filme: "As Pontes de Madison County"
Actores: Clint Eastwood e Meryl Streep
sinopse: a personagem de meryl streep, casada, envolve-se sentimentalmente com um fotógrafo recém chegado à cidade, com o intuito de fotografar as pontes de Madison County. aproveitando o facto de o marido e os filhos se terem ausentado da cidade, ela vai mostrando as belezas naturais do local, passando muito tempo a conversar e a encontrar afinidades com o "forasteiro". a relação de ambos, dada a cumplicidade e reciprocidade existente, acaba por desembocar num envolvimento carnal, pese embora toda a força de vontade de streep em evitar que tal acontecesse. no entanto, ambos sabem que aquela relação não vai ter futuro, por muito que tenham noção da intensidade e da paixão que viveram.
cena: chove intensamente. eastwood prepara-se para abandonar a cidade. o semáforo fica vermelho e pára o seu carro. pelo retrovisor, vê a carrinha do marido de streep. no veículo estão o mesmo marido e streep. ela tinha-lhe oferecido um fio, que ele colocou à volta daquele retrovisor, por onde ele agora via, pela última vez, a face da pessoa com quem tinha partilhado tantas emoções, tantos momentos inesquecíveis. ela vê-o, sente o mesmo que ele, tem noção que é aquele o momento das decisões. ele já lhe tinha dito para ela ir com ele, sair dali, mas sempre lhe faltou coragem para assumir aquela paixão. no curto espaço de tempo em que o sinal está vermelho, vemos a angústia estampada nas faces dos dois amantes. ela agarra a porta, preparando-se para a abrir, lutando contra si mesma, contra os seus instintos, por respeito ao marido. ele desespera a olhar para o retrovisor, à espera que ela siga os seus desejos e vá ter com ele, para que possam sair dali e iniciar uma vida a dois.
o sinal fica verde. renitente, ele não avança imediatamente. ela larga a mão da porta, rendendo-se finalmente, abandonando as dúvidas, resignando-se. finalmente, ele parte. ela chora silenciosamente, para o marido não dar conta. na face dela, a expressão de uma pessoa que tem a perfeita noção de que acabou de perder o amor da sua vida, irremediavelmente.
terça-feira, junho 06, 2006
momentos inolvidáveis
filme: "As good as it gets" - em português "Melhor é impossível"
Actores: jack nicholson e helen hunt
cena: os dois protagonistas vão pela primeira vez jantar juntos, depois de muitas peripécias e cenas caricatas envolvendo as idiossincrasias de nicholson, a paciência de hunt e uma muito prestimosa ajuda do primeiro à segunda, em relação à saúde do filho desta. ele, nervoso por estar tão próximo da mulher amada, começa a portar-se de uma forma infantil e irracional, gozando inclusivamente com a roupa que helen hunt veste. ela, cansada e irritada, ameaça sair da mesa. ele diz que lhe vai fazer um elogio. ela, curiosa, fica na mesa e solicita-lhe rapidamente o elogio, caso contrário vai embora. nicholson começa a falar das suas idiossincrasias, de uns comprimidos que o ajudam a suportar psicologicamente o quotidiano, que ele não gosta nem costumava tomar, porque não acredita em fármacos.
é então que lhe diz que os recomeçou a tomar... por causa dela. e depois tem esta fabulosa deixa:
"tu fazes com que eu queira ser uma pessoa melhor!".
simplesmente genial!
Actores: jack nicholson e helen hunt
cena: os dois protagonistas vão pela primeira vez jantar juntos, depois de muitas peripécias e cenas caricatas envolvendo as idiossincrasias de nicholson, a paciência de hunt e uma muito prestimosa ajuda do primeiro à segunda, em relação à saúde do filho desta. ele, nervoso por estar tão próximo da mulher amada, começa a portar-se de uma forma infantil e irracional, gozando inclusivamente com a roupa que helen hunt veste. ela, cansada e irritada, ameaça sair da mesa. ele diz que lhe vai fazer um elogio. ela, curiosa, fica na mesa e solicita-lhe rapidamente o elogio, caso contrário vai embora. nicholson começa a falar das suas idiossincrasias, de uns comprimidos que o ajudam a suportar psicologicamente o quotidiano, que ele não gosta nem costumava tomar, porque não acredita em fármacos.
é então que lhe diz que os recomeçou a tomar... por causa dela. e depois tem esta fabulosa deixa:
"tu fazes com que eu queira ser uma pessoa melhor!".
simplesmente genial!
quarta-feira, maio 31, 2006
morrer de amor ou amar até morrer?
em termos afectivos, acho que tudo se resume a esta questão:
preferimos morrer de amor
ou amar até à morte?
será possível juntar amor e paixão numa só pessoa, por longos anos? se escolhermos "amar até à morte" não correremos igualmente o "risco" de uma paixão esporádica? e, se ela chegar, como haveremos de reagir? poderemos "amar" sem estarmos "apaixonados"?
são tantas as questões que eu entendo que nunca ninguém poderá dizer convictamente que vai amar até à morte, cegamente. em questões sentimentais nunca se podem ter certezas, porque ninguém está livre de uma paixão repentina, provocada, às vezes, por um simples "fraquinho". para mim, em cada "fraquinho" que se tenha por alguém, há sempre a força latente de uma paixão e o desejo de um grande amor, nem que seja para se poder ostentar aquele ar sofredor, mal dormido, resultado físico da ausência da pessoa amada. os "fraquinhos" são as predisposições de quem está absolutamente disposto a amar, mesmo que já se ame (e isto é polémico, mas para mim é possível).
se nós conseguissemos amar sem paixão, ou sofrer grandes paixões sem amar, seriamos muito mais felizes, mas menos interessantes, menos complexos, mais... desumanos. ciúmes, discussões, arrufos, expectativas, saudades, ansiedade, alegrias, desilusões... é tudo tão deliciosamente doentio. confundir amor com paixão, e vice-versa, continua a ser o nosso "desporto" preferido. se ao menos conseguissemos emagrecer alguma coisa com isso...
preferimos morrer de amor
ou amar até à morte?
será possível juntar amor e paixão numa só pessoa, por longos anos? se escolhermos "amar até à morte" não correremos igualmente o "risco" de uma paixão esporádica? e, se ela chegar, como haveremos de reagir? poderemos "amar" sem estarmos "apaixonados"?
são tantas as questões que eu entendo que nunca ninguém poderá dizer convictamente que vai amar até à morte, cegamente. em questões sentimentais nunca se podem ter certezas, porque ninguém está livre de uma paixão repentina, provocada, às vezes, por um simples "fraquinho". para mim, em cada "fraquinho" que se tenha por alguém, há sempre a força latente de uma paixão e o desejo de um grande amor, nem que seja para se poder ostentar aquele ar sofredor, mal dormido, resultado físico da ausência da pessoa amada. os "fraquinhos" são as predisposições de quem está absolutamente disposto a amar, mesmo que já se ame (e isto é polémico, mas para mim é possível).
se nós conseguissemos amar sem paixão, ou sofrer grandes paixões sem amar, seriamos muito mais felizes, mas menos interessantes, menos complexos, mais... desumanos. ciúmes, discussões, arrufos, expectativas, saudades, ansiedade, alegrias, desilusões... é tudo tão deliciosamente doentio. confundir amor com paixão, e vice-versa, continua a ser o nosso "desporto" preferido. se ao menos conseguissemos emagrecer alguma coisa com isso...
"é mesmo assim"
miguel esteves cardoso, um dos poucos génios vivos deste país.
citações de 1986 que, passados 20 anos, ainda são tão actuais:
- "(...) os futebolistas portugueses têm uma maneira de falar muito especializada e dissolvente. Era bom, por exemplo, que as câmaras de televisão com que se filmam as entrevistas a jogadores, viessem sempre equipadas com um simples sistema de roldanas, que fizesse accionar um martelo pesado cada vez que alguém dissesse "O futebol é mesmo assim".
- "No passado domingo, no intervalo do jogo Brasil - Espanha, o comentador, meditando sobre o tédio doloroso da 1ª parte, dizia: "Até aqui, foi um jogo monótono, mas a alta competição é mesmo assim". A síndrome do "mesmo assim" é definitivamente a contribuição principal do futebol à língua portuguesa. Porque é que os críticos literários não começam, também, a dizer: "Este romance é incompreensível, mas a literatura é mesmo assim". Ou os gastrónomos: "O bacalhau espiritual sabia a peúgas de nylon, embebidos em gasolina, mas, em última análise, quem ganha é a gastronomia, porque a alta culinária é mesmo assim".
- "A regra geral, no futebol e noutras coisas, é a seguinte: quando vir qualquer coisa que pareça gravemente errada, avariada, mal acabada ou mal pensada, inaceitável ou incrível, é escusado pôr-se com dúvidas porque aquilo é mesmo assim".
- O "mesmo assim" é, ele sim, uma das forças dissolventes da nossa alma. Esperamos que a selecção portuguesa se redima nos relvados mexicanos. E que ninguém tenha de perguntar: "Estão a jogar mal de propósito ou é mesmo assim que jogam?".
em 1986 a selecção portuguesa preparava-se para disputar no México o Mundial de futebol. 20 anos depois, prepara-se para o Mundial da Alemanha. um país inteiro está ansioso por uma boa prestação, para poder pendurar bandeiras nacionais nas janelas, nos carros, nas varandas, nas portas, nos cafés, enfim, para que se crie um ambiente de folia igual ao que se viveu em 2004, aquando do Europeu da modalidade, realizado em Portugal. o nosso povo é "mesmo assim": a nossa selecção ou é "a melhor de todas", ou "a pior de todas"; ou estamos eufóricos com os seus feitos, ou totalmente abatidos com as derrotas. não há meio termo. de bandeiras nas varandas e em tudo o que é sítio (estilo os carros dos emigrantes, com autocolantes por todo o lado e corações a dizer I love Portugal) passamos rapidamente para "mandem o Scolari embora", "o figo já não pode com as pernas", "o cristiano ronaldo é um brinca na areia", "o pauleta só percebe de queijos e o nuno gomes de hamburgers", etc..
só espero que, quando acontecer a inevitável eliminação (sim, porque eu não entro nessa corrente de opinião lunática que entende que Portugal pode ser campeão mundial), os jogadores, seleccionador e dirigentes não venham para as conferências de imprensa dizer que "o futebol é mesmo assim".
citações de 1986 que, passados 20 anos, ainda são tão actuais:
- "(...) os futebolistas portugueses têm uma maneira de falar muito especializada e dissolvente. Era bom, por exemplo, que as câmaras de televisão com que se filmam as entrevistas a jogadores, viessem sempre equipadas com um simples sistema de roldanas, que fizesse accionar um martelo pesado cada vez que alguém dissesse "O futebol é mesmo assim".
- "No passado domingo, no intervalo do jogo Brasil - Espanha, o comentador, meditando sobre o tédio doloroso da 1ª parte, dizia: "Até aqui, foi um jogo monótono, mas a alta competição é mesmo assim". A síndrome do "mesmo assim" é definitivamente a contribuição principal do futebol à língua portuguesa. Porque é que os críticos literários não começam, também, a dizer: "Este romance é incompreensível, mas a literatura é mesmo assim". Ou os gastrónomos: "O bacalhau espiritual sabia a peúgas de nylon, embebidos em gasolina, mas, em última análise, quem ganha é a gastronomia, porque a alta culinária é mesmo assim".
- "A regra geral, no futebol e noutras coisas, é a seguinte: quando vir qualquer coisa que pareça gravemente errada, avariada, mal acabada ou mal pensada, inaceitável ou incrível, é escusado pôr-se com dúvidas porque aquilo é mesmo assim".
- O "mesmo assim" é, ele sim, uma das forças dissolventes da nossa alma. Esperamos que a selecção portuguesa se redima nos relvados mexicanos. E que ninguém tenha de perguntar: "Estão a jogar mal de propósito ou é mesmo assim que jogam?".
em 1986 a selecção portuguesa preparava-se para disputar no México o Mundial de futebol. 20 anos depois, prepara-se para o Mundial da Alemanha. um país inteiro está ansioso por uma boa prestação, para poder pendurar bandeiras nacionais nas janelas, nos carros, nas varandas, nas portas, nos cafés, enfim, para que se crie um ambiente de folia igual ao que se viveu em 2004, aquando do Europeu da modalidade, realizado em Portugal. o nosso povo é "mesmo assim": a nossa selecção ou é "a melhor de todas", ou "a pior de todas"; ou estamos eufóricos com os seus feitos, ou totalmente abatidos com as derrotas. não há meio termo. de bandeiras nas varandas e em tudo o que é sítio (estilo os carros dos emigrantes, com autocolantes por todo o lado e corações a dizer I love Portugal) passamos rapidamente para "mandem o Scolari embora", "o figo já não pode com as pernas", "o cristiano ronaldo é um brinca na areia", "o pauleta só percebe de queijos e o nuno gomes de hamburgers", etc..
só espero que, quando acontecer a inevitável eliminação (sim, porque eu não entro nessa corrente de opinião lunática que entende que Portugal pode ser campeão mundial), os jogadores, seleccionador e dirigentes não venham para as conferências de imprensa dizer que "o futebol é mesmo assim".
terça-feira, maio 30, 2006
from a late night train
23h45. chovia intensamente. as luzes da cidade abriam caminho aos seus passos trémulos e inseguros. a custo, olhava para trás, procurando algo que o detivesse. custava-lhe partir, deixar todas as pessoas que amava, sem se poder despedir... e como custam as despedidas!... a espera pelo comboio tornava-se mais amarga à medida que ia aumentando. as dúvidas tomavam agora conta dele, fazendo com que soltasse as mais tímidas lágrimas, que se desintegravam no cimento frio, misturando-se com a chuva. o "confronto" entre os dois cenários pretendidos dilacerava-o, mas tinha noção de que só poderia escolher um deles. na balança estavam as recordações do que já teve e a ansiedade do que poderia vir a ter, caso partisse. o mergulho decidido no desconhecido, na aventura, sobrepor-se-ia ao que construiu durante anos, passando por cima de muitas adversidades? se se conseguisse ver a sua alma nesta altura, ela estaria a sangrar, tal a dimensão das suas incertezas e hesitações.
à medida que a noite ia caindo o frio tornava-se quase insuportável. procurou aquecer-se acendendo um cigarro, procurando conforto numa cadeira, dentro de um estação vazia em tudo, mas sobretudo de calor humano. o comboio estava atrasado. na sua luta interior, o facto de o comboio estar atrasado representava um sinal. tinha mais tempo para evitar tomar a decisão que poderia alterar a sua vida. se a decisão de partir fosse assim tão acertada, porque é que a sua mente continuava a enviar-lhe mensagens de desconfiança e incerteza?
uma voz abrutalhada interrompe-lhe os profundos pensamentos. dentro de momentos, o comboio chegaria à linha. as pernas teimavam em não querer levantar-se da cadeira. os olhos miravam agora o horizonte, aquela curva onde o comboio deveria aparecer, esse adamastor de ferro que lhe exigia uma resposta rápida.
chegou o momento. muitos mais passageiros a sair, a acotovelarem-se no sentido de mais depressa chegarem aos seus lares. para entrar, apenas ele, agora de mãos nos bolsos, amargurado, sozinho, com a alma vazia de tanto sangrar.
alguém lhe tocou no ombro, despertando-o do estado catatónico em que se encontrava há largos minutos. virou-se para trás... e obteve a resposta para as suas dúvidas!...
Ficou...
p.s. - escrito ao som de "From a late night train", dos The Blue Nile.
à medida que a noite ia caindo o frio tornava-se quase insuportável. procurou aquecer-se acendendo um cigarro, procurando conforto numa cadeira, dentro de um estação vazia em tudo, mas sobretudo de calor humano. o comboio estava atrasado. na sua luta interior, o facto de o comboio estar atrasado representava um sinal. tinha mais tempo para evitar tomar a decisão que poderia alterar a sua vida. se a decisão de partir fosse assim tão acertada, porque é que a sua mente continuava a enviar-lhe mensagens de desconfiança e incerteza?
uma voz abrutalhada interrompe-lhe os profundos pensamentos. dentro de momentos, o comboio chegaria à linha. as pernas teimavam em não querer levantar-se da cadeira. os olhos miravam agora o horizonte, aquela curva onde o comboio deveria aparecer, esse adamastor de ferro que lhe exigia uma resposta rápida.
chegou o momento. muitos mais passageiros a sair, a acotovelarem-se no sentido de mais depressa chegarem aos seus lares. para entrar, apenas ele, agora de mãos nos bolsos, amargurado, sozinho, com a alma vazia de tanto sangrar.
alguém lhe tocou no ombro, despertando-o do estado catatónico em que se encontrava há largos minutos. virou-se para trás... e obteve a resposta para as suas dúvidas!...
