quarta-feira, outubro 11, 2006
ser pai
a escola começou há um mês. nas breves conversas que tenho com a professora dele, ela entende que o pedro é muito brincalhão e distraído, que está sempre na brincadeira, em vez de se aplicar a fundo nas aulas. em casa, fazer os trabalhos é sempre uma maçada e qualquer coisinha insignificante serve para o distrair do que está a fazer, como uma mota a passar na rua ou o camião que vem recolher o lixo. nós "apertamos" com ele, fazemos-lhe ver que já tem responsabilidades, que tem de ser mais aplicado e atento. ele entende e aceita, mas no dia seguinte faz precisamente os mesmos erros e tem a mesma atitude. é um castigo para nós e para ele os trabalhos de casa. apenas posso imaginar como será o seu comportamento na sala de aula e o que "sofre" a professora (mas também é a profissão dela e está lá para isso mesmo; certamente que haverá alunos mais problemáticos do que o meu filho).
não posso deixar de me sentir "culpado" por ele ser assim. são os meus genes a interferir. ele tem as suas prioridades, próprias da sua idade. quer brincar, ver televisão, jogar, andar de bicicleta. sabemos que não poderemos forçar demasiado o seu sentido de responsabilidade, sob pena de ele se revoltar e agir precisamente ao contrário do que nós queremos. vamos confiar nele e nas linhas orientadoras que lhe incutimos até agora. sabemos que ele não nos vai decepcionar; apenas está a devorar a vida, a saborear o facto de ser uma criança. e isso é saudáve!
quero chegar a casa e brincar ou jogar playstation com ele, ver um filme ou televisão com ele. não tenho personalidade nem postura para ser um pai severo e castigador. já tentei mas ele não me leva a sério. sabe que sou feito do mesmo material que ele...
terça-feira, outubro 10, 2006
o sexo
"o conflito básico entre homens e mulheres, do ponto de vista sexual, é que os homens são como os bombeiros: para nós o sexo é uma emergência e independentemente do que estivermos a fazer conseguimos estar prontos em dois minutos. as mulheres, por seu turno, são como o fogo. são muito excitáveis, mas têm de estar reunidas as condições exactas para que aconteça".
basta compararmos igualmente o comportamento de homens e mulheres numa discoteca, por exemplo, num sábado à noite. os homens solteiros andam em grupos grandes, aos encontrões, aos grunhidos a maior parte das vezes, todos desorganizados, sem saberem para onde ir, geralmente com copos na mão e um aspecto miserável. as mulheres solteiras andam em grupos pequenos, o guarda roupa mantém-se impecável a noite toda, a maquilhagem idem, são observadoras, sabem esperar, ponderadamente, pelo momento certo, caso encontrem algo de que gostem. no fundo, comportam-se ambos como as nossas células sexuais. os homens são os espermatozóides, aos encontrões, desorganizados, numa corrida louca em busca de algo; as mulheres são o óvulo, ficam à espera, calmamente. quando os espermatozóides chegam dizem:
- "bem, qual destes é que vai ser? tenho mesmo que escolher? posso esperar mais um mês. é melhor esperar. há tempo".
pronto, já abordei o tema "sexo" no blog. agora sim, isto vai avançar. oh se vai!
I see a darkness

"I see a darkness" - bonnie "prince" billy
Well, you're my friend
And can you see
Many times we've been out drinking
Many times we've shared our thoughts
But did you ever, ever notice, the kind of thoughts I got
Well you know I have a love, a love for everyone I know
And you know I have a drive to live I won't let go
But can you see this opposition, comes rising up sometimes
That dreadfull imposition, comes blacking in my mind
And then I see a darkness
And then I see a darkness
And then I see a darkness
And then I see a darkness
Did you know how much I love you
Is there hope that somehow you
Can save me from this darkness
Well I hope that someday buddy
We'll have peace in our lives
Together or apart
Alone or with our wives
And we can stop our whoring
And pull the smiles inside
And light it up forever
And never go to sleep
My best unbeaten brother
This isn't all I see
I know, I see a darkness
I know, I see a darkness
I know, I see a darkness
I know, I see a darkness
Did you know how much I love you
Is there hope that somehow you
Can save me from this darkness
o video, ao vivo, desta música, pode ser visto em:
http://www.youtube.com/watch?v=OzF09GHuDt0
a versão ao vivo perde um bocado para o original, portanto, se puderem, tentem ouvir o original. e já que estão com a "mão na massa", há músicas muito interessantes de bonnie "prince" billy para ouvir, como "you will miss me when I burn", "gulf shores", "beast for thee", "bed is for sleeping", "hard life", "wolf among wolves", "madeleine-mary", etc..
segunda-feira, outubro 09, 2006
bonnie "prince" billy

se este blog fosse uma espécie de magazine cultural, ao estilo do "acontece", e eu uma versão do carlos pinto coelho, por hoje já teríamos enchido o programa. televisão, cinema e agora música. o disco recomendado esta semana (caramba, parece mesmo um programa de televisão!) é este:
"the letting go", de bonnie "prince" billy.
(agora vem a parte em que se debitam algumas palavras sobre o artista)
bonnie "prince" billy é, basicamente, will oldham, músico que também já editou trabalhos com o nome de "palace", "palace songs" e "palace brothers". confusos? é mesmo para estarem. nascido em louisville (e.u.a.), will oldham trabalhou na década de 80 e inícios da de 90 como actor. em 1992 decide tentar a música, estreando-se como "palace songs", com o single "ohio river boat song"; no ano seguinte editou o seu primeiro album, "there is no-one what will take care of you", já como "palace brothers". em 1995, novo album, "viva last blues", já sob o nome de "palace music". em 1997 lançou "joya", um disco privilegiado porque foi o primeiro e único a levar o verdadeiro nome do artista na capa. todavia, a partir de 1998, todo o trabalho e as várias colaborações do cantor começaram a ser creditadas ao nome bonnie "prince" billy. albuns como "black dissimulation", "I see a darkness", "ease down the road" e "master and everyone" foram cimentando a carreira do artista, sempre com excelentes avaliações por parte da crítica especializada, rendida já ao seu potencial. em 2004 surgiu uma espécie de colectânea, "bonnie "prince" billy sings greatest palace music", em que regravou músicas antigas do seu repertório, para, em janeiro de 2005, lançar "superwolf", um dos seus discos mais aclamados pela crítica, que se referiu ao mesmo como "reflective, bittersweet, and achingly melodic, it was praised as one of the year's first truly strong albums". finalmente, em setembro deste ano, apareceu este "the letting go", disco que me levou a escrever tudo isto.
bonnie "prince" billy vai crescendo dentro de nós, não é daqueles sons imediatos, que se consomem imediatamente mas que também enchem rapidamente. vai-se gostando mais de cada vez que se ouve. recomendo!
"o filme"

revi "cyrano de bergerac" no fim de semana.
voltei a ficar com a sensação de que é este "o filme". dezasseis anos depois, continua a despertar as mesmas emoções, a comover e a apaixonar... gérard depardieu é assombroso como cyrano, a realização é eficiente, a fotografia excelente. já dissertei bastante sobre este filme neste blog. o post serve apenas para confirmar, em absoluto, que este é mesmo o meu filme preferido de todos os tempos!
novo vício
quarta-feira, outubro 04, 2006
as praxes académicas
- Uma ex-caloira do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros que se queixou de abusos nas praxes em 2002 pede uma indemnização de quase 70 mil euros ao estabelecimento de ensino, anunciou a aluna. Em declarações à Lusa, Ana Sofia Damião disse sentir-se "lesada" pela forma como a direcção do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros conduziu o caso e quer ser ressarcida por alegados "danos morais e patrimoniais". A ex-aluna do Piaget, que se encontra a concluir um curso de Farmácia noutra instituição, decidiu avançar com um pedido de indemnização no valor de quase 70 mil euros num processo cível que começa a ser julgado amanhã no Tribunal de Macedo de Cavaleiros. Esta é a segunda vez que Ana Sofia Damião recorre à justiça, depois de o mesmo tribunal ter decidido, em Novembro de 2004, não levar a julgamento um processo-crime por entender "não haver matéria para levar adiante as acusações" aos dez alunos investigados. A antiga caloira acusou colegas dos segundo e terceiro anos do curso de Fisioterapia de, durante a recepção ao caloiro em Outubro de 2002, a terem obrigado a praticar "actos humilhantes" como a "simulação de actos sexuais e nudez em público". O caso motivou a intervenção da Inspecção-Geral de Educação, que enviou um relatório à Procuradoria-Geral da República, e um processo interno de averiguações no Piaget, que culminou em repreensões escritas aos alunos identificados. A própria caloira foi também repreendida pela exposição pública que fez dos factos. A repreensão de que foi alvo é uma das razões que Ana Sofia Damião alega para avançar com o pedido de indemnização, por entender que "a escola não teve uma postura correcta, o que criou um ambiente hostil na escola e fez com que tivesse desistido do curso". Na sequência deste caso, o Instituto Jean Piaget abriu um debate nacional sobre a problemática das praxes, que levou à elaboração de uma carta de princípios reguladores destes rituais académicos nos seus estabelecimentos de ensino superior".
- notícia de 4 de outubro 2006.
vergonhoso! as praxes são meros pretextos para que pessoas com mentalidade perversa e tortuosa, devidamente autorizados pela sociedade e pelas instâncias universitárias, que "fecham os olhos" a tudo em nome do espírito académico, perpetuem e instiguem actos vergonhosos, censuráveis e condenatórios. humilhar alguém em praça pública é algo que deve dar algum gozo a esse género de pessoas, sobretudo quando no ano passado foram eles os humilhados. é um ciclo vicioso: quem foi humilhado, humilha nos anos seguintes. pura parvoíce, idiotice e, acima de tudo, reveladora do espírito infantil, irresponsável e depravado de muitos desses estudantes. podem dizer que é tradição, que é o espírito académico... para mim, tudo isto leva a excessos, as praxes resultam em casos como o relatado neste post, as latadas e os desfiles académicos não passam de centenas de jovens com latas de cerveja na mão, a caírem de bêbedos, a conspurcar tudo o que encontram pela frente, as semanas académicas idem...
andamos a criar os nossos filhos para depois os vermos a fazer estas figuras, com o beneplácito das escolas e das universidades?
felizmente, o último parágrafo da notícia transcrita em cima leva-nos a ter alguma esperança. acho bem que regularizem estes actos. afinal, a época medieval já lá vai...
revistas femininas

