irmãos baker". a terceira e última nomeação foi em 1992, por "love field". foi injustiçada ao não ser nomeada por "a idade da inocência" e "a casa da rússia".
pois bem, no próximo ano vamos poder ver michelle pfeiffer em três filmes:
"stardust", de matthew vaughn, filme baseado no romance de neil gaiman, descrito como uma "fantasy and adventure love story", ao jeito de "princess bride". no elenco, a acompanhar pfeiffer, nomes de peso com robert de niro, sienna miller, claire danes e rupert everett.
"I could never be your woman", de amy heckerling, uma comédia romântica com paul rudd, jon lovitz e tracey ullman. neste filme pfeiffer apaixona-se por um homem bastante mais novo que ela (rudd), ao mesmo tempo que tem que lidar com a primeira paixão da sua filha adolescente.
"hairspray", de adam shankman, versão do clássico de 1988, que mais tarde resultaria numa bem sucedida peça da broadway. neste filme a actriz vai contracenar com john travolta, christopher walken e queen latifah.
há ainda alguns rumores sobre um filme, previsto para 2008, realizado pelo marido da actriz, o produtor televisivo david e. kelley, responsável por êxitos como "ally mc beal" e "causa justa". para já o nome avançado para esta produção é "chasing montana". mais tarde se confirmará a veracidade destes rumores.

terça-feira, setembro 19, 2006

entre casais

nas saídas socias os casais deixam de ser pessoas, passam a ser equipas. pequenas equipas contadoras de histórias, em que um acaba quase sempre as frases do outro. corrigem-se um ao outro, interrompem-se constantemente e ninguém sabe exactamente quem deve ouvir. quando se sai com outros casais parece as olimpíadas da conversa. sejam quais forem os assuntos que surjam, todos os casais têm que competir. no fundo, estamos a lutar pela entrada directa na fase final do campeonato do mundo de casais interessantes.
"também tivemos uma experiência parecida", é das frases que mais se ouve. quem não teve uma situação idêntica ou parecida, está de fora. levantam-se, pagam os seus cafés e vão para casa, desclassificados, porque raramente a conversa vai voltar a girar à volta de um outro assunto. ou outros casais continuam à mesa, contando todas as suas versões da tal "experiância". a conversa desenrola-se no sentido dos ponteiros dos relógios à volta da mesa.
quando se chega às meias-finais torna-se mais difícil. a nossa história tem que ser mais interessante do que a do último casal. e então começam os segredinhos entre os casais:
"querida, depressa, temos alguma coisa como isto? aeroporto, bagagens, qualquer coisa? lembras-te de perder o pente daquela vez? há alguma coisa nisso? vá lá despacha-te, somos a seguir". é mesmo assim, se o casal número um perdeu as bagagens no méxico, o casal dois perdeu as bagagens e os passaportes, o casal três acrescentou os telemóveis, etc..
chegada a nossa vez, temos que bater isto tudo, não vale a pena repetir situações.
"perdemos a nossa bagagem, os nossos passaportes e ainda por cima a nossa casa foi assaltada. e as nossas crianças! a família toda, tudo. recorremos à companhia de aviação e recebemos novas crianças no dia seguinte, duas raparigas e um rapaz. e ainda ofereceram o cão. tudo acabou por ficar bem, mas por momentos ficámos bastante assustados".

