terça-feira, setembro 26, 2006
a nossa essência
toda a gente pode argumentar que ambas são situações de descontrole emocional, em que os instintos e os nervos falam mais alto. mas o verdadeiro descontrole é mesmo o homem. em ambos os casos, o controle aparente é... o disfarce. no primeiro caso, a pergunta que se pode fazer é: estaremos preparados para a eventualidade de morrer daqui a cinco minutos? claro que não, talvez em vinte se pudesse arranjar alguma coisa. ameaçados por uma arma estamos perante uma possível finitude, um encerramento perpétuo e definitivo do que fomos, do que construímos. e como reagiremos? em quem pensaremos? que contas deixaremos por pagar?
é impossível prever a nossa reacção. no fundo, tudo residirá no facto de termos coragem ou não para ripostar, para lutar pela vida. ou se, pelo facto de ripostarmos e lutar pela vida, não acabamos por apressar ainda mais as coisas e ainda chegamos ao céu antes de servirem o jantar.
na segunda situação, a maior parte de nós porta-se como um pateta. falsos encontros casuais diários cuidadosamente arquitectados, perseguições de carro, telefonemas constantes (mesmo anónimos), esperas junto da casa dela para ver se ela entra com algum outro homem, noites inteiras sem dormir a pensar no que dizer no próximo "encontro casual", em outras maneiras de a impressionar sem ser com o 18 que tivemos no curso de dactilografia. este imbecil - e não o cidadão adulto, respeitável, razoável, comedido - somos nós, quando nos apaixonamos. tudo o resto é fingimento. se calhar, é neste tipo de situações que acabei de relatar que somos mesmo nós, na nossa essência. obviamente, não somos todos iguais e, tal como na situação da morte à frente dos olhos, neste caso também há inúmeras possibilidades de reacção. também há os discretos, os que amam mas nem às paredes confessam, os que estão apaixonados mas só revelam a alguns muros e janelas. pois, somos todos diferentes e reagimos de maneira diferente.
mas, também vos digo, se me derem a tal pepsi no café, depois de eu ter pedido coca-cola, podem crer que... a bebo, resignado, sem levantar ondas. não sou desse género. infelizmente.
segunda-feira, setembro 25, 2006
gerador de antipatia
até para meter gasolina costumo ir sempre ao mesmo sítio. quando, por imperativos vários, tenho que me deslocar a um outro posto de abastecimento, acontece sempre algo desagradável. eu tenho o hábito de sair do carro e meter eu mesmo o combustível no carro, para não perder tanto tempo. o procedimento habitual é simples: tirar a mangueira, colocar a quantia pretendia na máquina, meter a gasolina, pagar e pirar-me. nesta situação específica a máquina não me estava a deixar colocar a quantia pretendida, embora eu tentasse repetidamente fazê-lo. o funcionário do tal posto, que até devia sentir-se grato por eu estar a fazer o seu trabalho, a cerca de 10 metros de mim, começa a berrar: "eh pá, escusa de estar aí a tentar fazer isso porque as máquinas estão avariadas, pá"... (!!!)
1º. se há coisa que me irrita é que pessoas, que não me conhecem de lado nenhum, me tratem por "pá". considero isso uma falta de consideração e de educação extremamente grave;
2º. eu não sabia que as máquinas estavam avariadas, precisamente porque não foi colocado nenhum papel a avisar.
3º. eu estava a tentar reduzir o trabalho do tal funcionário ao mínimo. neste caso, ele só teria que estender a mão e receber os meus 30 euros, sem ter que dizer nada, como normalmente acontece.
é claro que eu sei que o tal funcionário nunca iria falar assim a um tipo que estivesse de fato e gravata e tivesse um bmw ou um audi. e a funcionária do balcão da tal pastelaria também nunca procederia daquele modo (quando muito, coçava a cabeça). mas é assim... eu chego a um sítio novo e levo sempre com cartões de visita deste género.
eu não sou, de certeza absoluta, a pessoa mais simpática do mundo, longe disso (numa tabela classificativa à escala mundial, ficaria atrás do alberto joão jardim e do josé saramago). acho, todavia, que toda a gente merece ser tratada da mesma forma. por isso, funcionários das pastelarias, cafés, restaurantes, postos de combustíveis, etc., façam o favor de desprezar e de serem igualmente malcriados para com todos os outros clientes. eu não quero ter essa primazia.
sexta-feira, setembro 22, 2006
seca confortável
um homem solteiro, quando ouve falar numa festa que se vai realizar em casa de um amigo, pergunta logo se vão lá estar muitas mulheres, de preferência igualmente solteiras e extremamente atraentes, do género de nos conseguirem desviar a atenção da televisão quando está a dar a final do mundial de futebol e vai ser marcado um penalty no último minuto.
um homem casado, perante o mesmo cenário, pergunta logo se lá vão estar outros homens, para ter alguém com quem conversar, dado que é certo e sabido que as mulheres vão por-se à conversa durante horas, deixando de lado os homens. atenção que eu não quero generalizar nesta matéria, mas comigo é assim que se passam as coisas, sobretudo quando elas trabalham todas no mesmo sítio e têm assuntos de sobra para falar (enfermeiros atiradiços, médicos "bons como o milho", quem anda a enganar quem...).
ou seja, nós, homens, passamos grande parte da nossa vida a procurar por mulheres, em festas, em discotecas, no departamento de bioquímica da universidade de trás-os-montes, na body shop da rua direita, nos escritórios de advogados, etc.. a partir de certa altura, ou seja, do casamento, começamos a virar a nossa atenção para outros pormenores. é que os homens solteiros avaliam os eventos sociais somente pela quantidade e qualidade das mulheres que vão lá estar. é o que eles perguntam antes de ir e do que falam quando regressam. não importa qual o acontecimento, até pode ser um funeral. os homens casados só pretendem minimizar a seca que têm a certeza que vão apanhar. havendo nessa festa outros homens com o mesmo "problema" é reconfortante. é uma questão de equilíbrio. há um ratio homem/mulher que nos deixa confortáveis e que nós estamos sempre a verificar.
mas claro, tudo isto é secundário se estiver a dar um jogo de futebol na televisão que nos ocupe o tempo durante 2 horas...
o dilema do casaco
depois vem sempre o dilema do casaco. a minha mulher nunca acha que está frio suficiente para se dar ao trabalho de vestir um casaco. por ela andava sempre de manga curta. o mais estranho é que tem montes de casacos e quando surgem situações deste género diz quase sempre: "não tenho nenhum casaco que fique bem com esta roupa". é fatal! portanto, a capacidade de aguentar temperaturas baixas está estreitamente relacionada com as chamadas regras de vestuário. o casaco até pode ser quentinho, mas ela pensa que fica gorda com ele e não condiz com nada que tem vestido. nesse caso, prefere gelar e apanhar uma gripe a destoar peças de vestuário, sujeitando-se a ouvir comentários maliciosos de outras "escravas da moda".
eu, por outro lado, tenho em mente o meu próprio interesse. sei que me constipo 228 vezes por ano e, como tal, sei que mais tarde, vai estar mais frio e vou ter necessidade de vestir um casaco. quando ela tiver frio, tenho de fazer o gesto de cavalheiro, que sou, de tirar o meu casaco e de o colocar sobre os seus ombros. o gesto é bonito, galante e charmoso, mas caramba... era escusado. quer dizer, se fossemos apanhados por uma inesperada chuva de granizo, ou o país fosse invadido e tivéssemos de fugir repentinamente com apenas a roupa do corpo, eu não teria qualqur problema. dar-lhe-ia o meu casaco instintivamente. mas neste caso temos escolha. estamos frente a um roupeiro com dezenas de artigos e acessórios protectores para cada variação potencial de cinco graus de temperatura: camisolas, cachecóis, blusões, luvas. mas não. "eu fico bem", diz ela.
e assim saímos de casa. mais tarde, quando vem o mais que provável frio, tendo em conta que estamos já no outono, os dias quentes já se foram, ela já não se importa se o meu casaco condiz com alguma coisa que ela tem vestido. de certeza que lhe fica pior do que qualquer outro casaco que ela tem em casa, mas, apesar disso, está tudo bem, porque as pessoas sabem o que se passa. não a vão criticar. quando se vê uma mulher com um casaco de homem a destoar sobre os ombros nunca se diz "credo, em que é que ela estava a pensar para vestir aquilo?", diz-se antes "olha que amoroso, como ele abdicou do casaco por ela".
e aquilo que eu penso é: "sou um paspalho. eu é que me preveni antes de sair de casa, eu é que trouxe casaco, mas eu é que estou aqui agora a gelar. amanhã não me posso esquecer de passar pela farmácia, para comprar mais antigripine".
quarta-feira, setembro 20, 2006
michelle pfeiffer