Ficou...
p.s. - escrito ao som de "From a late night train", dos The Blue Nile.
rica encomenda
como eu queria ser (e manifestamente não sou).
se me dessem a escolher, escolhia isto:
- a eloquência e a destreza de gerard depardieu em "cyrano de bergerac"
- os dotes artísticos e o virtuosismo de geophrey rush em "shine"
- a inteligência e o discernimento de morgan freeman em "seven"
- ser sedutor como daniel day lewis em "a idade da inocência"
- a pinta do jeff bridges em "os fabulosos irmãos baker"
- o sex appeal de george clooney em "out of sight"
- o sentido de humor de woody allen em "annie hall"
- o charme natural de hugh grant em "notting hill"
- o cavalheirismo de clint eastwood em "as pontes de madison county"
- a paixão profissional de robin williams em "o clube dos poetas mortos"
- o carácter meticuloso de tim robbins em "shawshank redemption"
- o optimismo e altruísmo de roberto benigni em "a vida é bela"
- a integridade de paul giamatti em "sideways".
quando é que me podem entregar isto tudo em casa??!!
se me dessem a escolher, escolhia isto:
- a eloquência e a destreza de gerard depardieu em "cyrano de bergerac"
- os dotes artísticos e o virtuosismo de geophrey rush em "shine"
- a inteligência e o discernimento de morgan freeman em "seven"
- ser sedutor como daniel day lewis em "a idade da inocência"
- a pinta do jeff bridges em "os fabulosos irmãos baker"
- o sex appeal de george clooney em "out of sight"
- o sentido de humor de woody allen em "annie hall"
- o charme natural de hugh grant em "notting hill"
- o cavalheirismo de clint eastwood em "as pontes de madison county"
- a paixão profissional de robin williams em "o clube dos poetas mortos"
- o carácter meticuloso de tim robbins em "shawshank redemption"
- o optimismo e altruísmo de roberto benigni em "a vida é bela"
- a integridade de paul giamatti em "sideways".
quando é que me podem entregar isto tudo em casa??!!
segunda-feira, maio 29, 2006
outros cais, outras histórias

há que saber reconhecer quando se chega ao fim de algo...
a questão é saber como proceder. ou ficamos agarrados a uma memória, à recordação de momentos vividos e de palavras trocadas; ou seguimos em frente, de consciência tranquila, em paz de espírito, sabendo que demos tudo, que mostramos tudo, que não poderíamos dar mais do que demos, porque tudo se esgotou: argumentos, justificações, motivos, razões...
aquele barco sou eu, num dos muitos cais por onde passei. estou preparado para partir. à minha frente uma imensidão de água, onde surgirão certamente mil outros cais...
emplastros ao telemóvel
a televisão já existe há muito tempo. é um facto. mas porque raio as pessoas insistem em colocar-se à frente das câmaras televisivas, sempre de telemóvel em riste, a falarem supostamente com alguém, perguntando se estão mesmo a aparecer na televisão, sempre que há um qualquer directo televisivo? este fim de semana foi mais um exemplo: feira do livro de Lisboa. a imagem mostra-nos a repórter, em directo, tendo, como pano de fundo, apenas stands de livrarias. numa delas está uma senhora, a arrumar os livros, postura insuspeita. o directo prolonga-se por uns minutos, com uma entrevista a um autor. de repente, lá aparece a tal chamada, "avisando" a senhora insuspeita de que está na televisão. ela reage como uma adolescente que recebe a primeira declaração de amor, fica envergonhada, mas não sai, nunca, de trás das câmaras, porque a estão a ver no país inteiro. a entrevista ao autor, angolano por sinal, continua entretanto. no final da mesma já são quase uma dezenas de pessoas que estão por trás da repórter e do autor, a maior parte delas falando ao telemóvel...
porque raio é que, já existindo televisão há tanto tempo, ainda há pessoas cujo maior objectivo na vida parece ser o de aparecer na televisão? porque raio se critica tanto o "Emplastro" quando as pessoas fazem exactamente o mesmo, embora dissimuladamente e sempre com o telemóvel em riste? não têm noção que é exactamente a mesma coisa?
porque raio é que, já existindo televisão há tanto tempo, ainda há pessoas cujo maior objectivo na vida parece ser o de aparecer na televisão? porque raio se critica tanto o "Emplastro" quando as pessoas fazem exactamente o mesmo, embora dissimuladamente e sempre com o telemóvel em riste? não têm noção que é exactamente a mesma coisa?
quarta-feira, maio 24, 2006
casais no cinema
Qual destes casais cinematográficos representa mais fielmente o chavão "e viveram felizes para todo o sempre", tendo em conta a empatia gerada entre ambos, o background afectivo e a "bagagem emocional" evidenciada?
- Jeff Bridges e Michelle Pfeiffer em "Os Fabulosos Irmãos Baker";
- Billy Crystal e Meg Ryan em "When Harry met Sally";
- Audrey Tautou e Matthieu Kassowitz em "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain";
- Hugh Grant e Andie MacDowell em "Quatro Casamentos e um Funeral";
- Paul Giamatti e Virginia Madsen em "Sideways";
- Tom Hanks e Meg Ryan em "Sleepless in Seatle";
- Hugh Grant e Julia Roberts em "Notting Hill";
- Jack Nicholson e Helen Hunt em "As good as it gets";
- Sean Connery e Michelle Pfeiffer em "A Casa da Rússia".
- Jeff Bridges e Michelle Pfeiffer em "Os Fabulosos Irmãos Baker";
- Billy Crystal e Meg Ryan em "When Harry met Sally";
- Audrey Tautou e Matthieu Kassowitz em "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain";
- Hugh Grant e Andie MacDowell em "Quatro Casamentos e um Funeral";
- Paul Giamatti e Virginia Madsen em "Sideways";
- Tom Hanks e Meg Ryan em "Sleepless in Seatle";
- Hugh Grant e Julia Roberts em "Notting Hill";
- Jack Nicholson e Helen Hunt em "As good as it gets";
- Sean Connery e Michelle Pfeiffer em "A Casa da Rússia".
terça-feira, maio 23, 2006
quem camufla teu amigo é
tenho um grande defeito! reconheço. aliás, tenho vários, mas hoje queira falar de um deles apenas. os outros encheriam todas as páginas do expresso, incluindo suplementos.
os meus amigos, os verdadeiros, não aqueles de ocasião, confrontam-me amiúde com a minha suposta "falta de atenção" para com eles, a ausência de sinais de carinho e ternura, criticando, ainda, a minha acidez em alguns comentários pejorativos (não mal intencionados, aqueles que se dizem na brincadeira), a minha instabilidade emocional, que nunca lhes permite aferir se estou bem ou mal disposto antes de iniciarem qualquer conversa comigo. isto tudo para além de eu não conseguir conversar olhando olhos nos olhos a outra pessoa. e mais: que eu sou incapaz de manter uma conversa séria junto deles sem estar constantemente a mandar piadas parvas e a fazer trocadilhos irracionais e totalmente deslocados do assunto.
realmente... é muita coisa. é caso para perguntar como é que eu ainda tenho amigos!!...
pois bem, o meu defeito é o de "disfarçar" sensações, dissimulá-las, alterá-las de uma forma meia "apatetada" de maneira a que eu me sinta confortável e não meio acabrunhado, sem reacção para além de um sorriso amarelo constrangedor que, de tão rígido, provoca dores musculares na face durante um mês.
e quando é que eu faço isso? (não devo ser a única pessoa a fazê-lo, certamente!) eu faço isso quando não quero dar a entender à outra pessoa que, de facto, gosto dela. e é nessa altura que eu regrido cerca de 30 anos e me porto como um puto de 4 anos que se farta de gozar as meninas, a roupa delas, as brincadeiras e as bonecas delas, quando, no fundo, até queria mesmo era brincar com elas, pentear a barbie, vestir a cindy, fazer bolos de chocolate no mini forno eléctrico e servir chá no salão às amigas da carlota cambalhota (por exemplo). pois é, como era tudo tão simples nessa altura, gostávamos das nossas colegas da escola primária, mas ficava-nos bem dizer que as detestávamos, que o que era bom era brincar com o Chico, o Tó, o Zeca e o João. ah, e gozar com elas. sempre! agora é diferente, claro. se temos colegas de trabalho no emprego, como antigamente tinhamos colegas de escola, já não nos fica bem fazer o que faziamos antes.
mas voltando um pouco atrás, Vasco da Gama estava certo de que tinha encontrado o caminho marítimo para a Índia, embora não soubesse como voltar novamente ao seu país... bem, não tanto atrás. (parvoíce!). a esse processo eu chamo de "mecanismo de defesa", ou seja, estou sempre salvaguardado nesta minha carapaça de indiferença, mostrando o meu lado arrogante, de desprezo quase, dizendo apenas barbaridades, só para não ter que mostrar o meu "lado fraco" e sensível. conheço mulheres que adoram esse lado nos homens (felizmente são muitas e ainda bem, porque eu sou de facto assim); mas também há outras que nos "enganam" muito bem, porque parece que são exactamente o oposto disso e, depois, são iguais, não queriam era demonstra-lo, porque, lá está, também elas não queriam mostrar o seu "lado fraco". ou seja, quando pensamos que uma determinada relação, seja ela de trabalho, familiar ou de amizade, está a seguir um rumo "confortável", sem ondas, sem muitas exigências de parte a parte, somos confrontados com uma espécie de chamada de atenção do género: "porque é que a umas fazes questão de as brindar com elogios e a outras preferes pisar para não ter que elogiar?". e isto desarma qualquer um. primeiro porque a pessoa que fez a questão está cheia de razão. segundo porque esta espécie de "ciúme" camuflado faz-me cair na realidade e constatar que, de facto, tenho negligenciado algumas pessoas, em detrimento de outras, em várias fases da minha vida. e esta é uma delas (tanto a fase, como a pessoa). é o meu chamado "top of the pops" sentimental. (ricardo, esta do top é para ti!). umas vezes estão umas pessoas no topo, outras no fundo da tabela, também há reentradas, entradas directas para primeiro lugar, etc.. só não tenho é a isabel figueira a apresentar todas as semanas na televisão. sou assim, não há volta a dar. perdem-se muitas pessoas pelo caminho, ganham-se outras, ferem-se umas, mutila-se outras, causam-se severos danos psicológicos numas, vontade de mudar de sexo e orientação sexual noutras, etc..
reconhecendo isso, resta-me dizer a essa minha amiga que prezo mesmo bastante o pouco tempo que passo com ela. quando faço figuras de parvo ao mandar bocas foleiras e depreciativas tou a vestir uma pele confortável e cómoda, que apaga qualquer vislumbre de carinho e ternura que sinto por ela. e ela sabe que o sinto!...
os meus amigos, os verdadeiros, não aqueles de ocasião, confrontam-me amiúde com a minha suposta "falta de atenção" para com eles, a ausência de sinais de carinho e ternura, criticando, ainda, a minha acidez em alguns comentários pejorativos (não mal intencionados, aqueles que se dizem na brincadeira), a minha instabilidade emocional, que nunca lhes permite aferir se estou bem ou mal disposto antes de iniciarem qualquer conversa comigo. isto tudo para além de eu não conseguir conversar olhando olhos nos olhos a outra pessoa. e mais: que eu sou incapaz de manter uma conversa séria junto deles sem estar constantemente a mandar piadas parvas e a fazer trocadilhos irracionais e totalmente deslocados do assunto.
realmente... é muita coisa. é caso para perguntar como é que eu ainda tenho amigos!!...
pois bem, o meu defeito é o de "disfarçar" sensações, dissimulá-las, alterá-las de uma forma meia "apatetada" de maneira a que eu me sinta confortável e não meio acabrunhado, sem reacção para além de um sorriso amarelo constrangedor que, de tão rígido, provoca dores musculares na face durante um mês.
e quando é que eu faço isso? (não devo ser a única pessoa a fazê-lo, certamente!) eu faço isso quando não quero dar a entender à outra pessoa que, de facto, gosto dela. e é nessa altura que eu regrido cerca de 30 anos e me porto como um puto de 4 anos que se farta de gozar as meninas, a roupa delas, as brincadeiras e as bonecas delas, quando, no fundo, até queria mesmo era brincar com elas, pentear a barbie, vestir a cindy, fazer bolos de chocolate no mini forno eléctrico e servir chá no salão às amigas da carlota cambalhota (por exemplo). pois é, como era tudo tão simples nessa altura, gostávamos das nossas colegas da escola primária, mas ficava-nos bem dizer que as detestávamos, que o que era bom era brincar com o Chico, o Tó, o Zeca e o João. ah, e gozar com elas. sempre! agora é diferente, claro. se temos colegas de trabalho no emprego, como antigamente tinhamos colegas de escola, já não nos fica bem fazer o que faziamos antes.
mas voltando um pouco atrás, Vasco da Gama estava certo de que tinha encontrado o caminho marítimo para a Índia, embora não soubesse como voltar novamente ao seu país... bem, não tanto atrás. (parvoíce!). a esse processo eu chamo de "mecanismo de defesa", ou seja, estou sempre salvaguardado nesta minha carapaça de indiferença, mostrando o meu lado arrogante, de desprezo quase, dizendo apenas barbaridades, só para não ter que mostrar o meu "lado fraco" e sensível. conheço mulheres que adoram esse lado nos homens (felizmente são muitas e ainda bem, porque eu sou de facto assim); mas também há outras que nos "enganam" muito bem, porque parece que são exactamente o oposto disso e, depois, são iguais, não queriam era demonstra-lo, porque, lá está, também elas não queriam mostrar o seu "lado fraco". ou seja, quando pensamos que uma determinada relação, seja ela de trabalho, familiar ou de amizade, está a seguir um rumo "confortável", sem ondas, sem muitas exigências de parte a parte, somos confrontados com uma espécie de chamada de atenção do género: "porque é que a umas fazes questão de as brindar com elogios e a outras preferes pisar para não ter que elogiar?". e isto desarma qualquer um. primeiro porque a pessoa que fez a questão está cheia de razão. segundo porque esta espécie de "ciúme" camuflado faz-me cair na realidade e constatar que, de facto, tenho negligenciado algumas pessoas, em detrimento de outras, em várias fases da minha vida. e esta é uma delas (tanto a fase, como a pessoa). é o meu chamado "top of the pops" sentimental. (ricardo, esta do top é para ti!). umas vezes estão umas pessoas no topo, outras no fundo da tabela, também há reentradas, entradas directas para primeiro lugar, etc.. só não tenho é a isabel figueira a apresentar todas as semanas na televisão. sou assim, não há volta a dar. perdem-se muitas pessoas pelo caminho, ganham-se outras, ferem-se umas, mutila-se outras, causam-se severos danos psicológicos numas, vontade de mudar de sexo e orientação sexual noutras, etc..
reconhecendo isso, resta-me dizer a essa minha amiga que prezo mesmo bastante o pouco tempo que passo com ela. quando faço figuras de parvo ao mandar bocas foleiras e depreciativas tou a vestir uma pele confortável e cómoda, que apaga qualquer vislumbre de carinho e ternura que sinto por ela. e ela sabe que o sinto!...
quarta-feira, maio 17, 2006
20 anos depois
gosto de música, aliás, adoro música, foi com ela que eu vivi as minhas primeiras paixões e os meus primeiros desgostos amorosos, na escuridão do meu quarto, enquanto vertia umas lágrimas ingénuas, em cena típica de novelas vespertinas. e havia alturas em que molhava o cabelo, fazia um penteado à bryan ferry, colocava a música no gira-discos (sim, ouviram bem, gira-discos!) e fazia o playback, tipo teledisco, do "Avalon", dos Roxy Music, ou do "Never again", dos Classix Nouveaux (neste caso escusava de me preocupar com o penteado, já que o vocalista era careca...). foi uma fase turbulenta da minha vida, as notas eram curtas, os pais reclamavam, inventavam castigos diferentes todos os dias, mandavam-me tirar os posters da nena e da kim wilde da parede, etc.. tenho, obviamente, saudade disso tudo (quem é que não tem saudade da sua adolescência?).
confesso que, agora, ao ouvir novamente as músicas que me acompanhavam nesses momentos, chego a sentir o mesmo, aquela nostalgia, a necessidade de estar perto da pessoa amada, a sensação da ausência que se quer preenchida, o ansiar desalmadamente pelo reencontro com a pessoa que nos povoa a mente. e as músicas que mais me fazem "regressar ao passado" são baladas típicas dos anos 80, do género "Carrie", dos Europe, "The power of love", dos Frankie goes to Hollywood, ou "Against all odds", do Phil Collins. imediatamente sou transportado para os meus 14/15 anos, para as sensações difíceis de apagar da memória, como o primeiro e tímido beijo, a primeira vez que se anda na rua de mão dada com a namorada, os constantes comentários jocosos dos pais sobre o facto de namorarmos, o embaraço notório na nossa face quando nos cruzávamos com os pais dela na rua, etc..
sou um saudosista, um nostálgico. mantenho as sensações de outrora, o romantismo exacerbadamente despojado sobre as músicas que ouço, as do passado e as da actualidade. gosto de atribuir significados às músicas, de lhes "agrafar" momentos e pessoas. e há muitas pessoas, felizmente, nessa lista, a quem já "dediquei" músicas, acondicionando-as confortavelmente no meu baú de recordações.
espero daqui a 20 anos sentir o mesmo que agora, ao recordar as músicas que ouço actualmente, como por exemplo The Czars, Marjorie Fair, Antony and the Johnsons, The Blue Nile, e lembrar-me das pessoas que lhes estão "agrafadas". será um bom sinal!
confesso que, agora, ao ouvir novamente as músicas que me acompanhavam nesses momentos, chego a sentir o mesmo, aquela nostalgia, a necessidade de estar perto da pessoa amada, a sensação da ausência que se quer preenchida, o ansiar desalmadamente pelo reencontro com a pessoa que nos povoa a mente. e as músicas que mais me fazem "regressar ao passado" são baladas típicas dos anos 80, do género "Carrie", dos Europe, "The power of love", dos Frankie goes to Hollywood, ou "Against all odds", do Phil Collins. imediatamente sou transportado para os meus 14/15 anos, para as sensações difíceis de apagar da memória, como o primeiro e tímido beijo, a primeira vez que se anda na rua de mão dada com a namorada, os constantes comentários jocosos dos pais sobre o facto de namorarmos, o embaraço notório na nossa face quando nos cruzávamos com os pais dela na rua, etc..
sou um saudosista, um nostálgico. mantenho as sensações de outrora, o romantismo exacerbadamente despojado sobre as músicas que ouço, as do passado e as da actualidade. gosto de atribuir significados às músicas, de lhes "agrafar" momentos e pessoas. e há muitas pessoas, felizmente, nessa lista, a quem já "dediquei" músicas, acondicionando-as confortavelmente no meu baú de recordações.
espero daqui a 20 anos sentir o mesmo que agora, ao recordar as músicas que ouço actualmente, como por exemplo The Czars, Marjorie Fair, Antony and the Johnsons, The Blue Nile, e lembrar-me das pessoas que lhes estão "agrafadas". será um bom sinal!
terça-feira, maio 16, 2006
alinhamento musical anos 80
alinhamento musical - parte 2
dada a crescente "febre" por tudo o que tenha a ver com a década de 80, que por aí campeia, resolvi fazer um outro alinhamento musical, contendo desta vez músicas que me fizeram vibrar na altura e que, passados todos estes anos, ainda me conseguem "seduzir".
