"temos que tomar um café um dia destes". é das frases que mais ouvimos e mais dizemos, já maquinalmente, como se fosse um "até logo" ou um "até amanhã". "tomar um café", o que há de especial em tomar um café com alguém? e porquê café e não um frisumo, uma meia de leite ou um licor beirão? encontramos alguém na rua, que já não vemos há algum tempo, e quando começamos a ver que já não há tempo suficiente para meter todos os meses que entretanto passaram nos dez minutos que temos, lá vem a solução: temos que tomar um café um dia destes. e para quê? para continuarmos a nossa conversa. acho que nas últimas 10 vezes que disse isto, só fui realmente tomar café com o meu interlocutor uma vez, duas no máximo. pensando bem, "temos que tomar um café um dia destes" também é uma boa forma de "despacharmos" alguém, sem ficarmos com peso na consciência, porque estamos a propor um novo encontro com essa pessoa, embora, secretamente, saibamos que não vamos combinar nada a sério e que aquela encenação toda é simplesmente para dizer: "ok, já não te via há muito tempo mas também não tive assim tantas saudades tuas, ao ponto de perder mais 10 minutos contigo". e o tempo é tão precioso! para quê desperdiçá-lo com um tipo que a única coisa que tem em comum contigo foi ter vivido na mesma terra que tu durante uns anos? ou um outro que era amigo de um amigo? como jerry seinfeld preconiza num episódio de "Seinfeld", a vida devia ser um talk show, em que recebíamos as pessoas que nos conhecem, mas teríamos sempre tempo limite para a conversa. "Tenho muita pena, gostaria de ficar aqui mais um bocado a falar contigo, mas o tempo não o permite e vamos ter que sair para publicidade. fique por aí, já a seguir teremos o paulo dias, da nossa turma no 8º ano do liceu". e quando estamos sorrateiramente e educadamente a tentar "sair" de um conversa e a outra pessoa se agarra à nossa mão, durante o aperto de mão de despedida, como se disso dependesse a sua vida? e nós já vamos no nosso 18º "então vá, até amanhã", ou no 13º "depois a gente fala", e nada. continuamos a ouvir o mesmo relato sobre as férias na serra da estrela, as infiltrações na casa nova, o spread bancário, as taxas de juro, etc.. onde é que está o comando remoto?? fast forward e estava tudo resolvido. se ao menos fosse tudo assim tão simples...
mas felizmente também há o reverso da medalha, ou seja, pessoas com quem acontece exactamente o inverso. nestes casos utilizariamos o controlo remoto para fazer um pause ou um slow motion, para o tempo passar mais devagar. e aqui sim, a frase "temos que tomar um café um dia destes" ganha todo o sentido, porque de facto queremos MESMO ir tomar café com essa pessoa, porque é todo um processo: o encontro no café, o atendimento, o pedido (normalmente, para o empregado, é totalmente irrelevante se pedirmos o café curto, porque ele traz sempre o café da mesma maneira, a cerca de 70 a 90% da chavena, por isso pedi-lo causa-lhe tanto impacto como dizer-lhe "a escola cinematográfica húngara dominou parte do século vinte em termos de efeitos visuais"), a espera, o açucar, mexer durante 20 minutos e ficar à conversa 2 horas. isto sim, é ir "tomar um café". com os exemplos referidos no parágrafo anterior, se tivéssemos MESMO que ir tomar café com eles, seria ao balcão e demoraria o mesmo que um anúncio da vodafone. já tomei cafés, descafeinados, chocolates quentes, capuccinos e meias de leite com pessoas muito interessantes, em que a conversa fluiu sempre de forma escorreita, sem pausas embaraçosas e em que há conhecimentos e referências suficientes para sustentares as tuas opiniões, ouvires outras, contrapores, fazeres valer o teu físico para impores sem margem para dúvidas a tua opinião (esta é a brincar, claro!), mandar piadas e receber sorrisos. e isso é tão importante caramba, sentir essa sintonia, esse "clic", essa partilha. para estas pessoas ainda tenho guardados mais uma centena de "temos que tomar um café um dia destes". e espero que elas aceitem, claro...
quarta-feira, março 01, 2006
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
going down with something
quando adoecemos parece que todo o peso do mundo nos cai na cabeça. não nos apetece fazer nada, o mundo lá fora mostra-se demasiado agressivo para o nosso debilitado corpo, andamos constantemente a queixar-nos das dores (mesmo quando não está ninguém na mesma divisão ou mesmo em casa), colocamos o nosso ar mais miserável, como se tivessemos recebido a notícia que só tinhamos mais dois meses de vida; só apetece mesmo estar deitado na cama ou no sofá, com montes de cobertores em cima, a ver filmes ou a programação estupidificante das matinés televisivas (também a nossa mente está tão cansada que aquilo até vem mesmo a calhar, para não termos de pensar muito). mas também existe um lado positivo, já que neste estado ninguém espera verdadeiramente nada de nós, apenas que tomemos os comprimidos todos à hora certa. em suma, desliga-se o cérebro e espera-se que venha alguém dar-nos mimo, muito miminho, especialmente se for com aquele ar de compaixão, terno e preocupado, em vez do semblante carregado e "invejoso", cuja verdadeira máxima é: "eu ao menos nunca fico doente, que raio de sorte a minha". no fundo as pessoas têm inveja de quem fica doente, porque quem o está tem sempre as atenções todas, pode faltar ao trabalho, ficar deitadinho o dia inteiro sem ajudar lá em casa, etc.. o "problema" é que nunca temos "nada de especial", como um tumor nos rins ou uma encefalite aguda, que provoque nas outras pessoas uma preocupação especial pelo sofrimento que estamos a passar. quando nos perguntam o que temos e ouvem como resposta "é uma gripe", lá vem o comentário jocoso: "ai isso não é nada, tomas uns comprimidos que eu tomei e ficas fino em 24 horas". (é estranho, mas toda a gente que conhecemos nos recomenda uma marca de comprimidos diferente...) ou seja, uma simples gripe pode deitar-nos completamente abaixo, por causa das dores, dos espirros, da fraqueza, mas tudo isto não é suficiente para "convencer" alguém a preocupar-se connosco. não se recebem visitas lá em casa, ninguém nos traz flores, nada... e há até pessoas que no dia seguinte se esquecem de nos perguntar se já estamos melhores. enfim, lá está, se fosse uma pedra nos rins... toda a gente se preocupava, vinham as estações de televisão, especialmente a TVI, caso suspeitasse de negligência médica, o presidente da república ainda nos arranjava uma medalha (já tem poucas, visto que já só falta condecorar o emanuel e a micaela) e condecorava-nos, dando-nos finalmente o reconhecimento devido, em virtude do nosso sofrimento.