depois de uma longa ausência, ela está de volta! os seus últimos filmes tinham sido "what lies beneath" (2000), com harrison ford, "I am sam" (2001), com sean penn, e "white oleander" (2002). depois... eclipsou-se, com muita pena minha. já acompanho a sua carreira desde "scarface", com al pacino. depois vieram filmes como "a mulher falcão", fábula fantástica com rutger hauer e matthew broderick; "as bruxas de eastwick", com jack nicholson, cher e susan sarandon; "ligações perigosas", com john malkovich e glenn close; "tequilla sunrise", com mel gibson; essa obra prima chamada "os fabulosos irmãos baker", onde contracenava com o sempre magnífico jeff bridges; "love field"; "a casa da rússia", com sean connery; "a idade da inocência", outro grande filme, de martin scorsese, com daniel day lewis e winona ryder; "wolf", com jack nicholson; "dangerous minds"; "one fine day", com george clooney; e "story of us", com bruce willis. é claro que não ia aqui referir todos os filmes que ela fez, citei apenas alguns. ela é daquelas actrizes que "envelheceu" muito bem, tanto em termos de beleza como em termos de interpretação. no início era apenas mais uma ex-modelo loura, que tinha feito anúncios ao sabonete lux. entrou em episódios da "ilha da fantasia", em filmes como "charlie chan and the curse of the dragon queen" (só o nome diz tudo) e "grease 2" (já sem john travolta, que tinha entrado no primeiro) e em vários produtos de qualidade duvidosa, até chegar a oportunidade em "scarface". michelle pfeiffer foi brilhante em "ligações perigosas", que lhe valeu a primeira nomeação para os óscares. no ano seguinte (1989) voltou a ser nomeada, desta vez para melhor actriz principal, por "os fabulosos irmãos baker". a terceira e última nomeação foi em 1992, por "love field". foi injustiçada ao não ser nomeada por "a idade da inocência" e "a casa da rússia".
pois bem, no próximo ano vamos poder ver michelle pfeiffer em três filmes:
"stardust", de matthew vaughn, filme baseado no romance de neil gaiman, descrito como uma "fantasy and adventure love story", ao jeito de "princess bride". no elenco, a acompanhar pfeiffer, nomes de peso com robert de niro, sienna miller, claire danes e rupert everett.
"I could never be your woman", de amy heckerling, uma comédia romântica com paul rudd, jon lovitz e tracey ullman. neste filme pfeiffer apaixona-se por um homem bastante mais novo que ela (rudd), ao mesmo tempo que tem que lidar com a primeira paixão da sua filha adolescente.
"hairspray", de adam shankman, versão do clássico de 1988, que mais tarde resultaria numa bem sucedida peça da broadway. neste filme a actriz vai contracenar com john travolta, christopher walken e queen latifah.
há ainda alguns rumores sobre um filme, previsto para 2008, realizado pelo marido da actriz, o produtor televisivo david e. kelley, responsável por êxitos como "ally mc beal" e "causa justa". para já o nome avançado para esta produção é "chasing montana". mais tarde se confirmará a veracidade destes rumores.
terça-feira, setembro 19, 2006
entre casais
"também tivemos uma experiência parecida", é das frases que mais se ouve. quem não teve uma situação idêntica ou parecida, está de fora. levantam-se, pagam os seus cafés e vão para casa, desclassificados, porque raramente a conversa vai voltar a girar à volta de um outro assunto. ou outros casais continuam à mesa, contando todas as suas versões da tal "experiância". a conversa desenrola-se no sentido dos ponteiros dos relógios à volta da mesa.
quando se chega às meias-finais torna-se mais difícil. a nossa história tem que ser mais interessante do que a do último casal. e então começam os segredinhos entre os casais:
"querida, depressa, temos alguma coisa como isto? aeroporto, bagagens, qualquer coisa? lembras-te de perder o pente daquela vez? há alguma coisa nisso? vá lá despacha-te, somos a seguir". é mesmo assim, se o casal número um perdeu as bagagens no méxico, o casal dois perdeu as bagagens e os passaportes, o casal três acrescentou os telemóveis, etc..
chegada a nossa vez, temos que bater isto tudo, não vale a pena repetir situações.
"perdemos a nossa bagagem, os nossos passaportes e ainda por cima a nossa casa foi assaltada. e as nossas crianças! a família toda, tudo. recorremos à companhia de aviação e recebemos novas crianças no dia seguinte, duas raparigas e um rapaz. e ainda ofereceram o cão. tudo acabou por ficar bem, mas por momentos ficámos bastante assustados".
sozinho em casa
pouso o correio, permaneço quieto, abro o frigorífico, olho para as prateleiras à procura não sei bem de quê, cheiro o leite, volto a pô-lo no frigorífico, volto para a sala, olho fixamente uma cadeira, vejo se tenho mensagens no telefone, ligo a televisão, faço zapping durante 2 minutos, vou à janela, olho fixamente a rua durante 3 minutos, desligo a televisão, ponho música, vou novamente ao frigorífico, não há nada que me apeteça comer de lá, pego numa banana, como metade, pego numa revista, leio meia dúzia de linhas, vou novamente à janela... enfim, pareço perdido na minha própria casa.
quando se vive sozinho isto acaba por ser normal. quando se vive acompanhado é... estranho. e então começamos a anunciar tudo o que vamos fazer.
- "vou ver televisão para a sala"
- "quanto tempo?"
- "quinze segundos. depois tenho que estar à janela, vou olhar fixamente a casa do outro lado da rua por um bocadinho".
- "por quanto tempo?"
- "não mais de dez segundos, porque tenho de comer meia banana e fixar o olhar numa cadeira. e já estou atrasado".
fazer algo
vamos para o trabalho na segunda de manhã e a pergunta é sempre a mesma:
"então esse fim de semana como foi? o que fizeram?"
o que diabo é que eu poderia ter feito que fosse suficientemente interessante para resistir a este tipo de insistência? é um fim de semana, por amor de deus, dois dias sem trabalhar. é preciso ser melhor do que isto?
mas a pressão é tanta que nos sentimos "obrigados" a ter tido um fim de semana tão bom como o deles. por causa deles. e então atiramos com isto:
"fui com a paula fazer caça submarina";
"fizemos um teste de lançamento da nave espacial";
"fomos esquiar para a serra".
no fundo, o que se pode fazer no fim de semana senão tentar descansar o mais possível, sabendo que tens duas crianças em casa e que tens que evitar que uma delas parta a cabeça a tentar subir a uma cadeira, que a outra atravessa bem a estrada quando vai lá para fora andar de bicicleta. depois as birras, os choros, os gritos (caramba, eu tenho mesmo que começar a reagir melhor às derrotas do sporting!).
mas ainda se arranja algum tempo para descansar, não fazendo nada (isto depois de fazer o almoço, lavar a louça, arrumar a cozinha, passar o esfregão no chão, adormecer a mais nova, entreter o mais velho, etc). mesmo com tudo isto que coloquei entre parentesis, ainda se conseguem arranjar uns minutos para me deitar no sofá com a mulher no sofá a ver um bom filme, como foi o caso deste fim de semana, quando vimos o "infiltrados", de spike lee, com denzel washington, clive owen e jodie foster. quality time indeed.
acordar
- "ela é mesmo gira"
- "não é maravilhoso ver, todas as manhãs, esta cara que eu amo?"
- "a vida é mesmo fabulosa"
- "será que o meu dentista pode mudar a limpeza dos dentes para a tarde, porque eu queria ir com o carro ao mecânico ver aquele problema no radiador?"
antes ainda de me levantar da cama, numa espécie de antevisão do que vai ser o meu dia, normalmente faço isto a olhar para o tecto, consigo pensar em pelo menos cinco coisas que me poderão correr mal e outras tantas que tenho que fazer naquele dia.
depois levanto-me e queixo-me das costas durante todo o trajecto até à casa de banho.
quinta-feira, setembro 14, 2006
vai começar tudo de novo
"shame on you mr. bush. shame on you".
michael moore disse-o nos óscares. eu assino por baixo.
apreciem então esta notícia de hoje do washington post:
U.N. Inspectors Dispute Iran Report By House Panel
Paper on Nuclear Aims Called Dishonest
By Dafna Linzer - Washington Post Staff Writer
Thursday, September 14, 2006
U.N. inspectors investigating Iran's nuclear program angrily complained to the Bush administration and to a Republican congressman yesterday about a recent House committee report on Iran's capabilities, calling parts of the document "outrageous and dishonest" and offering evidence to refute its central claims. Officials of the United Nations' International Atomic Energy Agency said in a letter that the report contained some "erroneous, misleading and unsubstantiated statements." The letter, signed by a senior director at the agency, was addressed to Rep. Peter Hoekstra (R-Mich.), chairman of the House intelligence committee, which issued the report.
The IAEA openly clashed with the Bush administration on pre-war assessments of weapons of mass destruction in Iraq. Relations all but collapsed when the agency revealed that the White House had based some allegations about an Iraqi nuclear program on forged documents.
After no such weapons were found in Iraq, the IAEA came under additional criticism for taking a cautious approach on Iran, which the White House says is trying to building nuclear weapons in secret. At one point, the administration orchestrated a campaign to remove the IAEA's director general, Mohamed ElBaradei. It failed, and he won the Nobel Peace Prize last year.
Yesterday's letter, a copy of which was provided to The Washington Post, was the first time the IAEA has publicly disputed U.S. allegations about its Iran investigation. The agency noted five major errors in the committee's 29-page report, which said Iran's nuclear capabilities are more advanced than either the IAEA or U.S. intelligence has shown.
Among the committee's assertions is that Iran is producing weapons-grade uranium at its facility in the town of Natanz. The IAEA called that "incorrect," noting that weapons-grade uranium is enriched to a level of 90 percent or more. Iran has enriched uranium to 3.5 percent under IAEA monitoring.
When the congressional report was released last month, Hoekstra said his intent was "to help increase the American public's understanding of Iran as a threat.
Privately, several intelligence officials said the committee report included at least a dozen claims that were either demonstrably wrong or impossible to substantiate. Hoekstra's office said the report was reviewed by the office of John D. Negroponte, the director of national intelligence.
"This is like prewar Iraq all over again," said David Albright, a former nuclear inspector who is president of the Washington-based Institute for Science and International Security. "You have an Iranian nuclear threat that is spun up, using bad information that's cherry-picked and a report that trashes the inspectors."
diana krall

aqui fica uma sugestão para todos os pais que tenham dificuldade em adormecer os seus filhotes. a receita resultou comigo, como também já resultava com outras bandas e artistas. mas com diana krall é mesmo infalível. há anos que gosto dela, desde que comprei um disco dela, de tributo a nat king cole, que continha essa pérola chamada "boulevard of broken dreams" e ainda "a blossom fell" e "I'm through with love". mais tarde comprei "when i look in your eyes", que deve ser dos cd's mais "gastos" que tenho lá em casa, tantas foram as vezes que o ouvi. "let's face the music and dance", "under my skin", "when i look in your eyes" e essa fabulosa música que se chama "why should I care", são os pontos altos de um album fascinante e viciante. outro trabalho merecedor de todos os elogios é "the girl in the other room", que apenas "descobri" recentemente. acaba por ser mais homogéneo em termos de estrutura musical, mais suave, mais introspectivo e emocional. mas voltando ao assunto que me levou a escrever este post, a minha sugestão, para quem estiver interessado, claro, passa por um "best of" de diana krall. a minha filha já não consegue passar sem a voz e o piano da cantora, e quem sou eu para a censurar... tem adormecido ultimamente ao som deste alinhamento:
1. departure bay - do album "the girl in the other room"
2. almost blue - do album "the girl in the other room"
3. when i look in your eyes - do album "when i look in your eyes"
4. the look of love - do album "the look of love"
5. boulevard of broken dreams - do album "all for you"
6. abandoned masquerade - do album "the girl in the other room"
7. why should i care - do album "when i look in your eyes"
8. and i love him - do album "i am sam - soundtrack"
9. let's face the music and dance - do album "when i look in your eyes"
10. narrow daylight - do album "the girl in the other room"
11. a blossom fell - do album "all for you"
sensações
depois de meses de calor intenso, de temperaturas excessivamente altas, quando chega finalmente a primeira noite de frio, em que se pode dormir aconchegado por lençóis e cobertores. a sensação é ainda melhor se, por qualquer motivo, nos levantarmos de noite (para ir à casa de banho, para ir assaltar um banco, para ir registar o boletim do euro milhões, etc.) e regressarmos à cama, quentinha, para mais umas horas de sono. estamos com frio, o chão da casa de banho está gelado, até a cómoda, em que batemos todas as noites com o joelho por a luz estar apagada para não acordar os miúdos, parece fresquinha. mas quando se chega à cama e nos embrulhamos todos nos cobertores há de imediato uma sensação de bem estar, de conforto, de aconchego! o mundo parece que ganha contornos de perfeição...
frases parvas
"já fui ver o filme, é de partir o côco a rir!".
se tiverem... bem, o problema é vosso, basicamente.
quarta-feira, setembro 13, 2006
sporting