1. Souvenir - OMD
2. One night in Bangkok - Murray Head
3. Der Komissar - Falco
4. Broken Wings - Mr. Mister
5. Wouldn't it be good - Nik Kershaw
6. Stay on these roads - A-ha
7. Purple rain - Prince
8. Every breath you take - The Police
9. A question of lust - Depeche Mode
10. It's you, only you - Lene Lovich
11. Never again - Classix Nouveaux
12. Flash in the night - Secret Service
13. Love Kills - Freddie Mercury
14. I ran - A Flock of Seaguls
15. Wonderful life - Black
16. Drive - The Cars
17. Just around the corner - Cock Robin
18. Take my breath away - Berlin
19. Love bites - Def Leppard
e por último, o clássico dos clássicos:
20. save a prayer - Duran Duran
dada a crescente "febre" por tudo o que tenha a ver com a década de 80, que por aí campeia, resolvi fazer um outro alinhamento musical, contendo desta vez músicas que me fizeram vibrar na altura e que, passados todos estes anos, ainda me conseguem "seduzir".
1. Souvenir - OMD
2. One night in Bangkok - Murray Head
3. Der Komissar - Falco
4. Broken Wings - Mr. Mister
5. Wouldn't it be good - Nik Kershaw
6. Stay on these roads - A-ha
7. Purple rain - Prince
8. Every breath you take - The Police
9. A question of lust - Depeche Mode
10. It's you, only you - Lene Lovich
11. Never again - Classix Nouveaux
12. Flash in the night - Secret Service
13. Love Kills - Freddie Mercury
14. I ran - A Flock of Seaguls
15. Wonderful life - Black
16. Drive - The Cars
17. Just around the corner - Cock Robin
18. Take my breath away - Berlin
19. Love bites - Def Leppard
e por último, o clássico dos clássicos:
20. save a prayer - Duran Duran
segunda-feira, maio 15, 2006
a fé! curto, se faz favor.
que raio de programa viram na televisão portuguesa, no sábado de manhã, todos os seguidores de religiões não-cristãs? RTP, SIC e TVI em directo, em simultâneo, de Fátima! claro, tem que ser, as minorias que se lixem. a religião vende, o povo quer é multidões de joelhos a rezar. e assim, desta forma, talvez se tenham convertido mais umas dezenas. a única chatice é as televisões mostrarem aqueles milhares de pessoas a irem a pé para Fátima, porque assim eles ainda pensam que esse é um requisito obrigatório.
está mesmo visto que em Portugal há espaço para tudo e para todos. 13 de Maio, Fátima está a abarrotar de fiéis; Tony Carreira dá um espectáculo em Lisboa, no Pavilhão Atlântico. ambos os locais estavam cheios, pelo que foi dado a ver nas imagens televisivas. será que o Carreira quis ser ele próprio, "maior que Jesus", como os Beatles? terá ele pensado que Fátima estaria "às moscas" porque ele daria um espectáculo nessa mesma noite? e porque não actuar em Fátima, durante a procissão? a verdade é que há mesmo "povinho" para isto tudo, chega para todos. se houvesse igualmente nessa noite uma concentração de motards, uma exposição tuning, uma manifestação de gays e lésbicas, um torneio de sueca em Vilar do Monte, uma tourada no Montijo e uma rave em Vila Nova de Gaia, estariam a "abarrotar" de povo sequioso deste tipo de eventos. e depois, em Fátima, não podem faltar as "celebridades", aquelas que aparecem em tudo o que é sítio, para se mostrarem, para se venderem, porque se parecerem muitos católicos vendem mais uns discos, fazem mais dinheiro, etc..
a fé é, decididamente, um negócio. vendem-se, aos milhares, os terços, as imagens das santas, dos santos, as estátuas, as cruzes, os fios, tudo o que indique que se é, de facto, cristão. nas grandes cidades, ir à missa todos os domingos... é chato. daí a maior parte deles serem "católicos não praticantes", que é fashion dizer-se. para mim são é "hipócritas praticantes". nas aldeias a questão já é outra, por aqui mistura-se ignorância e ingenuidade com crença e devoção. aos domingos, na missa, lá estão eles. quando é preciso dar dinheiro para a paróquia, eles dão, cegamente, porque assim estão a "comprar" o seu lugar no céu. alguém pede contas, no final do ano, a um padre? claro que não. eles são tão sérios...
está mesmo visto que em Portugal há espaço para tudo e para todos. 13 de Maio, Fátima está a abarrotar de fiéis; Tony Carreira dá um espectáculo em Lisboa, no Pavilhão Atlântico. ambos os locais estavam cheios, pelo que foi dado a ver nas imagens televisivas. será que o Carreira quis ser ele próprio, "maior que Jesus", como os Beatles? terá ele pensado que Fátima estaria "às moscas" porque ele daria um espectáculo nessa mesma noite? e porque não actuar em Fátima, durante a procissão? a verdade é que há mesmo "povinho" para isto tudo, chega para todos. se houvesse igualmente nessa noite uma concentração de motards, uma exposição tuning, uma manifestação de gays e lésbicas, um torneio de sueca em Vilar do Monte, uma tourada no Montijo e uma rave em Vila Nova de Gaia, estariam a "abarrotar" de povo sequioso deste tipo de eventos. e depois, em Fátima, não podem faltar as "celebridades", aquelas que aparecem em tudo o que é sítio, para se mostrarem, para se venderem, porque se parecerem muitos católicos vendem mais uns discos, fazem mais dinheiro, etc..
a fé é, decididamente, um negócio. vendem-se, aos milhares, os terços, as imagens das santas, dos santos, as estátuas, as cruzes, os fios, tudo o que indique que se é, de facto, cristão. nas grandes cidades, ir à missa todos os domingos... é chato. daí a maior parte deles serem "católicos não praticantes", que é fashion dizer-se. para mim são é "hipócritas praticantes". nas aldeias a questão já é outra, por aqui mistura-se ignorância e ingenuidade com crença e devoção. aos domingos, na missa, lá estão eles. quando é preciso dar dinheiro para a paróquia, eles dão, cegamente, porque assim estão a "comprar" o seu lugar no céu. alguém pede contas, no final do ano, a um padre? claro que não. eles são tão sérios...
alinhamento musical
alinhamento musical - parte 1
21h30, o jantar tinha sido divinal, o vinho correu sem hesitações, fluiu calmamente como a conversa. já em casa, na varanda sentimos a brisa fresca da noite, enquanto apreciávamos o café e os after eight's. voltamos para a sala quando sentimos frio. apeteceu-nos ouvir música, estimular os sentimentos, aproveitar palavras alheias, envoltas em preciosos arranjos musicais, e fazê-las nossas por instantes. agarrei-te pela cintura, cheirei o teu cabelo, passei-te a mão pela face e soltei um tímido "vamos dançar?". ela aceitou...
1. save a prayer - duran duran
2. more than this - roxy music
3. to wish impossible things - the cure
4. cowboys and angels - george michael
5. a strange kind of love - peter murphy
6. let's go out tonight - the blue nile
7. my sun is setting over her magic - marjorie fair
8. bird gehrl - antony and the johnsons
9. why should I care - diana krall
10. live with me - massive attack
11. autumn - the czars
12. rollercoaster - red house painters
13. western sky - american music club
e 14. the severed garden - the doors
21h30, o jantar tinha sido divinal, o vinho correu sem hesitações, fluiu calmamente como a conversa. já em casa, na varanda sentimos a brisa fresca da noite, enquanto apreciávamos o café e os after eight's. voltamos para a sala quando sentimos frio. apeteceu-nos ouvir música, estimular os sentimentos, aproveitar palavras alheias, envoltas em preciosos arranjos musicais, e fazê-las nossas por instantes. agarrei-te pela cintura, cheirei o teu cabelo, passei-te a mão pela face e soltei um tímido "vamos dançar?". ela aceitou...
1. save a prayer - duran duran
2. more than this - roxy music
3. to wish impossible things - the cure
4. cowboys and angels - george michael
5. a strange kind of love - peter murphy
6. let's go out tonight - the blue nile
7. my sun is setting over her magic - marjorie fair
8. bird gehrl - antony and the johnsons
9. why should I care - diana krall
10. live with me - massive attack
11. autumn - the czars
12. rollercoaster - red house painters
13. western sky - american music club
e 14. the severed garden - the doors
sexta-feira, maio 12, 2006
stay (far away, so close)
fica... nem que seja por mais 2 minutos. sinto-me completo contigo, preenches tudo aquilo que eu queria ver preenchido. estás longe mas vives sempre comigo, perto do que é importante, perto daquilo que sente, que anseia, que vive à espera da próxima vez... alimentas-me sem saberes, matas-me a sede, és o meu primeiro pensamento de manhã, o último da noite.
fica... não vás assim, dessa forma. tens que me dar mais um sorriso, pelo menos. detesto sentir a tua tristeza, custa-me aceitar esta impotência de não te poder segurar comigo por mais tempo e... ver-te partir... sem mim.
fico para trás, agarrado ao pedaço da minha mente onde te tenho guardado, imaculadamente. nesse espaço, nesse minúsculo espaço, vemos todos os dias o por de sol juntos, colho-te flores todos os dias, passeamos no areal da praia, conversamos no alpendre embrulhados em aconchegante manta, adormecemos todas as noites à beira da lareira, ouvimos marjorie fair, the blue nile, antony and the johnsons, the czars... quando chover, saímos e deixamos a chuva inundar-nos os corpos, purificando-nos a alma, revigorando-nos o espírito.
aqui, neste sítio mágico, nunca partes, nunca te despedes, nunca tenho tempo para ter saudades tuas... aqui, só estamos nós. mais ninguém! é nosso! só nosso! ninguém nos pode tirar isso...
Só esta saudade de ti me mata o tempo, enquanto aguardo pela tua visita... no mundo real.
Jim Morrison, em "the severed garden", dizia que "death makes angels of us all and gives us wings where we had shoulders". pois bem, o meu anjo nem precisou de morrer... antes pelo contrário... nasceu! e está sempre comigo... naquele fiapo da minha mente!
Nota: este post foi mesmo escrito ao som de "Stay (far away so close)", dos U2.
fica... não vás assim, dessa forma. tens que me dar mais um sorriso, pelo menos. detesto sentir a tua tristeza, custa-me aceitar esta impotência de não te poder segurar comigo por mais tempo e... ver-te partir... sem mim.
fico para trás, agarrado ao pedaço da minha mente onde te tenho guardado, imaculadamente. nesse espaço, nesse minúsculo espaço, vemos todos os dias o por de sol juntos, colho-te flores todos os dias, passeamos no areal da praia, conversamos no alpendre embrulhados em aconchegante manta, adormecemos todas as noites à beira da lareira, ouvimos marjorie fair, the blue nile, antony and the johnsons, the czars... quando chover, saímos e deixamos a chuva inundar-nos os corpos, purificando-nos a alma, revigorando-nos o espírito.
aqui, neste sítio mágico, nunca partes, nunca te despedes, nunca tenho tempo para ter saudades tuas... aqui, só estamos nós. mais ninguém! é nosso! só nosso! ninguém nos pode tirar isso...
Só esta saudade de ti me mata o tempo, enquanto aguardo pela tua visita... no mundo real.
Jim Morrison, em "the severed garden", dizia que "death makes angels of us all and gives us wings where we had shoulders". pois bem, o meu anjo nem precisou de morrer... antes pelo contrário... nasceu! e está sempre comigo... naquele fiapo da minha mente!
Nota: este post foi mesmo escrito ao som de "Stay (far away so close)", dos U2.
actualidades... parvas
digam-me que viram ontem, nas notícias, à noite, a queda do Durão Barroso a jogar futebol... foi das coisas mais cómicas que vi, desde a queda do Fidel Castro há meses. finalmente temos políticos carismáticos ao ponto de figurarem nessa galeria das quedas mais cómicas de sempre. agora falta o Freitas do Amaral cair a andar de bicicleta, como o George W. Bush. Vamos Freitas, tu és capaz!
que livro do carrilho! mas agora anda tudo maluco a dar tempo de antena ao tipo, só porque resolveu insultar toda a gente? ou seja, o homem só tem algum relevo quando é mal educado: não apertou a mão ao Carmona, abriu os Telejornais; disse cobras e lagartos da SIC, abriu os Telejornais; "cascou" no Miguel Sousa Tavares, idem. enfim, era este o tipo que queria ser presidente da principal Câmara Municipal do país... baseando-se apenas no facto de estar casado com a Bárbara Guimarães. feiras e mercados não é com ele, porque ele é filósofo, letrado e intelectual. ele que não diga a ninguém que é de Viseu, porque nós não precisamos de má publicidade.
se os organizadores do Rock in Rio Lisboa se esforçassem mesmo muito, será que conseguiriam fazer um cartaz pior do que aquele que existe? guns and roses? sting? santana? shakira? mas estavam a preços de saldo? e quem é o gajo que insiste em contratar os xutos e pontapés para todo e qualquer festival que tenha lugar em portugal? e quando é que ele morre? já enjoa...
estamos a poucos dias do início do Mundial 2006. o país vai voltar a parar quando a selecção jogar, principalmente quando for contra Angola... as obras de construção civil vão sofrer atrasos imensos, os andaimes vão ficar vazios, não vai haver bocas para as "boazonas". enfim, por duas horas, vai valer a pena viver em portugal!
que livro do carrilho! mas agora anda tudo maluco a dar tempo de antena ao tipo, só porque resolveu insultar toda a gente? ou seja, o homem só tem algum relevo quando é mal educado: não apertou a mão ao Carmona, abriu os Telejornais; disse cobras e lagartos da SIC, abriu os Telejornais; "cascou" no Miguel Sousa Tavares, idem. enfim, era este o tipo que queria ser presidente da principal Câmara Municipal do país... baseando-se apenas no facto de estar casado com a Bárbara Guimarães. feiras e mercados não é com ele, porque ele é filósofo, letrado e intelectual. ele que não diga a ninguém que é de Viseu, porque nós não precisamos de má publicidade.
se os organizadores do Rock in Rio Lisboa se esforçassem mesmo muito, será que conseguiriam fazer um cartaz pior do que aquele que existe? guns and roses? sting? santana? shakira? mas estavam a preços de saldo? e quem é o gajo que insiste em contratar os xutos e pontapés para todo e qualquer festival que tenha lugar em portugal? e quando é que ele morre? já enjoa...
estamos a poucos dias do início do Mundial 2006. o país vai voltar a parar quando a selecção jogar, principalmente quando for contra Angola... as obras de construção civil vão sofrer atrasos imensos, os andaimes vão ficar vazios, não vai haver bocas para as "boazonas". enfim, por duas horas, vai valer a pena viver em portugal!
quarta-feira, maio 10, 2006
mais reflexões
porque é que as mulheres, quando nos mandam às compras, ficam todas contentes quando fazemos algo errado? e saem-se sempre com aquela máxima: "vocês homens, não têm jeito para nada!". se fizessemos sempre tudo certo, qual era a piada? faz parte do encanto de um homem casado, andar desnorteado com uma lista na mão pelo hipermercado. digo eu. pelo menos penso que sim, que fará parte. já as mulheres são extremamente meticulosas quando nas compras, comparam os preços todos, os componentes, os ingredientes, as embalagens, tudo, mas mesmo tudo. demoram 15 minutos a escolher um detergente para a louça, quando nós homens demoramos 10 segundos (é o que estiver mais à mão!). então quando elas proferem isto: "precisava de ir ali à zona das roupas ver umas calças", é o descalabro autêntico. porque é mais meia hora, 45 m, que vão para o tecto, tempo que nunca mais vamos conseguir recuperar. elas experimentam 35 calças, depois as camisas que poderiam ficar bem com aquelas calças, etc.. e sabem o que é que acontece no final destes 45 minutos? elas acabam por não levar nada! é assim mesmo, tanto tempo perdido para nada. e depois elas, durante este tempo todo, não podem sentir minimamente o nosso ar de tédio, temos que estar sempre com um sorriso largo, anuindo a tudo, obviamente, porque caso contrário lá vem o mesmo sermão de sempre: "quando é para as tuas coisas há sempre tempo" ou "eu também aturo os jogos de futebol". não as podemos vencer. nem queremos... faz parte do encanto delas!
reflexões de um desajeitado
naõ acho que tenha muito jeito para a sedução... sobretudo se envolver estar frente a frente com uma mulher. acho que tenho mais queda para a sedução à distância. dessa forma, vou começar a corresponder-me com uma empregada de balcão de um centro comercial de Sidney, na Austrália.
o problema é que as frases certas nunca saem no momento, só nos vêm à cabeça horas depois, quando estamos a recordar, frase a frase, aquele encontro na esplanada com a tipa com quem desejávamos sair há meses. nesse sentido, vou começar a gravar todo e qualquer encontro que tenha com uma mulher, para depois ouvir, analisar, alterar as deixas, memorizar tudo, para utilizar num futuro encontro. ah, e tentar levar a conversa precisamente para os mesmos tópicos. não falha, de certeza...
e a roupa? que usar meu deus?! aquelas calças que ficam mesmo bem ainda estão a secar, a t'shirt preferida está suja, de tanto andar com ela, as meias estão sempre a deslizar perna abaixo, os sapatos estão velhos, o casaco precisa de ir à lavandaria... para quando encontros em pijama?!? ficaria tudo muito mais nivelado, embora que por baixo.
o problema é que as frases certas nunca saem no momento, só nos vêm à cabeça horas depois, quando estamos a recordar, frase a frase, aquele encontro na esplanada com a tipa com quem desejávamos sair há meses. nesse sentido, vou começar a gravar todo e qualquer encontro que tenha com uma mulher, para depois ouvir, analisar, alterar as deixas, memorizar tudo, para utilizar num futuro encontro. ah, e tentar levar a conversa precisamente para os mesmos tópicos. não falha, de certeza...
e a roupa? que usar meu deus?! aquelas calças que ficam mesmo bem ainda estão a secar, a t'shirt preferida está suja, de tanto andar com ela, as meias estão sempre a deslizar perna abaixo, os sapatos estão velhos, o casaco precisa de ir à lavandaria... para quando encontros em pijama?!? ficaria tudo muito mais nivelado, embora que por baixo.