sozinho em casa

acontece poucas vezes, mas de vez em quando chego primeiro a casa, vindo do trabalho. quando lá chego deparo com uma casa silenciosa e desarrumada (quase sempre, catano para os miúdos!). sei que o resto da família chegará em dez, quinze minutos, por isso não posso fazer nada que demore muito tempo, porque vou ter que a cancelar quando eles chegarem (e com isto estou a referir-me à playstation). é então que se dá aquele fenómeno natural de não se saber o que fazer. muitas vezes, as coisas que fazemos quando estamos sozinhos em casa não são necessariamente egoístas, são apenas estúpidas. mas só nos apercebemos disso quando as vemos bem evidentes noutra pessoa. na verdade, tudo o que fazemos quando estamos sozinhos parece parvo. acções sem nenhuma lógica, simplesmente dez minutos de actividade ao acaso, sem entusiasmo e totalmente ineficazes.
pouso o correio, permaneço quieto, abro o frigorífico, olho para as prateleiras à procura não sei bem de quê, cheiro o leite, volto a pô-lo no frigorífico, volto para a sala, olho fixamente uma cadeira, vejo se tenho mensagens no telefone, ligo a televisão, faço zapping durante 2 minutos, vou à janela, olho fixamente a rua durante 3 minutos, desligo a televisão, ponho música, vou novamente ao frigorífico, não há nada que me apeteça comer de lá, pego numa banana, como metade, pego numa revista, leio meia dúzia de linhas, vou novamente à janela... enfim, pareço perdido na minha própria casa.
quando se vive sozinho isto acaba por ser normal. quando se vive acompanhado é... estranho. e então começamos a anunciar tudo o que vamos fazer.
- "vou ver televisão para a sala"
- "quanto tempo?"
- "quinze segundos. depois tenho que estar à janela, vou olhar fixamente a casa do outro lado da rua por um bocadinho".
- "por quanto tempo?"
- "não mais de dez segundos, porque tenho de comer meia banana e fixar o olhar numa cadeira. e já estou atrasado".

fazer algo

a necessidade de fazer alguma coisa pode levar uma pessoa à depressão. estamos de fim de semana. dois dias inteiros para se fazer alguma coisa. o que se vai fazer? ninguém sabe. e enquanto se decide para onde se vai, como se vai e quanto tempo lá vamos ficar... o fim de semana esgota-se. conclusão: ficamos em casa.
vamos para o trabalho na segunda de manhã e a pergunta é sempre a mesma:
"então esse fim de semana como foi? o que fizeram?"
o que diabo é que eu poderia ter feito que fosse suficientemente interessante para resistir a este tipo de insistência? é um fim de semana, por amor de deus, dois dias sem trabalhar. é preciso ser melhor do que isto?
mas a pressão é tanta que nos sentimos "obrigados" a ter tido um fim de semana tão bom como o deles. por causa deles. e então atiramos com isto:
"fui com a paula fazer caça submarina";
"fizemos um teste de lançamento da nave espacial";
"fomos esquiar para a serra".
no fundo, o que se pode fazer no fim de semana senão tentar descansar o mais possível, sabendo que tens duas crianças em casa e que tens que evitar que uma delas parta a cabeça a tentar subir a uma cadeira, que a outra atravessa bem a estrada quando vai lá para fora andar de bicicleta. depois as birras, os choros, os gritos (caramba, eu tenho mesmo que começar a reagir melhor às derrotas do sporting!).
mas ainda se arranja algum tempo para descansar, não fazendo nada (isto depois de fazer o almoço, lavar a louça, arrumar a cozinha, passar o esfregão no chão, adormecer a mais nova, entreter o mais velho, etc). mesmo com tudo isto que coloquei entre parentesis, ainda se conseguem arranjar uns minutos para me deitar no sofá com a mulher no sofá a ver um bom filme, como foi o caso deste fim de semana, quando vimos o "infiltrados", de spike lee, com denzel washington, clive owen e jodie foster. quality time indeed.

acordar

eis como acordo. o despertador dispara, tento desligá-lo o mais rapidamente possível. seja qual for a canção que estava a dar, fica logo automaticamente enfiada na minha cabeça durante meia hora. viro-me para ver a minha mulher ainda a dormir docemente (no caso dela, o despertador só surtiria algum efeito se tivesse um mecanismo incorporado que activasse uma mangueira com água gelada). uma série de pensamentos costumam vir-me à cabeça:
- "ela é mesmo gira"
- "não é maravilhoso ver, todas as manhãs, esta cara que eu amo?"
- "a vida é mesmo fabulosa"
- "será que o meu dentista pode mudar a limpeza dos dentes para a tarde, porque eu queria ir com o carro ao mecânico ver aquele problema no radiador?"
antes ainda de me levantar da cama, numa espécie de antevisão do que vai ser o meu dia, normalmente faço isto a olhar para o tecto, consigo pensar em pelo menos cinco coisas que me poderão correr mal e outras tantas que tenho que fazer naquele dia.
depois levanto-me e queixo-me das costas durante todo o trajecto até à casa de banho.