é mesmo chato estar doente e ninguém nos ligar nada, porque é "apenas" uma mera, mesquinha, simples, ridícula, mísera, insignificante gripe. porra.
é mesmo chato estar doente e ninguém nos ligar nada, porque é "apenas" uma mera, mesquinha, simples, ridícula, mísera, insignificante gripe. porra.
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
serenidade
era tão serena aquela tarde, somente o som e a espuma das ondas
como carícias meigas de mãos puras.
o calor doce envolvia-nos numa cumplicidade silenciosa,
apenas os nossos olhos teimavam em se encontrar,
em detrimento daquela imponente imagem de pôr do sol.
ao longe não se erguiam adamastores tétricos
nem se previam tempestades,
antes se desenhava um horizonte longínquo de dominante azul
em perfeito contraste com o laranja do sol.
a praia, de areias açucaradas,
beijada por uma irresistível mansidão líquida,
estende-se até aos confins do olhar.
a natureza conversava entre murmúrios de amor,
namorando-se e amando-se na concretização das paixões eternas,
ciciando juras que mais ninguém deve escutar.
nos nossos rostos rasgavam-se inocentes sorrisos,
os nossos olhares encontravam-se no emaranhado da nossa timidez.
assim ficámos até o último raio de sol desaparecer,
as palavras não passaram de meros esboços,
receosas perante a invisibilidade de uma emoção
ou a aspereza de um instinto nocivo.
as letras são os tons da nossa alma,
da nossa força ou da nossa fraqueza.
nesse fim de tarde sereno imperou o olhar,
contemplativo, de pura adulação,
tornado desespero, como quem sabe que um prazer vai acabar,
ou alguém, que amamos, parte sem nós!
como carícias meigas de mãos puras.
o calor doce envolvia-nos numa cumplicidade silenciosa,
apenas os nossos olhos teimavam em se encontrar,
em detrimento daquela imponente imagem de pôr do sol.
ao longe não se erguiam adamastores tétricos
nem se previam tempestades,
antes se desenhava um horizonte longínquo de dominante azul
em perfeito contraste com o laranja do sol.
a praia, de areias açucaradas,
beijada por uma irresistível mansidão líquida,
estende-se até aos confins do olhar.
a natureza conversava entre murmúrios de amor,
namorando-se e amando-se na concretização das paixões eternas,
ciciando juras que mais ninguém deve escutar.
nos nossos rostos rasgavam-se inocentes sorrisos,
os nossos olhares encontravam-se no emaranhado da nossa timidez.
assim ficámos até o último raio de sol desaparecer,
as palavras não passaram de meros esboços,
receosas perante a invisibilidade de uma emoção
ou a aspereza de um instinto nocivo.
as letras são os tons da nossa alma,
da nossa força ou da nossa fraqueza.
nesse fim de tarde sereno imperou o olhar,
contemplativo, de pura adulação,
tornado desespero, como quem sabe que um prazer vai acabar,
ou alguém, que amamos, parte sem nós!
terça-feira, fevereiro 07, 2006
introspecção
respondendo ao "desafio" lançado pela cláudia, no seu blog devaneios da cor do céu, aqui fica o exame do meu estado de consciência:
O que me define:
O Tempo. Frio, chuva, lareira, musica, adormecer os filhos, cafe, cobertor, filme, conversa agradável, adormecer acompanhado. Sol, primavera, parque, relvado, os meus filhos, a minha mulher, regressar a casa, lanchar. acho que consigo ser extrovertido e alegre, como um dia de sol; mas também sorumbático e depressivo como um dia de nevoeiro ou de chuva. tento ser um bom pai, um bom marido, um bom filho, um bom amigo, mas para as pessoas se darem bem comigo têm necessariamente de compreender estes estados de espírito e a minha inconstância emocional. depois há o lado profissional e esse obriga-me a estar constantemente atento aos pormenores, de tal forma que só consigo descansar completamente a mente, ou seja, tirar o "trabalho" da cabeça, quando fecho as edições dos jornais. até lá, tenho 4 jornais na cabeça, pagino-os mentalmente, penso sempre que poderia alterar mais alguma coisa. só quando vai tudo na caixa para a tipografia é que descanso e, aí, volto a organizar o meu cérebro, da mesma forma que se arruma uma divisão lá em casa.
O que adoro:
gosto de me sentir apaixonado, seja por uma musica, por um filme ou por outra coisa qualquer. adoro adormecer a minha filha ao som de sigur ros, mark eitzel, red house painters ou the czars; de assistir diariamente à evolução natural da minha filha; do seu sorriso desarmante; de passear na rua de mão dada com o meu filho, do olhar meigo dele quando me quer pedir alguma coisa; de adormecer agarrado todos os dias à minha mulher; de saber que tenho um grande amigo, longe mas sempre perto, com quem posso falar sobre tudo, ir assistir a concertos memoráveis ou simplesmente vaguear por esse país fora, sem destino. mas também do menos etéreo, como andar à chuva. há dias senti mesmo necessidade, pura, de me deixar ficar na rua, à chuva, a olhar para o céu, a contemplar os fios de chuva. adoro ter conversas estimulantes com pessoas igualmente estimulantes, aquelas que nos fazem "crescer" espiritualmente e emocionalmente. gosto de escrever poemas quando sinto a inspiração bater-me à porta. gosto de olhar para o produto final do meu trabalho e sentir-me realizado. uma taça de mateus rosé fresco num dia de calor intenso, numa esplanada à beira mar. um capuccino num dia frio, com muito chantilly para comer à colherada, ao pé de uma lareira. um cachecol aconchegante num dia de inverno. uma piscina familiar no verão. serões com os amigos a jogar playstation.
O que me faz voar:
a inspiração. por vezes há músicas que "tocam" mesmo e provocam sentimentos tão belos que têm mesmo de ser registados, de alguma forma. as letras de algumas músicas, de alguns poemas, as palavras certas no momento exacto. ver o "cyrano de bergerac", apaixonar-me pela personagem e desejar ter pelo menos metade da sua eloquência. ouvir a minha filha dizer "papá". o sorriso imediato dela quando eu chego a casa. os elogios da minha mulher e dos meus amigos (quem não gosta de ouvir elogios?). saber que sou importante para algumas pessoas.
o "clic" que se dá quando estou a conhecer uma pessoa e descubro nela inúmeros pontos em comum comigo. a musica 10 do ultimo album dos sigur ros; a musica "bird guhl" dos antony and the johnsons. "rollercoaster", dos red house painters. "concentrate", dos the czars. "listen", dos lambchop. "paralyzed", dos ride. e clássicos como "save a prayer", dos duran duran, e "purple rain", do prince. a musica faz-me voar, sempre!