há dias acompanhei um amigo a um laboratório de análises clínicas. ainda estivemos por lá uma meia hora, espaço de tempo que eu aproveitei para folhear algumas revistas expostas na sala de espera. a predominância literária ia claramente para as revistas femininas e cor de rosa. as revistas femininas, activa, máxima, cosmopolitan, vogue, etc., são o género jornalístico com mais "certezas" e "verdades inquestionáveis" por metro quadrado. elas dão conselhos de beleza, dicas sobre os melhores acessórios, a lingerie mais adequada para qualquer situação. enfim, todas as mulheres (sim, mesmo a teresa guilherme e a odete santos) podem ser belas e charmosas se seguirem os conselhos da revista sobre os cuidados de beleza feminina. é fácil ser bonita, perder a celulite em duas semanas, as rugas em dois meses, etc.. curiosamente, quase sempre os editoriais destas revistas apregoam que só os homens insensíveis acham que as mulheres precisam de ser bonitas...
depois lá estão sempre as mesmas rubricas em todas: os editoriais desprovidos de conteúdo, que se acabam de ler e cinco minutos depois já não nos lembramos de nada (se os editoriais servem para marcar uma posição redactorial, para assumir ideias, para quê este esmero com que nas revistas femininas se produzem editoriais sobre coisa nenhuma, verdadeiro pudim de banalidades a demonstrar como a escrita pode ser uma coisa rigorosamente inútil?); a secção "mulheres que se destacam" ou "mulheres que são notícia", como se elas fossem uma raça inferior e seja necessário realçar quando efectivamente conseguem algum protagonismo; os artigos de opinião de cerca de meia dúzia de indefectíveis, com tempo de antena em todas as revistas do género: rita ferro, margarida e clara pinto correia, margarida martins, margarida rebelo pinto (e já vou na terceira "margarida"!); as "reportagens" sobre temas da sociedade que afectam as mulheres, do género "recomeçar aos 40", "sexo no emprego", "apaixonei-me pelo meu melhor amigo", "como combater a rotina", etc., tudo baseado em "testemunhos" palpitantes e espontâneos, dum realismo impressionante, de pessoas como a "maria, 36 anos, enfermeira", "ana, 44 anos, veterinária" ou a "justina, 31 anos, secretária" (será que estas pessoas existem mesmo ou são apenas alter egos da redactora do texto?). a receita consiste em pôr na boca das imaginárias fontes o que as leitoras gostariam de dizer, sem se atreverem a tal.
outro tema sempre presente é o sexo. não pode faltar. a eterna questão do prazer feminino continua a ser a inspiração para milhares de textos. dá a impressão que esta gente quer transformar o sexo numa ciência exacta, com laivos de tese de doutoramento. no futuro teremos uma geração de mulheres que vai para a cama com o código dos direitos sexuais femininos e anuncia, logo de entrada: "fica sabendo que as minhas zonas erógenas são aqui, ali e acolá, o vocabulário que me excita é este e não aquele, o meu orgasmo é do tipo clitoridiano e, segundo o meu médico assistente, o meu tempo médio de aquecimento é de 11 minutos e quarenta".
terça-feira, outubro 03, 2006
a musica mais triste
http://www.theworldofadam.com/mystery.html
site do artista adam shecter, que criou animação em flash para várias músicas de antony and the johnsons.
"mysteries of love" é pura emoção, um sentimento pungente que nos atravessa o corpo como um raio de luz. fala de um amor vivido num mundo à parte, entre duas pessoas conscientes de que têm tudo na outra pessoa e que isso é suficiente para voarem bem alto, como se tivessem asas, passando acima das nuvens e enfrentando juntos o desconhecido e o... mistério do amor.
Mysteries of Love
(Lyrics by David Lynch, Music by Angelo Badalamenti)
Sometimes
A wind blows
And you and I
Float
In love
And kiss forever
In a darkness
And the mysteries of love
Come clear
And dance
In light
In you
In me
And show
That we
Are Love
Sometimes
A wind blows
And you and I
Float
In love
And kiss forever
In a darkness
And the mysteries of love
Come clear
And dance
In light
In you
In me
And show
That we
Are Love
sexta-feira, setembro 29, 2006
24

estou completamente viciado nesta série. a temporada que passa actualmente na 2:, às quartas-feiras, é sem sombra de dúvida a melhor até agora, daí que entre as 22h30 e as 23h20 desse dia eu esteja incontactável para o resto do mundo. são cinquenta minutos ansiados durante toda a semana e vividos intensamente. premiada recentemente com 5 emmy's, "24" relançou a carreira de kiefer sutherland, que veste na série a pele do agente jack bauer, que é uma espécie de reinvenção de james bond (até as iniciais são as mesmas), liderando um elenco de ilustres desconhecidos. na actual temporada, até um actor "irritante" como julian sands consegue ser bastante credível e eficaz como o mau da fita, bierko, que planeia actos terroristas nos estados unidos da américa. para dar um toque de credibilidade ao argumento, até o presidente dos e.u.a. parece ter sido criado à imagem do verdadeiro, george w. bush, um homem incompetente, mentiroso e inseguro.
resta saber como é que jack bauer e o CTU vão evitar que bierko concretize os actos terroristas em território americano. na próxima quarta-feira lá estarei, pronto para mais emoções fortes, à frente do televisor.
beyonce

"Beyoncé actua em Portugal no próximo ano.
A cantora norte-americana Beyoncé actua em Portugal em Maio do próximo ano. A data é avançada pelo site oficial da artista, que se desloca ao Pavilhão Atlântico, Lisboa, a 24 de Maio.A estreia da ex-Destiny´s Child no nosso país insere-se na digressão europeia de promoção ao álbum «B´ Day», o segundo disco a solo de Beyoncé".
notícia de hoje, dia 29 de setembro, na imprensa nacional.
a questão que se pode colocar, vendo várias imagens da cantora em palco, nomeadamente a que se agrafa a este post, é a seguinte: a promotora do espectáculo oferecerá lenços de papel ou toalhetes à entrada?
"queiséééé"
no final de cada dia de trabalho, vou buscar os meus filhos: o pedro, de 7 anos, ao ATL e a mariana, de ano e meio, à ama. depois de colocados os respectivos cintos de segurança em cada uma das cadeirinhas, entro no carro e ligo o auto-rádio. ponho o carro em andamento e a música começa a ouvir-se: "I remember when, I remember, I remember when I lost my mind". é o "crazy", dos gnarls barkley. olho para trás e vejo o entusiasmo que os primeiros acordes do tema provoca neles. a mariana bate os pés na cadeirinha e abana a cabeça; o pedro tenta imitar os gestos usuais dos rappers que costuma ver nos telediscos. chegado o primeiro refrão... começa a gargalhada. a mariana canta "queiséééé", o pedro ri-se como se não houvesse amanhã, eu tento manter a compostura ao volante, embora me ria como um doido. depois vem a parte do "c'mon now, who do you, who do you, who do you think you are, ah, ah, ah, bless your soul" e aqui ninguém consegue conter-se. a mariana balbucia algo como "udiu, udiu, udiu" e depois imita na perfeição o "ah, ah, ah". impagável!
têm sido assim os meus finais de tarde, na melhor companhia possível, com boa disposição e, sobretudo, uma potencial cantora de prestígio.
quinta-feira, setembro 28, 2006
viver de ilusões
dias de recordações e de tristes ilusões.
dias de histórias de amor imaginadas.
dias de desilusões e amarguras reacendidas.
"é triste viver de ilusões".
o victor espadinha não diria melhor em "recordar é viver". ah grande victor espadinha! grande musicão! intemporal! "mas tu foste a mais linda história de amor que um dia me aconteceu... e recordar é viver, só tu e eu". lindo (e não estou a ser irónico!). marcou uma geração.
esta tem sido a banda sonora dos meus últimos dias. músicas que apetece ouvir repetidas vezes. ao som delas a minha mente voa, deseja, anseia, ilude-se...
1. mysteries of love - antony and the johnsons
2. this love - elizabeth fraser/craig armstrong
3. abandoned masquerade - diana krall
4. natasha - rufus wainwright
5. more than this - the cure
6. my love - mercury rev
7. god with no tear - antony and the johnsons
8. memphis skyline - rufus wainwright
9. fake plastic trees - radiohead
10. anniversary - the cure
11. dinner at eight - rufus wainwright
12. departure bay - diana krall
uma mulher (2)
quarta-feira, setembro 27, 2006
antony and the johnsons

