sexta-feira, julho 28, 2006

centésimo post


muito obrigado a todos aqueles que por estas nuvens passam.
com a chegada do dia de partida para as férias, o céu vai ficar limpo.
estas nuvens vão-se dissipar, por enquanto.
volto, revigorado certamente, a 16 de agosto.
deixo-vos ficar com esta preciosidade de woody allen:
"A celebridade trouxe-me uma enorme vantagem.
As mulheres que me repudiam são cada vez mais bonitas."
fiquem bem!

quinta-feira, julho 27, 2006

fugir para longe... de mim

nestas férias apetece-me... sair de mim!
passar um dia inteiro a ver as 24 horas seguidas de uma temporada da série "24";
ir de férias pelo menos uma semana com o meu melhor amigo, viajando de carro, sem destino, por esse país fora;
jogar playstation até me encher ou até os olhos ficarem totalmente vermelhos, o que acontecer primeiro;
vegetar na praia ou à beira de uma piscina, desligando a parte do meu cérebro que está constantemente preocupada com os filhos;
não ter horas para comer, para dormir, para chegar a casa;
beber caipirinhas, mateus rosé e sagres bohemia sem moderação (mas também sem conduzir);
jogar futebol, ping pong, snooker e, quem sabe, até experimentar aquela paneleirice do jogo dos dardos electrónico;
gravar dezenas de compilações musicais para amigos, com as minhas músicas preferidas, para eles levarem sempre um pouco de mim com eles e não se esquecerem de mim;
andar constantemente de calções, sapatos de vela e t'shirt;
ir para o algarve fingir que sou turista, sempre sou melhor atendido;
flirtar e meter conversa com tipas giras, chegando ao pé delas dizendo: "posso fazer-te uma pergunta?"; e se ela disser que sim atirar com isto: "quanto é 48 vezes 64?";
ir ao cinema, reatar uma paixão antiga, tão negligenciada nos últimos anos (quer dizer, ao nível de filmes infantis não me posso queixar. fui ver com o pedro o "à procura de nemo", o "madagascar", "a idade do gelo 2", etc);
assistir a um jogo de futebol do meu sporting, coisa que não faço há uns anos valentes;
e ainda guardar uns dias para estar, apenas estar, com amigos e amigas com quem não posso estar muito tempo normalmente; fazer longos almoços com eles, jantares de grupo, algum quality time para cimentar relações. quem sabe ir buscar aquelas bebidas todas que referi lá em cima e deixar a noite correr, sem pressas, sem horários, sem compromissos. caramba, que saudades desse tempo!
amanhã, dia 28 de julho, pelas 18 horas, entro oficialmente de férias no mundo real. pode ser que ainda arranje tempo para realizar alguns destes meus "desejos".

p.s. - este é o post número 99 deste blog. amanhã, se a imaginação o permitir, colocarei o centésimo. depois, só voltarei a estar na blogosfera a partir de 16 de agosto. vou ter saudades. o blog é algo que cresce connosco, dentro de nós. daí a constante necessidade de o alimentar. mas com 100 posts já posso ir de férias descansado. em 6 meses acho que "trabalhei bem". mas deixo isso ao vosso critério.
as palavras finais vão para uma pessoa, responsável indirecto, pela influência que foi e ainda é, por muito daquilo que sou e penso, que ouço e vejo. conheço-o há quase 30 anos e, apesar de sempre termos vivido bastante longe um do outro, a nossa amizade nunca esmoreceu, pelo contrário parece ficar cada vez mais forte e sólida. é o verdadeiro amigo, aquele que está sempre presente, mesmo à distância. obrigado ricardo, faço votos para que consigamos, de facto, passar uns dias juntos nestas férias.

slowdive


categoria: bandas subvalorizadas que acabaram cedo demais.
há alguns nomes que surgem de repente, the afghan whigs, the sundays, mazzy star, red house painters e ride. contudo, deixaram-nos discos brilhantes que guardamos religiosamente na prateleira de cd's lá de casa. "gentleman", dos the afghan whigs, é um daqueles clássicos obrigatórios, onde as guitarras eléctricas se ouvem na sua mais pura essência. "nowhere", dos ride, é outro cd que nunca me canso de ouvir. para além de todos os seus méritos musicais, que são muitos, este disco tem o melhor som de bateria de todos os tempos, avassalador e energético. em relação aos red house painters seria fastidioso enumerar as várias obras primas que constam da sua discografia. tenho a discografia completa deles e ainda continuam a ser uma das minhas bandas preferidas. ainda anseio por um regresso da banda, tal como aconteceu com os american music club, no ano passado.
mas a banda que me fez escrever este post chama-se slowdive. juntaram-se em 1989. acabaram em 1995. editaram três discos: "just for a day", 1991; "souvlaki", 1993; e "pygmalion", 1995. com uma sonoridade muito influenciada por bandas como os cocteau twins, my bloody valentine, lush, mercury rev e cranes, os slowdive criaram discos magistralmente trabalhados, com vozes sobrepostas, refrões celestiais, guitarras e acordes arrastados, com músicas que encerram dentro de si uma escalada dramática pungente, que deixam sempre uma lágrima a espreitar no canto dos nossos olhos em cada audição. experimentem ouvir músicas como "alison", "machine gun", "altogether", "spanish air" e "when the sun hits". tal como outra magnífica banda, os blonde redhead, os slowdive também têm vocalista masculino e feminino (neil halstead e rachel goswell), vozes que se entrelaçam perfeitamente numa comunhão musical inebriante. o fim dos slowdive foi provocado por uma péssima actuação das editoras com quem trabalham, principalmente a SBK, que não soube promover devidamente o melhor disco da banda, "souvlaki", lançando-o nos estados unidos só meio ano depois da banda ter actuado por lá. três elementos juntar-se-iam mais tarde, na conceituada editora independente 4AD, formando os mojave 3, editando já cinco discos, entre 1996 e 2006.
os slowdive foram uma banda muito subvalorizada. se ouvirem o disco "souvlaki" vão, certamente, partilhar a minha opinião. se tiverem oportunidade, procurem o disco na net. vai valer a pena!

quarta-feira, julho 26, 2006

mélissa theuriau




mélissa theuriau é a apresentadora do programa informativo matinal e figura emblemática do canal LCI, propriedade da TF1. recusou recentemente um convite para ser a pivot dos noticiários de fim de semana da TF1. disse a jornalista que, dada a procura constante do seu nome na internet, aliada à perseguição que lhe é movida pelos paparazzi franceses, que a apanharam a fazer topless na praia, tendo as fotos sido publicadas na revista voici, seria uma exposição demasiada, desgastando a sua imagem, e que preferia ir subindo degrau a degrau em vez de queimar etapas. ajuizada a moça. recusou igualmente um convite para entrar num filme de guillaume caunet, pelos mesmos motivos. o canal francês M6 anunciou que, a partir de setembro, passará a contar com mélissa nos seus quadros. o que é pena! primeiro porque não apanho o raio do canal e depois porque, se ela viesse para portugal, aprendesse a falar português (estou a sonhar, não posso?!) e começasse a apresentar as notícias nos nossos canais televisivos, teriamos sempre um sorriso nos lábios, mesmo quando ela noticiasse que os combustíveis voltaram a subir, que mais 14 fábricas fecharam, deixando 1400 pessoas no desemprego, que o governo vai começar a taxar as pessoas que caminhem calçadas na rua, que o gilberto madaíl vai continuar à frente da Federação Portuguesa de Futebol, etc..
sempre com um sorriso nos lábios, sempre!

lost


afinal, ainda falta uma semana para sabermos o que se vai passar no último episódio de "lost". pensei que as duas horas do último episódio da segunda série iriam ser transmitidas de seguida, na fox, mas decidiram dividi-lo em dois. a minha angústia vai continuar até à próxima terça-feira. não acompanho a série na RTP, porque o horário não me agrada. e também sei que posso ir ao site da ABC e ler o que se passa no último episódio. mas vou conseguir controlar esta minha ansiedade e esperar para ver in loco na próxima terça-feira.
que acontecerá se os números não forem introduzidos no computador no final dos 108 minutos? o que fazem verdadeiramente os "others" na ilha? também sobreviveram à queda de um avião? e porque motivo a ilha está cheia de escotilhas?
fui ler vários comentários de seguidores desta série e encontrei algumas opiniões interessantes. uns dizem que a ilha é uma espécie de purgatório. todos eles já morreram, são apenas espíritos a tentar resolver os seus passados, de modo a entrarem no céu (os próprios autores da série já negaram esta versão); outros ainda dizem que a escotilha vai explodir, caso eles não introduzam os números, e que locke e mr. eko vão morrer; para alguns os sobreviventes da queda do avião são meras cobaias de experiências científicas levadas a cabo na ilha; para outros eles estão todos no mesmo hospital psiquiátrico que apareceu no flashback de hurley (o mais gordinho) e estão a imaginar tudo isto; também se fala que jack, kate e sawyer vão receber lavagens ao cérebro e que se vão tornar também eles "others". uma das opiniões que mais gostei de ler foi a de que a ilha é uma espécie de cenário para um reality show, uma mistura entre o survivor e o big brother, eles estão a ser filmados e seguidos 24 horas por dia, tipo "truman show", com o jim carrey.
uma cena fulcral nesta segunda série é aquela em que kate vê walt, o filho de michael, na floresta, todo molhado. walt diz qualquer coisa, que parece ser dito ao contrário. segundo vários comentários que li, walt diz: "don't push the button, the button is bad". o que quererá isto dizer? bem, lá está, só na próxima terça-feira saberemos.
a questão é que a terceira série já vem a caminho, começa a passar nos estados unidos a 4 de outubro, o que indicia que eles vão mesmo continuar na ilha e que todas as nossas perguntas não vão ter resposta definitiva no último episódio da segunda série.
mesmo assim, caramba, que série!! apesar de algumas críticas ao lento desenrolar dos acontecimentos e ao arrastamento da série em constantes flashbacks, "lost" é extremamente apelativo e viciante, prende-nos ao televisor, acelera-nos os batimentos cardíacos, "desliga-nos" no mundo real durante 50 minutos.
agora tenho que ir, vou comprar a primeira série em dvd, que já está à venda...