questões existenciais
questões existenciais:
de que vale ter dois empregos, se só recebemos verdadeiramente de um?
os habitantes de Freixo de Espada à Cinta chamar-se-ão Espadachins?
os vídeos do Taveira, de tão velhos que são, poderão ser multados por circularem em sentido contrário na net?
porque é que dizer a uma mulher que o nosso ídolo é o woody allen resulta pior do que se dissermos que o nosso ídolo é o eládio clímaco?
será que ninguém vê que "O Crime do Padre Amaro" tem ainda menos qualidade cinematográfica que "O Fim de Semana com o Morto"?
se o principal papel feminino no "Padre Amaro" tivesse sido entregue à Ana Bola, que resultados de bilheteira teria conseguido o filme?
os habitantes da Zambujeira do Mar chamar-se-ão todos Már(io) Zambujal?
de que vale ter dois empregos, se só recebemos verdadeiramente de um?
os habitantes de Freixo de Espada à Cinta chamar-se-ão Espadachins?
os vídeos do Taveira, de tão velhos que são, poderão ser multados por circularem em sentido contrário na net?
porque é que dizer a uma mulher que o nosso ídolo é o woody allen resulta pior do que se dissermos que o nosso ídolo é o eládio clímaco?
será que ninguém vê que "O Crime do Padre Amaro" tem ainda menos qualidade cinematográfica que "O Fim de Semana com o Morto"?
se o principal papel feminino no "Padre Amaro" tivesse sido entregue à Ana Bola, que resultados de bilheteira teria conseguido o filme?
os habitantes da Zambujeira do Mar chamar-se-ão todos Már(io) Zambujal?
quarta-feira, abril 26, 2006
década de 80
como um tipo que "acordou" verdadeiramente para a música nos anos 80, sinto especial ternura por quase tudo que tenha saído dessa década, mesmo pelas mais pirosas músicas de que há memória. tenho ouvido músicas que já não ouvia há vinte e tal anos e as sensações que agora tenho são de uma nostalgia vívida, de tempos irrecuperáveis, em que andava quase 18 horas por dia com os walkman ligados. ricos tempos, sem preocupações nenhumas, a não ser as notas e a contagem de faltas que poderíamos dar a determinada aula. por norma, chegava mesmo ao limite em quase todas elas. nessa altura, o meu tempo livre dividia-se entre o spectrum, a bicicleta e a televisão, com algumas actividades curriculares pelo meio, como futebol (iniciados, juvenis e juniores), teatro (fui actor amador) e as aulas de música. quando os meus pais me compraram o walkman desatei a gravar cassetes com tudo o que tinha lá em casa em vinil e fazia inúmeras "colectâneas" com as minhas músicas preferidas. ouvia duran duran, a-ha, wham, nik kershaw, rod stewart, sting, europe, enfim, tudo aquilo que naqueles tempos se ouvia.
depois, na década de 90, comecei a achar tudo uma valente "xaropada", quando comecei a enveredar por outros caminhos musicais, como cocteau twins, the cure, this mortal coil, peter murphy, faith no more, radiohead, etc. muitos anos passaram entretanto e a nostalgia começou a apertar. temas como "save a prayer", dos duran duran, "purple rain", de prince, ou "every breath you take", dos the police, figuram ainda nas nossas listas de músicas preferidas de todos os tempos, mas agora, ao ouvir algumas preciosidades que o tempo tinha apagado da minha memória, estou a apreciar devidamente este revivalismo dos anos 80. temas tão pirosos como "Carrie", dos Europe, ou "I´ve been in love before", dos cutting crew", encaixam agora como uma luva neste meu jardim de memórias. (uma luva num jardim? muito kafkiano). mas há mais: "It´s over", dos Level 42, "Hunting high and low", dos A-ha, "windswept", de bryan ferry, "more than this", dos roxy music, "the promise you made", de cock robin", "A question of lust", dos depeche mode, "Marliese", dos fischer z, "broken wings", dos mr. mister, "holding back the years", dos simply red, "one more try", de george michael, etc. caramba, que saudades, que memórias, tanto saudosismo! e tantas colectâneas que eu vou voltar a fazer...
depois, na década de 90, comecei a achar tudo uma valente "xaropada", quando comecei a enveredar por outros caminhos musicais, como cocteau twins, the cure, this mortal coil, peter murphy, faith no more, radiohead, etc. muitos anos passaram entretanto e a nostalgia começou a apertar. temas como "save a prayer", dos duran duran, "purple rain", de prince, ou "every breath you take", dos the police, figuram ainda nas nossas listas de músicas preferidas de todos os tempos, mas agora, ao ouvir algumas preciosidades que o tempo tinha apagado da minha memória, estou a apreciar devidamente este revivalismo dos anos 80. temas tão pirosos como "Carrie", dos Europe, ou "I´ve been in love before", dos cutting crew", encaixam agora como uma luva neste meu jardim de memórias. (uma luva num jardim? muito kafkiano). mas há mais: "It´s over", dos Level 42, "Hunting high and low", dos A-ha, "windswept", de bryan ferry, "more than this", dos roxy music, "the promise you made", de cock robin", "A question of lust", dos depeche mode, "Marliese", dos fischer z, "broken wings", dos mr. mister, "holding back the years", dos simply red, "one more try", de george michael, etc. caramba, que saudades, que memórias, tanto saudosismo! e tantas colectâneas que eu vou voltar a fazer...
um dia virtual
por vezes alguns silêncios dizem mais do que cem palavras. para mim, um longo silêncio partilhado com a pessoa certa pode fazer milagres. os silêncios nem sempre são sinal de que os tópicos de conversa se esgotaram, ou de enfado e tédio. há momentos em que apenas nos apetece contemplar, olhar e sentir. confesso que a minha timidez não me permite ter uma conversa com alguém, frente a frente, olhando essa mesma pessoa nos olhos o tempo todo. tenho sempre medo que as pessoas possam ver no meu olhar o que eu estou a sentir (não se costuma dizer que os olhos são a janela para a nossa alma?!...). nessa altura o meu olhar vai correndo, sem sentido ou rumo predefinido, as paredes, o tecto, o chão, a mesa, a chávena do café, etc.. já várias pessoas me apontaram esse "defeito", que resulta muito mais da minha já confessada timidez do que propriamente de má educação ou desconsideração da minha parte pela pessoa com quem dialogo. mas os silêncios permitem-nos processar as ideias devidamente, reflectir, pensar, sentir a presença da outra pessoa. e há olhares que dizem tudo enquanto estamos calados. de vez em quando consigo colocar de lado a minha timidez e olho, não mais de cinco segundos certamente, para a pessoa à minha frente, e consigo "ler" o que lhe vai na alma. é certo que nem todas as pessoas são iguais, há algumas em que uma pessoa não consegue mesmo ler nada, de tão triviais e banais que são, mas há outras por quem vale a pena fazer esse "esforço". felizmente conheço mais pessoas neste último caso, pessoas ricas interiormente que lutam desesperadamente por se "encaixarem" devidamente nesta amálgama urbana.
por uma delas nutro especial carinho, de tão sensível e delicada que é. a minha solução para os seus problemas, na última vez que estive com ela, em que parecia que tinha 300 kilos sobre os ombros, foi recebida com agrado. e era tão simples, tão eficaz, tão... impossível... e eu queria tanto assumir esse papel, de apaziguador da sua mente, de estabilizador emocional, mas apesar de ser apenas uma questão de tempo e disponibilidade, tal não foi, nem será, certamente, possível. a ideia era muito simples, extremamente simples: retira-la da "selva urbana" durante um dia e leva-la para uma aldeiazinha muito perto de viseu, toda remodelada, para turismo rural, e ficar um dia inteiro numa esplanada a conversar, apenas com o som dos pássaros e do rio como pano de fundo. isto porque sempre que estamos juntos vemos o tempo escoar-se rapidamente, como areia a escapar-se por entre os nossos dedos, a ineroxável marcha do tempo... teríamos, nesse virtual dia, hipótese de falar sem pressa, de partilhar silêncios e emoções. com tempo, sem nenhuma obrigatoriedade de horários. e foi tudo isto que eu senti no seu olhar naquele dia, senti que ela queria tempo, mais disponibilidade, mais atenção. e eu não pude dar-lhe isso. e senti-me mal, frustrado, porque eu queria proporcionar-lhe isso tudo. e se ela olhou bem nos meus olhos "viu" isso também. e assim ficamos os dois, impotentes, a ver o tempo passar enquanto imaginávamos outro cenário, outro ruído, outros ambientes. e esse silêncio disse tudo. mesmo tudo.
nesse silêncio residiu a impossibilidade das coisas, quando as queremos, como as queremos e com quem as queremos. despedi-me dela, entristecido por não ter conseguido abrir-lhe a porta da gaiola, para que ela conseguisse voar.
por uma delas nutro especial carinho, de tão sensível e delicada que é. a minha solução para os seus problemas, na última vez que estive com ela, em que parecia que tinha 300 kilos sobre os ombros, foi recebida com agrado. e era tão simples, tão eficaz, tão... impossível... e eu queria tanto assumir esse papel, de apaziguador da sua mente, de estabilizador emocional, mas apesar de ser apenas uma questão de tempo e disponibilidade, tal não foi, nem será, certamente, possível. a ideia era muito simples, extremamente simples: retira-la da "selva urbana" durante um dia e leva-la para uma aldeiazinha muito perto de viseu, toda remodelada, para turismo rural, e ficar um dia inteiro numa esplanada a conversar, apenas com o som dos pássaros e do rio como pano de fundo. isto porque sempre que estamos juntos vemos o tempo escoar-se rapidamente, como areia a escapar-se por entre os nossos dedos, a ineroxável marcha do tempo... teríamos, nesse virtual dia, hipótese de falar sem pressa, de partilhar silêncios e emoções. com tempo, sem nenhuma obrigatoriedade de horários. e foi tudo isto que eu senti no seu olhar naquele dia, senti que ela queria tempo, mais disponibilidade, mais atenção. e eu não pude dar-lhe isso. e senti-me mal, frustrado, porque eu queria proporcionar-lhe isso tudo. e se ela olhou bem nos meus olhos "viu" isso também. e assim ficamos os dois, impotentes, a ver o tempo passar enquanto imaginávamos outro cenário, outro ruído, outros ambientes. e esse silêncio disse tudo. mesmo tudo.
nesse silêncio residiu a impossibilidade das coisas, quando as queremos, como as queremos e com quem as queremos. despedi-me dela, entristecido por não ter conseguido abrir-lhe a porta da gaiola, para que ela conseguisse voar.
sexta-feira, abril 07, 2006
olá outra vez e adeus, até sempre
foi longo o silêncio. pc avariado, trabalho em demasia, etc.. não interessa agora dissecar o tempo que passou, as palavras que ficaram por dizer, os poemas pensados que se perderam nalgum guardanapo de café...
interessa agora apenas o futuro, não o passado, nem o presente. isto porque vou estar de férias uma semana e este espaço vai ficar mais uma vez sem actualização assídua. vai ser uma semana inteirinha sem olhar para um raio de um monitor, esse "bicho" que me está diariamente a "comer" os olhos...
peço paciência ao meu séquito de admiradores (que são para aí, sem exagero, uns 2...), mas prometo voltar cheio de energia, no dia 17 de Abril, com novas depressões, neuras acabadinhas de criar e aquele tipo de humor que ja granjeou fama por toda a zona leste da despensa de minha casa.
convido-os a visitarem amiúde o blog da minha parceira de blog, esse autêntico diamante por talhar e polir, desde que um verdadeiro admirador de pedras preciosas a encontre; caso contrário, o diamante pode partir-se...
confesso que, agora que comecei a escrever, até me apetecia continuar aqui mais um bocado, a tentar recuperar o tempo perdido. ultimamente a minha vida tem sido bastante interessante: os meus filhos fizeram anos, no mesmo dia (27 de Março), mas não são gémeos (têm 6 anos de diferença); estive com amigos de longe, que só vejo uma ou duas vezes por ano, e foi muito bom aferir que as coisas continuam bastante sólidas e que a amizade está mais forte do que nunca; entretanto novas amizades continuam a construir-se, outras foram-se desvanecendo, etc.. é este o ciclo da vida... people come and people go, resta-nos ter o discernimento necessário para escolhermos bem as que queremos que fiquem e, por outro lado, escolher devidamente as palavras para dizer àquelas que, definitivamente, não nos interessam. é a verdade nua e crua, sem rodeios. é isto mesmo. talvez por isso não tenha assim tantos amigos, mas considero que tenho os suficientes. e tendo poucos, posso dedicar-lhes mais atenção. nomeadamente a um, a quem eu acho que estou a dever algum reconhecimento e gratidão. e ele, se ler isto, saberá perfeitamente que tou a falar dele. pronto, se não chegar lá, eu dou uma pista (grão mestre bar - atenção, não ler as duas últimas palavras muito rápido).
e é isto, acho que estava a dever algo a este espaço, um pouco de mim, e assim alimentei um bocadito este verdadeiro "monstro" de blog, extremamente lido na Mongólia e no Tibete (só que eles não sabem escrever em português para deixarem comentários), muito mais do que o blog do Pacheco Pereira. os tipos da NASA também não paravam de me chatear para eu escrever. há coisas de que eles sentem mesmo falta quando saem deste planeta...
interessa agora apenas o futuro, não o passado, nem o presente. isto porque vou estar de férias uma semana e este espaço vai ficar mais uma vez sem actualização assídua. vai ser uma semana inteirinha sem olhar para um raio de um monitor, esse "bicho" que me está diariamente a "comer" os olhos...
peço paciência ao meu séquito de admiradores (que são para aí, sem exagero, uns 2...), mas prometo voltar cheio de energia, no dia 17 de Abril, com novas depressões, neuras acabadinhas de criar e aquele tipo de humor que ja granjeou fama por toda a zona leste da despensa de minha casa.
convido-os a visitarem amiúde o blog da minha parceira de blog, esse autêntico diamante por talhar e polir, desde que um verdadeiro admirador de pedras preciosas a encontre; caso contrário, o diamante pode partir-se...
confesso que, agora que comecei a escrever, até me apetecia continuar aqui mais um bocado, a tentar recuperar o tempo perdido. ultimamente a minha vida tem sido bastante interessante: os meus filhos fizeram anos, no mesmo dia (27 de Março), mas não são gémeos (têm 6 anos de diferença); estive com amigos de longe, que só vejo uma ou duas vezes por ano, e foi muito bom aferir que as coisas continuam bastante sólidas e que a amizade está mais forte do que nunca; entretanto novas amizades continuam a construir-se, outras foram-se desvanecendo, etc.. é este o ciclo da vida... people come and people go, resta-nos ter o discernimento necessário para escolhermos bem as que queremos que fiquem e, por outro lado, escolher devidamente as palavras para dizer àquelas que, definitivamente, não nos interessam. é a verdade nua e crua, sem rodeios. é isto mesmo. talvez por isso não tenha assim tantos amigos, mas considero que tenho os suficientes. e tendo poucos, posso dedicar-lhes mais atenção. nomeadamente a um, a quem eu acho que estou a dever algum reconhecimento e gratidão. e ele, se ler isto, saberá perfeitamente que tou a falar dele. pronto, se não chegar lá, eu dou uma pista (grão mestre bar - atenção, não ler as duas últimas palavras muito rápido).
e é isto, acho que estava a dever algo a este espaço, um pouco de mim, e assim alimentei um bocadito este verdadeiro "monstro" de blog, extremamente lido na Mongólia e no Tibete (só que eles não sabem escrever em português para deixarem comentários), muito mais do que o blog do Pacheco Pereira. os tipos da NASA também não paravam de me chatear para eu escrever. há coisas de que eles sentem mesmo falta quando saem deste planeta...
quinta-feira, março 16, 2006
marjorie fair
quem segue este blog ficou a saber que ontem eu estava com uma neura desgraçada, aliada a uma grande dor de cabeça, provavelmente provocada pelo estúpido do meu monitor Mac, que decidiu ficar verde claro de repente. há coisas que inexplicavelmente nos colocam na pior das depressões, em que até nem sentimos forças para sair dela, só nos apetece ficar quietinhos a contemplar o vazio, o nada, sem pensar, sem sentir, sem... pois bem, alguma coisa de bom haveria de surgir disto tudo, acredito que quando temos um dia mau, o dia seguinte vai ser bom a dobrar. não sei explicar porquê, mas hoje levantei-me a pensar nisso e com esse espírito. e não me enganei. o meu monitor continua da cor do shrek, os olhos ardem só de olhar para lá, mas que diabo, aconteceu algo de bom, de muito bom mesmo. tenho finalmente em meu poder o album mais ansiado: marjorie fair - "self help serenade". quem me arranjou tal pérola foi outra pérola, uma pessoa que vem atestar e comprovar aquele velho ditado "mais vale tarde do que nunca", porque partilhávamos o mesmo meio, sem nunca termos perdido tempo a partilhar as nossas mentes um com o outro. agora que o fazemos, até se encontram vários pontos de vista comuns, o que se torna agradável, na medida em que são passadas muitas horas na sua companhia. ja lhe agradeci e fiz uma lista extensa das coisas que lhe fico a dever até ao fim dos meus dias, pelo favor que me fez.
pois bem... marjorie fair! que dizer? se eu tivesse talento, se fosse músico, letrista, compositor, era este tipo de música que eu faria. estão aqui verdadeiras preciosidades musicais, como "Stare" (cuja letra coloco por ser quase autobiográfica, nesta altura), "Don't believe", "Please don't", "Silver Gun", "Halfway House" e "Stand in the World". os temas parecem fundir-se num só, num ambiente bucólico de longos relvados, flores, arvores e sol. muito sol, porque as músicas aquecem-nos a alma, revitalizam-nos o espírito, andam na nossa cabeça o dia todo, em pequenos extractos que ainda não conseguimos juntar numa música. já tinha feito o convite para irem ao my space ouvir 4 musicas do disco (está lá o "Stare", por exemplo). agora fica o registo do quão agradável é ouvir o album todo e sorrir, sentir os raios de sol a invadir-nos e imaginarmo-nos na companhia perfeita, no cenário perfeito, ao som de verdadeiras e pungentes músicas.