recomendação: se procuram algo intenso, apaixonante, vibrante, cheio de sentimento, paixão, amargura e emoção, ouçam "I am a bird now", dos antony and the johnsons. é daqueles discos que se ouve vezes sem conta e se vai amando cada vez mais, em que antony hegarty canta o sofrimento como ninguém, em músicas magistralmente trabalhadas e orquestradas. o disco venceu o mercury prize do ano passado, que premiou o melhor disco de 2005. tem preciosidades como "bird gherl", "man is the baby", "hope there's someone", "you are my sister", com boy george, "spiralling" e "what can I do?", com rufus wainwright.
o som criado por esta banda é incomparável na cena musical actual, tal como a potente voz de antony, que a cantora e compositora diamanda galás definiu assim: "every emotion in the planet is in that gorgeous voice". a rolling stone disse: "antony is the dominant voice of solitude and agonized waiting". será preciso acrescentar mais alguma coisa? acredito que vão gostar de conhecer e sentir antony and the johnsons!...
se quiserem depois "investigar" a carreira da banda, aqui fica a discografia:
o primeiro album foi "antony and the johnsons", de 2000. os antony and the johnsons lançaram ainda dois ep's: "I fell in love with a dead boy" e "the lake".
terça-feira, setembro 26, 2006
a nossa essência
toda a gente pode argumentar que ambas são situações de descontrole emocional, em que os instintos e os nervos falam mais alto. mas o verdadeiro descontrole é mesmo o homem. em ambos os casos, o controle aparente é... o disfarce. no primeiro caso, a pergunta que se pode fazer é: estaremos preparados para a eventualidade de morrer daqui a cinco minutos? claro que não, talvez em vinte se pudesse arranjar alguma coisa. ameaçados por uma arma estamos perante uma possível finitude, um encerramento perpétuo e definitivo do que fomos, do que construímos. e como reagiremos? em quem pensaremos? que contas deixaremos por pagar?
é impossível prever a nossa reacção. no fundo, tudo residirá no facto de termos coragem ou não para ripostar, para lutar pela vida. ou se, pelo facto de ripostarmos e lutar pela vida, não acabamos por apressar ainda mais as coisas e ainda chegamos ao céu antes de servirem o jantar.
na segunda situação, a maior parte de nós porta-se como um pateta. falsos encontros casuais diários cuidadosamente arquitectados, perseguições de carro, telefonemas constantes (mesmo anónimos), esperas junto da casa dela para ver se ela entra com algum outro homem, noites inteiras sem dormir a pensar no que dizer no próximo "encontro casual", em outras maneiras de a impressionar sem ser com o 18 que tivemos no curso de dactilografia. este imbecil - e não o cidadão adulto, respeitável, razoável, comedido - somos nós, quando nos apaixonamos. tudo o resto é fingimento. se calhar, é neste tipo de situações que acabei de relatar que somos mesmo nós, na nossa essência. obviamente, não somos todos iguais e, tal como na situação da morte à frente dos olhos, neste caso também há inúmeras possibilidades de reacção. também há os discretos, os que amam mas nem às paredes confessam, os que estão apaixonados mas só revelam a alguns muros e janelas. pois, somos todos diferentes e reagimos de maneira diferente.
mas, também vos digo, se me derem a tal pepsi no café, depois de eu ter pedido coca-cola, podem crer que... a bebo, resignado, sem levantar ondas. não sou desse género. infelizmente.
segunda-feira, setembro 25, 2006
gerador de antipatia
até para meter gasolina costumo ir sempre ao mesmo sítio. quando, por imperativos vários, tenho que me deslocar a um outro posto de abastecimento, acontece sempre algo desagradável. eu tenho o hábito de sair do carro e meter eu mesmo o combustível no carro, para não perder tanto tempo. o procedimento habitual é simples: tirar a mangueira, colocar a quantia pretendia na máquina, meter a gasolina, pagar e pirar-me. nesta situação específica a máquina não me estava a deixar colocar a quantia pretendida, embora eu tentasse repetidamente fazê-lo. o funcionário do tal posto, que até devia sentir-se grato por eu estar a fazer o seu trabalho, a cerca de 10 metros de mim, começa a berrar: "eh pá, escusa de estar aí a tentar fazer isso porque as máquinas estão avariadas, pá"... (!!!)
1º. se há coisa que me irrita é que pessoas, que não me conhecem de lado nenhum, me tratem por "pá". considero isso uma falta de consideração e de educação extremamente grave;
2º. eu não sabia que as máquinas estavam avariadas, precisamente porque não foi colocado nenhum papel a avisar.
3º. eu estava a tentar reduzir o trabalho do tal funcionário ao mínimo. neste caso, ele só teria que estender a mão e receber os meus 30 euros, sem ter que dizer nada, como normalmente acontece.
é claro que eu sei que o tal funcionário nunca iria falar assim a um tipo que estivesse de fato e gravata e tivesse um bmw ou um audi. e a funcionária do balcão da tal pastelaria também nunca procederia daquele modo (quando muito, coçava a cabeça). mas é assim... eu chego a um sítio novo e levo sempre com cartões de visita deste género.
eu não sou, de certeza absoluta, a pessoa mais simpática do mundo, longe disso (numa tabela classificativa à escala mundial, ficaria atrás do alberto joão jardim e do josé saramago). acho, todavia, que toda a gente merece ser tratada da mesma forma. por isso, funcionários das pastelarias, cafés, restaurantes, postos de combustíveis, etc., façam o favor de desprezar e de serem igualmente malcriados para com todos os outros clientes. eu não quero ter essa primazia.
sexta-feira, setembro 22, 2006
seca confortável
um homem solteiro, quando ouve falar numa festa que se vai realizar em casa de um amigo, pergunta logo se vão lá estar muitas mulheres, de preferência igualmente solteiras e extremamente atraentes, do género de nos conseguirem desviar a atenção da televisão quando está a dar a final do mundial de futebol e vai ser marcado um penalty no último minuto.
um homem casado, perante o mesmo cenário, pergunta logo se lá vão estar outros homens, para ter alguém com quem conversar, dado que é certo e sabido que as mulheres vão por-se à conversa durante horas, deixando de lado os homens. atenção que eu não quero generalizar nesta matéria, mas comigo é assim que se passam as coisas, sobretudo quando elas trabalham todas no mesmo sítio e têm assuntos de sobra para falar (enfermeiros atiradiços, médicos "bons como o milho", quem anda a enganar quem...).
ou seja, nós, homens, passamos grande parte da nossa vida a procurar por mulheres, em festas, em discotecas, no departamento de bioquímica da universidade de trás-os-montes, na body shop da rua direita, nos escritórios de advogados, etc.. a partir de certa altura, ou seja, do casamento, começamos a virar a nossa atenção para outros pormenores. é que os homens solteiros avaliam os eventos sociais somente pela quantidade e qualidade das mulheres que vão lá estar. é o que eles perguntam antes de ir e do que falam quando regressam. não importa qual o acontecimento, até pode ser um funeral. os homens casados só pretendem minimizar a seca que têm a certeza que vão apanhar. havendo nessa festa outros homens com o mesmo "problema" é reconfortante. é uma questão de equilíbrio. há um ratio homem/mulher que nos deixa confortáveis e que nós estamos sempre a verificar.
mas claro, tudo isto é secundário se estiver a dar um jogo de futebol na televisão que nos ocupe o tempo durante 2 horas...
o dilema do casaco
depois vem sempre o dilema do casaco. a minha mulher nunca acha que está frio suficiente para se dar ao trabalho de vestir um casaco. por ela andava sempre de manga curta. o mais estranho é que tem montes de casacos e quando surgem situações deste género diz quase sempre: "não tenho nenhum casaco que fique bem com esta roupa". é fatal! portanto, a capacidade de aguentar temperaturas baixas está estreitamente relacionada com as chamadas regras de vestuário. o casaco até pode ser quentinho, mas ela pensa que fica gorda com ele e não condiz com nada que tem vestido. nesse caso, prefere gelar e apanhar uma gripe a destoar peças de vestuário, sujeitando-se a ouvir comentários maliciosos de outras "escravas da moda".
eu, por outro lado, tenho em mente o meu próprio interesse. sei que me constipo 228 vezes por ano e, como tal, sei que mais tarde, vai estar mais frio e vou ter necessidade de vestir um casaco. quando ela tiver frio, tenho de fazer o gesto de cavalheiro, que sou, de tirar o meu casaco e de o colocar sobre os seus ombros. o gesto é bonito, galante e charmoso, mas caramba... era escusado. quer dizer, se fossemos apanhados por uma inesperada chuva de granizo, ou o país fosse invadido e tivéssemos de fugir repentinamente com apenas a roupa do corpo, eu não teria qualqur problema. dar-lhe-ia o meu casaco instintivamente. mas neste caso temos escolha. estamos frente a um roupeiro com dezenas de artigos e acessórios protectores para cada variação potencial de cinco graus de temperatura: camisolas, cachecóis, blusões, luvas. mas não. "eu fico bem", diz ela.
e assim saímos de casa. mais tarde, quando vem o mais que provável frio, tendo em conta que estamos já no outono, os dias quentes já se foram, ela já não se importa se o meu casaco condiz com alguma coisa que ela tem vestido. de certeza que lhe fica pior do que qualquer outro casaco que ela tem em casa, mas, apesar disso, está tudo bem, porque as pessoas sabem o que se passa. não a vão criticar. quando se vê uma mulher com um casaco de homem a destoar sobre os ombros nunca se diz "credo, em que é que ela estava a pensar para vestir aquilo?", diz-se antes "olha que amoroso, como ele abdicou do casaco por ela".
e aquilo que eu penso é: "sou um paspalho. eu é que me preveni antes de sair de casa, eu é que trouxe casaco, mas eu é que estou aqui agora a gelar. amanhã não me posso esquecer de passar pela farmácia, para comprar mais antigripine".
quarta-feira, setembro 20, 2006
michelle pfeiffer