terça-feira, julho 25, 2006

em playback

o que pensarão aqueles cantores e grupos, com décadas de experiência e muitos espectáculos de província nas pernas, do sucesso quase instantâneo, com direito a triplas platinas, de tipos como o ff, os d'zrt ou a floribella?
há centenas de cantores nacionais que nunca tiveram "tempo de antena", nunca tiveram um disco de ouro, sobrevivendo à custa dos espectáculos de verão, nas milhares de festas por esse país fora. mas tinham pelo menos uma qualidade: tocavam e cantavam, porque era isso que eles sabiam fazer. foi a arte que escolheram.
hoje em dia é tudo muito mais imediato e, curiosamente, com menos custos. ou seja, hoje um espectáculo, numa qualquer vila ou aldeia de portugal, necessita apenas de duas ou três pessoas: um cantor ou cantora para fazer playback, uma pessoa para colocar o cd na aparelhagem e outra para fazer de empresário, negociando as condições com a organização da respectiva festa. e porquê? porque ao povo não interessa se os cantores cantam bem ou mal, têm é que ter uma carinha laroca. se é em playback ou não é indiferente. a britney spears também fez playback no rock in rio, perante 80 mil pessoas, e levou o seu cachet na mesma para casa.
o logro do playback ganharia outros contornos se pensarmos neste cenário: imaginem o picasso com uma tela à frente e com um pincel na mão a fingir que está a pintar; ou ir ver um jogo de futebol, em que os jogadores fingem que jogam.
qualquer zé ninguém pode ser por estes dias um "artista". desde que reúna condições físicas para tal. saber cantar? tocar um simples instrumento? isso é irrelevante. desde que faça um aceitável playback e saiba mexer os braços e as pernas em palco.
e com tudo isto a inundar os ecrãs de televisão, nos morangos, nas floribellas, nas novelas, nos programas da manhã, nos natais nos hospitais, que espaço terão aquelas pessoas que de facto sabem tocar e cantar? há quantos anos não aparece algo verdadeiramente inovador e criativo na música nacional? por isto tudo, os grupos nacionais mais conhecidos continuam a ser os mesmos de sempre: xutos e pontapés, gnr, da weasel... são poucas as bandas que resistem aos fenómenos instantâneos criados pelas estações de televisão. mas também isso é apenas um sinal de estatuto das mesmas, em vez de claro mérito musical...

segunda-feira, julho 24, 2006

um homem


james gandolfini é... tony soprano.
tony tem carradas de carisma e personalidade para dominar completamente a série. "sopranos" sem tony seria como "dallas" sem j.r. ewing, ou "24" sem jack bauer.
tony soprano deveria ser, efectivamente, mau como as cobras, um líder mafioso sem escrúpulos, impiedoso e autoritário. e ele também sabe ser tudo isso mas, por dentro, é um coração de manteiga, um "mãos largas" para a família, um irmão presente, um sobrinho dedicado que não se importa de ir tratar do tio quando mais ninguém pode, de cozinhar para ele, de levar um tiro dele inclusivamente (no primeiro episódio da sexta série, que começou a passar no canal 2 na passada segunda feira).
tony soprano tem, acima de tudo, muita pinta. é gordo, mal jeitoso, bruto por vezes, mas exala a palavra "cool" por todos os seus poros, mesmo quando se passeia pela casa de roupão aberto. fuma os melhores charutos, bebe o melhor whisky, conduz os melhores carros, tem o respeito dos seus subalternos, é quase intocável em termos de chefia e liderança. mas quando "a criança dentro dele" lhe cria enormes receios e dúvidas entra em cena a sua "âncora": a psiquiatra. nessas alturas vemos a sua revolta, os seus receios e traumas, as mesmas fragilidades do mais comum ser humano. é precisamente essa ambivalência latente que faz de tony soprano uma personagem cativante e incomparável no meio televisivo actual. um homem forte e destemido, cuja sombra é uma criança assustada.

r.a.p.


"Perder o acesso ao Abrupto seria, para nós, pecadores do século XXI, perder o contacto com a santidade. Porque o Pacheco Pereira é uma espécie de Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, mas de âmbito mais alargado: observa todos os males do Mundo. E, assim como não há toxicodependentes no Observatório Europeu, também não há mal do Mundo que toque, sequer de raspão, em Pacheco Pereira. Há males nos blogues – mas não no de Pacheco Pereira. Há males na política – mas não na que Pacheco Pereira faz. Há males nos jornais – mas não nas páginas em que Pacheco Pereira escreve. Muito santo tem um homem de ser para passar impoluto num mundo tão indecente. E, no entanto, abre-se o blog do Pacheco Pereira e fica-se com o computador a cheirar a éter. O Pacheco Pereira é um desses semideuses de que fala o Álvaro de Campos no “Poema em Linha Recta”. Nunca levou porrada, nunca foi ridículo, nunca fez vergonhas financeiras. O Pacheco Pereira não se espanta, não se aleija, não tropeça, não duvida, não hesita, não ri. O Pacheco Pereira não faz um gesto que não o enobreça, não tem um prazer que não o edifique, não cede a um vício que não seja, vendo bem, uma virtude. O Pacheco Pereira nunca escreve com as mãos sujas. O Pacheco Pereira é um homem carregado de sentido. O Pacheco Pereira cheira magnificamente da boca. O Pacheco Pereira nu é belíssimo. O Pacheco Pereira é de tal forma superlativo que já merecia ser elogiado no Abrupto pelo Pacheco Pereira".

ricardo araújo pereira é um dos poucos génios nacionais, ao lado de miguel sousa tavares, miguel esteves cardoso e rui reininho. este excerto foi tirado do blog "gato fedorento", que na semana passada dissertava sobre o site da ana malhoa e, mais uma vez, r.a.p. foi certeito, incisivo, corrosivo, cáustico q.b. para com a antiga apresentadora do "buereré". passem por lá (pelo "gato", o outro site é mesmo só para a ana malhoa mostrar que o seu mau gosto não se limita às músicas que canta. bem, cantar não deve ser bem o termo...).

uma mulher
















monica bellucci

sexta-feira, julho 21, 2006

bolas

- então miguel, tá tudo combinado para amanhã?
- tudo. já tens os bilhetes para o jogo?
- claro. vamos nós, a catarina e a joana. e a tua mulher não quer ir?
- não, nunca fui muito à bola com ela...

chalaça 2

dois homossexuais conversam na esplanada:
- então e que tal é andar com o joão guerra? ouvi dizer que ele é fantástico.
- é mesmo. é um sonho tornado realidade.
- sempre é verdade que ele é só passivo?
- claro que não. nunca ouviste dizer que quem vai ao guerra dá e leva?

rei na barriga

dois amigos, que já não se viam há muito tempo, encontram-se na rua:
- tás bom? já há muito tempo que não te via? ainda estás a trabalhar na Visabeira?
- tá tudo bem pá. ainda estou na Visabeira, mas aquilo está cada vez pior, o meu supervisor é uma autêntica besta.
- ele ainda pensa que tem o rei na barriga?
- ele pensa que manda naquilo tudo...
- pois é, ele reage assim desde que engoliu aquela cassete do Elvis.

chalaça

duas jornalistas conversam na redacção:
- ontem fui entrevistar o james blunt e ele arranjou-me bilhetes VIP para o seu concerto no coliseu.
- ena, grande sorte. isso é que foi juntar o útil ao agradável.
- podes crer. e amanhã vou ter duas entrevistas. de manhã o cláudio ramos e à tarde o alberto joão jardim.
- bem, isso já é juntar o inútil ao desagradável...

gracejo

o marido chega a casa e encontra a mulher, mal humorada, à sua espera.
- então? só agora? já estou à tua espera para jantar há meia hora.
- desculpa, estive no hospital.
- que foste lá fazer?
- fui visitar o bartolomeu.
- o que tem lepra?
- sim, esse. fui lá trocar dois dedos de conversa com ele.

mais parvoíces

dois calceteiros, durante o trabalho, iniciam uma conversa:
- então pá, o fim de semana correu bem?
- mais ou menos, chateei-me com a minha mulher.
- outra vez? tens que ter calma com ela, porque está a passar uma fase difícil... tens que ser mais paciente e compreensivo.
- mas porque é que tu insistes em falar comigo com duas pedras na mão?

quarta-feira, julho 19, 2006

friends


sempre fui um viciado em sitcom's. antigamente consumia tudo o que passava na televisão neste formato, incluindo programas que hoje, em reposição, não acho piada absolutamente nenhuma, como o "allô allô", "alf", "soap - tudo em família", "chefe mas pouco", "murphy brown", "quem sai aos seus", "dear john", "nanny", etc.. mais recentemente comecei a perder-me de amores pela série "mad about you", com paul reiser e helen hunt. idolatrava e não perdia um único episódio desta deliciosa sitcom, que narrava as atribulações de um jovem casal nova-iorquino. na senda desta, vieram produtos como "dharma e greg" e "will and grace", que se viam muito bem mas, para mim, faltava sempre o "clic" que se sentia automaticamente ao ver o "mad about you", pela verosimilhança das situações, pela empatia que se criava com as personagens principais e pelos momentos cómicos garantidos, normalmente a cargo do primo ira e da empregada do restaurante ursula. depois, mais tarde, já que a série só chegou aos canais televisivos portugueses em 1998, surgiu a série que veio "destronar" todas as outras: "seinfeld". a partir do momento em que aquelas quatro personagens principais (jerry, elaine, george e kramer) foram "assimiladas", o programa passou a ser indispensável, único no estilo e sentido de humor, brilhante no aproveitamento de pequenos "nadas" diários, perspicaz e meticuloso em termos de construção das personagens (george costanza continua a ser uma das personagens mais bem elaboradas de sempre da televisão norte-americana, quanto a mim). continua a ser uma série actual, apesar de ter saído do ar há alguns anos, depois de nove temporadas. o último episódio de "seinfeld" continua a ser um dos programas que maior audiência televisiva teve nos estados unidos. curiosamente, nenhum dos quatro actores da série logrou obter qualquer êxito televisivo desde o final de "seinfeld" (até deveria ter dito três actores, porque jerry seinfeld "reformou-se" no final do programa, continuando apenas a fazer espectáculos de stand up comedy e a gozar os largos rendimentos que obteve pela criação da série).
depois de "seinfeld", ainda houve uma outra sitcom que me "encheu as medidas". falo de "spin city", com michael j. fox, em que o actor fazia de assistente do mayor de nova iorque. pena a série nunca ter sido lançada em dvd nacional para venda.
uma outra sitcom, que só "descobri" há relativamente pouco tempo, mas que esteve no "ar" nos estados unidos durante 10 anos (de 1994 a 2004), sempre com enorme audiência, é "friends". confesso que "embirrei" de início com ela, primeiro porque a RTP fez o "favor" de a dobrar para português, essa idiotice pegada. depois porque me embirrava o facto de eles morarem juntos (ideia errada que eu tinha) e serem todos muito bonitos, jovens e sexy's, tipo séries como o "beverly hills", "melrose place" e essas tretas. estava enganado... no ano passado comprei a primeira temporada em dvd e "entrei" definitivamente naquilo. tão definitivamente que já tenho as sete séries que saíram em dvd (faltam três!) e consumo episódios daquilo como garrafas de água no verão. a criatividade do guião, a frescura e credibilidade das personagens, os encontros e desencontros amorosos entre os seis protagonistas, tudo muito bem "embrulhado" num produto atraente e irresistível. chego a ver oito episódios seguidos, sem nunca me cansar ou entediar. as "bocas" do chandler, a ingenuidade do joey, a timidez e a insegurança do ross, a disciplina exacerbada da monica, a doçura da rachel e o mundo alternativo e esotérico da phoebe... já não consigo passar sem isto... e ainda por cima, ontem "despachei" a sétima série. agora tenho que ficar à espera que ponham à venda as restantes três temporadas...
a personagem com que mais me identifico é o chandler, sem dúvida (brilhante matthew perry!), pelo sarcasmo e pela ironia das suas tiradas, se bem que me rio mais com o joey (matt le blanc), mulherengo q.b. mas cuja inteligência não é proporcional aos seus dotes de dom juan. quanto às mulheres da série, ainda hoje não consigo decidir entre a monica (courtney cox) e a rachel (jennifer aniston), já que a phoebe (lisa kudrow) não é nada o meu género. o ross (david schwimmer) tem os seus momentos na série, nomeadamente quando demonstra a sua gritante falta de jeito para cortejar as mulheres.
se tiverem oportunidade, se quiserem fugir aos noticiários da noite, vejam a série, de segunda a sexta, na 2:, às 20h45. fica a dica!