quinta-feira, setembro 14, 2006

vai começar tudo de novo

parece que vai mesmo começar tudo de novo, mas agora com o irão. um relatório contendo inverdades e desonestidades sobre as reais capacidades nucleares do irão recebeu ontem forte contestação por parte da agência internacional de energia atómica das nações unidas. o que se pretende é, alegadamente, isto: "to help increase the American public's understanding of Iran as a threat". não foi o mesmo que se passou com o iraque? partiu-se de um falso pressuposto para se invadir e destruir um país, supostamente à procura de armas nucleares que nunca foram encontradas. a "charada" continua nos estados unidos. como a "encenação política" resultou para o iraque, pretende-se agora convencer a opinião pública que é indispensável voltar a entrar em guerra para desarmar os iranianos, esses terroristas, esses patifes.
"shame on you mr. bush. shame on you".
michael moore disse-o nos óscares. eu assino por baixo.
apreciem então esta notícia de hoje do washington post:

U.N. Inspectors Dispute Iran Report By House Panel
Paper on Nuclear Aims Called Dishonest
By Dafna Linzer - Washington Post Staff Writer
Thursday, September 14, 2006
U.N. inspectors investigating Iran's nuclear program angrily complained to the Bush administration and to a Republican congressman yesterday about a recent House committee report on Iran's capabilities, calling parts of the document "outrageous and dishonest" and offering evidence to refute its central claims. Officials of the United Nations' International Atomic Energy Agency said in a letter that the report contained some "erroneous, misleading and unsubstantiated statements." The letter, signed by a senior director at the agency, was addressed to Rep. Peter Hoekstra (R-Mich.), chairman of the House intelligence committee, which issued the report.
The IAEA openly clashed with the Bush administration on pre-war assessments of weapons of mass destruction in Iraq. Relations all but collapsed when the agency revealed that the White House had based some allegations about an Iraqi nuclear program on forged documents.
After no such weapons were found in Iraq, the IAEA came under additional criticism for taking a cautious approach on Iran, which the White House says is trying to building nuclear weapons in secret. At one point, the administration orchestrated a campaign to remove the IAEA's director general, Mohamed ElBaradei. It failed, and he won the Nobel Peace Prize last year.
Yesterday's letter, a copy of which was provided to The Washington Post, was the first time the IAEA has publicly disputed U.S. allegations about its Iran investigation. The agency noted five major errors in the committee's 29-page report, which said Iran's nuclear capabilities are more advanced than either the IAEA or U.S. intelligence has shown.
Among the committee's assertions is that Iran is producing weapons-grade uranium at its facility in the town of Natanz. The IAEA called that "incorrect," noting that weapons-grade uranium is enriched to a level of 90 percent or more. Iran has enriched uranium to 3.5 percent under IAEA monitoring.
When the congressional report was released last month, Hoekstra said his intent was "to help increase the American public's understanding of Iran as a threat.
Privately, several intelligence officials said the committee report included at least a dozen claims that were either demonstrably wrong or impossible to substantiate. Hoekstra's office said the report was reviewed by the office of John D. Negroponte, the director of national intelligence.
"This is like prewar Iraq all over again," said David Albright, a former nuclear inspector who is president of the Washington-based Institute for Science and International Security. "You have an Iranian nuclear threat that is spun up, using bad information that's cherry-picked and a report that trashes the inspectors."

diana krall


aqui fica uma sugestão para todos os pais que tenham dificuldade em adormecer os seus filhotes. a receita resultou comigo, como também já resultava com outras bandas e artistas. mas com diana krall é mesmo infalível. há anos que gosto dela, desde que comprei um disco dela, de tributo a nat king cole, que continha essa pérola chamada "boulevard of broken dreams" e ainda "a blossom fell" e "I'm through with love". mais tarde comprei "when i look in your eyes", que deve ser dos cd's mais "gastos" que tenho lá em casa, tantas foram as vezes que o ouvi. "let's face the music and dance", "under my skin", "when i look in your eyes" e essa fabulosa música que se chama "why should I care", são os pontos altos de um album fascinante e viciante. outro trabalho merecedor de todos os elogios é "the girl in the other room", que apenas "descobri" recentemente. acaba por ser mais homogéneo em termos de estrutura musical, mais suave, mais introspectivo e emocional. mas voltando ao assunto que me levou a escrever este post, a minha sugestão, para quem estiver interessado, claro, passa por um "best of" de diana krall. a minha filha já não consegue passar sem a voz e o piano da cantora, e quem sou eu para a censurar... tem adormecido ultimamente ao som deste alinhamento:
1. departure bay - do album "the girl in the other room"
2. almost blue - do album "the girl in the other room"
3. when i look in your eyes - do album "when i look in your eyes"
4. the look of love - do album "the look of love"
5. boulevard of broken dreams - do album "all for you"
6. abandoned masquerade - do album "the girl in the other room"
7. why should i care - do album "when i look in your eyes"
8. and i love him - do album "i am sam - soundtrack"
9. let's face the music and dance - do album "when i look in your eyes"
10. narrow daylight - do album "the girl in the other room"
11. a blossom fell - do album "all for you"