depois de uma longa ausência, ela está de volta! os seus últimos filmes tinham sido "what lies beneath" (2000), com harrison ford, "I am sam" (2001), com sean penn, e "white oleander" (2002). depois... eclipsou-se, com muita pena minha. já acompanho a sua carreira desde "scarface", com al pacino. depois vieram filmes como "a mulher falcão", fábula fantástica com rutger hauer e matthew broderick; "as bruxas de eastwick", com jack nicholson, cher e susan sarandon; "ligações perigosas", com john malkovich e glenn close; "tequilla sunrise", com mel gibson; essa obra prima chamada "os fabulosos irmãos baker", onde contracenava com o sempre magnífico jeff bridges; "love field"; "a casa da rússia", com sean connery; "a idade da inocência", outro grande filme, de martin scorsese, com daniel day lewis e winona ryder; "wolf", com jack nicholson; "dangerous minds"; "one fine day", com george clooney; e "story of us", com bruce willis. é claro que não ia aqui referir todos os filmes que ela fez, citei apenas alguns. ela é daquelas actrizes que "envelheceu" muito bem, tanto em termos de beleza como em termos de interpretação. no início era apenas mais uma ex-modelo loura, que tinha feito anúncios ao sabonete lux. entrou em episódios da "ilha da fantasia", em filmes como "charlie chan and the curse of the dragon queen" (só o nome diz tudo) e "grease 2" (já sem john travolta, que tinha entrado no primeiro) e em vários produtos de qualidade duvidosa, até chegar a oportunidade em "scarface". michelle pfeiffer foi brilhante em "ligações perigosas", que lhe valeu a primeira nomeação para os óscares. no ano seguinte (1989) voltou a ser nomeada, desta vez para melhor actriz principal, por "os fabulosos irmãos baker". a terceira e última nomeação foi em 1992, por "love field". foi injustiçada ao não ser nomeada por "a idade da inocência" e "a casa da rússia".
pois bem, no próximo ano vamos poder ver michelle pfeiffer em três filmes:
"stardust", de matthew vaughn, filme baseado no romance de neil gaiman, descrito como uma "fantasy and adventure love story", ao jeito de "princess bride". no elenco, a acompanhar pfeiffer, nomes de peso com robert de niro, sienna miller, claire danes e rupert everett.
"I could never be your woman", de amy heckerling, uma comédia romântica com paul rudd, jon lovitz e tracey ullman. neste filme pfeiffer apaixona-se por um homem bastante mais novo que ela (rudd), ao mesmo tempo que tem que lidar com a primeira paixão da sua filha adolescente.
"hairspray", de adam shankman, versão do clássico de 1988, que mais tarde resultaria numa bem sucedida peça da broadway. neste filme a actriz vai contracenar com john travolta, christopher walken e queen latifah.
há ainda alguns rumores sobre um filme, previsto para 2008, realizado pelo marido da actriz, o produtor televisivo david e. kelley, responsável por êxitos como "ally mc beal" e "causa justa". para já o nome avançado para esta produção é "chasing montana". mais tarde se confirmará a veracidade destes rumores.
terça-feira, setembro 19, 2006
entre casais
"também tivemos uma experiência parecida", é das frases que mais se ouve. quem não teve uma situação idêntica ou parecida, está de fora. levantam-se, pagam os seus cafés e vão para casa, desclassificados, porque raramente a conversa vai voltar a girar à volta de um outro assunto. ou outros casais continuam à mesa, contando todas as suas versões da tal "experiância". a conversa desenrola-se no sentido dos ponteiros dos relógios à volta da mesa.
quando se chega às meias-finais torna-se mais difícil. a nossa história tem que ser mais interessante do que a do último casal. e então começam os segredinhos entre os casais:
"querida, depressa, temos alguma coisa como isto? aeroporto, bagagens, qualquer coisa? lembras-te de perder o pente daquela vez? há alguma coisa nisso? vá lá despacha-te, somos a seguir". é mesmo assim, se o casal número um perdeu as bagagens no méxico, o casal dois perdeu as bagagens e os passaportes, o casal três acrescentou os telemóveis, etc..
chegada a nossa vez, temos que bater isto tudo, não vale a pena repetir situações.
"perdemos a nossa bagagem, os nossos passaportes e ainda por cima a nossa casa foi assaltada. e as nossas crianças! a família toda, tudo. recorremos à companhia de aviação e recebemos novas crianças no dia seguinte, duas raparigas e um rapaz. e ainda ofereceram o cão. tudo acabou por ficar bem, mas por momentos ficámos bastante assustados".
sozinho em casa
pouso o correio, permaneço quieto, abro o frigorífico, olho para as prateleiras à procura não sei bem de quê, cheiro o leite, volto a pô-lo no frigorífico, volto para a sala, olho fixamente uma cadeira, vejo se tenho mensagens no telefone, ligo a televisão, faço zapping durante 2 minutos, vou à janela, olho fixamente a rua durante 3 minutos, desligo a televisão, ponho música, vou novamente ao frigorífico, não há nada que me apeteça comer de lá, pego numa banana, como metade, pego numa revista, leio meia dúzia de linhas, vou novamente à janela... enfim, pareço perdido na minha própria casa.
quando se vive sozinho isto acaba por ser normal. quando se vive acompanhado é... estranho. e então começamos a anunciar tudo o que vamos fazer.
- "vou ver televisão para a sala"
- "quanto tempo?"
- "quinze segundos. depois tenho que estar à janela, vou olhar fixamente a casa do outro lado da rua por um bocadinho".
- "por quanto tempo?"
- "não mais de dez segundos, porque tenho de comer meia banana e fixar o olhar numa cadeira. e já estou atrasado".
fazer algo
vamos para o trabalho na segunda de manhã e a pergunta é sempre a mesma:
"então esse fim de semana como foi? o que fizeram?"
o que diabo é que eu poderia ter feito que fosse suficientemente interessante para resistir a este tipo de insistência? é um fim de semana, por amor de deus, dois dias sem trabalhar. é preciso ser melhor do que isto?
mas a pressão é tanta que nos sentimos "obrigados" a ter tido um fim de semana tão bom como o deles. por causa deles. e então atiramos com isto:
"fui com a paula fazer caça submarina";
"fizemos um teste de lançamento da nave espacial";
"fomos esquiar para a serra".
no fundo, o que se pode fazer no fim de semana senão tentar descansar o mais possível, sabendo que tens duas crianças em casa e que tens que evitar que uma delas parta a cabeça a tentar subir a uma cadeira, que a outra atravessa bem a estrada quando vai lá para fora andar de bicicleta. depois as birras, os choros, os gritos (caramba, eu tenho mesmo que começar a reagir melhor às derrotas do sporting!).
mas ainda se arranja algum tempo para descansar, não fazendo nada (isto depois de fazer o almoço, lavar a louça, arrumar a cozinha, passar o esfregão no chão, adormecer a mais nova, entreter o mais velho, etc). mesmo com tudo isto que coloquei entre parentesis, ainda se conseguem arranjar uns minutos para me deitar no sofá com a mulher no sofá a ver um bom filme, como foi o caso deste fim de semana, quando vimos o "infiltrados", de spike lee, com denzel washington, clive owen e jodie foster. quality time indeed.
acordar
- "ela é mesmo gira"
- "não é maravilhoso ver, todas as manhãs, esta cara que eu amo?"
- "a vida é mesmo fabulosa"
- "será que o meu dentista pode mudar a limpeza dos dentes para a tarde, porque eu queria ir com o carro ao mecânico ver aquele problema no radiador?"
antes ainda de me levantar da cama, numa espécie de antevisão do que vai ser o meu dia, normalmente faço isto a olhar para o tecto, consigo pensar em pelo menos cinco coisas que me poderão correr mal e outras tantas que tenho que fazer naquele dia.
depois levanto-me e queixo-me das costas durante todo o trajecto até à casa de banho.
quinta-feira, setembro 14, 2006
vai começar tudo de novo
"shame on you mr. bush. shame on you".
michael moore disse-o nos óscares. eu assino por baixo.
apreciem então esta notícia de hoje do washington post:
U.N. Inspectors Dispute Iran Report By House Panel
Paper on Nuclear Aims Called Dishonest
By Dafna Linzer - Washington Post Staff Writer
Thursday, September 14, 2006
U.N. inspectors investigating Iran's nuclear program angrily complained to the Bush administration and to a Republican congressman yesterday about a recent House committee report on Iran's capabilities, calling parts of the document "outrageous and dishonest" and offering evidence to refute its central claims. Officials of the United Nations' International Atomic Energy Agency said in a letter that the report contained some "erroneous, misleading and unsubstantiated statements." The letter, signed by a senior director at the agency, was addressed to Rep. Peter Hoekstra (R-Mich.), chairman of the House intelligence committee, which issued the report.
The IAEA openly clashed with the Bush administration on pre-war assessments of weapons of mass destruction in Iraq. Relations all but collapsed when the agency revealed that the White House had based some allegations about an Iraqi nuclear program on forged documents.
After no such weapons were found in Iraq, the IAEA came under additional criticism for taking a cautious approach on Iran, which the White House says is trying to building nuclear weapons in secret. At one point, the administration orchestrated a campaign to remove the IAEA's director general, Mohamed ElBaradei. It failed, and he won the Nobel Peace Prize last year.
Yesterday's letter, a copy of which was provided to The Washington Post, was the first time the IAEA has publicly disputed U.S. allegations about its Iran investigation. The agency noted five major errors in the committee's 29-page report, which said Iran's nuclear capabilities are more advanced than either the IAEA or U.S. intelligence has shown.
Among the committee's assertions is that Iran is producing weapons-grade uranium at its facility in the town of Natanz. The IAEA called that "incorrect," noting that weapons-grade uranium is enriched to a level of 90 percent or more. Iran has enriched uranium to 3.5 percent under IAEA monitoring.
When the congressional report was released last month, Hoekstra said his intent was "to help increase the American public's understanding of Iran as a threat.
Privately, several intelligence officials said the committee report included at least a dozen claims that were either demonstrably wrong or impossible to substantiate. Hoekstra's office said the report was reviewed by the office of John D. Negroponte, the director of national intelligence.
"This is like prewar Iraq all over again," said David Albright, a former nuclear inspector who is president of the Washington-based Institute for Science and International Security. "You have an Iranian nuclear threat that is spun up, using bad information that's cherry-picked and a report that trashes the inspectors."
diana krall

aqui fica uma sugestão para todos os pais que tenham dificuldade em adormecer os seus filhotes. a receita resultou comigo, como também já resultava com outras bandas e artistas. mas com diana krall é mesmo infalível. há anos que gosto dela, desde que comprei um disco dela, de tributo a nat king cole, que continha essa pérola chamada "boulevard of broken dreams" e ainda "a blossom fell" e "I'm through with love". mais tarde comprei "when i look in your eyes", que deve ser dos cd's mais "gastos" que tenho lá em casa, tantas foram as vezes que o ouvi. "let's face the music and dance", "under my skin", "when i look in your eyes" e essa fabulosa música que se chama "why should I care", são os pontos altos de um album fascinante e viciante. outro trabalho merecedor de todos os elogios é "the girl in the other room", que apenas "descobri" recentemente. acaba por ser mais homogéneo em termos de estrutura musical, mais suave, mais introspectivo e emocional. mas voltando ao assunto que me levou a escrever este post, a minha sugestão, para quem estiver interessado, claro, passa por um "best of" de diana krall. a minha filha já não consegue passar sem a voz e o piano da cantora, e quem sou eu para a censurar... tem adormecido ultimamente ao som deste alinhamento:
1. departure bay - do album "the girl in the other room"
2. almost blue - do album "the girl in the other room"
3. when i look in your eyes - do album "when i look in your eyes"
4. the look of love - do album "the look of love"
5. boulevard of broken dreams - do album "all for you"
6. abandoned masquerade - do album "the girl in the other room"
7. why should i care - do album "when i look in your eyes"
8. and i love him - do album "i am sam - soundtrack"
9. let's face the music and dance - do album "when i look in your eyes"
10. narrow daylight - do album "the girl in the other room"
11. a blossom fell - do album "all for you"
sensações
depois de meses de calor intenso, de temperaturas excessivamente altas, quando chega finalmente a primeira noite de frio, em que se pode dormir aconchegado por lençóis e cobertores. a sensação é ainda melhor se, por qualquer motivo, nos levantarmos de noite (para ir à casa de banho, para ir assaltar um banco, para ir registar o boletim do euro milhões, etc.) e regressarmos à cama, quentinha, para mais umas horas de sono. estamos com frio, o chão da casa de banho está gelado, até a cómoda, em que batemos todas as noites com o joelho por a luz estar apagada para não acordar os miúdos, parece fresquinha. mas quando se chega à cama e nos embrulhamos todos nos cobertores há de imediato uma sensação de bem estar, de conforto, de aconchego! o mundo parece que ganha contornos de perfeição...
frases parvas
"já fui ver o filme, é de partir o côco a rir!".
se tiverem... bem, o problema é vosso, basicamente.
quarta-feira, setembro 13, 2006
sporting