editors


editors - the back room

Look at us through the lens of a camera,
does it remove all of our pain?
If we run they'll look in the back room,
where we hide all of our feelings.
("camera")

nomeados para o mercury prize 2006, prémio que no ano transacto distinguiu antony and the johnsons, os editors são um quarteto inglês constituído por tom smith (vocalista), chris urbanowicz (guitarra), russell leetch (baixo) e ed lay (bateria). o album chama-se "the back room" e tem granjeado excelentes críticas nos jornais e revistas da especialidade, como o new musical express ou a rolling stone. os singles "bullets", "munich" e "blood" confirmaram a banda como uma espécie de resposta inglesa aos norte-americanos interpol. as influências passam ainda por bloc party, franz ferdinand e the national, mas também de bandas antigas como joy division e echo and the bunnymen. o disco é bastante homogéneo, apesar dos singles soarem ligeiramente mais comerciais que as outras músicas, como "distance", "camera", "fall" e "dust in the sunlight", as minhas preferidas. ouvindo o disco, percebe-se bem porque é que os editors foram nomeados para o mercury prize. o disco contagia, "agarra" o ouvinte desde a primeira música.
2006 tem sido um ano verdadeiramente fantástico em termos musicais. depois de marjorie fair, my morning jacket, ed harcourt, damien jurado, sun kil moon, the national e she wants revenge, surgem os editors, que já estão a criar enormes expectativas quanto ao seu segundo album.

sexta-feira, julho 14, 2006

she wants revenge


já tinha lido críticas muito favoráveis no all music guide e no blog sound and vision, mas não me "atirei de cabeça" aos She Wants Revenge, por nessa altura ainda estar a "digerir" meia dúzia de bandas novas.
mais tarde, no blog "na-ponta-dos-dedos", da cereja no bolo, voltei a encontrar referências a este disco e decidi "mergulhar" nele.
na primeira audição, notam-se claras parecenças vocais entre o vocalista, justin warfield, com o seu congénere dos interpol, paul banks. o som dos she wants revenge insere-se facilmente numa corrente que engloba os já citados interpol e ainda the editors, the national, franz ferdinand, the killers e até mesmo os the strokes. o que torna este disco diferente é a simbiose entre o revivalismo electrónico, típico dos anos 80, muito próximo de uns depeche mode ou new order, com os sons nostálgicos das guitarras de joy division ou the cure. tudo isto embrulhado e adaptado à música actual, numa espécie de corrente electro rock ou gothic rock. o outro elemento da banda, adam bravin, era um reputado dj em Los Angeles, não admirando, portanto, que tenha conseguido conciliar de forma perfeita todos os sons, vindos das mais díspares correntes musicais. o primeiro single foi "out of control", a música do album que melhor se integra no tal revivalismo electrónico (o início faz claramente lembrar depeche mode). um dos singles deste disco, "tear you apart", teve o seu teledisco dirigido pelo actor joaquin phoenix.
os pontos altos do disco são, para mim, para além das duas músicas já referidas, "broken promises for broken hearts", "she loves me, she loves me not" (onde se encontram claras influências dos the cure na guitarra) e "someone must get hurt", uma música brilhante, a minha preferida deste ano, para já.
os she wants revenge vêm a lisboa, a 22 de Julho, integrando o cartaz de um dos “festivais” que mais dá vontade de ver, entre os já anunciados para a temporada. a banda vai tocar na mesma noite que os the strokes, que pela primeira vez vão actuar em Portugal. o festival, "lisboa soundz", vai decorrer no terrapleno de santos, contando nessa noite, para além dos strokes e dos she wants revenge, com os dirty pretty things, los hermanos, isobell campbell (ex-belle and sebastian), howe gelb e os portugueses you should go ahead.
até lá ainda têm tempo para ouvir o disco, decorar as letras e os acordes, para depois vibrar com o concerto ao vivo.

estupidez

rafael chega a casa. a mulher ainda não tinha chegado. vai à cozinha fazer uma sandes. abre o frigorífico e tira de lá o queijo. abre um pão e com a faca começa a partir o queijo em fatias. neste instante, entra a sua esposa, com uma amiga comum, uma verdadeira brasa por quem ele tinha um "fraquinho" há algum tempo. quando chega o momento dos cumprimentos, rafael não pensa duas vezes e beija a amiga na boca, sofregamente. a mulher, escandalizada, pergunta se ele está bom da cabeça. ele responde:
- mas eu tinha a faca e o queijo na mão... aproveitei...

realidades

quantas vezes já vos aconteceu isto?
ver uma mulher lindíssima, que mais parece ter sido esculpida por um qualquer deus, num curto momento de inocente e santificado erotismo, dona de uma beleza estonteante e sensual, mas a quem o diabo, o sádico, com inveja daquela produção divina, pôs a maldade da sua força demoníaca, fazendo com que, cada vez que essa mulher fala, a beleza se esfume...

segunda-feira, julho 10, 2006

selecção ideal

a minha selecção ideal do mundial 2006:

guarda redes: buffon (itália)
defesa direito: zambrotta (itália)
defesa esquerdo: lahm (alemanha)
defesa central: cannavaro (itália)
defesa central: john terry (inglaterra)
médio direito: ballack (alemanha)
médio esquerdo: pirlo (itália)
médio centro: zidane (frança)
médio centro: kaká (brasil)
ponta de lança: henry (frança)
ponta de lança: shevchenko (ucrânia)

decididamente, este não foi um mundial para pontas de lança. o melhor marcador do torneio (Klose) só apontou 5 golos, em sete jogos. brilharam intensamente guarda redes, defesas e médios. defraudaram jogadores como ronaldo, adriano, crespo, raul, rooney, van nistelroy, pauleta, drogba, ibrahimovic, owen, etc..
daqui a 4 anos, e tendo em conta a escassez de jogadores portugueses para este posto específico e tão importante, quero ver quem serão os pontas de lança da nossa selecção. os deste ano foram muito fracos (nuno gomes ainda tem o benefício da dúvida por ter jogado tão pouco tempo e ter apontado um golo). é que não há, para já, perspectivas para essa posição. hugo almeida? hélder postiga (outra vez não, por favor!)? makukula? vaz tê?
estamos tramados, é o que é...

marrada na lógica


a questão que deve estar a intrigar milhões de pessoas, ontem e hoje, é "porque raio o zidane mandou uma bruta "marrada" no peito do materazzi?", que levou à sua consequente expulsão e a uma despedida inglória dos relvados de um dos melhores jogadores de futebol dos últimos 10 anos.
vou aqui lançar várias hipóteses:
1ª - "ó argelino, não te deixavam jogar lá na selecção da argélia?"
2ª - "tás a ver estas arranhadelas no meu braço? foi a tua mulher ontem à noite"
3ª - "ouvi dizer que tu e o beckham "andaram enrolados" no balneário do real madrid"
4ª - "ó zidane, tens horas que me digas?"
5ª - "em qual destes livros de dostoievski, "crime e castigo" ou "os irmãos karamazov", é mais visível a tensão nervosa exacerbada e a crise contínua interior do protagonista, características que o levam ao pecado, à humilhação, ao prazer mórbido da na sua própria decadência e, por fim, à sua redenção?"
6ª - "o mário soares fala melhor francês do que tu"
7ª - "em itália és mais conhecido como o pedro barbosa francês"

nota: zidane foi mesmo eleito o melhor jogador do mundial 2006, com mais 35 votos que cannavaro, central italiano. e o luís boa morte? e o pauleta? e o hélder postiga? caramba, é perseguição!...

sexta-feira, julho 07, 2006

calinadas

ontem, no jornal da noite, rodrigo guedes de carvalho disse isto:
- "os jornalistas já têm armas e bagagens, literalmente, preparadas para se mudarem para estugarda, onde no sábado decorrerá o portugal - alemanha".
armas e bagagens. literalmente. brilhante ó rodrigo!

há dias, na inenarrável TVI, ouvi isto, da pivot que apresentava o jornal nacional:
- "em directo de londres o nosso jornalista que passou o dia a desfolhar os jornais ingleses, procurando saber o que pensam os ingleses do jogo de logo à noite".
quantos jornais terá o homem destruído, ao arrancar as folhas dos mesmos. pelos vistos, passou o dia naquilo. e mandam o tipo para a inglaterra fazer isto...

quando há greves nacionais ou de qualquer outro tipo, é inevitável aparecer alguém a dizer que a mesma teve uma grande "aderência", em vez de "adesão".
nos rodapés é um fartote de rir, com as calinadas que por ali se dão. a mais comum é colocarem "saiem" em vez de "saem", ou "caiem" em vez de "caem".
estranho é nunca haver ninguém por aquelas redacções que repare no erro e faça alguma coisa para o mudar. as notícias que passam em rodapé, e passam muitas vezes durante o espaço noticioso, estando com erros ortográficos, continuam com esses erros ortográficos até ao final da edição. não se altera, nunca. é sagrado!
instalou-se um estado de despreocupação total com o saber falar e o saber escrever que me assusta. só ouvimos "já almoçastes? que comestes? fizestes aquilo que te disse? já vistes? já fostes? já ouvistes? podem ser uns quaisqueres? eles há-dem ver. assenta-te aí um bocadinho. alevanta-te para te ver as calças novas".
tal como nas tais redacções das estações de televisão, também não haverá ninguém, que conheça estas pessoas que falam assim, que lhes ensine a falar, a rectificar os seus erros? caramba! é que chateia mesmo!