Stare
these are things I feel but dont want to say
incase you feel that way
these are things I know but dont want to say
incase you feel that way
I'll wait another dayI can never change
cause the pain just makes me want to stare
at the same things I saw before
thinking there's something more
god it's a lonely place
I will never know how you feel
about the things I think about
will I get a chance to make up to you
the things I kept from you
you know I wanted toI can never change
the pain just makes me want to stare
at the same things I saw before
thinking that something's wrong
god it's a lonely place
say the same things you said before
wanting you even more
god it's a lonely place
I can never change
the pain just makes me want to stare
at the same things I saw before
thinking theres something wrong
god it's a lonely place
say the same things you said before
wanting you even more
god it's a lonely place
pois bem... marjorie fair! que dizer? se eu tivesse talento, se fosse músico, letrista, compositor, era este tipo de música que eu faria. estão aqui verdadeiras preciosidades musicais, como "Stare" (cuja letra coloco por ser quase autobiográfica, nesta altura), "Don't believe", "Please don't", "Silver Gun", "Halfway House" e "Stand in the World". os temas parecem fundir-se num só, num ambiente bucólico de longos relvados, flores, arvores e sol. muito sol, porque as músicas aquecem-nos a alma, revitalizam-nos o espírito, andam na nossa cabeça o dia todo, em pequenos extractos que ainda não conseguimos juntar numa música. já tinha feito o convite para irem ao my space ouvir 4 musicas do disco (está lá o "Stare", por exemplo). agora fica o registo do quão agradável é ouvir o album todo e sorrir, sentir os raios de sol a invadir-nos e imaginarmo-nos na companhia perfeita, no cenário perfeito, ao som de verdadeiras e pungentes músicas.
Stare
these are things I feel but dont want to say
incase you feel that way
these are things I know but dont want to say
incase you feel that way
I'll wait another dayI can never change
cause the pain just makes me want to stare
at the same things I saw before
thinking there's something more
god it's a lonely place
I will never know how you feel
about the things I think about
will I get a chance to make up to you
the things I kept from you
you know I wanted toI can never change
the pain just makes me want to stare
at the same things I saw before
thinking that something's wrong
god it's a lonely place
say the same things you said before
wanting you even more
god it's a lonely place
I can never change
the pain just makes me want to stare
at the same things I saw before
thinking theres something wrong
god it's a lonely place
say the same things you said before
wanting you even more
god it's a lonely place
quarta-feira, março 15, 2006
neura
Desfaço-me em dúvidas,
multiplico-me em conjecturas.
Suavemente escureço.
Conscientemente, entrego-me,
cansado de pensar luas cheias,
farto de porejar ocasos solares,
fatigado de brotar tulipas e girassóis.
Recolho agora os mil pedaços
desta fragmentado ser,
esmigalhado na sua pequenez,
absorvido pelo pensamento reinante
ao qual a minha voz não se sobrepôs.
Quero que a noite caia depressa
e me proteja na sua escuridão;
hoje o meu espírito só espalha trevas,
as sombras invadiram o meu corpo,
sinto uma leveza inerte,
uma indolência gritante,
como se uma faca me rasgasse o peito
e em vez de dor, sangue e lágrimas
dele saísse apenas... poeira.
Suavemente escureço...
multiplico-me em conjecturas.
Suavemente escureço.
Conscientemente, entrego-me,
cansado de pensar luas cheias,
farto de porejar ocasos solares,
fatigado de brotar tulipas e girassóis.
Recolho agora os mil pedaços
desta fragmentado ser,
esmigalhado na sua pequenez,
absorvido pelo pensamento reinante
ao qual a minha voz não se sobrepôs.
Quero que a noite caia depressa
e me proteja na sua escuridão;
hoje o meu espírito só espalha trevas,
as sombras invadiram o meu corpo,
sinto uma leveza inerte,
uma indolência gritante,
como se uma faca me rasgasse o peito
e em vez de dor, sangue e lágrimas
dele saísse apenas... poeira.
Suavemente escureço...
quinta-feira, março 09, 2006
patriotismo encarnado
A vitória, de ontem, do Benfica, em Liverpool, contra o actual campeão europeu, e todo o mediatismo daí decorrente, facilmente confundido com a exaltação patriota vivida aquando do Euro 2004, veio provar que somos mesmo "pequeninos". tanta coisa só porque uma equipa nacional foi vencer ao terreno do colosso europeu Liverpool? que me lembre, nem quando o FC Porto foi campeão europeu se fez tanto alarido, ou mesmo quando venceu a Taça UEFA. é futebol, a bola é a mesma para as duas equipas, jogam 11 homens contra outros tantos, as regras são iguais para todos, porque raio é que era assim tão impensável o Benfica lá ir ganhar? e não me venham falar em orçamentos milionários e jogadores a ganhar muito mais que os "nossos", porque eles também têm o mesmo número de pernas, de braços, de cabeças, de pés, que os "pobrezinhos" jogadores do Benfica. a questão fulcral nesta matéria é que... foi o Benfica, e o Benfica, a par da Amália e do Fado, é uma instituição nacional. até o governo de Sócrates veio beneficiar do facto de o Benfica ter conquistado o título na época passada, o país ficou mais aliviado, mais alegre; o facto de o governo ser bom ou mau passou a ser irrelevante. quando ouço, como ouvi hoje, enquanto almoçava, conversas do tipo: "está a ver ó senhor Saraiva, somos pequeninos mas fomos ganhar ao campeão europeu, caramba. mostramos aos ingleses que em portugal também se joga futebol". pois, eles já deviam desconfiar disso há uns tempos, há anos que participamos em competições europeias e temos campeonatos nacionais todos os anos. mas este tipo de comentário atesta o nosso sentimento de "inferioridade" e pequenez. já quando o tiago monteiro, na fórmula 1, ficou em terceiro lugar, numa corrida em que só participaram 6 carros, o país ficou eufórico, porque era a primeira vez que um português subia ao pódio naquela modalidade automobilística. que diabo, ficou no meio da tabela!... em seis, ficou em terceiro. uau! brilhante. mas nós somos assim, contentamo-nos com o razoável, em vez de exigirmos o perfeccionismo. parece que entramos sempre nas provas europeias, independentemente da modalidade, para ficar mesmo a meio da tabela, não fazer muito alarido e sairmos de mansinho, sem que ninguém dê por nós. mais recentemente, veio um nigeriano, naturalizado português, estragar-nos os planos, no atletismo. Francis Obikwelu tornou-se herói nacional por ter ficado... em terceiro lugar nos 100 metros, e agora até entra em anúncios televisivos, como aconteceu com o Pedro Lamy, o nosso primeiro piloto a pontuar numa prova de fórmula 1. o povinho precisa de heróis, mesmo aqueles que fazem barbaridades ao seu próprio corpo, como o João Garcia, quando subiu o Evereste. não tem nariz, nem pontas dos dedos, mas... também conseguiu sacar o seu anúncio televisivo. a rosa mota, o carlos lopes, o futre, o cristiano ronaldo, o figo, todos eles tiveram direito ao seu anúncio televisivo. são facilmente reconhecíveis pela maior parte da população nacional. seria difícil de imaginar um anúncio da nike com o miguel esteves cardoso, ou um da coca-cola com o miguel sousa tavares. a maior parte das pessoas não os reconheceria como "heróis nacionais" (no caso do sousa tavares, a maior parte das pessoas deixaria de comprar coca-cola..., mormente os benfiquistas e sportinguistas).
isto tudo faz-me pensar que se Jorge Sampaio só cedesse o seu lugar na Presidência da República 24 horas depois do previsto, ou seja, amanhã, dia 10, ainda teria tempo para condecorar toda a comitiva benfiquista e despedir-se, assim, em paz, aos ombros, ao som de "ele é um bom presidente, pois ele é um bom presidente (...) e ninguém o pode negar". até o povo de canas de senhorim o perdoava...
caramba, ó sampaio, eram só mais 24 horas e resolvias tudo...
isto tudo faz-me pensar que se Jorge Sampaio só cedesse o seu lugar na Presidência da República 24 horas depois do previsto, ou seja, amanhã, dia 10, ainda teria tempo para condecorar toda a comitiva benfiquista e despedir-se, assim, em paz, aos ombros, ao som de "ele é um bom presidente, pois ele é um bom presidente (...) e ninguém o pode negar". até o povo de canas de senhorim o perdoava...
caramba, ó sampaio, eram só mais 24 horas e resolvias tudo...
quarta-feira, março 08, 2006
musica 2006
2006 vai ficar certamente conhecido como um ano de excelente música, em virtude dos vários lançamentos previstos de novas bandas, regressos ansiados de vários grupos e, inclusivamente, a formações originais de verdadeiros ícones da década de 80. quem sabe se tudo isto não será para compensar a pobreza, a parolice que é a programação do Rock in Rio previsto para este ano. comecemos, então, pelos regressos ansiados, que são vários:
Portishead - Aural Velvet - 9 anos depois do ultimo album de originais. duas músicas deste novo trabalho podem ser escutados na página da banda no my space (http://www.myspace.com/portisheadalbum3);
até ao final do verão ainda poderemos saudar os novos trabalhos dos Air, R.EM., Massive Attack (Weather Underground - colectânea), Blur e Prodigy.
mas os regressos mais desejados guardei-os para o fim: Radiohead, Flaming Lips e The Czars. duas das minhas bandas preferidas vão lançar novos trabalhos brevemente. o dos flaming lips tem o nome "A war with the mystics" e algumas músicas também se encontram já no my space da banda. quando aos radiohead a informação é mais escassa, aqui o secretismo impera, para não haver fugas de sons para a internet. o novo disco dos The Czars chama-se "Sorry I made you cry" e se for tão bom como os anteriores... continuam a cimentar o lugar de destaque que têm na minha lista de preferências.
dentro do panorama das novas bandas, em 2006 vamos ter novos albuns de originais dos Interpol, essa excelente banda, cujo segundo album ultrapassou mesmo o brilhantismo do primeiro, The Killers, Bloc Party, Arcade Fire (a grande revelação de 2005), The Bravery, The Stills (Without Feathers), Patrick Wolf e o disco de estreia dos The Upper Room.
faltam apenas os regressos de alguns "catedráticos", como The Cure, novo album de originais (ainda hão-de chegar aos 30 discos e aos 30 anos de carreira, começaram em 1979). os Roxy Music também vão ter novo disco, com a formação original, tal como os Duran Duran. os Pixies são outra das bandas "vintage" que vêm sair novo album em 2006.
por último, as minha apostas: My Morning Jacket (http://www.myspace.com/mymorningjacket). o novo album chama-se "Z" e no endereço em cima podem ouvir duas musicas dele, bem como mais outras duas musicas de trabalhos anteriores. uma delas é o belíssimo tema "Bermuda Highway", que eu bem tento colocar neste blog, mas não consigo. o outro projecto chama-se Marjorie Fair, tendo o album de estreia o nome de "Self Help Serenade". também no my space (http://www.myspace.com/marjoriefair) poderão ouvir 4 deliciosas músicas deste disco.
boas audições...
Portishead - Aural Velvet - 9 anos depois do ultimo album de originais. duas músicas deste novo trabalho podem ser escutados na página da banda no my space (http://www.myspace.com/portisheadalbum3);
até ao final do verão ainda poderemos saudar os novos trabalhos dos Air, R.EM., Massive Attack (Weather Underground - colectânea), Blur e Prodigy.
mas os regressos mais desejados guardei-os para o fim: Radiohead, Flaming Lips e The Czars. duas das minhas bandas preferidas vão lançar novos trabalhos brevemente. o dos flaming lips tem o nome "A war with the mystics" e algumas músicas também se encontram já no my space da banda. quando aos radiohead a informação é mais escassa, aqui o secretismo impera, para não haver fugas de sons para a internet. o novo disco dos The Czars chama-se "Sorry I made you cry" e se for tão bom como os anteriores... continuam a cimentar o lugar de destaque que têm na minha lista de preferências.
dentro do panorama das novas bandas, em 2006 vamos ter novos albuns de originais dos Interpol, essa excelente banda, cujo segundo album ultrapassou mesmo o brilhantismo do primeiro, The Killers, Bloc Party, Arcade Fire (a grande revelação de 2005), The Bravery, The Stills (Without Feathers), Patrick Wolf e o disco de estreia dos The Upper Room.
faltam apenas os regressos de alguns "catedráticos", como The Cure, novo album de originais (ainda hão-de chegar aos 30 discos e aos 30 anos de carreira, começaram em 1979). os Roxy Music também vão ter novo disco, com a formação original, tal como os Duran Duran. os Pixies são outra das bandas "vintage" que vêm sair novo album em 2006.
por último, as minha apostas: My Morning Jacket (http://www.myspace.com/mymorningjacket). o novo album chama-se "Z" e no endereço em cima podem ouvir duas musicas dele, bem como mais outras duas musicas de trabalhos anteriores. uma delas é o belíssimo tema "Bermuda Highway", que eu bem tento colocar neste blog, mas não consigo. o outro projecto chama-se Marjorie Fair, tendo o album de estreia o nome de "Self Help Serenade". também no my space (http://www.myspace.com/marjoriefair) poderão ouvir 4 deliciosas músicas deste disco.
boas audições...
sexta-feira, março 03, 2006
os prémios americanos
no próximo domingo haverá novamente entrega de óscares, mais uma chance que os actores, produtores, realizadores têm de pagar favores uns aos outros. este ano, a lista de nomeados "fugiu" um pouco dos blockbusters sazonais para dar lugar a filmes mais modestos em termos de orçamento, mas certamente mais ricos em argumento. mesmo assim, de ano para ano, criam-se sempre lobbys que privilegiam uns e negligenciam outros. é o verdadeiro sistema de hollywood, em que, tal como no resto do mundo, em qualquer sociedade, ocidental ou oriental, para se "vencer" há sempre que se saber "vender". um bom actor não se pode limitar a ser um bom actor, tem que ir a festas, engraxar produtores, convidar outros actores para jantares, promover campanhas de solidariedade, etc.. tudo isto somado, para conseguir chegar a algum lado, um actor tem que ser verdadeiramente actor 24 horas por dia, excepto, claro está, os chamados "monstros sagrados" como um jack nicholson, robert de niro, al pacino, meryl streep, entre outros, que já granjearam tanto prestígio que lhes permite serem uns arrogantes de primeira apanha. os outros têm mesmo que passar pelo processo todo, de casting em casting, de festa em festa, de engraxadela em engraxadela, até conseguirem chegar a um patamar mais elevado, quem sabe até mesmo a uma nomeação para os Óscares... aí sim, vem o reconhecimento por toda aquela trabalheira que foi vestir a pele de "lambe-botas", mais até do que pela sua verdadeira vocação artística. a comunidade cinematográfica entende que o esforço que esse actor fez, a nível humano, de relacionamento social, foi o suficiente para lhe fazerem esse obséquio, essa condescendência. e nas semanas que antecedem a votação propriamente dita é que esse "relacionamento humano" é mesmo posto à prova. há que "trabalhar" muito bem os membros da academia, gastar caixas industriais de graxa, organizar festas com muita imprensa à mistura, para fazer passar a mensagem que de facto o actor é um tipo porreiraço, bem disposto, um mãos largas, que merece, sem dúvida nenhuma, o Óscar. o papel que interpreta? "bem, realmente agora não me estou muito bem a lembrar do filme, mas que diabo, ele merece a estatueta!". para mim, os Óscares, o fascínio que exercia, as noites em branco a ver tudo pela televisão, morreram na edição de 1990, quando se assistiu à maior injustiça até hoje perpetrada. concorriam para melhor actor principal Kevin Costner (Danças com Lobos), Richard Harris (The Field), Robert De Niro (Awakenings), Jeremy Irons (Reversal of Fortune) e Gérard Depardieu (Cyrano de Bergerac). Costner ganharia nessa noite a estatueta para melhor filme e melhor realizador (logo no seu primeiro filme como realizador, o que eu também não entendo... se pensarmos que Martin Scorsese nunca ganhou nenhum...), mas não venceu nesta categoria. Harris era uma hipótese muito remota. De Niro e Depardieu eram os grandes candidatos. Em Awakenings, Robert De Niro tem uma interpretação fabulosa, uma das melhores da sua carreira, e, em Cyrano de Bergerac, Gérard Depardieu é simplesmente assombroso, notável, brilhante, o filme É ele e ele É o filme, basicamente. apoiante de Depardieu nessa noite dos Óscares, nem me importava muito que ele perdesse para De Niro, que também merecia. mas quem venceu foi Jeremy Irons, em Reversal of Fortune, numa interpretação a roçar a banalidade, na pele de um barão aristocrata. a injustiça custou a engolir, mas nessa altura, nos meus inocentes 18 anos, desconhecia ainda as campanhas de valorização pessoal que revertiam em estatuetas, em detrimento do valor artístico. e mais: nessa altura, a imprensa americana, temente que o Óscar de melhor actor fosse parar a um "patético francês gordo", engendrou uma verdadeira campanha anti-Depardieu, relatando histórias da sua juventude, metendo prostitutas, sexo e deboche ao barulho. o chauvinismo americano prevaleceu sobre o francês, que quando chegou à cerimónia já tinha quase a certeza que ia perder. entretanto, na Europa, o filme coleccionava prémios atrás de prémios, e Depardieu tinha o reconhecimento que lhe era devido. já lá vão 16 anos e, para além de não me esquecer desta obra maquiavélica americana, nunca mais tornei a ver, num filme, uma interpretação tão poderosa, tão marcante, como a de Depardieu, numa película apaixonante, verdadeira apologia romântica, que, pasme-se, nem sequer venceu na categoria de melhor filme estrangeiro. mas isto, vindo do país que estraçalhou um outro só porque pensou que este tinha armas de destruição maciça, não admira assim muito. os Óscares não premeiam arte, mas sim pessoas. de preferência... americanas.
quinta-feira, março 02, 2006
a luz
sobre uma onda calma e escura,
onde dormem as estrelas,
ela flutua lentamente como um anjo.
quando sorri o sol volta a nascer, envergonhado,
o vento beija as suas faces, respeitosamente,
e murmura o seu romance à brisa da noite.
os seus cabelos estendem-se pelo mar
e as ondas acalmam-se em reverência.
as suas palavras são sons celestiais,
envoltas no mais cristalino azul dos céus,
vindas de um espírito imaculado e puro
que mil poetas já tentaram descrever
em outros tantos inspirados sonetos.
o seu coração é demasiado doce
para navegar em tantas marés negras,
que em tempos lhe dilaceraram a alma,
e despedaçaram o sorriso.
agora renasceu, aprendeu novamente a voar
e a estender-se para os céus,
para, ao lado das mais cintilantes estrelas,
iluminar os meus mais sombrios dias.
onde dormem as estrelas,
ela flutua lentamente como um anjo.
quando sorri o sol volta a nascer, envergonhado,
o vento beija as suas faces, respeitosamente,
e murmura o seu romance à brisa da noite.
os seus cabelos estendem-se pelo mar
e as ondas acalmam-se em reverência.
as suas palavras são sons celestiais,
envoltas no mais cristalino azul dos céus,
vindas de um espírito imaculado e puro
que mil poetas já tentaram descrever
em outros tantos inspirados sonetos.
o seu coração é demasiado doce
para navegar em tantas marés negras,
que em tempos lhe dilaceraram a alma,
e despedaçaram o sorriso.
agora renasceu, aprendeu novamente a voar
e a estender-se para os céus,
para, ao lado das mais cintilantes estrelas,
iluminar os meus mais sombrios dias.
quarta-feira, março 01, 2006
e que tal um café?