vítor serpa, director do jornal "a bola"
quarta-feira, 13 setembro
"que grande entrada na liga dos campeões. ser capaz de levar o mundo do futebol a pasmar perante esse facto verdadeiramente mediático de ter vencido o inter de milão, precisamente no ano em que os italianos tanto investiram para serem senhores do mundo. notável, acima de tudo, a irreverência juvenil na sua melhor essência: ingenuidade e ambição, prazer de jogar, muito além da obrigação de jogar, e a personalidade rara de viver a vida na ausência de complexos e, daí, a assinalável ausência de reverência perante o pançudo milionário que queria ganhar pelo peso da sua conta bancária. bem feita! abençoado sporting por teres sido tão necessário exemplo de grandeza neste país pequeno, às vezes de pequenas gentes, e quase sempre de pequenos sonhos. sem anúncios grandiloquentes, sem escutas telefónicas comprometedoras, simplesmente disciplinado, defensor dos talentos internos, outsider de guerras bacocas que teriam feito as delícias do nosso eça. abençoado sporting nessa tua maneira tão pouco portuguesa e tão pouco rasca de saber estar, de saber jogar, de saber ganhar. alguns, dor de cotovelo, provavelmente chamarão a isso o indisfarçável tique da elite urbana. mas classe é classe. não impede a legítima euforia, a festa, como ontem alvalade provou. o futebol português, tão maltratado e tão justificadamente envergonhado, só tem de agradecer o que o mundo viu, ou poderá ver".
eu acrescento apenas que deu gosto ver jogadores, como miguel veloso, nani, joão moutinho e djaló, defrontarem uma equipa que continha alguns dos seus ídolos de adolescência, sem ponta de nervosismo, sem prestarem alguma vassalagem. e mais uma vez ficou provado que, de facto, o sporting é a melhor escola de futebol nacional. futre, carlos xavier, litos, figo, peixe, simão, beto, carlos martins, quaresma, cristiano ronaldo, nani, joão moutinho e, mais recentemente, miguel veloso e djaló. e para mim, devia ser apresentado a liedson um contrato vitalício, para ele permanecer no clube até ao final da sua carreira. que grande jogador!
vamos ver até onde vai este sporting... espero que vá longe!
terça-feira, setembro 12, 2006
meios para atingir fins

washington post, 12 setembro 2006
"Last night, Democrats said Bush politicized the Sept. 11 anniversary. "The president should be ashamed of using a national day of mourning to commandeer the airwaves to give a speech that was designed not to unite the country and commemorate the fallen, but to seek support for a war in Iraq that he has admitted had 'nothing' to do with 9/11," said Sen Edward M. Kennedy (D-Mass.)".
os discursos de george w. bush são... sempre iguais. basta repetir centenas de vezes as palavras "terroristas", "bin laden", "saddam hussein" e "iraque". a pergunta que se pode colocar é: os americanos são assim tão estúpidos ao ponto de "comerem", com uma lágrima no olho, este discurso há já cinco anos? pelo menos já foram estúpidos o suficiente para o terem reeleito...
o discurso de bush, ontem, no aniversário dos ataques terroristas, voltou a provar que o homem está obcecado com o iraque, apesar de o próprio admitir, como refere a notícia transcrita acima, que esse país nada teve a ver com os atentados. então qual é o interesse? porque não atacar aqueles que estiveram por trás dos atentados? e bin laden? com tanta tecnologia de ponta à sua disposição, o país mais industrializado e poderoso do mundo não consegue encontrar uma simples pessoa? não consegue ou não quer?
atentem nesta notícia de novembro de 2001, dois meses após os atentados:
CIA AGENT ALLEGEDLY MET BIN LADEN IN JULY
From 'Le Figaro'
[1 November 2001] Translated by Tiphaine Dickson
By Alexandra Richard (Page 2, October 31st, 2001)
Dubai, one of the seven emirates of the Federation of the United Arab Emirates, North-East of Abi-Dhabi. This city, population 350,000, was the backdrop of a secret meeting between Osama bin Laden and the local CIA agent in July. A partner of the administration of the American Hospital in Dubai claims that public enemy number one stayed at this hospital between the 4th and 14th of July. (...) The Saudi billionnaire was admitted to the well-respected urology department run by Teerry Callaway, gallstone and infertility specialist. Dr Callaway declined to respond to our questions despite several phone calls. (...) While he was hospitalised, bin Laden received visits from many members of his family as well as prominent Saudis and Emiratis. During the hospital stay, the local CIA agent, known to many in Dubai, was seen taking the main elevator of the hospital to go to bin Laden's hospital room. A few days later, the CIA man bragged to a few friends about having visited bin Laden. Authorised sources say that on July 15th, the day after bin Laden returned to Quetta, the CIA agent was called back to headquarters. (...) Contacts between the CIA and bin Laden began in 1979 when, as a representative of his family's business, bin Laden began recruiting volunteers for the Afghan resistance against the Red Army. FBI investigators examining the embassy bombing sites in Nairobi and Dar es Salaam discovered that evidence led to military explosives from the US Army, and that these explosives had been delivered threee years earlier to Afghan Arabs, the infamous international volunteer brigades involved side by side with bin Laden during the Afghan war against the Red Army. In the pursuit of its investigations, the FBI discovered "financing agreements" that the CIA had been developing with its "arab friends" for years. The Dubai meeting is then within the logic of "a certain American policy".
(c) Le Figaro 2001 * Reprinted for Fair Use Only
e o mundo continua a assobiar para o ar...
segunda-feira, setembro 11, 2006
loose change


11 de setembro de 2001.
todo o mundo viu o que se passou. viu aquilo que lhe foi dado a ver. o que não interessava ver... nunca foi mostrado. interessava ver os aviões a bater nas torres gémeas? sim, interessava. interessava ver a queda das torres? interessava sim senhor, para o público poder formar a sua opinião e chegar à conclusão que os terroristas mereciam pagar com a vida o que estavam a fazer ao povo americano. e o avião a cair sobre o pentágono? isso já não interessava ver, certamente. um dos edifícios mais bem protegidos e vigiados do mundo não "apanhou" em nenhuma das suas centenas de câmaras uma única imagem do suposto embate. o hotel sheraton, próximo do pentágono, captou imagens do "ataque terrorista", mas foram rapidamente sonegadas ao domínio público pelos serviços secretos, ameaçando inclusivamente as pessoas que tinham visto as imagens a não se pronunciarem publicamente sobre as mesmas. os relatos sobre este acidente são contraditórios. ninguém viu um avião a aproximar-se. uns viram um helicóptero, outros uma avioneta. que diabo, para chegar ao pentágono, o alegado avião passou por uma auto-estrada. ninguém o viu? o relvado à frente do pentágono está intacto, portanto o avião não deslizou. ou seja, batendo a uma velocidade incalculável, sem "amortecer" no solo, directamente no edifício, o avião só causaria aquele "buraquito" no pentágono? e para onde foram os destroços do avião? o que aparece nas imagens "facultadas" são pequenas peças soltas, algumas nem sequer pertencem ao tipo de avião que alegadamente chocou com o pentágono.
há anos que se especula em torno dos atentados de 11 de setembro. há ainda muita coisa por explicar: as ligações de telemóvel do interior dos aviões, que mais tarde se provaria serem impossíveis de realizar (esse aperfeiçoamento técnico só foi feito em 2004 e apenas em algumas companhias de aviação); relatos de pessoas que viram dois dos aviões envolvidos a aterrar calmamente noutra cidade, o que indicia que os aviões que realmente bateram nas torres e no pentágono não tinham passageiros a bordo; os destroços do avião que supostamente se dirigia para a casa branca são, no mínimo, intrigantes: um buraco fundo no chão, nenhum vestígio do motor ou de outras peças de igual porte, nenhum sinal de corpos; questionável também é a "perícia", ou a falta dela, dos alegados pilotos terroristas (alguns deles chegaram a alugar avionetas nos EUA e a sua capacidade para pilotar foi classificada por um responsável por uma empresa de aluguer como "fraca" e "baixa"); a lista que foi revelada dias depois do atentado contendo a identidade dos terroristas possui erros crassos: nove dessas pessoas estão... vivas.
outro facto que ainda intriga muita gente é o do desabamento das torres gémeas, um dos edifícios mais seguros do mundo. ninguém parecia acreditar que alguma vez elas se desmoronassem assim, como se de uma implosão de tratasse. o que é certo é que caíram mesmo, sendo a primeira a cair aquela que foi atacada mais tarde. inúmeros relatos de bombeiros e funcionários do world trade center apontam para explosões no interior do edifício; inclusivamente nas dezenas de imagens da queda das torres podem ver-se clarões de explosões em vários andares. terá sido mesmo uma implosão? um terceiro edifício, mesmo ao lado das torres, também desabou. coincidência? talvez não. é que esse edifício pertencia ao governo norte americano, com escritórios do FBI, CIA e serviços secretos. milhares de documentos e arquivos desapareceram, assim, no meio dos escombros.
talvez tenha sido muito conveniente tudo isto! prefiro não acreditar cegamente na versão dos acontecimentos que o documentário "loose change" avança. o cenário ainda seria mais negro se tudo isso fosse verdade, mais negro ainda que a ameaça terrorista. seria alguém capaz de perpetuar actos deste calibre no seu próprio país, condenando à morte 3 mil pessoas, só para poder ter "carta branca" para iniciar uma guerra contra o iraque, bin laden e saddam hussein?
tirem as vossas próprias conclusões. se não viram o documentário, que passou duas vezes na rtp na semana passada, podem aceder a "loose change" nestes endereços:
http://www.youtube.com/watch?v=CDx1GLqvBO8&search=loose%20change
http://www.loosechange911.com
sexta-feira, setembro 08, 2006
um desafio
1. sou excessivamente neurótico e paranóico no que concerne à segurança dos meus filhos, do género de nem os deixar chegar perto da varanda (e eu moro num primeiro andar!) ou de um qualquer sítio alto e vertiginoso. tenho vertigens (na mesma medida em que o tony ramos tem pelos no corpo) e como tal tenho uma enorme preocupação de falhar numa possível situação perigosa, assim ao estilo do james stewart no "vertigo", de alfred hitchcock, ficando paralizado e sem reacção.
2. sou viciado em música, cinema e séries de televisão. sei que é um cliché dizer isto, mas sinto que sou mesmo. todos os dias descubro um grupo novo, investigo, procuro registos semelhantes, influências musicais, etc.. o cinema tem-me desiludido muito ultimamente (assim de repente, só o sideways me surpreendeu nos últimos anos), mas recorro amiúde à minha prateleira para rever os "meus" clássicos: cyrano de bergerac, annie hall, manhattan, when harry met sally, a vida de brian (dos monty python), etc.. quanto às séries de televisão, é uma renda fixa todos os meses: seinfeld, friends, lost, 24, you name it. chego a ver 8 episódios seguidos do friends.
3. sou uma pessoa de rotinas. não gosto muito de alterar o meu ritmo, os meus locais frequentes, de maneira a não me sentir desconfortável. o café da manhã é sempre no mesmo sítio, o almoço também, o café no final do almoço também, quando saio para jantar fora também é sempre no mesmo sítio. é uma rotina saudável, para mim. saudável e... confortável.
4. adoro adormecer, todas as noites, a minha filhota, de ano e meio, ao som de música muito calminha e suave. sinto que ela também gosta, porque foge sempre do quarto, onde a minha mulher a tenta adormecer, e vem ter comigo à sala. chega, encosta-se às minhas pernas, olha para cima, abre um sorriso desarmante e estende os braços. irresistível! o leque musical é vasto, desde lambchop, diana krall, the czars, red house painters, mark eitzel. adormece em 15 minutos e depois de outro tanto tempo para "ferrar", vou deitá-la no seu berço. mais uma das minhas rotinas...
5. prefiro sempre o inverno ao verão. o calor em demasia irrita-me solenemente. o suor a escorrer pelas costas, as mãos sempre transpiradas, entrar no carro depois de este estar ao sol uma hora. prefiro o frio, para me poder encher de roupa e usar cachecol, como gosto. gosto da chuva, de andar à chuva. gosto da lareira, dos edredons, dos cobertores, dos aquecedores, de me enroscar para aquecer... bem, vocês sabem do que estou a falar. venha de lá esse inverno.
6. esqueço facilmente e rapidamente as pessoas que me defraudam. não sou muito de hipocrisias. quando não gosto de alguém, afasto-me. há apenas um núcleo duro de uma dezena de pessoas por quem "porei sempre as mãos no fogo". as outras pessoas, os amigos de ocasião, os interesseiros, os fracos de espírito, tenho muita pena mas, mesmo consciente da minha dureza e inflexibilidade quase irracional neste aspecto, são riscadas do meu mapa.
Passo o testemunho aos bloguistas que se seguem:
a. duarte lázaro (costumava assinar os comentários como tovarich gina)
marta r (http://astroqueflameja.blogspot.com)
tulipa negra (http://um-nome-qualquer.blogspot.com)
cereja no bolo (http://na-ponta-dos-dedos.blogspot.com)
karla (http://witchspellworld.blogspot.com)
stratega (http://straight-up-no-ice.blogspot.com)
quinta-feira, setembro 07, 2006
gnarls barkley