as palavras dos outros

esta semana foi dura, em termos de trabalho. tive pouco tempo disponível para me dedicar a este cantinho. por isso, cedo o meu espaço para as palavras dos outros. aqui ficam umas pérolas do pensamento:
Experiência é o nome que nós damos aos nossos próprios erros. (Oscar Wilde);
A felicidade não é uma estação à qual chegaremos, mas sim uma forma de viajar. (Margaret Lee Runbeck);
Quando uma garota se casa, ela troca a atenção de muitos homens pela desatenção de um. (Helen Rowland);
Pessimista é um sujeito que olha para os dois lados da rua antes de atravessar uma rua de mão única. (Laurence J. Peter);
Amizade é como café, uma vez frio nunca volta o sabor original, mesmo aquecido. (Kant);
Uma comissão consiste de uma reunião de pessoas importantes que, sozinhas, não podem fazer nada, mas que, juntas decidem que nada pode ser feito. (Fred Allen);
Os homens são como os vinhos: a idade azeda os maus e apura os bons. (Cícero);
Lamentar aquilo que não temos é desperdiçar aquilo que já possuímos. (provérbio chinês);
Entrei para uma associação de casados anônimos. Quando me dá vontade de casar, eles me mandam uma mulher de roupão e rolinhos no cabelo, para me queimar a torrada. (Dick Martin);
Tenha cuidado ao emprestar dinheiro a amigos. Você pode perder as duas coisas. (S. Brown);
Na vida tudo é relativo; um fio de cabelo na cabeça é pouco, e na sopa é muito (esta não sei de quem é!)

quarta-feira, julho 05, 2006

ideias para manifestações

ideias para futuras manifestações do proletariado nacional:
- levar cartazes exprimindo o que se pretende (muitas vezes não se entende o que é que o pessoal está a reivindicar. as palavras "cuspidas" para um megafone nem sempre se percebem, confundindo-se muitas vezes com um vendedor da feira semanal que quer despachar os pares de meias que tem para vender);
- tentar ostentar uma cara preocupada e consciente do que está ali a fazer, em vez de andar constantemente, e todo sorridente, à procura de uma câmara televisiva para se colocar à frente dela, para aparecer na televisão, acto que é, ainda hoje, ao fim de meia centena de anos, o objectivo de muita gente;
- reivindicar, gritar, berrar, atirar pedras, qualquer coisa que não seja estar em pé, num grupo de pessoas, de braços cruzados, a olhar não sei para onde, a mexer no telemóvel (como qualquer pessoa deslocada e desconfortável), à espera não sei de quê e o camandro;
- não levar piquenique, garrafões de vinho, melões, geladeiras, salpicões, etc, porque senão vai parecer antes um convívio, tipo aquelas excursões da paróquia;
- tentar perceber e entender os propósitos da manifestação, o que se reivindica, o que se pretende, o que se quer alterar, porque se corre sempre o risco de ser "apanhado" por um repórter, num directo, a colocar-nos questões "difíceis" como: "então o senhor concorda com esta manifestação?"; "há quantos anos trabalhava nesta empresa?"; "e agora, vai para o desemprego, não é?"; "e já agora, não lhe parece que este tipo de manifestações faz lembrar um pouco o enorme apoio que o povo nacional tem dado à selecção nacional? até onde pensa que a nossa selecção vai chegar?".

sugestões para algumas pretensões a apresentar:
- baixar os impostos
- subir os impostos
- proibição de comer melancia a todos aqueles que não tenham consigo pelo menos 15 guardanapos.

outros métodos de desobediência civil:
- parar à frente da câmara municipal e entoar a palavra "pudim" até que as nossas exigências sejam satisfeitas;
- engarrafar o trânsito levando um rebanho de carneiros para a zona comercial;
- telefonar diariamente aos membros do executivo camarário e cantar "afinal havia outra";
- disfarçar-se de alcachofra e beliscar as pessoas ao passar.

fogo que arde, sem se ver

estamos em julho, o calor aperta, o mundial de futebol centra as atenções do país.
maio passou, junho também; no mês corrente também ainda não se ouviu falar muito neles.
será que se extinguiram?
falo dos incêndios, essa calamidade que atinge o nosso país por esta altura.
parece que está encontrado o antídoto para essa praga incendiária: realizar-se um mundial de futebol todos os anos.
outra questão que me consome prende-se com a comunicação social. em anos anteriores, qualquer incêndio tinha "honras" de abertura nos telejornais, havia zonas amarelas, zonas laranja, de grande risco, de pequeno risco, etc.. entrevistavam-se pessoas nos locais sinistrados, os bombeiros pediam mais meios, os governantes diziam que "para o ano é que nos vamos preparar convenientemente", os repórteres entravam em directo mesmo ao lado das chamas, enfim, era um verdadeiro "reality show".
está calor como nos anos anteriores, portanto as condições naturais propícias à ocorrência de fogos existem na mesma, e tenho a certeza de que tem havido incêndios por esse país fora... pois é. mas nos anos anteriores não houve mundial e era preciso "arranjar" notícias para encher os telejornais, porque por esta altura (verão, praia, calor, férias) não há agenda política, não há parlamento, não há campeonato de futebol, não há tribunais, não há julgamentos.
tenho a certeza de que, quando acabar o mundial de futebol, vão "aparecer" centenas de incêndios por esse país fora nas notícias. e voltaremos a ter a nossa tão apregoada calamidade natural sazonal.

terça-feira, julho 04, 2006

palmas! palmas!


uma mulher, a todos os títulos, bonita!
chama-se giorgia palmas, tem 24 anos, nasceu em 5 de Março de 1982, tem nacionalidade italiana, é modelo e apresentadora de tv.
sou um adepto incondicional da beleza latina, nomeadamente da italiana. desde monica bellucci, maria grazia cucinotta, sabrina ferilli, bianca guaccero, etc.
ao fim de seis meses, já era altura de colocar neste blog uma foto de uma mulher fabulosa. hesitei entre a citada monica bellucci, a catherine zeta jones, a charlize theron, até mesmo a catarina furtado (sim, confesso, gosto da catarina furtado! podem começar a atirar pedras...).
optei pela giorgia palmas! acho que fiz bem...

segunda-feira, julho 03, 2006

sorry man


(imagem tirada do blog "os dias úteis", do pedro ribeiro.)

tive pena que a inglaterra se tivesse atravessado no nosso caminho. sempre adorei o futebol inglês, os clubes ingleses e a forma como os adeptos vivem os jogos (os verdadeiros, aqueles que vão aos estádios, não os arruaceiros que utilizam o futebol como pretexto para arranjar confusão). também sinto uma grande simpatia por Eriksson, embora tivesse treinado um clube rival em portugal. deixou sempre uma imagem de humildade, cordialidade e sentido de humor, mesmo nas derrotas, como aconteceu agora. tenho pena que uma geração de jogadores brilhantes, como lampard, terry, gerrard, ferdinand, owen e rooney, tivesse ficado assim arredada, mais uma vez, de uma final.
em todos os europeus e mundiais, a minha segunda selecção é sempre a inglaterra. desta vez perderam com a minha primeira selecção, a de portugal. mas confesso que tendo portugal que cair aos pés de uma selecção (espero que não, claro) optaria pela inglaterra e torceria por eles como torceria por portugal. foi bonito o final do encontro, com os jogadores portugueses a confortarem os seus colegas de equipa (no caso o chelsea e o manchester united).
é caso para dizer, mesmo, sorry eriksson, tu és muito simpático e competente, treinas jogadores fantásticos, mas nós temos que seguir em frente e, se possível, chegar até Berlin. so long...

grande pedra!

a partir desta semana, vai ser obrigatório que todos os cidadãos viseenses passem a trazer consigo meia dúzia de pedras, de acordo com recomendação camarária.
nunca se sabe quando vão ser necessárias.
vamos às finanças, pensando ter tudo preenchido e os devidos documentos exigidos, e o funcionário diz-nos que ainda falta o modelo B5, anexo C. que fazer? mandar-lhe uma pedrada no meio da testa!
vamos cinco minutos ao café, estacionando o veículo em lugar com parquímetro. quando regressamos temos o polícia a escrever-nos uma pequena missiva em forma de multa pecuniária. que fazer? metemos a mão ao bolso, escolhemos uma pedra bem grandinha, porque os polícias costumam ser "pesaditos", e corremos o homem à pedrada.
ir a um serviço público passa agora a ter outro significado. quando não gostarmos de alguma coisa, o que não custa nada a acontecer, basta ameaçar com uma pedra.
- mas eu limitei-me a dizer que não tinha troco de 50 euros... - diz a pobre funcionária.
- não interessa, o meu presidente da Câmara deu-me ordens bem claras. mandou-me correr com alguém indesejável à pedrada. e já agora, quero um café, um muffin de chocolate e que você me declame a obra poética inteira de florbela espanca, enquanto a sua colega de guichet me massaja as costas.
trazer meia dúzia de pedras no bolso é mesmo o definitivo "ice breaker". queremos meter conversa com uma tipa e não sabemos como dar o primeiro passo. mandamos-lhe uma pedra, sem ela dar conta, tendo depois oportunidade de sermos os primeiros a socorre-la. é como regressar à idade da pedra, em que os nossos antepassados viam algo que queriam, escondiam-se de trás de umas moitas e quando ela fosse a passar... depois era só arrastá-la pelos cabelos para a sua caverna.
todos os antigos produtores e vendedores de fisgas vêem em viseu o desejado oásis.
os pedreiros vão iniciar uma nova fase nas suas carreiras, produzindo pequenas pedras de arremesso para comercializar, que vão do calcário ao granito, em várias cores e feitios.
fala-se mesmo em pedras com publicidade. inúmeras empresas de viseu mostraram-se receptivas à ideia de publicitarem os seus produtos nas pedras, à imagem do que aconteceu recentemente com a bandeira nacional. eles querem é sítios para colocarem publicidade, como se não houvessem jornais e rádios regionais à míngua... a própria igreja mandou já encomendar 5 mil pedras, com a inscrição: "deus me perdoe por lhe atirar com esta pedra na cabeça, sei que vou parar ao inferno por isto, mas foram ordens superiores".
no futuro adivinham-se outros contornos mais tecnológicos, como pedras com GPS e ABS, com sistema de navegação por controlo remoto, com rádio (para ouvir os famosos relatos de futebol de domingo) e ipod. a febre dos telemóveis já é passado, o futuro são as pedras. há mesmo uma facção rebelde em viseu que, em vez de pedras, atira com telemóveis. por causa disso já foram mesmo chamados à atenção por fiscais camarários, por não estarem a cumprir ordens camarários superiores. os mesmos fiscais camarários deram entrada no hospital de s. teotónio de viseu horas depois, por terem sido corridos à pedrada. um deles afirmou: "bem, sei que é chato estar assim todo rebentado por pedras, mas pelo menos conseguimos que essa facção rebelde deixasse de atirar com telemóveis. valeu a pena. tudo em nome das ordens camarárias. agora, se me dão licença, visto ter a cabeça a sangrar, o figado perfurado, a tíbia e o perónio fracturados, eu ia ali às urgências ver se era atendido! já levo aqui umas pedras..."