O que me quebra as asas:
sentir-me impotente quando os meus filhos estão doentes. quando desiludo alguém inadvertidamente. sentir-me defraudado quando elevo demasiado as expectativas.
hipocrisia, mentira, vaidade, mesquinhez, desconfiança, estupidez, ganância, as modas (consegue-se impingir tudo em portugal: d'zrt, zés cabras, margaridas rebelo pinto, telenovelas ocas. a máxima é: se é assim tão falado, nas televisões e nas rádios, é porque é bom. não se pensa pela própria cabeça), quando as pessoas querem ser mais do que aquilo que são.
Porque gosto de viver?
porque tenho tudo aquilo que sempre quis ter: família (mulher fantástica, filhos doces e lindos, pais atenciosos), amigos (poucos mas bons!) e realização profissional (nos jornais onde trabalho). quero ver, acima de tudo, os meus filhos a crescer e ajudá-los a ultrapassar todos os obstáculos e barreiras com que se vão confrontar eventualmente. porque quero ainda apaixonar-me por mais 300 musicas e mais 300 filmes. porque quero ver se algum dia vou ser capaz de escrever alguma coisa que faça sentido e de que me orgulhe o suficiente para me sentir realizado.
O que me define:
O Tempo. Frio, chuva, lareira, musica, adormecer os filhos, cafe, cobertor, filme, conversa agradável, adormecer acompanhado. Sol, primavera, parque, relvado, os meus filhos, a minha mulher, regressar a casa, lanchar. acho que consigo ser extrovertido e alegre, como um dia de sol; mas também sorumbático e depressivo como um dia de nevoeiro ou de chuva. tento ser um bom pai, um bom marido, um bom filho, um bom amigo, mas para as pessoas se darem bem comigo têm necessariamente de compreender estes estados de espírito e a minha inconstância emocional. depois há o lado profissional e esse obriga-me a estar constantemente atento aos pormenores, de tal forma que só consigo descansar completamente a mente, ou seja, tirar o "trabalho" da cabeça, quando fecho as edições dos jornais. até lá, tenho 4 jornais na cabeça, pagino-os mentalmente, penso sempre que poderia alterar mais alguma coisa. só quando vai tudo na caixa para a tipografia é que descanso e, aí, volto a organizar o meu cérebro, da mesma forma que se arruma uma divisão lá em casa.
O que adoro:
gosto de me sentir apaixonado, seja por uma musica, por um filme ou por outra coisa qualquer. adoro adormecer a minha filha ao som de sigur ros, mark eitzel, red house painters ou the czars; de assistir diariamente à evolução natural da minha filha; do seu sorriso desarmante; de passear na rua de mão dada com o meu filho, do olhar meigo dele quando me quer pedir alguma coisa; de adormecer agarrado todos os dias à minha mulher; de saber que tenho um grande amigo, longe mas sempre perto, com quem posso falar sobre tudo, ir assistir a concertos memoráveis ou simplesmente vaguear por esse país fora, sem destino. mas também do menos etéreo, como andar à chuva. há dias senti mesmo necessidade, pura, de me deixar ficar na rua, à chuva, a olhar para o céu, a contemplar os fios de chuva. adoro ter conversas estimulantes com pessoas igualmente estimulantes, aquelas que nos fazem "crescer" espiritualmente e emocionalmente. gosto de escrever poemas quando sinto a inspiração bater-me à porta. gosto de olhar para o produto final do meu trabalho e sentir-me realizado. uma taça de mateus rosé fresco num dia de calor intenso, numa esplanada à beira mar. um capuccino num dia frio, com muito chantilly para comer à colherada, ao pé de uma lareira. um cachecol aconchegante num dia de inverno. uma piscina familiar no verão. serões com os amigos a jogar playstation.
O que me faz voar:
a inspiração. por vezes há músicas que "tocam" mesmo e provocam sentimentos tão belos que têm mesmo de ser registados, de alguma forma. as letras de algumas músicas, de alguns poemas, as palavras certas no momento exacto. ver o "cyrano de bergerac", apaixonar-me pela personagem e desejar ter pelo menos metade da sua eloquência. ouvir a minha filha dizer "papá". o sorriso imediato dela quando eu chego a casa. os elogios da minha mulher e dos meus amigos (quem não gosta de ouvir elogios?). saber que sou importante para algumas pessoas.
o "clic" que se dá quando estou a conhecer uma pessoa e descubro nela inúmeros pontos em comum comigo. a musica 10 do ultimo album dos sigur ros; a musica "bird guhl" dos antony and the johnsons. "rollercoaster", dos red house painters. "concentrate", dos the czars. "listen", dos lambchop. "paralyzed", dos ride. e clássicos como "save a prayer", dos duran duran, e "purple rain", do prince. a musica faz-me voar, sempre!
O que me quebra as asas:
sentir-me impotente quando os meus filhos estão doentes. quando desiludo alguém inadvertidamente. sentir-me defraudado quando elevo demasiado as expectativas.
hipocrisia, mentira, vaidade, mesquinhez, desconfiança, estupidez, ganância, as modas (consegue-se impingir tudo em portugal: d'zrt, zés cabras, margaridas rebelo pinto, telenovelas ocas. a máxima é: se é assim tão falado, nas televisões e nas rádios, é porque é bom. não se pensa pela própria cabeça), quando as pessoas querem ser mais do que aquilo que são.