"temos que tomar um café um dia destes". é das frases que mais ouvimos e mais dizemos, já maquinalmente, como se fosse um "até logo" ou um "até amanhã". "tomar um café", o que há de especial em tomar um café com alguém? e porquê café e não um frisumo, uma meia de leite ou um licor beirão? encontramos alguém na rua, que já não vemos há algum tempo, e quando começamos a ver que já não há tempo suficiente para meter todos os meses que entretanto passaram nos dez minutos que temos, lá vem a solução: temos que tomar um café um dia destes. e para quê? para continuarmos a nossa conversa. acho que nas últimas 10 vezes que disse isto, só fui realmente tomar café com o meu interlocutor uma vez, duas no máximo. pensando bem, "temos que tomar um café um dia destes" também é uma boa forma de "despacharmos" alguém, sem ficarmos com peso na consciência, porque estamos a propor um novo encontro com essa pessoa, embora, secretamente, saibamos que não vamos combinar nada a sério e que aquela encenação toda é simplesmente para dizer: "ok, já não te via há muito tempo mas também não tive assim tantas saudades tuas, ao ponto de perder mais 10 minutos contigo". e o tempo é tão precioso! para quê desperdiçá-lo com um tipo que a única coisa que tem em comum contigo foi ter vivido na mesma terra que tu durante uns anos? ou um outro que era amigo de um amigo? como jerry seinfeld preconiza num episódio de "Seinfeld", a vida devia ser um talk show, em que recebíamos as pessoas que nos conhecem, mas teríamos sempre tempo limite para a conversa. "Tenho muita pena, gostaria de ficar aqui mais um bocado a falar contigo, mas o tempo não o permite e vamos ter que sair para publicidade. fique por aí, já a seguir teremos o paulo dias, da nossa turma no 8º ano do liceu". e quando estamos sorrateiramente e educadamente a tentar "sair" de um conversa e a outra pessoa se agarra à nossa mão, durante o aperto de mão de despedida, como se disso dependesse a sua vida? e nós já vamos no nosso 18º "então vá, até amanhã", ou no 13º "depois a gente fala", e nada. continuamos a ouvir o mesmo relato sobre as férias na serra da estrela, as infiltrações na casa nova, o spread bancário, as taxas de juro, etc.. onde é que está o comando remoto?? fast forward e estava tudo resolvido. se ao menos fosse tudo assim tão simples...
mas felizmente também há o reverso da medalha, ou seja, pessoas com quem acontece exactamente o inverso. nestes casos utilizariamos o controlo remoto para fazer um pause ou um slow motion, para o tempo passar mais devagar. e aqui sim, a frase "temos que tomar um café um dia destes" ganha todo o sentido, porque de facto queremos MESMO ir tomar café com essa pessoa, porque é todo um processo: o encontro no café, o atendimento, o pedido (normalmente, para o empregado, é totalmente irrelevante se pedirmos o café curto, porque ele traz sempre o café da mesma maneira, a cerca de 70 a 90% da chavena, por isso pedi-lo causa-lhe tanto impacto como dizer-lhe "a escola cinematográfica húngara dominou parte do século vinte em termos de efeitos visuais"), a espera, o açucar, mexer durante 20 minutos e ficar à conversa 2 horas. isto sim, é ir "tomar um café". com os exemplos referidos no parágrafo anterior, se tivéssemos MESMO que ir tomar café com eles, seria ao balcão e demoraria o mesmo que um anúncio da vodafone. já tomei cafés, descafeinados, chocolates quentes, capuccinos e meias de leite com pessoas muito interessantes, em que a conversa fluiu sempre de forma escorreita, sem pausas embaraçosas e em que há conhecimentos e referências suficientes para sustentares as tuas opiniões, ouvires outras, contrapores, fazeres valer o teu físico para impores sem margem para dúvidas a tua opinião (esta é a brincar, claro!), mandar piadas e receber sorrisos. e isso é tão importante caramba, sentir essa sintonia, esse "clic", essa partilha. para estas pessoas ainda tenho guardados mais uma centena de "temos que tomar um café um dia destes". e espero que elas aceitem, claro...
mas felizmente também há o reverso da medalha, ou seja, pessoas com quem acontece exactamente o inverso. nestes casos utilizariamos o controlo remoto para fazer um pause ou um slow motion, para o tempo passar mais devagar. e aqui sim, a frase "temos que tomar um café um dia destes" ganha todo o sentido, porque de facto queremos MESMO ir tomar café com essa pessoa, porque é todo um processo: o encontro no café, o atendimento, o pedido (normalmente, para o empregado, é totalmente irrelevante se pedirmos o café curto, porque ele traz sempre o café da mesma maneira, a cerca de 70 a 90% da chavena, por isso pedi-lo causa-lhe tanto impacto como dizer-lhe "a escola cinematográfica húngara dominou parte do século vinte em termos de efeitos visuais"), a espera, o açucar, mexer durante 20 minutos e ficar à conversa 2 horas. isto sim, é ir "tomar um café". com os exemplos referidos no parágrafo anterior, se tivéssemos MESMO que ir tomar café com eles, seria ao balcão e demoraria o mesmo que um anúncio da vodafone. já tomei cafés, descafeinados, chocolates quentes, capuccinos e meias de leite com pessoas muito interessantes, em que a conversa fluiu sempre de forma escorreita, sem pausas embaraçosas e em que há conhecimentos e referências suficientes para sustentares as tuas opiniões, ouvires outras, contrapores, fazeres valer o teu físico para impores sem margem para dúvidas a tua opinião (esta é a brincar, claro!), mandar piadas e receber sorrisos. e isso é tão importante caramba, sentir essa sintonia, esse "clic", essa partilha. para estas pessoas ainda tenho guardados mais uma centena de "temos que tomar um café um dia destes". e espero que elas aceitem, claro...
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
going down with something
quando adoecemos parece que todo o peso do mundo nos cai na cabeça. não nos apetece fazer nada, o mundo lá fora mostra-se demasiado agressivo para o nosso debilitado corpo, andamos constantemente a queixar-nos das dores (mesmo quando não está ninguém na mesma divisão ou mesmo em casa), colocamos o nosso ar mais miserável, como se tivessemos recebido a notícia que só tinhamos mais dois meses de vida; só apetece mesmo estar deitado na cama ou no sofá, com montes de cobertores em cima, a ver filmes ou a programação estupidificante das matinés televisivas (também a nossa mente está tão cansada que aquilo até vem mesmo a calhar, para não termos de pensar muito). mas também existe um lado positivo, já que neste estado ninguém espera verdadeiramente nada de nós, apenas que tomemos os comprimidos todos à hora certa. em suma, desliga-se o cérebro e espera-se que venha alguém dar-nos mimo, muito miminho, especialmente se for com aquele ar de compaixão, terno e preocupado, em vez do semblante carregado e "invejoso", cuja verdadeira máxima é: "eu ao menos nunca fico doente, que raio de sorte a minha". no fundo as pessoas têm inveja de quem fica doente, porque quem o está tem sempre as atenções todas, pode faltar ao trabalho, ficar deitadinho o dia inteiro sem ajudar lá em casa, etc.. o "problema" é que nunca temos "nada de especial", como um tumor nos rins ou uma encefalite aguda, que provoque nas outras pessoas uma preocupação especial pelo sofrimento que estamos a passar. quando nos perguntam o que temos e ouvem como resposta "é uma gripe", lá vem o comentário jocoso: "ai isso não é nada, tomas uns comprimidos que eu tomei e ficas fino em 24 horas". (é estranho, mas toda a gente que conhecemos nos recomenda uma marca de comprimidos diferente...) ou seja, uma simples gripe pode deitar-nos completamente abaixo, por causa das dores, dos espirros, da fraqueza, mas tudo isto não é suficiente para "convencer" alguém a preocupar-se connosco. não se recebem visitas lá em casa, ninguém nos traz flores, nada... e há até pessoas que no dia seguinte se esquecem de nos perguntar se já estamos melhores. enfim, lá está, se fosse uma pedra nos rins... toda a gente se preocupava, vinham as estações de televisão, especialmente a TVI, caso suspeitasse de negligência médica, o presidente da república ainda nos arranjava uma medalha (já tem poucas, visto que já só falta condecorar o emanuel e a micaela) e condecorava-nos, dando-nos finalmente o reconhecimento devido, em virtude do nosso sofrimento.
é mesmo chato estar doente e ninguém nos ligar nada, porque é "apenas" uma mera, mesquinha, simples, ridícula, mísera, insignificante gripe. porra.
é mesmo chato estar doente e ninguém nos ligar nada, porque é "apenas" uma mera, mesquinha, simples, ridícula, mísera, insignificante gripe. porra.
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
serenidade
era tão serena aquela tarde, somente o som e a espuma das ondas
como carícias meigas de mãos puras.
o calor doce envolvia-nos numa cumplicidade silenciosa,
apenas os nossos olhos teimavam em se encontrar,
em detrimento daquela imponente imagem de pôr do sol.
ao longe não se erguiam adamastores tétricos
nem se previam tempestades,
antes se desenhava um horizonte longínquo de dominante azul
em perfeito contraste com o laranja do sol.
a praia, de areias açucaradas,
beijada por uma irresistível mansidão líquida,
estende-se até aos confins do olhar.
a natureza conversava entre murmúrios de amor,
namorando-se e amando-se na concretização das paixões eternas,
ciciando juras que mais ninguém deve escutar.
nos nossos rostos rasgavam-se inocentes sorrisos,
os nossos olhares encontravam-se no emaranhado da nossa timidez.
assim ficámos até o último raio de sol desaparecer,
as palavras não passaram de meros esboços,
receosas perante a invisibilidade de uma emoção
ou a aspereza de um instinto nocivo.
as letras são os tons da nossa alma,
da nossa força ou da nossa fraqueza.
nesse fim de tarde sereno imperou o olhar,
contemplativo, de pura adulação,
tornado desespero, como quem sabe que um prazer vai acabar,
ou alguém, que amamos, parte sem nós!
como carícias meigas de mãos puras.
o calor doce envolvia-nos numa cumplicidade silenciosa,
apenas os nossos olhos teimavam em se encontrar,
em detrimento daquela imponente imagem de pôr do sol.
ao longe não se erguiam adamastores tétricos
nem se previam tempestades,
antes se desenhava um horizonte longínquo de dominante azul
em perfeito contraste com o laranja do sol.
a praia, de areias açucaradas,
beijada por uma irresistível mansidão líquida,
estende-se até aos confins do olhar.
a natureza conversava entre murmúrios de amor,
namorando-se e amando-se na concretização das paixões eternas,
ciciando juras que mais ninguém deve escutar.
nos nossos rostos rasgavam-se inocentes sorrisos,
os nossos olhares encontravam-se no emaranhado da nossa timidez.
assim ficámos até o último raio de sol desaparecer,
as palavras não passaram de meros esboços,
receosas perante a invisibilidade de uma emoção
ou a aspereza de um instinto nocivo.
as letras são os tons da nossa alma,
da nossa força ou da nossa fraqueza.
nesse fim de tarde sereno imperou o olhar,
contemplativo, de pura adulação,
tornado desespero, como quem sabe que um prazer vai acabar,
ou alguém, que amamos, parte sem nós!
terça-feira, fevereiro 07, 2006
introspecção
respondendo ao "desafio" lançado pela cláudia, no seu blog devaneios da cor do céu, aqui fica o exame do meu estado de consciência:
O que me define:
O Tempo. Frio, chuva, lareira, musica, adormecer os filhos, cafe, cobertor, filme, conversa agradável, adormecer acompanhado. Sol, primavera, parque, relvado, os meus filhos, a minha mulher, regressar a casa, lanchar. acho que consigo ser extrovertido e alegre, como um dia de sol; mas também sorumbático e depressivo como um dia de nevoeiro ou de chuva. tento ser um bom pai, um bom marido, um bom filho, um bom amigo, mas para as pessoas se darem bem comigo têm necessariamente de compreender estes estados de espírito e a minha inconstância emocional. depois há o lado profissional e esse obriga-me a estar constantemente atento aos pormenores, de tal forma que só consigo descansar completamente a mente, ou seja, tirar o "trabalho" da cabeça, quando fecho as edições dos jornais. até lá, tenho 4 jornais na cabeça, pagino-os mentalmente, penso sempre que poderia alterar mais alguma coisa. só quando vai tudo na caixa para a tipografia é que descanso e, aí, volto a organizar o meu cérebro, da mesma forma que se arruma uma divisão lá em casa.
O que adoro:
gosto de me sentir apaixonado, seja por uma musica, por um filme ou por outra coisa qualquer. adoro adormecer a minha filha ao som de sigur ros, mark eitzel, red house painters ou the czars; de assistir diariamente à evolução natural da minha filha; do seu sorriso desarmante; de passear na rua de mão dada com o meu filho, do olhar meigo dele quando me quer pedir alguma coisa; de adormecer agarrado todos os dias à minha mulher; de saber que tenho um grande amigo, longe mas sempre perto, com quem posso falar sobre tudo, ir assistir a concertos memoráveis ou simplesmente vaguear por esse país fora, sem destino. mas também do menos etéreo, como andar à chuva. há dias senti mesmo necessidade, pura, de me deixar ficar na rua, à chuva, a olhar para o céu, a contemplar os fios de chuva. adoro ter conversas estimulantes com pessoas igualmente estimulantes, aquelas que nos fazem "crescer" espiritualmente e emocionalmente. gosto de escrever poemas quando sinto a inspiração bater-me à porta. gosto de olhar para o produto final do meu trabalho e sentir-me realizado. uma taça de mateus rosé fresco num dia de calor intenso, numa esplanada à beira mar. um capuccino num dia frio, com muito chantilly para comer à colherada, ao pé de uma lareira. um cachecol aconchegante num dia de inverno. uma piscina familiar no verão. serões com os amigos a jogar playstation.
O que me faz voar:
a inspiração. por vezes há músicas que "tocam" mesmo e provocam sentimentos tão belos que têm mesmo de ser registados, de alguma forma. as letras de algumas músicas, de alguns poemas, as palavras certas no momento exacto. ver o "cyrano de bergerac", apaixonar-me pela personagem e desejar ter pelo menos metade da sua eloquência. ouvir a minha filha dizer "papá". o sorriso imediato dela quando eu chego a casa. os elogios da minha mulher e dos meus amigos (quem não gosta de ouvir elogios?). saber que sou importante para algumas pessoas.
o "clic" que se dá quando estou a conhecer uma pessoa e descubro nela inúmeros pontos em comum comigo. a musica 10 do ultimo album dos sigur ros; a musica "bird guhl" dos antony and the johnsons. "rollercoaster", dos red house painters. "concentrate", dos the czars. "listen", dos lambchop. "paralyzed", dos ride. e clássicos como "save a prayer", dos duran duran, e "purple rain", do prince. a musica faz-me voar, sempre!
O que me quebra as asas:
sentir-me impotente quando os meus filhos estão doentes. quando desiludo alguém inadvertidamente. sentir-me defraudado quando elevo demasiado as expectativas.
hipocrisia, mentira, vaidade, mesquinhez, desconfiança, estupidez, ganância, as modas (consegue-se impingir tudo em portugal: d'zrt, zés cabras, margaridas rebelo pinto, telenovelas ocas. a máxima é: se é assim tão falado, nas televisões e nas rádios, é porque é bom. não se pensa pela própria cabeça), quando as pessoas querem ser mais do que aquilo que são.
Porque gosto de viver?
porque tenho tudo aquilo que sempre quis ter: família (mulher fantástica, filhos doces e lindos, pais atenciosos), amigos (poucos mas bons!) e realização profissional (nos jornais onde trabalho). quero ver, acima de tudo, os meus filhos a crescer e ajudá-los a ultrapassar todos os obstáculos e barreiras com que se vão confrontar eventualmente. porque quero ainda apaixonar-me por mais 300 musicas e mais 300 filmes. porque quero ver se algum dia vou ser capaz de escrever alguma coisa que faça sentido e de que me orgulhe o suficiente para me sentir realizado.
O que me define:
O Tempo. Frio, chuva, lareira, musica, adormecer os filhos, cafe, cobertor, filme, conversa agradável, adormecer acompanhado. Sol, primavera, parque, relvado, os meus filhos, a minha mulher, regressar a casa, lanchar. acho que consigo ser extrovertido e alegre, como um dia de sol; mas também sorumbático e depressivo como um dia de nevoeiro ou de chuva. tento ser um bom pai, um bom marido, um bom filho, um bom amigo, mas para as pessoas se darem bem comigo têm necessariamente de compreender estes estados de espírito e a minha inconstância emocional. depois há o lado profissional e esse obriga-me a estar constantemente atento aos pormenores, de tal forma que só consigo descansar completamente a mente, ou seja, tirar o "trabalho" da cabeça, quando fecho as edições dos jornais. até lá, tenho 4 jornais na cabeça, pagino-os mentalmente, penso sempre que poderia alterar mais alguma coisa. só quando vai tudo na caixa para a tipografia é que descanso e, aí, volto a organizar o meu cérebro, da mesma forma que se arruma uma divisão lá em casa.