sexta-feira, junho 30, 2006

blogs que visito

após seis meses de actividade bloguistica e por manifesta incapacidade de colocar os respectivos links neste blog, aqui vão os nomes dos blogs que visito frequentemente, sem qualquer ordem de preferência, ou alfabética, ou lá o que seja.

http://perguntarnaofende.blogspot.com - do meu amigo ricardo. todos os dias (excepto fim de semana) lá vou ver a sua pergunta, sempre com pertinácia, sarcasmo, ironia, imaginação, piada e muita genialidade. é um blog ao nível da pessoa que o inventou: brilhante!
http://partesinfinitesimais.blogspot.com - da br. gosto da sua capacidade de observação e do sentido de humor que emprega em cada relato que faz. para além disso, tem muito bons gostos musicais.
http://astroqueflameja.blogspot.com - da marta r. outro blog que me suscita a atenção diária. comentários inteligentes e aprofundados. sentido de humor q.b. em prosa actual e pertinente.
http://na-ponta-dos-dedos.blogspot.com - da cereja no bolo. o primado do bom gosto reflectido em palavras certeiras, com humor e sensibilidade.
http://39mais1.blogspot.com - da maria vinagre. gosto de ler os seus comentários e desabafos ácidos àcerca da vida e das peripécias de uma mulher que acabou de entrar nos "entas". o seu blog faz-me lembrar a série "sex and the city".
http://um-nome-qualquer.blogspot.com - da tulipa negra. mais um blog que merece uma visita diária, por falar de temas da actualidade, sempre com a sua observação e cunho pessoal.
http://palavrasamais.blogspot.com - da catarina. este blog descobri há pouco tempo, ainda o estou a "descobrir", mas para já estou a gostar, sobretudo da referência à música dos anos 80.
http://luaporquementes.blogspot.com - da lu@. palavras apaixonadas de amores perdidos e as suas naturais amarguras e remorsos. revejo-me muito neste blog e por isso o visito frequentemente.
http://straight-up-no-ice.blogspot.com - da stratega. um blog parecido com o que citei em cima, da lu@. textos bem escritos, onde fica bem patente a emoção e a paixão de quem os escreve.
http://bloarght.blogspot.com - da tovarich gina. amiga angela, boa escolha dos temas tratados e sobretudo excelente crítica social e actual do nosso país. corrosiva q.b. e certeira. muito certeira.
http://witchspellworld.blogspot.com - da Karla. outro blog que descobri há pouco tempo. poemas sentidos, com palavras que reflectem ansiedade, calor e desejo! a seguir com atenção.
http://osdiasuteis.blogspot.com - do pedro ribeiro. que dizer? é o pedro ribeiro, da comercial, da sporttv, do saudoso homem que mordeu o cão. é quase da minha idade, temos as mesmas referências (musica, spectrum, futebol) e sempre gostei do seu sentido de humor.
http://gamvis.blogspot.com - blog centrado na minha cidade: viseu.
http://daquivisoeu.blogspot.com - outro blog sobre viseu.
http://arioplano.blogspot.com. - montagens e comentários bastante cómicos sobre a actualidade.
http://sound--vision.blogspot.com - para me manter informado sobre a actualidade musical.

quinta-feira, junho 29, 2006

piada parva II

dois proprietários de dois estabelecimentos ópticos conversam no café:
- então e que tal o mundial?
- tá a correr bem, até estamos a jogar bem.
- e o jogo do próximo sábado?
- pois, portugal - inglaterra. vai ser um jogão!
- na tua óptica quem achas que vai ganhar?

a letra L

cenas da série "L Word", que atestam bem a criatividade e irreverência das suas escritoras:
um casal de lésbicas, bette e tina (jennifer beals e laurel holloman), quer engravidar. de entre os amigos que têm, escolhem um pintor. vão ter com ele ao seu estúdio, convencem-no a "ajudá-las" e levam-lhe o respectivo recipiente. a cena seguinte, em câmara fixa, mostra-nos o casal a vaguear pelo estúdio do pintor, contemplando os seus trabalhos, enquanto ao fundo, no meio da imagem, em silhueta, nos aparece o pintor a "despachar o pedido" para o citado recipiente.
na cena seguinte, elas estão já a caminho do laboratório, para aferirem da qualidade do esperma angariado e da sua viabilidade para uma desejada gravidez. tina leva o recipiente no meio das pernas, para o manter a uma temperatura ambiente. bette, que vai a conduzir, pede-lhe o recipiente. ela olha com um ar meio enojado para ele e diz: "que aspecto repugnante isto tem. nem acredito que antigamente costumava engolir isto!".
DE SEGUNDA A SEXTA, NA 2:, ÀS 00H25.

outra piada parva

dois amigos, em animada conversa de café.
- e então? como foi ontem à noite com a rita? vocês estavam animados com as caipirinhas e às tantas saíram juntos, nunca mais vos vi. o que aconteceu?
- a tipa é fenomenal pá. fomos até minha casa e tivemos sexo ardente a noite toda.
- foi assim tão bom?
- foi pá. ela é fantástica na cama, faz tudo.
- até bacalhau com natas?

o que serei daqui a 30 anos

sou uma pessoa de rotinas. tenho rotinas para tudo. para quando me levanto, ao pequeno almoço, ao almoço, no café, ao jantar, etc. não sou de maneira nenhuma uma pessoa muito dada a surpresas. tento evitar ao máximo lugares estranhos, onde me sinta desconfortável e desintegrado. não confio no meu sistema nervoso, porque por diversas vezes ele me atraiçoou, impelindo-me a abandonar esses mesmos lugares estranhos. são palpitações, suores frios, nervos, que levam a uma postura inquietante e sôfrega. daí que, por norma, eu frequente sempre os mesmos sítios e tenha a mesma rotina diária para tomar o pequeno almoço, almoçar e tomar café. ora, no local onde tomo café todos os dias, há já uns quatro anos, um sítio amplo, fresco, costumo escolher sempre a mesa encostada às paredes, ou que esteja numa extremidade, não gosto nunca de ficar no meio ou de costas para a porta. há dias, não havendo mesa livre dentro dessas minhas preferências, fiquei numa outra. por norma, até me poderia sentir deslocado, mas como já frequento há muito esse café, isso não aconteceu. mas até a empregada que todos os dias me atende, geralmente muito compenetrada e eficiente, pouca dada a small talk e confianças, deu conta do sucedido e comentou comigo, com um ligeiro sorriso, que eu estava muito fora dos meus locais habituais.
mas tudo isto serviu como preâmbulo para o que quero contar. nesse mesmo café, todos os dias, à mesma hora, entra um senhor, dos seus 75/80 anos, vai quase sempre para a mesma mesa (excepto se estiver ocupada). senta-se, não precisa pedir porque a empregada já sabe que ele toma todos os dias a sua cevada. ali fica cerca de vinte minutos, a beber a sua cevada, sem olhar para ninguém, apenas olhares vagos para a rua. nota-se que não está ali para observar ou ser observado. está ali porque aqueles vinte minutos fazem parte da sua rotina.
já o observei por diversas vezes e o homem não altera nada na sua postura. a cena parece repetir-se todos os dias, sempre da mesma forma.
de certa forma, vejo todos os dias o que serei daqui a 30 anos. os meus filhos terão as suas famílias, espero que tenham bons empregos e excelente estabilidade financeira, estarei certamente já divorciado, porque a minha mulher tem muitas qualidades mas não vai aguentar as minhas idiossincrasias e medos por muito mais tempo (espero estar enganado a este respeito), e sem amigos (pelos mesmos motivos atrás citados). a minha rotina será a mesma de hoje (excluindo a parte profissional). tenho a certeza que aqueles 20 minutos para a cevada, todos os dias, serão o meu único contacto diário com o mundo exterior. e a empregada do café receberá todos os dias as minhas únicas palavras a esse mundo exterior: "boa tarde!", "obrigado!" e "até amanhã"!...

piada parva

um repórter chega ao pé de um jovem agricultor:
- boa tarde, o que é que o senhor cria aqui na sua quinta?
- eu queria um subsídio, ou dois.
- não me entendeu, o que eu quis perguntar era o que o senhor cria, de criar, aqui na quinta?
- bem, com os apoios que o governo tem dado a este sector, limito-me a criar expectativas.

quarta-feira, junho 28, 2006

calar o corpo

que sensações viveria nos teus braços?!
que pensamentos me assolariam?!
entregar-me-ia ingenuamente indefeso
ou solicitaria uma engenhosa escapatória?!

que emoções desencadearia em ti?!
que sabor deixaria eu nos teus lábios?!
deixar-te-ia um agradável aroma a volúpia
ou antes um amargo paladar de luxúria?!

que segredos te pediria para guardares?!
quantos perdões te rogaria pelo meu desejo?!
atrofiar-me-ia nas teias da minha vergonha
ou atrever-me-ia a confessar a minha veleidade?!

como te encontrarei no nosso epílogo?
saberei eu contornar as inevitáveis dúvidas?!
como poderei então prender as mãos ao meu corpo
quando elas insistem em te tocar e acariciar?!