Porque gosto de viver?
porque tenho tudo aquilo que sempre quis ter: família (mulher fantástica, filhos doces e lindos, pais atenciosos), amigos (poucos mas bons!) e realização profissional (nos jornais onde trabalho). quero ver, acima de tudo, os meus filhos a crescer e ajudá-los a ultrapassar todos os obstáculos e barreiras com que se vão confrontar eventualmente. porque quero ainda apaixonar-me por mais 300 musicas e mais 300 filmes. porque quero ver se algum dia vou ser capaz de escrever alguma coisa que faça sentido e de que me orgulhe o suficiente para me sentir realizado.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
as duas faces da moeda
há decisões extremamente simples de tomar, preferências que assumem maior relevância sobre outras de menor interesse, tais como pedir uma água com ou sem gás, uma bola de berlim com creme ou sem creme, café ou descafeinado, bife bem ou mal passado, etc.. neste caso não é muito difícil tomar uma opção e tudo se resume a um simples "quero este" ou a um "não quero este".
tudo na vida deveria ser assim tão fácil, mas há decisões bem difíceis de tomar com que, volta e meia, somos confrontados. se uma escolha nos parece bem num determinado dia, ou momento, pode parecer errada no dia seguinte, até por uma mera questão de comodidade. pois bem, por esta ordem de ideias e para reforçar esta minha teoria, não há nada mais difícil do que termos de escolher entre duas pessoas, não querendo magoar nenhuma delas obviamente, e se torna complicado chegar a alguma conclusão facilmente. isto porque, não raras vezes, elas se complementam e têm traços de personalidade que nos cativam, que suplantam os defeitos. ou seja, essas duas pessoas juntas poderiam resultar no ser humano perfeito e no companheiro ideal para uma determinada pessoa. e então o que fazer? a sociedade diz-nos que é errado e censurável viver uma história de amor com duas ou mais pessoas, logo temos mesmo que nos decidir por uma delas ou, em casos mais infelizes, perder as duas. é o velho adágio "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar". quando não conseguimos encontrar, ou escolher, uma resposta, corremos mesmo o risco de ver dois pássaros a voar. se uma das pessoas é atenciosa, afável, carinhosa, mas tem um sentido de humor igual ao do Manuel Alegre, não perde os Malucos do Riso e os Batanetes e a única coisa que lê é o Auto-Motor e a Maria, por causa do horóscopo, é complicado. uma pessoa assim não nos "incentiva", não espicaça o intelecto, apesar de nos oferecer aconchego, carinho e atenção. mas falta o resto? e quem é que tem o resto? a outra pessoa, porque nos estimula o conhecimento, tem uma vertente cultural mais rica e desse factor até podemos "beber" alguma aprendizagem e crescermos intelectualmente. isto apesar de esta outra pessoa por vezes ser rude, azeda, indelicada e arrogante, que se esquece sistematicamente das datas importantes e recorre frequentemente a um mecanismo de defesa que não permite contemplar a pessoa amada com manifestações de carinho.
com qual destas pessoas é que queremos estar mais?
uma enche-nos de carinho, de amor, mas falta algo que tendemos a procurar noutro lado.
a outra enriquece-nos espiritualmente, mas falta algo que tendemos a procurar noutro lado.
o ideal mesmo era pegar nos dois cérebros, tirar a parte má de cada um deles e unir os lados bons, resultando tudo isto num cérebro ideal. é uma cirurgia a considerar num futuro próximo, deixo aqui a ideia, de graça, a todos os profissionais desse ramo.
mas ainda não encontramos a resposta para esta questão e conheço, pelo menos, uma pessoa que bem a queria saber. a minha solução parte de um princípio básico: as pessoas têm que estar em constante evolução, não podem estagnar, desligar o cérebro, vegetar na comodidade. a maior parte desse desiderato terá que pertencer à própria pessoa, mas terá que existir também algum incentivo no sentido de tornar mais imperceptíveis os "defeitos" e de fazer sobressair ainda mais as virtudes. em ambos os casos descritos em cima, a pessoa que vai escolher tem sempre essa opção, de tornar mais "perfeitos" os adjectivos da pessoa em causa. a escolha terá que recair, a meu ver, na pessoa que mostrar maior receptividade em todo este processo de "aperfeiçoamento".
é certo que podem dizer "cala-te lá ó versão masculina da margarida rebelo pinto, isso é impossível, ninguém muda assim de um dia para o outro, não é só carregar num botão". têm razão, sim senhor. se nenhuma das pessoas mudar, o melhor é mesmo "ver os dois pássaros a voar" e partir em nova expedição pelo espécime perfeito. there's plenty of fish in the sea...
tudo na vida deveria ser assim tão fácil, mas há decisões bem difíceis de tomar com que, volta e meia, somos confrontados. se uma escolha nos parece bem num determinado dia, ou momento, pode parecer errada no dia seguinte, até por uma mera questão de comodidade. pois bem, por esta ordem de ideias e para reforçar esta minha teoria, não há nada mais difícil do que termos de escolher entre duas pessoas, não querendo magoar nenhuma delas obviamente, e se torna complicado chegar a alguma conclusão facilmente. isto porque, não raras vezes, elas se complementam e têm traços de personalidade que nos cativam, que suplantam os defeitos. ou seja, essas duas pessoas juntas poderiam resultar no ser humano perfeito e no companheiro ideal para uma determinada pessoa. e então o que fazer? a sociedade diz-nos que é errado e censurável viver uma história de amor com duas ou mais pessoas, logo temos mesmo que nos decidir por uma delas ou, em casos mais infelizes, perder as duas. é o velho adágio "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar". quando não conseguimos encontrar, ou escolher, uma resposta, corremos mesmo o risco de ver dois pássaros a voar. se uma das pessoas é atenciosa, afável, carinhosa, mas tem um sentido de humor igual ao do Manuel Alegre, não perde os Malucos do Riso e os Batanetes e a única coisa que lê é o Auto-Motor e a Maria, por causa do horóscopo, é complicado. uma pessoa assim não nos "incentiva", não espicaça o intelecto, apesar de nos oferecer aconchego, carinho e atenção. mas falta o resto? e quem é que tem o resto? a outra pessoa, porque nos estimula o conhecimento, tem uma vertente cultural mais rica e desse factor até podemos "beber" alguma aprendizagem e crescermos intelectualmente. isto apesar de esta outra pessoa por vezes ser rude, azeda, indelicada e arrogante, que se esquece sistematicamente das datas importantes e recorre frequentemente a um mecanismo de defesa que não permite contemplar a pessoa amada com manifestações de carinho.
com qual destas pessoas é que queremos estar mais?
uma enche-nos de carinho, de amor, mas falta algo que tendemos a procurar noutro lado.
a outra enriquece-nos espiritualmente, mas falta algo que tendemos a procurar noutro lado.
o ideal mesmo era pegar nos dois cérebros, tirar a parte má de cada um deles e unir os lados bons, resultando tudo isto num cérebro ideal. é uma cirurgia a considerar num futuro próximo, deixo aqui a ideia, de graça, a todos os profissionais desse ramo.
mas ainda não encontramos a resposta para esta questão e conheço, pelo menos, uma pessoa que bem a queria saber. a minha solução parte de um princípio básico: as pessoas têm que estar em constante evolução, não podem estagnar, desligar o cérebro, vegetar na comodidade. a maior parte desse desiderato terá que pertencer à própria pessoa, mas terá que existir também algum incentivo no sentido de tornar mais imperceptíveis os "defeitos" e de fazer sobressair ainda mais as virtudes. em ambos os casos descritos em cima, a pessoa que vai escolher tem sempre essa opção, de tornar mais "perfeitos" os adjectivos da pessoa em causa. a escolha terá que recair, a meu ver, na pessoa que mostrar maior receptividade em todo este processo de "aperfeiçoamento".