O que adoro:
gosto de me sentir apaixonado, seja por uma musica, por um filme ou por outra coisa qualquer. adoro adormecer a minha filha ao som de sigur ros, mark eitzel, red house painters ou the czars; de assistir diariamente à evolução natural da minha filha; do seu sorriso desarmante; de passear na rua de mão dada com o meu filho, do olhar meigo dele quando me quer pedir alguma coisa; de adormecer agarrado todos os dias à minha mulher; de saber que tenho um grande amigo, longe mas sempre perto, com quem posso falar sobre tudo, ir assistir a concertos memoráveis ou simplesmente vaguear por esse país fora, sem destino. mas também do menos etéreo, como andar à chuva. há dias senti mesmo necessidade, pura, de me deixar ficar na rua, à chuva, a olhar para o céu, a contemplar os fios de chuva. adoro ter conversas estimulantes com pessoas igualmente estimulantes, aquelas que nos fazem "crescer" espiritualmente e emocionalmente. gosto de escrever poemas quando sinto a inspiração bater-me à porta. gosto de olhar para o produto final do meu trabalho e sentir-me realizado. uma taça de mateus rosé fresco num dia de calor intenso, numa esplanada à beira mar. um capuccino num dia frio, com muito chantilly para comer à colherada, ao pé de uma lareira. um cachecol aconchegante num dia de inverno. uma piscina familiar no verão. serões com os amigos a jogar playstation.
O que me faz voar:
a inspiração. por vezes há músicas que "tocam" mesmo e provocam sentimentos tão belos que têm mesmo de ser registados, de alguma forma. as letras de algumas músicas, de alguns poemas, as palavras certas no momento exacto. ver o "cyrano de bergerac", apaixonar-me pela personagem e desejar ter pelo menos metade da sua eloquência. ouvir a minha filha dizer "papá". o sorriso imediato dela quando eu chego a casa. os elogios da minha mulher e dos meus amigos (quem não gosta de ouvir elogios?). saber que sou importante para algumas pessoas.
o "clic" que se dá quando estou a conhecer uma pessoa e descubro nela inúmeros pontos em comum comigo. a musica 10 do ultimo album dos sigur ros; a musica "bird guhl" dos antony and the johnsons. "rollercoaster", dos red house painters. "concentrate", dos the czars. "listen", dos lambchop. "paralyzed", dos ride. e clássicos como "save a prayer", dos duran duran, e "purple rain", do prince. a musica faz-me voar, sempre!
O que me quebra as asas:
sentir-me impotente quando os meus filhos estão doentes. quando desiludo alguém inadvertidamente. sentir-me defraudado quando elevo demasiado as expectativas.
hipocrisia, mentira, vaidade, mesquinhez, desconfiança, estupidez, ganância, as modas (consegue-se impingir tudo em portugal: d'zrt, zés cabras, margaridas rebelo pinto, telenovelas ocas. a máxima é: se é assim tão falado, nas televisões e nas rádios, é porque é bom. não se pensa pela própria cabeça), quando as pessoas querem ser mais do que aquilo que são.
Porque gosto de viver?
porque tenho tudo aquilo que sempre quis ter: família (mulher fantástica, filhos doces e lindos, pais atenciosos), amigos (poucos mas bons!) e realização profissional (nos jornais onde trabalho). quero ver, acima de tudo, os meus filhos a crescer e ajudá-los a ultrapassar todos os obstáculos e barreiras com que se vão confrontar eventualmente. porque quero ainda apaixonar-me por mais 300 musicas e mais 300 filmes. porque quero ver se algum dia vou ser capaz de escrever alguma coisa que faça sentido e de que me orgulhe o suficiente para me sentir realizado.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
as duas faces da moeda
há decisões extremamente simples de tomar, preferências que assumem maior relevância sobre outras de menor interesse, tais como pedir uma água com ou sem gás, uma bola de berlim com creme ou sem creme, café ou descafeinado, bife bem ou mal passado, etc.. neste caso não é muito difícil tomar uma opção e tudo se resume a um simples "quero este" ou a um "não quero este".
tudo na vida deveria ser assim tão fácil, mas há decisões bem difíceis de tomar com que, volta e meia, somos confrontados. se uma escolha nos parece bem num determinado dia, ou momento, pode parecer errada no dia seguinte, até por uma mera questão de comodidade. pois bem, por esta ordem de ideias e para reforçar esta minha teoria, não há nada mais difícil do que termos de escolher entre duas pessoas, não querendo magoar nenhuma delas obviamente, e se torna complicado chegar a alguma conclusão facilmente. isto porque, não raras vezes, elas se complementam e têm traços de personalidade que nos cativam, que suplantam os defeitos. ou seja, essas duas pessoas juntas poderiam resultar no ser humano perfeito e no companheiro ideal para uma determinada pessoa. e então o que fazer? a sociedade diz-nos que é errado e censurável viver uma história de amor com duas ou mais pessoas, logo temos mesmo que nos decidir por uma delas ou, em casos mais infelizes, perder as duas. é o velho adágio "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar". quando não conseguimos encontrar, ou escolher, uma resposta, corremos mesmo o risco de ver dois pássaros a voar. se uma das pessoas é atenciosa, afável, carinhosa, mas tem um sentido de humor igual ao do Manuel Alegre, não perde os Malucos do Riso e os Batanetes e a única coisa que lê é o Auto-Motor e a Maria, por causa do horóscopo, é complicado. uma pessoa assim não nos "incentiva", não espicaça o intelecto, apesar de nos oferecer aconchego, carinho e atenção. mas falta o resto? e quem é que tem o resto? a outra pessoa, porque nos estimula o conhecimento, tem uma vertente cultural mais rica e desse factor até podemos "beber" alguma aprendizagem e crescermos intelectualmente. isto apesar de esta outra pessoa por vezes ser rude, azeda, indelicada e arrogante, que se esquece sistematicamente das datas importantes e recorre frequentemente a um mecanismo de defesa que não permite contemplar a pessoa amada com manifestações de carinho.
com qual destas pessoas é que queremos estar mais?
uma enche-nos de carinho, de amor, mas falta algo que tendemos a procurar noutro lado.
a outra enriquece-nos espiritualmente, mas falta algo que tendemos a procurar noutro lado.
o ideal mesmo era pegar nos dois cérebros, tirar a parte má de cada um deles e unir os lados bons, resultando tudo isto num cérebro ideal. é uma cirurgia a considerar num futuro próximo, deixo aqui a ideia, de graça, a todos os profissionais desse ramo.
mas ainda não encontramos a resposta para esta questão e conheço, pelo menos, uma pessoa que bem a queria saber. a minha solução parte de um princípio básico: as pessoas têm que estar em constante evolução, não podem estagnar, desligar o cérebro, vegetar na comodidade. a maior parte desse desiderato terá que pertencer à própria pessoa, mas terá que existir também algum incentivo no sentido de tornar mais imperceptíveis os "defeitos" e de fazer sobressair ainda mais as virtudes. em ambos os casos descritos em cima, a pessoa que vai escolher tem sempre essa opção, de tornar mais "perfeitos" os adjectivos da pessoa em causa. a escolha terá que recair, a meu ver, na pessoa que mostrar maior receptividade em todo este processo de "aperfeiçoamento".
é certo que podem dizer "cala-te lá ó versão masculina da margarida rebelo pinto, isso é impossível, ninguém muda assim de um dia para o outro, não é só carregar num botão". têm razão, sim senhor. se nenhuma das pessoas mudar, o melhor é mesmo "ver os dois pássaros a voar" e partir em nova expedição pelo espécime perfeito. there's plenty of fish in the sea...
tudo na vida deveria ser assim tão fácil, mas há decisões bem difíceis de tomar com que, volta e meia, somos confrontados. se uma escolha nos parece bem num determinado dia, ou momento, pode parecer errada no dia seguinte, até por uma mera questão de comodidade. pois bem, por esta ordem de ideias e para reforçar esta minha teoria, não há nada mais difícil do que termos de escolher entre duas pessoas, não querendo magoar nenhuma delas obviamente, e se torna complicado chegar a alguma conclusão facilmente. isto porque, não raras vezes, elas se complementam e têm traços de personalidade que nos cativam, que suplantam os defeitos. ou seja, essas duas pessoas juntas poderiam resultar no ser humano perfeito e no companheiro ideal para uma determinada pessoa. e então o que fazer? a sociedade diz-nos que é errado e censurável viver uma história de amor com duas ou mais pessoas, logo temos mesmo que nos decidir por uma delas ou, em casos mais infelizes, perder as duas. é o velho adágio "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar". quando não conseguimos encontrar, ou escolher, uma resposta, corremos mesmo o risco de ver dois pássaros a voar. se uma das pessoas é atenciosa, afável, carinhosa, mas tem um sentido de humor igual ao do Manuel Alegre, não perde os Malucos do Riso e os Batanetes e a única coisa que lê é o Auto-Motor e a Maria, por causa do horóscopo, é complicado. uma pessoa assim não nos "incentiva", não espicaça o intelecto, apesar de nos oferecer aconchego, carinho e atenção. mas falta o resto? e quem é que tem o resto? a outra pessoa, porque nos estimula o conhecimento, tem uma vertente cultural mais rica e desse factor até podemos "beber" alguma aprendizagem e crescermos intelectualmente. isto apesar de esta outra pessoa por vezes ser rude, azeda, indelicada e arrogante, que se esquece sistematicamente das datas importantes e recorre frequentemente a um mecanismo de defesa que não permite contemplar a pessoa amada com manifestações de carinho.
com qual destas pessoas é que queremos estar mais?
uma enche-nos de carinho, de amor, mas falta algo que tendemos a procurar noutro lado.
a outra enriquece-nos espiritualmente, mas falta algo que tendemos a procurar noutro lado.
o ideal mesmo era pegar nos dois cérebros, tirar a parte má de cada um deles e unir os lados bons, resultando tudo isto num cérebro ideal. é uma cirurgia a considerar num futuro próximo, deixo aqui a ideia, de graça, a todos os profissionais desse ramo.
mas ainda não encontramos a resposta para esta questão e conheço, pelo menos, uma pessoa que bem a queria saber. a minha solução parte de um princípio básico: as pessoas têm que estar em constante evolução, não podem estagnar, desligar o cérebro, vegetar na comodidade. a maior parte desse desiderato terá que pertencer à própria pessoa, mas terá que existir também algum incentivo no sentido de tornar mais imperceptíveis os "defeitos" e de fazer sobressair ainda mais as virtudes. em ambos os casos descritos em cima, a pessoa que vai escolher tem sempre essa opção, de tornar mais "perfeitos" os adjectivos da pessoa em causa. a escolha terá que recair, a meu ver, na pessoa que mostrar maior receptividade em todo este processo de "aperfeiçoamento".
é certo que podem dizer "cala-te lá ó versão masculina da margarida rebelo pinto, isso é impossível, ninguém muda assim de um dia para o outro, não é só carregar num botão". têm razão, sim senhor. se nenhuma das pessoas mudar, o melhor é mesmo "ver os dois pássaros a voar" e partir em nova expedição pelo espécime perfeito. there's plenty of fish in the sea...
sábado, janeiro 28, 2006
dr. gregory house
como complemento ao post anterior a este, e porque também há a televisão a considerar (apesar da pobreza da programação dos canais nacionais, com as excepções de algumas séries da 2:, como Sopranos, 24, as britcom), deixo mais uma sugestão, para seguir no canal FOX: "House", com Hugh Laurie, Robert Sean Leonard, Omar Epps e Jennifer Morrison. é uma espécie de "ER - Serviço de Urgência" mas em tom sarcástico, irónico, que vive sobretudo da personagem principal, o dr. gregory house, magistralmente interpretado por Hugh Laurie (sim, o mesmo que fazia de pai do Stuart Little nos primeiros dois filmes com o mesmo nome), um homem rezingão, mal disposto, antipático, arrogante, sempre com uma tirada sarcástica engatilhada e quase sempre de menosprezo pela opinião dos outros, sempre amargo e azedo na sua relação com os seus pacientes. pese embora tudo isto, aprendemos a "gostar" dele e a compreender as suas atitudes e opções, à medida que vamos sabendo mais alguma coisa sobre o seu passado, a sua deficiência fisica, que lhe causa tremendas dores e o obriga a tomar comprimidos constantemente para as mesmas, o seu divórcio e a consequente incapacidade de se relacionar com alguém sentimentalmente. o homem está "in constant pain", em todos os níveis, e o que o motiva é a paixão pela medicina, a procura de soluções para casos considerados terminais, a luta incessante pelo tratamento mais adequado, mas sempre por respeito à própria medicina, porque os pacientes, esses, são meros portadores de doenças e vírus, "cobaias" perfeitas para o desenvolvimento dos seus conhecimentos e teorias. recomendo vivamente esta série, mas reconheço que sem o dr. gregory house provavelmente não a veria, ele é realmente a "alma" do programa. uma espécie de tony soprano, nos "Sopranos" (como seria a série sem ele?), ou mesmo de Jack Bauer, em "24".
resta dizer que "House" vai para o ar hoje, sábado, dia 28 Janeiro, pelas 23h30, no canal FOX, dois episódios, que são os mesmos que foram emitidos na passada terça-feira. Na próxima terça-feira, pelas 21h30, passarão mais dois novos episódios.
resta dizer que "House" vai para o ar hoje, sábado, dia 28 Janeiro, pelas 23h30, no canal FOX, dois episódios, que são os mesmos que foram emitidos na passada terça-feira. Na próxima terça-feira, pelas 21h30, passarão mais dois novos episódios.
sexta-feira, janeiro 27, 2006
sons e imagens para combater o frio
na antecâmara de mais um fim de semana, este por sinal será bastante frio, vou cometer o descaramento (grande lata esta de recomendar algo a alguém que não se conhece!) de deixar algumas recomendações para um serão ou uma tarde mais agradável em casa, junto à lareira (se existir), com muitos cobertores à mistura, café bem quente, o pijama felpudo, as pantufas confortáveis, enfim, a total serenidade.
dessa forma, e vou começar pelos sons, o último album dos Sigur Rós (Takk) propicia um tipo de ambiente realmente acolhedor, suave, calmo, com 11 faixas da mais pura essência musical, arrancadas de uma intensa carga dramática e pungente. quando mergulhamos decididos neste album deixamos o nosso espírito vaguear solto pelas mais longínquas paisagens celestiais, vivemos apaixonadamente cada climax feroz, que parecem ondas a esbarrar nos pontões, mas também cada momento mais solene de piano apenas, que nos embalam e aconchegam. experimentem ouvir a musica nº 10 do album. acho que não tenho capacidade mental para suportar, entender, perceber, uma musica assim tão bela, tão intensa. ouçam e depois digam-me o que pensam. eu fico sem palavras para a descrever. só me lembro de ter ficado assim uma vez, pelo menos nos últimos tempos: foi com um tema do Antony and the Johnsons ("Bird Guhl").
mas também poderei recomendar algo menos intenso, como The Czars (o album "Goodbye", por exemplo), é uma boa banda sonora para uma noite intimista, assim como Mark Eitzel ("60 watt silver lining") ou Lambchop ("Is a woman").
como sugestões cinematográficas, recomendo vivamente o filme "Sideways", com Paul Giamatti e Thomas Hadden Church, lançado para aluguer há pouco mais de 5 meses, portanto ainda o devem apanhar nos escaparates do vosso clube. relata a viagem de dois amigos, um deles divorciado, apreciador de vinho e pretendente a escritor; o outro tem casamento marcado para a semana seguinte, de modo que a viagem acaba por ser uma espécie de despedida de solteiro. Mas basicamente é a história de Miles Raymond (Paul Giamatti, brilhante aqui!), que não consegue encontrar um rumo para a sua vida, nem a nível profissional nem sentimental. o desenlace é gratificante e certamente vão desejar ver novamente o filme quando o mesmo acabar.
bom fim de semana. e não saiam do quentinho!...
dessa forma, e vou começar pelos sons, o último album dos Sigur Rós (Takk) propicia um tipo de ambiente realmente acolhedor, suave, calmo, com 11 faixas da mais pura essência musical, arrancadas de uma intensa carga dramática e pungente. quando mergulhamos decididos neste album deixamos o nosso espírito vaguear solto pelas mais longínquas paisagens celestiais, vivemos apaixonadamente cada climax feroz, que parecem ondas a esbarrar nos pontões, mas também cada momento mais solene de piano apenas, que nos embalam e aconchegam. experimentem ouvir a musica nº 10 do album. acho que não tenho capacidade mental para suportar, entender, perceber, uma musica assim tão bela, tão intensa. ouçam e depois digam-me o que pensam. eu fico sem palavras para a descrever. só me lembro de ter ficado assim uma vez, pelo menos nos últimos tempos: foi com um tema do Antony and the Johnsons ("Bird Guhl").
mas também poderei recomendar algo menos intenso, como The Czars (o album "Goodbye", por exemplo), é uma boa banda sonora para uma noite intimista, assim como Mark Eitzel ("60 watt silver lining") ou Lambchop ("Is a woman").
como sugestões cinematográficas, recomendo vivamente o filme "Sideways", com Paul Giamatti e Thomas Hadden Church, lançado para aluguer há pouco mais de 5 meses, portanto ainda o devem apanhar nos escaparates do vosso clube. relata a viagem de dois amigos, um deles divorciado, apreciador de vinho e pretendente a escritor; o outro tem casamento marcado para a semana seguinte, de modo que a viagem acaba por ser uma espécie de despedida de solteiro. Mas basicamente é a história de Miles Raymond (Paul Giamatti, brilhante aqui!), que não consegue encontrar um rumo para a sua vida, nem a nível profissional nem sentimental. o desenlace é gratificante e certamente vão desejar ver novamente o filme quando o mesmo acabar.
bom fim de semana. e não saiam do quentinho!...