sensações

uma das melhores sensações que há:
depois de meses de calor intenso, de temperaturas excessivamente altas, quando chega finalmente a primeira noite de frio, em que se pode dormir aconchegado por lençóis e cobertores. a sensação é ainda melhor se, por qualquer motivo, nos levantarmos de noite (para ir à casa de banho, para ir assaltar um banco, para ir registar o boletim do euro milhões, etc.) e regressarmos à cama, quentinha, para mais umas horas de sono. estamos com frio, o chão da casa de banho está gelado, até a cómoda, em que batemos todas as noites com o joelho por a luz estar apagada para não acordar os miúdos, parece fresquinha. mas quando se chega à cama e nos embrulhamos todos nos cobertores há de imediato uma sensação de bem estar, de conforto, de aconchego! o mundo parece que ganha contornos de perfeição...

frases parvas

algum de vocês tem um amigo, ou uma amiga, que diga frases deste género:
"já fui ver o filme, é de partir o côco a rir!".
se tiverem... bem, o problema é vosso, basicamente.

quarta-feira, setembro 13, 2006

sporting


vítor serpa, director do jornal "a bola"
quarta-feira, 13 setembro
"que grande entrada na liga dos campeões. ser capaz de levar o mundo do futebol a pasmar perante esse facto verdadeiramente mediático de ter vencido o inter de milão, precisamente no ano em que os italianos tanto investiram para serem senhores do mundo. notável, acima de tudo, a irreverência juvenil na sua melhor essência: ingenuidade e ambição, prazer de jogar, muito além da obrigação de jogar, e a personalidade rara de viver a vida na ausência de complexos e, daí, a assinalável ausência de reverência perante o pançudo milionário que queria ganhar pelo peso da sua conta bancária. bem feita! abençoado sporting por teres sido tão necessário exemplo de grandeza neste país pequeno, às vezes de pequenas gentes, e quase sempre de pequenos sonhos. sem anúncios grandiloquentes, sem escutas telefónicas comprometedoras, simplesmente disciplinado, defensor dos talentos internos, outsider de guerras bacocas que teriam feito as delícias do nosso eça. abençoado sporting nessa tua maneira tão pouco portuguesa e tão pouco rasca de saber estar, de saber jogar, de saber ganhar. alguns, dor de cotovelo, provavelmente chamarão a isso o indisfarçável tique da elite urbana. mas classe é classe. não impede a legítima euforia, a festa, como ontem alvalade provou. o futebol português, tão maltratado e tão justificadamente envergonhado, só tem de agradecer o que o mundo viu, ou poderá ver".

eu acrescento apenas que deu gosto ver jogadores, como miguel veloso, nani, joão moutinho e djaló, defrontarem uma equipa que continha alguns dos seus ídolos de adolescência, sem ponta de nervosismo, sem prestarem alguma vassalagem. e mais uma vez ficou provado que, de facto, o sporting é a melhor escola de futebol nacional. futre, carlos xavier, litos, figo, peixe, simão, beto, carlos martins, quaresma, cristiano ronaldo, nani, joão moutinho e, mais recentemente, miguel veloso e djaló. e para mim, devia ser apresentado a liedson um contrato vitalício, para ele permanecer no clube até ao final da sua carreira. que grande jogador!
vamos ver até onde vai este sporting... espero que vá longe!