é certo que podem dizer "cala-te lá ó versão masculina da margarida rebelo pinto, isso é impossível, ninguém muda assim de um dia para o outro, não é só carregar num botão". têm razão, sim senhor. se nenhuma das pessoas mudar, o melhor é mesmo "ver os dois pássaros a voar" e partir em nova expedição pelo espécime perfeito. there's plenty of fish in the sea...
sábado, janeiro 28, 2006
dr. gregory house
como complemento ao post anterior a este, e porque também há a televisão a considerar (apesar da pobreza da programação dos canais nacionais, com as excepções de algumas séries da 2:, como Sopranos, 24, as britcom), deixo mais uma sugestão, para seguir no canal FOX: "House", com Hugh Laurie, Robert Sean Leonard, Omar Epps e Jennifer Morrison. é uma espécie de "ER - Serviço de Urgência" mas em tom sarcástico, irónico, que vive sobretudo da personagem principal, o dr. gregory house, magistralmente interpretado por Hugh Laurie (sim, o mesmo que fazia de pai do Stuart Little nos primeiros dois filmes com o mesmo nome), um homem rezingão, mal disposto, antipático, arrogante, sempre com uma tirada sarcástica engatilhada e quase sempre de menosprezo pela opinião dos outros, sempre amargo e azedo na sua relação com os seus pacientes. pese embora tudo isto, aprendemos a "gostar" dele e a compreender as suas atitudes e opções, à medida que vamos sabendo mais alguma coisa sobre o seu passado, a sua deficiência fisica, que lhe causa tremendas dores e o obriga a tomar comprimidos constantemente para as mesmas, o seu divórcio e a consequente incapacidade de se relacionar com alguém sentimentalmente. o homem está "in constant pain", em todos os níveis, e o que o motiva é a paixão pela medicina, a procura de soluções para casos considerados terminais, a luta incessante pelo tratamento mais adequado, mas sempre por respeito à própria medicina, porque os pacientes, esses, são meros portadores de doenças e vírus, "cobaias" perfeitas para o desenvolvimento dos seus conhecimentos e teorias. recomendo vivamente esta série, mas reconheço que sem o dr. gregory house provavelmente não a veria, ele é realmente a "alma" do programa. uma espécie de tony soprano, nos "Sopranos" (como seria a série sem ele?), ou mesmo de Jack Bauer, em "24".
resta dizer que "House" vai para o ar hoje, sábado, dia 28 Janeiro, pelas 23h30, no canal FOX, dois episódios, que são os mesmos que foram emitidos na passada terça-feira. Na próxima terça-feira, pelas 21h30, passarão mais dois novos episódios.
resta dizer que "House" vai para o ar hoje, sábado, dia 28 Janeiro, pelas 23h30, no canal FOX, dois episódios, que são os mesmos que foram emitidos na passada terça-feira. Na próxima terça-feira, pelas 21h30, passarão mais dois novos episódios.
sexta-feira, janeiro 27, 2006
sons e imagens para combater o frio
na antecâmara de mais um fim de semana, este por sinal será bastante frio, vou cometer o descaramento (grande lata esta de recomendar algo a alguém que não se conhece!) de deixar algumas recomendações para um serão ou uma tarde mais agradável em casa, junto à lareira (se existir), com muitos cobertores à mistura, café bem quente, o pijama felpudo, as pantufas confortáveis, enfim, a total serenidade.
dessa forma, e vou começar pelos sons, o último album dos Sigur Rós (Takk) propicia um tipo de ambiente realmente acolhedor, suave, calmo, com 11 faixas da mais pura essência musical, arrancadas de uma intensa carga dramática e pungente. quando mergulhamos decididos neste album deixamos o nosso espírito vaguear solto pelas mais longínquas paisagens celestiais, vivemos apaixonadamente cada climax feroz, que parecem ondas a esbarrar nos pontões, mas também cada momento mais solene de piano apenas, que nos embalam e aconchegam. experimentem ouvir a musica nº 10 do album. acho que não tenho capacidade mental para suportar, entender, perceber, uma musica assim tão bela, tão intensa. ouçam e depois digam-me o que pensam. eu fico sem palavras para a descrever. só me lembro de ter ficado assim uma vez, pelo menos nos últimos tempos: foi com um tema do Antony and the Johnsons ("Bird Guhl").
mas também poderei recomendar algo menos intenso, como The Czars (o album "Goodbye", por exemplo), é uma boa banda sonora para uma noite intimista, assim como Mark Eitzel ("60 watt silver lining") ou Lambchop ("Is a woman").
como sugestões cinematográficas, recomendo vivamente o filme "Sideways", com Paul Giamatti e Thomas Hadden Church, lançado para aluguer há pouco mais de 5 meses, portanto ainda o devem apanhar nos escaparates do vosso clube. relata a viagem de dois amigos, um deles divorciado, apreciador de vinho e pretendente a escritor; o outro tem casamento marcado para a semana seguinte, de modo que a viagem acaba por ser uma espécie de despedida de solteiro. Mas basicamente é a história de Miles Raymond (Paul Giamatti, brilhante aqui!), que não consegue encontrar um rumo para a sua vida, nem a nível profissional nem sentimental. o desenlace é gratificante e certamente vão desejar ver novamente o filme quando o mesmo acabar.
bom fim de semana. e não saiam do quentinho!...
dessa forma, e vou começar pelos sons, o último album dos Sigur Rós (Takk) propicia um tipo de ambiente realmente acolhedor, suave, calmo, com 11 faixas da mais pura essência musical, arrancadas de uma intensa carga dramática e pungente. quando mergulhamos decididos neste album deixamos o nosso espírito vaguear solto pelas mais longínquas paisagens celestiais, vivemos apaixonadamente cada climax feroz, que parecem ondas a esbarrar nos pontões, mas também cada momento mais solene de piano apenas, que nos embalam e aconchegam. experimentem ouvir a musica nº 10 do album. acho que não tenho capacidade mental para suportar, entender, perceber, uma musica assim tão bela, tão intensa. ouçam e depois digam-me o que pensam. eu fico sem palavras para a descrever. só me lembro de ter ficado assim uma vez, pelo menos nos últimos tempos: foi com um tema do Antony and the Johnsons ("Bird Guhl").