confesso que demorei um bocadinho a chegar até este disco, que foi lançado em abril deste ano. só agora me debrucei devidamente sobre "st. elsewhere" e muito por causa do single "crazy", que é daquelas músicas que se ama logo à primeira, é viciante. a voz é inebriante e irresistível, a batida é contagiante. fez história no panorama musical britânico, ao tornar-se a primeira música a chegar ao primeiro lugar do top inglês tendo como base apenas os downloads feitos na internet. 31.000 pessoas fizeram o download da música antes do seu lançamento "físico" como single. o album "st. elsewhere" foi lançado pouco tempo depois e rapidamente chegou também ao primeiro lugar.
o projecto gnarls barkley resulta da colaboração entre o reputado produtor danger mouse (que produziu o segundo album dos gorillaz) e o cantor cee-lo green, o tal que tem aquele vozeirão, que mais parece saída de um qualquer projecto musical dos anos 60 ou 70. o disco consegue fundir e conciliar inúmeras referências, gospel, blues, soul, funk e hip hop, encontrando inspiração e influência na profundidade de sentimento de marvin gaye, na emoção teatral de jeff buckley e no atrevimento e arrojo de prince em início de carreira (por alturas do purple rain). este disco já foi referenciado pela crítica especializada como "um dos melhores discos de soul de sempre" e "a psychedelic soul masterpiece".
caso decidam dar uma oportunidade a este disco, recomendo que ouçam "crazy" umas 5 vezes seguidas, para entrarem devidamente no mundo "gnarls barkley". foi o que aconteceu comigo e deu resultado.
quarta-feira, setembro 06, 2006
jerry lewis

jerry lewis foi o responsável por milhares de gargalhadas que dei na minha adolescência. os seus filmes eram sempre garantia de risos histéricos lá em casa e sinónimo de umas horas bem passadas. por esse motivo, sempre tive uma grande admiração e carinho por este actor, mesmo quando tentou enveredar por papéis mais sérios, como em "o rei da comédia", de martin scorsese, com robert de niro, e "arizona dream", com johnny depp e faye dunnaway. há dias li que o actor, de 80 anos, tinha tido uma insuficiência coronária, em junho. apesar de ter sido considerado de "leve" ataque cardíaco, exigiu um cateterismo e o actor correu sérios riscos de falhar, pela primeira vez na história do evento, a maratona televisiva anual de beneficiência da associação de distrofia muscular norte americana, que apresenta há 41 anos. o humorista também faz uso constante de remédios para a pneumonia, problema comum nas vítimas de fibrose pulmonar. mas jerry lewis recuperou e durante as 20 horas do evento, que começou no sábado, dia 2 de setembro, às 22h00, e acabou no dia seguinte, às 18h00, foi... igual a si próprio, uma criança presa dentro de um corpo de adulto. o espectáculo teve convidados musicais, comédia, magia e vários co-apresentadores, entre os quais a figura televisiva norte-americana ed mcmahon. o que é certo é que, na 41ª edição da maratona, ou telethon, dado que o propósito é angariar donativos, via telefone, para os programas de saúde daquela organização voluntária, nomeadamente para estudo e pesquisa para ajudar pessoas com doença neuromuscular, conseguiu-se arrecadar uma quantia recorde: 61 milhões de dólares. "foi muito bom, só posso dizer ´obrigado´, do mais fundo do meu coração, em nome de todos os que não podem agradecer", resumiu o actor, emocionado ao ver o número final de donativos angariados na tela. ao longo dos 41 anos de existência deste evento, esta associação de distrofia muscular já conseguiu arrecadar cerca de 1.4 biliões de dólares, sempre com o lendário actor e humorista à frente das maratonas televisivas. um excelente exemplo de humanidade e de solidariedade!
p.s. - porque raio é que deixaram de passar nos canais televisivos nacionais os filmes de jerry lewis? há anos que não vejo um na televisão. estarão à espera da morte do actor para depois nos bombardearem durante um mês com todos eles?
yes suri, she's our baby

and now for something completely different...
finalmente uma notícia que realmente vale a pena dar:
"Baby Suri Cruise Makes Her World Debut
The Associated Press - Tuesday, September 5, 2006.
LOS ANGELES - With a cherubic face and a shock of dark hair, Suri Cruise - subject of the world's most anticipated baby photo - made her broadcast debut Tuesday. Katie Couric, in her first night as anchor of the "CBS Evening News", revealed photos of 4 1/2-month-old Suri, daughter of Tom Cruise and Katie Holmes. Born April 18, Suri has not appeared in any published photographs, prompting some public speculation about her very existence. But baby Suri is for real and there are pictures of her and her famous parents in the issue of Vanity Fair that hits newsstands Wednesday. Vanity Fair would not release the baby pictures to The Associated Press Tuesday evening".
agora sim, o mundo pode finalmente respirar de alívio. o bebé existe, não foi produto da imaginação ou de uma mera campanha publicitária. porventura o casal estaria à espera da melhor proposta financeira para mostrar a sua criança de quatro meses e meio ao mundo (coube à CBS e à revista vanity fair abrir os cordões à bolsa). com a sede de protagonismo que o pai da criança tem, também não seria de estranhar que estivesse à espera da estreia do seu próximo filme para juntar o útil ao agradável e vender mais uns milhares de bilhetes, tal como fez aquando da estreia de "a guerra dos mundos", ao anunciar em todos os programas televisivos o seu incondicional amor por katie holmes (a cena que protagonizou no programa de oprah winfrey ainda hoje é ridicularizada). desta forma, com a bela katie holmes ao seu lado e com um filho, tom cruise deve ter conseguido afastar de vez, como pretendia, os boatos sobre a sua homossexualidade. ou não...
interesse público??
"Valentim e João Loureiro escolhiam, por diversas vezes, os árbitros para os jogos do Boavista a contar para a época 2003/2004. As escutas telefónicas do processo "Apito Dourado" demonstram que quer o presidente da Liga de Clubes quer o líder do Boavista faziam chegar aos árbitros escolhidos a mensagem da promoção na carreira a troco de uma "boa" arbitragem.
Além dos casos relativos à II Divisão B e que envolviam o Gondomar (cujo processo aguarda a abertura da fase de instrução), a investigação detectou suspeitas de corrupção desportiva na I Liga. E foram remetidas certidões para várias comarcas do País.
Um dos jogos que constam das certidões extraídas pelo MP de Gondomar é o Boavista-Alverca. A partida acabou com a vitória dos axadrezados (2-1), que marcaram os golos nos sete minutos de compensação dados pelo árbitro Paulo Pereira. Valentim Loureiro foi quem informou o árbitro da classificação do observador do jogo - oito pontos. "Já sabe que conta aqui comigo", disse o major ao juiz, numa conversa interceptada pela Polícia Judiciária.
Já em relação ao jogo Boavista-FC Porto (que foi arquivado por falta de provas que sustentassem uma acusação de corrupção desportiva), Valentim questionou Júlio Mouco, da Comissão de Arbitragem da Liga, por que razão não tinha sido nomeado o auxiliar Devesa Neto. "Eu tinha acertado com o dr. João Loureiro que seria o Devesa", disse. Mas o presidente da comissão, Luís Guilherme, não tinha aprovado a nomeação. José Ramalho foi o escolhido e o major pede a Júlio Mouco para transmitir uma mensagem ao auxiliar: "Diga que está lá o presidente da Liga." O major não gostou da actuação de José Ramalho e queixou-se a Luís Guilherme e a Júlio Mouco. A este último lançou um ultimato: "Eu quero ver o que vai acontecer a este filho da puta, eu quero ver o que lhe vão fazer. Tem que se escrever, ok?", afirmou o major. Neste encontro, apesar de o Boavista ter vencido a equipa de Moreira de Cónegos por 1-0, Valentim Loureiro não gostou da prestação do auxiliar Carlos do Carmo. E disse-lhe: "Você sabe que ainda neste defeso você estava não sei quê e eu, aquilo que posso, pelos amigos, faço", segundo uma escuta do processo. "Bem, da próxima você porta-se melhor, senão puxo-lhe as orelhas", conclui o major na conversa telefónica com Carlos do Carmo. O MP entendeu arquivar esta situação.
Segundo o procurador Carlos Teixeira, o modo de actuação de Valentim e de João Loureiro passa, além das sugestões de nomes, pelo conhecimento antecipado dos nomes dos árbitros escolhidos. Tal permitia-lhes encetar os contactos com antecedência. Exemplo disto são as escutas interceptadas antes do jogo Belenenses-Boavista, arbitrado por Bruno Paixão. Numa conversa interceptada entre João Loureiro e Ezequiel Feijão, um ex-árbitro e observador da Liga, o presidente do Boavista pede que a equipa de arbitragem seja abordada, dando as instruções: "Ele [Bruno Paixão] chegou onde pediu (...), se quer umas viagenzinhas para o ano e tal... temos... temos... de atalhar caminho, pá!(...) Tu pediste... foi-te concedido".
Também antes do jogo Boavista-Beira-Mar, João Loureiro contactou o observador Pinto Correia para este dar um "toque" ao árbitro Nuno Almedeia. E a abordagem deveria ser esta: "Que nós que temos grande consideração(...), é malta que o pode fazer chegar onde ele quer... porque ele é ambicioso e tal", segundo uma conversa interceptada. Pinto Correia serenou João Loureiro: "Eu sei como é que lhe dou a volta".
No Marítimo-Nacional da Madeira, o árbitro Martins dos Santos foi escutado a confessar que prejudicou o Nacional: "Queriam lá um penalty, mas eu puni o gajo com amarelo." Ao árbitro foi prometida a subida de escalão na arbitragem do seu filho André Santos . "Consegue dar-me essa graça que eu responsabilizo-me pela outra", disse Martins dos Santos a António Henriques da FPF.
é este o tão proclamado interesse público?? há muito que deixou de haver interesse público no futebol nacional, para passar a existir um cada vez mais notório interesse privado. a vergonha do "caso mateus" está a atirar muita poeira para os olhos das pessoas, encobrindo o que de verdadeiramente nocivo se arrasta nos meandros futebolísticos nacionais: os seus dirigentes. como se comprova por esta notícia do diário de notícias.
façam o favor de se demitirem todos. e faço minhas as palavras de miguel sousa tavares, em artigo publicado no jornal "a bola" há uma semana atrás: "que explodam (os dirigentes) de vaidade já que pelos vistos não explodem de incompetência".
terça-feira, setembro 05, 2006
caffe latte