terça-feira, setembro 12, 2006

meios para atingir fins


washington post, 12 setembro 2006
"Last night, Democrats said Bush politicized the Sept. 11 anniversary. "The president should be ashamed of using a national day of mourning to commandeer the airwaves to give a speech that was designed not to unite the country and commemorate the fallen, but to seek support for a war in Iraq that he has admitted had 'nothing' to do with 9/11," said Sen Edward M. Kennedy (D-Mass.)".
os discursos de george w. bush são... sempre iguais. basta repetir centenas de vezes as palavras "terroristas", "bin laden", "saddam hussein" e "iraque". a pergunta que se pode colocar é: os americanos são assim tão estúpidos ao ponto de "comerem", com uma lágrima no olho, este discurso há já cinco anos? pelo menos já foram estúpidos o suficiente para o terem reeleito...
o discurso de bush, ontem, no aniversário dos ataques terroristas, voltou a provar que o homem está obcecado com o iraque, apesar de o próprio admitir, como refere a notícia transcrita acima, que esse país nada teve a ver com os atentados. então qual é o interesse? porque não atacar aqueles que estiveram por trás dos atentados? e bin laden? com tanta tecnologia de ponta à sua disposição, o país mais industrializado e poderoso do mundo não consegue encontrar uma simples pessoa? não consegue ou não quer?
atentem nesta notícia de novembro de 2001, dois meses após os atentados:

CIA AGENT ALLEGEDLY MET BIN LADEN IN JULY
From 'Le Figaro'
[1 November 2001] Translated by Tiphaine Dickson
By Alexandra Richard (Page 2, October 31st, 2001)
Dubai, one of the seven emirates of the Federation of the United Arab Emirates, North-East of Abi-Dhabi. This city, population 350,000, was the backdrop of a secret meeting between Osama bin Laden and the local CIA agent in July. A partner of the administration of the American Hospital in Dubai claims that public enemy number one stayed at this hospital between the 4th and 14th of July. (...) The Saudi billionnaire was admitted to the well-respected urology department run by Teerry Callaway, gallstone and infertility specialist. Dr Callaway declined to respond to our questions despite several phone calls. (...) While he was hospitalised, bin Laden received visits from many members of his family as well as prominent Saudis and Emiratis. During the hospital stay, the local CIA agent, known to many in Dubai, was seen taking the main elevator of the hospital to go to bin Laden's hospital room. A few days later, the CIA man bragged to a few friends about having visited bin Laden. Authorised sources say that on July 15th, the day after bin Laden returned to Quetta, the CIA agent was called back to headquarters. (...) Contacts between the CIA and bin Laden began in 1979 when, as a representative of his family's business, bin Laden began recruiting volunteers for the Afghan resistance against the Red Army. FBI investigators examining the embassy bombing sites in Nairobi and Dar es Salaam discovered that evidence led to military explosives from the US Army, and that these explosives had been delivered threee years earlier to Afghan Arabs, the infamous international volunteer brigades involved side by side with bin Laden during the Afghan war against the Red Army. In the pursuit of its investigations, the FBI discovered "financing agreements" that the CIA had been developing with its "arab friends" for years. The Dubai meeting is then within the logic of "a certain American policy".
(c) Le Figaro 2001 * Reprinted for Fair Use Only

e o mundo continua a assobiar para o ar...