mas também poderei recomendar algo menos intenso, como The Czars (o album "Goodbye", por exemplo), é uma boa banda sonora para uma noite intimista, assim como Mark Eitzel ("60 watt silver lining") ou Lambchop ("Is a woman").
como sugestões cinematográficas, recomendo vivamente o filme "Sideways", com Paul Giamatti e Thomas Hadden Church, lançado para aluguer há pouco mais de 5 meses, portanto ainda o devem apanhar nos escaparates do vosso clube. relata a viagem de dois amigos, um deles divorciado, apreciador de vinho e pretendente a escritor; o outro tem casamento marcado para a semana seguinte, de modo que a viagem acaba por ser uma espécie de despedida de solteiro. Mas basicamente é a história de Miles Raymond (Paul Giamatti, brilhante aqui!), que não consegue encontrar um rumo para a sua vida, nem a nível profissional nem sentimental. o desenlace é gratificante e certamente vão desejar ver novamente o filme quando o mesmo acabar.
bom fim de semana. e não saiam do quentinho!...
segunda-feira, janeiro 23, 2006
manhattan
em jeito de homenagem a essa grande arte da ilusão que é o cinema, todas as semanas irei mudar o nome do meu profile. a ideia é relevar variadíssimas personagens cinematográficas que me marcaram, pela sua grandiosidade de espírito, sensibilidade, humor, ironia, sarcasmo, inteligência, etc.. em suma, o cinema é uma das minhas grandes paixões e esta é uma forma de o exaltar, ao mesmo tempo que vou partilhando os meus gostos, as minhas personagens e filmes preferidos. pareceu-me uma rica ideia no início, agora nem por isso... mas... espera aí... bem, já me parece uma boa ideia outra vez (que diabo, a esquizofrenia é mesmo a mais estupida das doenças!). para a primeira semana, o nome escolhido foi "isaac davis", personagem do filme "Manhattan", interpretada por woody allen, igualmente o realizador da película. se não viram este filme de 1979 aqui fica a dica. é uma deliciosa teia de encontros e desencontros passionais, em que Isaac Davis vive um autêntico turbilhão sentimental, mas sempre com um sofisticado toque irónico, dividido entre o ódio pela ex-mulher (Meryl Streep), que entretanto se tornou lésbica e quer escrever um livro sobre o casamento falhado; a relação com uma universitária de 17 anos (Mariel Hemingway) que o adora mas por quem ele não está apaixonado; e a amante do seu melhor amigo, interpretada por Diane Keaton. ultrapassados os naturais choques iniciais, provocados por um desmedida necessidade de se impressionarem mutuamente, Isaac começa a aperceber-se que ela "é" e "tem" precisamente aquilo que lhe falta na relação com a universitária. quem vir o filme entende isto perfeitamente, aqueles momentos de comunhão de ideias, as piadas parvas para ela se rir, o café na esplanada, a chuvada que apanham, as conversas estimulantes, a vontade intrínseca de estarem sempre juntos ou à espera de estarem juntos... o final acaba por ser surpreendente mas não o vou contar. espero que esta breve sinopse vos faça ver "Manhattan", porque é um dos meus filmes preferidos e também porque é escrito, realizado e interpretado por um dos maiores génios vivos deste planeta: woody allen.
sexta-feira, janeiro 20, 2006
deslumbre silencioso
acabou de acontecer!
o momento tão ansiado acabou de passar!
tantas palavras, tantos pensamentos, tantas conjecturas imaginei
enquanto contava os minutos, os segundos, para te voltar a ver;
nada foi aproveitado, nada foi proferido,
o silêncio uniu-se ao deslumbramento.
apenas os meus olhos falaram.
se ao menos os tivesses escutado...
sinto-me novamente vazio e oco
ao encetar novamente a contagem decrescente
para o momento seguinte.
são segundos, milésimos de segundos,
meras migalhas com que me vou alimentando,
sugando até ao meu mais profundo âmago
aquele instante em que os nossos olhos se uniram!
forças transcendentais me impedem
de proferir um simples "olá",
ou de aspirar a algo mais do que esta contemplação diária;
sou uma mera nota numa sinfonia,
uma mísera letra num soneto,
entre a multidão que te venera, que segue os teus passos
e se encanta com tanta perfeição!
és a minha musa e o meu veneno,
a minha florescência e o meu ocaso,
em ti respiro e contigo morro!
mas nem mil exércitos me impedirão
de te voltar a admirar com o meu pensamento!
o momento tão ansiado acabou de passar!
tantas palavras, tantos pensamentos, tantas conjecturas imaginei
enquanto contava os minutos, os segundos, para te voltar a ver;
nada foi aproveitado, nada foi proferido,
o silêncio uniu-se ao deslumbramento.
apenas os meus olhos falaram.
se ao menos os tivesses escutado...
sinto-me novamente vazio e oco
ao encetar novamente a contagem decrescente
para o momento seguinte.
são segundos, milésimos de segundos,
meras migalhas com que me vou alimentando,
sugando até ao meu mais profundo âmago
aquele instante em que os nossos olhos se uniram!
forças transcendentais me impedem
de proferir um simples "olá",
ou de aspirar a algo mais do que esta contemplação diária;
sou uma mera nota numa sinfonia,
uma mísera letra num soneto,
entre a multidão que te venera, que segue os teus passos
e se encanta com tanta perfeição!
és a minha musa e o meu veneno,
a minha florescência e o meu ocaso,
em ti respiro e contigo morro!
mas nem mil exércitos me impedirão
de te voltar a admirar com o meu pensamento!
quinta-feira, janeiro 19, 2006
ilusão e pantufas
a questão que trago hoje é esta: porque raio nos havemos de sentir mal por gostarmos de uma pessoa? sim, que diabo, amar alguém, apaixonarmo-nos por uma pessoa, não é nenhum crime e, no entanto, por vezes agimos como se fosse a maior obscenidade à face da terra. todos aqueles que não acreditam em amores impossíveis deviam ser obrigados a ver 22 vezes seguidas um filme chamado "Cyrano de Bergerac", no qual Gérard Depardieu interpreta o mais eloquente dos homens, em actos e em palavras, mas que carrega consigo esse estorvo físico que é o tamanho descomunal do seu nariz, facto que o impede de declarar a sua paixão à mulher amada. é uma lição de vida o rumo que a história segue, desaguando na verdade reprimida durante anos. o troféu estava e sempre esteve no mesmo sítio, não houve foi coragem para o arrebatar; nem o mais corajoso e audaz dos espadachins, capaz de derrotar cem homens numa emboscada, foi capaz de ir à procura da sua felicidade, escudando-se atrás da sombra do seu nariz.