com o calor a apertar apetece beber sempre algo... estimulante. bem fresco! estupidamente fresco, de preferência. há uns anos atrás a minha bebida de eleição era a green sands (alguém se lembra ainda disto?). depois vieram as bebidas alcoólicas, como o pisang ambom, martini branco, etc.. mas neste departamento continuam a vigorar as caipirinhas e, com este brutal e insuportável calor, costumam ser remédio santo mas, caramba, estão a um preço cada vez mais exorbitante. daí que tenha arranjado forma de as fazer em casa. já vem quase tudo numas carteirinhas e é só misturar com cachaça e encher de gelo. mesmo assim... é caro. e ainda dá algum trabalho a picar o gelo (onde estás tu sharon stone, com o teu picador de gelo, quando uma pessoa precisa de ti?).
numa perspectiva não alcoólica, mas igualmente estimulante, neste verão viciei-me nesta bebida: emmi caffe latte, com sabores como cappucino, expresso e machiato. se estiver bem fresco é das coisas mais aliciantes que há para matar a sede. o café é da guatemala, o leite é suiço. dois países unidos no combate à sede que por aí prospera.
costanza / bing


como apreciador do género televisivo há largos anos, possuo já suficiente background para poder apontar as minhas personagens preferidas de sitcoms:
george costanza (seinfeld),
interpretado por jason alexander.
chandler bing (friends),
interpretado por matthew perry.
felizes os escritores que conseguiram criar personagens tão idiossincráticas, mantendo a coerência de atitudes ao longo dos vários anos de exibição destas duas séries, e os actores que lhe deram corpo, ambos eficientes na construção psicológica das suas personagens, ao ponto de nunca terem conseguido "afastar-se" verdadeiramente do registo criado. jason alexander era já bastante conhecido antes de seinfeld, tendo inclusivamente ganho um tony, prémio atribuído a produções teatrais (o tony está para o teatro como o óscar para o cinema e o emmy para a televisão). depois entrou no mega sucesso "pretty woman", com julia roberts e richard gere. mas depois de "seinfeld" tem andado "desaparecido". entrou em alguns episódios de "curb your enthusiasm", de larry david, co-criador de "seinfeld", fez vozes para filmes infantis e alguns filmes série b. o caso de matthew perry é diferente, "nasceu" de chandler bing, tendo várias incursões falhadas pelo cinema. o único sucesso que teve foi "the whole nine yards", com bruce willis, amanda peet e rosanna arquette, filme que mais tarde teria direito a sequela. com o final de "friends", perry tem feito essencialmente produções para televisão.
mas voltando às personagens:
george costanza é neurótico, inseguro, com baixa auto-estima, preguiçoso, interesseiro, infeliz nos amores, propenso a confusões e mal entendidos. há vários episódios marcantes na série: um em que george decide fazer sempre o contrário do que normalmente faria, o que lhe traz gratificantes surpresas, e outro em que decide abdicar totalmente do sexo, até em pensamento, ficando automaticamente muito mais inteligente. é uma personagem fascinante, sem filtros, sem hipocrisias, que diz sempre o que pensa e o que sente.
chandler bing é, acima de tudo, irónico e sarcástico. tem sempre uma piada engatilhada para cada situação. tal como george, também é inseguro e totalmente desajeitado com as mulheres, até se apaixonar por monica (courtney cox). é impossível manter com ele uma conversa séria, por diversas vezes os seus "amigos" tentam desabafar e procurar conselhos junto dele, recebendo apenas comentários sarcásticos e piadas parvas: "could I interest you in a sarcastic remark?".
chandler é inteligente, tal como george. o seu estilo de humor não é abrangente, como o de joey tribianni (friends), o tradicional personagem "dumb", como woody harrelson em cheers, ou cosmo kramer (seinfeld), num registo humorístico mais físico, mas acaba por ser muito mais gratificante. a última piada da série pertenceu-lhe, na 10ª temporada (o último episódio passou na sexta-feira passada no canal 2). ficaria muito mais "agarrado" a uma possível sitcom chamada "chandler" do que fiquei à série "joey", com matt le blanc, que dá "continuação" à personagem joey tribianni. e costanza também merecia ser perpetuado... mas para nos recordarmos dele temos sempre "curb your enthusiasm", na medida em que foi larry david a grande inspiração para a criação de george costanza.
segunda-feira, setembro 04, 2006
o tigre e a neve