segunda-feira, setembro 11, 2006

loose change



11 de setembro de 2001.
todo o mundo viu o que se passou. viu aquilo que lhe foi dado a ver. o que não interessava ver... nunca foi mostrado. interessava ver os aviões a bater nas torres gémeas? sim, interessava. interessava ver a queda das torres? interessava sim senhor, para o público poder formar a sua opinião e chegar à conclusão que os terroristas mereciam pagar com a vida o que estavam a fazer ao povo americano. e o avião a cair sobre o pentágono? isso já não interessava ver, certamente. um dos edifícios mais bem protegidos e vigiados do mundo não "apanhou" em nenhuma das suas centenas de câmaras uma única imagem do suposto embate. o hotel sheraton, próximo do pentágono, captou imagens do "ataque terrorista", mas foram rapidamente sonegadas ao domínio público pelos serviços secretos, ameaçando inclusivamente as pessoas que tinham visto as imagens a não se pronunciarem publicamente sobre as mesmas. os relatos sobre este acidente são contraditórios. ninguém viu um avião a aproximar-se. uns viram um helicóptero, outros uma avioneta. que diabo, para chegar ao pentágono, o alegado avião passou por uma auto-estrada. ninguém o viu? o relvado à frente do pentágono está intacto, portanto o avião não deslizou. ou seja, batendo a uma velocidade incalculável, sem "amortecer" no solo, directamente no edifício, o avião só causaria aquele "buraquito" no pentágono? e para onde foram os destroços do avião? o que aparece nas imagens "facultadas" são pequenas peças soltas, algumas nem sequer pertencem ao tipo de avião que alegadamente chocou com o pentágono.
há anos que se especula em torno dos atentados de 11 de setembro. há ainda muita coisa por explicar: as ligações de telemóvel do interior dos aviões, que mais tarde se provaria serem impossíveis de realizar (esse aperfeiçoamento técnico só foi feito em 2004 e apenas em algumas companhias de aviação); relatos de pessoas que viram dois dos aviões envolvidos a aterrar calmamente noutra cidade, o que indicia que os aviões que realmente bateram nas torres e no pentágono não tinham passageiros a bordo; os destroços do avião que supostamente se dirigia para a casa branca são, no mínimo, intrigantes: um buraco fundo no chão, nenhum vestígio do motor ou de outras peças de igual porte, nenhum sinal de corpos; questionável também é a "perícia", ou a falta dela, dos alegados pilotos terroristas (alguns deles chegaram a alugar avionetas nos EUA e a sua capacidade para pilotar foi classificada por um responsável por uma empresa de aluguer como "fraca" e "baixa"); a lista que foi revelada dias depois do atentado contendo a identidade dos terroristas possui erros crassos: nove dessas pessoas estão... vivas.
outro facto que ainda intriga muita gente é o do desabamento das torres gémeas, um dos edifícios mais seguros do mundo. ninguém parecia acreditar que alguma vez elas se desmoronassem assim, como se de uma implosão de tratasse. o que é certo é que caíram mesmo, sendo a primeira a cair aquela que foi atacada mais tarde. inúmeros relatos de bombeiros e funcionários do world trade center apontam para explosões no interior do edifício; inclusivamente nas dezenas de imagens da queda das torres podem ver-se clarões de explosões em vários andares. terá sido mesmo uma implosão? um terceiro edifício, mesmo ao lado das torres, também desabou. coincidência? talvez não. é que esse edifício pertencia ao governo norte americano, com escritórios do FBI, CIA e serviços secretos. milhares de documentos e arquivos desapareceram, assim, no meio dos escombros.
talvez tenha sido muito conveniente tudo isto! prefiro não acreditar cegamente na versão dos acontecimentos que o documentário "loose change" avança. o cenário ainda seria mais negro se tudo isso fosse verdade, mais negro ainda que a ameaça terrorista. seria alguém capaz de perpetuar actos deste calibre no seu próprio país, condenando à morte 3 mil pessoas, só para poder ter "carta branca" para iniciar uma guerra contra o iraque, bin laden e saddam hussein?
tirem as vossas próprias conclusões. se não viram o documentário, que passou duas vezes na rtp na semana passada, podem aceder a "loose change" nestes endereços:
http://www.youtube.com/watch?v=CDx1GLqvBO8&search=loose%20change
http://www.loosechange911.com