vítor serpa, director do jornal "a bola"
quarta-feira, 13 setembro
"que grande entrada na liga dos campeões. ser capaz de levar o mundo do futebol a pasmar perante esse facto verdadeiramente mediático de ter vencido o inter de milão, precisamente no ano em que os italianos tanto investiram para serem senhores do mundo. notável, acima de tudo, a irreverência juvenil na sua melhor essência: ingenuidade e ambição, prazer de jogar, muito além da obrigação de jogar, e a personalidade rara de viver a vida na ausência de complexos e, daí, a assinalável ausência de reverência perante o pançudo milionário que queria ganhar pelo peso da sua conta bancária. bem feita! abençoado sporting por teres sido tão necessário exemplo de grandeza neste país pequeno, às vezes de pequenas gentes, e quase sempre de pequenos sonhos. sem anúncios grandiloquentes, sem escutas telefónicas comprometedoras, simplesmente disciplinado, defensor dos talentos internos, outsider de guerras bacocas que teriam feito as delícias do nosso eça. abençoado sporting nessa tua maneira tão pouco portuguesa e tão pouco rasca de saber estar, de saber jogar, de saber ganhar. alguns, dor de cotovelo, provavelmente chamarão a isso o indisfarçável tique da elite urbana. mas classe é classe. não impede a legítima euforia, a festa, como ontem alvalade provou. o futebol português, tão maltratado e tão justificadamente envergonhado, só tem de agradecer o que o mundo viu, ou poderá ver".
eu acrescento apenas que deu gosto ver jogadores, como miguel veloso, nani, joão moutinho e djaló, defrontarem uma equipa que continha alguns dos seus ídolos de adolescência, sem ponta de nervosismo, sem prestarem alguma vassalagem. e mais uma vez ficou provado que, de facto, o sporting é a melhor escola de futebol nacional. futre, carlos xavier, litos, figo, peixe, simão, beto, carlos martins, quaresma, cristiano ronaldo, nani, joão moutinho e, mais recentemente, miguel veloso e djaló. e para mim, devia ser apresentado a liedson um contrato vitalício, para ele permanecer no clube até ao final da sua carreira. que grande jogador!
vamos ver até onde vai este sporting... espero que vá longe!
terça-feira, setembro 12, 2006
meios para atingir fins

washington post, 12 setembro 2006
"Last night, Democrats said Bush politicized the Sept. 11 anniversary. "The president should be ashamed of using a national day of mourning to commandeer the airwaves to give a speech that was designed not to unite the country and commemorate the fallen, but to seek support for a war in Iraq that he has admitted had 'nothing' to do with 9/11," said Sen Edward M. Kennedy (D-Mass.)".
os discursos de george w. bush são... sempre iguais. basta repetir centenas de vezes as palavras "terroristas", "bin laden", "saddam hussein" e "iraque". a pergunta que se pode colocar é: os americanos são assim tão estúpidos ao ponto de "comerem", com uma lágrima no olho, este discurso há já cinco anos? pelo menos já foram estúpidos o suficiente para o terem reeleito...
o discurso de bush, ontem, no aniversário dos ataques terroristas, voltou a provar que o homem está obcecado com o iraque, apesar de o próprio admitir, como refere a notícia transcrita acima, que esse país nada teve a ver com os atentados. então qual é o interesse? porque não atacar aqueles que estiveram por trás dos atentados? e bin laden? com tanta tecnologia de ponta à sua disposição, o país mais industrializado e poderoso do mundo não consegue encontrar uma simples pessoa? não consegue ou não quer?
atentem nesta notícia de novembro de 2001, dois meses após os atentados:
CIA AGENT ALLEGEDLY MET BIN LADEN IN JULY
From 'Le Figaro'
[1 November 2001] Translated by Tiphaine Dickson
By Alexandra Richard (Page 2, October 31st, 2001)
Dubai, one of the seven emirates of the Federation of the United Arab Emirates, North-East of Abi-Dhabi. This city, population 350,000, was the backdrop of a secret meeting between Osama bin Laden and the local CIA agent in July. A partner of the administration of the American Hospital in Dubai claims that public enemy number one stayed at this hospital between the 4th and 14th of July. (...) The Saudi billionnaire was admitted to the well-respected urology department run by Teerry Callaway, gallstone and infertility specialist. Dr Callaway declined to respond to our questions despite several phone calls. (...) While he was hospitalised, bin Laden received visits from many members of his family as well as prominent Saudis and Emiratis. During the hospital stay, the local CIA agent, known to many in Dubai, was seen taking the main elevator of the hospital to go to bin Laden's hospital room. A few days later, the CIA man bragged to a few friends about having visited bin Laden. Authorised sources say that on July 15th, the day after bin Laden returned to Quetta, the CIA agent was called back to headquarters. (...) Contacts between the CIA and bin Laden began in 1979 when, as a representative of his family's business, bin Laden began recruiting volunteers for the Afghan resistance against the Red Army. FBI investigators examining the embassy bombing sites in Nairobi and Dar es Salaam discovered that evidence led to military explosives from the US Army, and that these explosives had been delivered threee years earlier to Afghan Arabs, the infamous international volunteer brigades involved side by side with bin Laden during the Afghan war against the Red Army. In the pursuit of its investigations, the FBI discovered "financing agreements" that the CIA had been developing with its "arab friends" for years. The Dubai meeting is then within the logic of "a certain American policy".
(c) Le Figaro 2001 * Reprinted for Fair Use Only
e o mundo continua a assobiar para o ar...
segunda-feira, setembro 11, 2006
loose change


11 de setembro de 2001.
todo o mundo viu o que se passou. viu aquilo que lhe foi dado a ver. o que não interessava ver... nunca foi mostrado. interessava ver os aviões a bater nas torres gémeas? sim, interessava. interessava ver a queda das torres? interessava sim senhor, para o público poder formar a sua opinião e chegar à conclusão que os terroristas mereciam pagar com a vida o que estavam a fazer ao povo americano. e o avião a cair sobre o pentágono? isso já não interessava ver, certamente. um dos edifícios mais bem protegidos e vigiados do mundo não "apanhou" em nenhuma das suas centenas de câmaras uma única imagem do suposto embate. o hotel sheraton, próximo do pentágono, captou imagens do "ataque terrorista", mas foram rapidamente sonegadas ao domínio público pelos serviços secretos, ameaçando inclusivamente as pessoas que tinham visto as imagens a não se pronunciarem publicamente sobre as mesmas. os relatos sobre este acidente são contraditórios. ninguém viu um avião a aproximar-se. uns viram um helicóptero, outros uma avioneta. que diabo, para chegar ao pentágono, o alegado avião passou por uma auto-estrada. ninguém o viu? o relvado à frente do pentágono está intacto, portanto o avião não deslizou. ou seja, batendo a uma velocidade incalculável, sem "amortecer" no solo, directamente no edifício, o avião só causaria aquele "buraquito" no pentágono? e para onde foram os destroços do avião? o que aparece nas imagens "facultadas" são pequenas peças soltas, algumas nem sequer pertencem ao tipo de avião que alegadamente chocou com o pentágono.
há anos que se especula em torno dos atentados de 11 de setembro. há ainda muita coisa por explicar: as ligações de telemóvel do interior dos aviões, que mais tarde se provaria serem impossíveis de realizar (esse aperfeiçoamento técnico só foi feito em 2004 e apenas em algumas companhias de aviação); relatos de pessoas que viram dois dos aviões envolvidos a aterrar calmamente noutra cidade, o que indicia que os aviões que realmente bateram nas torres e no pentágono não tinham passageiros a bordo; os destroços do avião que supostamente se dirigia para a casa branca são, no mínimo, intrigantes: um buraco fundo no chão, nenhum vestígio do motor ou de outras peças de igual porte, nenhum sinal de corpos; questionável também é a "perícia", ou a falta dela, dos alegados pilotos terroristas (alguns deles chegaram a alugar avionetas nos EUA e a sua capacidade para pilotar foi classificada por um responsável por uma empresa de aluguer como "fraca" e "baixa"); a lista que foi revelada dias depois do atentado contendo a identidade dos terroristas possui erros crassos: nove dessas pessoas estão... vivas.
outro facto que ainda intriga muita gente é o do desabamento das torres gémeas, um dos edifícios mais seguros do mundo. ninguém parecia acreditar que alguma vez elas se desmoronassem assim, como se de uma implosão de tratasse. o que é certo é que caíram mesmo, sendo a primeira a cair aquela que foi atacada mais tarde. inúmeros relatos de bombeiros e funcionários do world trade center apontam para explosões no interior do edifício; inclusivamente nas dezenas de imagens da queda das torres podem ver-se clarões de explosões em vários andares. terá sido mesmo uma implosão? um terceiro edifício, mesmo ao lado das torres, também desabou. coincidência? talvez não. é que esse edifício pertencia ao governo norte americano, com escritórios do FBI, CIA e serviços secretos. milhares de documentos e arquivos desapareceram, assim, no meio dos escombros.
talvez tenha sido muito conveniente tudo isto! prefiro não acreditar cegamente na versão dos acontecimentos que o documentário "loose change" avança. o cenário ainda seria mais negro se tudo isso fosse verdade, mais negro ainda que a ameaça terrorista. seria alguém capaz de perpetuar actos deste calibre no seu próprio país, condenando à morte 3 mil pessoas, só para poder ter "carta branca" para iniciar uma guerra contra o iraque, bin laden e saddam hussein?
tirem as vossas próprias conclusões. se não viram o documentário, que passou duas vezes na rtp na semana passada, podem aceder a "loose change" nestes endereços:
http://www.youtube.com/watch?v=CDx1GLqvBO8&search=loose%20change
http://www.loosechange911.com
sexta-feira, setembro 08, 2006
um desafio
1. sou excessivamente neurótico e paranóico no que concerne à segurança dos meus filhos, do género de nem os deixar chegar perto da varanda (e eu moro num primeiro andar!) ou de um qualquer sítio alto e vertiginoso. tenho vertigens (na mesma medida em que o tony ramos tem pelos no corpo) e como tal tenho uma enorme preocupação de falhar numa possível situação perigosa, assim ao estilo do james stewart no "vertigo", de alfred hitchcock, ficando paralizado e sem reacção.
2. sou viciado em música, cinema e séries de televisão. sei que é um cliché dizer isto, mas sinto que sou mesmo. todos os dias descubro um grupo novo, investigo, procuro registos semelhantes, influências musicais, etc.. o cinema tem-me desiludido muito ultimamente (assim de repente, só o sideways me surpreendeu nos últimos anos), mas recorro amiúde à minha prateleira para rever os "meus" clássicos: cyrano de bergerac, annie hall, manhattan, when harry met sally, a vida de brian (dos monty python), etc.. quanto às séries de televisão, é uma renda fixa todos os meses: seinfeld, friends, lost, 24, you name it. chego a ver 8 episódios seguidos do friends.
3. sou uma pessoa de rotinas. não gosto muito de alterar o meu ritmo, os meus locais frequentes, de maneira a não me sentir desconfortável. o café da manhã é sempre no mesmo sítio, o almoço também, o café no final do almoço também, quando saio para jantar fora também é sempre no mesmo sítio. é uma rotina saudável, para mim. saudável e... confortável.
4. adoro adormecer, todas as noites, a minha filhota, de ano e meio, ao som de música muito calminha e suave. sinto que ela também gosta, porque foge sempre do quarto, onde a minha mulher a tenta adormecer, e vem ter comigo à sala. chega, encosta-se às minhas pernas, olha para cima, abre um sorriso desarmante e estende os braços. irresistível! o leque musical é vasto, desde lambchop, diana krall, the czars, red house painters, mark eitzel. adormece em 15 minutos e depois de outro tanto tempo para "ferrar", vou deitá-la no seu berço. mais uma das minhas rotinas...
5. prefiro sempre o inverno ao verão. o calor em demasia irrita-me solenemente. o suor a escorrer pelas costas, as mãos sempre transpiradas, entrar no carro depois de este estar ao sol uma hora. prefiro o frio, para me poder encher de roupa e usar cachecol, como gosto. gosto da chuva, de andar à chuva. gosto da lareira, dos edredons, dos cobertores, dos aquecedores, de me enroscar para aquecer... bem, vocês sabem do que estou a falar. venha de lá esse inverno.
6. esqueço facilmente e rapidamente as pessoas que me defraudam. não sou muito de hipocrisias. quando não gosto de alguém, afasto-me. há apenas um núcleo duro de uma dezena de pessoas por quem "porei sempre as mãos no fogo". as outras pessoas, os amigos de ocasião, os interesseiros, os fracos de espírito, tenho muita pena mas, mesmo consciente da minha dureza e inflexibilidade quase irracional neste aspecto, são riscadas do meu mapa.
Passo o testemunho aos bloguistas que se seguem:
a. duarte lázaro (costumava assinar os comentários como tovarich gina)
marta r (http://astroqueflameja.blogspot.com)
tulipa negra (http://um-nome-qualquer.blogspot.com)
cereja no bolo (http://na-ponta-dos-dedos.blogspot.com)
karla (http://witchspellworld.blogspot.com)
stratega (http://straight-up-no-ice.blogspot.com)
quinta-feira, setembro 07, 2006
gnarls barkley