amanhã poderá ser qualquer um de nós a perder o momento, a oportunidade, e quem sabe, o amor da nossa vida! e porquê? "porque nem vale a pena tentar, é impossível"! não se está é disposto a cometer loucuras e a dar espaço à ilusão, sobretudo quando as pessoas cada vez mais hoje em dia se acomodam ao que já têm. é a chamada "era da pantufa", um estado de espírito confortável, sedentário, mas que retira qualquer veleidade ilusória a essas pessoas. e a ilusão é necessária, como a imaginação, a ousadia, a cortesia... quando se ama, seja em que idade for, volta-se à idade do clerasil (creme para borbulhas), como disse Miguel Esteves Cardoso. de repente sentimo-nos novamente adolescentes e até nos apetece andar na rua com walkman's, de skate, calças rasgadas, etc. e depois, haverá desafio maior do que o de conquistar uma mulher? ou pelo menos tentar... é tempo de sonhar. a vida é uma coisa, a realidade também, mas o amor é outra completamente diferente, está sempre acima de tudo. a realidade pode matar a ilusão mas o sonho é mais bonito que a vida. basta um olhar, um sorriso, para o coração os apanhar para sempre. ele conserva aquilo que nos escapa como areia fina das mãos. e isto é amar, por muito longe, por muito impossivel, por mais desesperante que seja. alojamos essa sensação no cérebro e usamo-la quando precisamos de escapar, entrando nesse mundo ilusório onde tudo parece mais aliciante. sim, é um escape também, uma tentativa de nos agarrarmos a um passado não tão distante quanto isso e ficarmos por lá algum tempo, alimentando a alma, fortalecendo o ego, desatando sensações que pareciam perdidas e, quem sabe, encontrarmo-nos a nós próprios! a ilusão permite-nos tudo isso.
amanhã recomeça tudo. a realidade é incontornável e respeitamo-la. Sempre! mas a ilusão da conquista será sempre mais forte do que aquelas confortáveis pantufas e, certamente, amanhã terei novamente tempo para me dedicar a ela. sim, ela também é mais forte... do que eu...
amanhã poderá ser qualquer um de nós a perder o momento, a oportunidade, e quem sabe, o amor da nossa vida! e porquê? "porque nem vale a pena tentar, é impossível"! não se está é disposto a cometer loucuras e a dar espaço à ilusão, sobretudo quando as pessoas cada vez mais hoje em dia se acomodam ao que já têm. é a chamada "era da pantufa", um estado de espírito confortável, sedentário, mas que retira qualquer veleidade ilusória a essas pessoas. e a ilusão é necessária, como a imaginação, a ousadia, a cortesia... quando se ama, seja em que idade for, volta-se à idade do clerasil (creme para borbulhas), como disse Miguel Esteves Cardoso. de repente sentimo-nos novamente adolescentes e até nos apetece andar na rua com walkman's, de skate, calças rasgadas, etc. e depois, haverá desafio maior do que o de conquistar uma mulher? ou pelo menos tentar... é tempo de sonhar. a vida é uma coisa, a realidade também, mas o amor é outra completamente diferente, está sempre acima de tudo. a realidade pode matar a ilusão mas o sonho é mais bonito que a vida. basta um olhar, um sorriso, para o coração os apanhar para sempre. ele conserva aquilo que nos escapa como areia fina das mãos. e isto é amar, por muito longe, por muito impossivel, por mais desesperante que seja. alojamos essa sensação no cérebro e usamo-la quando precisamos de escapar, entrando nesse mundo ilusório onde tudo parece mais aliciante. sim, é um escape também, uma tentativa de nos agarrarmos a um passado não tão distante quanto isso e ficarmos por lá algum tempo, alimentando a alma, fortalecendo o ego, desatando sensações que pareciam perdidas e, quem sabe, encontrarmo-nos a nós próprios! a ilusão permite-nos tudo isso.
amanhã recomeça tudo. a realidade é incontornável e respeitamo-la. Sempre! mas a ilusão da conquista será sempre mais forte do que aquelas confortáveis pantufas e, certamente, amanhã terei novamente tempo para me dedicar a ela. sim, ela também é mais forte... do que eu...
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Nas Nuvens
como é bom andar nas nuvens!
elevar espiritualmente a minha trivialidade
e transcender-me para além desta singela essência
que me nega o ar que eu necessito para respirar.
é ter asas em vez de acabrunhada timidez;
subir ao convés e apreciar cada uma das ondas
em vez de me fechar nos oceanos da minha mente;
é poder contemplar o sol quando antes feria a vista,
afastar as cortinas e encher de cor esta minha escuridão.
se eu agora resplandeço, aqui nas nuvens,
foi porque me deixaste partilhar da tua luz
e me apresentaste o teu mundo de letras apaixonadas.
se agora me sinto assim, tão revigorado interiormente,
devo-o ao despertar que as tuas palavras surtiram
e ao aconchego emocional que me ofereceste.
como é bom andar nas nuvens!
elevar espiritualmente a minha trivialidade
e transcender-me para além desta singela essência
que me nega o ar que eu necessito para respirar.
é ter asas em vez de acabrunhada timidez;
subir ao convés e apreciar cada uma das ondas
em vez de me fechar nos oceanos da minha mente;
é poder contemplar o sol quando antes feria a vista,
afastar as cortinas e encher de cor esta minha escuridão.
se eu agora resplandeço, aqui nas nuvens,
foi porque me deixaste partilhar da tua luz
e me apresentaste o teu mundo de letras apaixonadas.
se agora me sinto assim, tão revigorado interiormente,
devo-o ao despertar que as tuas palavras surtiram
e ao aconchego emocional que me ofereceste.
como é bom andar nas nuvens!