sexta-feira, setembro 08, 2006

um desafio

foi-me lançado um desafio e como sou uma pessoa que não gosta de fugir deles, por muito tenebrosos que sejam, aqui estou a responder ao mesmo. desta vez foi a br, com quem tenho trocado comentários há alguns meses, e consigo facilmente vislumbrar vários traços de personalidade comuns, bem como preferências cinematográficas e musicais, daí que goste particularmente de visitar o seu blog. pois bem, o desafio consiste em revelar seis informações aleatórias sobre mim, tendo depois que etiquetar para o mesmo desafio outros seis bloguistas. pela consideração que tenho pela br, prometo esmerar-me:
1. sou excessivamente neurótico e paranóico no que concerne à segurança dos meus filhos, do género de nem os deixar chegar perto da varanda (e eu moro num primeiro andar!) ou de um qualquer sítio alto e vertiginoso. tenho vertigens (na mesma medida em que o tony ramos tem pelos no corpo) e como tal tenho uma enorme preocupação de falhar numa possível situação perigosa, assim ao estilo do james stewart no "vertigo", de alfred hitchcock, ficando paralizado e sem reacção.
2. sou viciado em música, cinema e séries de televisão. sei que é um cliché dizer isto, mas sinto que sou mesmo. todos os dias descubro um grupo novo, investigo, procuro registos semelhantes, influências musicais, etc.. o cinema tem-me desiludido muito ultimamente (assim de repente, só o sideways me surpreendeu nos últimos anos), mas recorro amiúde à minha prateleira para rever os "meus" clássicos: cyrano de bergerac, annie hall, manhattan, when harry met sally, a vida de brian (dos monty python), etc.. quanto às séries de televisão, é uma renda fixa todos os meses: seinfeld, friends, lost, 24, you name it. chego a ver 8 episódios seguidos do friends.
3. sou uma pessoa de rotinas. não gosto muito de alterar o meu ritmo, os meus locais frequentes, de maneira a não me sentir desconfortável. o café da manhã é sempre no mesmo sítio, o almoço também, o café no final do almoço também, quando saio para jantar fora também é sempre no mesmo sítio. é uma rotina saudável, para mim. saudável e... confortável.
4. adoro adormecer, todas as noites, a minha filhota, de ano e meio, ao som de música muito calminha e suave. sinto que ela também gosta, porque foge sempre do quarto, onde a minha mulher a tenta adormecer, e vem ter comigo à sala. chega, encosta-se às minhas pernas, olha para cima, abre um sorriso desarmante e estende os braços. irresistível! o leque musical é vasto, desde lambchop, diana krall, the czars, red house painters, mark eitzel. adormece em 15 minutos e depois de outro tanto tempo para "ferrar", vou deitá-la no seu berço. mais uma das minhas rotinas...
5. prefiro sempre o inverno ao verão. o calor em demasia irrita-me solenemente. o suor a escorrer pelas costas, as mãos sempre transpiradas, entrar no carro depois de este estar ao sol uma hora. prefiro o frio, para me poder encher de roupa e usar cachecol, como gosto. gosto da chuva, de andar à chuva. gosto da lareira, dos edredons, dos cobertores, dos aquecedores, de me enroscar para aquecer... bem, vocês sabem do que estou a falar. venha de lá esse inverno.
6. esqueço facilmente e rapidamente as pessoas que me defraudam. não sou muito de hipocrisias. quando não gosto de alguém, afasto-me. há apenas um núcleo duro de uma dezena de pessoas por quem "porei sempre as mãos no fogo". as outras pessoas, os amigos de ocasião, os interesseiros, os fracos de espírito, tenho muita pena mas, mesmo consciente da minha dureza e inflexibilidade quase irracional neste aspecto, são riscadas do meu mapa.

Passo o testemunho aos bloguistas que se seguem:
a. duarte lázaro (costumava assinar os comentários como tovarich gina)
marta r (http://astroqueflameja.blogspot.com)
tulipa negra (http://um-nome-qualquer.blogspot.com)
cereja no bolo (http://na-ponta-dos-dedos.blogspot.com)
karla (http://witchspellworld.blogspot.com)
stratega (http://straight-up-no-ice.blogspot.com)

quinta-feira, setembro 07, 2006

gnarls barkley


confesso que demorei um bocadinho a chegar até este disco, que foi lançado em abril deste ano. só agora me debrucei devidamente sobre "st. elsewhere" e muito por causa do single "crazy", que é daquelas músicas que se ama logo à primeira, é viciante. a voz é inebriante e irresistível, a batida é contagiante. fez história no panorama musical britânico, ao tornar-se a primeira música a chegar ao primeiro lugar do top inglês tendo como base apenas os downloads feitos na internet. 31.000 pessoas fizeram o download da música antes do seu lançamento "físico" como single. o album "st. elsewhere" foi lançado pouco tempo depois e rapidamente chegou também ao primeiro lugar.
o projecto gnarls barkley resulta da colaboração entre o reputado produtor danger mouse (que produziu o segundo album dos gorillaz) e o cantor cee-lo green, o tal que tem aquele vozeirão, que mais parece saída de um qualquer projecto musical dos anos 60 ou 70. o disco consegue fundir e conciliar inúmeras referências, gospel, blues, soul, funk e hip hop, encontrando inspiração e influência na profundidade de sentimento de marvin gaye, na emoção teatral de jeff buckley e no atrevimento e arrojo de prince em início de carreira (por alturas do purple rain). este disco já foi referenciado pela crítica especializada como "um dos melhores discos de soul de sempre" e "a psychedelic soul masterpiece".
caso decidam dar uma oportunidade a este disco, recomendo que ouçam "crazy" umas 5 vezes seguidas, para entrarem devidamente no mundo "gnarls barkley". foi o que aconteceu comigo e deu resultado.