confesso que demorei um bocadinho a chegar até este disco, que foi lançado em abril deste ano. só agora me debrucei devidamente sobre "st. elsewhere" e muito por causa do single "crazy", que é daquelas músicas que se ama logo à primeira, é viciante. a voz é inebriante e irresistível, a batida é contagiante. fez história no panorama musical britânico, ao tornar-se a primeira música a chegar ao primeiro lugar do top inglês tendo como base apenas os downloads feitos na internet. 31.000 pessoas fizeram o download da música antes do seu lançamento "físico" como single. o album "st. elsewhere" foi lançado pouco tempo depois e rapidamente chegou também ao primeiro lugar.
o projecto gnarls barkley resulta da colaboração entre o reputado produtor danger mouse (que produziu o segundo album dos gorillaz) e o cantor cee-lo green, o tal que tem aquele vozeirão, que mais parece saída de um qualquer projecto musical dos anos 60 ou 70. o disco consegue fundir e conciliar inúmeras referências, gospel, blues, soul, funk e hip hop, encontrando inspiração e influência na profundidade de sentimento de marvin gaye, na emoção teatral de jeff buckley e no atrevimento e arrojo de prince em início de carreira (por alturas do purple rain). este disco já foi referenciado pela crítica especializada como "um dos melhores discos de soul de sempre" e "a psychedelic soul masterpiece".
caso decidam dar uma oportunidade a este disco, recomendo que ouçam "crazy" umas 5 vezes seguidas, para entrarem devidamente no mundo "gnarls barkley". foi o que aconteceu comigo e deu resultado.
quarta-feira, setembro 06, 2006
jerry lewis

jerry lewis foi o responsável por milhares de gargalhadas que dei na minha adolescência. os seus filmes eram sempre garantia de risos histéricos lá em casa e sinónimo de umas horas bem passadas. por esse motivo, sempre tive uma grande admiração e carinho por este actor, mesmo quando tentou enveredar por papéis mais sérios, como em "o rei da comédia", de martin scorsese, com robert de niro, e "arizona dream", com johnny depp e faye dunnaway. há dias li que o actor, de 80 anos, tinha tido uma insuficiência coronária, em junho. apesar de ter sido considerado de "leve" ataque cardíaco, exigiu um cateterismo e o actor correu sérios riscos de falhar, pela primeira vez na história do evento, a maratona televisiva anual de beneficiência da associação de distrofia muscular norte americana, que apresenta há 41 anos. o humorista também faz uso constante de remédios para a pneumonia, problema comum nas vítimas de fibrose pulmonar. mas jerry lewis recuperou e durante as 20 horas do evento, que começou no sábado, dia 2 de setembro, às 22h00, e acabou no dia seguinte, às 18h00, foi... igual a si próprio, uma criança presa dentro de um corpo de adulto. o espectáculo teve convidados musicais, comédia, magia e vários co-apresentadores, entre os quais a figura televisiva norte-americana ed mcmahon. o que é certo é que, na 41ª edição da maratona, ou telethon, dado que o propósito é angariar donativos, via telefone, para os programas de saúde daquela organização voluntária, nomeadamente para estudo e pesquisa para ajudar pessoas com doença neuromuscular, conseguiu-se arrecadar uma quantia recorde: 61 milhões de dólares. "foi muito bom, só posso dizer ´obrigado´, do mais fundo do meu coração, em nome de todos os que não podem agradecer", resumiu o actor, emocionado ao ver o número final de donativos angariados na tela. ao longo dos 41 anos de existência deste evento, esta associação de distrofia muscular já conseguiu arrecadar cerca de 1.4 biliões de dólares, sempre com o lendário actor e humorista à frente das maratonas televisivas. um excelente exemplo de humanidade e de solidariedade!
p.s. - porque raio é que deixaram de passar nos canais televisivos nacionais os filmes de jerry lewis? há anos que não vejo um na televisão. estarão à espera da morte do actor para depois nos bombardearem durante um mês com todos eles?
yes suri, she's our baby

and now for something completely different...
finalmente uma notícia que realmente vale a pena dar:
"Baby Suri Cruise Makes Her World Debut
The Associated Press - Tuesday, September 5, 2006.
LOS ANGELES - With a cherubic face and a shock of dark hair, Suri Cruise - subject of the world's most anticipated baby photo - made her broadcast debut Tuesday. Katie Couric, in her first night as anchor of the "CBS Evening News", revealed photos of 4 1/2-month-old Suri, daughter of Tom Cruise and Katie Holmes. Born April 18, Suri has not appeared in any published photographs, prompting some public speculation about her very existence. But baby Suri is for real and there are pictures of her and her famous parents in the issue of Vanity Fair that hits newsstands Wednesday. Vanity Fair would not release the baby pictures to The Associated Press Tuesday evening".
agora sim, o mundo pode finalmente respirar de alívio. o bebé existe, não foi produto da imaginação ou de uma mera campanha publicitária. porventura o casal estaria à espera da melhor proposta financeira para mostrar a sua criança de quatro meses e meio ao mundo (coube à CBS e à revista vanity fair abrir os cordões à bolsa). com a sede de protagonismo que o pai da criança tem, também não seria de estranhar que estivesse à espera da estreia do seu próximo filme para juntar o útil ao agradável e vender mais uns milhares de bilhetes, tal como fez aquando da estreia de "a guerra dos mundos", ao anunciar em todos os programas televisivos o seu incondicional amor por katie holmes (a cena que protagonizou no programa de oprah winfrey ainda hoje é ridicularizada). desta forma, com a bela katie holmes ao seu lado e com um filho, tom cruise deve ter conseguido afastar de vez, como pretendia, os boatos sobre a sua homossexualidade. ou não...
interesse público??
"Valentim e João Loureiro escolhiam, por diversas vezes, os árbitros para os jogos do Boavista a contar para a época 2003/2004. As escutas telefónicas do processo "Apito Dourado" demonstram que quer o presidente da Liga de Clubes quer o líder do Boavista faziam chegar aos árbitros escolhidos a mensagem da promoção na carreira a troco de uma "boa" arbitragem.
Além dos casos relativos à II Divisão B e que envolviam o Gondomar (cujo processo aguarda a abertura da fase de instrução), a investigação detectou suspeitas de corrupção desportiva na I Liga. E foram remetidas certidões para várias comarcas do País.
Um dos jogos que constam das certidões extraídas pelo MP de Gondomar é o Boavista-Alverca. A partida acabou com a vitória dos axadrezados (2-1), que marcaram os golos nos sete minutos de compensação dados pelo árbitro Paulo Pereira. Valentim Loureiro foi quem informou o árbitro da classificação do observador do jogo - oito pontos. "Já sabe que conta aqui comigo", disse o major ao juiz, numa conversa interceptada pela Polícia Judiciária.
Já em relação ao jogo Boavista-FC Porto (que foi arquivado por falta de provas que sustentassem uma acusação de corrupção desportiva), Valentim questionou Júlio Mouco, da Comissão de Arbitragem da Liga, por que razão não tinha sido nomeado o auxiliar Devesa Neto. "Eu tinha acertado com o dr. João Loureiro que seria o Devesa", disse. Mas o presidente da comissão, Luís Guilherme, não tinha aprovado a nomeação. José Ramalho foi o escolhido e o major pede a Júlio Mouco para transmitir uma mensagem ao auxiliar: "Diga que está lá o presidente da Liga." O major não gostou da actuação de José Ramalho e queixou-se a Luís Guilherme e a Júlio Mouco. A este último lançou um ultimato: "Eu quero ver o que vai acontecer a este filho da puta, eu quero ver o que lhe vão fazer. Tem que se escrever, ok?", afirmou o major. Neste encontro, apesar de o Boavista ter vencido a equipa de Moreira de Cónegos por 1-0, Valentim Loureiro não gostou da prestação do auxiliar Carlos do Carmo. E disse-lhe: "Você sabe que ainda neste defeso você estava não sei quê e eu, aquilo que posso, pelos amigos, faço", segundo uma escuta do processo. "Bem, da próxima você porta-se melhor, senão puxo-lhe as orelhas", conclui o major na conversa telefónica com Carlos do Carmo. O MP entendeu arquivar esta situação.
Segundo o procurador Carlos Teixeira, o modo de actuação de Valentim e de João Loureiro passa, além das sugestões de nomes, pelo conhecimento antecipado dos nomes dos árbitros escolhidos. Tal permitia-lhes encetar os contactos com antecedência. Exemplo disto são as escutas interceptadas antes do jogo Belenenses-Boavista, arbitrado por Bruno Paixão. Numa conversa interceptada entre João Loureiro e Ezequiel Feijão, um ex-árbitro e observador da Liga, o presidente do Boavista pede que a equipa de arbitragem seja abordada, dando as instruções: "Ele [Bruno Paixão] chegou onde pediu (...), se quer umas viagenzinhas para o ano e tal... temos... temos... de atalhar caminho, pá!(...) Tu pediste... foi-te concedido".
Também antes do jogo Boavista-Beira-Mar, João Loureiro contactou o observador Pinto Correia para este dar um "toque" ao árbitro Nuno Almedeia. E a abordagem deveria ser esta: "Que nós que temos grande consideração(...), é malta que o pode fazer chegar onde ele quer... porque ele é ambicioso e tal", segundo uma conversa interceptada. Pinto Correia serenou João Loureiro: "Eu sei como é que lhe dou a volta".
No Marítimo-Nacional da Madeira, o árbitro Martins dos Santos foi escutado a confessar que prejudicou o Nacional: "Queriam lá um penalty, mas eu puni o gajo com amarelo." Ao árbitro foi prometida a subida de escalão na arbitragem do seu filho André Santos . "Consegue dar-me essa graça que eu responsabilizo-me pela outra", disse Martins dos Santos a António Henriques da FPF.
é este o tão proclamado interesse público?? há muito que deixou de haver interesse público no futebol nacional, para passar a existir um cada vez mais notório interesse privado. a vergonha do "caso mateus" está a atirar muita poeira para os olhos das pessoas, encobrindo o que de verdadeiramente nocivo se arrasta nos meandros futebolísticos nacionais: os seus dirigentes. como se comprova por esta notícia do diário de notícias.
façam o favor de se demitirem todos. e faço minhas as palavras de miguel sousa tavares, em artigo publicado no jornal "a bola" há uma semana atrás: "que explodam (os dirigentes) de vaidade já que pelos vistos não explodem de incompetência".
terça-feira, setembro 05, 2006
caffe latte