terça-feira, junho 27, 2006

when harry met sally


apetece-me frequentemente rever "when harry met sally"!... voltar a ver aquelas situações que toda a gente gostaria de viver, dos encontros, das saídas para jantar, os telefonemas pela noite dentro, as conversas sobre filmes e música; o florescer de uma amizade depois de duas más primeiras impressões; a criação de uma ténue linha entre uma sólida relação de amizade e uma atracção física dissimulada e evitada a todo o custo, em nome dessa mesma amizade.
o filme gira em torno desta questão: pode realmente haver amizade entre duas pessoas que se atraem fisicamente? já lá vão 17 anos, desde o aparecimento do filme, e essa pergunta continua por responder. mas certamente já houve quem o tenha tentado... tanto responder como fazer parte de uma relação desse género.
a pergunta não implica que qualquer relação de amizade entre um homem e uma mulher só possa funcionar se ambos forem extremamente feios ou fisicamente repugnáveis. ou pelo menos uma das partes. há outra variante a ponderar: se um deles for comprometido (casado, noivo, padre, etc.). mas mesmo assim pode existir a tal "atracção física", que pode levar, como levou Billy Crystal e Meg Ryan no filme, a uma relação de outro género, mais consistente. há ainda mais variantes: se ambos forem muito escrupulosos e cientes das suas responsabilidades, conseguindo dessa forma ultrapassar o desejo; se ambos respeitarem a própria relação de amizade e não a queiram "estragar" por causa de um impulso ou luxúria. enfim, toda uma série de "estradas mentais" que o nosso cérebro cria no sentido de nos levar a alguma conclusão.
e se essa conclusão não aparece? e se o desejo se instalou de tal maneira que já é quase impossível ir tomar um simples café com essa amiga (ou amigo, no caso delas) sem aparecerem os tais pensamentos lascivos? o que fazer nestas circunstâncias? esconder da melhor maneira possível a crescente atracção física por essa amiga/o? confessar o que se está a sentir? acabar a relação de amizade com essa pessoa? continuo sem respostas...
no filme tudo se passou de uma forma "natural". eles conhecem-se numa viagem de carro para new york, conversam durante oito horas seguidas, não "clicam", antes chocam psicologicamente. encontram-se novamente quatro anos depois. voltam a "chocar", não alterando a primeira impressão que tinham um do outro. novamente quatro anos depois voltam a encontrar-se. e começam verdadeiramente a "falar", sobre os relacionamentos de ambos, ele está a divorciar-se, ela acabou uma relação de anos com o namorado. conseguem encontrar pontos em comum e afinidades e constroem daí uma relação de amizade. almoços, jantares, exposições, etc. tentam "impingir-se" um ao outro aos seus melhores amigos, no sentido de se "ajudarem" mutuamente a esquecer os antigos parceiros e seguirem as suas vidas com outras pessoas. até que acontece o "tal" impulso! ela liga-lhe a chorar, contando-lhe que o seu antigo namorado se vai casar. ele vai ter com ela a casa, encontrando-a chorosa e deprimida. muitos lenços de papel depois, acabam por se beijar... e o resto... adivinha-se. nos dias seguintes, ambos tentam "apagar" essa noite das suas vidas e continuar a ser o que eram antes disso: simples amigos. mas é impossível! e a relação de amizade ressente-se e torna-se periclitante.
nesta altura do filme só poderia haver duas saídas: ou eles acabavam de vez a amizade, por não terem chegado a um consenso sobre o real significado da tal noite; ou um deles cederia, finalmente, concluindo que aquela noite tinha sido o início de algo muito forte. (para quem não viu ainda o filme, e pretende ver, não vou revelar qual dos finais é o verdadeiro).
pois é. nos filmes é assim. no mundo real, convivemos com dezenas de pessoas todos os dias. umas são mais apelativas que outras. umas dizem-nos mais do que outras. umas nós nem sequer queremos encontrar mas, que diabo, temos que as aturar. umas fazem de nós melhores pessoas e ajudam-nos a evoluir, estimulando-nos a inteligência. outras ainda de quem tentamos esconder e dissimular os tais "impulsos"... até não conseguirmos...

detesto o cristiano ronaldo

porque detesto pessoas como o cristiano ronaldo?
vive para as máquinas fotográficas; tenta imitar o beckham em termos de namorada/mulher conhecida, dá mesmo a impressão que só começou a namorar com a merche romero por ser parecida com a victoria beckham, por ser conhecida e por saber que todas as revistas os iam perseguir; todos os seus gestos parecem premeditados e preparados ao pormenor, para ficarem bem numa revista ou na televisão; como jogador tem feito um Mundial miserável, mas mesmo assim lá faz a "fitinha" de sempre em todos os jogos (porque ele tem que ser o centro do universo): nos jogos de preparação ninguém lhe podia tocar sequer que ele partia logo para a agressão, num vedetismo sem limites; agora, no Mundial, parece que anda sempre a procurar a câmara de televisão que melhor lhe capte o físico, o penteado, os maneirismos. ah, e não se esquece de mostrar o seu lado sensível para as câmaras, quando é substituído. lá vem sempre a lagrimazinha para as câmaras, para as fãs desmaiarem em casa ao verem o seu herói em agonia e dor.
cristiano ronaldo é um jovem madeirense com jeito para jogar futebol. jogou no sporting e eu sou um admirador das suas potencialidades futebolísticas. foi a jogar futebol que enriqueceu e se tornou famoso. então porque raio não se limita a jogar futebol? e de preferência ainda neste Mundial. o que vimos até agora foi um simples desfile de moda, só faltando mesmo no final dos jogos alguém lhe oferecer um ramo de flores...

miserável televisão

vivemos um tempo de um mau gosto intragável, em que, desgraçadamente, se enterram princípios e deuses. é a hora de todos os facilitismos e mediatizações. a estes se imolam os exibicionismos e audições apressadas, vale mais o parecer do que o ser. dir-se-ia que a humanidade ensandeceu, quer tudo já de qualquer modo, perdeu a paciência de amealhar e esperar. utilizam-se as palavras como se fossem bombas de carnaval e os comportamentos como se a vida durasse só hoje. já não há passado e o respeito e a solidariedade são inconsistências perdidas no esquecimento; não há saudade nem memória, apenas o imediato, o rapidamente consumível, o razoável em vez do excelente, o fútil em vez do complexo mas muito mais rico.
o povinho vai consumindo tudo o que lhe dão, sobretudo se for de graça.
e o que é de graça e é acessível a toda a gente?
pois é, a televisão! vejam-se as audiências e os programas mais vistos para se chegar a uma conclusão rápida. o povinho não quer pensar, quer é chegar a casa, por volta das 20h00, jantar e vegetar em frente ao televisor, desligando o cérebro, cansado das filas de trânsito, das contas para pagar, do emprego precário e mal pago, etc.. às tantas lá se adormece e está feito o dia... novelas, novelas, mais novelas, reality shows e mais novelas. é isto.
para se chegar a esta situação muito contribuiram as chamadas estações privadas de televisão. concordo que trouxeram muito de positivo ao panorama televisivo e constituiram finalmente alternativa ao cinzentismo do canal estatal, em determinada altura. mas eu cresci com "outra televisão", com regras, com civismo, com horários respeitados. o telejornal nunca demorava mais de 30 minutos, a novela (apenas uma, sim, era verdade!) ocupava apenas 30 ou 40 minutos, davam filmes a horas decentes (e de tanto ver filmes fui aperfeiçoando o meu inglês), concursos a horas decentes, desenhos animados a horas decentes. enfim, havia respeito, ao menos, pelo espectador.
agora é como mais convenha, tendo em conta a programação do "vizinho". se a SIC transmite futebol, tomem lá "Morangos" até ao final do jogo. se não transmite futebol, então coloca-se no ar a nova novela, para ver se pega. a SIC mete a Floribella a qualquer hora, dependendo do que está a passar na RTP e na TVI... é um verdadeiro mercado da degenerescência! a mim, sinceramente, mete-me nojo. mas o que me dá ainda mais asco é o povinho engolir tudo isto, porque vamos ver a tabela dos programas mais vistos e estão lá estes todos de que falei.
confesso que não vejo nenhum dos programas em questão, abomino a TVI, desprezo a SIC por querer imitar a TVI. a RTP e a 2: ainda são os que mais vejo, por causa de séries como as que já citei noutro post. mas ao menos estes dois últimos respeitam o espectador. o "Gato Fedorento" manteve o mesmo horário e o mesmo dia em toda a série, as séries no segundo canal também são sempre fiáveis em termos de horário; portanto, não andam constantemente a alterar os programas de acordo com a concorrência. e isso, em si, já é um sinal de respeito pelo espectador.
de resto, há sempre os canais por cabo e o dvd.

quinta-feira, junho 22, 2006

The L Word


recomendo esta série americana, que começou a passar no canal 2:, de segunda a sexta, a partir das 00h25. hoje, quinta feira, vai para o ar o quarto episódio da primeira série (que no total tem 14 episódios). nos Estados Unidos a série já vai na quarta série.
chama-se "The L Word", já venceu vários prémios de televisão nos Estados Unidos (Emmy, GLAAD Media Award, Image Awards e Satellite Awards) e tem como protagonistas Jennifer Beals (que protagonizou "Flashdance"), Mia Kirshner (que entrou em "Exotica" e mais recentemente na quarta série de "24"), Laurel Holloman, Karin Lombard, Katherine Moennig e Leisha Hailey. como convidadas, na primeira série aparece Pam Grier (de "Jackie Brown", de Quentin Tarantino), e nas seguintes actrizes como Ossie Davis, Cybil Sheppard e Marlee Matlin (de "Filhos de um Deus Menor").
na senda de "Donas de Casa Desesperadas", como produto de qualidade da "nova televisão americana", da qual fazem parte séries como "Lost", "Sopranos", "House", "Six Feet Under", etc., esta série distingue-se pelo seu campo de acção, que reside no mundo gay feminino e em toda a sua complexidade (tabus, flirts, ciumes). criada por Ilene Chaiken, a série segue a vida e os amores de um pequeno grupo de lésbicas a viver em Los Angeles. o humor está dentro do que vemos em Sex and the city e em Donas de Casa Desesperadas. as peripécias amorosas são a "pedra de toque", pela sua originalidade e criatividade.
depois de ter recomendado "House" e "Lost", ambas imperdíveis, bem como "Curb your Enthusiasm", que também passa no canal 2:, às sextas à noite, e "Friends", também na 2:, todos os dias, às 20h45, recomendo agora "The L Word". vão ver que também ficam logo "agarrados", como eu...

the blue nile


Os The Blue Nile surgiram em 1984, com o disco "A walk across the rooftops". a banda escocesa, formada por Paul Buchanan (voz), Robert Bell (baixo) e Paul Moore (piano), ainda hoje mantém a formação original. em 1989 lançaram "Hats", um trabalho notável em termos de atmosfera romântica e melancolia, no qual estão incluídas músicas inesquecíveis como "Headlights on a parade", "Downtown lights", "Over the hillside", "Let's go out tonight" e "From a late night train". estas duas últimas músicas constarão sempre de qualquer alinhamento ou colectânea de musicas preferidas de todos os tempos.