quarta-feira, setembro 06, 2006

jerry lewis


jerry lewis foi o responsável por milhares de gargalhadas que dei na minha adolescência. os seus filmes eram sempre garantia de risos histéricos lá em casa e sinónimo de umas horas bem passadas. por esse motivo, sempre tive uma grande admiração e carinho por este actor, mesmo quando tentou enveredar por papéis mais sérios, como em "o rei da comédia", de martin scorsese, com robert de niro, e "arizona dream", com johnny depp e faye dunnaway. há dias li que o actor, de 80 anos, tinha tido uma insuficiência coronária, em junho. apesar de ter sido considerado de "leve" ataque cardíaco, exigiu um cateterismo e o actor correu sérios riscos de falhar, pela primeira vez na história do evento, a maratona televisiva anual de beneficiência da associação de distrofia muscular norte americana, que apresenta há 41 anos. o humorista também faz uso constante de remédios para a pneumonia, problema comum nas vítimas de fibrose pulmonar. mas jerry lewis recuperou e durante as 20 horas do evento, que começou no sábado, dia 2 de setembro, às 22h00, e acabou no dia seguinte, às 18h00, foi... igual a si próprio, uma criança presa dentro de um corpo de adulto. o espectáculo teve convidados musicais, comédia, magia e vários co-apresentadores, entre os quais a figura televisiva norte-americana ed mcmahon. o que é certo é que, na 41ª edição da maratona, ou telethon, dado que o propósito é angariar donativos, via telefone, para os programas de saúde daquela organização voluntária, nomeadamente para estudo e pesquisa para ajudar pessoas com doença neuromuscular, conseguiu-se arrecadar uma quantia recorde: 61 milhões de dólares. "foi muito bom, só posso dizer ´obrigado´, do mais fundo do meu coração, em nome de todos os que não podem agradecer", resumiu o actor, emocionado ao ver o número final de donativos angariados na tela. ao longo dos 41 anos de existência deste evento, esta associação de distrofia muscular já conseguiu arrecadar cerca de 1.4 biliões de dólares, sempre com o lendário actor e humorista à frente das maratonas televisivas. um excelente exemplo de humanidade e de solidariedade!

p.s. - porque raio é que deixaram de passar nos canais televisivos nacionais os filmes de jerry lewis? há anos que não vejo um na televisão. estarão à espera da morte do actor para depois nos bombardearem durante um mês com todos eles?

yes suri, she's our baby


and now for something completely different...

finalmente uma notícia que realmente vale a pena dar:
"Baby Suri Cruise Makes Her World Debut
The Associated Press - Tuesday, September 5, 2006.
LOS ANGELES - With a cherubic face and a shock of dark hair, Suri Cruise - subject of the world's most anticipated baby photo - made her broadcast debut Tuesday. Katie Couric, in her first night as anchor of the "CBS Evening News", revealed photos of 4 1/2-month-old Suri, daughter of Tom Cruise and Katie Holmes. Born April 18, Suri has not appeared in any published photographs, prompting some public speculation about her very existence. But baby Suri is for real and there are pictures of her and her famous parents in the issue of Vanity Fair that hits newsstands Wednesday. Vanity Fair would not release the baby pictures to The Associated Press Tuesday evening".

agora sim, o mundo pode finalmente respirar de alívio. o bebé existe, não foi produto da imaginação ou de uma mera campanha publicitária. porventura o casal estaria à espera da melhor proposta financeira para mostrar a sua criança de quatro meses e meio ao mundo (coube à CBS e à revista vanity fair abrir os cordões à bolsa). com a sede de protagonismo que o pai da criança tem, também não seria de estranhar que estivesse à espera da estreia do seu próximo filme para juntar o útil ao agradável e vender mais uns milhares de bilhetes, tal como fez aquando da estreia de "a guerra dos mundos", ao anunciar em todos os programas televisivos o seu incondicional amor por katie holmes (a cena que protagonizou no programa de oprah winfrey ainda hoje é ridicularizada). desta forma, com a bela katie holmes ao seu lado e com um filho, tom cruise deve ter conseguido afastar de vez, como pretendia, os boatos sobre a sua homossexualidade. ou não...