com o calor a apertar apetece beber sempre algo... estimulante. bem fresco! estupidamente fresco, de preferência. há uns anos atrás a minha bebida de eleição era a green sands (alguém se lembra ainda disto?). depois vieram as bebidas alcoólicas, como o pisang ambom, martini branco, etc.. mas neste departamento continuam a vigorar as caipirinhas e, com este brutal e insuportável calor, costumam ser remédio santo mas, caramba, estão a um preço cada vez mais exorbitante. daí que tenha arranjado forma de as fazer em casa. já vem quase tudo numas carteirinhas e é só misturar com cachaça e encher de gelo. mesmo assim... é caro. e ainda dá algum trabalho a picar o gelo (onde estás tu sharon stone, com o teu picador de gelo, quando uma pessoa precisa de ti?).
numa perspectiva não alcoólica, mas igualmente estimulante, neste verão viciei-me nesta bebida: emmi caffe latte, com sabores como cappucino, expresso e machiato. se estiver bem fresco é das coisas mais aliciantes que há para matar a sede. o café é da guatemala, o leite é suiço. dois países unidos no combate à sede que por aí prospera.
costanza / bing


como apreciador do género televisivo há largos anos, possuo já suficiente background para poder apontar as minhas personagens preferidas de sitcoms:
george costanza (seinfeld),
interpretado por jason alexander.
chandler bing (friends),
interpretado por matthew perry.
felizes os escritores que conseguiram criar personagens tão idiossincráticas, mantendo a coerência de atitudes ao longo dos vários anos de exibição destas duas séries, e os actores que lhe deram corpo, ambos eficientes na construção psicológica das suas personagens, ao ponto de nunca terem conseguido "afastar-se" verdadeiramente do registo criado. jason alexander era já bastante conhecido antes de seinfeld, tendo inclusivamente ganho um tony, prémio atribuído a produções teatrais (o tony está para o teatro como o óscar para o cinema e o emmy para a televisão). depois entrou no mega sucesso "pretty woman", com julia roberts e richard gere. mas depois de "seinfeld" tem andado "desaparecido". entrou em alguns episódios de "curb your enthusiasm", de larry david, co-criador de "seinfeld", fez vozes para filmes infantis e alguns filmes série b. o caso de matthew perry é diferente, "nasceu" de chandler bing, tendo várias incursões falhadas pelo cinema. o único sucesso que teve foi "the whole nine yards", com bruce willis, amanda peet e rosanna arquette, filme que mais tarde teria direito a sequela. com o final de "friends", perry tem feito essencialmente produções para televisão.
mas voltando às personagens:
george costanza é neurótico, inseguro, com baixa auto-estima, preguiçoso, interesseiro, infeliz nos amores, propenso a confusões e mal entendidos. há vários episódios marcantes na série: um em que george decide fazer sempre o contrário do que normalmente faria, o que lhe traz gratificantes surpresas, e outro em que decide abdicar totalmente do sexo, até em pensamento, ficando automaticamente muito mais inteligente. é uma personagem fascinante, sem filtros, sem hipocrisias, que diz sempre o que pensa e o que sente.
chandler bing é, acima de tudo, irónico e sarcástico. tem sempre uma piada engatilhada para cada situação. tal como george, também é inseguro e totalmente desajeitado com as mulheres, até se apaixonar por monica (courtney cox). é impossível manter com ele uma conversa séria, por diversas vezes os seus "amigos" tentam desabafar e procurar conselhos junto dele, recebendo apenas comentários sarcásticos e piadas parvas: "could I interest you in a sarcastic remark?".
chandler é inteligente, tal como george. o seu estilo de humor não é abrangente, como o de joey tribianni (friends), o tradicional personagem "dumb", como woody harrelson em cheers, ou cosmo kramer (seinfeld), num registo humorístico mais físico, mas acaba por ser muito mais gratificante. a última piada da série pertenceu-lhe, na 10ª temporada (o último episódio passou na sexta-feira passada no canal 2). ficaria muito mais "agarrado" a uma possível sitcom chamada "chandler" do que fiquei à série "joey", com matt le blanc, que dá "continuação" à personagem joey tribianni. e costanza também merecia ser perpetuado... mas para nos recordarmos dele temos sempre "curb your enthusiasm", na medida em que foi larry david a grande inspiração para a criação de george costanza.
segunda-feira, setembro 04, 2006
o tigre e a neve