roberto benigni é... um grande actor! tanto nos consegue fazer rir desalmadamente, em filmes como "johnny palito" e "monstro", como consegue enternecer-nos e comover-nos, como em "a vida é bela". em itália quiseram fazer dele o "novo tótó", apresentando-lhe comédias atrás de comédias, mas ele conseguiu fugir do estereotipo e provou que, como actor, era capaz de muito mais.
"a vida é bela" granjeou-lhe enorme sucesso, que extravasou mesmo as fronteiras da europa. conquistou o "mercado" chauvinista americano, vencendo, na edição de 1998 dos óscares, o óscar de melhor actor e o de melhor filme estrangeiro, sendo igualmente nomeado para melhor realizador e melhor filme, que viria a perder para o insípido "shakespeare in love". na categoria de melhor actor, benigni "roubou" a tom hanks a hipótese da sua terceira estatueta (depois de "forrest gump" e "filadélfia", hanks estava nomeado por "saving private ryan"). na categoria de melhor realizador, o italiano perdeu para steven spielberg, pelo já citado "saving private ryan". roberto benigni passou a ter outro estatuto e a ter muitos mais holofotes a incidir sobre o seu trabalho. o seu projecto seguinte, apenas três anos depois, chamou-se "pinóquio", um filme sem sorte desde o início da sua rodagem, quando se criticou duramente o seu orçamento megalómano, impróprio para um filme europeu. "pinóquio" foi um flop, um passo errado de benigni. daí que tenha voltado a cair no esquecimento. a memória das pessoas é muito curta e há sempre blockbusters fresquinhos, todos os anos, a sair dos grandes estúdios norte-americanos.
no ano passado, roberto benigni apresentou "o tigre e a neve", mais uma vez com a sua esposa nicoletta braschi no elenco. não houve grande alarido da imprensa na altura, o filme foi posto de lado pela maioria dos críticos, apenas salientando que o mesmo tinha sido rodado parcialmente em bagdad. pois bem, deviam ter visto bem o filme! sem nunca ser lamechas, pedante ou cabotino, benigni constrói uma história apaixonante, de entrega, de abnegação, de devoção, de ternura. no filme, ele é um professor de poesia/escritor, separado, com duas filhas gémeas. conquista-nos com o seu ar trapalhão e desengonçado; prende-nos com a sua eloquência quando fala de poesia; mas, sobretudo, consegue fazer passar para o espectador toda a paixão que sente pela personagem de nicoletta braschi. e é essa paixão que o vai levar ao iraque e a colocar a vida em risco inúmeras vezes, com alguns momentos de humor "à benigni" pelo meio.
em suma, é um filme poético e apaixonado, incompreensivelmente ignorado.
quinta-feira, agosto 31, 2006
a colectânea dos 34
este ano não será excepção. e nem podia ser, já que 2006 tem sido um ano fantástico em termos de descobertas musicais. a questão é escolher 20 músicas num universo de 300. no ano passado o maior número de músicas pertenceu aos antony and the johnsons, the czars, blonde redhead e american music club (foi, aliás, o ano do regresso dos amc, depois de 10 anos). este ano o número de bandas que ouvi subiu consideravelmente, de todos os quadrantes. foi difícil a selecção final.
aqui fica então a composição da colectânea dos 34:
1. machine gun - slowdive
2. my sun is setting over her magic - marjorie fair
3. bleed a river deep - ed harcourt
4. all your tears - mojave 3
5. the end and the beginning - devics
6. alison - slowdive
7. reason why - rachel yamagata
8. fall - editors
9. bermuda highway - my morning jacket
10. in a manner of speaking - nouvelle vague
11. someone must get hurt - she wants revenge
12. salty seas - devics
13. let's go out tonight - the blue nile
14. stare - marjorie fair
15. knot comes loose - my morning jacket
16. she loves me, she loves me not - she wants revenge
17. here she comes - slowdive
18. camera - editors
19. kentucky woman - sun kil moon
20. from a late night train - the blue nile
quarta-feira, agosto 30, 2006
48 horas
já sabia que não ia dormir nada. a ansiedade que antecede uma viagem deixa-me assim, inquieto, impaciente. como era de esperar, acordo antes do despertador tocar. o ritual é o mesmo de sempre: banho, barba, dentes, roll on, nivea, perfume. a amargura apertada da despedida já estava entranhada há muito, desde que ficou definido este fim de semana. mesmo assim, e como também era de esperar, custou muito.
cheguei a nelas, comprei o bilhete e esperei ainda 20 minutos. a viagem correu muito bem, sem se dar pelo tempo. tive oportunidade de ir a ouvir musica, graças à minha doce companheira de blog, a cláudia, que me emprestou o discman. ouvi slowdive. duas horas de excelente música.
11h30. cheguei a santarém. o ricardo também tinha acabado de chegar de lisboa. informo-o da referência feita ao blog dele na revista FHM. reconhecimento merecido, diga-se. depois de uma rápida consulta ao mapa, decidimos avançar pela A13, rumo ao sul. rapidamente chegamos ao local onde decidimos almoçar: santiago do cacém. isto porque me lembrava de ter almoçado, em 1997, num restaurante muito bom chamado "taska toska", onde tinha comido uma das melhores pizzas que já tinha provado. desta vez, nove anos depois, já não fiquei com a mesma impressão. foi aqui também que começamos a tomar consciência de que, de lisboa para baixo, não havia restaurante algum que tivesse sagres bohemia. qual será o motivo? stock reduzido? falta de divulgação? mas caramba, é "apenas" a melhor cerveja nacional.
seguimos para o algarve, para o hotel montechoro. já tinhamos feito a reserva quinze dias antes mas estávamos ambos receosos que houvesse algum contratempo. felizmente não houve. antes pelo contrário. deram-nos um quarto, com duas camas, mais uma ampla sala, com sofás, com outro roupeiro, outra televisão. enfim, um luxo. era o único quarto daquele piso com duas portas, o que, para uma pessoa neurótica como eu, foi terrível, porque tinha sempre que verificar se as duas portas estavam realmente fechadas, em vez de verificar apenas uma.
malas arrumadas, fato de banho vestido, impunha-se uma praia. a escolhida foi santa eulália. dentro de água é impossível fugir àquele recorrente pensamento, que me ocorre sempre que vou ao algarve: as praias aqui de cima são uma merda, quandop comparadas com as do algarve, onde se pode estar, de facto, dentro de água. antes de voltar ao hotel, ainda fomos à praia de olhos d'água, paragem obrigatória, pela nostalgia que acarreta. tinhamos lá estado várias vezes em 1994 e no ano passado também por lá passamos.
o jantar foi num restaurante chamado "lavrador", onde comemos bem e bebemos melhor, um quinta de cabriz, do dão. saímos de lá bem animados, já com o propósito de irmos ao libertos bar. tinhamos lá estado no ano passado e levámos de lá a melhor das impressões, por vários motivos. este ano não foi diferente. bom ambiente, música ao vivo, caras bonitas (em alguns casos, muito bonitas mesmo, como foi o caso de uma das barmaids, a fernanda, brasileira, linda de morrer!). só saímos de lá quando fechou, pelas 04h00. nem sentimos o tempo a passar. o ricardo ainda estava um pouco preocupado com o resultado do fc porto - u. leiria, porque não vimos o jogo. infelizmente, o fc porto ganhou, mas nem isso conseguiu estragar-me a noite.
sábado, 26 de agosto:
depois de dormirmos cerca de 4 horas, descemos para o pequeno almoço. decidimos nessa altura ir "descobrir" uma praia recomendada pela revista visão: praia da marinha, perto de lagoa. lá chegados, depois de algumas voltas provocadas pela falta de sinalização, descemos os 121 degraus que nos levavam à praia, para chegarmos imediatamente à conclusão de que não dava para ir à água, dada a excessiva quantidade de rochas existentes. 121 degraus a subir custou muito mais, ainda por cima sem termos tomado ainda café, ou melhor, um café decente, não aquele do pequeno almoço do hotel. paramos, por isso, no primeiro tasco que encontramos pelo caminho, na direcção de armação de pêra, que era a praia mais próxima. apesar de estar a abarrotar de gente, até gostamos de armação de pêra, onde também tinhamos estado em 1994, acampados por sinal. o almoço, logo depois, já estava delineado há muito: o famoso frango da guia. voltamos em seguida para albufeira, onde encetamos uma procura por um cyber cafe ou um espaço internet. encontramos um perto do mac donalds e do kentucky fried chicken, onde estivemos ainda algum tempo. ainda antes de irmos para a praia, passamos pelo modelo, para comprar bebidas caffe latte, machiato e cappucinno, um vício recente de ambos.
voltamos então à praia de santa eulália. o ricardo apanhou um escaldão e ficou pior do que estragado. era suposto ainda irmos à praia da falésia mas acabamos por não ir. despedimo-nos, assim, das praias do algarve. mas valeu a pena, vale sempre a pena, nem que sejam apenas umas horas que lá se passam.
a decisão sobre o local para jantar foi morosa. queríamos um sítio específico: barato, com televisão na sport tv (para vermos o sporting) e numa esplanada. depois de vermos dezenas de ementas e de analisarmos o ambiente de vários restaurantes, decidimo-nos por um, curiosamente o que ficava mais perto do libertos bar. ficamos sentados quase 3 horas, vimos o jogo todo, o sporting ganhou (e ainda bem, senão estava tudo estragado!). não tinham bohemia também os sacanas, a comida era razoável, o empregado que nos atendeu é que era do piorio.
por volta das 23h30 lá fomos para o inevitável libertos bar. em princípio para ficarmos apenas até às 2h00, porque no dia seguinte tinhamos a viagem para lisboa e precisávamos dormir umas horas mais do que na noite anterior (mas sabíamos nós o que aí vinha...). como o ambiente ainda estava melhor do que na noite anterior, ficamos novamente até fechar. voltamos a despedir-nos do libertos com uma agradável sensação, a mesma do ano passado. passam-se ali bons momentos, nem se dá conta do tempo a passar. voltaremos, sem dúvida, no próximo ano.
domingo, 27 de agosto:
no regresso ao hotel, falamos sobre o que fariamos no dia seguinte, o dia do regresso. praia estava fora de questão, a piscina do hotel também. além disso, as saudades, que já tinham começado a apertar durante a tarde, eram por esta altura ainda maiores. dessa forma, quando chegamos ao hotel, por volta das 05h00, pedimos acesso à internet, para consultar os horários dos comboios. havia uma enorme disparidade entre os dois intercidades para nelas, onde eu tinha deixado o carro na sexta-feira. um deles partia de lisboa às 12h05 e o outro às 19h30. começamos então a ver que o comboio das 12h05 era o mais apetecível, porque me permitia chegar a casa por volta das 16h00, em vez das 23h00, se apanhasse o das 19h30. mas para apanharmos o comboio das 12h30 teríamos que sair do algarve às 08h00. como nenhum de nós tinha sono e entre dormir duas ou três horas ou não dormir de todo, preferimos... não dormir de todo. subimos ao quarto, arrumamos tudo e saímos do hotel às 06h00. foi uma luta para manter os olhos abertos durante a viagem. o ricardo aguentou estoicamente a conduzir, cheio de sono e morto de cansaço, tal como eu. paramos em quase todas as estações de serviço: almodovar, onde tomamos o primeiro café e comemos qualquer coisa; grândola, compramos pastilhas e o jornal a bola; e alcácer do sal, onde foi impossível resistir mais e acabamos por dormir duas horas no carro. depois disso, tomamos novamente café e comemos mais alguma coisa. chegamos a lisboa cedo, tendo tempo suficiente para comprar o bilhete, comprar algo para os nossos filhos, comprar uma revista que na capa tinha uma tipa que tinhamos visto na noite anterior no libertos bar (a revista chama-se fitness; ela é personal trainer de fitness e chama-se sónia viola), comprar algo para comer durante a viagem e, sobretudo, sentarmo-nos numa esplanada a avaliar o que tinhamos vivido nas ultimas 48 horas. a principal conclusão foi: temos que repetir no próximo ano.
o reencontro lá em casa foi gratificante. vinha cheio de saudades e foi bom constatar que também eles tiveram saudades minhas. é sempre bom regressar.
sábado, agosto 26, 2006
algarve 2006
muito bem, tenho isso tudo. mas... caramba... sinto-me vazio. faltam-me os outros 362 dias.
falta-me o riso da minha filha, a sua tagarelice, que ninguém entende, a sua constante boa disposição.
falta-me o ar de deslumbramento do meu filho ao ver o mar, a praia, a sua inquietude própria da idade, a sua capacidade para ficar uma tarde inteira na água.
falta-me a astúcia, a inteligência, a capacidade de organização e o sorriso da minha mulher, e, sobretudo, aquela sensação de estar a partilhar com ela tudo isto, olhando embevecidos para os nossos filhos, trocando ternuras cúmplices e "sorvendo" este estado de espírito próprio de férias, de calma, de tranquilidade. ela merecia também isto, esta pausa, estes 3 dias.
também sei que o meu companheiro de viagem sente isto. custa-nos estar na praia e ver crianças a brincar porque nos lembramos sempre das nossas. mas estamos a divertir-nos, a encher o peito de energia para voltarmos para eles dispostos a dar-lhes ainda mais amor e atenção nos próximos 362 dias. ser pai é isto. ter saudades. sempre!
até amanhã.