segunda-feira, janeiro 23, 2006
manhattan
em jeito de homenagem a essa grande arte da ilusão que é o cinema, todas as semanas irei mudar o nome do meu profile. a ideia é relevar variadíssimas personagens cinematográficas que me marcaram, pela sua grandiosidade de espírito, sensibilidade, humor, ironia, sarcasmo, inteligência, etc.. em suma, o cinema é uma das minhas grandes paixões e esta é uma forma de o exaltar, ao mesmo tempo que vou partilhando os meus gostos, as minhas personagens e filmes preferidos. pareceu-me uma rica ideia no início, agora nem por isso... mas... espera aí... bem, já me parece uma boa ideia outra vez (que diabo, a esquizofrenia é mesmo a mais estupida das doenças!). para a primeira semana, o nome escolhido foi "isaac davis", personagem do filme "Manhattan", interpretada por woody allen, igualmente o realizador da película. se não viram este filme de 1979 aqui fica a dica. é uma deliciosa teia de encontros e desencontros passionais, em que Isaac Davis vive um autêntico turbilhão sentimental, mas sempre com um sofisticado toque irónico, dividido entre o ódio pela ex-mulher (Meryl Streep), que entretanto se tornou lésbica e quer escrever um livro sobre o casamento falhado; a relação com uma universitária de 17 anos (Mariel Hemingway) que o adora mas por quem ele não está apaixonado; e a amante do seu melhor amigo, interpretada por Diane Keaton. ultrapassados os naturais choques iniciais, provocados por um desmedida necessidade de se impressionarem mutuamente, Isaac começa a aperceber-se que ela "é" e "tem" precisamente aquilo que lhe falta na relação com a universitária. quem vir o filme entende isto perfeitamente, aqueles momentos de comunhão de ideias, as piadas parvas para ela se rir, o café na esplanada, a chuvada que apanham, as conversas estimulantes, a vontade intrínseca de estarem sempre juntos ou à espera de estarem juntos... o final acaba por ser surpreendente mas não o vou contar. espero que esta breve sinopse vos faça ver "Manhattan", porque é um dos meus filmes preferidos e também porque é escrito, realizado e interpretado por um dos maiores génios vivos deste planeta: woody allen.
sexta-feira, janeiro 20, 2006
deslumbre silencioso
acabou de acontecer!
o momento tão ansiado acabou de passar!
tantas palavras, tantos pensamentos, tantas conjecturas imaginei
enquanto contava os minutos, os segundos, para te voltar a ver;
nada foi aproveitado, nada foi proferido,
o silêncio uniu-se ao deslumbramento.
apenas os meus olhos falaram.
se ao menos os tivesses escutado...
sinto-me novamente vazio e oco
ao encetar novamente a contagem decrescente
para o momento seguinte.
são segundos, milésimos de segundos,
meras migalhas com que me vou alimentando,
sugando até ao meu mais profundo âmago
aquele instante em que os nossos olhos se uniram!
forças transcendentais me impedem
de proferir um simples "olá",
ou de aspirar a algo mais do que esta contemplação diária;
sou uma mera nota numa sinfonia,
uma mísera letra num soneto,
entre a multidão que te venera, que segue os teus passos
e se encanta com tanta perfeição!
és a minha musa e o meu veneno,
a minha florescência e o meu ocaso,
em ti respiro e contigo morro!
mas nem mil exércitos me impedirão
de te voltar a admirar com o meu pensamento!
o momento tão ansiado acabou de passar!
tantas palavras, tantos pensamentos, tantas conjecturas imaginei
enquanto contava os minutos, os segundos, para te voltar a ver;
nada foi aproveitado, nada foi proferido,
o silêncio uniu-se ao deslumbramento.
apenas os meus olhos falaram.
se ao menos os tivesses escutado...
sinto-me novamente vazio e oco
ao encetar novamente a contagem decrescente
para o momento seguinte.
são segundos, milésimos de segundos,
meras migalhas com que me vou alimentando,
sugando até ao meu mais profundo âmago
aquele instante em que os nossos olhos se uniram!
forças transcendentais me impedem
de proferir um simples "olá",
ou de aspirar a algo mais do que esta contemplação diária;
sou uma mera nota numa sinfonia,
uma mísera letra num soneto,
entre a multidão que te venera, que segue os teus passos
e se encanta com tanta perfeição!
és a minha musa e o meu veneno,
a minha florescência e o meu ocaso,
em ti respiro e contigo morro!
mas nem mil exércitos me impedirão
de te voltar a admirar com o meu pensamento!
quinta-feira, janeiro 19, 2006
ilusão e pantufas
a questão que trago hoje é esta: porque raio nos havemos de sentir mal por gostarmos de uma pessoa? sim, que diabo, amar alguém, apaixonarmo-nos por uma pessoa, não é nenhum crime e, no entanto, por vezes agimos como se fosse a maior obscenidade à face da terra. todos aqueles que não acreditam em amores impossíveis deviam ser obrigados a ver 22 vezes seguidas um filme chamado "Cyrano de Bergerac", no qual Gérard Depardieu interpreta o mais eloquente dos homens, em actos e em palavras, mas que carrega consigo esse estorvo físico que é o tamanho descomunal do seu nariz, facto que o impede de declarar a sua paixão à mulher amada. é uma lição de vida o rumo que a história segue, desaguando na verdade reprimida durante anos. o troféu estava e sempre esteve no mesmo sítio, não houve foi coragem para o arrebatar; nem o mais corajoso e audaz dos espadachins, capaz de derrotar cem homens numa emboscada, foi capaz de ir à procura da sua felicidade, escudando-se atrás da sombra do seu nariz.
amanhã poderá ser qualquer um de nós a perder o momento, a oportunidade, e quem sabe, o amor da nossa vida! e porquê? "porque nem vale a pena tentar, é impossível"! não se está é disposto a cometer loucuras e a dar espaço à ilusão, sobretudo quando as pessoas cada vez mais hoje em dia se acomodam ao que já têm. é a chamada "era da pantufa", um estado de espírito confortável, sedentário, mas que retira qualquer veleidade ilusória a essas pessoas. e a ilusão é necessária, como a imaginação, a ousadia, a cortesia... quando se ama, seja em que idade for, volta-se à idade do clerasil (creme para borbulhas), como disse Miguel Esteves Cardoso. de repente sentimo-nos novamente adolescentes e até nos apetece andar na rua com walkman's, de skate, calças rasgadas, etc. e depois, haverá desafio maior do que o de conquistar uma mulher? ou pelo menos tentar... é tempo de sonhar. a vida é uma coisa, a realidade também, mas o amor é outra completamente diferente, está sempre acima de tudo. a realidade pode matar a ilusão mas o sonho é mais bonito que a vida. basta um olhar, um sorriso, para o coração os apanhar para sempre. ele conserva aquilo que nos escapa como areia fina das mãos. e isto é amar, por muito longe, por muito impossivel, por mais desesperante que seja. alojamos essa sensação no cérebro e usamo-la quando precisamos de escapar, entrando nesse mundo ilusório onde tudo parece mais aliciante. sim, é um escape também, uma tentativa de nos agarrarmos a um passado não tão distante quanto isso e ficarmos por lá algum tempo, alimentando a alma, fortalecendo o ego, desatando sensações que pareciam perdidas e, quem sabe, encontrarmo-nos a nós próprios! a ilusão permite-nos tudo isso.
amanhã recomeça tudo. a realidade é incontornável e respeitamo-la. Sempre! mas a ilusão da conquista será sempre mais forte do que aquelas confortáveis pantufas e, certamente, amanhã terei novamente tempo para me dedicar a ela. sim, ela também é mais forte... do que eu...
amanhã poderá ser qualquer um de nós a perder o momento, a oportunidade, e quem sabe, o amor da nossa vida! e porquê? "porque nem vale a pena tentar, é impossível"! não se está é disposto a cometer loucuras e a dar espaço à ilusão, sobretudo quando as pessoas cada vez mais hoje em dia se acomodam ao que já têm. é a chamada "era da pantufa", um estado de espírito confortável, sedentário, mas que retira qualquer veleidade ilusória a essas pessoas. e a ilusão é necessária, como a imaginação, a ousadia, a cortesia... quando se ama, seja em que idade for, volta-se à idade do clerasil (creme para borbulhas), como disse Miguel Esteves Cardoso. de repente sentimo-nos novamente adolescentes e até nos apetece andar na rua com walkman's, de skate, calças rasgadas, etc. e depois, haverá desafio maior do que o de conquistar uma mulher? ou pelo menos tentar... é tempo de sonhar. a vida é uma coisa, a realidade também, mas o amor é outra completamente diferente, está sempre acima de tudo. a realidade pode matar a ilusão mas o sonho é mais bonito que a vida. basta um olhar, um sorriso, para o coração os apanhar para sempre. ele conserva aquilo que nos escapa como areia fina das mãos. e isto é amar, por muito longe, por muito impossivel, por mais desesperante que seja. alojamos essa sensação no cérebro e usamo-la quando precisamos de escapar, entrando nesse mundo ilusório onde tudo parece mais aliciante. sim, é um escape também, uma tentativa de nos agarrarmos a um passado não tão distante quanto isso e ficarmos por lá algum tempo, alimentando a alma, fortalecendo o ego, desatando sensações que pareciam perdidas e, quem sabe, encontrarmo-nos a nós próprios! a ilusão permite-nos tudo isso.
amanhã recomeça tudo. a realidade é incontornável e respeitamo-la. Sempre! mas a ilusão da conquista será sempre mais forte do que aquelas confortáveis pantufas e, certamente, amanhã terei novamente tempo para me dedicar a ela. sim, ela também é mais forte... do que eu...
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Nas Nuvens
como é bom andar nas nuvens!
elevar espiritualmente a minha trivialidade
e transcender-me para além desta singela essência
que me nega o ar que eu necessito para respirar.
é ter asas em vez de acabrunhada timidez;
subir ao convés e apreciar cada uma das ondas
em vez de me fechar nos oceanos da minha mente;
é poder contemplar o sol quando antes feria a vista,
afastar as cortinas e encher de cor esta minha escuridão.
se eu agora resplandeço, aqui nas nuvens,
foi porque me deixaste partilhar da tua luz
e me apresentaste o teu mundo de letras apaixonadas.
se agora me sinto assim, tão revigorado interiormente,
devo-o ao despertar que as tuas palavras surtiram
e ao aconchego emocional que me ofereceste.
como é bom andar nas nuvens!
elevar espiritualmente a minha trivialidade
e transcender-me para além desta singela essência
que me nega o ar que eu necessito para respirar.
é ter asas em vez de acabrunhada timidez;
subir ao convés e apreciar cada uma das ondas
em vez de me fechar nos oceanos da minha mente;
é poder contemplar o sol quando antes feria a vista,
afastar as cortinas e encher de cor esta minha escuridão.
se eu agora resplandeço, aqui nas nuvens,
foi porque me deixaste partilhar da tua luz
e me apresentaste o teu mundo de letras apaixonadas.
se agora me sinto assim, tão revigorado interiormente,
devo-o ao despertar que as tuas palavras surtiram
e ao aconchego emocional que me ofereceste.
como é bom andar nas nuvens!
sexta-feira, janeiro 13, 2006
"There´s always another girl"
Quem seria capaz de viver sem música? Momentos há em que nos sentimos com necessidade de "sofrer", de ficar pasmados a olhar o vazio, uma paisagem, a chuva, enquanto ouvimos "aquela" música, a tal que nos põe num estado nostálgico, a pensar em alguém, num passado não muito distante. Quase que até apetece fumar, para carregar simbolicamente a cena, juntando a isto tudo um copo de baileys com muito gelo, um ambiente acolhedor, uma lareira acesa, a chuva a bater nos vidros. Está criado o cenário perfeito, tudo emoldurado pelos sons que nos aquecem a alma e nos reavivam a memória. A postura e o olhar para o infinito são sempre baseados numa cena marcante do filme "Os Fabulosos Irmãos Baker", em que o fabuloso Jeff Bridges, de cigarro na boca e copo de whisky na mão (lá está, tem mesmo que ser!), ouve a despedida comovente de Michelle Pfeiffer, corroído de dor por dentro mas aparentando uma frieza quase gélida que o leva a dizer a célebre frase: "There's always another girl"... A "nossa" Michelle Pfeiffer está no nosso pensamento, não está ao nosso lado a despedir-se, a colocar um fim numa relação errante. A música, por esta altura, seria bem suave, talvez a voz de John Grant, dos The Czars, soasse divinalmente aos nossos ouvidos. Ouviamos "Concentrate": I hope you're not talkin' 'bout yesterday, 'cause I can't live, I can't live that way it's all gone now and you don't know the truth so you must go now and find the door I hope I'm not disturbing you". Uma das musicas ideais para uma despedida, o som depressivo mais adequado para a nossa sensação ser ainda mais forte. Talvez ainda nos lembrássemos de ouvir Mark Eitzel, esse trovador apaixonado, cantar "It's time for me to go away, i'll get a new nem maybe i'll get a new face, it's time for me to go away, no i don't belong in this place, but i'm not going to ask you why you think the parade as passed us by, or if everything good as gones into the western sky", da musica "Western Sky", dos American Music Club. Ou Mark Kozelek, dos Red House Painters, em "Song for a Blue Guitar": "in the room all i feel is the cold that you left, through the air all i see is your face full of blame; what's left to see? what's there to see?". Mas outras vozes e outras musicas encaixariam perfeitamente neste nosso estado letárgico, de contemplação interior. O momento é nosso, mais ninguém poderá invadir esse espaço. Estamos "desligados" deste mundo, estamos agora a viver num outro, apenas de recordações, de momentos passados, a tentar imaginar como teria sido diferente a nossa vida se tivéssemos dado um determinado passo, de tivéssemos dado "aquele" beijo, se tivéssemos dito as palavras que nos enchiam a mente na altura certa... "What If", dos Coldplay, também se poderia incluir na banda sonora deste momento. O "nosso" momento, desprendido do mundo real. Como escreveu uma grande amiga minha, uma pessoa cheia de qualidades e virtudes, "se me encontrares por aí perdida nas estrelas, não me devolvas à realidade!". Brilhante Cláudia! O final perfeito! Obrigado pela inspiração!
quarta-feira, janeiro 11, 2006
nascente das minhas ilusões
A nascente das minhas ilusões
Tinhamos a inocência na alma, retratada nos rostos
sem uma ruga de enfado, um esgar de cansaço!
Fervíamos na imaculidade da paixão
que não comportava a hipocrisia do interesse
ou intenções duvidosas de instintos perversos.
Ficávamos contentes só de nos vermos,
estarmos juntos, mesmo calados a contemplar a natureza,
a escutar o murmúrio dos pássaros,
das árvores e da água das fontes que saltitava dos veios rochosos,
felizes porque só conhecíamos o encanto
e nada nos matava a certeza do dia seguinte!
Tinhas a frescura da Primavera, a beleza do nascer do sol
e a elegância de um cisne altivo!
Os teus olhos reflectiam candura e pureza,
envoltos nesse oceano castanho de longos cabelos,
em cujas águas me perdi!
Deitados na relva, contemplávamos o majestoso céu
que parecia sorrir para nós, ordenando a Van Gogh idílicas pinturas,
a Rimbaud que declamasse um poema
e a John Lennon que escrevesse a mais bonita das músicas!
Foste a nascente das minhas ilusões,
o lapso de tempo que queria imutável
e a sensação intensa que desejava insuprível!
Agarrado aos fiapos da tua imagem,
acordei diante da minha solidão.
Perdi-te como se perdem todas as quimeras:
sem perceber os fios das teias
que me enredaram na tua imagem.
Neste sonho foste memória viva!
Agora, acompanhado por uma sombra vitalícia de tristeza,
só esta saudade de ti me alimenta o tempo...
Amei-te! Amei-te tanto que ainda julgo que nunca te perdi!
J.A.L.
Junho 2004
Tinhamos a inocência na alma, retratada nos rostos
sem uma ruga de enfado, um esgar de cansaço!
Fervíamos na imaculidade da paixão
que não comportava a hipocrisia do interesse
ou intenções duvidosas de instintos perversos.
Ficávamos contentes só de nos vermos,
estarmos juntos, mesmo calados a contemplar a natureza,
a escutar o murmúrio dos pássaros,
das árvores e da água das fontes que saltitava dos veios rochosos,
felizes porque só conhecíamos o encanto
e nada nos matava a certeza do dia seguinte!
Tinhas a frescura da Primavera, a beleza do nascer do sol
e a elegância de um cisne altivo!
Os teus olhos reflectiam candura e pureza,
envoltos nesse oceano castanho de longos cabelos,
em cujas águas me perdi!
Deitados na relva, contemplávamos o majestoso céu
que parecia sorrir para nós, ordenando a Van Gogh idílicas pinturas,
a Rimbaud que declamasse um poema
e a John Lennon que escrevesse a mais bonita das músicas!
Foste a nascente das minhas ilusões,
o lapso de tempo que queria imutável
e a sensação intensa que desejava insuprível!
Agarrado aos fiapos da tua imagem,
acordei diante da minha solidão.
Perdi-te como se perdem todas as quimeras:
sem perceber os fios das teias
que me enredaram na tua imagem.
Neste sonho foste memória viva!
Agora, acompanhado por uma sombra vitalícia de tristeza,
só esta saudade de ti me alimenta o tempo...
Amei-te! Amei-te tanto que ainda julgo que nunca te perdi!
J.A.L.
Junho 2004
terça-feira, janeiro 10, 2006
apresentação
"nuvens da alma" resulta da inspiração, criatividade, sensibilidade que eu possa ter em determinado momento. não deixem que o nome do blog vos engane, não serei fatalista, derrotista ou demasiado depressivo. dias haverá em que as nuvens estarão com um semblante mais carregado e em que só me apetecerá ficar a contemplar a chuva; mas também existirão dias radiantes e quentes, em que as nuvens... se dissiparão. serão sempre os meus estados de espírito a controlar e a gerir este blog, não haverá nehuma linha de orientação rígida. aqui terão sempre lugar todas as formas de arte, as opiniões, as críticas, tudo o que as minhas nuvens queiram fazer chover.
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