Depois do brilhante "Hats" (1989), a banda escocesa The Blue Nile lançou, em 1996, o disco "Peace at last", que contém essas verdadeiras pérolas musicais chamadas "Family Life" e "Tomorrow morning". oito anos separam esses dois trabalhos. em 2004, novamente oito anos depois, chegou a vez de "High" ser editado. neste trabalho a banda regressa aos ambientes de "Hats" e Paul Buchanan volta a escrever músicas apaixonantes como "Stay close", "I would never", "Because of Toledo" e "Soul boy".

em relação ao longo período de tempo entre os seus trabalhos, o letrista e vocalista Paul Buchanan é pragmático: "é o tempo que demora a fazer algo assim tão bom. é inacreditavelmente difícil escrever grandes músicas, mas quando se consegue... elas ficam para sempre! entende que pode ser bastante frustrante, nesse aspecto, ser fã dos Blue Nile, mas nós tentamos fazer a melhor música possível".

sobre "High": "acho que regressamos com um excelente disco. musicalmente, fizemos algo irrefutavelmente bom". a BBC disse isto sobre o disco: "The first album for eight years, and only the fourth in 21 years, High manages to maintain the Blue Nile's impeccably tasteful standards while soaring blissfully over the rattle and hum of most contemporary music. Paul Buchanan still sings his songs of faded love affairs, broken dreams and squandered ambitions with almost painful emotional candor, while the musical backings are as lush and flowing as ever". (vou poupar-vos à tradução, vocês chegam lá)

os The Blue Nile já há muito ganharam o respeito dos seus colegas de indústria, tendo mesmo algumas músicas deles sido gravadas por Rod Stewart e Annie Lennox. a legenda da soul music Isaac Hayes fez também uma versão de "Let's go out tonight", o que encheu Paul Buchanan de orgulho: "ele é o paradigma da música negra nos Estados Unidos, portanto foi um grande orgulho quando ele gravou uma música feita por um artista escocês. é sempre gratificante quando pessoas daquela estatura reconhecem o nosso trabalho". em relação a "Let's go out tonight", também craig armstrong, recentemente, no album "the space between us", remisturou o tema, tendo paul buchanan "emprestado" a voz a esta nova versão.

Paul Buchanan: "acho que a minha voz reflecte a minha vida. ela foi-se tornando mais rica com o passar dos anos. mas eu não me considero realmente um cantor, nas minhas músicas só estou a tentar expressar os sentimentos das letras. não tenho a certeza de que isso resultaria se tivesse que cantar todas as noites num bar. a minha voz não é um brinquedo e não a quero pôr ao serviço de algo não sincero. gosto de me expressar através das minhas músicas. quando tocamos as nossas músicas e recebemos algum amor de volta, esse é o nosso pagamento". meio a brincar, Buchanan afirma: "a minha voz é como um sniper. musicalmente eu escolho os meus alvos".

quarta-feira, junho 21, 2006

renovem lá as perguntas

será que ainda há algum português que ainda não tenha respondido às constantes e repetidas perguntas dos directos dos vários canais nacionais? "até onde acha que portugal vai chegar?"; "podemos ser campeões?"; "por quantos é que vamos ganhar?"; "quem é que prefere nos oitavos de final, holanda ou argentina?".
chega a ser constrangedor para os repórteres, entrar em directo só para se virar para os lados para fazer sempre as mesmas perguntas, ouvir sempre as mesmas baboseiras, levar com uns emplastros aos saltos e aos berros. será que não podiam variar um bocado as perguntas? podiam perguntar a esses fanáticos, que acham que portugal vai ser campeão mundial, o que acham da constante subida das taxas de juro, do crescente número de desempregados, da obra literária de Norman Mailer, da cinematografia húngara da década de 60, etc.
mas sobretudo podiam perguntar-lhes em que mundo virtual é que a nossa selecção algum dia ganha à argentina, à alemanha, à itália, ao Brasil. é que assim, por vencermos os pernetas dos angolanos e os nabos do irão, parece que já ganhamos o Mundial. tenham juízo!...

terça-feira, junho 20, 2006

homenagem a woody allen


homenagem a esse grande génio, responsável por muitos dos meus filmes preferidos: "Bananas", "Inimigo Público", "O Grande Conquistador", "Nem Guerra nem Paz", "Annie Hall", "Manhattan", "Zelig", "Heroi do Ano 2000", "Ana e suas Irmãs", "Crimes e Escapadelas", "Manhattan Murder Mistery", "Mighty Aphrodite", "Deconstructing Harry", "Celebrity", "Everyone says I love you", "Hollywood Ending", "Anything Else", "Match Point".
em "Manhattan", woody allen interpreta uma personagem chamada... Isaac Davis.
seguem-se alguns excertos de livros do realizador/escritor:
"o verdadeiro teste de maturidade não é a idade de uma pessoa mas sim o modo como reage ao acordar em cuecas no meio da cidade".
"o que é preciso lembrar é que cada época da vida tem as suas compensações próprias, ao passo que quando se está morto é difícil encontrar o interruptor da luz".
"o problema principal da morte é o medo de que não existe outra vida. há também o medo de que exista outra vida para além da morte, mas que ninguém venha a saber onde".
"no seu aspecto positivo, a morte é uma das poucas coisas que se podem fazer facilmente mesmo deitado".
"em resumo, o melhor que há a fazer é comportarmo-nos de acordo com a nossa idade. se tens quinze anos ou menos tenta não ficar careca. se tens mais de oitenta, é de muito bom tom descer a rua a arrastar os pés agarrando um saco de papel castanho e a murmurar: "O Kaiser vai-me roubar o cordel".

"é melhor ser o amante ou o amado? nenhuma das coisas, se o colesterol passar dos seiscentos.
é preciso não esquecer também que, para o amante, a amada é sempre a coisa mais bela que se pode imaginar, mesmo que um estranho a não possa distinguir de uma qualquer variedade de salmonídeos".

terça-feira, junho 13, 2006

e que tal o Dia Nacional do Cão?

desemprego a subir, crise na agricultura e nas pescas, empresas a fechar diariamente, praga dos incêndios à porta, apito dourado, casa pia, casa do gaiato, etc.. tanta coisa, tanta matéria por onde "pegar". o que terá passado pelas cabeças dos deputados parlamentares do PSD, na Assembleia da República, para surgirem com essa ideia peregrina de se instituir em Portugal o Dia Nacional do Cão? terá sido uma daquelas pausas silenciosas desconfortáveis em que nem dá para falar do tempo, porque já se tinha falado disso logo no início da reunião parlamentar?
grandes políticos estes que temos! se a oposição é assim... o governo pode estar descansado!

nick drake


Nicholas Rodney Drake nasceu no dia 19 de Junho de 1948. faleceu com 26 anos, em 25 de Novembro de 1974. estreou-se com 21 anos, com o disco "Five leaves left". um ano mais tarde lançou "Bryter layter". em 1972 foi editado o seu último trabalho, "Pink moon".
Nick Drake foi uma espécie de Van Gogh da música. o seu trabalho só veio a ter o merecido reconhecimento depois da sua morte. mergulhado em constantes crises depressivas, em parte provocadas pelo pouco impacto dos seus discos, o músico pereceu sem glória, numa década dominada por outras correntes musicais. mas músicas como "northern sky", "at the chime of a city clock", "fruit tree" ou "magic" perpetuarão o seu nome e imagem para sempre. a imagem de um "trovador" introvertido e sensível, com uma capacidade inata para tecer pequenas maravilhas musicais, tão simples como intrincadas, alicerçadas em ambientes bucólicos, com recurso a uma panóplia de instrumentos musicais, como flauta, violino, trompete, saxofone.
hoje, o nome nick drake é habitualmente citado como referência e inspiração musical em várias revistas e sites da especialidade. descobri-o por isso mesmo! quando ia procurar informação sobre as minhas bandas preferidas, o seu nome aparecia sempre, como "similar artist" ou "influenced by". quando ouço damien jurado, ed harcourt, mark kozelek, mark eitzel, damien rice, andrew bird, marjorie fair, entre outros, é fácil chegar à conclusão que nick drake foi, efectivamente, uma influência.
na próxima segunda feira nick drake faria 58 anos... quantas músicas perdemos nestes 32 anos de "silêncio"!... fica para a posteridade a letra de "Northern sky", a música que o New Musical Express considerou "the greatest english love song of modern times":

I never felt magic crazy as this
I never saw moons knew the meaning of the sea
I never held emotion in the palm of my hand
Or felt sweet breezes in the top of a tree
But now you're here
Brighten my northern sky.
I've been a long time that I'm waiting
Been a long that I'm blown
I've been a long time that I've wandered
Through the people I have known
Oh, if you would and you could
Straighten my new mind's eye.
Would you love me for my money
Would you love me for my head
Would you love me through the winter
Would you love me 'til I'm dead
Oh, if you would and you could
Come blow your horn on high.
I never felt magic crazy as this
I never saw moons knew the meaning of the sea
I never held emotion in the palm of my hand
Or felt sweet breezes in the top of a tree
But now you're here
Brighten my northern sky.

sexta-feira, junho 09, 2006

violência? onde?

só em portugal...
um jornalista vai à Casa do Gaiato entrevistar um responsável daquela instituição sobre alegados casos de abuso de autoridade e maus tratos lá verificados. o padre que se disponibilizou a falar com o jornalista negou que isso alguma vez tenha acontecido naquela instituição. enquanto dizia isto, com a maior das naturalidades, "enfia" uma estalada numa criança de 6 anos que, não sei porque motivo, por ali passava. voltou à entrevista, exibindo a mesma compostura com que tinha negado veementemente que tenham existido casos de violência na Casa do Gaiato. ainda por cima, depois do relato deste incidente nos telejornais desse dia, o padre "defendeu-se" dizendo que o rapaz nem sequer pertencia à Casa do Gaiato. é obra!
se fosse um sketch do "Gato Fedorento"... entendia-se.

quinta-feira, junho 08, 2006

grow old with me

I
realmente, a interacção social não é das tarefas mais fáceis do nosso dia-a-dia. e eu sei do que estou a falar, até já me disseram que sou parecido, não fisicamente, com o Larry David, na série "Curb Your Enthusiasm", que passa actualmente na 2:, com o nome parvo de "Acalma-te Larry". mas há momentos em que tudo "encaixa", tudo sai bem e se conjuga. para que isso aconteça tem que existir muita cumplicidade, igual percepção da personalidade da outra pessoa e reciprocidade natural, não forçada. confesso que não foram muitas as pessoas com quem atingi este patamar, provavelmente por causa da minha personalidade "larry davidiana".