roberto benigni é... um grande actor! tanto nos consegue fazer rir desalmadamente, em filmes como "johnny palito" e "monstro", como consegue enternecer-nos e comover-nos, como em "a vida é bela". em itália quiseram fazer dele o "novo tótó", apresentando-lhe comédias atrás de comédias, mas ele conseguiu fugir do estereotipo e provou que, como actor, era capaz de muito mais.
"a vida é bela" granjeou-lhe enorme sucesso, que extravasou mesmo as fronteiras da europa. conquistou o "mercado" chauvinista americano, vencendo, na edição de 1998 dos óscares, o óscar de melhor actor e o de melhor filme estrangeiro, sendo igualmente nomeado para melhor realizador e melhor filme, que viria a perder para o insípido "shakespeare in love". na categoria de melhor actor, benigni "roubou" a tom hanks a hipótese da sua terceira estatueta (depois de "forrest gump" e "filadélfia", hanks estava nomeado por "saving private ryan"). na categoria de melhor realizador, o italiano perdeu para steven spielberg, pelo já citado "saving private ryan". roberto benigni passou a ter outro estatuto e a ter muitos mais holofotes a incidir sobre o seu trabalho. o seu projecto seguinte, apenas três anos depois, chamou-se "pinóquio", um filme sem sorte desde o início da sua rodagem, quando se criticou duramente o seu orçamento megalómano, impróprio para um filme europeu. "pinóquio" foi um flop, um passo errado de benigni. daí que tenha voltado a cair no esquecimento. a memória das pessoas é muito curta e há sempre blockbusters fresquinhos, todos os anos, a sair dos grandes estúdios norte-americanos.
no ano passado, roberto benigni apresentou "o tigre e a neve", mais uma vez com a sua esposa nicoletta braschi no elenco. não houve grande alarido da imprensa na altura, o filme foi posto de lado pela maioria dos críticos, apenas salientando que o mesmo tinha sido rodado parcialmente em bagdad. pois bem, deviam ter visto bem o filme! sem nunca ser lamechas, pedante ou cabotino, benigni constrói uma história apaixonante, de entrega, de abnegação, de devoção, de ternura. no filme, ele é um professor de poesia/escritor, separado, com duas filhas gémeas. conquista-nos com o seu ar trapalhão e desengonçado; prende-nos com a sua eloquência quando fala de poesia; mas, sobretudo, consegue fazer passar para o espectador toda a paixão que sente pela personagem de nicoletta braschi. e é essa paixão que o vai levar ao iraque e a colocar a vida em risco inúmeras vezes, com alguns momentos de humor "à benigni" pelo meio.
em suma, é um filme poético e apaixonado, incompreensivelmente ignorado.
quinta-feira, agosto 31, 2006
a colectânea dos 34
este ano não será excepção. e nem podia ser, já que 2006 tem sido um ano fantástico em termos de descobertas musicais. a questão é escolher 20 músicas num universo de 300. no ano passado o maior número de músicas pertenceu aos antony and the johnsons, the czars, blonde redhead e american music club (foi, aliás, o ano do regresso dos amc, depois de 10 anos). este ano o número de bandas que ouvi subiu consideravelmente, de todos os quadrantes. foi difícil a selecção final.
aqui fica então a composição da colectânea dos 34:
1. machine gun - slowdive
2. my sun is setting over her magic - marjorie fair
3. bleed a river deep - ed harcourt
4. all your tears - mojave 3
5. the end and the beginning - devics
6. alison - slowdive
7. reason why - rachel yamagata
8. fall - editors
9. bermuda highway - my morning jacket
10. in a manner of speaking - nouvelle vague
11. someone must get hurt - she wants revenge
12. salty seas - devics
13. let's go out tonight - the blue nile
14. stare - marjorie fair
15. knot comes loose - my morning jacket
16. she loves me, she loves me not - she wants revenge
17. here she comes - slowdive
18. camera - editors
19. kentucky woman - sun kil moon
20. from a late night train - the blue nile
quarta-feira, agosto 30, 2006
48 horas
já sabia que não ia dormir nada. a ansiedade que antecede uma viagem deixa-me assim, inquieto, impaciente. como era de esperar, acordo antes do despertador tocar. o ritual é o mesmo de sempre: banho, barba, dentes, roll on, nivea, perfume. a amargura apertada da despedida já estava entranhada há muito, desde que ficou definido este fim de semana. mesmo assim, e como também era de esperar, custou muito.
cheguei a nelas, comprei o bilhete e esperei ainda 20 minutos. a viagem correu muito bem, sem se dar pelo tempo. tive oportunidade de ir a ouvir musica, graças à minha doce companheira de blog, a cláudia, que me emprestou o discman. ouvi slowdive. duas horas de excelente música.
11h30. cheguei a santarém. o ricardo também tinha acabado de chegar de lisboa. informo-o da referência feita ao blog dele na revista FHM. reconhecimento merecido, diga-se. depois de uma rápida consulta ao mapa, decidimos avançar pela A13, rumo ao sul. rapidamente chegamos ao local onde decidimos almoçar: santiago do cacém. isto porque me lembrava de ter almoçado, em 1997, num restaurante muito bom chamado "taska toska", onde tinha comido uma das melhores pizzas que já tinha provado. desta vez, nove anos depois, já não fiquei com a mesma impressão. foi aqui também que começamos a tomar consciência de que, de lisboa para baixo, não havia restaurante algum que tivesse sagres bohemia. qual será o motivo? stock reduzido? falta de divulgação? mas caramba, é "apenas" a melhor cerveja nacional.
seguimos para o algarve, para o hotel montechoro. já tinhamos feito a reserva quinze dias antes mas estávamos ambos receosos que houvesse algum contratempo. felizmente não houve. antes pelo contrário. deram-nos um quarto, com duas camas, mais uma ampla sala, com sofás, com outro roupeiro, outra televisão. enfim, um luxo. era o único quarto daquele piso com duas portas, o que, para uma pessoa neurótica como eu, foi terrível, porque tinha sempre que verificar se as duas portas estavam realmente fechadas, em vez de verificar apenas uma.
malas arrumadas, fato de banho vestido, impunha-se uma praia. a escolhida foi santa eulália. dentro de água é impossível fugir àquele recorrente pensamento, que me ocorre sempre que vou ao algarve: as praias aqui de cima são uma merda, quandop comparadas com as do algarve, onde se pode estar, de facto, dentro de água. antes de voltar ao hotel, ainda fomos à praia de olhos d'água, paragem obrigatória, pela nostalgia que acarreta. tinhamos lá estado várias vezes em 1994 e no ano passado também por lá passamos.
o jantar foi num restaurante chamado "lavrador", onde comemos bem e bebemos melhor, um quinta de cabriz, do dão. saímos de lá bem animados, já com o propósito de irmos ao libertos bar. tinhamos lá estado no ano passado e levámos de lá a melhor das impressões, por vários motivos. este ano não foi diferente. bom ambiente, música ao vivo, caras bonitas (em alguns casos, muito bonitas mesmo, como foi o caso de uma das barmaids, a fernanda, brasileira, linda de morrer!). só saímos de lá quando fechou, pelas 04h00. nem sentimos o tempo a passar. o ricardo ainda estava um pouco preocupado com o resultado do fc porto - u. leiria, porque não vimos o jogo. infelizmente, o fc porto ganhou, mas nem isso conseguiu estragar-me a noite.
sábado, 26 de agosto:
depois de dormirmos cerca de 4 horas, descemos para o pequeno almoço. decidimos nessa altura ir "descobrir" uma praia recomendada pela revista visão: praia da marinha, perto de lagoa. lá chegados, depois de algumas voltas provocadas pela falta de sinalização, descemos os 121 degraus que nos levavam à praia, para chegarmos imediatamente à conclusão de que não dava para ir à água, dada a excessiva quantidade de rochas existentes. 121 degraus a subir custou muito mais, ainda por cima sem termos tomado ainda café, ou melhor, um café decente, não aquele do pequeno almoço do hotel. paramos, por isso, no primeiro tasco que encontramos pelo caminho, na direcção de armação de pêra, que era a praia mais próxima. apesar de estar a abarrotar de gente, até gostamos de armação de pêra, onde também tinhamos estado em 1994, acampados por sinal. o almoço, logo depois, já estava delineado há muito: o famoso frango da guia. voltamos em seguida para albufeira, onde encetamos uma procura por um cyber cafe ou um espaço internet. encontramos um perto do mac donalds e do kentucky fried chicken, onde estivemos ainda algum tempo. ainda antes de irmos para a praia, passamos pelo modelo, para comprar bebidas caffe latte, machiato e cappucinno, um vício recente de ambos.
voltamos então à praia de santa eulália. o ricardo apanhou um escaldão e ficou pior do que estragado. era suposto ainda irmos à praia da falésia mas acabamos por não ir. despedimo-nos, assim, das praias do algarve. mas valeu a pena, vale sempre a pena, nem que sejam apenas umas horas que lá se passam.
a decisão sobre o local para jantar foi morosa. queríamos um sítio específico: barato, com televisão na sport tv (para vermos o sporting) e numa esplanada. depois de vermos dezenas de ementas e de analisarmos o ambiente de vários restaurantes, decidimo-nos por um, curiosamente o que ficava mais perto do libertos bar. ficamos sentados quase 3 horas, vimos o jogo todo, o sporting ganhou (e ainda bem, senão estava tudo estragado!). não tinham bohemia também os sacanas, a comida era razoável, o empregado que nos atendeu é que era do piorio.
por volta das 23h30 lá fomos para o inevitável libertos bar. em princípio para ficarmos apenas até às 2h00, porque no dia seguinte tinhamos a viagem para lisboa e precisávamos dormir umas horas mais do que na noite anterior (mas sabíamos nós o que aí vinha...). como o ambiente ainda estava melhor do que na noite anterior, ficamos novamente até fechar. voltamos a despedir-nos do libertos com uma agradável sensação, a mesma do ano passado. passam-se ali bons momentos, nem se dá conta do tempo a passar. voltaremos, sem dúvida, no próximo ano.
domingo, 27 de agosto:
no regresso ao hotel, falamos sobre o que fariamos no dia seguinte, o dia do regresso. praia estava fora de questão, a piscina do hotel também. além disso, as saudades, que já tinham começado a apertar durante a tarde, eram por esta altura ainda maiores. dessa forma, quando chegamos ao hotel, por volta das 05h00, pedimos acesso à internet, para consultar os horários dos comboios. havia uma enorme disparidade entre os dois intercidades para nelas, onde eu tinha deixado o carro na sexta-feira. um deles partia de lisboa às 12h05 e o outro às 19h30. começamos então a ver que o comboio das 12h05 era o mais apetecível, porque me permitia chegar a casa por volta das 16h00, em vez das 23h00, se apanhasse o das 19h30. mas para apanharmos o comboio das 12h30 teríamos que sair do algarve às 08h00. como nenhum de nós tinha sono e entre dormir duas ou três horas ou não dormir de todo, preferimos... não dormir de todo. subimos ao quarto, arrumamos tudo e saímos do hotel às 06h00. foi uma luta para manter os olhos abertos durante a viagem. o ricardo aguentou estoicamente a conduzir, cheio de sono e morto de cansaço, tal como eu. paramos em quase todas as estações de serviço: almodovar, onde tomamos o primeiro café e comemos qualquer coisa; grândola, compramos pastilhas e o jornal a bola; e alcácer do sal, onde foi impossível resistir mais e acabamos por dormir duas horas no carro. depois disso, tomamos novamente café e comemos mais alguma coisa. chegamos a lisboa cedo, tendo tempo suficiente para comprar o bilhete, comprar algo para os nossos filhos, comprar uma revista que na capa tinha uma tipa que tinhamos visto na noite anterior no libertos bar (a revista chama-se fitness; ela é personal trainer de fitness e chama-se sónia viola), comprar algo para comer durante a viagem e, sobretudo, sentarmo-nos numa esplanada a avaliar o que tinhamos vivido nas ultimas 48 horas. a principal conclusão foi: temos que repetir no próximo ano.
o reencontro lá em casa foi gratificante. vinha cheio de saudades e foi bom constatar que também eles tiveram saudades minhas. é sempre bom regressar.
sábado, agosto 26, 2006
algarve 2006
muito bem, tenho isso tudo. mas... caramba... sinto-me vazio. faltam-me os outros 362 dias.
falta-me o riso da minha filha, a sua tagarelice, que ninguém entende, a sua constante boa disposição.
falta-me o ar de deslumbramento do meu filho ao ver o mar, a praia, a sua inquietude própria da idade, a sua capacidade para ficar uma tarde inteira na água.
falta-me a astúcia, a inteligência, a capacidade de organização e o sorriso da minha mulher, e, sobretudo, aquela sensação de estar a partilhar com ela tudo isto, olhando embevecidos para os nossos filhos, trocando ternuras cúmplices e "sorvendo" este estado de espírito próprio de férias, de calma, de tranquilidade. ela merecia também isto, esta pausa, estes 3 dias.
também sei que o meu companheiro de viagem sente isto. custa-nos estar na praia e ver crianças a brincar porque nos lembramos sempre das nossas. mas estamos a divertir-nos, a encher o peito de energia para voltarmos para eles dispostos a dar-lhes ainda mais amor e atenção nos próximos 362 dias. ser pai é isto. ter saudades. sempre!
até amanhã.
sexta-feira, agosto 18, 2006
dragão axadrezado
o campeão nacional em título, de repente, ficou sem equipa técnica, que se demitiu, deixando a direcção portista em apuros, à procura de um nome para substituir co adriaanse. havia vários treinadores sem clube, nacionais e estrangeiros. falou-se de eriksson, camacho, carlos queiroz, claudio ranieri... pinto da costa escolheu... um treinador que já estava empregado, contratado, e que estava a iniciar uma nova etapa da sua longa carreira no boavista, depois de três boas temporadas no sporting de braga. este para mim é o primeiro acto censurável nesta história toda. o segundo é o facto de o pouco simpático e carrancudo treinador do boavista ter ficado tão embevecido com o suposto convite portista que se marimbou para os atletas que tinha vindo a treinar há mês e meio, para a direcção e seus associados, rescindindo com o boavista e viajando 6 kms para ir assinar pelo fc porto. o terceiro acto censurável foi o comportamento das duas direcções: convencida de que tinha excelentes relações com a direcção do boavista, o fc porto partiu para a contratação do treinador jesualdo ferreira sem falar primeiro com o ex-vocalista dos ban, joão loureiro; este negava sempre tudo na comunicação social, dizendo que o técnico ia ficar no boavista, que era tudo inventado, etc., etc.. a direcção do fc porto manteve-se sempre em silêncio, à espera do que dava toda aquela confusão, por si criada, com a "abordagem" a jesualdo ferreira. é uma história do género um homem solteiro fazer uma proposta de casamento a uma mulher recém casada. a mulher olha para o lado, vê que o outro tipo é muito melhor que o tipo com quem casou e... aceita, divorciando-se em seguida.
eu acho que, com esta verdadeira OPA (oferta pública de aquisição) a jesualdo ferreira, treinador razoável, mediano, medroso (ao jeito de josé peseiro, mas em fumador e com cara de poucos amigos), o fc porto assegurou certamente uma derrota no campeonato que agora vai começar. quando for ao bessa, a equipa da casa vai encher-se de brio e profissionalismo e vai demonstrar a jesualdo ferreira que não merecia a traição que o técnico lhe fez. e os adeptos boavisteiros também não lhe vão perdoar a desfeita. se eu fosse adepto do boavista, festejaria cada golo marcado por qualquer equipa a uma equipa treinada pelo jesualdo ferreira até ao fim dos meus dias, ou dos dele, o que chegar primeiro.
sexta-feira, julho 28, 2006
centésimo post
quinta-feira, julho 27, 2006
fugir para longe... de mim
passar um dia inteiro a ver as 24 horas seguidas de uma temporada da série "24";
ir de férias pelo menos uma semana com o meu melhor amigo, viajando de carro, sem destino, por esse país fora;
jogar playstation até me encher ou até os olhos ficarem totalmente vermelhos, o que acontecer primeiro;
vegetar na praia ou à beira de uma piscina, desligando a parte do meu cérebro que está constantemente preocupada com os filhos;
não ter horas para comer, para dormir, para chegar a casa;
beber caipirinhas, mateus rosé e sagres bohemia sem moderação (mas também sem conduzir);
jogar futebol, ping pong, snooker e, quem sabe, até experimentar aquela paneleirice do jogo dos dardos electrónico;
gravar dezenas de compilações musicais para amigos, com as minhas músicas preferidas, para eles levarem sempre um pouco de mim com eles e não se esquecerem de mim;
andar constantemente de calções, sapatos de vela e t'shirt;
ir para o algarve fingir que sou turista, sempre sou melhor atendido;
flirtar e meter conversa com tipas giras, chegando ao pé delas dizendo: "posso fazer-te uma pergunta?"; e se ela disser que sim atirar com isto: "quanto é 48 vezes 64?";
ir ao cinema, reatar uma paixão antiga, tão negligenciada nos últimos anos (quer dizer, ao nível de filmes infantis não me posso queixar. fui ver com o pedro o "à procura de nemo", o "madagascar", "a idade do gelo 2", etc);
assistir a um jogo de futebol do meu sporting, coisa que não faço há uns anos valentes;
e ainda guardar uns dias para estar, apenas estar, com amigos e amigas com quem não posso estar muito tempo normalmente; fazer longos almoços com eles, jantares de grupo, algum quality time para cimentar relações. quem sabe ir buscar aquelas bebidas todas que referi lá em cima e deixar a noite correr, sem pressas, sem horários, sem compromissos. caramba, que saudades desse tempo!
amanhã, dia 28 de julho, pelas 18 horas, entro oficialmente de férias no mundo real. pode ser que ainda arranje tempo para realizar alguns destes meus "desejos".
p.s. - este é o post número 99 deste blog. amanhã, se a imaginação o permitir, colocarei o centésimo. depois, só voltarei a estar na blogosfera a partir de 16 de agosto. vou ter saudades. o blog é algo que cresce connosco, dentro de nós. daí a constante necessidade de o alimentar. mas com 100 posts já posso ir de férias descansado. em 6 meses acho que "trabalhei bem". mas deixo isso ao vosso critério.
as palavras finais vão para uma pessoa, responsável indirecto, pela influência que foi e ainda é, por muito daquilo que sou e penso, que ouço e vejo. conheço-o há quase 30 anos e, apesar de sempre termos vivido bastante longe um do outro, a nossa amizade nunca esmoreceu, pelo contrário parece ficar cada vez mais forte e sólida. é o verdadeiro amigo, aquele que está sempre presente, mesmo à distância. obrigado ricardo, faço votos para que consigamos, de facto, passar uns dias juntos nestas férias.
slowdive