sexta-feira, janeiro 13, 2006
"There´s always another girl"
Quem seria capaz de viver sem música? Momentos há em que nos sentimos com necessidade de "sofrer", de ficar pasmados a olhar o vazio, uma paisagem, a chuva, enquanto ouvimos "aquela" música, a tal que nos põe num estado nostálgico, a pensar em alguém, num passado não muito distante. Quase que até apetece fumar, para carregar simbolicamente a cena, juntando a isto tudo um copo de baileys com muito gelo, um ambiente acolhedor, uma lareira acesa, a chuva a bater nos vidros. Está criado o cenário perfeito, tudo emoldurado pelos sons que nos aquecem a alma e nos reavivam a memória. A postura e o olhar para o infinito são sempre baseados numa cena marcante do filme "Os Fabulosos Irmãos Baker", em que o fabuloso Jeff Bridges, de cigarro na boca e copo de whisky na mão (lá está, tem mesmo que ser!), ouve a despedida comovente de Michelle Pfeiffer, corroído de dor por dentro mas aparentando uma frieza quase gélida que o leva a dizer a célebre frase: "There's always another girl"... A "nossa" Michelle Pfeiffer está no nosso pensamento, não está ao nosso lado a despedir-se, a colocar um fim numa relação errante. A música, por esta altura, seria bem suave, talvez a voz de John Grant, dos The Czars, soasse divinalmente aos nossos ouvidos. Ouviamos "Concentrate": I hope you're not talkin' 'bout yesterday, 'cause I can't live, I can't live that way it's all gone now and you don't know the truth so you must go now and find the door I hope I'm not disturbing you". Uma das musicas ideais para uma despedida, o som depressivo mais adequado para a nossa sensação ser ainda mais forte. Talvez ainda nos lembrássemos de ouvir Mark Eitzel, esse trovador apaixonado, cantar "It's time for me to go away, i'll get a new nem maybe i'll get a new face, it's time for me to go away, no i don't belong in this place, but i'm not going to ask you why you think the parade as passed us by, or if everything good as gones into the western sky", da musica "Western Sky", dos American Music Club. Ou Mark Kozelek, dos Red House Painters, em "Song for a Blue Guitar": "in the room all i feel is the cold that you left, through the air all i see is your face full of blame; what's left to see? what's there to see?". Mas outras vozes e outras musicas encaixariam perfeitamente neste nosso estado letárgico, de contemplação interior. O momento é nosso, mais ninguém poderá invadir esse espaço. Estamos "desligados" deste mundo, estamos agora a viver num outro, apenas de recordações, de momentos passados, a tentar imaginar como teria sido diferente a nossa vida se tivéssemos dado um determinado passo, de tivéssemos dado "aquele" beijo, se tivéssemos dito as palavras que nos enchiam a mente na altura certa... "What If", dos Coldplay, também se poderia incluir na banda sonora deste momento. O "nosso" momento, desprendido do mundo real. Como escreveu uma grande amiga minha, uma pessoa cheia de qualidades e virtudes, "se me encontrares por aí perdida nas estrelas, não me devolvas à realidade!". Brilhante Cláudia! O final perfeito! Obrigado pela inspiração!
quarta-feira, janeiro 11, 2006
nascente das minhas ilusões
A nascente das minhas ilusões
Tinhamos a inocência na alma, retratada nos rostos
sem uma ruga de enfado, um esgar de cansaço!
Fervíamos na imaculidade da paixão
que não comportava a hipocrisia do interesse
ou intenções duvidosas de instintos perversos.
Ficávamos contentes só de nos vermos,
estarmos juntos, mesmo calados a contemplar a natureza,
a escutar o murmúrio dos pássaros,
das árvores e da água das fontes que saltitava dos veios rochosos,
felizes porque só conhecíamos o encanto
e nada nos matava a certeza do dia seguinte!
Tinhas a frescura da Primavera, a beleza do nascer do sol
e a elegância de um cisne altivo!
Os teus olhos reflectiam candura e pureza,
envoltos nesse oceano castanho de longos cabelos,
em cujas águas me perdi!
Deitados na relva, contemplávamos o majestoso céu
que parecia sorrir para nós, ordenando a Van Gogh idílicas pinturas,
a Rimbaud que declamasse um poema
e a John Lennon que escrevesse a mais bonita das músicas!
Foste a nascente das minhas ilusões,
o lapso de tempo que queria imutável
e a sensação intensa que desejava insuprível!
Agarrado aos fiapos da tua imagem,
acordei diante da minha solidão.
Perdi-te como se perdem todas as quimeras:
sem perceber os fios das teias
que me enredaram na tua imagem.
Neste sonho foste memória viva!
Agora, acompanhado por uma sombra vitalícia de tristeza,
só esta saudade de ti me alimenta o tempo...
Amei-te! Amei-te tanto que ainda julgo que nunca te perdi!
J.A.L.
Junho 2004
Tinhamos a inocência na alma, retratada nos rostos
sem uma ruga de enfado, um esgar de cansaço!
Fervíamos na imaculidade da paixão
que não comportava a hipocrisia do interesse
ou intenções duvidosas de instintos perversos.
Ficávamos contentes só de nos vermos,
estarmos juntos, mesmo calados a contemplar a natureza,
a escutar o murmúrio dos pássaros,
das árvores e da água das fontes que saltitava dos veios rochosos,
felizes porque só conhecíamos o encanto
e nada nos matava a certeza do dia seguinte!
Tinhas a frescura da Primavera, a beleza do nascer do sol
e a elegância de um cisne altivo!
Os teus olhos reflectiam candura e pureza,
envoltos nesse oceano castanho de longos cabelos,
em cujas águas me perdi!
Deitados na relva, contemplávamos o majestoso céu
que parecia sorrir para nós, ordenando a Van Gogh idílicas pinturas,
a Rimbaud que declamasse um poema
e a John Lennon que escrevesse a mais bonita das músicas!
Foste a nascente das minhas ilusões,
o lapso de tempo que queria imutável
e a sensação intensa que desejava insuprível!
Agarrado aos fiapos da tua imagem,
acordei diante da minha solidão.
Perdi-te como se perdem todas as quimeras:
sem perceber os fios das teias
que me enredaram na tua imagem.
Neste sonho foste memória viva!
Agora, acompanhado por uma sombra vitalícia de tristeza,
só esta saudade de ti me alimenta o tempo...
Amei-te! Amei-te tanto que ainda julgo que nunca te perdi!
J.A.L.
Junho 2004
terça-feira, janeiro 10, 2006
apresentação
"nuvens da alma" resulta da inspiração, criatividade, sensibilidade que eu possa ter em determinado momento. não deixem que o nome do blog vos engane, não serei fatalista, derrotista ou demasiado depressivo. dias haverá em que as nuvens estarão com um semblante mais carregado e em que só me apetecerá ficar a contemplar a chuva; mas também existirão dias radiantes e quentes, em que as nuvens... se dissiparão. serão sempre os meus estados de espírito a controlar e a gerir este blog, não haverá nehuma linha de orientação rígida. aqui terão sempre lugar todas as formas de arte, as opiniões, as críticas, tudo o que as minhas nuvens queiram fazer chover.
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