II
no Olimpo, conscientes deste meu handicap social, reuniram de urgência Zeus, Apolo, Afrodite, Hermes, Ártemis e Atenéia (Poseidon não pode comparecer por não terem conseguido contacta-lo a tempo via telemóvel). analisaram, discutiram, viram um jogo de xadrez pelo meio, voltaram a tocar no assunto no dia seguinte (ainda sem o Poseidon que, confirmou-se mais tarde, não tinha pago a mensalidade e tinha o telemóvel desligado) e chegaram à conclusão de que deviam enviar alguém, uma pessoa dotada das mais excelsas qualidades humanas, doce, ternurenta, incapaz de fazer mal a uma abelha. além disso, fizeram questão que essa pessoa partilhasse os meus gostos musicais e cinematográficos, as mesmas ideologias. capricharam no sentido de humor, ao ponto de inclusivamente ela entender as minhas piadas parvas. atribuiram-lhe um forte cunho artístico, aliado a uma simpatia contagiante e a um sorriso luminoso! tudo isto numa só pessoa! parece impossível à primeira vista, mas como eu referi, nessa introdução perfeitamente credível, ela foi realmente "criada" no Olimpo, por todos esses Deuses. só assim se justifica que tenha aparecido na minha vida uma pessoa assim. foi pena, mas também nem os Deuses são perfeitos, que a tenham "enviado" com uns anitos de atraso...

III
Damien Jurado - "A jealous heart is a heavy heart"
a música acaba com damien jurado a repetir uma frase que considero ser uma das melhores declarações que se podem fazer a alguém:
"grow old with me".
é isto que eu lhe quero dizer!

keep them coming

entendo que, em relação à música, temos que ir sempre à procura de algo novo. podemos gostar muito de uma banda, comprar toda a sua discografia, vê-la ao vivo e decorar as letras das músicas todas (como fiz com os Red House Painters e American Music Club), mas isso não se compara à sensação de estar a "descobrir" e a "interiorizar" uma nova banda, uma nova voz, novas letras...
há cerca de ano e meio que tenho vindo a alargar consideravelmente o meu leque de preferências musicais. tudo começou com uma remessa de cd's que me emprestaram, onde fiquei a conhecer e a adorar The Czars e, em menor escala, Blonde Redhead, Turin Brakes e Kings of Leon. depois veio a fixação pelos Ilya, e esse fenomenal disco chamado "they died for beauty". mais tarde, através de colectâneas gravadas por um amigo, "descobri" bandas como The Dears, Wedding Present, The Killers, Andrew Bird, Patrick Wolf, The National, Magnetic Fields. por intermédio desse mesmo amigo, veio parar-me às mãos um dos discos mais intensos que tive o prazer de ouvir até hoje, tanto assim que na primeira vez que o ouvi, na última música (a minha preferida!) não consegui evitar umas sentidas lágrimas: o disco chama-se "I am a bird now", de Antony and the Johnsons.
apreciador do primeiro disco da banda, os Sigur Rós, não dei a devida atenção aos discos seguintes da sua discografia. até que, pelas mãos de uma amiga, ouvi o último, "Takk", e voltei a render-me aos ambientes angelicais e inebriantes desse inconfundível grupo islandês. e continuo a afirmar-me "apaixonado" pela música 10 desse disco. causa-me exactamente o mesmo efeito que a música 10 (coincidência!) do album dos Antony and the Johnsons.
há cerca de uns meses, rendi-me definitivamente a um grupo americano chamado Marjorie Fair, quando fiquei a conhecer o disco "self help serenade". já aqui coloquei um post neste blog dedicado aos Marjorie Fair e, meses depois, continuo a dizer o mesmo que disse na altura. se eu fosse músico ou tivesse alguma capacidade para compor canções, seria este o tipo de disco que faria. continuo ansioso pelo próximo album da banda.
mais ou menos na mesma altura, surgiram os My Morning Jacket, igualmente americanos, conotados amiúde com Neil Young. gostei tanto que a música que aparece no meu profile é deles: "Bermuda Highway".
mais recentemente, virei-me para uma banda que "nasceu" nos anos 80, mas que ainda recentemente lançou um novo trabalho: The Blue Nile. só recentemente fiquei a conhecer um disco deles, de 1989, "Hats", uma verdadeira obra prima, mas mais vale tarde do que nunca, porque o esse trabalho tem músicas inesquecíveis como "From a late night train", "Let´s go out tonight" e "Tomorrow morning". em 22 anos de carreira, esta banda só lançou 4 discos, o último dos quais em 2004, intitulado "High", que tem excelentes músicas como "I would never", "Because of Toledo" e "Broken loves". a atmosfera romântica que envolve as músicas dos The Blue Nile é contagiante e fiquei admirador e seguidor da banda, nem que o próximo disco só chegue em 2010...
na senda de nomes como Rufus Wainwright, Pete Yorn e dos já citados Andrew Bird e Patrick Wolf, tenho escutado e estou a adorar "interiorizar" outros dois nomes a reter: Ed Harcourt e Damien Jurado. ambos já possuem uma vasta discografia e Jurado até já chegou a ser citado como "o próximo Bob Dylan". actualmente ouço, de Ed Harcourt, músicas dos albuns "Here be monsters", "Maplewood", "From every sphere" e "Strangers". neles há músicas verdadeiramente deliciosas como "Bleed a river deep", "Beneath the heart of darkness", "This one's for you" ou "Something in my eye". Ed Harcourt tem previsto para este ano o lançamento do seu mais recente trabalho, "Beautiful lie" e vai estar no próximo dia 11 de Junho, Domingo, no Santiago Alquimista, em Lisboa.
de Damien Jurado ouço actualmente músicas dos discos "Rehearsals for departure", "I break chairs" e "On my way to absence". este "trovador" iniciou em 1997 a sua carreira e tem já oito discos na sua discografia. as músicas que me "alertaram" para este cantor foram providenciadas por um amigo, o mesmo das colectâneas. enviou-me duas músicas, "Sucker" e "Lottery". gostei de ambas e parti à descoberta de mais. encontrei pérolas como "A jealous heart is a heavy heart", "Never ending tide", "Inevitable" e "Night out for the downer".
pronto, é isto tudo. adoro música e o que ouço é muito importante para mim. ainda bem que tenho amigos fantásticos que me vão apontando nomes frequentemente para descobrir. para eles, o meu muito obrigado. keep them coming...

quarta-feira, junho 07, 2006

momentos inolvidáveis 4

Filme: "Sideways"
Actores: Paul Giamatti e Virginia Madsen
sinopse: dois grandes amigos partem numa viagem pela região vitivinicola da california, uma semana antes do casamento de um deles (actor de soap operas). essa viagem é vista por ambos como uma espécie de despedida de solteiro. a personagem de paul giamatti, divorciado, professor resignado e aspirante a escritor, é um profundo conhecedor e apreciador de vinhos. num restaurante conhece maya (virginia madsen), que partilha com ele o gosto pela apreciação e degustação vinícola, enquanto o seu amigo (thomas hadden church) se perde de amores por uma funcionária de uma casa de vinhos. saem os quatro, para jantar, muito bem "regado" em termos de vinhos, seguindo depois para casa de maya.
cena: depois do jantar e do seu amigo se ter "enfiado" num dos quartos da casa com a sua recente paixão, num alpendre, o protagonista (Paul Giamatti) conversa apaixonadamente sobre vinhos com virginia madsen, de tal forma que a "agarra"; ela deixa-se envolver, fascinada pelo tema e pela eloquência demonstrada. cria-se um ambiente de cumplicidade, motivado por um gosto comum, que se vai arrastando para uma atracção física evidente. há uma fracção de segundos em que a conversa pára e eles ficam a olhar um para o outro, à espera de algo, de um movimento, de uma aproximação. em silêncio constrangedor, o protagonista não consegue articular mais nada para além de um "vou à casa de banho". chegado lá, ele sente nitidamente que "perdeu o momento", que não teve coragem para dar o passo decisivo, quando todo o ambiente estava criado e "pedia" essa crucial medida. ele sai da casa de banho e encontra-a na cozinha. desesperado, chega ao pé dela e tenta beijá-la, tentando "remediar" a situação. ela afasta-o, delicadamente. já não havia "ambiente", o fascínio estava agora quebrado, the mood was gone.
adorei o filme, a personagem principal é contagiante, acabamos por sentir por ele um misto de compaixão e de admiração. numa situação idêntica à relatada, custa sempre fazer essa transição entre uma conversa agradável, um fascínio e atracção mútua, para algo... mais.

terça-feira, junho 06, 2006

momentos inolvidáveis 3

Filme: Cyrano de Bergerac
Actores: Gerard Depardieu e Anne Brochet
sinopse: depois de ter conhecimento de que a prima roxanne (anne brochet) se apaixonou por um cadete (christian) da sua academia, cyrano decide "esconder" os seus verdadeiros sentimentos por ela, ao mesmo tempo que ajuda o "limitado" cadete a conquistar o coração dela, através de poesia e prosa romântica. envergonhado do seu aspecto, cyrano nunca ousou abrir o seu coração a roxanne, escudando-se na sombra do físico perfeito do amado dela. as suas palavras conquistavam o seu coração, mas era christian que "recolhia" os louros. durante anos, mesmo depois da morte, em combate, do seu amado, roxanne acredita fielmente que as palavras apaixonadas e intensas que leu pertenciam ao seu cadete. nomeadamente uma carta, a última, que ela guardava religiosamente no peito, por baixo da roupa.
cena: muitos anos passaram. roxanne está num convento. cyrano visita a prima todos os sábados. num deles, quando se dirigia para lá, é atingido cobardemente por uma viga de madeira, que o deixa combalido e a sangrar. no entanto, o seu chapéu cobre-lhe os ferimentos na cabeça e ele surge, naturalmente, perante a prima, como se nada tivesse acontecido. ele pede-lhe para lhe deixar ver a última carta e começa a ler, enquanto a noite começa a roubar a claridade ao dia. ela ouve as suas palavras e vira-se para ele, encontrando-o de olhos fechados, já sem luz para conseguir visualizar as letras da carta. no entanto, continua a ler, sabedor de todas as palavras que ela continha. nesse momento, ela consciencializa-se de que as cartas, os poemas e a paixão eram dele e aproxima-se, para o ver... a desfalecer. assegura-lhe então que o seu aspecto físico não era relevante e que ela tinha sido conquistada pelas suas palavras e não pela beleza de christian. ele levanta-se, muito combalido e a sangrar da cabeça, e enfrenta a morte, empunhando a sua espada na escuridão, prometendo fazer frente aos espíritos que lhe apareçam pela frente. ele que havia disputado e vencido centenas de duelos, que havia granjeado dezenas de inimigos por causa do seu feitio intrépido e destemido, baqueava assim de uma forma cobarde, pelas costas. e é nesta altura que diz a uma das frases mais sentidas da história do cinema:
"Falhei em tudo, até na minha morte!"
Para além de este ser o meu filme preferido de todos os tempos, esta cena é a todos os títulos notável, de tão bem interpretada e pela carga emocional que encerra.