categoria: bandas subvalorizadas que acabaram cedo demais.
há alguns nomes que surgem de repente, the afghan whigs, the sundays, mazzy star, red house painters e ride. contudo, deixaram-nos discos brilhantes que guardamos religiosamente na prateleira de cd's lá de casa. "gentleman", dos the afghan whigs, é um daqueles clássicos obrigatórios, onde as guitarras eléctricas se ouvem na sua mais pura essência. "nowhere", dos ride, é outro cd que nunca me canso de ouvir. para além de todos os seus méritos musicais, que são muitos, este disco tem o melhor som de bateria de todos os tempos, avassalador e energético. em relação aos red house painters seria fastidioso enumerar as várias obras primas que constam da sua discografia. tenho a discografia completa deles e ainda continuam a ser uma das minhas bandas preferidas. ainda anseio por um regresso da banda, tal como aconteceu com os american music club, no ano passado.
mas a banda que me fez escrever este post chama-se slowdive. juntaram-se em 1989. acabaram em 1995. editaram três discos: "just for a day", 1991; "souvlaki", 1993; e "pygmalion", 1995. com uma sonoridade muito influenciada por bandas como os cocteau twins, my bloody valentine, lush, mercury rev e cranes, os slowdive criaram discos magistralmente trabalhados, com vozes sobrepostas, refrões celestiais, guitarras e acordes arrastados, com músicas que encerram dentro de si uma escalada dramática pungente, que deixam sempre uma lágrima a espreitar no canto dos nossos olhos em cada audição. experimentem ouvir músicas como "alison", "machine gun", "altogether", "spanish air" e "when the sun hits". tal como outra magnífica banda, os blonde redhead, os slowdive também têm vocalista masculino e feminino (neil halstead e rachel goswell), vozes que se entrelaçam perfeitamente numa comunhão musical inebriante. o fim dos slowdive foi provocado por uma péssima actuação das editoras com quem trabalham, principalmente a SBK, que não soube promover devidamente o melhor disco da banda, "souvlaki", lançando-o nos estados unidos só meio ano depois da banda ter actuado por lá. três elementos juntar-se-iam mais tarde, na conceituada editora independente 4AD, formando os mojave 3, editando já cinco discos, entre 1996 e 2006.
os slowdive foram uma banda muito subvalorizada. se ouvirem o disco "souvlaki" vão, certamente, partilhar a minha opinião. se tiverem oportunidade, procurem o disco na net. vai valer a pena!
quarta-feira, julho 26, 2006
mélissa theuriau


mélissa theuriau é a apresentadora do programa informativo matinal e figura emblemática do canal LCI, propriedade da TF1. recusou recentemente um convite para ser a pivot dos noticiários de fim de semana da TF1. disse a jornalista que, dada a procura constante do seu nome na internet, aliada à perseguição que lhe é movida pelos paparazzi franceses, que a apanharam a fazer topless na praia, tendo as fotos sido publicadas na revista voici, seria uma exposição demasiada, desgastando a sua imagem, e que preferia ir subindo degrau a degrau em vez de queimar etapas. ajuizada a moça. recusou igualmente um convite para entrar num filme de guillaume caunet, pelos mesmos motivos. o canal francês M6 anunciou que, a partir de setembro, passará a contar com mélissa nos seus quadros. o que é pena! primeiro porque não apanho o raio do canal e depois porque, se ela viesse para portugal, aprendesse a falar português (estou a sonhar, não posso?!) e começasse a apresentar as notícias nos nossos canais televisivos, teriamos sempre um sorriso nos lábios, mesmo quando ela noticiasse que os combustíveis voltaram a subir, que mais 14 fábricas fecharam, deixando 1400 pessoas no desemprego, que o governo vai começar a taxar as pessoas que caminhem calçadas na rua, que o gilberto madaíl vai continuar à frente da Federação Portuguesa de Futebol, etc..
sempre com um sorriso nos lábios, sempre!
lost

afinal, ainda falta uma semana para sabermos o que se vai passar no último episódio de "lost". pensei que as duas horas do último episódio da segunda série iriam ser transmitidas de seguida, na fox, mas decidiram dividi-lo em dois. a minha angústia vai continuar até à próxima terça-feira. não acompanho a série na RTP, porque o horário não me agrada. e também sei que posso ir ao site da ABC e ler o que se passa no último episódio. mas vou conseguir controlar esta minha ansiedade e esperar para ver in loco na próxima terça-feira.
que acontecerá se os números não forem introduzidos no computador no final dos 108 minutos? o que fazem verdadeiramente os "others" na ilha? também sobreviveram à queda de um avião? e porque motivo a ilha está cheia de escotilhas?
fui ler vários comentários de seguidores desta série e encontrei algumas opiniões interessantes. uns dizem que a ilha é uma espécie de purgatório. todos eles já morreram, são apenas espíritos a tentar resolver os seus passados, de modo a entrarem no céu (os próprios autores da série já negaram esta versão); outros ainda dizem que a escotilha vai explodir, caso eles não introduzam os números, e que locke e mr. eko vão morrer; para alguns os sobreviventes da queda do avião são meras cobaias de experiências científicas levadas a cabo na ilha; para outros eles estão todos no mesmo hospital psiquiátrico que apareceu no flashback de hurley (o mais gordinho) e estão a imaginar tudo isto; também se fala que jack, kate e sawyer vão receber lavagens ao cérebro e que se vão tornar também eles "others". uma das opiniões que mais gostei de ler foi a de que a ilha é uma espécie de cenário para um reality show, uma mistura entre o survivor e o big brother, eles estão a ser filmados e seguidos 24 horas por dia, tipo "truman show", com o jim carrey.
uma cena fulcral nesta segunda série é aquela em que kate vê walt, o filho de michael, na floresta, todo molhado. walt diz qualquer coisa, que parece ser dito ao contrário. segundo vários comentários que li, walt diz: "don't push the button, the button is bad". o que quererá isto dizer? bem, lá está, só na próxima terça-feira saberemos.
a questão é que a terceira série já vem a caminho, começa a passar nos estados unidos a 4 de outubro, o que indicia que eles vão mesmo continuar na ilha e que todas as nossas perguntas não vão ter resposta definitiva no último episódio da segunda série.
mesmo assim, caramba, que série!! apesar de algumas críticas ao lento desenrolar dos acontecimentos e ao arrastamento da série em constantes flashbacks, "lost" é extremamente apelativo e viciante, prende-nos ao televisor, acelera-nos os batimentos cardíacos, "desliga-nos" no mundo real durante 50 minutos.
agora tenho que ir, vou comprar a primeira série em dvd, que já está à venda...
terça-feira, julho 25, 2006
em playback
há centenas de cantores nacionais que nunca tiveram "tempo de antena", nunca tiveram um disco de ouro, sobrevivendo à custa dos espectáculos de verão, nas milhares de festas por esse país fora. mas tinham pelo menos uma qualidade: tocavam e cantavam, porque era isso que eles sabiam fazer. foi a arte que escolheram.
hoje em dia é tudo muito mais imediato e, curiosamente, com menos custos. ou seja, hoje um espectáculo, numa qualquer vila ou aldeia de portugal, necessita apenas de duas ou três pessoas: um cantor ou cantora para fazer playback, uma pessoa para colocar o cd na aparelhagem e outra para fazer de empresário, negociando as condições com a organização da respectiva festa. e porquê? porque ao povo não interessa se os cantores cantam bem ou mal, têm é que ter uma carinha laroca. se é em playback ou não é indiferente. a britney spears também fez playback no rock in rio, perante 80 mil pessoas, e levou o seu cachet na mesma para casa.
o logro do playback ganharia outros contornos se pensarmos neste cenário: imaginem o picasso com uma tela à frente e com um pincel na mão a fingir que está a pintar; ou ir ver um jogo de futebol, em que os jogadores fingem que jogam.
qualquer zé ninguém pode ser por estes dias um "artista". desde que reúna condições físicas para tal. saber cantar? tocar um simples instrumento? isso é irrelevante. desde que faça um aceitável playback e saiba mexer os braços e as pernas em palco.
e com tudo isto a inundar os ecrãs de televisão, nos morangos, nas floribellas, nas novelas, nos programas da manhã, nos natais nos hospitais, que espaço terão aquelas pessoas que de facto sabem tocar e cantar? há quantos anos não aparece algo verdadeiramente inovador e criativo na música nacional? por isto tudo, os grupos nacionais mais conhecidos continuam a ser os mesmos de sempre: xutos e pontapés, gnr, da weasel... são poucas as bandas que resistem aos fenómenos instantâneos criados pelas estações de televisão. mas também isso é apenas um sinal de estatuto das mesmas, em vez de claro mérito musical...
segunda-feira, julho 24, 2006
um homem

james gandolfini é... tony soprano.
tony tem carradas de carisma e personalidade para dominar completamente a série. "sopranos" sem tony seria como "dallas" sem j.r. ewing, ou "24" sem jack bauer.
tony soprano deveria ser, efectivamente, mau como as cobras, um líder mafioso sem escrúpulos, impiedoso e autoritário. e ele também sabe ser tudo isso mas, por dentro, é um coração de manteiga, um "mãos largas" para a família, um irmão presente, um sobrinho dedicado que não se importa de ir tratar do tio quando mais ninguém pode, de cozinhar para ele, de levar um tiro dele inclusivamente (no primeiro episódio da sexta série, que começou a passar no canal 2 na passada segunda feira).
tony soprano tem, acima de tudo, muita pinta. é gordo, mal jeitoso, bruto por vezes, mas exala a palavra "cool" por todos os seus poros, mesmo quando se passeia pela casa de roupão aberto. fuma os melhores charutos, bebe o melhor whisky, conduz os melhores carros, tem o respeito dos seus subalternos, é quase intocável em termos de chefia e liderança. mas quando "a criança dentro dele" lhe cria enormes receios e dúvidas entra em cena a sua "âncora": a psiquiatra. nessas alturas vemos a sua revolta, os seus receios e traumas, as mesmas fragilidades do mais comum ser humano. é precisamente essa ambivalência latente que faz de tony soprano uma personagem cativante e incomparável no meio televisivo actual. um homem forte e destemido, cuja sombra é uma criança assustada.
r.a.p.

"Perder o acesso ao Abrupto seria, para nós, pecadores do século XXI, perder o contacto com a santidade. Porque o Pacheco Pereira é uma espécie de Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, mas de âmbito mais alargado: observa todos os males do Mundo. E, assim como não há toxicodependentes no Observatório Europeu, também não há mal do Mundo que toque, sequer de raspão, em Pacheco Pereira. Há males nos blogues – mas não no de Pacheco Pereira. Há males na política – mas não na que Pacheco Pereira faz. Há males nos jornais – mas não nas páginas em que Pacheco Pereira escreve. Muito santo tem um homem de ser para passar impoluto num mundo tão indecente. E, no entanto, abre-se o blog do Pacheco Pereira e fica-se com o computador a cheirar a éter. O Pacheco Pereira é um desses semideuses de que fala o Álvaro de Campos no “Poema em Linha Recta”. Nunca levou porrada, nunca foi ridículo, nunca fez vergonhas financeiras. O Pacheco Pereira não se espanta, não se aleija, não tropeça, não duvida, não hesita, não ri. O Pacheco Pereira não faz um gesto que não o enobreça, não tem um prazer que não o edifique, não cede a um vício que não seja, vendo bem, uma virtude. O Pacheco Pereira nunca escreve com as mãos sujas. O Pacheco Pereira é um homem carregado de sentido. O Pacheco Pereira cheira magnificamente da boca. O Pacheco Pereira nu é belíssimo. O Pacheco Pereira é de tal forma superlativo que já merecia ser elogiado no Abrupto pelo Pacheco Pereira".
ricardo araújo pereira é um dos poucos génios nacionais, ao lado de miguel sousa tavares, miguel esteves cardoso e rui reininho. este excerto foi tirado do blog "gato fedorento", que na semana passada dissertava sobre o site da ana malhoa e, mais uma vez, r.a.p. foi certeito, incisivo, corrosivo, cáustico q.b. para com a antiga apresentadora do "buereré". passem por lá (pelo "gato", o outro site é mesmo só para a ana malhoa mostrar que o seu mau gosto não se limita às músicas que canta. bem, cantar não deve ser bem o termo...).
sexta-feira, julho 21, 2006
bolas
- tudo. já tens os bilhetes para o jogo?
- claro. vamos nós, a catarina e a joana. e a tua mulher não quer ir?
- não, nunca fui muito à bola com ela...
chalaça 2
- então e que tal é andar com o joão guerra? ouvi dizer que ele é fantástico.
- é mesmo. é um sonho tornado realidade.
- sempre é verdade que ele é só passivo?
- claro que não. nunca ouviste dizer que quem vai ao guerra dá e leva?
rei na barriga
- tás bom? já há muito tempo que não te via? ainda estás a trabalhar na Visabeira?
- tá tudo bem pá. ainda estou na Visabeira, mas aquilo está cada vez pior, o meu supervisor é uma autêntica besta.
- ele ainda pensa que tem o rei na barriga?
- ele pensa que manda naquilo tudo...
- pois é, ele reage assim desde que engoliu aquela cassete do Elvis.
chalaça
- ontem fui entrevistar o james blunt e ele arranjou-me bilhetes VIP para o seu concerto no coliseu.
- ena, grande sorte. isso é que foi juntar o útil ao agradável.
- podes crer. e amanhã vou ter duas entrevistas. de manhã o cláudio ramos e à tarde o alberto joão jardim.
- bem, isso já é juntar o inútil ao desagradável...
gracejo
- então? só agora? já estou à tua espera para jantar há meia hora.
- desculpa, estive no hospital.
- que foste lá fazer?
- fui visitar o bartolomeu.
- o que tem lepra?
- sim, esse. fui lá trocar dois dedos de conversa com ele.
mais parvoíces
- então pá, o fim de semana correu bem?
- mais ou menos, chateei-me com a minha mulher.
- outra vez? tens que ter calma com ela, porque está a passar uma fase difícil... tens que ser mais paciente e compreensivo.
- mas porque é que tu insistes em falar comigo com duas pedras na mão?
quarta-feira, julho 19, 2006
friends

sempre fui um viciado em sitcom's. antigamente consumia tudo o que passava na televisão neste formato, incluindo programas que hoje, em reposição, não acho piada absolutamente nenhuma, como o "allô allô", "alf", "soap - tudo em família", "chefe mas pouco", "murphy brown", "quem sai aos seus", "dear john", "nanny", etc.. mais recentemente comecei a perder-me de amores pela série "mad about you", com paul reiser e helen hunt. idolatrava e não perdia um único episódio desta deliciosa sitcom, que narrava as atribulações de um jovem casal nova-iorquino. na senda desta, vieram produtos como "dharma e greg" e "will and grace", que se viam muito bem mas, para mim, faltava sempre o "clic" que se sentia automaticamente ao ver o "mad about you", pela verosimilhança das situações, pela empatia que se criava com as personagens principais e pelos momentos cómicos garantidos, normalmente a cargo do primo ira e da empregada do restaurante ursula. depois, mais tarde, já que a série só chegou aos canais televisivos portugueses em 1998, surgiu a série que veio "destronar" todas as outras: "seinfeld". a partir do momento em que aquelas quatro personagens principais (jerry, elaine, george e kramer) foram "assimiladas", o programa passou a ser indispensável, único no estilo e sentido de humor, brilhante no aproveitamento de pequenos "nadas" diários, perspicaz e meticuloso em termos de construção das personagens (george costanza continua a ser uma das personagens mais bem elaboradas de sempre da televisão norte-americana, quanto a mim). continua a ser uma série actual, apesar de ter saído do ar há alguns anos, depois de nove temporadas. o último episódio de "seinfeld" continua a ser um dos programas que maior audiência televisiva teve nos estados unidos. curiosamente, nenhum dos quatro actores da série logrou obter qualquer êxito televisivo desde o final de "seinfeld" (até deveria ter dito três actores, porque jerry seinfeld "reformou-se" no final do programa, continuando apenas a fazer espectáculos de stand up comedy e a gozar os largos rendimentos que obteve pela criação da série).
depois de "seinfeld", ainda houve uma outra sitcom que me "encheu as medidas". falo de "spin city", com michael j. fox, em que o actor fazia de assistente do mayor de nova iorque. pena a série nunca ter sido lançada em dvd nacional para venda.
uma outra sitcom, que só "descobri" há relativamente pouco tempo, mas que esteve no "ar" nos estados unidos durante 10 anos (de 1994 a 2004), sempre com enorme audiência, é "friends". confesso que "embirrei" de início com ela, primeiro porque a RTP fez o "favor" de a dobrar para português, essa idiotice pegada. depois porque me embirrava o facto de eles morarem juntos (ideia errada que eu tinha) e serem todos muito bonitos, jovens e sexy's, tipo séries como o "beverly hills", "melrose place" e essas tretas. estava enganado... no ano passado comprei a primeira temporada em dvd e "entrei" definitivamente naquilo. tão definitivamente que já tenho as sete séries que saíram em dvd (faltam três!) e consumo episódios daquilo como garrafas de água no verão. a criatividade do guião, a frescura e credibilidade das personagens, os encontros e desencontros amorosos entre os seis protagonistas, tudo muito bem "embrulhado" num produto atraente e irresistível. chego a ver oito episódios seguidos, sem nunca me cansar ou entediar. as "bocas" do chandler, a ingenuidade do joey, a timidez e a insegurança do ross, a disciplina exacerbada da monica, a doçura da rachel e o mundo alternativo e esotérico da phoebe... já não consigo passar sem isto... e ainda por cima, ontem "despachei" a sétima série. agora tenho que ficar à espera que ponham à venda as restantes três temporadas...
a personagem com que mais me identifico é o chandler, sem dúvida (brilhante matthew perry!), pelo sarcasmo e pela ironia das suas tiradas, se bem que me rio mais com o joey (matt le blanc), mulherengo q.b. mas cuja inteligência não é proporcional aos seus dotes de dom juan. quanto às mulheres da série, ainda hoje não consigo decidir entre a monica (courtney cox) e a rachel (jennifer aniston), já que a phoebe (lisa kudrow) não é nada o meu género. o ross (david schwimmer) tem os seus momentos na série, nomeadamente quando demonstra a sua gritante falta de jeito para cortejar as mulheres.
se tiverem oportunidade, se quiserem fugir aos noticiários da noite, vejam a série, de segunda a sexta, na 2:, às 20h45. fica a dica!

